O PS talvez tenha sido um grande partido, mas isso terá sido antes de ser fundado. Mal foi criado, logo se perverteu, morrendo como grandes culturas mortas e enterradas da América-do-Sul. Comparado com outros, esse partido é o mais pequeno em ética republicana, muito atrás do primeiro, o PCP. Marcado pela corrupção levada ao extremo do impudor e mais marcado ainda pelos entraves objectivos ao seu combate, conforme enfoca Ana Gomes, há muita pedra para partir e imenso pedreiro-livre a fiscalizar exaustivamente. Militantes, autarcas, dirigentes, deputados, ex-governantes, eis uma galáxia de suspeitas e suspeitos, cujos lixos por desenterrar e crivar exigem máximo zelo: a ninguém até hoje foi dado compreender, por exemplo, qual a origem da extraordinária riqueza súbita do Pseudo-Engenheiro Sócrates e de outros. Ana Gomes sabe bem que num País como o nosso nada se faz sem a devida insinuação corajosa e nada avança se se não puser muitas vezes o dedo na ferida. Ana Gomes sabe quem resiste ao combate à corrupção. Boa parte do seu PS sofre terrores sob a perspectiva desse combate levado a sério, finalmente. Os sujos e corruptos do partido já movimentaram influências, mundos e fundos para espernearem e estrebucharem resistências à devassa que se impõe, após seis anos em que o endividamento público duplicou e o País empobreceu. Quem empochou o dinheiro? Aflitos que lhes verifiquem os ganhos ilícitos, logo se queixam de que essa clarificação suscitada por Ana Gomes roça a difamação ena calúnia, além de se escudaram na inconveniência de certas formas combate à corrupção por se tratarem de «corrupções da Lei e dos direitos consagrados na Constituição». Como se vê, a esta gente indigna não falta todo um arsenal de desculpas sornas. Portanto, para o PS-ex-assessores e ex-governantes recentes do cadáver morno socratista, não há qualquer interesse em combater a corrupção. Para evitarem tal combate, tornam-se sofistas e argumentam finamente, concentrando os seus ataques na árvore do método enquanto seguem indiferentes à floresta da dissolução corrupta alicerçada na conhecida e bem exemplificada avidez extrema do seu partido. Nada mais estranho que uma das vozes mais estrénuas contra os corruptos do seu próprio partido, Seguro, tenha introduzido a viola no saco, devidamente pressionado. Que o PS carece de desinfecção, ninguém tem dúvidas. Nulo é o peso das dúvidas acerca da duvidosa índole do anterior Governo e de Sócrates. A atenção do pequeno partido socialista foi aliás capturada pela necessidade de uma catarse e de uma clarificação urgente. Verificou-se de modo indisputável que não existia honorabilidade no anterior Governo e eram abundantes as suspeitas criminosas que recaíam sobre si, ao ponto de quer o Procurador-Geral da República quer o Presidente do Supremo darem manifestos e reiterados sinais de terror, submissão e acanhamento, mesmo em face dos delitos da mais extrema gravidade contra o Estado de Direito, apenas desvanecidos devido à volatilidade mediática que comanda a prossecução da Justiça num País sem ela, como o nosso: delito/crime/transgressão político-económicos que não sejam mediatizados não existem. Quando saem da agenda mediática, morrem literalmente, dissolvendo-se no olvido geral. Portanto, o medo e a fraqueza dos actores da Justiça bloquearam a própria Justiça e tornaram indelével a impunidade dos corruptos políticos. Quando todas as instituições de poder estavam na mão do PS socratista e o 4.º poder era permeabilíssimo às pressões directas de Sócrates, a Justiça não foi servida. É aqui que Ana Gomes representa uma pedrada no charco espesso da malícia socialista, na medida em que apõe o tom passional que lhe é próprio e consubstancial à racionalidade desta matéria, expondo os verdadeiros corruptos e ao acusar aqueles que, no seu próprio pequeno partido, logo movem montanhas para que a prova se dilua e a consequência no mínimo represente um exílio sossegado em Paris. O que faremos com este pequeno partido socialista? Ata-se-lhe uma mó ao pescoço e lança-se ao Oceano Atlântico, onde aliás mergulhará já morto e apodrecido.

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