PRESTIMOSA INIBIÇÃO DO DEDO ALHEIO ACUSADOR

Se há comentador que brilha ao mais alto nível enquanto tal é Marques Mendes. Muito mais que Marcelo que entra em compromissos de condescendência ou giza labirintos processuais perante o desafio nacional de perseguir e punir os corruptos da política com óbvias responsabilidades no estado da arte. O dedo que Mendes coloca na ferida dos negócios ruinosos Estado/Mota-Engil manifesta de que enfermam moralmente e o que putrefazem certas empresas que de privadas só têm as boas intenções. Pelo que o comentador explicita, percebe-se que a esquerda partidária socialista, enquanto Governo, promiscuou-se largamente com esses interesses até que tudo culminasse na desgraça em decurso porque cada prego conta na manofactura do caixão colectivo. Há que louvar o que ele diz publicamente: o diagnóstico dos consulados de Sócrates é devastador e faz ainda mais espécie às almas sensíveis na medida em que nada, mas mesmo nada, nenhum estrebuchar de honra, nenhum apelo patético ao interesse público, condiciona a PGR a accionar qualquer moção. Dir-se-ia que foi de modo legítimo que o pobre Sócrates decidiu mergulhar de cabeça e compulsivamente na riqueza pela riqueza, desbundando desde as primeiras funções públicas de negociata em negociata. Hoje, porque se trata de uma teia, de uma trama urdida com vários nomes à mistura, Sócrates vê-se protegido pelo poder da influência e do dinheiro, juridicamente blindado, muito mais que pelos melhores escritórios de advogados, pelo próprio símbolo castrado da Justiça Nacional que, aliás, ele mesmo nomeou e trouxe subordinado a si. Pelo que se vê, Sócrates teve e tem acesso directo à protecção dos mais poderosos, o que o mantém ao alto, de peito feito, após a pândega, bolorenta, da desgovernação. A perfídia foi tal que, mesmo tendo esse Governo fora de qualquer suspeita sido arrolado em duas crises internacionais, mergulhou com gula, no biénio eleitoral 2008/2009, as despesas do Estado nos ajustes directos, entregando dois mil milhões de euros à Mota. Mas isto é Portugal. E ainda que Mendes arrastasse com ele uma multidão de denunciantes com indícios e provas escorrendo na Procuradoria, nada sucederia porque é essa a lógica que vigora na democracia de merda que por cá se arrasta, cagando e tossindo. Assim, fica Mendes com as evidências, as provas, os indícios e sobretudo a cristalina argumentação, entre os dedos, esfumada num momento de raro brilho mediáticos, enquanto os assessores socratistas, no seu afã pretoriano de se escudarem de culpas, justificarem de danos e insultarem os factos, se descabelam. Sim, sempre a velha desculpa da calúnia. São calúnias, meus senhores! Fixem isto: Sócrates, o bravo, o pesporrente, é vítima de quê? De calúnias. Não haverá Homens em Portugal? Só Mendes nos servirá de precário arremedo de um Homem, enquanto fica tudo na mesma?

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