O ÁLVARO E O GASPAR. A AVILEZ E O MAGALHÃES.

Eu posso passar fome, tu podes estar desempregado, ele e ela podem emigrar para limpar sanitários em Londres, e o que faz a crónica do teu País, o que fazem os opinadores-cronistas que ganham dinheiro com o que regougam por escrito, a Maria Avilez e o Magalhães e Silva, por exemplo? Fazem coscuvilhice e inferências maliciosas. Salivam por pequenas buchas sem importância ou simbologia nenhuma e largam-nas como bombinhas de carnaval. A cena em causa, colada à Hora portuguesa com baba e cuspo, largou-a Avilez e fará furor e terá a sua glória fácil nas opiniões e nas postagens dos próximos dias. Foi num Conselho de Ministros. A inside relatora, a conspícua e 'insuspeita' Maria João Avillez, largou-se em recente comentário televisivo com isto: o ministro da Economia propunha ao colectivo ministerial medidas de intervenção na economia, cuja exposição, uma vez terminada, obteve do ministro Vítor Gaspar a frase que não o define, mas nos define a nós e os últimos anos de tóxico e criminoso optimismo: «Não há dinheiro». Tendo o pobre e voluntarista Álvaro insistido, Gaspar gelou a sala: «Qual das três palavras é que não percebeu?» Gosto do Álvaro e gosto do Gaspar. Prefiro um ministro com respostas destas, como facadas de realismo e firmeza, à atitude passenta ao playboy Sócrates por parte de Teixeira dos Santos e foram anos a servir de cesto do lixo e subordinação das contas do País a uma desmesurada ambição política. Gosto da força de Gaspar e gosto desta guerra competitiva no balneário do meu Governo. A coscuvilhice e a má-língua socratistas-socialistas fizeram de Álvaro, ao longo dos últimos meses, uma espécie de vítima fácil, a gazela mais frágil e logo visada pelas leoas venais da opinião, dentre a manada de possantes mais difíceis de visar. O ápice da estratégia foi o obeso e abominável Basílio a protagonizá-la no Parlamento. Agora, é Gaspar a levá-las. Um homem tão cordato e sereno, um tecnocrata fiável e sólido, como o grego Papademos e o italiano Monti, apanha com os apodos mais impróprios do Magalhães: «pesporrente?»; «desrespeitoso com o PM?»

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