Vítor Pereira está encostado à parede. A margem é pequena apenas porque ele fez parte do sucesso estrondoso do ano passado, onde se conquistaram quase todos os troféus e títulos. A fasquia do discípulo não pode estar abaixo do passado. Na verdade, está tão alta quanto o mestre Villas-Boas a deixou. O nosso sexto sentido de adeptos e o nosso faro para problemas, incêndios e naufrágios no Clube está accionado. Só se desliga quando, com Vítor ou com outro qualquer, a equipa carbura, produz, marca, ganha de modo consistente, faz substituições acertadas e com rendimento, conserva vantagens averbadas no jogo não consentindo aquela abominável glória vã de certos adversários ou porque, ui!, empataram connosco ou porque, ai!, deram a volta ao resultado. Apareceu-nos uma crise. Não se pode negá-la. Até prova em contrário, e tal como os tufões e furacões que se baptizam com nomes de gente ou demónio, a crise chama-se Vítor Pereira, Vítor! Por muito que até simpatize contigo, pá, não há outra coisa que te diga. Ou passa rápido, com os destroços que já nos deixou, ou então, permanecendo, leva-te com ela na voragem.

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