JASMIM PORTUGUÊS
Hoje demos o primeiro passo para uma revolução equivalente à da Tunísia, do Egipto, da Líbia e das demais em decurso, no Norte de África e Próximo Oriente. Eles por finalmente democracia, eleições e liberdade, à custa do sangue que se pode imaginar perante a tiranias estabelecidas. Nós por muito mais democracia, muito mais humanismo retributivo no trabalho, por muito mais dignidade reconhecida ao cidadão, por muito mais transparência da acção política. Deparamo-nos com a feroz resistência do único partido que, em quinze anos, se cevou largamente do suor geral, engordou corporativamente para atirar com o País para as faldas da bancarrota. A quantos procuraram cingir o que se passa nas nossas praças e avenidas apenas a um feixe de actores ditos à rasca e aos seus interesses apodados de confortabilistas, cumpre dizer que se enganaram. João, lamento, mas estavas rotundamente enganado. Tu também, João Pereira Coutinho, enganado, subestimaste-nos e afunilaste a tua análise: os precários são rastilho: um fio de coesão percorria-os a todos no protesto e eram bem diferentes na idade e nas motivações mais íntimas, agitadores, revoltados, desempregados, precários, mendigos, reformados, toda a fauna de recentes alvoroçados com o rumo tomado pelas coisas em Portugal. Até ao dia de hoje, o que se escreveu e opinou resultou da perplexidade e nervosismo de quantos fazem o jogo dos poderes instituídos, gente cínica, indiferente, absolutamente hipócrita, com as costas quentes na velha promiscuidade Governo-imprensa domesticada. Este movimento é de todos e para todos os que não pertencem à classe anafada das clientelas do PS, do PSD, mas pagam com alto preço a possibilidade de haver inutilidades agregadas ao Estado, largas dezenas de milhares de gestores, pequenos chefes ou comissários políticos, com o perfil zeloso dos Lellos, dos Vitalinos, dos Varas.
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