terça-feira, outubro 02, 2012

ORGIAS DE DESENTENDIMENTO PCP/BE

Hipocritamente, há quem considere que a união, uma qualquer forma de união, entre o PCP e o BE seria fantástica para o Regime a que os situacionistas da porcalheira oligárquica portuguesa apodam de democracia, mesmo que esse casamento implicasse um efeito espantalho tal que as respectivas margens de apoio, em terror pela ameaça de saída antecipada do Euro, se sumiriam ao primeiro arremedo eleitoral. No entanto, dizer apoiado a dois partidos fundidos que nunca quiseram ser Poder [porque ser Poder equivale a crassa impopularidade], dois partidos que nunca apresentaram um corpus de ideias que efectivamente uma maioria de nós subscrevesse é muito pouco para o que quer que seja. Como isso tem sido antinatural e impossível, não suponho como essas duas agremiações de protesto [muito diferentes das multidões que extravasam as praças, quando o querem, e não estão nem querem estar mais ideologizadas que a ideologia da dignidade esbulhada por socialistas e sociais-democratas] superarão o automatismo genético da competição e da autofagia. Espera-se mais do mesmo. Na vida real, nada há a esperar de partidos que viveram das migalhas do sistema como abutres dos seus sinais negros e caminhos de entropia: as empresas públicas estão falidas e calamitosas? Faça-se mais greves. Infelizmente não serão estes partidos nas suas orgias de desarmonia a chamar o Governo Passos à terra. Passos veio trazer um darwinismo inédito ao resto de Regime em Frangalhos, inoculado-nos, do pé para a mão, com toda a sorte de incertezas e a percepção acrescida de injustiças. E isso parece-me imperdoável. Veio fazer-nos justiça, proteger os cidadãos, limpar de socratismos o Regime e a Economia? Não. Veio darwinizar Portugal a toque de caixa. Relvas é o pontífice dos novos negócios e dos novos contactos que privatizarão, africanizarão e brasileirizarão a nossa economia, o que até pode nem ser mau, desde que a comissão do super-ministro passe despercebida. No meio do caminho, estamos nós. Temos de ir à rua pressionar este Governo para que não nos lixe. Actue, renegoceie, altere, extinga, oblitere PPP, remova rendas abusivas da EDP, corte rente as isenções fiscais e apoios às Fundações. Mostre serviço. O relógio está a contar e a paciência pode esgotar-se de filho da puta para cima.

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