ATRÁS DE UNS ARBUSTOS

O minuto 13h58 em que Sócrates disse: "Vejo que alguns se andam a esconder atrás dos arbustos." faz pensar na grande abrangência semântica do que se lê, do que se diz e see comunica mesmo ao oponente, num ilimitado jogo de implícitos e possibilidades alargadas. O destino do célebre espreitador em emboscada da anedota é conhecido assim como a acção punitiva do animal que é espreitado. Para extensões eleitorais, falta definir quem é quem porque quanto à grande narrativa da crise política, todos são o caçador, Partidos, Presidente, especialmente o eleitor, facto não-fatal a ser evitado e combatido: «Estava um caçador numa floresta quando vê um urso por trás de uns arbustos. Pega na espingarda e atira. Como o urso era grande, o atirador gasta todas as balas. Quando vai ver o resultado, não encontra o urso. Desiste. Mas quando vai a sair da floresta, sente alguém tocar-lhe no ombro. Era o urso, que olha para ele e diz: "Tu és mau, és mesmo mau. Por isso vais ser enrabado!"  e pimba! No dia seguinte, o caçador volta à floresta com uma bazuca para se livrar do urso e saciar-se de vingança. Quando avista o animal, atira, mas erra novamente. Para desfazer as dúvidas, enquanto procurava o bicho, sente alguém a tocar-lhe no ombro. Era o urso: "Tu não és mau. Tu és cruel. Por isso vais ser castigado, isso sim!" E repete a dose enrabando o caçador. No outro dia, o infortunado caçador volta à floresta, desta vez muito mais furioso, levando consigo várias granadas. Mal avista o urso, quase destrói toda a vegetação com várias explosões. Mas quando vai à procura do animal, de preferência morto, não vislumbra sinal. De repente, aparece-lhe o urso pela frente: "Tu não és mau. Tu nem sequer és cruel! O que tu és é uma grande bicha, isso sim!"»

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