PASSOS PODE OLHAR PAPANDREOU NOS OLHOS
Só Deus sabe os decibéis de pressão e o grau de movimentações de bastidores a que o ainda primeiro-ministro grego foi submetido. Demite-se ou não se demite? Referenda-se o resgate acordado em cimeira ou não se referenda? Afinal não Papandreou se demite. Afinal Papandreou está pronto a retirar a sua proposta de referendo sobre a permanência do seu País na zona euro. Afinal, ao contrário do se lia num blogger lúbrico, há muito a gozar à farta com isto tudo, Papandreou não «os tem negros», mas murchos e pequeninos, como Pilatos, Merkel e Sarkozy. Todos os olhos agora estão postos em Antonis Samaras, líder da Oposição, que parte de coro trágico terá este actor político?! Entretanto, Passos, que não quer que o Estado Português seja misturado ou confundido com o drama do Grego, Passos pode olhar Papandreou olhos nos olhos: entre os referendos que se propõem e de cuja proposta se recua e eleições que se ganham por maioria, afagando cabeças populares, trocando beijinhos com moças e velhas, para logo de seguida colocar-se um Primeiro-Ministro do lado das elites, do lado dos poderes económicos, do lado dos interesses estabelecidos, penalizando as pessoas, a diferença é quase nula. Ainda se houvesse um discurso para as massas, uma carta de marear, um sextante, um desígnio motivador. Mas não. Marcelo diz que o Governo não explica suficientemente aquilo que faz. Eu digo que Governar, em tempos de crise e de tão grossa incerteza, segue a bitola da gravidade: a maçã envenenada austeritária cai sobre o sujeito passivo das massas. É pegar ou pegar.
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