sábado, março 10, 2012

BROCHE

Portugal deve a Cavaco a tardia interrupção do Coito Socratista com a Desgraça e o Descrédito Totais: falar em Portugal sob Sócrates e Teixeira dos Santos equivalia, então, a anedota e falha política sistémica, uma vez que tanto um como outro valiam Zero na cotação da credibilidade de governantes e Governos europeus, tirando Zapatero e Berlusconi. Coitados de nós se tudo permanecesse como estava. O meu dia de aniversário, nove de Março, marca, como um ferrete, a memória de um ano passado sobre o empossamento do Presidente da República, dia em cuja solenidade se arrumou por KO um Governo Perniciosíssimo ao País, que perturbara as Presidenciais com calúnias e sobretudo com o desmazelo da organização laxa de Rui Pereira, ligado ao problema vergonhoso dos impedidos de votar, coisa imputável ao Governo e notadamente manhosa. Nesse dia, no meu dia, o discurso de Cavaco foi, finalmente, claro e corajoso: toda a classe política, especialmente a socialista-comissionista, repleta de incúria e auto-benefícios, ficou com as orelhas a arder. Havia, como ainda hoje há, todas as razões para a revolta popular nas ruas e a problemática europeia não era para ali chamada, quando a má gestão, o despesismo infrene, haviam sido a marca d'água de todo o socratismo. Daí que o ónus exclusivo pela doença democrática, pela irresponsabilidade eleitoraleira, recaíssem nesse Governo Daninho e determinassem constrangimentos financeiros ainda maiores que os suscitados pelo panorama exterior, o qual, por si só, jamais justificaria a escalada dos juros. Nesse dia, não era somente Cavaco a exprimir o repúdio por um estilo destrutivo e desonesto de governo: éramos todos nós, num mesmo espírito de rejeição visceral e com os olhos bem abertos em face do Energúmeno e os seus frutos amargos, a dizer «basta!». Tal discurso não representou especialmente a abertura de uma crise política que levaria a eleições, mas acima de tudo o êxodo de um clima de hipocrisia e conspiração com que o gangue governativo entendia o Poder. Não foi a ida a eleições a arrastar Portugal para um empréstimo de emergência em condições ruinosas: dizer esta bacorada é doentio e obsceno e só um Val-de-Merda se presta a tal broche intelectual sem fundamento. Ainda que Cavaco quisesse colaborar com o Governo, o Governo não estava a ajudar Portugal a sair da situação de pressão dos mercados pois todas as suas previsões saíam furadas. E ainda que Cavaco tivesse garantido aos portugueses que só ele poderia dar estabilidade ao País nos tempos mais próximos, havia um Governo infrene na produção de instabilidade em crédito político, de despesa e de descontrolo orçamental. Por isso Cavaco serviu Portugal ao correr com Sócrates na primeira oportunidade, e foi tarde. Cavaco serviu Portugal ao confessar que o PEC IV [nada mais que um esquema reactivo] o apanhou de surpresa e que os problemas do País tinham a ver com uma situação orçamental explosiva não recente. Cavaco serviu Portugal ao compreender que com Sócrates nenhuma promoção de solução política possibilitaria a aprovação desse humilhante e capitulador PEC IV dada a sua inutilidade, uma vez que Sócrates não federava absolutamente ninguém e não tinha outro fito senão prolongar o descalabro desde que se mantivesse no Poder e mantivesse o seu bem urdido statu quo de condicionamento informativo e rendimento garantido clientelar. Cavaco serviu o supremo interesse nacional ao remover a única pedra de escândalo, único obstáculo, única coisa abominável, demasiado parecida com o que viceja em certas autocracias africanas: Sócrates e o PS. Resultado? Agora podemos respirar porque o bombardeamento de petas, tretas e charlas acabou. Há simplesmente que pagar dívidas, pagar os delumbramentos que os governos Sócrates cavaram. Pagar. Se se empobrece abrupta e avassaladoramente nestes dias, isso deve-se ao descontrolo das contas públicas em quinze anos de socialismo mero colonizador do Aparelho de Estado, isso deve-se à dívida astronómica que os socialistas aperfeiçoaram sem escrúpulos porque tempos houve em que uma enchente de dinheiro escorria para os problemas quaisquer eles fossem. Sim, caminho único é este: pagar. Fazer diferente dos seis anos onde o charlatanismo e o culto da personalidade pontificaram para nada, a não ser desproteger Portugal. Cumpre fazer justiça ao passado e assacar responsabilidades aos fazedores de dívida absurda e vil, aos quais nem a austeridade travou derrapagens, à cabeça dos quais a Parque Escolar, mas também assacar objectiva e directamente responsabilidades a políticos hoje sem outra profissão senão a que decorre da sua transformação em nababos abastados diletantes nas irrespondíveis e inexplicáveis doçuras parisienses. Sócrates nem sequer pode ser de bode expiatório porque os bodes expiatórios efectivamente expiam. Ele não expia. Está posto a salvo e em descanso e só mesmo um Val-de-Broche nostalgiaria tal porcaria como o céu da governação e o paraíso da política. Em qualquer dos casos, o gado aqui sob estresse e sofrimentos variados somos nós, prontos a padecer por causa da doença de seis anos cretinos e malcheirentos, mas prontos a padecer ainda mais graças à cura em decurso. Quer gostemos dela quer não, é o que há.

1 comentário:

Força Emergente disse...

Caro amigo
Será possivel que a aspirina, A ou B, não lhes faça bem à cabeça?
O seu texto, como alíás todos os outros, são autênticos martelos que ao assentarem na escrita deixam um perfume único no panorama dos "blogers" nacionais.
Esse excremento maior, de nome socrates, irá certamente saber que continua a existir, por cá, quem aguarde pelo momento da responsabilização. Ele sabe porque é que se refugiou em Paris.
Mais dia menos dia teremos de fazer justiça.