TÁCTICAS MADRE TERESA PARA ISOLAR PASSOS
Os blogues socratistas corporativistas raciocinam segundo desígnios muito pouco insondáveis e menos ainda bem intencionados. Daí que as últimas descobertas sejam que afinal o Presidente da República e o Governo conflituam quanto ao caminho a seguir na economia porque o Presidente ter-se-á manifestado contra o corte nos subsídios de férias e de Natal para função pública e pensionistas; terá levantado dúvidas sobre os constrangimentos levantados ao financiamento da economia, nomeadamente em função da Proposta do Governo para a capitalização dos bancos; ter-se-á manifestado favorável ao reforço das competências do BCE, ao arrepio dos ortodoxos monetaristas. Parece que de um lado está Passos Coelho, Merkel e Sarkozy e, de outro, praticamente o resto da Europa, dizem os corporativos com não disfarçável goludice. Depois acrescentam quais as vozes que se levantam contra o extremismo austeritário: Rui Rio, Manuela Ferreira Leite, Capucho, Paulo Mendo, Silva Peneda e até, imagine-se, Vitor Melícias, o cardeal Patriarca, os sindicalistas do PSD, extraindo, corolário de tudo, esta conclusão pura e desinteressada: a divisão não é entre o PS e o PSD, é entre o PSD e as vozes da social-democracia e da sensatez. Primeiro, os socratistas estão na base da pré-bancarrota. Depois ficam órfãos de Sócrates. Agora, e isto é delicioso e eu amo-o, estão contra a vontade de cortar, estão contra uma política injusta e de empobrecimento generalizado. Ou seja, quando a política da pirataria e da tripa-forra se converte em moção filantrópica, verdadeiros madre teresa dos fracos e oprimidos. É trágico pensar-se que estava tudo bem até ao advento dos problemas agravados da dívida pública e que nada precisa de morigeração ou mudança, em alguns casos radical.
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