Sábado, Novembro 05, 2011

O BLUFF PAPANDREOUSINO

«A Democracia (!) e a nobre-e-soberana Palavra do povo grego  que devidamente mugida em referendo deveria 'determinar' coisas superiores e destinos heróicos  não foram afinal necessárias. Apenas serviram de reles instrumentos, manobrados como espantalhos por Papandreou com mais ou menos certeza, maior ou menor perícia, pouca ou muita inteligência. George, afinal, apenas se comportou como um político comum  e de objectivos de curto prazo. A outros mais informados (especialmente aos gregos, que o conhecem bem) ficará a tarefa de aferir até que ponto tudo isto foi apenas um episódio cujo controlo foi perdido ou uma estratégia sábia que deu frutos. Acho que ninguém sabe ou saberá completamente. Papandreou  neste transe edificante do 'referendo'  parece-me exactamente como Manoel de Oliveira a realizar: a obra final aparece filmada e montada  mas o autor não sabe bem porque filmou assim ou assado, porque iluminou desta ou daquela maneira: apenas tem um resultado final que os indefectíveis admiradores julgam genial, completamente deliberada e pensada, mas que é muito fruto do acaso. A lição a tirar aqui é bem mais vulgar e pobre: Papandreou não devia ter tido a maravilhosa ideia do referendo, não sabia a quantas andava, estava pressionado, teve medos vários; e se jogou uma cartada alta, ela foi desastrosa para todo o mundo económico-financeiro e o seu "bluff" genial-democrático apenas enganou cândidas alminhas como os eurodeputados da extrema-esquerda e da esquerda-comentadeira-ociosa  que anseiam constantemente por caos nas ruas e desastres de tesouraria. E a coisa não acabou: de medida em medida, de reforma em reforma, de orçamento em orçamento a "democracia" grega reserva-nos um futuro fértil em conflitos parlamentares, intrigas partidárias e votações a propósito de tudo e de nada. Quando tudo corria bem e não havia crise, não éramos brindados com este diário e triste espectáculo; e a Europa não expunha de forma tão impudente a mediocridade dos seus putativos líderes. Estamos fartos de todos estes 'agentes'  gastos e de 2.ª  categoria.» Besta Imunda

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