Ao assistir à leitura da declaração de vitória por parte de João Jardim, constatei um homem sem óculos-prótese que lhe emprestassem, mas com larga margem para cair em si com as devidas lentes de magnificar os malefícios do seu ego, os seus pecados políticos, excessos, abusos, confrontado com a sua humanidade e falibilidade. Ele sabe que errou, mas pode a partir de agora começar a corrigir os seus erros e a moderar a sua agressividade gratuita. Ele sabe que a manutenção do poder por trinta anos não foi coisa desprendida nem leve nem susceptível de verdadeiro contraditório, sequer de humildade ou respeito pelo próximo [adversário ou opositor], mas sabe que a coisa-poder pode passar a ser exercida de forma mais humana, mais cordata e humilde. Ele sabe que tem procurado prolongar na Madeira um certo ideário paternalista de raiz subtil salazarista, onde se procura defender alguma daquela portugalidade beata por fora e torcionária por dentro de que a Revolução do 25 de Abril fez, em larga medida, tábua rasa, mas é necessário passar ao pluralismo e à liberdade pura e dura, garantida e respeitada. Há mais alegria no Céu por um pecador político arrependido que por mil que não necessitam de arrependimento: Jardim tem imensos pecados políticos a expiar e sabe perfeitamente que o seu-nosso povo madeirense expiará outro tanto em razão dos pecados dele. A Madeira precisa de respirar e Jardim, espécie de pároco absoluto, deverá aprender a deixá-la respirar, se é que na verdade o seu partido é a Madeira e não a gula imoderada pelo mando, porque às vezes parece que os seus partidos são o Marítimo ou o Nacional ou as empresas amigas do Governo Autonómico. Estou sinceramente feliz pelo PP, um Partido patriota e onde o valor humano, a inteligência e a competência do candidato contaram imenso. Estou sinceramente satisfeito pelo facto de o PS ter sido cilindrado, coisa que bem poderia e deveria ter ocorrido nas últimas legislativas de cinco de Junho, caso a verdade toda da calamidade socratista tivesse sido devidamente entornada pelos media. Socialistas, vejam e tremam.
2 comentários:
Louça falou, Jerónimo falou, Portas adorou falar, Seguro (à última) falou, Passos...
Restou Matos Rosa. Este deu o recado: "o PSD nacional encara o resultado destas eleições com muita humildade, mas também como uma nova oportunidade que é confiada aos sociais-democratas da Madeira para corrigirem os fortes desequilíbrios económicos, financeiros no território e para mudarem de atitude quanto à geração de responsabilidades financeiras futuras."
O Fascismo foi a banhos para a Ilha da Madeira.
Onde é que eu já ouvi isto ?
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