GRÉCIA DAS NOSSAS ABLAÇÕES E ABLUÇÕES
Não se pode afirmar, sem ficar com o ónus de desonestidade intelectual e traição desinformada à sequencialidade dos factos, que houve o fiasco da proposta de referendo do PM grego. Não houve. Assim como nunca houve verdadeiramente propósito nenhum em subemeter o Povo grego a um verdadeiro referendo: só um estratagema e uma sapiente chantagem indirecta à oposição interna grega. Também conviria recordar que se vive bem nos principais centros de lazer e movida em Atenas e Salónica, pelo que se há um povo massacrado indefinidamente por medidas austeritárias, esse povo também tem sido traído indefinidamente pela sua classe política e é, nessa medida, inteiramente responsável por si mesmo, tal como nós, mesmo os que agora se descabela com a promessa de ablução e ablação dos subsídios, no grande acordar tarde do funcionalismo público e verificar-se violado. Portanto, a democracia, os referendos e os plebiscitos não são coisa de nos recordemos em horas de aperto, quando se esgotam todos os recursos das imposições ineficazes ou dos directórios impositores de austeridade sobre os outros, à bruta. Há que bolsar para cima do tipo tem jogado cartadas pessoais em meio de uma crise que atinge em maremotos sucessivos os demais Países: Papandreou. Ele transformou-se no epígono da imensa falha interna gregra, da sua imensa falta de corda, e na desautorização tectónica europeia. Será naturalmente sucedido por alguém com um perfil de unidade nacional num Governo de unidade que não brinque aos referendos fora de prazo.
+%E2%80%94+Pieter+Bruegel+(1564-1638)+%E2%80%94+Kunsthistorisches+Museum,+Viena.jpg)
Comments