Sábado, Outubro 15, 2011

FALSIFICAR SABERES. ENGANAR A SORTE

Pelo menos no Básico, os exames nacionais dos últimos anos não foram urdidos para avaliar competências nem conhecimentos tanto quanto serviram para inflacionar, validando-os, na disciplina de Língua Portuguesa, por exemplo, o maior número de acertos possíveis, dentro de um corpus de possibilidades perfeitamente aleatório a partir de um programa vasto. Só no ano passado, o atrito e a dificuldade nesses acertos foi superior comparado com os anteriores, talvez por razões políticas, uma vez que não se desestabilizou a nomenklatura residente na indústria dos exames corporizada no GAVE. Avaliar saberes segundo a lógica de um grande concurso "quem quer ser ubíquo e tudólogo" é deixar tudo muito pela metade comparado com o que seria o verdadeiro desafio: exigência de fluência e raciocínio na nossa Língua. Falta regressar ao discurso próprio, ao raciocínio maduro, a uma linha lógica por onde seguir, escrevendo e descrevendo realidades e experiências, o que represtigiaria a Língua e o modo como o falante nela se movimenta assertiva e criativamente. Avalie-se isso e, nesse dia, aguardarei. Ao revisitar os rankings enganadores, poderei observar a revolucionária recomposição da actual escala.

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