«E esse problema central é o do esgotamento do modelo de crescimento que se baseava fundamentalmente num crédito torrencial que, subitamente, diminuiu ou colapsou. É este o ponto cego das nossas dificuldades ocidentais, que na verdade quase ninguém quer – dada a multiplicidade e gravidade das suas implicações - ver e pensar. Passámos a última década distraídos, muito distraídos. Primeiro, com a declamatória «estratégia de Lisboa» aprovada em 2000, que deveria ter feito da União Europeia «a economia do conhecimento mais competitiva e dinâmica do mundo, antes de 2010, capaz de um crescimento económico duradouro acompanhado por uma melhoria quantitativa e qualitativa do emprego e uma maior coesão social».... Depois, arrastando os problemas institucionais da U.E., de cimeira em cimeira, de tratado em tratado, só descobrindo a quase inutilidade de tudo isto quando a ratificação do último, o Tratado de Lisboa, coincidiu com o rufar dos tambores da crise, a dizer que afinal os problemas que se impunha tratar eram outros. Por fim, com a imprudente arrogância de fim-de- época, que nos tornou incapazes de perceber o novo mundo que se abria com a entrada em cena dos países emergentes, abalando as ingénuas expectativas de que, com a globalização, a supremacia ocidental se consolidaria...» MMC
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