Terça-feira, Outubro 18, 2011

CARVALHO, PÁ, E TU, PROENÇA!

É tarde para mais folclore, Carvalho, e tu, Proença. O meu peito está pronto para ver o meu País definhar e para definhar eu mesmo sob os dardos hipócritas dos que enriqueceram nos últimos anos e não foram quem é agora Governo. Sabes, Carvalho, e tu, Proença, eu sofri o que tinha a sofrer no meu espírito ao ver o que Sócrates fez contra o meu País e contra mim: os meus amigos insistem comigo o tempo presente é que conta e o monturo de destroços deixados são passado. Há um saque fiscal em perspectiva, o maior de sempre, não o nego. Mas pensar nas nossas centrais sindicais e pensar nos seus líderes, como tu, Carvalho, caralho, e tu, Proença, é ler-lhes a convicção de um protozoário. Nenhuma. Como é que se decreta uma greve geral sem um friozinho de remorso a percorrer-te a espinha?! As greves gerais têm sido uma merda e produzido merda com a eficácia da merda: se fizéssemos outra, perdíamos mais dinheiro em cima do saque fiscal estabelecido. Cansaço da tua cassete, Carvalho, e tu, Proença! Sou precário e enquanto precário nunca embarquei em greve nenhuma e nenhuma greve alguma vez me fez justiça. Pelo contrário: foi o vazio. A direita que está no poder é igualzinha à suposta esquerda que, com os tenebrosos socratistas, esteve no Poder. As diferenças estão por encontrar, mas há indícios delas. O socratismo foi um Poder sem Pudor e a única coisa que pode salvar agora a liga de salvação nacional PSD/CDS-PP é o exemplo escrupuloso, a capacidade de moralizar o Aparelho de Estado, os anúncios que nos semeiem esperança. Contra o que seria de esperar, e dado que não tenho um trafulha como Primeiro-Ministro, eu trabalho com extremo zelo. Cumpro escrupulosamente o meu parco horário de trabalho para poder alimentar as minhas filhas e vesti-las. O nosso grande paradoxo, Carvalho, e tu, Proença, é necessitar de trabalhar mais e de mais maneiras e também protestar de novo e de todas as maneiras, coisa que a CGTP nem sabe nem consegue, a não ser pólvora seca e folclore inútil. A CGTP está esgotada e nunca me representou nem defendeu. Sou mal pago. Tenho o parco dinheiro contado. Não posso boicotar os iogurtes de Soares dos Santos, no seu Pingo Doce, porque é com eles que alimento as minhas filhas nem sei qual o interesse em dirigir o fogo dos meus boicotes a um alvo que tem trabalhadores esforçados e inocentes como eu se não posso de modo nenhum atingir os oligarcas que nada sofrerão com a minha miséria prolongada, inescapável, acrescida. Também não compreendo como é que os socialistas-socratistas arreganham os dentes e instigam grandes rebeliões e estalam de cio com as sangria desmoralizada dos cidadãos contra um poder conduzido a abusar de nós, talvez porque deixado sem qualquer margem para exercer uma réstia de respeito por princípios de equidade e justiça social. A hora presente nasceu das mãos aselhas e ávidas do socratismo. Não há qualquer possibilidade de entendimento do presente prescindindo da leitura cronológica subjacente à extensa loucura nefelibata socratista. Carvalho, e tu, Proença, vai trabalhar ou dá o lugar a outro que nos ensine a protestar sem perder o emprego, sem dar fome aos filhos, sem o cutelo de qualquer chantagem, tu, Carvalho, e tu, Proença, que não nos preparaste para esta merda, este afundanço do País, este dar com os cavalos nacionais na água. Não passas de um dirigente que vocifera nas manifs. Não foste, não és nem serás nenhum Lech Walesa, mas um retórico funcionário protestativo bem pago das formas de protesto arcaicas e dos refrões anacrónicos. Não chega.

2 comentários:

Anónimo disse...

Eu trabalho à mais tempo que tu deves ter de idade, caralho, sempre com os descontos em dia, caralho, e isto não precisa de 1 dia de grave, precisa de 1 mês e além de greve precisa que se passe a mão pelo pêlo de todos os que agora mentem. Quem comprou os submarinos que não servem para nada, foste tu caralho e o buraco da Madeira, é teu caralho. Educa-as sendo sério e não mudando de opinião conforme as conveniências.

Anónimo disse...

Afinal este País ainda tem formas de vida inteligente.