Não sei se o primeiro-ministro que elegi está exclusivamente do lado dos credores que nos vampirizam o sangue. Do que duvido é da eficácia de qualquer luta nas instâncias internacionais para suavizar os sacrifícios que teremos de suportar, como quem espera um milagre: as palavras de nada valeram aos gregos, portanto, se não formos absolutamente distintos deles, com mais actos e menos palavras pseudo-garantísticas, nada nos impedirá de atascar como eles. Que Portugal cumpra integralmente os seus compromissos converteu-se numa questão de orgulho e de honra — é que simplesmente não estamos em condições de exigir/pedir mais tempo nem melhores condições nem mais algum dinheiro a não ser se formos absolutamente exemplares. Nunca nos passou pela cabeça que o peso dos obtusos elogios da Alemanha e da França valessem bem mais para a nossa luta que toda a raiva somada dos que andaram com Sócrates ao colo. Também não acredito que se vá a tempo de resgatar a nossa nula coesão social: o País é profundamente assimétrico e injusto para que se impute ao actual Governo de Emergência Nacional quaisquer responsabilidades novas nesse ponto. A emigração de milhares de quadros e estudantes altamente qualificados é o escape adequado aos velhos constrangimentos do emprego, essa debandada é antiga. Recrudesceu há talvez há meia década e não se pode dizer que os milhares de pessoas que serão lançadas no desemprego e no desespero não tenham sido avisados contra o canto de sereia dos últimos seis anos. Cada qual se compenetre, lute, emigre, agarre qualquer oportunidade e não se resigne. Não serão os ladrões que afundaram Portugal a gerar emprego com os biliões abichados ao erário. Não ao choradinho bacoco! Não à descoberta da pólvora dos sistémicos e facciosos comentadores socialistóides, que agora rasgam as vestes e sentem raiva a nascerem-lhes dos dentes. Agora. Porque no passado eram todos sorrisos com o sorriso cretino dos optimismos de mentira.
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