domingo, março 04, 2012

PASSOS, REAJUSTADOR REAJUSTADO

Sócrates era no máximo abominado, no mínimo alvo de desprezo. Passos, em poucos meses, tornou-se alvo de um tipo de sentimentos bastante mais complexo e onde qualquer coisa de sanguinário começa a aflorar na vox vulgaris. A razão principal foi a velocidade e a brutalidade das medidas que contundiram pessoas a todos os títulos indefesas nos seus salários, nas suas pensões, afinal de contas o Estado-Governo, pessoa de má fé  nos antípodas de uma pessoa de bem, não negoceia com as massas. Quando é preciso extorqui-las, esbulha-as impiedosamente, após anos de Governos Delinquentes com Playboys ao leme. O problema é que depois de espoliar as pessoas com extrema facilidade e cara de pau, o Estado-Governo não mostra atitude enérgica equivalente, por exemplo, na revisão das PPP Criminosas e noutros aspectos tipicamente clientelares. Afinal, repete-se a receita: na distribuição dos sofrimentos, certos contratos criminosos, altamente lesivos dos interesses gerais, são intocáveis. Agora que Passos, candidato único, se faz eleger por 95,5% dos militantes presidente do PSD, conviria que se consciencializasse da necessidade absoluta de fazer transparecer sensibilidade. Também Relvas carece de um discurso e uma maneira de estar sensível, em vez daquela voz e ritmo discursivo que recorda uma serra motorizada. Há muita violência em Portugal. Por enquanto ela pulveriza-se sobre mulheres, velhos e crianças, tumor entre casais, entre pais e filhos. Por enquanto ela é passional, circunscrita aos pequenos eventos de loucura homicida particulares. Mas se este Governo não toma cuidado, a pressão que se acumula nessas pequenas frustrações pessoais desempregadas ou mal pagas ou endividadas muito além-desespero, rebentará num duche de sangue. Meça, portanto, Passos todas as palavras. Calcule Relvas todos os postulados, rodeado que está pela nata das assessorias peritas em verbo de encher. Está na hora de os reajustadores serem reajustados ao País que desconhecem.

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