quinta-feira, agosto 25, 2011

"AS REVOLUÇÕES NÃO SE FAZEM NOS BUFFETS"

"Queria ir a cocktails de metralhadora ao ombro. Queria dizer a uma velha namorada escandalizada pelos meus métodos que as revoluções não se fazem nos buffets, que não podemos ser selectivos, e ver o seu vestido de noite prateado molhar-se no sítio da cona." [Leonard Cohen, Belos Vencidos, pp. 30-32,Lisboa: Relógio D’Água, Novembro de 1997, 271 p; tradução de Margarida Vale de Gato; obra original: Beautiful Losers, 1966] Nunca Mais

SANTA SACCHAROMYCES EUBAYANUS

Grande romance das leveduras felizes que nos deram a 'loira': "A nova espécie de levedura, que a equipa baptizou com o nome científico Saccharomyces eubayanus, nunca foi encontrada noutra região da Terra além da Patagónia."

ELES ESCREVEM

As relíquias do socratismo, habituadas a que lhes paguem para grunhir lugares-comuns e novenas-de-mentir em bando, mantêm o vício da agitação estéril e escrevem umas coisas. Ainda têm face para escritas pudicas e protestações virginais de dedo em riste, em se tratando da governação como se não tivesse sido nada com eles. Era fazerem-lhes um boicote massivo e sistemático às baboseiras em suporte bloga:

UMA PITTADA DE LOQUAZ

Quando um dia destes publicar os meus livros, será engraçadíssimo sofrer a eventualidade remota de ser criticado pela pitonisa do literário, segundo a óptica clownesca, do luxo, da degustação e da volúpia: "Também escrevo sobre Com o Corpo Todo, novela de Paulo José Miranda (n. 1965), editada pela Ulisseia. Miranda é aquele rapaz que em 1999 venceu a primeira edição do Prémio José Saramago e desde então tem escrito novelas, micro-textos “americanos”, livros de versos, etc. Este mais recente é um desastre." Da Literatura

A FARSA EM VIGOR

Impressiona como o executivo coelhiano não soube romper com a cretinice socratista da sórdida ADD, traindo aliás uma expectativa que milhares de professores como eu alimentámos e nos fez apoiar a alteração, tão tardia!, do elenco governamental. Até quando permanecerá o último e derradeiro ferrete ignominioso do socratismo maldito?!: "Decididamente, não me conformo com a tirania pedagógica, a pelintrice política e académica ou o obscurantismo que têm sequestrado o debate governamental, sindical, jornalístico e público à volta da avaliação dos professores, traduzido em anómalos e inusitados acoitamentos dispensados ao modelo de avaliação do desempenho docente [ADD] herdado do socratismo, pelo que não resisto a desmistificar a pretensa inevitabilidade e universalidade de uma filosofia de avaliação que o governo e os sindicatos teimam em impingir aos professores e às escolas, o que passa pela divulgação e pelo sublinhado das principais realidades e tendências europeias de enquadramento da actividade docente e da avaliação dos professores, para o que basta consultar-se a informação disponível no site da Rede Eurydice e, especificamente, neste documento (Eurydice, 2008)." Octávio V. Gonçalves

RICOS E O GRANDE EQUÍVOCO LIBERAL

"Não competia a Warren Buffet ou à herdeira da L’Oreal propalar a generosidade de quem sofre com as dores do mundo e deseja, sacrificando-se, mitigá-las. Pelo contrário: nós, a opinião pública e o poder político deviamos tornar esta espécie de grandes gestos ridículos e desnecessários. Num país decente, com uma justiça fiscal rudimentar, os multimilionários deviam queixar-se dos seus impostos como se queixa um cidadão normal. Mas para isso era conveniente que os pagassem. A Europa e a America encheram-se de vassalos desta casta que agora quer ajudar-nos. Que a criadagem das nossas plutocracias preencha os parlamentos e as administrações das empresas públicas distribuindo entre si as sobras das grandes fortunas com mesuras e salamaleques é o mais trágico testemunho do grande equívoco liberal: a ideia de que podemos deixar os grandes em paz enquanto recomendamos frugalidade aos pequenos e distribuímos roupa e comida pelos pobrezinhos." Luís M. Jorge

A IGUALDADE COMO EXORCISMO

"Do meu ponto de vista, quando ateus e cidadãos pela laicidade sacrificam o seu tempo no altar do protesto contra símbolos religiosos em hospitais portugueses, também estão a esconder o jogo. Eles não se sentem ofendidos por haver uma capela no hospital nem estão preocupados com o facto de um hindu registar a ocorrência. O que está em jogo é a tentativa sistemática, porta a porta, de anulação da influência cultural da ICAR, porque a consideram malvada e culpada da miséria humana. Ou seja, a igualdade é utilizada como um mero exorcismo." FNV

BULLSHIT-LR

No país em que os mais ricos, minoria ardilosa e silenciosa, mais se subtraem às próprias obrigações fiscais e beneficiam da cartelização dos negócios e das quotas de mercado, só pode ser treta ininteligível dizer-se isto: "É preferível que as grandes fortunas (ainda existirão em Portugal?) se multipliquem dentro de portas do que incentivá-las a ir fazê-lo noutras paragens mais tax friendly." LR

ESCOLAS, O QUE SE VÊ

"O que agora se vê é que muitas escolas e agrupamentos não aproveitaram o concurso nacional de 2009 para adequar devidamente os seus quadros, não abrindo vagas em muitas situações com receio de quem pudesse aparecer (era o tempo dos titulares, muita gente receou que aparecesse quem fizesse sombra) ou por incompetência na projecção das necessidades. Por outro lado, em virtude das novas regras da chamada oferta de escola, nos TEIP mas não só, surgem critérios em que só falta mesmo colocar as medidas em fato de banho e o nº de BI dos candidatos que se querem contratar. Se é este o modelo do futuro que pretendem institucionalizar, o dos numerosos DACL que o não deviam ser, enquanto se abrem horários depois para quem calhar, ou dos contratados feitos à medida das obediências? Podem sempre dizer que é mesmo assim, que é a autonomia, que isto permite ter corpos docentes mais identificados com a iluminação das direcções. Mas é um certo nojo, agora que ainda está em autoavaliação a dimensão profissional, social e ética dos professores. Será por isso que vai desaparecer? Porque de ético e deontológico isto nada tem?" Paulo Guinote

POBRES DIABOS, AVAROS E BRONCOS

Os portugueses ricos, quase todos pobres diabos, avaros e broncos, descolados do resto da sociedade, quase todos cosmopolitas e entrincheirados no ganho como imbecis, incapazes de um mecenato consistente que sublime Portugal, gente com uma infinita responsabilidade negreira sobre aqueles que exploram cirurgicamente, gente onanista com a sua parte de leão, podem e devem amortecer a criminosa sanha austera il faut que o Governo sucessor do malefício socratista, apertado de troka, terá de implementar sobre os mais frágeis de nós. Se não houver um sinal de racional solidariedade da parte dos mais ricos de Portugal, não é que a loiça lusa se parta em filmes de terror como o de Londres ou o de Atenas. Mais grave é que o rectângulo se despovoe ainda mais e se torne inviável apenas por deserção cívica, falta de interesse, desanimado desalento, asfixia demográfica que se agudiza mortífera, com grossa queda dos lucros cartelizados dos tais ricos habituais obtusos. Fim. A criação de uma taxa especial para os mais abastados por quatro anos faria milagres. Horrendo é que se vá pensando nisso como qualquer coisa escandalosa em que se acaba de reparar.

quarta-feira, agosto 24, 2011

"A PARTE AVEC DO CÉREBRO"

"Todos os homens usam anéis e correntes de ouro. As mulheres berram. Quando estão a usar a parte avec do cérebro, berram ainda mais alto. Ao falarem com o homem que aluga os toldos, fazem-no em francês. Ele, sem as olhar nos olhos, responde-lhes em português cuspido. E lá continuam todos, uma frase em português, uma frase em francês. Perguntam em francês, respondem em português. Tudo feito de forma aleatória (ou fui eu que não logrei ali ver regra), numa mistura intrigante e enervante." Rogério da Costa Pereira

terça-feira, agosto 23, 2011

LÍBIA, APARENTEMENTE

#Libia, após um domínio implacável de quarenta anos e uma batalha com seis mesinhos de idade com as forças rebeldes [tanta morte mártir, tanta juventude perdida!], para o carniceiro coronel Kadhafi as coisas parecem finalmente em acelerada derrocada. Forças rebeldes enxameiam Trípoli. Há mais vencedores que vencidos. Ricardo Costa, CEO do Expresso, foi preso por engano. Fora de brincadeiras, um regime indecente com o qual pactuaram as democracias decrépitas e imorais do Ocidente. Uma morte anunciada. Aparentemente.

BRASIL, MEDITAÇÃO DESFALECENTE

Estou sentado sob o alpendre brasileiro da casa onde me refugio.
Faz calor, apesar da brisa, e é tarde,
neste Nordeste de sol impiedosamente mordente, e no entanto manso, por ser Agosto.
Olho o céu matizado de um azul indescritível, sempre denso, e penso em não pensar,
pois férias que o são dispensam labutas mentais e fadigas pensantes.
Passam nuvens num assombro de formas e entidades.
Colossos ou materializações imateriais tão humildes passam.
Deito-me. Quero embeber-me de Belo, desfalecer de Céu.
Garanto que estou inteiramente só,
deitado sob o alpendre da casa brasileira onde me acoito.
No alto, nubladamente,
passam carrancas, gárgulas, pégasos.
Formam-se-me, exactos ou disformes. Vejo-os. Existem. Sucedem-se.
No alto, miram-me todos os velhos barbudos dos iogurtes Longa Vida,
reverberando o quando Longa Vida existia e era iogurte cremoso como nuvens,
barbas brancas eternas servidas com óculos.
Não penso em nada senão no coligir desses pontos imaginários
para construir bocas, olhos, bigodes, faces, perfis neblinados de gente e criatura,
mas também fustes, capitéis, colunas de luz, que se verticaliza, como uma cidade celeste,
apenas vislumbrada, logo perdida, entre nostalgias e ânsias de Paraíso estranhamente familiar.
Vejo claramente visto e vidente o perfil de John Lennon
e faces de deuses, musas e duendes, no desfiar da brancura que desfila
babando o meu olhar, no gigantismo do esgar em censura, na subtiliza de um beijo Adamastor.
Passam horas. Permaneço imóvel. Urubus deslizam como cangalheiros negros,
planando, altíssimos, no célebre voo térmico, circular, ou em carreira necrófaga,
recta como se os movesse um motor comercial
para cruzarem comercialmente e com objectivos os ares, de lés a lés...
Dolorosamente azuis.
Absolutamente belos neste Pernambuco onde enlanguesço e repouso.
lkj
"Ôxe, cobra preta mata de arrocho... Jiboia.", repercute-me a memória.
Mulher também, respondo-lhe.
çlj
No céu passam, conjugam-se, essas faces de fêmeas que logo se transmutam
em caveiras e bruxas e entes quiméricos e exactamente o inverso.
Há coelhos, linces, leões, bicos de águia, aliens, fantasmas, vaginas polpudas feitas de nuvem,
tudo é possível no aleatório das nuvens que passam acima. Enorme, o dorso branco de uma ninfa
formata-se agora de costas, sobre os joelhos de vapor d'água. Nívea, absolutamente nua,
as nádegas definidas,
exacta a linha escura que as separa, rego de delícias,
cintura adelgaçada, cabeça pendida,
prostra-se, oblíqua, suplicando que eu a ame, lhe perdoe a ousadia... De costas e à minha mercê.
Logo o vento metamorfoseia a aparição em crina, depois farrapo, depois nada.
Filha mais nova vem brincar comigo.
No jogo de estes avistamentos, tornei-me estátua, deitado, ridente,
os óculos de sol postos. Filha tem sono. Deita-se de borco sobre mim.
O céu faz-se-me respirável e a pressa urbana não passa de escarro, escuma desprezível.
Respiro uma paz infinita. Talvez esteja a rezar, sem saber, no meu assombro celeste.
Filhinha canta, saracoteia, palra. Dois aninhos, alegria de viver explodindo
em dois meses brasileiros repleta do sotaque local e da prosódia.
O meu bebé! O soninho! O soninho.
Estou deitado há horas sob o alpendre olhando o céu brasileiro,
mais de metade do meu campo de visão. A outra metade é o tecto do alpendre.
Filhinha adormece. Meu braço é travesseiro da novinha.
Aconchega-se a mim. Aconchego-a a mim.
Tanta paz tenho que parece ter desaparecido o corpo para haver somente olhar.
Meu corpo seu berço de serenidade.
Tantas quantas as horas serenas que dormir,
quantas aquelas em que ficarei aqui, deitado, velando filhinha,
olhando as nuvens brasileiras,
só, sobre a lage morna, saudoso de nada
porque repleto de tudo o que importa.
lkj
Ter havido rede, onde me deitava todas as noites com o meu amor,
para ver a negrura diamantífera de todas as estrelas,
nos confins do sertão.
Ter-me embrenhado "nos mato" para caçar animais e emoções,
por vezes parando,
apenas para reclinar-me nas veredas ao odor nobre da caatinga,
fragrância à casca da umburana,
que a brisa rumorejante nos traz,
rompendo o nosso silêncio, à escuta dos latidos longínquos no acuar da presa.
Nossos cães, que companheiros!
Bendito antídoto, quando foi ele, o Calçado, e não nós, o mordido pela jararaca,
que por sorte, se esgueirava entre as nossas botas,
mas nos poupou as pernas de qualquer bote às cegas.
lkj
Regresso ao céu que me presenteia de brancura.
Meu coração azuleja.
Dissolvo-me, inteiriço e evanescente,
vapor que se evola do caldeirão
borbulhante de fadigas e vaidades europeias.
Desprezo-as. Não passo sem elas.

ASHLEY ANNE VICKERS


segunda-feira, agosto 22, 2011

O ENDURECIMENTO FLÁCIDO

Estou desiludido com o movimento Geração à Rasca e não porque esperasse mais constância ou a natural radicalização ordeira. Estou desiludido porque demasiados pólos de protesto equivale a nenhum protesto. Não haverá um objectivo bem concreto por que se possa lutar, já, sem que a coisa resvale para o folclórico e o mero desabafo impotente? Digam-me, vocês, como eu da Geração Enrascada, para além dos efeitos de esse endurecimento recente das medidas de austeridade, para além dos cortes nos apoios sociais e da falta de oportunidade de participar criativamente nas decisões que se vão tomando porque-sim, por que coisa lutar e o que se espera obter com a nova manifestação do dia 15 de Outubro? Só para começo de conversa, sugiro a lambreta como forma de locomoção de todos os ministérios e a submissão de todos os ministros a um mês com quatrocentos euros. Sugiro também que o cancro da vaidade não tome conta de suas excelências ministros e o cumprimento das promessas eleitorais do Primeiro-Ministro seja, finalmente, um facto refrescante. Pode começar por desenterrar a facada dada nas costas dos professores contratados, de Caifás para Anás, há mais de uma década, dócil lastro paciente a todos os experimentalismos e a todas as desonestidades políticas como a patética ADD.

O INCANSÁVEL BUSYBODY MIGUEL ABRANTES

A máquina de delírios e perseguições socratista-socialista Câmara Corporativa estoura os milhões que abichou ao longo de seis anos sonsos e moncos, continuando tão activa e viperina como nunca no manejo da inflormação-SIS de que dispõe. O CC quer cacete. E para quê senão para apanhar lambada? É triste que a merda anónima continue impávida na sua acção dissolvente e estéril. O último alvo do CC já respondeu: "O homem do punho de ferro sou eu: o Câmara Corporativa, dirigido pelo blogger mais esfíngico do país – o busybody Miguel Abrantes, desempregado mas sempre activo – acusa-me de, em simultâneo “dirigir com mão de ferro o radical 5dias” e ter-me tornado um boy do PSD. A poucas semanas de cumprir 50 Primaveras, acho a coisa simpática, mas temo que não seja muito rigorosa: trabalho em comunicação institucional há mais de 25 anos, no público e no privado, em Portugal e no estrangeiro, entre muitas outras coisas já fui assessor de imprensa de um membro do governo PS, agora convidaram-me para trabalhar no gabinete de um membro do governo que é do PSD e eu aceitei: ninguém me exigiu que eu me filiasse em partido nenhum, eu também não prometi nada que não fosse profissionalismo. Ah, e pagam-me por trabalhar, é um facto, mas espero que o Abrantes não se zangue por eu não trabalhar à borla." António Figueira
l
Adenda: a respeito da nomeação de AF, f. resolveu também disparar bojardas ressabiadas desde a sua trincheira socratista. [Agradecimento pela dica ao leitor Miguel Rocha.]

UM DEDO PELO OLHO POR OLHO

A mais pueril insanidade penetrou os aparentemente mais racionais epígonos da ciência futebol, como Mourinho. [Nasceu o 'homem do bigode', Francesc Satorra, espécie de esfinge ou querubim impassível.] Se há uma batalha quase corpo a corpo após os jogos entre Real e Barça, ela é fundamentalmente psicológica e terá as suas sequelas até se registar um equilíbrio qualquer que nivele uma realidade futebolística que hoje favorece a hegemonia catalã: "O vídeo da RTVE não mostra a agressão inicial de Mourinho, mas a bofetada de Vilanova ocorre já depois de o português lhe ter metido o dedo no olho." Público

sábado, agosto 20, 2011

COR DE RABO QUANDO FOGE À SERINGA

As posições de força preventivas do Sporting, no que diz respeito às arbitragens, esterilizam as possibilidades do futebol sportinguista, jogado e provado, e vão longe de mais quanto ao efeito pretendido: punição ou retaliação, em vez de colo. O tiro está a sair pela culatra. Conversa a mais. Futebol a menos. Tempos de rabo, eterno rabejar mediático, de rabo-leva, fugir com o rabo à seringa, dar ao rabo ou dar a 'rabiola' desportivamente secundarizando o essencial: jogar, ponto. Jesus, caso continue a atirar as suas primeiras pedras às arbitragens de que os rivais são alvo, está bem encaminhado para obter para o seu Benfica para uma reacção como esta que amaldiçoa. A propósito de rabejar e atacar de costas os problemas do jogo jogado, nesta noite, apesar da vitória benfiquista, "Rabiola, jogador do Feirense, empatou o resultado no segundo tempo e lançou a equipa benfiquista para longos minutos de nervosismo".

NOTAS AO EXECUTIVO COELHIANO

Ainda estou no Brasil pelo que me é difícil uma observação mais afinada do Executivo Coelhiano, mas percebo desde logo que o atabalhoamento e a descoordenação ou são deliberadas, numa estratégia para graduar o doloroso das decisões, ou manifestam a velha permeabilidade aos habituais pressionadores de executivos, malha de chumbo composta pelos interesses instituídos e pelos especialistas em latrocínio ao erário, agora estudando fragilidades e tacteando terreno. A jovem ministra Assunção Cristas anunciou (de anúncios sobeja a política doméstica!) a decisão de acabar com a Parque Expo, mas Álvaro Santos Pereira reeditou o discurso velho ultradespesista sobre o cadáver TGV, enquanto Miguel Relvas, poderoso no PSD, expõe o flanco numa suposta intromissão na RTP, a propósito do lugar de correspondente em Washington. Acredito que as relíquias sistémicas do socratismo necessitam de tempo e habilidade para serem extirpadas, porque podem minar e destruir este Executivo alojadas que estão nos interstícios do Aparelho de Estado, mas os vícios socratistas não. Seria bom que a cumplicidade com o eleitorado não fosse rompida e que a despesa pública começasse a ser atacada onde é preciso, doa a quem doer. O registo do Governo PSD-PP espera-se seja o do despojamento do Estado e o da verdade aos portugueses. Não pode fraquejar.

sexta-feira, agosto 19, 2011

DEONTOLOGIA ODONTOLÓGICA

Anda-se pela vida e percebe-se que os deuses insistem em dar nozes a quem não tem... 'odontologia'. Por caricato que possa parecer, até faz sentido.

AS "FRENTES" E AS "PARQUES"

"A "Frente Tejo" é também 'outra parque' à qual o Governo já deu dia para morrer (mais breve). Julgo que Costa e pinto-de-sousa tinham pensado que a "Frente" poderia sobreviver ainda mais algum tempo, transferindo para a "Parque Expo" a malta e as competências. Isto era a política-PS das matrioscas aplicada aos organismos, institutos, fundações e etc. Ainda falta aferir  e publicar  os passivos destas 'parques' e destas 'frentes'.Nesta infame neura de Agosto tenho vadiado mais pelos 'blogs' e ligações aqui juntas. Pacheco - entre o Jardim de S. Amaro e Lacas Russas do séc XIX - lá desencantou (porque é de uma erudição sem paralelo) esta simples sentença de Sir Francis Bacon: "Aquele que não aplicar novas soluções, deverá esperara novos males; porque o tempo é o maior inovador". Vindo de PP isto ressuda a amargura e a crítica velada. Mas é verdade. O tempo está contra nós. Há muito que fazer e Passos tem de LIDERAR, mostrar CAMINHOS, de ter um discurso verdadeiro, simples e perceptível - e não verdadeiro, complicado e imperceptível." Besta Imunda

JESUS E A PRIMEIRA PEDRA

Seria preferível que Jesus não atirasse a primeira pedra em nome do Benfica. Era melhor que não fosse por aí. Ok, a grande penalidade não existiu... Mas para quem tanto falhou e tanto errou ou simplesmente dado o mérito colossal do FCPorto na época anterior, seria de absoluta prudência que o novo Benfica, absolutamente sul-americano, mostrasse primeiro serviço e resultados, coisa que o empate (2-2) com o Gil Vicente não deixa augurar. Fartos dos golos irregulares do Benfica e da tanga nota artística está a Liga portuguesa. 

VASCO TOPO DE GAMA

Uma vez no Brasil, é impossível resistir ao charme e à história do Vasco da Gama, fortemente vinculado a Portugal, portanto a um sentido ancestral de heroísmo e transcendência. De modo sustentado, parece destinado a subir, passo a passo, ao topo do Brasileirão 2011. Fala o desejo, pelo menos. Sinais dessa possibilidade? Desde logo a derrota do Flamengo, por goleada, com o Atlético-Goianiense, ontem. Até então, o poderoso Flamengo vinha passeando classe e invencibilidade entre os quatro ou cinco colossos do futebol brasileiro. Uma disputa vibrante a acompanhar. 

XINGAMENTOS, SUSSURROS E CUTUCÕES

Em vão estrebucham os seres humanos, lamentando-se entre xingamentos, sussurros e cutucões, mas é preferível buscar a felicidade repletos de ilusão e anestesiados da sua condição sofredora e trágica, ainda que Schopenhauer sentencie coisas como esta: "Todos viemos ao mundo cheios de pretensões de felicidade e prazer, e conservamos a insensata esperança de fazê-las valer, até ao momento em que o destino nos arpoa bruscamente e nos mostra que nada é nosso, mas tudo é dele."

quinta-feira, agosto 18, 2011

"PELA TERCEIRA VEZ"

Via Mais Futebol
"A selecção portuguesa derrotou a França, por 2-0, e apurou-se, pela terceira vez na sua história, para a final de um Mundial de futebol de sub-20." Público

quarta-feira, agosto 17, 2011

IF IT'S LOVIN' THAT YOU WANT

QUINAS

Tenho torcido à distância, e no entanto tão perto, desde este Pernambuco de belezas mil. Boa sorte, rapazes!

DESCALÇO VAI PARA A FARRA

"Um jovem, de 21 anos, Nelson Gonçalves, filho de emigrantes no Luxemburgo, está de passagem por aqui. "É a primeira vez que venho ao Algarve", diz. A praia e a diversão nocturna estão no topo da sua lista de preferências, mas há um lado civilizacional que lhe desagrada. "Vim descalço para a praia, e encontrei vidros de garrafas partidas no passeio." Quando ao resto, para quem está habituado às praias do norte, sublinha: "Albufeira é um espectáculo". Público

ABC DA FALÊNCIA IMINENTE

Porque são os portugueses toda a vida humildes, trabalhadores, honrados, que se vão foder com a falência iminente do País, empobrecendo pessoalmente e emagrecendo ainda mais para pagar anos de desmandos alheios, há que ir fazendo resumos rememorativos dos motivos pelos quais chegámos aonde chegámos. Quase mil anos de História surfando o ciclo da canela, o ciclo da cana do açúcar, do comércio negreiro, do ouro brasileiro, do cacau e café africanos, o ciclo infando e estéril dos fundos comunitários, para que a realidade geral fosse, como sempre foi, uma absoluta merda para a maioria que já nem filhos faz dado o custo que tal comporta. Se houve alguma vez um pingo de dignidade económico-financeira e contas em dia com o exterior, é vergonhoso que tenha sido apenas sob cinquenta anos de ditadura. Entretanto, alguém entre nós, mas alienígena para connosco, enriqueceu, pediu gloriosamente emprestado em nome do erário, medrou silenciosamente, cevando-se de golpadas magistrais, talvez legais, mas indubitavelmente imorais. Em cerca de cento e cinquenta anos, vamos, quase de certeza, para a segunda falência, desmantelados da sabedoria de produzir riqueza, viver dela e com ela, maximizando recursos humanos, cujo êxodo é outra vergonha, e naturais. Só por isso, o futuro, essa nebulosa sob a hegemonia do par franco-germânico, chama-se Pagar e Pagar até Morrer. Não existe outro caminho nem plano B. Haja memória e vergonha, pelo menos.

IMPRESSÕES BRASILEIRAS II

1. O consumo, no sentido ocidental do termo, veio para ficar no Brasil. O sector bancário começa agora, e só agora, a alimentar prodigiosamente o acesso aos bens de conforto e qualidade de vida sobretudo de uma classe média emergente na ordem dos trinta e oito milhões de neoconsumidores a cada ciclo político. Eis o risco, mas também o desafio. Será necessário uma pedagogia preventiva, que de facto os principais media empreendem, sobretudo a Globo, de modo a orientar os cidadãos e conservar a sociedade em equilíbrio, evitando o vergonhoso descalabro das dívidas pessoais e nacionais monstruosas por décadas, descalabro de que Portugal se pode penitenciar por erros próprios, incompetência, malícia e avidez sectária. O Brasil produz tudo, exporta massivamente, tem como normalidade o superavit fiscal e comercial e deve atentar no lema: não há país rico com uma sociedade pobre. Há, portanto, muito a fazer por uma sociedade mais consciente, apostada no civismo e na justa distribuição da riqueza. 2. O potencial e a solidez económicas do Brasil, avassaladores, não se conjugam com os ratings de que é objecto pelas agências funerárias de notação, tanto quanto sei, os piores: BBB, desde há décadas, com a desculpa do respectivo historial de intervenções externas. Nunca a vida financeira internacional foi tão debochada e cínica, sobretudo quando se contrasta tal realidade com o tratamento recebido pelos EUA. 3. Há dois problemas semelhantes que a política e a sociedade brasileiras não parecem debelar com eficácia, embora todos os sinais de reacção e determinação estejam ao rubro: o tratamento dos lixos e a criminalidade, aqui recorrente e violentíssima. Também há imenso a fazer na separação e reciclagem dos primeiros e na detecção e repressão exemplar da segunda.