Segunda-feira, Outubro 03, 2011

O PROFESSOR EXTEMPORÂNEO

Por aqui e por ali, já se está a pensar nas próximas eleições presidenciais e na embalagem de apoios que o Professor Marcelo leva, embora o discurso oficialesco prime pelos lugares comuns «ainda é cedo e tal» ou «O Presidente da República chama-se Cavaco Silva e é extemporâneo estar agora a falar desse assunto». Simplesmente, o que acontece e repugna é verificar como, em torno dessa ideia de presidenciais e de apoios de peso, surgem como nomes sonantes indivíduos carregados dos milhões vampirizados ao Estado por décadas de serviços redundantes em consultoria externa. Gente que opina. Gente que cretiniza profissionalmente pela opinião viciada que vende [se não há o verbo cretinizar, crio-o em três tempos]. Observe-se como andam sempre à tona peixes graúdos, como Júdice [«O mais provável é eu apoiá-lo.»], entra rei, sai rei, uma das vozes de pau mais socratistas entre os socratistas, opinando e vendendo opinião segundo os pareceres certamente da «infernal comarca», conforme voz do Diabo vicentino. É como se a nossa condenação é que tenhamos de tropeçar nos mesmos rostos com as mesmas vantagens e os mesmos privilégios, sopre a maré como soprar. Eu até gosto do professor Marcelo, mas a amizade que supostamente o une a Júdice ou une Júdice a si será, no mínimo, a 'amizade' que una e desuna Fausto de Mefistófeles. Não é por ele-Marcelo. É mesmo por alguma da tralha envolvente nesses anunciados apoios, tirando José Eduardo Martins, que aprecio imenso.

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