A VERA REVOLTA ESTÁ EM NINGUÉM SE REVOLTAR

Temos muita pena, mas o Povo, a Política, as mentes pensantes, tudo e todos, andaram a dormir na forma. Eu, que não sou nada e nada tenho a perder com nada, mas tenho esta voz que se espraia por aqui, considero que é tarde para andar a gritar e a enrouquecer a voz contra a guerra movida aos Funcionários Públicos [também sou funcionário público, mas uma merda descartável, ano após ano, há muitos e muitos anos]. Desde 2006, por aqui e por ali, certos portugueses sagazes vimos observando os sinais de perseguição desencadeados, sector a sector, na sociedade. Houve quem se lambesse com isso. Houve quem se regozijasse com o aperto de calos a certas classes e corporações profissionais. Certos professores mais incrustrados na carreira, olharam por si abaixo e cagaram para os outros professores que lhes costumam limpar a merda e substitui-los ao preço da uva mijona, tão baratos são. Adaptaram-se. Foram na converseta mentirosa dos dívidocratas socratistas. Queriam seriação e a puta da avaliação segregadora e, afinal, o congelamento das carreiras e o trabalhar para aquecer e patinar e não sair do mesmo lugar parece perpétuo e não só para alguns até agora tapete de todos. Deixaram-se andar, divisos, confusos, hesitantes, dóceis com quem os manejava habilmente para o redil da impotência e da nulidade acéfala intelectual e económica. Hoje, são todos, já quase não há excepções, entre os que estão prestes a comer pela máxima medida do esbulho e é bem feito: é por Portugal, pelo défice, pela dívida. Agora que o Governo e as circunstâncias nos espremem, espoliam e esmagam, é tarde para choradeiras e apelos a greves de zelo. Temos de zelar  mais do que alguma vez zelamos por um posto de trabalho ou por um trabalho bem feito e aprender dos chineses a arte da produção produtiva produzindo nabos, cenouras, caralhos que inchem finalmente e cumpram, bem rijos, a sua função de agradar em espessura, na eficiência de uma força sem dispersão, rápida, concêntrica e desfibrada: é preciso trabalhar muito mais e não abandonar a mente às lágrimas de crocodilo dos que esperaram para ver aonde esta merda ia parar e cada qual por si. Houve um tempo em que os outros é que eram a merda. Maria de Lurdes Rodrigues veio moralizar a merda docente e colocar a os professores de merda no seu lugarzinho de merda. Lembram-se? Agora todos são merda, todos podem ser inúteis, todos podem perder por grosso, ser descartáveis, todos podem ser escravos, sem o que nem há País nem Futuro, nem Justiça com a vergonha do défice, com o amuo dos mercados, com as medidas que contentem a Troyka e o duo Sarkokel. O tempo de correr com políticos corruptos, chulos de tudo e de todos, passou. Agora é tarde. O desgoverno e a desumanidade-em-desgoverno vêm de longe, agudizaram-se desde há seis anos até ao cúmulo do despudor e da vileza personificadas e devidamente assessoradas. Este País-Quase-Falido não se pode perder, não tem tempo a perder, com merdices como quase orgiástica inconstitucionalidade dos cortes. A Constituição, agora tão invocada, foi muitíssimo mais fodida e estropiada que as mulheres do inimigo em tempo de guerra. Vara cagou na Constituição. Sócrates cagou na Constituição. Pinto Monteiro caga e limpa os pés à Constituição, boneco sibilino colocado no poleiro para ver passar o estrume sem fazer a ponta de um corno. Passos limpa-se à Constituição. Assim o fazem os velhos e anafados empresários das falências fraudulentas e do aproveitamento do sangue dos funcionários; assim o fazem fugitivos de décadas ao Fisco; assim o fazem os velhos duplos subvencionados ou triplos abichadores e os comissionistas e os comentaristas-Pegas da política que lhes paga, bem como os insensíveis a quem tem Fome e os indiferentes a quem tem Nada, como eu e em breve tu também. Agora é tarde para o Fado do Funcionário Público Coitadinho que ganha acima dos 1500 euros. Houve tempo para mudar, quando ainda matronas e mulheres burras, louras no coração e nos pentelhos, e outros tantos paneleiros, se babavam com a lábia e o penteado do enorme filho da puta com tiques santacombadenses, mas de Esquerda e Esquerda moderada-a-piça e avançada a gaydiesel. Agora, fodam-se, sofram, acomodem o golpe, porque já é muito tarde e inútil e feminino partir montras, arrepelar os cabelos, usar máscaras, fabricar molotov. Fazem-nos guerra ao bolso? Prometem-nos desemprego? Fome? Miséria? Encaixem, sejam homens, vivam frugalmente, cambada de morcões! Pode ser que resulte o roubo preventivo. Pode ser que, devidamente esbulhados e roubados, Portugal e os Portugueses, não só os Funcionários Públicos, passem a ser qualquer coisa de asseado, solidário, justo, no Todo Nacional desagregado e rasgado, apesar de inconsútil. Pode ser que o Estado-Chulo-Parido-Pelos-Partidos-da-Bancarrota dê lugar a uma cura secular de realismo e frugalidade honesta com quem não tem lugar nem vez nem Nada. É tarde, absolutamente tarde, para exprimir indignação e revolta, Funcionários. Vocês até a revolta e o Acordar Tarde funcionarizam. Agora em desespero, após anos de cagança e desprezo por todas as assimetrias e todas as exclusões grosseiras de um País que falhou a Liberdade e matou a Prosperidade, deixem-se ficar de pantufas a olhar para a TV onde os gregos fazem piruetas e estrebucham em câmera lenta e lume brando. O tempo da revolta com as causas e os agentes directos disto, fabricadores remotos e póstumos dos actuais pretextos de esbulho, já passou. Resta aprender a sofrer, suar, suportar toda a enxurrada de desastres que vêm por aí. Com dois ou três euros no bolso, a cada dia, como eu. Porque a verdadeira revolta está em ninguém, nenhum português, se revoltar. E não digam que vão daqui.

Comments

Popular Posts