quarta-feira, março 07, 2012

NEM DINHEIRO NEM ESPERANÇA. SÓ FOME.

No dia doze de Março de 2011, calcorreei as praças do meu Porto a clamar com a turba por qualquer coisa de novo, unificador, rechaçador da falsidade oligarca que sequestrara o Poder Político e o fazia servidor de clientelas, elites de renda estável, bancos e banqueiros amigos dos seus amigos, impunidade e intocabilidade de alguns políticos subitamente enriquecidos. Nós, as Pessoas, esfoladas quando é preciso não temos nesta pseudo-democracia o Poder Político ao nosso serviço, caso contrário Fisco não seria confisco, Saúde não seria exorbitância e salários não seriam migalha. Foi a minha manifestação de rua mais feliz e consoladora de sempre, ainda que inconsequente no vincular dos partidos a uma escuta activa dos movimentos societários. O poder de fermento e reflexão, que florescera ético, partidariamente descomprometido, vivificador, parece morto, hoje. E por isso somente a realidade e o combate diário me absorve no que pense e tenha a dizer: de resto, nem dinheiro nem esperança [fora de mim]. Só fome e promessa de falta, por mais que trabalhe. Em mim, porém, há um soldado todos os dias disposto a sangrar e singrar por entre o presídio de silêncio que me cerca. Uso o metro. Ando a pé. Para além da dor, para além da solidão, do ostracismo dos melindrados, convivo bem com a minha fome de Justiça. A fome do pão de cada dia é mais de metade da minha guerra.

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