SUBESTIMADOS
Estive no Porto com a multidão. Fui multidão com ela. Não queria parecer demasiado romântico e ingénuo, inventando parangonas-jasmim e invectivas sem correspondência com a mole humana que hoje protesta mas amanhã pode bem acomodar-se de novo ao esclavagismo progressivo imposto pelos PECs nas costas de todos e pelo estrume da miseranda partidocracia. O certo é que um fio de coesão percorria-nos a todos no protesto e éramos todos bem diferentes na idade e nas motivações mais íntimas, agitadores, revoltados, desempregados, precários, mendigos, reformados, toda a fauna de recentes alvoroçados com o rumo tomado pelas coisas em Portugal: o pólo comum era nitidamente o apodrecimento de Sócrates, epítome da estrumeira ilegítima em decurso. Quem sempre subestimou manifestações e ajuntamentos, dada a desconsideração global pela ralé europeia em que nos integram, subestimará esta também. Está nas mãos de todos os que repudiam o socratismo, a partidocracia e os seus efeitos e traições à nossa soberania, continuar de voz erguida e a rua apinhada. Era preciso um rastilho. Os jovens À Rasca, maus redactores de palavras e de argumentos, foram esse rastilho. Agora subestimem-nos. Continuem a subestimar-nos e verão.
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Comments
'nunca menosprezar o inimigo'
É que não basta despedir este governo. É preciso garantir que os que vêm depois não continuarão a mesma política
Em 1992 escrevemos sobre a ruptura da solidariedade entre gerações. Os cidadãos devem pagar depois de estarem a beneficiar do que a sociedade lhes proporciobnou e não durante o período de formação. Não tem qualquer lógica, como outrora explicávamos.
O que me indigna é não saber por onde andaram os portugueses pensadores nestes últimos 15 anos? Já repararam para onde nos conduz este socialismo (leia-se chuchalismo!)...? Que governo é este que anda com mais de 15 anos de atraso!