segunda-feira, outubro 15, 2012

O QUE HÁ DE FÓSSIL NO CONGRESSO ALTERNATIVO?

Quase tudo. Não há nada a esperar dos Fósseis de Esquerda que se reuniram no Congresso das Alternativas, já dispersos, cada qual para as suas calças de marca, para os seus amendoins e cervejas e o pessoal impostor do PS, Isabel Moreira, João Galamba, Sérgio Sousa Pinto de volta ao nicho, ao casulo protector de Esquerda-Quando-Interessa do NeoCarbonário Soares. Em Portugal percebemos bem isto e os Açores disseram-no com o voto: quando uma multidão com centenas de milhares de legítimos amedrontados e desesperados cidadãos vem para a rua, a Esquerda Fossilizada pensa que a sua hora milenarista chegou. Mas assim que tenta cavalgar essas turbas espontâneas, elas desmobilizam-se como que por um efeito de repulsão. BE e PCP atraem pelo seu sonhadorismo humanista utópico e repelem pela falta de chão que nos fornecem a cada momento chave ou pela interesseira condescendência com governos despesistas e subsidiaristas, como os últimos do PS. Ora, o Congresso disseminou nas suas conclusõs os chavões vazios de sempre: dinamização da economia, da subida dos salários, da redução das desigualdades, do aumento da transparência, da valorização dos nossos recursos e do interior, do reforço da voz de Portugal no mundo, mas não é referido de onde vem o dinheiro e a riqueza para materializar os seus pontos de ordem: «Retirar a economia e a sociedade do sufoco da austeridade e da dívida: denunciar o Memorando». Não há dinheiro. Não há tempo a perder, mas os Alternativos do Congresso defendem: 1. Eleições para que o povo legitime democraticamente os defensores destas propostas. 2. Uma vez eleitos, denúncia do Memorando. 3. Proposta à Troika de renegociação da dívida pública e da dívida bancária. 4. Como há a noção de que a reestruturação da dívida apenas seria possível «num quadro europeu mais favorável do que o actual, há que preparar-se para uma resposta da Troika que passa pela suspensão do financiamento acordado até 2013, segundo uma atitude negocial determinada que exigiria que a resposta ao corte do financiamento fosse a declaração de uma moratória ao serviço da dívida: não pagamos os juros» [...] 6. Em caso de expulsão do euro, não ficar paralisado; buscar alianças com outros países em dificuldades e, a partir daí… o debate: «Não há que ficar paralisado pelo medo. Mas não há também que eludir os perigos e a dificuldade da escolha.». Portanto, o Congresso das Alternativas foi bonito, pá, mas não trouxe, pá, nada que o século XXI, o mundo ocidental e oriental possa realisticamente compreender sob uma luz pragmática e exequível. Por isso é que a rua foge do PCP e do Bloco, quase extintos nos Açores. Quando as massas de idosos e jovens culturalmente sem palas se vêem cercados de Esquerda Ululante em aproveitamento das ondas e moções espontâneas da rua, fogem dessa suposta Esquerda das Greves Abusivas e Oportunistas, fogem da iconoclastia institucional como qualquer de nós se desvia de Testemunhas de Jeová, quando atravessam a rua a fim de nos espetar com a Palavra Unívoca do Senhor pelos cornos abaixo. Os Açores votaram e os Continentais votariam igualmente contra o radicalismo do protesto sem carisma nem projecto. Tudo é muito mais complexo que advogar ou conceber a saída do euro sem que tal não equivalha para Portugal a um Novo Terramoto de Lisboa, ainda pior que o histórico e eventual. Bem sei que quer Bloco quer PCP serão incapazes de concluir friamente o quanto esse cavalgar da rua os penaliza e enfraquece nas urnas. Paradoxalmente, no paroxismo do esbulho fiscal em decurso PCP e Bloco saem de joelhos, quase extintos da refrega eleitoral açoreana. Não temos ultra-radicais Syriza de Esquerda nem Anarcas que se se vejam. Isso por cá contraria os nossos princípios de coesão e solidariedade intergeracional: um pai não se deixa sangrar nem matar sob bastões por amor dos seus filhos e por respeito a seus pais e avós. A única reacção da nossa juventude é trabalhar no que há, emigrar mal possa, brilhar na ciência, na gestão, na investigação, por esse mundo fora, lutar por si e pelos seus, sair, experimentar, cidadãos do Cosmos. Só com resiliente denúncia e pacífico protesto massivo nas praças e ruas por todo o País foi possível remover a política rançosa, impostora de ultradireita rapinadora de Sócrates da mesma forma que só assim será possível pressionar este Governo pelo combate decidido às isenções e privilégios obscenos da Oligarquia Político-Económica. PCP e BE teriam um papel a cumprir pelo máximo de equidade neste momento crítico, se quisessem, se se modernizassem. Em vez disso, fantasiam revoluções e rupturas que a sabedoria geral de um País encanecido e experiente rejeita liminarmente. O preço a pagar por essa petrificação é alto: a extinção, a irrelevância. Para nós, o peso diminuto das Esquerdas Alternativas é indiferente. Nem com mil congressos alternativos perceberão isto.

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