FISIOLOGIA DA NECESSIDADE

O cinismo e o primitivismo da luta política manifestam em Portugal toda a sua devastação. Enquanto o Partido Socialista rebentou com a escala em descalabro ético, desgovernança dolosa, escarro de ter sido desgoverno, o PSD hesita, pondera, poupa ao atacar, avança ou recua das ideias atiradas. Logo o vespeiro desconstrutor socialista-socratista tritura a matéria, trata-a, vulgariza-a, insulta-a, desgasta-a e entrega-a, enquanto rumor de desânimo, ao triunfo dos porcos comentadores-reprodutores de lugares-comuns, serviçais da capitulação para com o veneno. Qualquer esboço de debate é morto à nascença, sepultado na enorme vala do não vale a pena, coisa do interesse situacionista. Evidentemente que há necessidade de recorrer a ajuda externa. A indecência está toda no impasse artificial arquitectado pelos socratistas. A chantagem continua. A mentira continua. O erro não tem descanso nem dia de folga.

Comments

Anonymous said…
É uma atitude bem intencionada de Pedro Passos Coelho, mas não chega. E é bem intencionado ainda admitir que Portugal tem capacidade para resolver os seus problemas sem ajuda externa. Acontece que Portugal não tem capacidade financeira, económica e política para resolver a sua situação. Falta-lhe capacidade financeira porque todas as semanas tem de contrair novos empréstimos com juros elevadíssimos para pagar dividas e efectuar pagamentos, capacidade económica porque deixou destruir em trinta anos o seu tecido produtivo e não consegue exportar o suficiente para as suas necessidades e falta-lhe capacidade política porque tem sido governado nos últimos quinze anos por incompetentes, muito em especial nos últimos seis anos. Ora se quem nos governou nos últimos seis anos nos levou à ruína, como pode agora resolver problemas? A crise internacional não é desculpa. Os países europeus com uma situação financeira e económica sólida foram afectados pela crise, mas estão a resolver os seus problemas, estão longe de estar em situação de ruptura. Quem está em situação de ruptura como Portugal, a Irlanda e a Grécia é por culpa própria e é desonesto desculparem-se com a crise internacional.
Anonymous said…
A crise,ouvimos todos repetir até à exaustão. Mas a crise é para todos? A crise, de um sector do capital, o capital financeiro, foi rapidamente recuperada. A crise foi superada graças ao papel salvador de uma entidade que muitos davam já por defunta, o Estado. Estado que, depois de ter empenhado somas inimagináveis para impedir o colapso do sector financeiro colabora activamente, hoje como sempre, com o capital para, como diz o professor Michael Hudson “utilizar a crise bancária (gerada por empréstimos imobiliários de má qualidade, não por custos demasiado elevados do trabalho) como pretexto para alterar a legislação, permitindo às empresas privadas e às entidades públicas despedir sem custos e com a máxima arbitrariedade, assim como reduzir as pensões e as despesas sociais, de modo a poder dar mais dinheiro aos bancos”.

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