SUBESTIMADOS

Estive no Porto com a multidão. Fui multidão com ela. Não queria parecer demasiado romântico e ingénuo, inventando parangonas-jasmim e invectivas sem correspondência com a mole humana que hoje protesta mas amanhã pode bem acomodar-se de novo ao esclavagismo progressivo imposto pelos PECs nas costas de todos e pelo estrume da miseranda partidocracia. O certo é que um fio de coesão percorria-nos a todos no protesto e éramos todos bem diferentes na idade e nas motivações mais íntimas, agitadores, revoltados, desempregados, precários, mendigos, reformados, toda a fauna de recentes alvoroçados com o rumo tomado pelas coisas em Portugal: o pólo comum era nitidamente o apodrecimento de Sócrates, epítome da estrumeira ilegítima em decurso. Quem sempre subestimou manifestações e ajuntamentos, dada a desconsideração global pela ralé europeia em que nos integram, subestimará esta também. Está nas mãos de todos os que repudiam o socratismo, a partidocracia e os seus efeitos e traições à nossa soberania, continuar de voz erguida e a rua apinhada. Era preciso um rastilho. Os jovens À Rasca, maus redactores de palavras e de argumentos, foram esse rastilho. Agora subestimem-nos. Continuem a subestimar-nos e verão.

Comments

Anonymous said…
Passos Coelho acabou de fazer um longo discurso sobre o estado e futuro de Portugal. Sócrates pode ter muita lábia, mas à beira de PC é um político de galinheiro de arredores. Vai ser completamente cilindrado...a não ser que haja vigarice eleitoral.
floribundus said…
disseram-me quando prestava serviço militar
'nunca menosprezar o inimigo'
Carlos Portugal said…
Vigarice eleitoral, Caro anónimo? Há sempre! Isto não vai lá com eleições!
Anonymous said…
O que o Passos Coelho quer para Portugal é merda. Despedimentos facilitados, menos direitos, horas extraordinárias não pagas, contratos orais... Mas quem é que pode levar a sério tanta estupidez? Se o povo português fosse inteligente, já tinha corrido com esse filho da puta.
É que não basta despedir este governo. É preciso garantir que os que vêm depois não continuarão a mesma política
José said…
Muita gente não leu o Manifesto... mais 1 menos 1, tanto faz...
Olá. Vejo que os portugueses começam a despertar... E que aquela que tentaram baptizar de "Geração Rasca" não passaria (tal como o dizíamos em 1992 contra personalidades defensores das propinas (que dizíamos seriam para formar licenciados para o desemprego!) não passa de "Uma Geração à Rasca". Sim. À Rasca porque teria de pagar Propinas altíssimas nas universidades para se poderem formar, já que os já formados de então (como António Barretom, Miguel Sousa tavares, Pacheco Pereira e outros tantos que defenderam a tese de que iriam ganhar balúrdios com as suas licenciaturas...) e por isso se recusaram a pagar os cursos para formar os jovens tal (como os nossos anciãos haviam pago outrora para os formar a eles que, sem dúvida, ganhavam balúrdios á custa das licenciaturas que haviam conseguido de borla, ouo quase!). Ora, eles, sim, haviam realizado a sua formação e ganhavam balurdios beneficiando da dita formação. Mas os jovens que ingressaram na universidades após a primeira metade da década de 90 (de 1995 em diante!), os jovens de então, passariam a PAGAR PROPINAS PARA O DESEMPREGO. E afinal, digam-me agora que estava errado...!
Em 1992 escrevemos sobre a ruptura da solidariedade entre gerações. Os cidadãos devem pagar depois de estarem a beneficiar do que a sociedade lhes proporciobnou e não durante o período de formação. Não tem qualquer lógica, como outrora explicávamos.
O que me indigna é não saber por onde andaram os portugueses pensadores nestes últimos 15 anos? Já repararam para onde nos conduz este socialismo (leia-se chuchalismo!)...? Que governo é este que anda com mais de 15 anos de atraso!

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