quarta-feira, novembro 30, 2011

BRAGA: MAIS TAREIA AOS BIFES

Não se quer outra coisa: pela quinta vez, nas últimas seis épocas, o Sporting de Braga estará nos 16-avos-de-final da Liga Europa, «ainda que com alguma felicidade.», como refere Leonardo Jardim. Parabéns aos arsenalistas minhotos!

UM CURRÍCULO MERDARIANO NUNCA VEM SÓ

Não há surpresas. Nós, os que escrevemos e escrutinamos dia a dia, pelo ano fora, todas as coisas de interesse público e importância cívica, dignas de denúncia, correcção, sátira, e o fazemos sem lucro, sem prémio, só com o amor e a energia profética que nos move, nunca acabaremos de sofrer pela rectidão dos mais altos servidores públicos, pela dignidade salvaguardada de Portugal e dos portugueses. No fim termos razão compensa. Ser incansável compensa, ainda que sob o desprezo de quem nos deveria acarinhar e respeitar a moção ultra-independente seja de que agenda seja. Hoje Rui Verde tinha um sorriso rasgado ao explicar às TV a teia de interesses entretecida pelas juventudes partidárias ávidas à volta do chamado poder ou cheiro iminente a ele, enquanto a UI vicejava. Políticos ou jornalistas, a instantânea defunta Universidade Independente diplomou uma fauna indescritível de parasitas para todos os gostos, todos cumpliciados no mesmo torpe engano, depois caninos defensores de quem lhes protegesse e compensasse o estômago vil e venal. Vimos todos o encerramento rápido do vomitório dessa Independente. Vimos todos a tentativa de encontrar explicações rápidas e disfarces suficientes, por mais trapalhões, e sempre, nisto tudo, um bode expiatório dentre a tribo do delito. Ora, em toda a borrada monumental UI, quem haveríamos de ter para tal barrela? O Topo do Poder Judicial. Ei-lo a lavar pressurosa e servilmente a merda do diploma pífio de José Sócrates e, por inerência, de quantos partilharam com ele, na UI, o mesmo percurso 'esforçado'. Outro vómito em cima do vómito original, ainda pior que o original. Quem haveria de chegar-se à frente e proclamar inanidades do tipo «nada consta de irregular no diploma do sr. primeiro-ministro» com cópias adulteradas, suspeitosas, na mão?! A malta isenta e livre da Procuradoria. Seis anos a notar com que zelo extremoso a dra. Cândida e o dr. Pinto Monteiro não descansaram, provavelmente dadas as instâncias aflitivas, os berros ao telemóvel, de Sua Repelência, o ex-primeiro-ministro, acossado pelo próprio currículo merdariano, que Balbino Caldeira já autopsiara e transformara em notícia e em escândalo, ou acossado por outros tantos e extensos estrumes comissionistas da política e da Fraude, que Cerejo, como boa excepção à regra reles porque covardolas da classe, em bom tempo também investigara. De Fraude em Fraude, a Fraude como modo de vida. A Fraude que nos trouxe Sócrates, que era Sócrates e alguns dos seus, entourage de especialistas em Imagem e Petas. Fraude que nos deu a pré-bancarrota e, muito antes disso, todos os sinais precursores: a completa abjecção do aborto quase à la carte, suportado pelos contribuintes e rapidamente transformado em método contraceptivo; Fraude que nos deu o Poio Ortográfico. Fraude! Fraude que pariu e foi parida por Rui Verde, acusado de burla, corrupção activa, falsificação de documentos e fraude fiscal. Ei-lo que sai do armário e confessa o que sabe, o que era, o que viu e acolitou nos tempos negros e 'áureos' da UI. Depois de lido, o seu livro dará uma bela acendalha de lareira in memoriam de um certo Portugal malcheirento que não vale um charro e é preciso matar o quanto antes.

TROUFÍADAS: OS CAVALOS MORTOS DE SIZA E GHERY

«Obviamente que a comparação não é entre a obra do Renascimento ou de qualquer grande período de génio da Aquitectura com o que Taveira ou Troufa fazem. Não é preciso conhecer grande coisa para perceber que são coisas de "ligas" diferentes. A questão está em que sempre que há ruptura há reacção. E mesmo em períodos de génio houve os maus e os bons. Podemos qualificar a arquitectura de Taveira de cenografia. Em enorme medida é-o. Veja-se a antiga sede do BNU na 5 de Outubro à qual ele se limitou a mudar a cor, por um topo de guitarra portuguesa e umas meias esferas de latão. 
Se tivermos de falar de pós modernismo ele é uma pálida sombra de Rossi ou de Graves. Mas seria diferente a reacção se as Amoreiras tivessem sido feitas por qualquer um dos dois? Mesmo sabendo que a qualidade da obra seria incomparavelmente superior teria gerado polémica e ruptura. O problema é que mesmo retirando estes dois da imagem, o que resta de arquitectura neste país não é brilhante. Há obras ocasionais de qualidade mas a esmagadora maioria do que se constrói é repugnante. Ainda que alguns possam tecer considerações informadas acerca desta ou de outras obras, a maioria não o pode fazer. E incluo arquitectos nesse rol. Não só porque muitos são responsáveis por incontáveis porcarias em que puseram a sua assinatura por esse país fora (para poder sobreviver), como se tivessem tido a oportunidade teriam feito tão mau ou pior que Taveira ou Troufa. Não há uma obra que rompa com o hábito, que não tenha tido reacções adversas. Não se está a criticar os materiais ou os espaços. Está a criticar-se a estética. E criticar acidamente uma obra de arquitectura apenas por esse prisma é como disse antes, muito falível. PS.: Há do Gótico, Renascimento e Barroco verdadeiros abortos. Tal como existem na música e na arte em geral. Há bons, e são esses que ficam para a história e aparecem nos livros, e os maus nos quais tropeçamos ocasionalmente. Sempre foi assim e sempre será assim. E já que falamos de confúcio, para mim (e mais uma vez realço que é a minha opinião) quer o cavalo de Siza quer o de Ghery já morreram há uns tempos. Ia sendo altura de arranjarem uma montada que pelo menos andasse.» Groink

MANIFESTO ANTI­DANTAS E POR EXTENSO

José de Almada ­
Negreiros
Por José de Almada ­Negreiros
POETA D'ORPHEU FUTURISTA e TUDO
[Uma pitada de êxtase e é só servir com a Voz de Mário Viegas]
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Basta, pum, basta!!!
Uma geração que consente deixar-­se representar por um Dantas 
é uma geração que nunca o foi.
É um coio d'indigentes, d'indignos e de cegos!
É uma resma de charlatães e de vendidos,
e só pode parir abaixo do zero!
Abaixo a geração!
Morra o Dantas, morra! Pim!
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Uma geração com um Dantas a cavalo é um burro impotente!
Uma geração com um Dantas à proa é uma canoa em seco!
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O Dantas é um cigano!
O Dantas é meio cigano!
O Dantas saberá gramática,
saberá sintaxe,
saberá medicina,
saberá fazer ceias pra cardeais,
saberá tudo, menos escrever,
que é a única coisa que ele faz!
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O Dantas pesca tanto de poesia que até faz sonetos com ligas de duquesas!
O Dantas é um habilidoso!
O Dantas veste-­se mal!
O Dantas usa ceroulas de malha!
O Dantas especula e inocula os concubinos!
O Dantas é Dantas!
O Dantas é Júlio!
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Morra o Dantas, morra! Pim!
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O Dantas fez uma Soror Mariana
que tanto o podia ser
como a soror Inês
ou a Inês de Castro,
ou a Leonor Teles,
ou o Mestre d'Avis,
ou a Dona Constança,
ou a Nau Catrineta,
ou a Maria Rapaz!
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E o Dantas teve claque! E o Dantas teve palmas! E o Dantas agradeceu!
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O Dantas é um ciganão!
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Não é preciso ir pró Rossio pra se ser pantomineiro,
basta ser-­se pantomineiro!
Não é preciso disfarçar-­se pra se ser salteador,
basta escrever como o Dantas!
Basta não ter escrúpulos nem morais, nem artísticos, nem humanos!
Basta andar com as modas, com as políticas, com as opiniões!
Basta usar o tal sorrisinho,
basta ser muito delicado e usar coco e olhos meigos!
Basta ser Judas! Basta ser Dantas!
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Morra o Dantas, morra! Pim!
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O Dantas nasceu para provar que nem todos os que escrevem sabem escrever!
O Dantas é um autómato que deita pra fora o que a gente já sabe que vai sair...
Mas é preciso deitar dinheiro!
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O Dantas é um soneto dele ­próprio!
O Dantas em génio nem chega a pólvora seca e em talento é pim­pam­pum.
O Dantas nu é horroroso!
O Dantas cheira mal da boca!
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Morra o Dantas, morra! Pim!
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O Dantas é o escárnio da consciência!
Se o Dantas é português, eu quero ser espanhol!
O Dantas é a vergonha da intelectualidade portuguesa!
O Dantas é a meta da decadência mental!
E ainda há quem não core quando diz admirar o Dantas!
E ainda há quem lhe estenda a mão!
E quem lhe lave a roupa!
E quem tenha dó do Dantas!
E ainda há quem duvide de que o Dantas não vale nada,
e que não sabe nada,
e que nem é inteligente, nem decente, nem zero!
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Vocês não sabem quem é a Soror Mariana do Dantas? Eu vou-­lhes contar:
A princípio, por cartazes, entrevistas e outras preparações
com as quais nada temos a ver,
pensei tratar­-se da soror Mariana Alcoforado, a pseudo autora
daquelas cartas francesas que dois ilustres senhores desta terra
não descansaram enquanto não estragaram pra português,
quando subiu o pano também não fui capaz de distinguir,
porque era noite muito escura,
e só depois de meio acto é que descobri que era de madrugada
porque o bispo de Beja disse que tinha estado à espera do nascer do Sol!
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A Mariana vem descendo uma escada estreitíssima, mas não vem só,
traz também o Chamilly, que eu não cheguei a ver, ouvindo apenas uma voz muito
conhecida aqui na Brasileira do Chiado.
Pouco depois, o bispo de Beja é que me disse que ele trazia calções vermelhos.
A Mariana e o Chamilly estão sozinhos em cena, e às escuras,
dando a entender perfeitamente que fizeram indecências no quarto.
Depois o Chamilly, completamente satisfeito, despede­-se e salta pela janela
com grande mágoa da freira lacrimosa. E ainda hoje os turistas têm ocasião de observar as grades
arrombadas da janela do quinto andar do Convento da Conceição de Beja, na Rua do Touro,
por onde se diz que fugiu o célebre capitão de cavalos em Paris e dentista em Lisboa.
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A Mariana, que é histérica, começa de chorar desatinadamente
nos braços da sua confidente e excelente pau de cabeleira, soror Inês.
Vêm descendo pla dita estreitíssima escada várias Marianas,
todas iguais e de candeias acesas, menos uma que usa óculos e bengala
e anda toda curvada prá frente, o que quer dizer que é a abadessa.
E seria até uma excelente personificação das bruxas de Goya,
se, quando falasse, não tivesse aquela voz tão fresca e maviosa
da tia Felicidade da vizinha do lado.
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E, reparando nos dois vultos, interroga espaçadamente com cadência, austeridade,
e imensa  falta de corda: «Quem está aí?... E de candeias apagadas?»
«Foi o vento», dizem as pobres inocentes, varadas de terror...
E a abadessa que só é velha nos óculos, na bengala e em andar curvada prá frente,
manda tocar a sineta que é um dó d'alma o ouvi-­la assim tão debilitada.
Vão todas pró coro, mas eis que, de repente, batem no portão
e sem se anunciar nem limpar­-se da poeira,
sobe a escada e entra plo salão um bispo de Beja que quando era novo
fez brejeirices com a menina do chocolate.
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Agora, completamente emendado, revela à abadessa
que sabe por cartas que há homens que vão às mulheres do convento
e ainda há pouco vira um de cavalos a saltar pla janela.
A abadessa diz que efectivamente já há tempos
que vinha dando pela falta de galinhas
e tão inocentinha, coitada, que naqueles oitenta anos
ainda não teve tempo pra descobrir a razão da humanidade
estar dividida em homens e mulheres.
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Depois de sérios embaraços do bispo é que ela deu com o atrevimento
e mandou chamar as duas freiras de há pouco com as candeias apagadas.
Nesta altura, esta peça policial toma um pedaço d'interesse
porque o bispo ora parece um polícia de investigação disfarçado em bispo,
ora um bispo com a falta de delicadeza de um polícia d'investigação,
e tão perspicaz que descobre em menos de meio minuto o que o público já está
farto de saber,­ que a Mariana dormiu com o Noel.
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O pior é que a Mariana foi à serra com as indiscrições do bispo
e desata a berrar, a berrar como quem se estava marimbando pra tudo aquilo.
Esteve mesmo muito perto de se estreitar com um par de murros na coroa do bispo,
no que se mostrou de um atrevimento, de uma insolência,
e de uma decisão refilona que excedeu todas as expectativas.
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Ouve-­se uma corneta tocar uma marcha de clarins
e Mariana sentindo nas patas dos cavalos toda a alma do seu preferido,
foi, qual pardalito engaiolado, a correr até às grades da janela,
a gritar desalmadamente plo seu «Noel!»
Grita,
assobia,
rodopia,
pia,
rasga-­se,
magoa-­se
e cai de costas
com um acidente, do que já previamente tinha avisado o público,
e o pano também cai e o espectador também cai da paciência abaixo
e desata numa destas pateadas tão enormes e tão monumentais
que todos os jornais de Lisboa no dia seguinte foram unânimes
naquele êxito teatral do Dantas.
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A única consolação que os espectadores decentes tiveram
foi a certeza de que aquilo não era a soror Mariana Alcoforado,
mas sim uma merdariana­ aldantascufurado
que tinha cheliques e exageros sexuais.
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Continue, senhor Dantas, a escrever assim, que há­-de ganhar muito com o Alcufurado
e há­-de ver que ainda apanha uma estátua de prata por um ourives do Porto,
e uma exposição das maquetes pró seu monumento erecto por subscrição nacional do "Século"
a favor dos feridos da guerra, e a Praça de Camões mudada em Praça do Dr. Júlio Dantas,
e com festas da cidade plos aniversários,
e sabonetes em conta "Júlio Dantas"
e pasta "Dantas" prós dentes,
e graxa "Dantas" prás botas
e Nívea "Dantas",
e comprimidos "Dantas",
e autoclismos "Dantas" e "Dantas", "Dantas", "Dantas", "Dantas"...
E limonada "Dantas­ Magnésia".
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E fique sabendo o Dantas que se um dia houver justiça em Portugal
todo o mundo saberá que o autor de Os  Lusíadas é o Dantas
que num rasgo memorável de modéstia só consentiu a glória do seu pseudónimo Camões.
E fique sabendo o Dantas que se todos fossem como eu,
haveria tais munições de manguitos que levariam dois séculos a gastar.
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Mas julgais que nisto se resume literatura portuguesa? Não, Mil vezes não!
Temos, além disso, o Chianca que já fez rimas prá Aljubarrota
que deixou de ser a derrota dos Castelhanos pra ser a derrota do Chianca.
E as pinoquices de Vasco Mendonça Alves passadas no tempo da avózinha!
E as infelicidades de Ramada Curto!
E o talento insólito de Urbano Rodrigues!
E as gaitadas do Brun!
E as traduções só pra homens do ilustríssimo, excelentíssimo, senhor Mello Barreto!
E o frei Matta Nunes Moxo!
E a Inês Sifilítica do Faustino!
E as imbecilidades do Sousa Costa!
E mais pedantices do Dantas!
E Alberto Sousa, o Dantas do desenho!
E os jornalistas do Século e da Capital e do Notícias e do Paiz
e do Dia e da Nação e da República
e da Lucta e de todos, todos os jornais!
E os actores de todos os teatros!
E todos os pintores das Belas ­Artes e todos os artistas de Portugal que eu não gosto.
E os da Águia do Porto e os palermas de Coimbra!
E a estupidez do Oldemiro César e o Dr. José de Figueiredo Amante do Museu
E ah oh os Sousa Pinto hu hi e os burros de cacilhas e os menus do Alfredo Guisado!
E o raquítico Albino Forjaz de Sampaio, crítico da Lucta,
a quem o Fialho, com imensa piada, intrujou de que tinha talento!
E todos os que são políticos e artistas!
E as exposições anuais das Belas­ Artes!
E todas as maquetes do Marquês de Pombal!
E as de Camões, em Paris;
e os Vaz, os Estrela, os Lacerda, os Lucena,
os Rosa, os Costa, os Almeida, os Camacho,
os Cunhas, os Carneiros, os Barros,
os Silvas, os Gomes,
os velhos, os idiotas, os arranjistas, os impotentes, os celerados,
os vendidos, os imbecis, os párias, os ascetas,
os Lopes, os Peixotos, os Motta,
os Godinho, os Teixeiras, os Câmara,
os diabo que os leve,
os Constantino, os Tertuliano, os Grave, os Mântua,
os Bahia, os Mendonça, os Brazão, os Matos,
os Alves, os Albuquerques, os Sousas,
e todos os Dantas que houver por aí!!!!!!!!!
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E as convicções urgentes do homem Cristo Pai
e as convicções catitas do homem Cristo Filho!...
E os concertos do Blanch!
E as estátuas ao leme, ao Eça e ao despertar e a tudo!
E tudo o que seja arte em Portugal! E tudo!
Tudo por causa do Dantas!
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Morra o Dantas, morra! Pim!
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Portugal, que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mais atrasado da Europa
e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas!
O exílio dos degredados e dos indiferentes!
A África reclusa dos europeus!
O entulho das desvantagens e dos sobejos!
Portugal inteiro há-­de abrir os olhos um dia, ­
se é que a sua cegueira não é incurável,
e então gritará comigo, a meu lado,
a necessidade que Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado!
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Morra o Dantas, morra! Pim!
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José de Almada Negreiros
Poeta d'Orpheu
Futurista E Tudo
1915

TROUFÍADAS: A ESMERALDA E O FUNDO DE GARRAFA

«Tudo isto que está escrito pode ser subescrito como aceitável e/ou benígno, e faz lógica (no plano teórico e das boas relações sociais...). Mas importante será determo-nos, então, na Qualidade; e Escala; e Significado; e cuidado da Execução; e nos Materiais  e muito mais poderia acrescentar, sempre em maiúsculas, significando que é fundamental que a Obra de Arquitectura tenha todas estas coisas "... em conta peso e medida". Ora o que poderemos observar nas Amoreiras do Ti-taveira (Tio-Tó-Tá na ESBAL), ou nas ocasionais edificações de Troufa em que possamos tropeçar, é a FALTA DE CUIDADO NA EXECUÇÃO e a FALTA DE QUALIDADE DOS PORMENORES E DOS MATERIAIS; e além disso, no fim, tudo deles faz muito pouco sentido ou mesmo nenhum: Cenografia, Pirotecnia e imaturidade (enfim, vacuidades); o que para mim são merda como premissas de uma ideia de Arquitectura. E não se trata só de gosto: várias "atitudes" em arquitectura foram experimentadas ao longo da História recente e o resultado de algumas foi DESASTROSO. Ou seja, a não repetir de tão esfalfado e gasto (e estulto) que está. Citando Confúcio, "quando o cavalo morrer, desmonte". P.S.: Comparar a "atitude" (e o resultado) de Taveira e Troufa à Renascença, ao Maneirismo ou ao Barroco, é como comparar uma esmeralda com fundo de garrafa quebrado e dizer que são iguais.» Besta Imunda

VERDE, INSIGNE REITOR DA SORBONNE LUSA

Rui Verde só pode pertencer àquele grupo restrito de portugueses metidos numa alhada monumental e que rapidamente se transformam em vendedores dos próprios livros, também eles escritos e publicados à pressa. A extinta Universidade Independente, nicho 'formador' de ávidos políticos instantâneos, políticos automáticos, apressados em subir na Capital e sobretudo no capital, foi um caso de pressa extrema. Agora que Verde enfrenta as naturais consequências, transforma-se em escritor, biografista e zelador de papéis. Ora os documentos da Independente que o Verde tem na mão e de que Cerejo faz alarde neste dia de São Orçamento, por mais selados, por mais carimbados e por mais assinados que estejam, possuem tanta credibilidade e seriedade quanta a que Sócrates averbou com os seus processos 'límpidos' e 'isentos' de chegar ao Poder, manter o Poder e governar para o seu disciplinado exército clientelar. Sócrates, que é tão sério como qualquer burlão, qualquer charlatão, como não tem nenhuma credibilidade, só tem quem o lixe, mesmo quando o tentam ajudar, ilibar, como parece fazer Verde. A falsidade furona de Sócrates não está tanto na falsidade trambiqueira dos seus diplomas falsos, mas no dominguismo leviano e burlão que lhe permitiu finalizar o curso à toa, numa displicência e supeficialidade inerentes à 'Universidade' e bem a imagem do «Portugal que com todos estes senhores conseguiu a classificação do país mas atrasado da Europa e de todo o Mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! O exílio dos degredados e dos indiferentes! A África reclusa dos europeus! O entulho das desvantagens e dos sobejos! Portugal inteiro há-de abrir os olhos um dia  se é que a sua cegueira não é incurável...» de que falava Almada. 'Curso' que, aliás, bem avisada, a Sorbonne não homolgou nem com os bons ofícios do sr. embaixador. Por alguma razão: quando o simples operárío Lula da Silva recebe Doutoramentos Honoris Causa e o 'licenciado' e ex-primeiro-ministro José Sócrates não é admitido na Sorbonne, está tudo dito e redito. Não basta frequentar o Quartier latin de Paris com os milhões comissionistas abichados ao longo de uma governação criminosa, para se entrar na Sorbonne, nem basta passar a desejar o Saber em vez de somente o Luxo, para se ficar absolvido! Tu, que ignoraste e perseguiste quaisquer vozes inimigas do teu orgulho, ofensivas à tua vaidade, menos a pantomineira tua, deverias sabê-lo, Primadonna! Isso de tirar um curso por semana, passado aos domingos à tarde, e logo numa pseudo-Universidade, graças ao carimbo faccioso de um Professor amigo, sócio de negócios, cúmplice para todo o serviço, é muito fácil. Basta ser Sócrates.

DECAMERON — FREI ALBERTO DE IMOLA

II
Frei Alberto convence uma dama de que o anjo Gabriel está apaixonado por ela e deita-se com a dama por várias vezes na figura daquele. Depois, com medo aos parentes dela, atira-se da casa e refugia-se na casa de um pobre homem, que, no dia seguinte, o leva à praça sob a forma de um homem da selva. Ali é reconhecido e acaba por ser encarcerado pelos seus confrades.
A novela contada por Fiammetta fizera várias vezes subirem as lágrimas aos olhos das companheiras. Mas, concluída a novela, o rei disse, com a face rígida: «Pouco me custaria dar a minha vida a troco de metade do prazer que Guiscardo recebeu de Guismonda. Nem se deve maravilhar nenhuma de vós por isso, pois acontece que em cada hora da minha vida sofro mil mortes e nunca me foi dado um só pedacinho de amor. Mas, deixando estar agora os meus factos nos termos em que estão, quero que Pampínea prossiga, falando de cruéis acontecimentos, em parte semelhantes aos meus. Se ela continuar como Fiammetta começou, com certeza principiarei a sentir tombar sobre o meu fogo algum orvalho.»
Pampínea, ouvindo a ordem que lhe era dirigida, conheceu o estado de espírito das companheiras mais pelo seu próprio sentimento do que pelas palavras do rei. Por isso, mais convencida em diverti-las um pouco do que em satisfazer apenas a ordem do rei, resolveu contar uma novela que, sem fugir ao tema proposto, fizesse rir. E começou:
«Usa dizer o povo o seguinte provérbio: ‘O ruim por bom tomado faz o mal e não é culpado.’Fornece-me ele ampla matéria para falar segundo o que me foi proposto e ainda para mostrar a grande hipocrisia dos religiosos. Vestem largas e compridas capas, mostram caras artificiosamente lívidas, pedem o alheio com vozes humildes e mansas e com vozes altíssimas e ásperas criticam aos outros os seus mesmos vícios, querendo demonstrar que a salvação lhes vem a eles de receberem ofertas e aos outros de lhas darem. Além disso, não como pessoas que tenham de andar em busca do paraíso como nós, mas como se fossem seus possuidores e donos, atribuem a cada um que morre um lugar mais ou menos excelente conforme a quantidade de dinheiro que lhes é deixada. Esforçam-se por se enganarem primeiramente a si próprios, se é que em tais coisas acreditam, e depois àqueles que fazem fé nas suas palavras. Se me fosse permitido apresentar provas de tudo isto, não tardaria a esclarecer muitos simples sobre o que eles escondido debaixo das suas larguíssimas capas. Mas talvez agradasse a Deus que lhes acontecesse a todos, por causa das suas mentiras, o mesmo que a um frade menor, já nada jovem, mas até considerado em Veneza como um dos maiores que Assis possuía. Aliás, agrada-me muitíssimo contar a história dele para que as vossas almas, cheias de compaixão pela morte de Guismonda, sejam talvez um pouco aliviadas com risos e com agrado.

FLO RIDA — GOOD FEELING [VÍDEO OFICIAL]

TROUFA OU A DIVINDADE DOS DETALHES

«A avaliação da arquitectura em termos de gosto é algo realmente falível. Ainda me lembro do que se dizia quando as Amoreiras estavam a ser edificadas. Nem tinta tinham ainda e já todos se insurgiam contra a obra. Na ESBAL inclusivamente. Alunos do 1º e do 2º ano manifestavam o seu choque perante aquilo que era talvez a maior intervenção pós modernista feita no país. Notem bem, do 1º e 2º ano, enquanto ainda nem sabem as dimensões de um degrau... O tempo passou e independentemente do "gosto" as Amoreiras são um ícone. Como Taveira muitos outros por esse mundo fora causaram estranheza e até repugnância. Mas hoje, 20, 25 anos passados é inegável que muitas dessas obras são um exemplo de que por vezes a história da arte e da arquitectura avançam por saltos polémicos. Aconteceu o mesmo com o classicismo e com o renascimento. Frontões quebrados, molduras de janelas exageradas etc., etc. Proporções bizarras nas colunas. Oh que crime!!! E o que dizer do modernismo de Gaudi? Quantos não o consideraram louco? Guell, o seu mecenas acreditava nele incondicionalmente. Com outros não era bem assim. E o que dizer da ruptura causada por um templo como a Sagrada Família? Troufa nunca foi um dos meus favoritos. Aposta em chocar, tal como Taveira o fazia antes de se tornar mais complacente, mas a obra diz respeito a 3 entidades principais - O promotor, o criador e quem licencia. Se houvesse uma comissão do gosto constituída só por arquitectos nunca haveria consenso. E quem punhamos na comissão de gosto? Roseta, a arquitecta sem palmarés? Rodeia, o bastonário arquitectolítico? Eu por exemplo não gosto de Siza. É bland e minimalista. Não gosto da "receita Ghery". Mas no outro extremo gosto de Soutinho ou de Loyd Wright com paixão. Obras de diferente épocas, escolas completamente díspares e nada ou quase nada relacionadas. Mas é o meu gosto. Não posso dizer que é certo ou errado. O mais que posso dizer é que é boa ou má arquitectura e nisso tenho de concordar que os espaços criados por Ghery são fantásticos, ou que Siza consegue transmitir paz. Como dizia Mies van der Rohe "Deus está nos detalhes". Esta igreja irá tornar-se um ícone por boas ou más razões, tal como aconteceu com as Amoreiras ou com a Igreja do Sagrado Coração de Jesus de Teotónio Pereira com betão à vista. E é precisamente nos detalhes que está Deus. Se a arte, a arquitectura e a música se medissem pelo gosto vigente, Picasso, Gaudi e Mozart seriam talvez dos piores de sempre. Mantenham-se calmos. As coisas que detestamos hoje podem muito bem ser as coisas que vamos apreciar amanhã.» Groink

terça-feira, novembro 29, 2011

O DRAMA INGENTE DE VILLAS-BOAS

Perder da forma como André Villas-Boas tem perdido para os rivais directos, em terras inglesas, parece absolutamente inesperado dado o valor do jovem treinador. AVB está associado a algo precisamente nos antípodas de esse tipo de cenários: vitórias consecutivas, recordes batidos, liderança inquestionável e inquestionada, assertividade, retórica altamente motivadora das suas hostes, vantagem moral e competitiva. Se as coisas não decorrem como deveriam, a razão só pode ser simples, embora, por enquanto, apenas possamos especular: não será por falta de valor nem sequer de liderança, nem por erros de juízo e avaliação dos adversários. Simplesmente, um grupo daqueles, composto por jogadores tão primadonnas como aqueles, só após radical reformulação carburará. Também não excluo a conspiração ostracizante do establishment futebolístico doméstico. Talvez uma pedra a mais e a seu favor no balneário do Chelsea, Álvaro Pereira, por exemplo, fizesse alguma diferença. É esquisito que pareça tão isolado e mal sucedido. É como se a maldição de abandonar tão traiçoeira e inexplicavelmente um FC Porto rendido a seus pés o assombrasse triplicadamente, pois fomos milhares a sentir desalento e pena por essa deserção. Pena será se a cadeira de rodas ou os patins que Roman Abramovich ameaça oferecer-lhe, o impedir de provar finalmente ao que veio e o mérito puro que lhe pertence por direito. Desejando que AVB dê a volta por cima e bem por cima, no entanto, provando esta embaraçosa ambiguidade a que não posso escapar como portista, aporta-me à memória qualquer coisa como isto dos Waterboys:  You climbed on the ladder / And you know how it feels / To reach too high / Too far / Too soon / You saw the whole of the moon!

A SAGA DO ESPERMATOZÓIDE SVETLANA STALINA

Todos os seres humanos parecem eternos, pelo menos assim se sentem e pressentem, enquanto não lhes vem a acontecer que morram. Por exemplo, no JN de hoje, o capitalista, trabalhador, acumulador de dinheiro, e hábil fugitivo fiscal, Amorim, viceja com uma fortuna pessoal de mais de três mil milhões de euros, meu Deus, isto num País destes lembra um país africano daqueles. Amorim nada tem a ver com milhões de portugueses, a cagar e a tossir, com os trocos de cada dia, incapazes, os Incapazes, de dançar o tango com o Fisco como o Amorim, as filhas do Amorim e os netos dedutíveis ao Fisco do Amorim. Outros, filhos da igualdade violenta do primeiro quartel do século sangrento XX, como Svetlana Stalina, filha de Estaline, que em plena Guerra Fria protagonizou um dos mais embaraçosos incidentes diplomáticos de que há memória ao trocar a URSS pelos EUA – o comunismo pelo capitalismo – morre, como qualquer de nós. Mas morre anónima, óbito dado a 22 de Novembro. Menos mal, morre aos 85 anos. O que é pior, morre na miséria e no isolamento, no estado americano do Wisconsin, onde viveu com o nome Lana Peters. Houve aqui um lapso e uma ingratidão da sociedade capitalista ao não capitalizar absolutamente nada ou muito pouco desta transfuga excepcional da tirania comunista soviética. Quando qualquer um pode ser estrela e por qualquer coisa dar uma entrevista ao 60Minutes one more time and time and time again, o que é muito diferente de uma mera entrevista ao Wisconsin State Journal, custa não ter sabido o máximo desta extraordinária Svetlana Stalina. Saber especialmente ter sido ela relíquia biológica, culminar copulatório, de um dos mais impressionantes monstros absolutos da História, é de deixar transido qualquer um mais sensível!

PORTUGAL

Portugal,
eu quero falar contigo!
Não faças esses olhos de quem viu o lobisomem.
Achas esquisito que eu queira falar contigo?
É que tenho coisas muito importantes para te dizer
e só agora arranjei a coragem suficiente.
l
Portugal,
eu tenho vinte e dois anos
e tu às vezes fazes-me sentir como se tivesse oitocentos.
Que culpa tive eu que Dom Sebastião fosse combater os infiéis
ao Norte de África só porque não podia combater a doença
que lhe atacava os órgãos genitais e nunca mais voltasse?!
Às vezes quase chego a acreditar que é tudo mentira,
que o Infante Dom Henrique foi uma invenção da Walt Disney
e Dom Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do Príncipe Valente.
l
Portugal,
tu imaginas o tesão que sinto quando ouço o Hino Nacional – que «os meus egrégios avós» me perdoem!
Ontem estive a jogar ao póquer com o Velho do Restelo
[ele anda na consulta externa do Júlio de Matos, deram-lhe uns electrochoques e está a recuperar à parte o facto de agora me tentar convencer que nos espera um futuro de rosas].
l
Portugal,
eu se tivesse dinheiro comprava o império e dava-to!
Juro que era capaz de fazer isso só para te ver sorrir!
l
Portugal,
eu vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém, sabes?,
eu estou loucamente apaixonado por ti!
Pergunto a mim próprio como me pude apaixonar por um velho decrépito, idiota, como tu, mas que tem o coração doce, e ainda mais doce que os pastéis de Tentúgal e o corpo cheio de pontos negros para eu poder espremer à vontade.
l
Portugal,
estás a ouvir-me?, eu nasci em 1957,
Salazar estava no poder,
[nada de ressentimentos];
o meu irmão esteve na guerra,
[nada de ressentimentos];
tenho amigos que emigraram,
[nada de ressentimentos];
um dia bebi vinagre,
[nada de ressentimentos].
l
Portugal,
eu ia propor-te um projecto eminentemente nacional:
que fôssemos todos a Ceuta à procura do olho que Camões lá deixou.
l
Portugal,
sabes de que cor são os meus olhos?
são castanhos como os da minha mãe.
l
Portugal,
eu gostava de te beijar muito, mas muito apaixonadamente, na boca.
l
Jorge de Sousa Braga

segunda-feira, novembro 28, 2011

RONALDO, UM DESAFIO À 'CIÊNCIA' DOS RECORDES

«Es muy difícil que pueda superar mi récord de goles (40) en Liga, pero en el fútbol nada es imposible". Estas palabras las pronunció Cristiano hace meses. Hasta él mismo pensaba entonces que la marca goleadora que había establecido la temporada pasada, tras batir los 38 de Hugo Sánchez y Zarra, tendría una larga duración. Sin embargo, la eficacia realizadora que está teniendo en este primer tercio de campaña permite vislumbrar que ese registro puede caducar al término del presente curso. Esta pasada jornada se ha situado como Pichichi en solitario de la Liga y suma 16 goles (uno más que Messi) en 13 partidos, lo que supone una media de 1,23 por encuentro. Si mantiene este promedio, acabaría con 47 en Liga.» AS

O PUDM INFORME QUE O TROUFA PARIU

«Caro Joaquim, a dita igreja (o 'templo') que Troufa pariu, e que vai enfeiar o Restelo, é mais um daqueles pudins informes saído da cabeça calva  de ideias e de cabelos (Troufa usa uma colecção de capachos)  conhecida neste pobre bairro que é Lisboa. A Igreja Portuguesa é totalmente culpada da edificação do abjecto edifício: que o arquitecto seja louco, é uma coisa; que uma Instituição Milenar lhe confie a Obra, é outra. Ainda por cima não consta que Troufa seja especialmente bem-querido nos meios tradicionais da Igreja Católica: vezes sem conta afirmou ser socialista, de esquerda e laico  como o outro. Não esquecer que Troufa andou anos a propagar "que tinha proposto a José Eduardo dos Santos o projecto e edificação da nova capital de Angola; e que a mesma se iria chamar  por sua ideia - "Angólia" (verídico!!!). Lítio, é o que falta a toda esta gente. Mas enfim, possivelmente houve intervenção piedosa do irmão-socialista-pedreiro-policarpo-livre para o 'visto' final desta obra poderosa que lembra Leão X. Só à estalada.» Besta Imunda

ENVERNIZAR O VERME

Não é nada por acaso que o antro-fossa dos socratistas odeia e teme Paula Teixeira da Cruz: porque, em Portugal, a Justiça troça da Economia e atrasa-lhe a vida e porque, em Portugal, a Justiça é selectiva em função do Poder Pessoal e do Dinheiro e altamente partidarizada, serão sempre boas as notícias inscritas na entrevista dada pela ministra ao Diário Económico. Bom sinal a moção imperativa aí expressa de afastar, o quanto antes, o nulo Procurador-geral da República, (ir)responsável máximo do Ministério Público assim como colocar o impossível bastonário da Ordem dos Advogados na ordem.

GALOPE CAVALAR DO GRANDE UNICÓRNIO BRANCO

Não escondo, nunca escondi, o que de Marinho e Pinto penso. Ele, como todos nós, tem horas. Mas o tom predominante é a irascibilidade e o tiro de pólvora seca. Hoje, o JN traz Marinho e logo com um título auspicioso e bloguesco Latrinas da Democracia, título infeliz, desde logo, ao induzir a ideia de que  democracia ter latrinas é pejorativo. Não é. É graças àquilo a que Marinho chama latrinas que a nossa democracia permanece à tona, apesar da inoperância amarela, da injustiça sistémica, e da covardia inconsequente e sequestrada do Poder Judicial pelo Poder Político em Portugal. Recorde-se a Marinho ser precisamente nosso problema essa escassez de latrinas na nossa escanzelada democracia para que se possa lavar e purgar. Ora, nesse artigo, entre os elogios à democracia e à liberdade de expressão, há em Marinho um problema de falta de encaixe. Custa-lhe que a nossa liberdade de o criticarmos no fundo se exerça, assim como a liberdade de divulgarmos compararmos comportamentos e factos. O problema da liberdade de expressão para Marinho é quando ela possa ser exercida de forma abusiva pelos outros contra si, mas não por si contra os outros. Basta lê-lo a transcorrer todos os limites visando Manuel António Pina e a ministra Paula Teixeira da Cruz, mas depois gritar aqui-d'el-rei perante as caixas de comentários de blogues e das edições online de órgãos de informação porque lhe não perdoam certas tendências, certa forma de claudicar na isenção e na independência. É como se Marinho e Pinto na opinião do próprio Marinho e Pinto nunca bolçasse toda a espécie de indignidades e ofensas contra outras pessoas e só as outras pessoas bolçassem iniquidades e ofensas contra si. Nada mais longe da verdade. O anonimato português defende-se de óbvias formas de represália num País com escasso emprego e se Marinho se queixa só prova que não tem mais que fazer senão atender ao que escrevam irrelevantes anónimos sem rosto. Do que, conclui-se, em razão do próprio narcisismo, Marinho só tem olhos para o que se vai escrevendo de si e contra si no Verbo Jurídico chamado In Verbis. Repare-se na forma como Marinho, cego de paixão pois notoriamente passional a adjectivar, apoda gente invisível, nula e irrelevante de «súcias de cobardes (eles conhecem-se uns aos outros e actuam em bando), predominantemente constituídas por magistrados e advogados, têm como passatempo preferido difamar as mais diversas pessoas, sobretudo eu próprio.» Mas será que Marinho não percebe que ler o que se pense e escreva sobre si é que é indevidamente passatempo preferido e é que está mal?! Repare-se como o Bastonário abre o Odre de Adjectivos e aí vai disto, novamente TIR sem travões, figura de Quijote com silhueta de Sancho Pança, contra os moinhos de vento dos blogues e dos comentaristas. É doloroso constatar o que Marinho, havendo tanto para fazer, garatuja: «Aí tenho sido alvo dos piores insultos e calúnias, algumas das quais logo são postas a circular na Internet com o intuito óbvio de ampliar a sua danosidade moral.», quando qualquer de nós não tinha reparado que o Bastonário era, por assim dizer, um S. Sebastião da crítica, cravejado de setas. O que é notável, sim, é o modo como ele nunca deixa ninguém sem resposta, embora diga o contrário: «Habitualmente não respondo a insultos, sejam anónimos, sejam os de jornalistas a soldo dos poderes que publicamente critico. Porém, a última boçalidade gerada no "In Verbis" é um texto onde me são imputados factos monstruosamente falsos. Porque se trata de factos, aqui fica o desmentido.» E lá se dedica, coitado, a desmentir coisas sem qualquer interesse comparadas com a sua amizade e parcialidade perante um consulado tão danoso e negrejante para Portugal como o socratista, coisa aliás, a única, que eu, nada anónimo, lhe não posso perdoar. Mas Marinho, que não insulta ninguém e faz um uso exemplar da sua liberdade de expressão, só poderia terminar em beleza: «Espero que o crápula autor das calúnias (ou qualquer outra pessoa) prove publicamente o contrário deste desmentido.» Como se alguém estivesse interessado em fazer o que ele vem fazendo contra aquela mulher proba de nome Paula Teixeira da Cruz. Não poderei concluir a minha análise e comentário a esse artigo de Marinho no JN sem sublinhar a sua nota final. Utópica, macerada e intransitável precisamente devido ao pendor partidarizante de advogados-dados-ao-estrelato, como Marinho, dados ao espavento e inconsequentes, como Marinho, não há nada a esperar da cidadania comutativa de Marinho: «Por mim, acredito que um dia palcos de boçalidade como o "In Verbis" se transformarão em espaços de cidadania onde, como nas velhas ágoras helénicas, Homens com nome e com cara debatam em liberdade, sem medos, sem preconceitos e, sobretudo, com dignidade tudo o que acharem importante para a vida da Polis.» Como certas figuras míticas e intangíveis, Marinho está para o debate e a clarificação seja do que for como o Unicórnio e o Pégaso estão para os desportos equestres. Não posso aplaudi-lo.

TEMPLOS DO MASTURBATÓRIO

Não tenho opinião formada acerca da igreja-caravela que o arquitecto Troufa Real desenhou para o alto do Restelo, em Lisboa. Não sei se Troufa tem sensibilidade espiritual, se a inscreve na Reforma Litúrgica, se leu as actas ou está em sintonia com o Movimento Nacional de Pastoral Litúrgica. De um modo geral, o belo arquitectónico associado a templos católicos, quando devidamente conseguido na contemporaneidade, encanta-me para além do que as palavras possam traduzir. Depois há o que, como cantor, possa ainda ter a dizer de como o som dentro reverbere e repercuta, ponto nada despiciendo em templos modernos. Se este será ou não será um dos templos católicos que mais polémica terão desencadeado nas últimas décadas, também não sei. Só sei que esse tipo de polémica [os fiéis é que se atravessam e pagam, mas enfim!] é normal dentro da grande e plácida anormalidade e boçalidade das obras públicas sumptuárias que o contribuinte paga e não bufa, enquanto grande admirador de foguetes e apanhador das canas que os governos lançam, na ânsia pífia e masturbatória de deixar obra e semear reeleição. Os partidos de Governo é que têm sido Templos do Masturbatório, em dívida, incúria, patifarias com o Erário, Escritórios de Insanidade. A Igreja está no seu direito de promover o seu culto e até de fazer coisas feias e pindéricas, se for Ela, isto é, os seus a pagar. Portanto, não se exagere no criticismo faccioso. Mesmo o Cardeal Patriarca Socialista, o grande negligenciador do socratismo-abortismo, mesmo ele pode deixar de ser pantomineiro, se fizer o favor. Nestas coisas, o homem sonha e a obra nasce. Não se sabe bem, porque não se pode saber, se Deus quer.

domingo, novembro 27, 2011

INDUBITÁVEL RENASCIMENTO

FC Porto cilindrou um Braga fortíssimo e coeso. No meu clube, toda a gente perderia e se perderia se os desempenhos no relvado continuassem pobres, mortiços, auto-venenosos. Não seria somente o mister a sentir a chicotada, pois os activos de um clube também se desvalorizam em razão dos desempenhos e das vitórias. Daí que a garra com que o meu FC Porto entrou hoje já foi evidente reacção [desportiva, anímica e até comercial-promocional]. Ninguém quer ver o seu próprio valor enquanto activo perigar, não é? Ninguém quer pensar que na janela das vendas e aquisições de Janeiro não seja possível sair em beleza e em grande para, por exemplo, o Chelsea, não é? Se houve um braço de ferro direcção/jogadores e, pelo meio, o sacrificado Vítor Pereira, isso acabou a partir de Coimbra. Todos fizeram as pazes. Voltou a ser delicioso ver um jogo do FC Porto. Belíssima a forma como Hulk, Moutinho e os demais, 'morreram' literalmente em campo, num voluntarismo a dobrar e numa vontade renascida e indubitável de quem quer ser campeão.

EU, STALKED E SUBTIL STALKER, ME CONFESSO!

Os factores para ser vítima de stalking não são somente ser mulher, solteira ou separada/divorciada e jovem, mas simplesmente ser belo e encantador, no contexto aberto e apertado do sistema de transportes, por exemplo. Todos os dias são dias para o «assédio persistente» do olhar. Bastam alguns minutos e eis sublimado o stalker que há em toda a gente, em ti, leitor, em mim, blogger, sendo impossível pensar que esta excentricidade [criminosa quando levada longe de mais] não seja comportamento geral e não vare corpos e espíritos pela cidade de todos os estímulos e insólitos. O olhar inquisitivo que se detém em quem seja belo e atraente já é stalking. E muitos de nós somos virados e revirados pelo olhar anónimo que se agrada de nós. Na minha adolescência, fui vítima de stalking: ao longo de meses, duas moças adolescentes ligavam-me, seguiam-me e perseguiam-me, tirando-me o sono e a sensação de liberdade, excitando-me a fantasia na mesmíssima proporção. O que faziam de intrusivo não tinha adjectivo. Tinham o mesmo nome, para cúmulo, e faziam-no juntas, coordenadas. Pararam, somente quando devidamente apertadas por adultos ao corrente dos factos. Foi a primeira situação de assédio persistente de que fui vítima, as outras nunca as percebi como tais, perceberam-nas outros por mim. Aquelas faziam-no por cartas, telefonemas, não havia internet. Ultra-invasivas, perseguiam-me, passavam ostensivamente por casa. É normal passar por isso, quando se é belo, extraordinariamente belo e encantador por natureza. Outra forma de sublimar o stalker que há em todos nós, é esse voyeurismo torpe, vazio e ocioso, que as TV instilam e proporcionam, levando milhões a intrusões à intimidade de quem se põe a jeito: coisas como a Casa dos Segredos talvez promovam tudo isto e muito mais, nem se imagina a extensão. E o que fazem os fotógrafos da Caras e quejandas, no seu jogo bem pago de assediar e perseguir profissionalmente? Tudo isto é triste, tudo isto existe, tudo isto é stalking.

FRIAMENTE, QUEM QUER UM BENFICA PROVINCIANO?


Friamente, o jogo de ontem à noite foi um apontamento de qualidade indiscutível. Dois técnicos rivais que se respeitam, dois técnicos que não se hostilizam, prestigiando a sua função, treinadores com a Paixão que se impõe nestas coisas, dois técnicos que imprimem gana e garra às suas equipas. Não posso deixar de desejar o melhor para Jesus [gosto de meter-me com ele quando incha de satisfação por uma vitória e já nem sabe o que dizer nas conferências de imprensa, embriagado de si mesmo] e para Domingos, hábil motivador, forjado no espírito indómito e invicto do meu clube. Apesar de contenderem contra o meu FC Porto, não é possível deixar de simpatizar com ambos, até porque têm carisma e qualidade e terão um trajecto brilhante. Ainda bem para Portugal. As situações extra-jogo Benfica-Sporting, essas já são dignas de censura e de uma análise sumária, para já. Notoriamente, os pretextos desportivos não podem constituir vazão de frustrações apenas superáveis com trabalho honesto e protesto honesto. Vandalismo nada tem a ver com futebol. Desde logo, João Gabriel não segue por bom caminho ao alimentar com adjectivos desproporcionados um incêndio que deveria ser apagado imediatamente: populista e demagógico, tomando Paulo Pereira Cristóvão como alvo, raramente se compaginará com futebol. Pessoalmente estou contra a alterações de procedimentos de segurança, no primeiro quarto da Liga ou a meio dela, passíveis de uma leitura provocatória legítima e a chamada caixa de segurança da Luz, supostamente uma estrutura de última geração na Europa, não funcionou nem funcionará no contexto português. É mais um daqueles preciosismos imitacionistas provincianos, na esteira das Corridas no Hipódromo e outras importações auto-ridicularizantes já devidamente denunciadas pelo Eça, n'Os Maias. Do mesmo modo deverá ser censurado que algumas cadeiras no sector do topo norte do Estádio da Luz, que estava destinado aos adeptos do Sporting, tenham sido maldosamente incendiadas. Uma vez que esses actos poderão representar uma indemnização gravosa variável e 2500 euros de multa, não vejo que amor terão ao seu clube os adeptos responsáveis por tais prejuízos e sinais anti-desportivos. Ainda é tempo de o Benfica recuar da sua caixa provinciana e de o Sporting cessar as hostilidades, interrompendo a troca de galhardetes para que se não eternize e obnubile os méritos de Domingos e de Jesus e sobretudo o carácter impresso nas duas equipas que é bom se não dissipe. 

sábado, novembro 26, 2011

A JAULA DO AZAR

As estatísticas provam que o Sporting esteve sempre por cima. E perdeu. Pela maneira como faz jogar, Domingos merece um campeonato e até pode ganhar este, uma vez que o Benfica perde chama e até se mostra displicente  veja-se a abébia dada pelo 'imperial' Artur. Jesus, na sua conferência de imprensa, está a ter agora mesmo um orgasmo múltiplo em futebologia e filosofia do banco. Mau sinal.

VELHOS SOCRATISTAS DESCOBREM A PINOCHETADA

Por que me dou eu ao trabalho de escrutinar o discurso político e o comentário económico dos socratistas? Para perceber melhor as razões do nosso atraso, plasticidade cretina da nossa demência colectiva, a nossa falta de sentido do justo comum, do belo comum, para não dizer do nosso bem comum, aliás incomum e de uma minoria movente de Orçamento em Orçamento, de poder eleito em poder eleito. Veja-se como o blogue O Jumento recrudesce e burila a sua retórica anti-Gaspar. Gaspar, um ministro infinitamente mais honesto do que o refugo Teixeira dos Santos, é agora uma espécie de espécimen a perseguir pela retórica socratista remanescente. E como apodar este Orçamento? Uma «pinochetada económica concebida por um ministro das Finanças fundamentalista». Aqui nos situamos. Por um lado, não se fala de quem endividou Portugal e se auto-exilou em Paris, como um reles refugiado cleptocrata. E note-se que Ben-Ali, [com sorte Mubarak, com sorte Kadhafi, com sorte quaisquer tiranos árabes, africanos, expelidos dos seus governos usurpadores por multidões em rebelião unidas pelo Twitter e pelo Facebook], resistiu, mas acabou exilar-se. Sócrates também. Estas mentes socialistas-socratistas são incapazes de compreender que toda a dor austeritária deverá ser concentrada, curta no tempo. Será inevitável uma recessão de 3%. Qualquer reestruturação empresarial prova um facto recorrente e básico: antes de voltar a crescer e a crescer com realismo e verdade, é preciso contrair bastante. Os riscos que se correm são enormes, daí que a coragem e a verdade devam estar na cabeça de quem governa: espiral de recessão, a bancarrota e o conflito social generalizado não podem tolher o rumo de saneamento das nossas contas públicas. Se O Jumento considera a política deste Governo uma «política fundamentalista [que] vai conduzir a economia portuguesa ao abismo», deverá enunciar a alternativa, já. Propor ideias e saídas, já. Eu proponho que se vá simbolicamente ao bolso pessoal dos comissionistas do PS-Governo. O previsível inferno de 2012, os 3% ou mais de recessão, não deveriam suscitar tamanha festa milenarista a um sector da opinião e da acção política directamente responsável por isto e que O Jumento, à frente dessa comissão de festas, representa. Não é sério denegrir Gaspar como «desastrado ministro». Lá, onde se fala de «pinochetada orçamental do Gaspar», deveria falar-se dos sinais apaziguadores emitidos para fora do País, nunca mais acusável de dizer uma coisa e fazer outra, como com o picaresco Sócrates. E ainda é de menos perante a gigantesca tarefa de nos tornarmos solvíveis.

É OFICIAL QUE A GREVE GERAL AFINAL FOI PARCIAL

O direito à greve é uma hipocrisia politicamente correcta e uma inutilidade concreta. Nada mais obstaculizado e ao mesmo tempo esgotado em face dos desafios que o País enfrenta, para o que há que levantar a cabeça, corrigir desmandos, e resistir conforme se possa no grotesco contexto da III Grande Guerra Mundial [dólar/euro]. Não posso, quase ninguém pode, dar-se ao luxo de perder o salário do dia de bloqueio, portanto o direito é uma completa falácia e mais ainda quando se instituem processos artificiais de pressão e vigilância sobre a liberdade, igualmente um direito, de não fazer greve. Por outro lado, havendo esta massa de desempregados que alastra, como se faz greve em nome deles se eles são os excluídos e as vítimas primeiras de privilégios e prejuízos no sector empresarial falido do Estado endividado?! A greve íntima e pungente, que eu e milhares fazemos todos os dias, essa supera largamente a retórica nababa e integrada da UGT e a retórica cristalizada e oca da CGTP, na sua velhice e aldrabice subtis. Não acredito que tivemos, quinta-feira passada, uma greve geral. Sabe-se que se tratou de uma greve parcial. Na estação do Metro, Trindade, Porto, às 08:00h havia multidões compactas, silenciosas, aguardando o veículo que não vinha. Eu estava lá. Também eu fui essa multidão silenciosa, apertada, angustiada, gente para a qual não haverá jamais Justiça e, em grande parte, qualquer Esperança, gente para a qual uma Greve, por mais geral que se queira fazer crer, será sempre parcial, um completo atraso de vida, e, nos tempos horrendos que se nos abrem por força da volatilidade internacional, objectivamente obscena. Aqui chegados, cabe à UGT e à CGTP deixarem-se de merdas e de brincadeiras com as nossas vidas: se o Governo pode matar o doente com a cura austeritária, as centrais sindicais  obsoletas e lentas a reagir, inúteis a prevenir, incapazes de sinergias sérias de trabalho como nos países nórdicos sem retórica , também podem ajudar a matar o doente com uma transfusão drástica de cinismo quadriplégico.

DA VELHA MANHA SONSA DE CAVACO

Não poderia estar mais de acordo com o reparo de Ferreira Fernandes, parcialmente citado a seguir, reparo certeiríssimo ao manhoso Cavaco, bem ao encontro do que escrevi: «Aquelas palavras, vindas de quem vêm [Cavaco], só me dizem que a boa vontade e o diálogo necessários estão hoje mais difíceis de alcançar porque há uma nova frente de divisão: o Presidente da República está desejoso de mostrar publicamente que aperta os calos ao Governo. Fosse eu de partido de oposição e estaria talvez contente pela cumplicidade insuspeita e inesperada vinda de Belém. Mas sou só cidadão, simples e sem agenda, excepto a de querer que a boa vontade verdadeira e o diálogo sincero se conjuguem para resolver os problemas do meu País. Queria ter um Presidente discreto e activo, e não um ex-chefe de partido disposto a retomar as rédeas. As frases dele contra São Bento já são demasiadas para que, mesmo que me acariciem no sentido do pêlo (sim, também sou por mais diálogo), me iludam. É que eu já ando cá há muito. E ele também.» Ferreira Fernandes

PERDÓNAME

PS E PSD ABREM UMA COVA

Não considero o Governo Passos arrogante, impenetrável e surdo ao clamor das gentes, não o vejo como praticando o culto da personalidade, do líder visionário, com grandes passes de propaganda, teleponto, treta, e a coreografia mais pífia e filha da puta. Era horrível assistir em directo àquela avalancha mediática de 2005 a 2011, com que éramos quotidianamente enganados, insultados, tratados como imbecis. Foi contra isso que lutei com todas as forças do meu ser enquanto a podridão traiçoeira do socratismo andou por aí a empurrar com a barriga a verdade e o País. O Governo Passos, pelo contrário, parece privilegiar a honestidade e a transparência, sabemos ao que vem, embora esse seja um processo em avaliação permanente e também ele passível de ajustamentos e reajustamentos. Daí que os recados de Cavaco por diálogo frutuoso com o PS me enfastiem: a retórica, quando é seca, estéril, tardia, mero descargo de consciência, atrito traiçoeiro à acção do Governo, é cá sobeja. Mas o que me enfastia ainda mais é o desempenho parlamentar do PS de Basílio e de outros refinados filhos da polítiquice socratista: a lata que têm; a ousadia mais deslavada que demonstram simplesmente em mostrar as fuças ao País, depois de tudo o que fizeram risonhamente. Anuncia-se que, este fim-de-semana, a direcção do PS e o Governo estarão a analisar fórmulas que permitam aliviar os cortes nas pensões e salários mais baixos dos funcionários públicos e que em causa estará a eventual subida do limite do valor a partir do qual os cortes serão aplicados. É bom que os dois grandes partidos da bancarrota [dos défices excessivos, da dívida galopante, do desmantelamento produtivo, da corrupção endémica] namorem muito naquele velho coito coirão que vai redundando em coisa nenhuma desde há décadas rivais na luta pelo Orçamento que os alimenta autotelicamente e nos empobrece sem apelo nem agravo. É bom que se 'entendam' e façam por resolver o abismo que cavaram. Muitos desses protagonistas, porém, o que deveriam fazer era abrir outra cova, meter-se lá dentro, e tapar bem tapado.

DO FADUNCHO AO FADO

Uma coisa notável, quanto a mim, tem sido constatar a extrema inteligência das nossas fadistas Mafalda Arnauth, Carminho, Ana Moura, e mais algumas notáveis compositoras, intérpretes. Brilhantes, extremamente inteligentes, repito, vividas, verdadeiras ensaístas da História, Filosofia, Arte do Fado, pensadoras acabadas e eloquentes, com aquela presença forte e fino marketing carismático, adaptadoras do Fado ao século XXI, dentro e fora de portas, mesmo na Diáspora Portuguesa, sempre ávida de Portugal e de Portugalidade. Durão Barroso veio dizer-nos que é pouco inteligente cortar no saber e na cultura, conforme tem sido dado a conhecer ser intenção do Governo Passos. Concordo com Durão, embora, como experiente Fugitivo, lhe seja fácil falar quando não ele tem de decidir no actual contexto de incerteza e risco absoluto. Pense-se que, no domínio da Cultura, os bens específicos, imateriais ou não, de cada país e as suas criações originais têm um universo de potenciação económica extraordinário, se houver capacidade e visão para aproveitá-lo. O Fado é um dos elementos nada desprezível desse nosso universo. Nem dramaturgos nem escritores verdadeiramente impactantes no Mundo, morto Saramago e amortecida, por exemplo, a brilhante saga mundial dos Madredeus, vemos a nossa afirmação e universalização actualmente tolhida e inexpressiva, incapaz de dar o devido salto para o mundo [no Brasil, por exemplo, é terrível constatar tanta distância e ignorância de Portugal e dos Portugueses, arrumados no dichote anacrónico e estereotipado cristalizado nalguma literatura datada como O Mulato, de Aluísio Azevedo, e isso tem de ser combatido por todos os meios e qualquer euro gasto nesse tipo de pontes será bem gasto]. Por isso, neste fim-de-semana o que está em causa não é somente o facto de o Fado passar [ou ainda não passar] a ser considerado património cultural imaterial da humanidade para a UNESCO, cujos representantes se reúnem em Bali, Indonésia. Em causa está o impacto referencial e a projecção desse elemento da nossa matriz cultural reconhecida e mesmo do nosso País, cujos tesouros intangíveis obteriam redobrado interesse [cultural e turístico] mundial, prontos cativar apaixonados cultores e consumidores. 

sexta-feira, novembro 25, 2011

SER OU NÃO SER, SEGUNDO A FITCH E A MOODY'S

«Ó senhores, só há uma solução para isso: é deixar de viver à custa de empréstimos (políticas que promovam maior dívida não servem). Contudo, perguntarão: mas por que raio falamos do dinheiro da troika como uma ajuda? Ora bem, se eu precisasse do empréstimo do banco para cumprir compromissos imediatos e um amigo meu me emprestasse o mesmo dinheiro cobrando em juros, para igual período, metade do que o banco me propôs, não me estaria a ajudar? No meu entender, estaria. História diferente é se esse empréstimo, ainda que a juros mais baixos, seria suficiente para eu refazer a minha vida de forma a cumprir todos os compromissos actuais e futuros. Segundo a Fitch e a Moody's, no caso do Estado português, não será.» Mr. Brown

CROMOS INTEMPESTIVOS? INTERNAMENTO!

Há turmas repletas de potencial, com alunos inteligentíssimos, dotadíssimos, fonte de esperança para Portugal na exacta proporção da inépcia dos políticos e do Sistema corrupto em que têm medrado, comprometendo-nos o presente e o futuro. Bastam dois 'alunos' descontrolados, perturbados e perturbadores, insolentes, incapazes de se conter e trabalhar, incapazes de anuir a quaisquer recomendações, desrespeitando grosseiramente os docentes, qualquer docente, qualquer gesto de boa-vontade, destruindo uma turma sem apelo nem agravo. A esses, era interná-los numa instituição militar, num regime interno de altíssima exigência, a fim de tirar de dentro desses íntimos caóticos verdadeiros cidadãos, provados como o ouro no crisol. Eu conheço a tristeza dos alunos vindos do Leste Europeu, o desgosto, por verem o lixo, a destruição de aulas, perpetrada pelos seus colegas primitivos portugueses. Coitados. Não há Política que veja esta coisa elementar, enquanto se maquila todo o processo com as avaliações manhosas e fraudulentas para empatar e parir estrume. Por outro lado, se se fizer o favor de responsabilizar muito assertiva, directa e concretamente os pais deste tipo de alunos, como acontece nos Açores, já seria um belíssimo começo de conversa.

SOARES É FACHO, É FIXO, É FADO

Mário Soares tem tempo de antena na directa proporcionalidade da sua irrelevância prática e responsabilidades nos pactos entretanto estabelecidos com quem nos afundou nos sérios problemas em decurso. Parir manifestos liriquistas, humanistas, filantropistas, é fácil, depois do mal feito, tolerado e até acobertado por apoios cheios de tesão e grande arrepanhar de cabelos diante do espectro da Velha, da eleição da Velha, e não sei quê. Soares é um ciganão. Soares é meio cigano. Soares do que precisa é de manifestos anti-Soares. Agora, ao pôr a mãozita papuda nas diabruras doidas de Otelo Saraiva de Carvalho, lá está ele, na sua excelsa papal figura a paternalizar o ex-terrorista, conforme lhe compete, indicando o caminho à blandícia da opinião: «um coração muito bom» [...] «de vez em quando diz a sua asneira». O militar de Abril, diz Soares, «contribuiu para o sucesso da democracia», mas na verdade, graças a partidos medíocres e repletos de merda como o PS de Sócrates e o PSD de Dias Loureiro e outras figuras dignas de simbólico fuzilamento, a democracia nem é um sucesso nem é, sequer, democracia. Quando muito arremedo, uma falácia, uma mentira, espaço mole de injustiças e impunidades crassas, república bananíssima das bananas. Soares enriqueceu. Todos nós empobrecemos, saqueados de Fisco e Banca, cercados dos oportunistas da Política, da traição magna da política, da representatividade falsa da política. Rica prenda, a 'democracia' do Otelo.  

quinta-feira, novembro 24, 2011

ESTA RELUTÂNCIA EM SANGRAR NA RUA

Também concordo que nós, portugueses, somos perfeitos a fazer greves e fracos a trabalhar e que, em matéria de confrontos, derramamento de sangue, somos muito amadores, como posta o Nuno Dias da Silva. E se ainda não foi hoje que a polícia de choque portuguesa teve a sua prova de fogo, creio que talvez nunca a venha a ter. A nossa violência é toda covarde e verte-se invariavelmente contra mulheres, velhos, crianças, numa escala submundista difícil de quantificar e até compreender. Entre ir derramar o sangue nas escadarias do Parlamento ou ir limpar cagadeiras nas estações metropolitanas de Londres ou mesmo fazer investigação científica num laboratório Suíço, eu optaria por esfregar as cagadeiras metropolitanas de Londres e investigar sociologia na Suécia, e digo isto preventivamente, enquanto não perco o 'emprego' de professor de vez, coisa talvez a caminho. As nossas manifs e greves, por mais garroteados que nos vejamos, tendem assim para esta coisa frígida, fêmea, híbrida: um tipo grita um coto, enrouquece umas frases que rimam, segura civilizadamente uns cartazes coloridos, dá uns empurrões, mas, mal possa, raspa-se para o café, solta umas baforadas do cigarro, e bute a trabalhar humildemente como um escravo ou por cá, mas por cá envergonha, ou para o Brasil do início do século XX, para a França dos anos sessenta/setenta, para onde calhe, ganhando em preservação do couro cabeludo e de uns trocos no bolso o que por cá perderia em saúde, alegria de viver e outras perdas de dignidade. É tudo ao contrário, no caso de se ser alemão, inglês, holandês na reforma: lá vêm eles para este paraíso comprar montes no Alentejo, criar vacas, produzir mel, e viver na maior ventura, venturosa mediocritas aurea, até à chegada plácida da morte natural, numa madrugada bela de Verão. Nós, portugueses, pelo contrário, tudo o que temos, todos os nossos trocos, são rapados pela Banca e pelo Fisco num conluio misterioso, concomitância cooperativa da morte lenta severina portuguesa.

BOTELHO E O MEU SALÁRIO ASSIMPTÓTICO

O texto-post está tenso, meio obtuso e opaco, mas obrigado na mesma, Carlos, pela referência aos que, como eu, têm salários assimptóticos que os impedem de abrir mão de um dia para a grande Festa da Greve Geral para quem pode suportar-lhe o custo material. [Espero que o Metro do Porto me justifique a falta dada involuntariamente, pelo menos tratei de ligar à OláMetro para o efeito]. Está é na hora de contribuir material e directamente para fazer justiça à sensibilidade demonstrada pelo Carlos Botelho. Aceito sacos de arroz e de massa enviados para a minha direcção que divulgarei por mail, avaliada o genuíno do ímpeto filantrópico... Massa, arroz... E uns trocos. Pois, isso é que é o diabo: «O mais silencioso e o mais respeitável dos argumentos que tenho encontrado contrários à participação na greve geral de amanhã é aquele que, não podendo ser indiferente para tanta gente, não pode também, por isso, ser indiferente para nós em situação mais desafogada: a perda de um dia de salário.» Carlos Botelho

HE'S A SON OF A BITCH, BUT OUR SON OF A BITCH

Ai, PCP, PCP, para quando que te cures e te livres de palas?! Jamais!: «Ninguém imaginaria, mas parece que um dos dois PCPs (porque há, pelo menos, dois: o que, a nível interno, se mostra comprometido com a causa dos oprimidos e o que, externamente, está ao lado de alguns dos mais opressores regimes políticos do Mundo) terá adoptado a norte-americaníssima teoria, que fez escola durante a Guerra Fria, do "he's a son of a bitch, but he's our son of a bitch". A brutal repressão do regime de Bachar al-Assad sobre as manifestações pró-democracia já provocou, segundo a ONU, 3500 mortos. "Alegado saldo", acha o "Avante!" que, repetindo o ditador, escreve que os manifestantes são tão só "bandos armados suportados e dirigidos a partir do exterior", o mesmo, palavra por palavra, que a propaganda de Salazar dizia dos movimentos de libertação das ex-colónias.» Manuel António Pina

DURAN DURAN — GIRL PANIC

A CRISE E A ROLETA RUSSA SEXUAL

De País importador de sexo comercial, nada que se compare com a libertinagem instituída na Holanda, caminha-se a passo acelerado para exportação [na perspectiva gastronómica do conceito "exportação"], mesmo correndo riscos porque transcorrendo fronteiras sanitárias. É a crise a pressionar a concorrência, a descer preços de 'serviços', subindo a oferta do sexo indefeso«Alta, super elegante e sensual. O [oral] natural.» Abrir jornais é reparar na profusão avassaladora de anúncios a serviços sexuais, a cores e menus detalhados, com cada vez mais referências explícitas a sexo desprotegido. Frisson e adrenalina como doentia escapatória ou roleta russa. Preocupante.

O PESSOAL SOCRATISTA E O ADVENTO DO PASSISTA

A fome, esta fome cívica, ânsia física e moral, esta raiva muito mais funda que alastra mais pungente, começou propriamente a enovelar-se e a ganhar forma no tempo dos Governos Sócrates, Absoluto Cretino Ridente. Quem acompanhou o quotidiano fazer político dessa trágica chancelaria, testemunhou um embuste servido a frio, frívolo, protegido por muita gente da bloga e da opinião estabelecida, gente que garantia não haver alternativa e era bem paga para garantir fosse o que fosse encomendado. Viu-se. Veio Passos, promissor e humanista, e ainda não se pôde aferir completamente se tal figura poderá evitar que o vejamos transformado noutro Sócrates, promovendo a colonização, com igual sofreguidão, de ministérios com o pessoal equivalente ao de Sócrates  agora pessoal passista  começando desde logo por desalojar resíduos com outras lealdades para colocar passistas leais nos seus lugares, seja nas Secretas, nas fundações, nas empresas públicas e nos gabinetes, cuja reestruturação e emagrecimento nos foi prometido e cuja prestação de contas carece de ser dada. Sócrates pode até ter-se exilado douradamente em Junho, aliviado da Bomba-Relógio Portuguesa que gerou, mas os seus galfarros ficaram por cá, para trás, a fim de atazanar quaisquer esforços de salvação, qualquer nova mentalidade autonomizadora das pessoas, e ficaram a fim de limpar as mãos à parede, proclamar a inocência e a absolvição geral da 'luminosa chancelaria socratesca' e também para completar o trabalho de denegrir qualquer coisa laranja que mexa, amplificando-lhe os delitos com aquela espécie de corte epistemológico que demonstra que antes de Junho passado não há passado, nem História nem Memória nem Culpas. Quem é este PSD do Forte Apache? É impressão minha ou este PSD segue com alguma sobranceria, não a do líder, mas a do Caminho a Direito, implacável? Estará este PSD a limpar o Estado das gorduras de remoção prometida ou a engordá-lo com a gordurosa nomenklatura imbecil das suas juventudes igualmente implacáveis e sequiosas, 31 da Armada para cima?! Não sabemos. Não se percebe se haverá real frugalidade neste Governo ou se o pessoal ressabiado, azeiteiro-paneleiro dos cargos e funções socratistas se limita a espumar de inveja, lançar rumores e veneno, naquela tentativa 'patriótica' e 'decente' de intoxicar a resolução dos problemas que nos criaram a todos, enquanto enriqueciam sozinhos e entre eles. Certo é que a canga-carga fiscal aumentou, aumentou o preço dos transportes, o desemprego progride lentamente, a fraude-avaliação na Educação prosseguida traiu todos os discursos pré-eleitorais. E depois o castigo inerente ao Orçamento de Estado para 2012 promete a redução em 15% do rendimento anual bruto de pensionistas e funcionários públicos. Sim. Tudo isto. Mas estava na hora de se ver há mais alguma coisa da parte deste Governo Passos no âmbito da chamada simbologia solidária com os nossos sacrifícios. E estava na hora de uma resposta limpa, correcta, concreta, ao veneno todos os dias instilado pelo pittalhismo frouxo e duplipensante. As greves gerais deveriam ser preventivas na defesa dos nossos direitos sociais adquiridos. Há muito tempo que se exigia um sinal fortíssimo ao dano e à incompetência comissionista do socratismo. Agora é tardíssimo. Agora greves e a obscenidade dos piquetes são uma vergonha tardia e inútil, onde se vê de tudo menos quem realmente sofre e é efectivamente espezinhado. Salvo aquele tipo de greve que é feita todos os dias, como a minha, não nos fodam: os sindicatos dormiram na forma com o PS, que os controlou a seu bel-prazer. Houve muito tempo para fazê-las contra o cinismo e a cova aberta aos portugueses pelos Governos Sócrates. Se há medidas gravosas em decurso, elogiadas pelas agências de notação ao mesmo tempo que nos lixam, onde estavam os estômagos então repletos e agora filantrópicos de Mário Soares, dos Barões do Sindicalismo Perpétuo, dessa gente dos manifestos e das merdas pomposas, conceitos sociais mortos como uma fé morta, gente do palavreado compassivo e social aqui, entre as minhas pernas?! Na engorda, certamente. 

A ESQUERDA QUER É QUE O POVO SE FODA

Faço greve todos os dias, já disse. Não preciso de aderir nem adiro à greve de hoje, 24 Novembro, 2011. O Metro do Porto impediu-me de cumprir o meu dever, hoje, e realizar-me na greve íntima que faço a cada dia. Hoje a Esquerda, que eu não vejo em lado nenhum nem sei o que é verdadeiramente, diz que é contra o assalto aos trabalhadores, opõe-se ao roubo à classe baixa e aos pensionistas, diz «não!» à perda de direitos dos portugueses, insurge-se contra o corte nos salários e nas pensões, rasga as vestes contra a precariedade no trabalho. Eu também, todos os dias estou contra tudo isso. Mas ao menos sou coerente e faço greve todos os dias [greve de fome, greve de dinheiro, greve de sono, greve de sede, greve de lazer, uma picola ida ao teatro ou ao cinema ou ao restaurante impossíveis, exorbitantes]. No mais fundo de mim, pergunto-me «porquê?». Vendo que a Política grunha trai e retrai este Povo bovino, não vou em greves alheias. Faço a minha. Se era para ter parado o País e dito um enorme «Basta!» ao caminho-catástrofe seguido, era fazê-las a tempo e a horas, no tempo absolutamente Cretino, Rapace e Pirata, de Sócrates, posto agora em sossego em Paris, no que constitui uma ironia amarga atirada como um escarro às fuças de um Povo sobejamente encornado pelos da Política, que passaram a ter muito mais dinheiro, muito mais poder, especialmente o poder da cunha, o poder da pressão lateral e vertical, o poder da influência mediática proporcionada pelo novo status, o qual, assente nos milhões abichados sabe Deus como, define desde logo quem sofre e quem desliza suavemente nesta merda de Crise. Este Governo viola-nos a boa fé e todas as expectativas pré-eleitorais, é certo, mas viola-nos com as medidas draconianas decorrentes de estarmos mergulhados num poço financeiro do qual só se sai combatendo o défice e abatendo a dívida. Protestar, exigir, escrutinar o Poder Político é importantíssimo, desde que todos os dias, ao longo de todo o ano, entre ano, saia ano. Se há um programa de Direita em Portugal, ele foi eleito pela esmagadora maioria, nas últimas legislativas. Se há uma Direita em Portugal, toda a gente quer pertencer-lhe. Até as almas peregrinas e façanhudas de Esquerda, que dormem em serviço, mesmo arrombada a casa comum pelos videirinhos sem Esquerda nem Direita ou Centro, só com a tusa do ganho pessoal contra tudo e contra todos, por cima de tudo e de todos. E não são só os Mercados e as suas agências de rating. É gente. Portuguesa, com certeza.

JOANA

A Joana pousou ontem, na TVI24. E posou também. Enquanto fala com a nítida demonstração de me ter lido, eu costumo ficar pasmado a olhar para ela e já não oiço nada, ocupado com aquela prodigiosa ondulação serpenteante das formas e o gingar de ombros muito dela, maneira maneirista de saber-se boa.

quarta-feira, novembro 23, 2011

PORTO PEREIRA OU E PLVRIBVS VNVM

Vi unicamente o resumo do jogo. Registo a vontade e a união como o principal milagre do meu querido Porto contra o Shakhtar Donetsk, mas também registo a contenção tensa e lacónica na entrevista de Vítor Pereira, no final, a sua raiva tensa, feroz, inconformada, severa e exigente com os jogadores ao longo do jogo. Nada me daria mais prazer que eu, o Miguel Sousa Tavares d'A Bola, e milhares de outros portistas rápidos a fuzilar o boneco fácil da derrota, a especular motivos e rumores, estivéssemos completamente enganados sobre a inaptidão de base do treinador. E assistíssemos, antes, após não pequenos tormentos, não apenas à ressurreição da qualidade e da unidade em campo do nosso FC Porto [sem excluídos Rodriguez nem queimados Maicon, nem punidos Otamendi], mas sobretudo à ressurreição e ao crescimento de um treinador dando os primeiros passos, afinal nada mais que um Mister em Construção, como o Operário de Vinicius, que observa, toma consciência, e aprende a dizer «Não!». É verdade que merecidamente o Vítor tem apanhado toda a espécie de bordoada verbal, excluindo os insultos que não pesam em substância, [bem sei que o não tenho poupado a críticas e observações], mas se for para transformações auspiciosas como a desta noite, a garra de esta noite, a focagem absoluta desta noite, não morderei a minha língua!]. No final, o bom resultado averbado, os abraços dados entre todos, o guarda-redes fantástico, sempre grato a Deus, começo da mais funda e genuína humildade de mortais nas mãos do Alto, a alegria, enfim, e o alívio de todos. Isto tudo pode até ser simbólico e alienante, sobretudo quando se vai ter fome e suportar muitas outras faltas. Mas fez-me por um momento um pouquinho mais feliz.

ALIAA ELMAHDY NUA, DA NUDEZ MAIS PRÍSTINA

Essa moça egípcia,
segurando um rosto belo,
cândido,
simples,
moça nua,
desarmantemente nua,
ela reina entre as pesquisas
que o mundo faz
em busca do galo de três cabeças
e do cavalo alado
unicórnio.
l
Reina, procurada com avidez,
nesses chamados motores gripados
e selectivos
de busca,
entre quem pesquisa insólito,
inaudito,
inesperado,
que é, ainda,
talvez
haver nudez sem luzes,
disfarces, sem nada,
máxima epifania de qualquer coisa
que encante,
enquanto é tempo
e parece que se está vivo
somente por haver belo.
l
Ainda.
l
Não podermos todos ser ela,
continuando cada qual o que é,
mas como ela doravante nus
e simples
e belos
e cândidos,
assumidamente tão nus,
de coração nu, como ela,
talvez nus apenas por causa dela!