segunda-feira, setembro 10, 2012

PINTO DESPRESSURIZADO MONTEIRO

Pinto Monteiro
Não era preciso pressão. Bastava o registo de cumplicidade absoluta com Sócrates que Fernando Pinto Monteiro foi tecendo o longo dos seis anos de mandato como procurador-geral da República e bastava a pressão que exercia sobre si mesmo para bloquear, com zelo, quaisquer consequência à extensa sujidade do PlayBoy Parisiense. E se declara que nunca nenhum governante sugeriu o que quer que fosse à Procuradoria e garante que "nunca houve pressão" é porque não era preciso. Entre amigos do peito, não era necessário que o outro amigo do peito viesse com pedidos e implorações. Sócrates e Pinto Monteiro eram amigos, tão como Betino Craxi e Soares foram amigos ou como Al Capone seria amigo de todos os procuradores que pudesse envolver na sua amizade. Desse tipo de Procuradores está o inferno cheio. Não carecemos dessa fazenda. Simbólico, nulo, submisso, Pinto Monteiro está a mais no nosso Sistema Permissivo de Justiça desde a primeira hora. Mas afinal quem é que lhe deu o lugar de Procurador? Não foi o Governo Sócrates com a anuência palerma do PR? E alguma vez haveria Pinto Monteiro de escarrar na mão que lhe dera o lugar com o fito objectivo de fazer Zero?! Daí que nesta notícia, aliás alusiva a  uma entrevista dada à Revista Advocatus, quando o Procurador Reformando e Demissionário desafia "qualquer pessoa que diga o contrário", basicamente o que ele quer dizer é: não era necessário pressão para ser obediente. Ousa chamar ao Freeport um processo político, o que é miserável e faccioso dizer-se, como se o importante para a abertura de um processo não fosse qualquer coisa de grave intrínseco a esse processo, mas a existência ou não de motivação e intencionalidade políticas. Pinto Monteiro é, portanto, o contrário absoluto do que diz, quando diz que "todo aquele que comete ilícito, seja governante ou não", deva ser responsabilizado, como se certas decisões políticas, a do Freeport, por exemplo, não ilustrassem à saciedade os mecanismos despudorados da decisão política, saltando barreiras e contornando interditos um por um. Pinto Monteiro tem uma fixação pelo segredo de justiça, que só não funciona em Portugal porque ninguém confia na eficácia ou sequer interesse de actuação dessa Justiça com pintos monteiros e outros homens de mão. Valha-nos Deus que compensatoriamente haja intervenientes da justiça a telefonarem para jornalistas e jornalistas para eles. Só acontece porque não há lei que valha. Não há lei que valha a quem se vende e obedece aos poderosos na Justiça. Não há lei que valha a venais implícitos à testa da Justiça. Não há lei que valha a monos no papel frouxo de não querer saber ou de proteger. Pinto Monteiro mostrou sempre muito bem ao que vinha. Quem pretende enganar?! 

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