Quinta-feira, Outubro 13, 2011

SEXO E DINHEIRO NO PERGAMINHO DA PELE

Quem tem acompanhado o drama de Tristane Banon contra o antigo director do FMI, Dominique Strauss-Kahn por tentativa de violação, fica perplexo. Até a questão DSK vs. Nafissatou Diallo [«"um ombro demolido" que precisa de cirurgia, "hematomas e feridas na vagina" causadas, afirma pela brutalidade com que DSK agarrou. Disse que ela foi violada na Guiné Conakry, por soldados, antes de imigrar para os EUA, e mutilada sexualmente ainda no seu país de origem.»] ter explodido em Nova Iorque, o caso não passava de rumor obscuro. Depois, a coragem da vítima assomou e transformou-se em processo, cavalgada onerosa. Agora sabe-se que não terá seguimento. Às vezes sexo é agressão e essa agressão prazer mutuamente dado e consentido. Para muitos, e de modo consentido, sexo agressivo não passa de sexo, pelo que, degenerada a relação, mesmo os indícios que apontem para a existência de agressão sexual podem configurar nada mais que a linguagem disso com os seus caracteres 'provisoriamente indeléveis'. Este terreno pantanoso presta-se por isso mesmo aos aproveitamentos mais abusivos e aos equívocos mais sornas: para o mal e para o bem, e basta pensar nos casos de pedofilia: quaisquer indícios da linguagem bruta sexual, consentida ou negada, prescrevem porque se diluem no mutável pergaminho da pele, mais ainda se diluem quando a moção de acusar sucede fora da devida temporização, como parece ser o caso de Tristane Banon.

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