GRÉCIA DAS NOSSAS ABLAÇÕES E ABLUÇÕES

Não se pode afirmar, sem ficar com o ónus de desonestidade intelectual e traição desinformada à sequencialidade dos factos, que houve o fiasco da proposta de referendo do PM grego. Não houve. Assim como nunca houve verdadeiramente propósito nenhum em subemeter o Povo grego a um verdadeiro referendo: só um estratagema e uma sapiente chantagem indirecta à oposição interna grega. Também conviria recordar que se vive bem nos principais centros de lazer e movida em Atenas e Salónica, pelo que se há um povo massacrado indefinidamente por medidas austeritárias, esse povo também tem sido traído indefinidamente pela sua classe política e é, nessa medida, inteiramente responsável por si mesmo, tal como nós, mesmo os que agora se descabela com a promessa de ablução e ablação dos subsídios, no grande acordar tarde do funcionalismo público e verificar-se violado. Portanto, a democracia, os referendos e os plebiscitos não são coisa de nos recordemos em horas de aperto, quando se esgotam todos os recursos das imposições ineficazes ou dos directórios impositores de austeridade sobre os outros, à bruta. Há que bolsar para cima do tipo tem jogado cartadas pessoais em meio de uma crise que atinge em maremotos sucessivos os demais Países: Papandreou. Ele transformou-se no epígono da imensa falha interna gregra, da sua imensa falta de corda, e na desautorização tectónica europeia. Será naturalmente sucedido por alguém com um perfil de unidade nacional num Governo de unidade que não brinque aos referendos fora de prazo.

Comments

Miguel said…
Olha à conta dessa brincadeira mudei de banco (e de sistema bancário, bye bye Portugal falido). Não estou para por o meu dinheiro em risco (enfim, sempre estará) por causa de gregos (e portugueses) malucos. E, mais, continuo a achar que o referendo era a melhor medida, punha as coisas em pratos limpos: ou sim, ou não. Isso parece um melodrama, num dia A, no outro B, a seguir Z... Visto de longe parece Portugal em ponto grande.

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