GRÉCIA: REFERENDO ATÓMICO = EURO-ARMAGEDÃO

Por muito que Sarkozy e Merkel se sintam ultrajados com o anunciado, temos de compreender os gregos. Anunciaram um referendo e uma moção de confiança no Parlamento sobre o acordo com Bruxelas e o mundo voltou a abalar os seus alicerces ameaçando acabar outra vez, começando pelas bolsas. Perdas de mais de 4% em Paris, Frankfurt, Milão 5%, Madrid 3,78%, Londres 2,54%. Nem a relutante auxiliadora Ásia com a relutante China escapou a esta queda generalizada e estrondosa: Tóquio cai 1,70%; Hong Kong 2,49%. São os gregos, estúpido. Eles devem estar certos. O mundo que se foda: quem aceitaria sem rugir a perda de soberania e o padecimento de uma humilhação superior à imposta pelos Aliados aos alemães na Primeira Grande Guerra?! O mundo pode esperar. Os chineses podem continuar imunes e de mãos limpas. As inquietações sobre as dívidas públicas na Zona Euro podem explodir no Universo. Entre perder a soberania e ser humilhada com um Governo Externo, os gregos podem referendar falir, mandar às malvas o Euro. E estão no seu direito. Não é possível descer mais que isto. Assim que os gregos engolirem as suas responsabilidades e tiverem brio, salvam o brio, preservam o orgulho, não capitulam na forma, e todos os países da sobranceria foder-se-ão sem excepção. Os portugueses passarão a ver com olhos simpáticos as medidas draconianas de Passos e Passos passará a ter de ser ainda mais margem para mais draconianismo para com espezinhado Povo Português, pois escapar à tragédia do contágio grego será possível apenas com extrema, absolutamente extrema demarcação de vida, de hábitos, de caminhos e decisões. Teríamos de comer a Austeridade que o Diabo amassou. Haveria ironia maior, desarmamento retórico mais eficaz sobre a velhice e inoperância dos nossos arqui-sindicatos e Partido Socialista desmemoriado e culposo que esse cenário ultracatastrofista? Um referendo, finalmente a desprezível democracia no jogo estalinista verticalizador europeu, coloca a assistência financeira aos bancos em causa. Assim, é nada mais que o armagedão bancário o que bate à nossa porta. Porque a partir do momento em que os gregos disserem «não» acaba-se o dinheiro, a Grécia salta do Euro. Os bancos aceitaram perdas de 50% da dívida grega. Um «não» representará o fim, caput, perda total, o começo do Fim do Euro e da União Europeia, esse corpo estranho, oásis de um luxo chamado Paz, Prosperidade e Depressão Demografista, após séculos de morticínio inter-europeu e intra-europeu, num mundo onde agora brilham a China e a Índia, esses faróis dos direitos humanos e justiça social.

Comments

floribundus said…
a pito-nisa de Delfos
anda a exibir o pito em Atenas
Anonymous said…
Sobre a China nem me pronuncio para não revelar em pormenor uma antipatia que é tão visceral quanto, provavelmente, irracional.
Mas quanto à Índia, o caso é mais complexo. A par dos problemas na área da justiça social e direitos humanos a Índia foi berço de algumas das mentes mais iluminadas, inteligentes, humanas e espirituais de todos os tempos. Esse código genético há-de estar algures bem guardado nesse país maravilhoso.

Virginia

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