Quase tudo. Não há nada a esperar dos Fósseis de Esquerda que se reuniram no Congresso das Alternativas, já dispersos, cada qual para as suas calças de marca, para os seus amendoins e cervejas e o pessoal impostor do PS, Isabel Moreira, João Galamba, Sérgio Sousa Pinto de volta ao nicho, ao casulo protector de Esquerda-Quando-Interessa do NeoCarbonário Soares. Em Portugal percebemos bem isto e os Açores disseram-no com o voto: quando uma multidão com centenas de milhares de legítimos amedrontados e desesperados cidadãos vem para a rua, a Esquerda Fossilizada pensa que a sua hora milenarista chegou. Mas assim que tenta cavalgar essas turbas espontâneas, elas desmobilizam-se como que por um efeito de repulsão. BE e PCP atraem pelo seu sonhadorismo humanista utópico e repelem pela falta de chão que nos fornecem a cada momento chave ou pela interesseira condescendência com governos despesistas e subsidiaristas, como os últimos do PS. Ora, o Congresso disseminou nas suas conclusõs os chavões vazios de sempre: dinamização da economia, da subida dos salários, da redução das desigualdades, do aumento da transparência, da valorização dos nossos recursos e do interior, do reforço da voz de Portugal no mundo, mas não é referido de onde vem o dinheiro e a riqueza para materializar os seus pontos de ordem: «Retirar a economia e a sociedade do sufoco da austeridade e da dívida: denunciar o Memorando». Não há dinheiro. Não há tempo a perder, mas os Alternativos do Congresso defendem: 1. Eleições para que o povo legitime democraticamente os defensores destas propostas.
2. Uma vez eleitos, denúncia do Memorando.
3. Proposta à Troika de renegociação da dívida pública e da dívida bancária.
4. Como há a noção de que a reestruturação da dívida apenas seria possível «num quadro europeu mais favorável do que o actual, há que preparar-se para uma resposta da Troika que passa pela suspensão do financiamento acordado até 2013, segundo uma atitude negocial determinada que exigiria que a resposta ao
corte do financiamento fosse a declaração de uma moratória ao serviço da dívida: não pagamos os juros» [...] 6. Em caso de expulsão do euro, não ficar paralisado; buscar alianças com outros países em dificuldades e, a partir daí… o debate: «Não há que ficar paralisado pelo medo. Mas não há também que eludir os perigos e a dificuldade da escolha.». Portanto, o Congresso das Alternativas foi bonito, pá, mas não trouxe, pá, nada que o século XXI, o mundo ocidental e oriental possa realisticamente compreender sob uma luz pragmática e exequível. Por isso é que a rua foge do PCP e do Bloco, quase extintos nos Açores. Quando as massas de idosos e jovens culturalmente sem palas se vêem cercados de Esquerda Ululante em aproveitamento das ondas e moções espontâneas da rua, fogem dessa suposta Esquerda das Greves Abusivas e Oportunistas, fogem da iconoclastia institucional como qualquer de nós se desvia de Testemunhas de Jeová, quando atravessam a rua a fim de nos espetar com a Palavra Unívoca do Senhor pelos cornos abaixo. Os Açores votaram e os Continentais votariam igualmente contra o radicalismo do protesto sem carisma nem projecto. Tudo é muito mais complexo que advogar ou conceber a saída do euro sem que tal não equivalha para Portugal a um Novo Terramoto de Lisboa, ainda pior que o histórico e eventual. Bem sei que quer Bloco quer PCP serão incapazes de concluir friamente o quanto esse cavalgar da rua os penaliza e enfraquece nas urnas. Paradoxalmente, no paroxismo do esbulho fiscal em decurso PCP e Bloco saem de joelhos, quase extintos da refrega eleitoral açoreana. Não temos ultra-radicais Syriza de Esquerda nem Anarcas que se se vejam. Isso por cá contraria os nossos princípios de coesão e solidariedade intergeracional: um pai não se deixa sangrar nem matar sob bastões por amor dos seus filhos e por respeito a seus pais e avós. A única reacção da nossa juventude é trabalhar no que há, emigrar mal possa, brilhar na ciência, na gestão, na investigação, por esse mundo fora, lutar por si e pelos seus, sair, experimentar, cidadãos do Cosmos. Só com resiliente denúncia e pacífico protesto massivo nas praças e ruas por todo o País foi possível remover a política rançosa, impostora de ultradireita rapinadora de Sócrates da mesma forma que só assim será possível pressionar este Governo pelo combate decidido às isenções e privilégios obscenos da Oligarquia Político-Económica. PCP e BE teriam um papel a cumprir pelo máximo de equidade neste momento crítico, se quisessem, se se modernizassem. Em vez disso, fantasiam revoluções e rupturas que a sabedoria geral de um País encanecido e experiente rejeita liminarmente. O preço a pagar por essa petrificação é alto: a extinção, a irrelevância. Para nós, o peso diminuto das Esquerdas Alternativas é indiferente. Nem com mil congressos alternativos perceberão isto.
«After he has suffered, he will see the light of life and be satisfied; by his knowledge my righteous servant will justify many, and he will bear their iniquities.Therefore I will give him a portion among the great, and he will divide the spoils with the strong, because he poured out his life unto death, and was numbered with the transgressors. For he bore the sin of many, and made intercession for the transgressors.» Isaiah 53
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