Se é mesmo verdade que, na reestruturação das empresas públicas de transportes, o Governo tenciona terminar com as mordomias concedidas a alguns trabalhadores e aos administradores das empresas, tratar-se-á de uma verdadeira revolução coperniciana na vida empresarial pública portuguesa, há muito desejada e esperada, fonte de imoralidade e desigualdade a mais absurda que imaginar se possa. Basta pensar no que está previsto e é legível nas linhas gerais do Plano Estratégico de Transportes, a aprovar na próxima quinta-feira: 1. diminuir o número dos membros das administrações das empresas, nomeadamente nas administrações portuárias; 2. reduzir o número de viaturas ao dispor das administrações; 3. impor limites a ajudas de custo, telemóveis e outras regras; 4. acabar com o direito trabalhadores da Refer a viajar gratuitamente, mais os familiares, filhos, pais, enteados e até irmãos solteiros [18 mil beneficiários, custo quatro milhões de euros por ano]; 5. fim dos absurdos prémios de assiduidade para os trabalhadores do Metro de Lisboa aos quais se pagam dos 68 aos 200 euros por mês, isto é, um prémio porque vão trabalhar; 6. fim dos 30 dias de férias dos trabalhadores da Carris; 7. fim do insultuoso prémio de produção na CP – um subsídio de produtividade por se ter trabalhado nesse dia. Foi pena ter-se admitido isto por tanto. Foi miserável que estas obscenidades se tivessem incrustado na estrutura das empresas públicas de transportes. Eu não fazia ideia desta porcaria para melhor a combater. Que Governos fracos o consentiram? Que sindicatos corruptos e irresponsáveis o negociaram? Deveriam ter vergonha, cumprir algum tempo na prisão. Espero que se faça a arqueologia dessa moldura arcaica e a cronologia dessa sorna golpada ao erário.
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