«DESCONTINUAR», UM EUFEMISMO ASSASSINO

«Antigamente as revistas acabavam ou fechavam. Houve um tempo intermédio em que se “suspendiam” publicações. Agora, não: agora as revistas são "apenas" descontinuadas. Deixam de ser produzidas naquela fileira da fábrica. Não continuam. Não quer dizer que acabem. Não quer dizer que regressem. Quer dizer o quê? Alguém pode ajudar? E os que lá trabalham? São suspensos, despedidos, descontinuados, ou ficam à espera? Se eu trabalhasse numa revista “descontinuada”, exigia a descontinuidade: não continuava a trabalhar, mas não deixaria de receber. Porque isso já seria “desreceber”. E a revista não foi “desrecebida”. Foi “apenas” descontinuada. Parece brincadeira. Mas é muito sério.» Pedro Rolo Duarte

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