Quarta-feira, Outubro 12, 2011

ISTO DE PERDER DUAS VEZES

Ontem, a sombra de Queiroz pairava sobre o rectângulo de Copenhaga pois havia no ânimo negro das nossas hostes uma lassidão tão grande que era como se para cada um daqueles jogadores tanto se lhes desse prestigiar a sua carreira com um desempenho denodado e raçudo ou passar a maior parte do tempo com o cu dos calções sobre a relva, como Postiga, mil vezes perdendo a bola, deixando-se antecipar por um qualquer gigante nórdico. Não se viu senão uma imagem pálida do estrelato futebolístico nacional. Em campo, das duas uma: ou não estava ali o melhor onze dentre os convocados, mas só os que se submetem à autoridade de Bento sem sorrisinhos trocistas ou trejeitos desrespeitosos, ou aquele onze teve medo, um terror de correr riscos, aquele susto de se lesionar perante as grossas pernas de destemidos copos-de-leite, susto que faz ponderar toda uma carreira internacional de vento em popa. Ontem perdemos por falta de comparência em campo e foi desolador para o nosso pequeno e residual orgulho. Hoje voltamos a perder. Perdemos a paciência com Queiroz, que ressurge, cheio de moral, ainda a esbracejar contra as moscas e os espectros na sua cabeça de vento e espavento, a saber, Laurentino Dias, antigo secretário de Estado do Desporto, e Amândio de Carvalho, vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Quando os outros é que são dinossauros, o dinossauro só pode ser aquele que os vê: no máximo, são três monstros extintos, inúteis, que já não contam, exactamente iguais na nulidade que aportaram à Selecção, Queiroz, Amândio, Laurentino. Isto dava um magnífico cartoon. Simplesmente, há treinadores que nunca assumem quando falharam porque inventaram, quando destruíram capital anímico, quando representaram um ou dois passos atrás no desenho de um carácter forte, vencedor, ousado. 

3 comentários:

floribundus disse...

nesta republiqueta socialista os intelectuais do ps e da bola
nunca perdoaram a Queirós apoiar Cavaco.

no parlamento houve peixeirada com a venús vitorino

estamos fecundados e mal pagos

Anónimo disse...

Nem no Irão este homem fica calado. Era óbvio que ia dizer qualquer coisa hoje. Eu da minha parte fico com a mesma opinião. Um seleccionador não é um treinador. Se os jogadores tivessem tido 10% da motivação do adversário (e humildade), teriam ganho o jogo. O probléma é um capitão que não tem perfil para isso (culpa do CC) e um conjunto de jogadores que tem um tratamento demasiado elitista por parte da Federação. Isso terá que mudar e por isso o PB tem que ter couragem de começar a deixar as "estrelas" fora do relvado e potenciar o tantos bons jogadores que Portugal tem e que não estão viciados em publicidade e assinaturas de camisolas. Álias, achei fantastico a imprensa dar tanta atenção ao facto dos jogadores da Dinamárca pedir a assinatura do CR, para depois lhe dar uma tareia valente.

Anónimo disse...

Queiroz não consegue ultrapassar aquilo que foi penoso de ver no último Mundial e no início da fase de qualificação para este europeu. Nunca conseguiu estruturar a equipa e implementar um sistema de jogo competitivo capaz de catapultar a seleccção para bons resultados. Incapaz de reconhecer esse facto, é por isso um treinador incapaz de evoluir e é pena, pelo excelente trabalho que realizou há duas décadas. Paulo Bento, mudando algumas escolhas e implementado um sistema de jogo mais eficaz e equilibrado esteve bastante bem até ao episódio com Ricardo Carvalho. Embora ninguém o queira reconhecer, a verdade é que a selecção deixou de ser a mesma. Também é pena. Ninguém é perfeito...