segunda-feira, outubro 31, 2011

NO MEIO DO CAMINHO

OS ZZZZZZ COMOVENTES DE COELHO

Bem pode o antigo ministro das Obras Públicas Jorge Coelho declarar a comovente renúncia à subvenção vitalícia que começou a receber há dois anos, no valor de 2400 euros mensais, que o Zé Povoléu já começou a pensar noutra coisa: como reaver para o erário os milhares de milhões da corrupção política, prémios comissionistas por bons serviços contra o Estado e a favor dos amigos do Privado, desviados para offshores

ODE À CARETA PRÉ-PRESIDIÁRIA DE PAULO CAMPOS

Não percebo que ímpeto terá levado o Governo Passos a promover, na cimeira do Paraguai, os computadores Magalhães, mas provavelmente deverá ser para minimizar os impactos mal explicados da Fundação para as Comunicações Móveis (FCM) antes da devida e higiénica extinção a que os operadores não se deverão opor. Já Sócrates, quando implementou o programa e-escolinha, enterrou de lastro e de Babel um público escolar que mal consegue uma relação satisfatória com gente e com livros, que fará com computadores ultrapassados. Não pode haver mérito onde houve instrumentalização de recurso do Estado e houve extenso e despudorado suborno do eleitorado, através dos filhos do eleitorado, com os efeitos torradeira-valentim que se desejavam em retorno. Daí que os únicos argumentos usados para Passos andar a contaminar-se de mau aspecto vendendo Magalhães aos mexicanos só poderão ser os da pílula amargosa: a empresa que os produz e exporta continua acusada de todo o tipo de trafulhices envolvendo o anterior Governo Sócrates? Continua. Mas conviria que mediante a devida promoção do Magalhães nas cimeiras em que o actual Governo participe essa empresa gradualmente fosse desonerando o erário para que o golpe e o privilégio concedidos acabem por ficar ela por ela, isto se não se colocar, por hipótese, a triste realidade de o Estado Português ter ficado amarrado por um contrato com um privado daqueles mais chulos, mais lesivo dos contribuintes, mais reles, mais ladrões em que o socratismo foi comprovadamente useiro, vezeiro e contumaz, obrigando-o, ao Estado, a mortíferas e proibitivas indemnizações. Para conceber tal possibilidade, basta contemplar a careta esgazeada e pré-presidiária de Paulo Campos. Do mesmo modo, a visita de três dias de Paulo Portas à Venezuela só pode destinar-se a recuperar, a salvar, vá, o mínimo, após absoluta dissipação de recursos quando passou pela cabeça peregrina e dissoluta dos socratistas esperar de Chávez alguma palavra e o cumprimento dela. Continua a não haver eleições nesse País governado por um ditador com quem as pessoas sérias da Direita e do Centro jamais fariam qualquer tipo de negócio, salvo para compor e recuperar merdas deixadas para trás pelo reles socratismo, Esquerda danosa e malcheirosa.

MERDÍFERO CHANTAGISMO DO STANDARD LIÈGE

Este comportamento desbragado e aflitivo do Standard Liège começa a cheirar demasiado mal para ser verdade. Tudo bem que a mosca Standard Liège não passe disso, uma mosca comparada com o meu clube, que é um colosso europeu. Porém, com missivas frequentes, o que este pequeno clube belga patenteia é desespero. Patenteado e escarrapachado nos jornais, dia sim, dia sim. Cheira a que, das duas uma, ou o Standard Liège está prestes a acabar, porque está em vias de falir, ou então alguém está, por sua vez, a pressionar esse clube levando-o às vascas de um ataque de caspa para cima do meu clube. Não me lembro, em quarenta e um anos de vida, de tal sujidade mediática, pressionante, insistente, poluente. Não me recordo de tão má fé assim ostensiva. Hoje, segunda-feira, outro email chega ao FC Porto com um novo ultimatum: tem o FC Porto até quarta-feira para o pagamento da primeira prestação da transferência do futebolista francês Mangala, caso contrário os belgas encaram pedir o pagamento integral do valor em dívida. Pergunta-se: é assim, rompendo unilateralmente, humilhando o devedor que se promovem relações fecundas e satisfatórias para o futuro?! Pierre François tem sido o rosto deste desespero atípico. É dele que parte um tom absolutamente raro entre clubes, estigmatizando o meu clube e ameaçando-o. A roupa suja vai sendo lavada em público, o bom nome do meu clube vai sendo arrastado na merda, entre nótulas de sofreguidão: «não foi paga qualquer verba por Mangala». Ora, quando o director-geral do SL diz que o processo que deu entrada na UEFA manter-se-á até que seja efectuado o pagamento da prestação está já a romper com o meu FC Porto, a destruir a palavra dada pelo FC Porto e quaisquer atenuantes e contemporizações do meu FC Porto; está a fazer péssima publicidade e reles contra o  meu FC Porto. Por quê? A soldo de quem, se não há memória de qualquer incumprimento Portista, se tomarmos qualquer dilação como não equivalente a incumprimento?! Pode até ser que esta seja uma história mais complexa do que a que vai saindo nos jornais, mas então gostaria de compreender de que se trata e até que ponto vai essa "complexidade". Em suma, este director-geral do Standard Liège faz fraca figura: por um lado, garante ao grupo de comunicação social belga Sudpress que o meu FC Porto já pagou a primeira prestação de Defour, por outro dá-lhes prazos-limite, desdobra-se em ultimatos e ameaças. Será que se arrependeu de vender-nos Defour por seis milhões e Mangala por 6,5 milhões?! Será que esperava do Benfica o dobro ou o triplo por eles e agora compensa-o manobrando maliciosamente contra o meu clube, expondo o meu clube, envergonhando-o na praça pública?! Demasiado maquiavélico?! Quanto a mim, maquiavélico de menos.

ESVAI-SE A RALÉ POR ENTRE OS DEDOS

Porque a ralé dos ávidos, dos brutais, dos poderosos imorais, se esvai por entre os dedos diáfanos da Justiça, podemos esperar sentados que o caso brasileiro envolvendo Lima progrida e se clarifique. A alta sociedade portuguesa está penetrada de tal ociosa nulidade anticristã que é perfeitamente natural nela medrem tão impensáveis monstros, arrivistas uns, velhos ressequidos do estatuto herdado outros. Aliás, anda o cidadão português em-forma-de-blogger a pregar no deserto ético nacional, exigindo, na legítima e legal perseguição retroactiva e progressiva de corruptos e corruptores, um ainda mais legítimo contraponto ao nosso empobrecer compulsivo próximo e não é que tudo vai lento e pachorrento? E não é que nos sai um Pinto Merdonteiro na rifa a somar ao tíbio Cavaco e ao contraditório Passos?! Nesse ponto, a coligação que governa vai nula e murcha, defraudando quaisquer expectativas de ruptura com o passado negro recente, empurrando com a barriga a barrela que se impõe, basta parte da reles nomenklatura socratista se manter intacta, impávida e serena. Da arraia-miúda nada há a temer pois nem noção tem do limite do aviltamento a que os poderes públicos a submetem, brutalizando todas as aspirações. Esvai-se a reles ralé de privilegiados criminosos por entre os dedos da Justiça.

CRISE EUROPEIA NÃO CHEGA AO BRASIL

«Quem pense que o mundo inteiro está em crise faria bem, se pudesse, em ir dar uma volta ao Brasil. Aí encontrará crescimento económico, com muita gente a passar da classe média a rica e, ainda mais, a sair da pobreza. Concluirá que a crise está, de facto, acantonada na Europa, incluindo este cantinho à beira mar plantado.» Carlos Fiolhais

domingo, outubro 30, 2011

CRÓNICA DE UMA HIGIENE ANUNCIADA

«Dez dias depois da tomada de Sirte, o estudante de engenharia recorda com orgulho o momento em que desarmou o ditador líbio, mas os minutos que se seguiram – captados em confusos registos de telemóvel – são a imagem de um país sedento de vingança, um veneno que se espalhou com rapidez.» Público

SEGURO JANTA GRÁTIS COM RECLUSO SÓCRATES

Extraordinariamente, a capa do jornal Público de hoje foi José Sócrates e um suposto jantar conspirativo com o TóZé Seguro, tendo como ementa orientações para a votação no OE 2012. Regressa-se sempre ao lixo, é quase humano. Seguro não terá resistido, sobretudo agora que Sócrates paga jantares a comissários e ministros europeus que se cruzem com ele nos restaurantes parisienses mais caros, é naturalíssimo que Seguro suporte a malcheirenta companhia pela vantagem de um jantar grátis. O bolso de Sócrates não tem fundo graças ao contribuinte português e à generosidade comissionista das Mota empresas amigas. Desde o exílio que tomou para si, ao que parece, é a segunda vez que o incansável fedelho, o maior Primadonna da política portuguesa, condutor indisputável do País à pré-bancarrota, ousa meter o bedelho e a colherada política na realidade nacional. Desta vez, trata-se da orientação da sua facção partidária por causa do OE 2012. Matéria toda da sua acção malfeitora, a configuração desse orçamento entronca remotamente no topete endividatório dos seus Governos. Por isso, pensar poder alvitrar sobre a situação política do País e dar indicações e orientações de voto para este OE ressuma a acabada loucura. Um homem que usou e abusou dos dinheiros públicos para fazer a cortina de fumo propagandesca mais densa de sempre, que praticou a pressão directa e pessoal para chantagear jornalistas, que chantageou e subornou o eleitorado, que teve os militantes na mão, calados, subservientes e cooperantes na rapacidade e desonestidade do seu consulado; um homem que criou atrito lá, onde deveria haver verdade e sincera cooperação com as forças vivas do País; um homem dado a coisas absolutamente daninhas para Portugal, endividando o País para além de qualquer limite, deveria remeter-se ao mais pudibundo silêncio e desaparecer num cela escura e apertada. Enterrou Portugal, portanto não tem voz nem sobre o OE nem sobre coisa nenhuma: o voto contra do PS já foi tornado impossível pelas declarações 0,0001% seguras de Seguro, e, com sinceridade, nunca o imaginaria jantando com Sócrates em  Paris. Não com quem é merecedor de uma cela, após um julgamento célere e justo.

BIZANTINICES DO HOLOCAUSTO PORTUGUÊS

«...entretanto os numerosíssimos cadáveres sobrantes do "Portugal de sucesso" dos anos 90 vão pintalgando a paisagem: lotes e lotes; urbanizações sobre urbanizações; edifícios atrás de edifícios - todos vazios, ainda 'novos', todos alinhados como exércitos de soldadinhos de chumbo, apesar das cores claras ou berrantes; mas todos votados também eles ao apodrecimento. Arrastando também o território, que foi inutilmente violado e esventrado para a instalação de semelhante riqueza. É bem feito: muitos bancos chegaram a financiar ávidos 'promotores', ao mesmo tempo que financiavam os pobres papalvos que queriam comprar as casas 'promovidas'; no fim, ninguém teve dinheiro para pagar. Este nobre esquema, digno de um Madoff-de-trazer-por-casa, acabou em holocausto com os bancos a ficar com as casa nas unhas e encalacrados ao Barcleys, ao UBS e a outros. Cadáveres detidos por outros cadáveres à espera que o um Delegado de Saúde os declare cadáveres. Quanto dinheiro queimado, quantas oportunidades perdidas, quantas vezes todo o ouro do Brasil não terá sido incinerado no Drakar da imbecilidade nacional. E não mudaste nada, Portugalzinho!: agora, no empréstimo mais envergonhante, na dependência mais aviltante, na situação mais degrandante e de urgência, que fazem as nossas 'cabeças pensantes'? Discutem "se é constitucional, se houve quebra do contrato social, se limites estão a ser ultrapassados, etc, etc"; enfim, se os anjos têm uma pilinha ou uma snaitazinha.» Besta Imunda

POVO QUE VENDA OURO NÃO COMPRA LIVROS

Os livros são obviamente o que há de mais e estimulante e sensual no Universo. Lembro-me bem de literalmente salivar ao ler o romance O Nome da Rosa ou como a leitura d'O Crime do Padre Amaro me deixou num frenesim intelectual, visualizando como um próximo a brutalidade inconsequente do Amaro e a lambisgóia Amélia. Sempre me surpreendeu que os da minha geração se não lambuzassem, como eu, com os melhores livros e as mais suculentas publicações, como se pudessem prescindir, sem grave perda pessoal, daquelas paisagens e saberes unicamente acessíveis ao nosso olhar interior. É preciso dizê-lo: os portugueses não gostam de ler, apesar de todas as campanhas, iniciativas e voluntarismos em sentido inverso e há portuguesas absolutamente asnas quer na sensibilidade, quer na cultura geral, o que pode bem obstaculizar ao orgasmo masculino, digo eu. Porém, nestas coisas a razão de fundo para aceder a bens culturais continua a ser o preço, o nível de vida ou desnível de vida que se tem, o que em Portugal consiste no verdadeiro problema, o problema endémico, pai de todos os outros, de todas as faltas, insuficiências e desistências no grande investimento pessoal na cultura mediante a Leitura. Impossível esperar que compremos livros quando tão duro e agreste é sobreviver. Há dois meses, no Brasil, pude bem-aventuradamente deixar-me deslizar à beatitude de um recluso entre a Natureza, a família e os livros, pude ler novamente em pleno e encher-me de prazer, falar do que lia, comentar o que lia, sorrir ao que lia, criticá-lo na substância e na forma. Tudo começou no aeroporto, uma boa edição nas mãos e a alegria de uma leitura sem pressão nem conflito com o tempo. Finalmente. Haverá maior riqueza que aquela residente na nossa fantasia, numa curiosidade devoradora, numa fome de sentir percursos e humores?!  

PCU DA CARRIS VS. PLATAFORMA DE CONTRIBUINTES

«Tou-me a cagar para o segredo de Justiça», disse um dia Ferro Rodrigues. Depois disso, fomos compreendendo facilmente que o Partido Socialista estava-se, afinal, a cagar para Portugal. É por isso que não me sinto em nada sensibilizado pel'A Plataforma das Comissões de Utentes da Carris quando resolve deplorar profundamente o facto de estarem em avaliação estudos no sentido de acabar com as nove carreiras do serviço nocturno, matéria sob avaliação pelo grupo de trabalho criado pelo Governo para estudar a reforma dos transportes públicos. Se é verdade que as carreiras em causa asseguram o acesso a casa de estudantes, profissionais dos serviços de saúde e até aos trabalhadores dos grandes centros comerciais, pois não possuem viatura própria, e tais cortes põem ainda em causa o programa «Lisboa à Noite», cujo objectivo será aumentar a oferta de transporte público e aumentar a segurança na cidade, certo é que o fim das carreiras da rede da madrugada significará simplesmente o fim dos circuitos mais onerosos para a empresa. Aqui acabam os argumentos porque nem são precisos mais. O que é oneroso ao Estado deve acabar para que se não perpetuem vícios, dívidas, o desastre da gestão em qualquer lado. Não existe meio termo, uma vez que o sector público de transportes deve 16,8 mil milhões e isto merece uma resolução corajosa e rápida. Por uma vez, que a razão dos contribuintes se sobreponha à lei do menor esforço e ao comodismo de um irrisório número de pessoas, por mais legítimas sejam as suas aspirações. 

EM LOUVOR DO FORNO CREMATÓRIO

Sinal incrível dos tempos portugueses é que sobre espaço para os vivos e os filhos dos vivos que não se fazem em Portugal  tanto T0, T1, T2, T3 por vender!, tanta gentinha jovem preferindo cães a bebés!, tanta juventude emigrando para as europas! , mas falte espaço nos cemitérios para acomodar cadáveres, ossadas, para suportar, portanto, a tradicional e canónica, mas talvez cara, inumação católica. Daí que a cremação seja, cada vez mais, a opção preferencial dos portugueses, em caso de morte, naturalmente, se bem que não faltem razões para a mais desesperada e simbólica imolação pelo fogo. Completa-se assim um ciclo, desde que chegámos à Índia, se não quisermos entrar pela reabilitação do conceito "forno crematório" associado igualmente à "resolução" de um problema Endlösung der Judenfrage: a pira funerária, promovida em filmes e sagas, leva a melhor sobre o apodrecimento aprisionado no caixão. O fumo e a cinza vencem a lógica da degradação ou da mumificação, outra das vias possíveis para as exéquias do futuro. O presente passa por que se evolem em fumo alado os nossos mortos, talvez os únicos sobreviventes, afinal, do derradeiro forno crematório metafórico — esta incineração social que se divisa no horizonte, revolução transformadora ou morte, lenta, pastosa e inexorável.

CAÇAR COM CRATO

Gradualmente, serenamente, vou-me distanciando do tom contundente de Santana Castilho que se artificializa em sucessivos ataques de carácter a Crato e a Passos. Não deixo de subscrever os pressupostos e pontos de vista de fundo do primeiro, mas já não posso subscrever a violência do tom e logo eu, que escrevo  frequentemente segundo a urgente acidez céptica contra quem e o que a meus olhos é desonesto e atentatório dos interesses profundos de Portugal. Crato não fez o que dele esperávamos, sobretudo demolir o processo cretino e subjectivo da chamada ADD, tão nefasta e inútil como haver fungos e pé de atleta. Mas se, no transcurso de alguns dias, houver uma medida, uma só medida, contendo decência, boa gestão curricular, e faça pleno sentido do ponto de vista pedagógico, deverá ser bem-vinda e aplaudida. No mais, se não temos "cão", se não podemos caçar com Santana, cacemos com "gato", isto é, com Crato. 

SEGURO, ISTO É, O NÃO-LÍDER

O OE de 2012 constitui uma revolução copernicana no derradeiro enfrentamento real dos números da economia pelo fim de quaisquer ilusões dilatórias. Na discussão e aprovação não se pode esperar nada de António José Seguro. É absolutamente irrelevante o que tenha a dizer, a solidariedade que tenha a manifestar com o Governo ou a extensa massa de esbulhados. Votar a favor corresponde a uma co-responsabilização tácita com os desígnios de rápida solvabilidade e sustentabilidade do Estado Português. Votar contra não passará de auto-anulação e o eco distante da facada de Cavaco ao Governo Passos, quando compareceu com o máximo cinismo a recordar-se da puta da equidade num País todo sem ela, desde a primeira hora. Se Seguro se abstiver dá no mesmo. Seguro não representa uma ruptura com o socratismo e os respectivos Governos oportunistas cujas posições de dilação agravaram a situação nacional como não há memória, bastou a rapacidade. Bastou o mau carácter. Bastou a desonestidade.

UM TUMOR NA ADMINISTRAÇÃO

Antes de mais, aprovo a medida do MEC de não pagar a renovação de licenças de utilização de software da Microsoft dos perto de 50 mil computadores distribuídos entre 2004 e 2007, e o apelo à mudança para um sistema de utilização livre, tipo Linux. Usar os três sistemas operativos Windows, Linux e Mac acabará por ser benéfico porque na diversidade está o ganho e a preparação para todas as eventualidades, sobretudo tendo em conta os altíssimos custos de licenciamento de software para uma tão exíguo orçamento das escolas. Passos semelhantes deveriam ser dados em toda a Administração Pública. Acabar com os monopólios e decepar o grande tumor das dependências criadas especialmente pelos dois últimos Governos, de cuja teia de favores e compromissos onerosos para o futuro não sabemos a missa nem a metade.

«OU SEJA, ESTAMOS FODIDOS!»

«A EDP deve mais de 16 mil milhões de euros, as Águas de Portugal devem 6 mil milhões, a TAP deve 2,4 mil milhões, o sector público de transportes deve 16,8 mil milhões, o buraco das PPP ascende a mais de 60 mil milhões, e este governo ainda hesita sobre se deve ou não parar o Plano Nacional de Barragens, se deve ou não mandar parar imediatamente as barragens assassinas do Tua e do Sabor, entre outros motivos porque tem na pasta responsável uma advogada ferida de óbvios conflitos de interesse e um secretário de estado do ambiente cujo CV não poderia ser mais anti-ambiental. Ao contrário das hienas que clamam cinicamente por crescimento, a verdade é que não podemos crescer sem investimento, e não há investimento num país cuja dívida pública e privada somadas atingirão no próximo ano 360% do PIB. Ou seja, estamos fodidos!As nossas orelhas vão sangrar e muito. Teremos necessariamente que pendurar alguns dos responsáveis directos desta inqualificável desgraça. Não passaremos sem um pornográfico apertar de cinto e o empobrecimento dramático da classe média. Será completamente impossível deixar à iniciativa privada a resolução desta macro-desgraça. Terá que ser o Governo, reforçado com um Gabinete de Crise em funcionamento permanente e com poderes excepcionais, como já propus, a conduzir este navio, ferido por um enorme rombo no casco da solvabilidade, pelo mar pejado de traiçoeiros blocos de gelo em que decaíram a economia e o sistema financeiro mundiais.» O António Maria

sábado, outubro 29, 2011

OLHOS NOS OLHOS, A DANÇA DO EMPATE


Faltou pouco, mas mesmo muito pouco  tão notória foi a periculosidade do jogador Wilson Eduardo  para o SC Olhanense ajoelhar a Luz, submetendo o calculismo benfiquista e a histeria do Jorge a um empate. E foi pena. Seria belo, tão perto do grande derby com o Sporting, ter um Benfica um pouco mais ao alcance da mão ou dos olhos sportinguistas, mão e olhos de que desdenha Jesus, ossos do ofício. Olhos nos olhos. Hoje, os encarnados jogaram dentro dos mínimos, arriscando o pêlo a algum percalço. É o que faz estar já com a alma, os olhos, o corpo todo, na próxima jornada da Liga dos Campeões.

MENTIR E ENTRAR EM FALÊNCIA. MENTIR PARA SAIR

José Sócrates e Passos Coelho, estamos a ver, têm em comum um tipo de mentira de substância e alcance completamente diferentes. O primeiro usava o optimismo voluntarista para esconder o seu estatuto de coveiro da sustentabilidade do Estado Português, mentia com o nosso dinheiro, usava-o para fins de manutenção do Poder e para contentar clientelas, simulando a prodigiosa abundância dele, coisa muito útil para amigos com quem traficou negócios danosos para Portugal. Passos, pelo contrário, obriga-se a tudo fazer para impor, talvez pela primeira vez na nossa democracia, um caminho de absoluta racionalidade do Estado, qualquer coisa que nos retire, dolorosa, mas rapidamente da suspeição internacional. Podemos escapar às medidas de austeridade? Não. Podem elas ter conta, peso e medida, especialmente em razão da situação volátil europeia? Provavelmente não. Será Passos um político amoral porque anda quatro passos à frente do acordado pela Troyka? Se isso nos salvar, nos prestigiar e nos tornar mais prósperos, mais sustentáveis, nada contra. Prefiro um político amoral a um político imoral capaz de agudizar a nossa crise com medidas absolutamente desastrosas, como os aumentos para 2009 que serviram literalmente para subornar o eleitorado néscio. Aumentar impostos e subtrair subsídios de Natal e de Férias poderá ser o corolário da apatia geral que nos manteve impávidos perante um Poder Político desonesto enquanto a nossa dívida pública e o nosso défice explodiam sob o desgoverno e o desprestígio de José Sócrates. Se conseguirmos um Estado mais racional, mais equilibrado, será o fim de uma ilusão desmedida, o brinquedo de eleição dos partidos do Poder, passível de todos abusos e usuras, que aliás nos conduziu à tragédia desta pré-falência.

AS CELAS VAZIAS DE CAMPOS E SÓCRATES

Não se estranhe ser o negócio das Scut entre o Governo de José Sócrates e o Grupo Mota Engil apenas a ponta de um extenso e esmagador iceberg de seis anos danosos e devastadores sobre o Estado português. O que Marques Mendes revela e acusa, com uma coragem rara em Portugal, merece de um Ministério Público, ainda Pinto-Capado e Monteiro-Partidarizado, as devidas acções e consequências: em 2010, ano em foi decido colocar portagens nas Scut, houve um acordo entre o Governo de Sócrates e o grupo Mota para a introdução de portagens nas auto-estradas Costa de Prata, Grande Porto e Beira Litoral, só que nessa ocasião o Grupo Mota exigiu que para introduzir portagens naquelas três Scut fossem também renegociados os contratos de outras duas concessões (a da Grande Lisboa e a do Norte – A7 e A11). O Governo aceitou uma exigência de uma forma absolutamente irresponsável, colocando-se pelo interesse particular contra o interesse público. Ora, se os custos para o país deste negócio, em 2010 daquelas duas concessões (a da Grande Lisboa e a do Norte – A7 e A11) eram zero, a partir de 2010, a estimativa de encargos que o Estado vai ter com aquelas duas concessões será de 1,42 mil milhões de Euros, ou seja, 281 milhões na Grande Lisboa e 1,139 mil milhões na do Norte. Prejuízos quase davam para pagar o subsídio de férias e de Natal que vai ser cortado aos funcionários públicos e pensionistas (cerca dois mil milhões em termos líquidos. Se isto não é criminoso, o que será criminoso? É por isso que quando vemos que Sócrates goza os frutos da sua honestidade e extrema diligência por Portugal em Paris e Paulo Campos vai cagando e rindo enquanto se recosta e respalda o real cagueiro nos bancos do Parlamento, temos nojo. Onde está uma Justiça que obrigue a uma cabal explicação? Até que ponto um País quase falido com jogadas destas pode suportar a mais reles promiscuidade com contrapartidas obscenas e negociatas pelo meio sem que nenhumas responsabilidades seja assacadas ou a devida criminalização agilizada?! Não é necessário muito esforço para provar e comprovar a gestão ruinosa e irresponsável de José Sócrates e Paulo Campos, ex-secretário de Estado das Obras Públicas. Faltam, sim, colhões para o trabalho processual, para a produção de uma acusação, sendo que a sociedade, para mal de si mesma, parece perdida e nem se une nem se dói perante os que tão desbragadamente a lesaram.

EM PULGAS PARA SABER

De uma vez por todas, o que se passe com os nossos treinadores que brilham fora, interessa. Interessa pelo que vão alcançando, mas também pelos sinais que vão dando num itinerário de afirmação indirecta do que seja português. Tais serviços, parece-me, revelar-se-ão inestimáveis na proporção do sucesso que obtiverem. Eis um motivo extra, motivo de fundo, para querer saber tudo sobre o Chelsea vs, Arsenal de esta tarde.

LIMA E A TAQUIFILAXIA JUSTICIÁRIA

Dado o esgotamento da Justiça portuguesa, talvez seja interessante o efeito terapêutico de uma cooperação o mais perfeita e estreita possível com a brasileira. Consequências para Lima representariam finalmente o rompimento com a repetição das doses de impunidade, imunidade, protecção dos fortes e privilegiados, o que poderá dar algum ânimo ao rectângulo. O sistema justiciário português carece de imunização através da inoculação de uma pequena dose de probabilidade e consequência, como os factos arrolados contra Duarte Lima parecem indiciar. A larga massa ingente nacional de privilegiados impunes poderá ter aqui um vislumbre de ruptura com o regime hipergarantístico que os beneficia e protege exclusivamente. Entretanto, dado o perfil internacional do crime cuja acusação já foi produzida, cresce uma sensação de imbróglio justiciário Portugal-Brasil. Alguma surpresa? [A propósito desta matéria, os blogues do socialismo-socratismo exibem fotos envenenantes mostrando recorrentemente Lima com Cavaco. A foto supra é só para desenfastiar da intencionalidade sorna subjacente.]

ODE TRIUNFAL [EM PLENO SENTIDO ÍNTIMO]

À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
l
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
l
Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical 
Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força 
Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,
Átomos que hão de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,
Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,
Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,
Fazendo-me um excesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.
l
Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!
Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!
Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,
Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento
A todos os perfumes de óleos e calores e carvões
Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!
l
Fraternidade com todas as dinâmicas!
Promíscua fúria de ser parte-agente
Do rodar férreo e cosmopolita
Dos comboios estrénuos,
Da faina transportadora-de-cargas dos navios,
Do giro lúbrico e lento dos guindastes,
Do tumulto disciplinado das fábricas,
E do quase-silêncio ciciante e monótono das correias de transmissão!
l
Horas europeias, produtoras, entaladas
Entre maquinismos e afazeres úteis!
Grandes cidades paradas nos cafés,
Nos cafés -- oásis de inutilidades ruidosas
Onde se cristalizam e se precipitam
Os rumores e os gestos do Útil
E as rodas, e as rodas-dentadas e as chumaceiras do Progressivo!
Nova Minerva sem-alma dos cais e das gares!
Novos entusiasmos da estatura do Momento!
Quilhas de chapas de ferro sorrindo encostadas às docas,
Ou a seco, erguidas, nos pianos-inclinados dos portos!
Actividade internacional, transatlântica, Canadian-Pacific!
Luzes e febris perdas de tempo nos bares, nos hotéis,
Nos Longchamps e nos Derbies e nos Ascots,
E Piccadillies e Avenues de l'Opera que entram
Pela minh'alma dentro!
l
Hé-lá as ruas, hé-lá as praças, hé-la-hó la foule!
Tudo o que passa, tudo o que pára às montras!
Comerciantes; vadios; escrocs exageradamente bem-vestidos;
Membros evidentes de clubes aristocráticos;
Esquálidas figuras dúbias; chefes de família vagamente felizes
E paternais até na corrente de oiro que atravessa o colete
De algibeira a algibeira!
Tudo o que passa, tudo o que passa e nunca passa!
Presença demasiadamente acentuada das cocotes;
Banalidade interessante (e quem sabe o quê por dentro?)
Das burguesinhas, mãe e filha geralmente,
Que andam na rua com um fim qualquer,
A graça feminil e falsa dos pederastas que passam, lentos;
E toda a gente simplesmente elegante que passeia e se mostra
E afinal tem alma lá dentro!
l
(Ah, como eu desejaria ser o souteneur disto tudo!)
l
A maravilhosa beleza das corrupções políticas,
Deliciosos escândalos financeiros e diplomáticos,
Agressões políticas nas ruas,
E de vez em quando o cometa dum regicídio
Que ilumina de Prodígio e Fanfarra os céus
Usuais e lúcidos da Civilização quotidiana!
l
Notícias desmentidas dos jornais,
Artigos políticos insinceramente sinceros,
Notícias passez à-la-caisse, grandes crimes 
Duas colunas deles passando para a segunda página!
O cheiro fresco a tinta de tipografia!
Os cartazes postos há pouco, molhados!
Vients-de-paraitre amarelos com uma cinta branca!
Como eu vos amo a todos, a todos, a todos,
Como eu vos amo de todas as maneiras,
Com os olhos e com os ouvidos e com o olfacto
E com o tacto (o que palpar-vos representa para mim!)
E com a inteligência como uma antena que fazeis vibrar!
Ah, como todos os meus sentidos têm cio de vós!
l
Adubos, debulhadoras a vapor, progressos da agricultura!
Química agrícola, e o comércio quase uma ciência!
Ó mostruários dos caixeiros-viajantes,
Dos caixeiros-viajantes, cavaleiros-andantes da Indústria,
Prolongamentos humanos das fábricas e dos calmos escritórios!
l
Ó fazendas nas montras! ó manequins! ó últimos figurinos!
Ó artigos inúteis que toda a gente quer comprar!
Olá grandes armazéns com várias secções!
Olá anúncios eléctricos que vêm e estão e desaparecem!
Olá tudo com que hoje se constrói, com que hoje se é diferente de ontem!
Eh, cimento armado, beton de cimento, novos processos!
Progressos dos armamentos gloriosamente mortíferos!
Couraças, canhões, metralhadoras, submarinos, aeroplanos!
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Amo-vos a todos, a tudo, como uma fera.
Amo-vos carnivoramente,
Pervertidamente e enroscando a minha vista
Em vós, ó coisas grandes, banais, úteis, inúteis,
Ó coisas todas modernas,
Ó minhas contemporâneas, forma actual e próxima
Do sistema imediato do Universo!
Nova Revelação metálica e dinâmica de Deus!
l
Ó fábricas, ó laboratórios, ó music-halls, ó Luna-Parks,
Ó couraçados, ó pontes, ó docas flutuantes 
Na minha mente turbulenta e incandescida
Possuo-vos como a uma mulher bela,
Completamente vos possuo como a uma mulher bela que não se ama,
Que se encontra casualmente e se acha interessantíssima.
l
Eh-lá-hô fachadas das grandes lojas!
Eh-lá-hô elevadores dos grandes edifícios!
Eh-lá-hô recomposições ministeriais!
Parlamento, políticas, relatores de orçamentos;
Orçamentos falsificados!
(Um orçamento é tão natural como uma árvore
E um parlamento tão belo como uma borboleta.)
l
Eh-lá o interesse por tudo na vida,
Porque tudo é a vida, desde os brilhantes nas montras
Até à noite ponte misteriosa entre os astros
E o amor antigo e solene, lavando as costas
E sendo misericordiosamente o mesmo
Que era quando Platão era realmente Platão
Na sua presença real e na sua carne com a alma dentro,
E falava com Aristóteles, que havia de não ser discípulo dele.
l
Eu podia morrer triturado por um motor
Com o sentimento de deliciosa entrega duma mulher possuída.
Atirem-me para dentro das fornalhas!
Metam-me debaixo dos comboios!
Espanquem-me a bordo de navios!
Masoquismo através de maquinismos!
Sadismo de não sei quê moderno e eu e barulho!
l
Up-lá hó jóquei que ganhaste o Derby,
Morder entre dentes o teu cap de duas cores!
l
(Ser tão alto que não pudesse entrar por nenhuma porta!
Ah, olhar é em mim uma perversão sexual!)
l
Eh-lá, eh-lá, eh-lá, catedrais!
Deixai-me partir a cabeça de encontro às vossas esquinas,
E ser levantado da rua cheio de sangue
Sem ninguém saber quem eu sou!
l
Ó tramways, funiculares, metropolitanos,
Roçai-vos por mim até ao espasmo!
Hilla! hilla! hilla-hô!
Dai-me gargalhadas em plena cara,
Ó automóveis apinhados de pândegos e de putas,
Ó multidões quotidianas nem alegres nem tristes das ruas,
Rio multicolor anónimo e onde eu me posso banhar como quereria!
Ah, que vidas complexas, que coisas lá pelas casas de tudo isto!
Ah, saber-lhes as vidas a todos, as dificuldades de dinheiro,
As dissensões domésticas, os deboches que não se suspeitam,
Os pensamentos que cada um tem a sós consigo no seu quarto
E os gestos que faz quando ninguém pode ver!
Não saber tudo isto é ignorar tudo, ó raiva,
Ó raiva que como uma febre e um cio e uma fome
Me põe a magro o rosto e me agita às vezes as mãos
Em crispações absurdas em pleno meio das turbas
Nas ruas cheias de encontrões!
l
Ah, e a gente ordinária e suja, que parece sempre a mesma,
Que emprega palavrões como palavras usuais,
Cujos filhos roubam às portas das mercearias
E cujas filhas aos oito anos  e eu acho isto belo e amo-o! 
Masturbam homens de aspecto decente nos vãos de escada.
A gentalha que anda pelos andaimes e que vai para casa
Por vielas quase irreais de estreiteza e podridão.
Maravilhosa gente humana que vive como os cães,
Que está abaixo de todos os sistemas morais,
Para quem nenhuma religião foi feita,
Nenhuma arte criada,
Nenhuma política destinada para eles!
Como eu vos amo a todos, porque sois assim,
Nem imorais de tão baixos que sois, nem bons nem maus,
Inatingíveis por todos os progressos,
Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida!
l
(Na nora do quintal da minha casa
O burro anda à roda, anda à roda,
E o mistério do mundo é do tamanho disto.
Limpa o suor com o braço, trabalhador descontente.
A luz do sol abafa o silêncio das esferas
E havemos todos de morrer,
Ó pinheirais sombrios ao crepúsculo,
Pinheirais onde a minha infância era outra coisa
Do que eu sou hoje. . . )
l
Mas, ah outra vez a raiva mecânica constante!
Outra vez a obsessão movimentada dos ónibus.
E outra vez a fúria de estar indo ao mesmo tempo dentro de todos os comboios
De todas as partes do mundo,
De estar dizendo adeus de bordo de todos os navios,
Que a estas horas estão levantando ferro ou afastando-se das docas.
Ó ferro, ó aço, ó alumínio, ó chapas de ferro ondulado!
Ó cais, ó portos, ó comboios, ó guindastes, ó rebocadores!
l
Eh-lá grandes desastres de comboios!
Eh-lá desabamentos de galerias de minas!
Eh-lá naufrágios deliciosos dos grandes transatlânticos!
Eh-lá-hô revoluções aqui, ali, acolá,
Alterações de constituições, guerras, tratados, invasões,
Ruído, injustiças, violências, e talvez para breve o fim,
A grande invasão dos bárbaros amarelos pela Europa,
E outro Sol no novo Horizonte!
l
Que importa tudo isto, mas que importa tudo isto
Ao fúlgido e rubro ruído contemporâneo,
Ao ruído cruel e delicioso da civilização de hoje?
Tudo isso apaga tudo, salvo o Momento,
O Momento de tronco nu e quente como um fogueiro,
O Momento estridentemente ruidoso e mecânico,
O Momento dinâmico passagem de todas as bacantes
Do ferro e do bronze e da bebedeira dos metais.
l
Eia comboios, eia pontes, eia hotéis à hora do jantar,
Eia aparelhos de todas as espécies, férreos, brutos, mínimos,
Instrumentos de precisão, aparelhos de triturar, de cavar,
Engenhos, brocas, máquinas rotativas!
l
Eia! eia! eia!
Eia eletricidade, nervos doentes da Matéria!
Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do inconsciente!
Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel, Suez!
Eia todo o passado dentro do presente!
Eia todo o futuro já dentro de nós! eia!
Eia! eia! eia!
Frutos de ferro e útil da árvore-fábrica cosmopolita!
Eia! eia! eia, eia-hô-ô-ô!
Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me.
Engatam-me em todos os comboios.
Içam-me em todos os cais.
Giro dentro das hélices de todos os navios.
Eia! eia-hô eia!
Eia! sou o calor mecânico e a electricidade!
l
Eia! e os rails e as casas de máquinas e a Europa!
Eia e hurrah por mim-tudo e tudo, máquinas a trabalhar, eia!
l
Galgar com tudo por cima de tudo! Hup-lá!
l
Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá!
Hé-lá! He-hô Ho-o-o-o-o!
Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!
l
Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!
l
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

AO HOTENTOTE HIPER-ESCOLARIZADO DO SOCIALISMO*

Alfredo Barroso costuma calar-se quando o espectáculo lhe agrada. Fora isso, até dança na cadeira da SIC-N, espuma, estrebucha, pula, ginga, corta a memória às fatias, segundo o que interessa da facção socialista. Mas o Filipe* não pode esquecer que a principal dissonância do Ângelo com o Passos-posterior-às-eleições passa pela sensação desconfortável de que nenhum dos direitos adquiridos, até aqui intocáveis, está a salvo, especialmente os dos velhos subvencionados da política, «... e eu acho isto belo e amo-o!»

MINISTÉRIO PÚBLICO OU OS INQUÉRITOS DA INCÚRIA

Pois, já faltava o inqueritozito da praxe. No dia em que tenhamos uma Opinião Pública coesa e pressionante, os inquéritos anunciados por desfastio acabam e outro tipo de decisões mais céleres e esclarecidas são tomadas. Os inquéritos do Ministério Público normalmente representam o primeiro passo para o respectivo arquivamento. Inquirir evoluiu semanticamente e já representa em Portugal «empurrar com a barriga» ou «não mexer uma palha» ou ainda «não fazer a ponta de um corno». Foi assim que se protegeu e manteve a salvo completos filhos da puta, impensáveis para a assunção de enormes responsabilidades públicas. Ao longo de seis anos, o arquivamento foi recordista e campeão na linguagem pachorrenta no Ministério Público sempre que o nome mais infame da nossa história recente se viu arrolado em matérias sucessivamente escabrosas. No caso da professora agredida na escola de Quinta do Conde, em Sesimbra, pode sentar-se calmamente, curar as mazelas, envelhecer com toda a paciência, até se fazer justiça com a mínima e decente celeridade que, em Portugal, singifica não haver decência nem celeridade nenhumas.

sexta-feira, outubro 28, 2011

GOLEADA FRAQUINHA E OVERDOSE DE RAIOS GAMA


É uma pena que as goleadas do meu FC Porto se sucedam, em casa, mas o seu futebol continue encerrado, fechado a sete chaves, como se aprisionado numa porta repleta de ferrolhos. No meio de tudo, hoje ganhámos um enorme Mangala. Perdemos foi um príncipe, Hulk, que teve um verdadeiro desvario à imagem do Monstro Verde quando, sob uma overdose de Raios Gama [assobios], ao ser substituído, ignorou o banco, não cumprimentou um adepto e seguiu como um raio para o balneário para ficar só. Hulk é grande, tem um coração grande e humilde. Sabe retractar-se porque não desconhece o que seja gratidão, coisa de que é capaz em altíssimo grau. Fechar-se num orgulho feio, disso nem é capaz nem tem conhecimento do que seja. Parece-me que o único motivo para ter sido assobiado, além do futebol medíocre apresentado, poderá ser o novo penteado: o povo portista é muito macho e assimilou demasiado a ideia da loura burra = menos futebol, pelo que transfere injustamente a sua insatisfação e sua impaciência para cima de quem tanto lhe deu. E Hulk já nos deu de mais a nós, portistas. Se, por momentos, se perdeu e desatinou, esta noite, logo se reencontrou e pediu desculpas. Não se percebe o quê, que factores intervêm para gerar um certo clima em que parece caminhar-se sobre brasas. O jornal O Jogo concedeu um destaque infinito ao Incrível, ao longo desta semana. Percebe-se que parte da pressão e da cobrança sobre os jogadores, quota de leão eventualmente, ocorre nos jornais desportivos, o que por vezes constitui uma jogada de risco, porque por um lado pode intranquilizar e por outro certamente espicaça. O Moutinho de hoje, por exemplo, parece-me fruto do poder jornalístico de espicaçar desempenhos de alto nível. Hulk tem a cabeça na gloriosa Selecção Canarinha, síndrome inversa do jogador português com fastio da FPF e zelo desmesurado pelo Clube ricaço onde faz carreira. Enfim, quando uma equipa está unida, passa ao lado da imprensa, dos seus processos de cerco, das suas retóricas periféricas motivacionais, pela censura ou pelo estímulo. Não se sabe até que ponto é que se apertam certos laços, prisões invisíveis, com que se cercam jogadores por vezes distraídos entre desejos indizíveis de mudar ou de brilhar em grandes e ambiciosas selecções. No limite, qualquer coisa se quebra. 

MÚMIA DE PORCO

Nunca comprei um presunto inteiro na minha vida. Mas no clube do bairro há um sistema de angariação de fundos para certas modalidades desportivas amadoras que passa pelo sorteio de um presunto ou de um bacalhau, a escolha é do sortudo, tendo em conta o acerto no primeiro número a sair nos pseudo-sorteios do Totoloto. Funciona. Meu pai e meu cunhado têm tido sorte aí. Benditos nacos indirectos os que me calham. Há um efeito nos meus dez quilómetros/dia, invariáveis e infatigáveis, na ida e na volta do trabalho: geram-me uma fome de sabores que dói. Dou por mim ávido, esfomeado. Agora com essa carne à mão, eis-me a cortar presunto, a golpear presunto, a trinchar presunto, a serrilhar presunto, faminto no fim de um dia duro. Prefiro cubos a fatias. Acompanho com vinho maduro tinto, por exemplo, um odoroso Pias alentejano. E sossego. Sucede que, dada a frequente autópsia aos quartos mumificados do bicho, dou por mim a analogizar essa carne querida exactamente com a de múmia. Não importa. A múmia de porco, isto é, o Presunto, continua a ser uma magnífica invenção gastronómica que encaixa na minha fome funda e me dá o prazer que me é devido ao fim do dia.

DA UNIDADE ARTIFICIAL DA ESPANHA

«A Espanha continua a não ser unitária do ponto de vista cultural. Ora vejamos. Em primeiro lugar há uma grande diferença de PIB entre o terço oriental e o resto da Espanha. A Catalunha, Navarra, País Basco e Aragão são grosso modo a Espanha rica, excluindo obviamente a capital, Madrid. A Espanha pobre está a ocidente, em parte devido à exclusão feita pela própria capital. Vimos as diferenças económicas. Depois há as climáticas. Temos a Espanha atlântica, do País Basco, das Astúrias, Cantábria, Galiza. E a Espanha mediterrânica, quase tudo o resto. Há ainda as diferenças linguísticas, essas bem marcadas. Temos o galego, ou galaico-português, o castelhano, o catalão, o basco, e ainda vestígios do asturiano, leonês ou aragonês. O castelhano afasta-se de todas estas línguas, tal como o basco. Há tempos vi um velho livro inglês sobre raças europeias. Os portugueses faziam parte das raças atlânticas, a par dos galegos, asturianos, cantábricos, bascos, ingleses, irlandeses, escoceses ou bretões. Enfim, tanta conversa para dizer que a unidade cultural da Espanha é artificial, e na minha opinião, todos estaríamos melhor com a Ibéria separada em pequenos estados, Portugal e Galiza unidos, País Basco e Catalunha independentes, e quiçá Cantábria e Asturias ligados a nós ou também independentes.» Zephyrus

ESTÁTUA DO CAPITAL

«“Dêem-me os cansados, os pobres, as massas amontoadas que anseiam por respirar em liberdade” é a mensagem inscrita na base da estátua, inaugurada nos idos de Outubro de 1886.» Público
Agora o texto teria de ser adaptado: «Dêem-me os falidos, os empobrecidos, as massas esbulhadas de austeridade que não anseiam por salvar os bancos: serão triturados.» Sim, centésimo vigésimo quinto aniversário e tal da Estátua, mas o tempo da Liberdade já passou. Agora, o tempo é outro. A liberdade, a única liberdade, passou a ser o capital diante do qual se dobra e ajoelha a Grécia, por muitos e bons anos, e quem se lhe seguir. Por fim, Das Kapital triunfará.

PIADAS ANTI-CATALUNHA SÃO ANTI-PORTUGAL

A polémica entre Peces-Barba e os catalães deveria ser a polémica entre Peces-Barba, os catalães e os portugueses porque parte de piadas de fundo imperialista, triunfalóide, nacionalista de extracção castelhana. Pelo próprio currículo socialista, Gregorio Peces-Barba deveria guardar no bolso as coisas que lhe passam pela cabeça: a Espanha não é a Península Ibérica. Quando Portugal quis ser independente, esse querer teve sempre muita força, força própria, e quando o quis em 1640, porventura a Catalunha já estaria demasiado aculturada por Castela para lhe resistir como nós resistimos. Visto de cima, o território catalão, talvez pouco mais de um terço do de Portugal Continental, parece incomparavelmente mais fácil de subjugar. E assim foi. Uma questão de escala. Ainda hoje o seu separatismo, que ladra e não morde, é sobretudo fogo de vista porque se existe um sentimento nacionalista catalão, no fundo, ele não parece passar de um sentimento futebolista catalão, o que é muito diferente e muito pouco para não dizer quase tudo de um sentimento nacionalista. Mesmo em 1640, Portugal não era propriamente uma puta para ficar com quem calhasse e de qualquer maneira, señor Barba, apenas porque o chicote castelhano o determinava! Agora, o que eu acho desastroso do lado do protesto a Barba é que 30 advogados tenham abandonado a conferência onde a piada foi escarrada e assim relevado o efeito da brincadeira. Pior ainda foi que decanos de 14 associações catalãs de advogados tenham subscrito um comunicado qualificando de «inadmissíveis» as palavras pronunciadas pelo veterano político socialista. O melhor a fazer era ostracizá-lo e não lhe dar qualquer espécie de antena. As palavras de Peces-Barba não denotam qualquer velho desprezo simultaneamente relativo e absoluto pela Catalunha. Ao contrário, a Catalunha dói a Castela com o mesmo desconforto dos mal-casados que nunca sabem em que ponto do contrato começaram a odiar-se ou a amar-se, ambas as coisas ou nenhuma delas. Aquelas declarações denotam, sim, o velho desprezo absoluto e relativo por Portugal, por quem Castela, tomadas de nós as bordoadas e quis e não quis, nunca teve de sofrer efectivamente um bom ou mau casamento. Sempre vivemos reciprocamente alheados. Para melhor lamber o orgulho e as suas mortes vãs, ao longo da sua histórica impotência para nos dominar, Castela alheou-se seriamente de Portugal como se este não existisse [até há pouco, em qualquer café do lado de lá da fronteira, o mapa da Península ostentava um lugar a ocidente literalmente em branco, sequer um só topónimo identificativo de Portugal], não como alguém se alheia de um espinho esquecido na carne, mas como alguém se alheia de um espinho infelizmente para si irremediavelmente perdido e fora dela, apesar da cicatriz. Em suma, as piadas que ferem susceptibilidades nacionais não podem ser proclamadas nunca, perdendo imediatamente o humor para vestir apenas o mau gosto negro e infeliz do que as pariu, como Peces-Barba. Na Península Ibérica, o nosso separatismo secular vai de vento em popa. É precisamente ele-separatismo a grande força agregadora, o buraco negro vital, que matiza quaisquer laivos de unidade entre as demais singulares nações-resíduo, unidas e separadas, sob a paciente tenaz aculturadora que dá pelo nome de "Espanha", tenaz da qual  e é já muito tarde para lamentá-lo se há quem o lamente , Portugal escapou para se definir doutra maneira. Nem aragonesa. Nem catalã. Nem galega. Nem basca. Nem andaluza. E assim se faz História. Peces-Barba pode bem começar a abster-se de emitir piadas-flato. Já infestou que bastasse.

UMA TERRA DE ORGULHO

É OFICIAL: BRASIL COME PORTUGAL

A Europa já não nos é porto de abrigo, mas afinal ratoeira inescapável. Há que voltar, ainda que de gatas, à família e aos amigos cujos braços sempre abertos têm agora a aconchegar-nos também uns bolsos especialmente promissores e recheados, se os convencermos a comer-nos, mordiscando o que puderem. À violência e irracionalidade dos mercados e do malicioso short selling, nós apomos gastronomia, um bom e odoroso vinho tinto de Pias, Alentejo, uns pinhões portugueses. Porque a esperança não está nem em Troykas nem em Tríades. Está no Triângulo Portugal, Angola, Brasil e no quanto nos queiram comer, se lhes ensinarmos como. Sorte tem a jornalista Natália às voltas para ler e entender o que come em pleno jantar que juntou 800 empresários portugueses e brasileiros e onde o Presidente da República deixou o desafio a um maior investimento do Brasil em Portugal: «Filet trufado com brie ao molho roti, mini frigideira de prata sob folha de videira com risotto de fughi seco e pinhãos portugueses e canoa de pupunha com salvia.» Natália Carvalho

quinta-feira, outubro 27, 2011

CAVACO, REI DOS SÉQUITOS

Afinal, há cortes em Portugal, isto é, uma "Corte". O rei delas é Cavaco e há também a sórdida guerra de gabinetes, o gabinete de Cavaco contra o gabinete de Passos, o de Passos contra o de Cavaco e o grande gabinete sobrevivente e anónimo socratista contra ambos e por ninguém a não ser pelo grande póstumo Sócrates e a nostalgia das grandes orgias e velhas pândegas à completa pala do erário. Sérgio Lavos serve aqui de pombinha da paz e da poupança com pança e sem Sancho: «Enquanto Pedro Passos Coelho leva consigo quatro pessoas, incluindo segurança, Aníbal Cavaco Silva arrasta atrás dele um séquito de 23, no qual se incluem mordomo e médico pessoal. O Presidente, que se eternizou na célebre frase “Ninguém está imune aos sacrifícios”, já tinha suscitado consternação aquando da visita aos Açores em Setembro, por se ter feito acompanhar de uma comitiva de 30 pessoas, entre as quais estavam o chefe da casa civil e sua esposa, quatro assessores, dois consultores, um médico pessoal, uma enfermeira, dois bagageiros, dois fotógrafos oficiais, um mordomo e 12 agentes de segurança.» Sérgio Lavos

ESPERANÇA NA NOSSA TERRA

«Com a industrialização da lavoura – algo que nos passou ao lado – fomos vivamente incentivados a abandonar o campo. E a Estatística registou, muito ufana: já só 3% dos portugueses vivem do que a terra dá. Por isso comemos hoje o que nos vendem os outros, membros ou não da UE. Num contínuo encolher de ombros ante a fatalidade. É onde retomo o tema da esperança. Que é feito de nós? Do que somos nós capazes? Aparentemente, de protestar apenas contra o aumento do custo de vida.» João Afonso Machado

DO REGIMENTALISMO CONSTITUCIONALISTEIRO

Só num País de loucos pode este regimentalismo constitucionalisteiro ser levado ao extremo do absurdo. É como no seio de um navio quase condenado a tripulação em vias de morrer decidisse que o melhor seria preencher o formulário correcto, obedecendo às convenções e formalidades habituais. Valha-nos Deus!

ESSA DEVASTADORA PULSÃO SEXUAL POR DINHEIRO

Ainda que qualquer exercício exegético sobre a pessoa e o percurso de Duarte Lima seja ocioso e se inscreva no mediaticamente aberrante, agora que o Ministério Público brasileiro acusa formalmente o ex-deputado do PSD da morte de Rosalina Ribeiro, não se pode suster a Opinião Pública, por natureza, absolutamente intuitiva e experta nestas coisas sangrentas, nestes crimes de gatilho óbvio para si. A alma humana, sendo o iceberg gélido que é, igualmente na esmagadora parte submerso, obriga-nos a ponderar o papel devastador de personagens ocultas no pior do seu negrume, fortemente marcadas por uma irreprimível pulsão sexual por dinheiro, que as deforma, que as avilta. Pense-se no perigo que indivíduos desta casta representam para nós, cidadãos, especialmente os mais vulneráveis, já que os privilegiados convivem e traficam precisamente com os fortes deste mundo. Lima pode até ter aniquilado uma herdeira riquíssima, de repente nada mais que um empecilho entediante e cansativo no seu caminho. Outros, porém, sem dispararem um só tiro nem meterem os pés pelas mãos no disfarce dos vestígios, no apagamento trapalhão das provas, na confusão dos itinerários comprometedores, aniquilam e colocam de joelhos uma sociedade inteira, sendo a profunda desonestidade de base, o mau carácter, associados a uma cupidez desmedida por dinheiro, os catalizadores perfeitos do crime. Rosalina foi morta num ápice, sangrou de uma só vez, abatida friamente, triste sina. Portugal, como uma enorme e misteriosa Rosalina, agonizou entre paliativos e mentirolas servidas pela mais requintada e requentada propaganda política pensada ao detalhe, arrastou-se, tombando especialmente ao longo de seis anos de marketing, entre sorrisos asnos e maviosos, sob um chuveiro de grandes cartazes promissores e ainda maiores anúncios optimistas de pão, farturas e circo, enquanto um hábil saque era perpetrado à sociedade portuguesa. Valha que ao menos Portugal agonizou em festa, com enormes fumos e pirotecnia, bons sapatos, sorrisos repletos de Estado Social e outros refrões cheios do sentido pífio do Zero vestido por Armani. Neste caso, há culpa, mas não há acusação. Nem culpado. Não foi ninguém. Foi a «crise das dívidas soberanas» com epicentro em Wall Street. E, pronto, está feito. Siga.

JORGE APALHAÇA JESUS

Jesus, enquanto treinador durante os jogos, recorda-me largamente o meu avô, adepto ferrenho do Valadares. Tornou-se um ícone na Vila porque se colocava invariavelmente por trás da baliza, seguindo todas as jogadas rangendo os dentes e simulando, com o corpo todo, todos os movimentos entre as quatro linhas, todas as quedas, todas as falhas, e imitando mesmo o guarda-redes em todas as defesas e impossibilidade delas. Sabe-se que insultava os árbitros, gritava, gesticulava, sofria e atirava o boné ao chão. Sabe-se que ria às gargalhadas por vezes: era um espectáculo dentro do suposto espectáculo de jogo. Mas o meu avô não era o treinador. Jesus é. Tem de começar a filtrar as figurinhas em que se coloca, a não ser que haja dois dentro dele, o Jorge e o Jesus. O Jorge é o adepto do Sporting sublimado em adepto do seu onze SLB de cada vez: e aí passa-se, descontrola-se, excede-se. Por sua vez, Jesus é o profissional que depois surge pachorrento nas conferências de imprensa, como um buda do futebol, como o mestre do Panda do Kung-Fu... tebol. Pois, mas a UEFA, mal ou bem, como todas as instituições poderosas e até certo ponto selectas e secretas, não perdoa ao Jorge. Ainda não descortinámos o que pensa de Jesus.

ONDE O PSD É FROUXO

Onde o PSD se revela frouxo e nulo não é em mais nada senão nos pactos que ousa estabelecer e ter estabelecido com o PS nas nossas costas e contra o nosso justo clamor e indignação. Vamos enrouquecendo e envelhecendo nessa indignação e nesse clamor e afinal o partido que elegemos para limpar o monturo de cacos e caca do Partido Socialista mostra-se fraco, titubeante, precisamente com o partido do Saque Colossal aos Portugueses. A concordância com o nome abominável de Ricardo Rodrigues para o Conselho Geral do Centro de Estudos Judiciários foi a forma que o PSD encontrou de nos cuspir na cara e juntar escárnio ao escárnio. Não haver vergonha para nos defraudar assim de forma frouxa e nula! Pactuar com o PS é assentir no passado recente da Despesa e da Mentira. Onde pára a auditoria geral das contas do Estado? Por que não dá o PSD seguimento à responsabilização judicial de dirigentes do anterior Governo por corrupção e gestão danosa? As parcerias público-privadas, certamente fontes de contra-partidas e sábios abichamentos pessoais, têm de ser revistas e renegociadas. O que faz o PSD quanto a elas? Nada. O Estado português não tem bojo para suportar os elefantes despesistas como os institutos públicos. O que faz o PSD quanto a eles? Nada. E assim segue frouxo e nulo, num novo tango reatado, o partido em que depositamos alguma esperança de braço dado com o Partido Rapace da Pré-Bancarrota, certamente sob o mais alto patrocínio do Avô Cavaco. Básicos! Frouxos!

MAIS HOLOFOTES EM SPOK-RODRIGUES

A sério que fico feliz com o sucesso de José Rodrigues dos Santos. Não me apoquenta minimamente a suposta polémica em torno de O Último Segredo, o último romance, mas não o definitivo, de JRS. Na hora de vender romances-tese e teses-romance, este pivot da RTP cujas orelhas parabólicas nos fazem duvidar se não será um extraterrestre escritor, um irmão escritor de Spok, o último dos duendes escritores com grande privança e amizade à Branca de Neve, não faz por menos: propõe-se revelar a «verdadeira identidade» de Jesus Cristo. Ok. Faz muito bem. Aproveitando o balanço, que tal encontrar os ossos de Maomé, o terceiro olho de Buda e as botas de Judas, onde quer que as tenha perdido?! Os evangelhos apócrifos pertencem a uma categoria de textos que está para a Palavra de Deus como a Caras para a revista Science: não têm nada a ver, servem propósitos absolutamente diversos e não está posto de parte que o sensacionalismo contido nesses apócrifos fosse a gorda minhoca no anzol suculento do texto, passível de negócio quanto mais absurdo, e seriam mais papiros em circulação por uma pequena soma de dinheiro. Por isso, continua a custar-me que o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura tenha perdido tempo a ler um romance. Não fazem mais nada senão lerem romances e dar relevância a autores e edições? O que se ganha em acusar o escritor de «escrever centenas de páginas sem saber do que fala»? Estarão os textos da Fé ao mesmo nível que a pena criativa e pesquisadora do Rodrigues na Wikipedia? Será que Rodrigues dos Santos e a minha Igreja Católica têm um convénio de promoção recíproca? Depois, quanto à treta de Cristo não ser cristão? Ó José, tu bebeste assim tanta água do 'nosso' Rego-d'Água? Essa designação é absolutamente tardia e portanto um anacronismo esperá-la aposta ao Cristo histórico. Inicialmente, a Fé era A Via e os que A seguiam [como ainda seguimos] chamavam-se [e chamam-se] os Santos, revestidos de Cristo, porque mergulhados no Seu Baptismo e no mistério da Sua Morte e Ressurreição. Quanto ao facto de Maria poder não ser virgem, nós, os crentes, amámo-La incondicionalmente e não estamos minimamente interessados em questões íntimas, especialmente tendo em conta o Bendito Fruto do Seu Ventre que A faz Bendita entre todas as mulheres.

ÁGUA NO SISTEMA TW HYDRAE

Sosseguem, Terráqueos, vocês não são os únicos a meter água. Quase todo o Universo mete água. E nada mais promissor: «O sistema estelar da TW Hydrae é um recém-nascido à escala do Universo. Encontra-se a cerca de 175 anos-luz da Terra, e faz parte da constelação da Hydra. A estrela tem um tamanho semelhante ao Sol, mas se o nosso sistema tem 4,6 mil milhões de anos e está na meia-idade, a TW Hydrae tem entre cinco e dez milhões de anos. É muito jovem e não tem planetas formados.» P

UMA SOLUÇÃO MÁGICA QUE NOS SALVE

«Ontem, com Jaime Nogueira Pinto, Medeiros Ferreira fez o programa de comentário mais inteligente na Sic-N; na concorrente Tvi-24 o equivalente com o sr. proença, um professor (?) e Ângelo Correia não esteve ao nível. Tratou-se ainda e só de discutir e rediscutir a mesma coisa  à espera que apareça uma solução mágica que nos salve. Ora Medeiros Ferreira tem nitidamente gosto pelas questões internacionais, política comunitária e diplomacia económica. Foi ministro justamente dessa área (no tempo em que Soares ainda não usava "Lindor"); é professor universitário "da Europa"; e como fala muito bem e é um tipo maduro seria impossível que não transparecesse uma certa autoridade e novidade constantes no que nos diz, "mesmo que não se concorde sempre com ele". Mas infelizmente estas conversas e estas teorizações acertam sempre ao lado numa questão fundamental: não temos dinheiro para investir, não temos soberania económico-financeira, não temos dinheiro para pagar a guardas nocturnos ou a contínuos "no mês seguinte"  se o Acordo não for cumprido e se os inspectores não derem regularmente luz verde às novas tranches do 'empréstimo'. Fale-se de Constituição, de legalidade, de democracia, de contrato social, de princípios, de direitos; fale-se até dos sinuosos mas empolgantes labirintos do Direito, seja internacional, comunitário, laboral, etc. Depois de tudo discutidinho  com mais ou menos calma, com mais ou menos sabedoria, com mais ou menos gosto - e continuando sem dinheiro nesse dia, podemos arrumar as pantufas, vestir o pijama e apagar a luz.» Besta Imunda

ESSA PECULIAR FORMA DE REBALDARIA

Nem sempre nos aparecem para frente pais repletos de bonomia e civilidade. Muito pelo contrário, muitas vezes, o que nos surge pela frente é o tom de ameaça prévia, o mais completo e trágico desequilíbrio mental, a grunhice à qual foi possibilitado sentar-se à mesma mesa connosco, docentes, e de pleno direito, ainda que melhor fora um colete de forças ou um açaime. Como é que nos defendemos do descontrolo psíquico de alguns pais aos quais a porta de um Conselho de Turma é impudicamente franqueada?! Como é que sequer resistimos aos ímpetos violentos deles e pomos a salvo a independência dos nossos juízos avaliativos? Quem é que nos protege? A polícia que prende para logo soltar um criminoso com as mil e uma atenuantes de uma Justiça cara e um sistema presidiário ainda mais caro de manter?! Isto acontece e acontecerá porque a democracia portuguesa pariu uma muito peculiar forma de rebaldaria que consiste em passar a ser de bom tom o sapateiro tocar rabecão e o negro passear-se de carapinha loira, isto é, a falta de consequências para uns pais de merda que se dão ao luxo de agredir professores e com os quais, ainda por cima, se dialoga. Dialoga em nome de quê?! Lamentavelmente, após o canhestro consulado de Maria de Lurdes Rodrigues, uma reles e brutal ministrazeca de merda de quem sintomaticamente Cavaco gostava, dá para tudo. Façam bom proveito.

quarta-feira, outubro 26, 2011

INTEGRAR A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

Somos do Mundo. Não somos, nunca fomos da Europa como iguais, senão como longínquos inferiores como inferiores ignorados. E agora ainda menos, remetidos que estamos a uma espécie de mascote ao colo da Alemanha e que a França afaga enternecida. Esta Europa do directório Galo-Teutão e do desconforto extra ou trans-europeu hesitante dos britânicos gosta da nossa submissão e elogia-nos como se elogia o vendedor de fruta pelos hábitos de bom pagador, mas nós somos do Mundo. Não nos deveria escandalizar a ideia de mais cedo ou mais tarde, de uma maneira ou de outra, o Reino de Portugal integrar a República Federativa do Brasil. Para começo de conversa, por cá os casamentos luso-brasileiros são em enormíssimo número assim como a descendência luso-brasileira. Por alguma razão interessante, [alguns dizem, com alguma malícia, para «limpar o sangue do pézinho na senzala»] as brasileiras procuram e dão-se bem com os portugueses e muitíssimos portugueses realizam-se absolutamente como homens e como machos somente com brasileiras, coisa que vem talvez desde o tempo das caravelas e o acrisolar da muito nossa semântica do corpo, linguagem como que fomos falando felizes as desenvoltas mulheres tropicais do mundo. Mas por que não ser uma só coisa política com o Brasil? Seria como se finalmente a Nascente se espraiasse ao ponto de se refazer e reencontrar precisamente na largueza luminosa da Foz, unindo o que nunca o mar poderia separar. Acho que li pela primeira vez esta ideia, aparente mirífica, do Miguel Castelo Branco. Ficou-me. Se o fizéssemos mais cedo que tarde, seria interessante termos duas moedas, o Real e o Euro; seria interessante disputar ao mesmo tempo a Primeira Liga e o que passaria a ser o Luso-Brasileirão, com o meu Vasco e o Flamengo dos outros jogando contra o meu FC Porto e o Benfica. Certamente que, ancorados no portentoso Brasil, contrabalançaríamos a manta de farrapos desnorteada que é esta falácia europeia e seríamos outra vez do mundo e não este apêndice desprezível, sem azimute, sem leme, a reboque de desígnio nenhum, feliz com nada, repleto de esperança nenhuma.

CENAS TRISTES DO OBESO BASÍLIO

Esta tarde, já em casa, refeito de enfrentar a chuva, o vento e o frio sob o capot do meu corpo inerme, reparei em Basílio Horta no Parlamento, que a TV expunha a meio-corpo, gesticulando. Acho simbólico e absolutamente sintomático que esse Basílio esteja obeso como um hamster submetido a uma vasectomia. Basílio possui uma silhueta bojuda e é bem a metáfora de tudo o que reluziu tão fugazmente nos últimos seis anos. Não é a sua gordura que está em causa. É o simbolismo obeso da sua voz que hoje vocifera sem vergonha contra um Governo que não nos conduziu até aqui. E não pude refrear-me de sentir nojo. Passem-nos o balde.

PELO FIM DO SUBVENCIONISMO

Gostei de ler hoje Manuel António Pina que denunciou o mau exemplo de incoerência e convenientismo mediocre de Ângelo Correia na ciosa manutenção da sua subvenção, dos seus direitos adquiridos. Que feio, Ângelo! Para a luminosa exposição da tal incoerência, MAP citou um blogue, destacando nele o nosso papel fundamental na monitorização da malícia política que diz e desdiz, faz e desfaz e vai enterrando povos e esperanças como quem não quer a coisa e sem prejuízo pessoal de espécie nenhuma, bem pelo contrário. Mas convém reflectir sobre a questão num âmbito mais geral agora que a aberrante coisa das subvenções está hoje no centro do debate que se impõe. Após a escandaleira dos acumuladores de salários e subvenções que o DN investigou, podemos concluir ser bom que o dinheiro para ex-titulares de cargos públicos acabe por maioria de razão ditada pela hora. Acabou para muitos de nós? Acabe para eles também, pois esse dinheiro é público, é nosso. Repare-se no recrudescer das excepções manhosas aos cortes e sacrifícios decretados para milhões de portugueses. Faz todo o sentido agora que, além de não haver subvenções para os actuais titulares de cargos e funções políticas, cessem também as de todos os subvencionados do passado, entre os quais João Jardim e Cavaco Silva, Ângelo Correia, beneficiários do regime anterior a 2005. Acabou. Seja absolutamente irrelevante que tais subvenções façam parte do montante de quem esteve coberto pelo regime anterior a esse ano. Não pode continuar a ser garantido a partir de agora. Se todos nós somos passíveis de nos vermos cuspidos do emprego e ver cuspo nos contratos de trabalho assinados, também não temos de honrar compromissos passados com ex-políticos, dada a imoralidade inscrita nesse tipo de garantismos excepcionais impróprios de países pobres. Acabou. Acabaram os direitos adquiridos e as excepções, Ângelo Correia! Não podemos esperar que aqueles que entraram na actividade política com o regime subvencionista anterior possam manter a subvenção até que morram, pois morrerão tarde, nós esperamos e fazemos questão que morram o mais tarde possível. O País é que não tem tempo nem tem gente que nasça para inverter naturalmente uma decadência já profunda e bastante complexa. Não podemos nem pensar nem esperar pela morte dos subvencionados para a desoneração do Estado e os bons sinais a dar hoje. Para a eficácia de um sinal de justiça mediante o nivelamento perfeito e escrutinado dos tais sacrifícios, o tempo é right now. Seja quem for o beneficiário, essas subvenções deixaram de ser aquilo a que têm direito, deixaram de ser um direito. Por razões de autodefesa pelo bom exemplo, de busca de caminhos novos para depurar as metástases de abusos que sufocam o Estado, há que radicalizar as nossas exigências bottom up forçando o fim dessas tetinas fartas quando é a magreza o alimento da maioria. Radicalizemos as nossas exigências bottom up enquanto suportamos o inferno imposto pela Troyka e pelo Governo Passos que vai moralizando top down, mas onde a imprevisibilidades de novas medidas será a regra. Que radicalizemos as nossas exigências do fim de luxos incompatíveis com a situação de Portugal será excelente para a austeridade e o crescimento e somente assassino só para o cinismo manhoso das excepções e das falinhas mansas e selectivas que certos inteligentes cretinos querem vender em nome do que nem às paredes confessam.

O COIO

Como é que argumentam os sacanas campeões da dívida e das cinquenta PPP socratistas, onerosas pelos séculos dos séculos, contra os que os acusam de nos terem risonha e optimisticamente conduzido aonde nos conduziram? Com a crise das dividas soberanas. Lavam as manápulas, meneiam a cabeça e garantem que a crise das dívidas soberanas não é obra de Sócrates, mas um problema sistémico e geral. Outro dos argumentos de fuga das próprias culpas e responsabilidades, repetidos até à exaustão a ver se cola, é que a pré-bancarrota actual tem a sua génese nas decisões longínquas de Cavaco, no dealbar dos anos oitenta-noventa. Ou seja, os últimos seis anos são seis anos que não existiram. São seis anos sem ninguém a quem assacar responsabilidades. Facciosos e unidimensionais como hienas trinchando a presa, os socratistas-socialistas não conseguem ser implacáveis nem justos, nem honestos nem sérios, a respeito das suas próprias malfeitorias, da sua inultrapassável rapacidade, mas já podem ser absolutamente cortantes, impiedosos e exigentes, por exemplo, com João Jardim [que pode começar a preparar-se para o fim da subvençãozinha] e desencadear um chorrilho de insultos sobre e Pedro Passos Coelho e é assim que o coio composto por assessores socialistas-socratistas e outra gente organizada em bando insultador organizado não passa de um coio de conas e de cornudos inimputáveis dos quais nada há a esperar senão prisão e caixote do lixo. Vamos lutar por um rumo novo ao ajuste democrático de contas.

UM DOS MAIS DILIGENTES SÚCUBOS DE SÓCRATES

«Bem escrito. Nem é preciso falar muito desse desprezível asqueroso  que é Paulo Campos  um dos mais diligentes súcubos de sócrates. Para esta cáfila de salteadores, em que se tornou o PS, a comunicação social teve sempre um olhar terno. Mesmo quando pinto-de-sousa andou a capar jornalistas individuais e a açaimar jornais e televisões no seu todo. A esperada revolta/revelação das tropelias controleiras e de 'lápis azul' do PS, a seguir a eleições, nunca veio... Significativo. Quanto ao Conselho de Estado, que friso de aleijões coniventes é esse 'órgão'! Se não fosse um trocadilho amarelado e vazio, poder-se-ia dizer (numa república carnavalenta como esta) "o Rei vai nu": o CE está revestido de ex-praticantes entusiastas da dívida sem freio, do empréstimo da fuga para a frente, do Estado Social da treta que, um dia, outros pagarão (pagariam...), de incompetentes e ignorantes, de 'criminosos num País decente'. Este triste e delinquente espectáculo jamais seria aceitável numa monarquia, pois não faltariam os progressistas e os herdeiros da tradição parlapatosa de Cipião e de Tito Lívio - clamando pelo fim de um regime que permitia a existência de semelhante aberração. Mas não. Por cá, o CE reúne e produz banalidades, já nem aceitáveis num salão de barbearia.» Besta Imunda

O CONSELHO E O CAMPOS NO ÁPICE DA PUTICE

Ontem parece que se realizou um Conselho de Estado, mas não se determinou a necessidade de purgar Portugal apontando o dedo aos ex-governantes corruptos, apurando as suas responsabilidades. Nem houve unanimidades nesta hora crítica com o conselheiros a colocarem-se do lado das medidas draconianas necessárias à salvação de Portugal. Não. Só conclusões ordinárias. Habituais. Vazias. Os velhos conselheiros subvencionados, cujos direitos adquiridos deveriam ser tão adquiridos como os nossos, isto é, rasuráveis e abolíveis, foram-se embora após a seca suportada e o País ficou na mesma. Antes disso, Paulo Campos, tão ou mais ranhoso e imbecil que o odioso Sócrates, baixou à comissão parlamentar de Obras Públicas a fim de justamente ser criminalizado e convertido em papa de merda pela incompetência e corrupção dos últimos governos com as suas PPP, ápice da putice. Lá veio com papéis devidamente forjados na esteira das velhas patranhas socialistas-socratistas, habilidades, tesouradas e escondimentos estratégicos com o rabo de fora. Tornou-se pacífico aos portugueses que após a fuga de Sócrates para o Diabo que o carregue ficaram os cúmplices a apanhar com os ferros com que mataram Portugal, segundo o provérbio. A anterior bestialidade governativa jaz impune enquanto a raiva sobe aos dentes do Nicolau e se assiste à tentativa de colar a Passos toda a casta de impropérios antes dirigidos a Sócrates, enquanto os socialistas se debatem para que não se faça a necessária e extensa clarificação sobre o papel danoso de Sócrates e dos seus ao País. Não teremos qualquer descanso se o não fizermos. Não faltarão canalhas, broncos e patarecos a inverter o bico ao prego insultando aqueles que no fundo somos todos nós, todos lesados grosseiramente por uma aberração horrenda chamada socratismo com os seus pulhas, os seus assessores mentes brilhantes negras, prisionais e passionais. Isto é, não são eles os cabrões nem os grunhos que nos roubaram, negociaram a seu próprio favor, ganharam milhões com o erário, danaram Portugal, abicharam quanto quiseram. Os grunhos e cabrões somos nós que não nos conformamos com isso e os estamos a ver muito bem na velha insolência e na velha sem-vergonha dos direitos, da constituição e dos perigos para a democracia que lhes concede impunidade perpétua e o dom de ter abusado e continuar abusar à vontadinha. E assim vai o mundo se lhes não dermos luta quotidiana.