sábado, março 31, 2012

A TERNURA DA EXTINÇÃO

Não deixo de sentir uma enorme ternura pela decorrente manifestação contra a fusão de freguesias, neste sábado à tarde, em Lisboa. Basta olhar para mim, um bairrista feroz pelo menos vinte anos da minha vida aqui por Gaia, recanto onde nasci. Por Lisboa, porém, o que se vê é a festa do protesto: desfile de diversidade, com ranchos folclóricos, associações culturais, recreativas e desportivas. Talvez nada impeça a metamorfose toponímica contra a qual lutam esses bravos portugueses no seu festivo esbracejar de náufrago: há tanto século acumulado, tanta vida, nesses lugares, lugarejos, freguesias, deliciosos pardieiros espirituais do País que o topónimo parece um absoluto. Mas os jovens e os velhos que hoje provincianizam a Capital sabem que terá valido bem a pena fazer a festa do protesto.

DOCE LAR

NUM QUALQUER PAÍS CIVILIZADO

«Sócrates comprometeu o país para lá das nossas vidas. Comprometeu os nossos filhos. Destruiu em 6 anos o que leva mais de uma geração a pôr direito. Como é que um líder de um partido que esteve por detrás deste caos pode resistir à tentação de ocultar isto? O que dizem Costa, Pedroso, Assis e outros notáveis vermes é o equivalente a ter nos dias de hoje o Partido Nacional Socialista da Alemanha a dizer que o seu grande líder histórico teve um lado bom. Fez autoestradas e desenvolveu a indústria. Devolveu o orgulho ao povo alemão e era um homem carismático. Quem é que seria tão estúpido ou ignorante que poderia ficar calado perante tais afirmações. Sócrates e todos os seus sabujos do PS foi o grupo mais despudorado e criminoso que governou este país. Nem quando estivemos debaixo da mão da Coroa Espanhola se fez tanto para destruir Portugal. O que esta gente nos roubou foi o futuro. Foi a esperança de que este país possa um dia ombrear com a Europa em condições iguais. Roubou-nos o dinheiro, a honra e o amor próprio. Num qualquer país civilizado eles estariam no banco dos réus a responder por traição.» Groink

ISABEL MOREIRA, BEATA DE ESQUERDA

E, perguntarão vocês, o que é uma 'beata de Esquerda? Além do monotematismo fracturante daquela cabeça perdida, ser beata de Esquerda é, por um lado, adoptar no Parlamento um voto hipócrita contra o código laboral e, por outro, emitir um voto cretino contra uma boa, urgente e clarificadora Lei do Enriquecimento Ilícito. Duas beatices, portanto. Uma emperra a mobilidade e dinamismo fundamentais no mercado estagnado e desigualitário de trabalho equiparando-o ao dos países mais prósperos. A outra não passa de servicinho sujo para proteger a vida airada e impune dos exilados de luxo, mas cujo luxo foi tão instantâneo quanto inexplicável.

TRÊS CRETINOS

Estava agora mesmo a ter o azar de assistir a um plácido e pachorrento programa 'Avenida da Liberdade' na RTPInformação a três vozes, Carlos Amaral Dias, sempre a evocar o seu cínico Levítico, Daniel Proença de Carvalho, a braços com a prodigiosa separação do Advogado de Sócrates do comentadeiro politico e, enfim, o peneirento vocal Nuno Santos, pivot da coisa. De lugar-comum em lugar-comum, quando o tema passou a ser fatalmente o fantasma de Sócrates, o três convergiram nessa ideia peregrina de o Primadonna se ter transformado no injusto "bode expiatório" do Povo Português. Resumindo muito as ideias enviesadas dos três, a coisa vai mais ou menos assim: «Deixem o homem em paz na sua vida privada!» ou «A Opinião Pública é muito volátil e há lógicas de rebanho nas críticas injustas e ataques que lhe fazem!» Portanto, nós, cidadãos, somos horda, qualquer coisa de absolvente e serena. Eles, políticos desonestos e cretinos com o nosso dinheiro e sobretudo com o nosso futuro, não têm de prestar contas nem pagar pelos ilícitos praticados a frio. Podemos ter sido prejudicados e roubados por um ciclo político abominável, mas para o Nuno, o Daniel e o Carlos não houve crimes político-financeiros perpetrados; não houve excessos, perseguições ou bulliyng e toda a sorte de condicionamentos mediáticos abusivos; não houve abusos de poder; não ouve e há o problema escandalosamente óbvio de um enriquecimento ilícito absolutamente inexplicável e por explicar de uma clique, uma facção, um só homem deslavadamente em Paris; não houve a condução de Portugal à falência contraindo dívida criminosa e irresponsável ao longo de seis anos; não houve o abichar comissionista corrupto de luvas por cada negociata PPP grosseiramente lesiva do Interesse Geral e suculenta ao próprio bolso e ao dos amigos. Daniel, Carlos e Nuno, três gajos ricos, felizes. Peroram sorridentes a sua versão anestesista e conveniente à História Nacional recente. Três cretinos que nunca sentirão na pele quaisquer dos efeitos e quaisquer das consequências daquela crassa desonestidade política.

PÁL SCHMITT, SANTA DEMISSÃO QUE NÃO TIVEMOS

Pál Schmitt, o Presidente húngaro, está em apuros depois de o seu doutoramento ter sido anulado, investigado e concluído ter sido plagiada parte significativa da tese que apresentou em 1992. Lá, a pressão por que se demita é grande. Cá, por muito mais que isso, preferiu-se ignorar a gravidade vergonhosa de uma pseudo-licenciatura. Lá, toda a gente exige a Pál que saia. Cá, perseguiu-se o mensageiro e respaldou-se o péssimo exemplo até ao corolário da sua obra: falir Portugal.

O LADO B DE ZORRINHO

Nunca percebi por que cargas de água Zorrinho se tornou líder parlamentar do PS. Prémio por bons ofícios nos Governos passados? Não se pode olhar para ele e conceber incompetência técnica e saber. Pelo contrário. Mas político, no sentido rasca e socialista do terno, isso ele também não é e, se tenta ser, falha porque não funciona segundo o registo cínico da porca política a que os socialistas habituaram o País. Não está na massa do actual líder parlamentar dos socialistas dar-se aos contorcionismos morais a que a política doméstica, segundo o Partido Socialista, obriga. Contestado na liderança da bancada por divergências em temas como a votação do código laboral (cujo acordo foi elogiado pela Troyka), na qual, por motivos de coerência perante os observadores internacionais, o PS vai abster-se. A situação é crítica. Não a simplificar o facto de a aprendiz Isabel Moreira votar como independente a seu bel-prazer, numa atitude híbrida entre a rebaldaria desafiadora e a rebeldia por conta própria, indo contra a disciplina de voto. As alterações aos estatutos do partido também são um pomo de discórdia. Quem se demitirá?

TRÊS LANTERNAS QUE ALUMIAM DUAS VEZES

Tem de se dizer isto, e já, antes e para além do desfecho favorável ou desfavorável nas competições em que apostaram tudo: Sá Pinto, no Sporting Clube de Portugal, Leonardo Jardim, no Sporting de Braga, e Pedro Martins, no Marítimo, são três casos evidentes de mérito e valor, liderança e espírito de conquista. Infelizmente, pelo menos nesta época, não se pode dizer nada o mesmo de Jorge Jesus e sobretudo de Vítor Pereira. Bem podem os respectivos clubes trocar de cromos, logo que possível.

HERANÇA EXECRANDA. DESTINO ZERO

«No PS, a herança de Sócrates continua a ser um motivo de amargura e divisão. Sócrates deixou uma parte da sua gente no grupo parlamentar (como, de resto, costuma suceder) e até uma facção de apoiantes no partido. O que, em princípio, não faria mal a ninguém, se o país não o execrasse e não lhe atribuísse a responsabilidade da crise. Um chefe falhado, como foram muitos, custa pouco a esquecer, excepto a quem tiver de viver com as consequências do que ele fez; e as consequências do que Sócrates fez doem dia a dia a milhões de portugueses. Por isso, o PSD, e a direita em geral, não hesita em o usar contra Seguro e, como anteontem escreveu Assis, o “fantasma” dele, mesmo na ridícula escola onde se resolveu meter, paira ainda sobre a política portuguesa. Isto atormenta as cabeças pensantes do PS, que não descobriram ainda a maneira de o enxotar. A tese principal, que a maioria das “notabilidades” defende, é a de que o partido precisa de apreciar serenamente o consulado de Sócrates (“sem uma relação psicótica” com a criatura) para distinguir entre o “bom” e o “mau” e para, como é óbvio, guardar o “bom” e rejeitar em definitivo o “mau”. A ideia infelizmente presume que há um lado “bom” e um lado “mau” na confrangedora passagem de Sócrates pelo governo e pelo PS. E presume também — uma hipótese muito mais perigosa — que o inventário está fechado e que nenhum outro episódio dessa aventura, até agora escondido, virá tarde ou cedo à superfície para embaraço de Seguro ou dos seus sucessores. O “fantasma”, embora fugitivo, não desapareceu. O número não só de socialistas mas de portugueses, que no seu tempo ele enganou ou encorajou por vias pouco apropriadas, não permite imaginar um sumiço total e expeditivo. Basta ver como alguns velhos colaboradores tomam hoje uma distância prudente quando se fala do homem. A estratégia de Pilatos, no caso, não se aplica. Porque a verdadeira questão não é a simples presença do cavalheiro, com a sua irresponsabilidade, arrogância e autoritarismo, reinando sobre um Portugal apático. A questão é a de explicar como ele conseguiu submeter à sua vontade um PS aprovador e dócil e, quase sem protesto, levar atrás de si (ou persuadir ao silêncio) uma considerável quantidade de pessoas com idade para ter juízo. A reconciliação interna do PS como a reconciliação do PS com os portugueses pedem mais do que uma “autocrítica”. Pedem um destino. E que destino nos pode o PS agora oferecer?» Vasco Pulido Valente

BB OU O ETERNO FLATO DE ESQUERDA

Escreve Baptista-Bastos que «O Partido Socialista teve, anteontem, na Assembleia da República, uma excelente ocasião para se redimir das evasivas políticas, das ambiguidades e dos desvios que têm caracterizado a sua trajectória.», mas é óbvio que não há redenção para tal partido e muito menos passaria ela por desconstruir, descontinuar e desunir o que a Troyka — UE, FMI e BCE  uniu e construiu.

sexta-feira, março 30, 2012

O BENIGNO FIM DA PÁTINA FICCIONAL

«Em menos de um ano, não só mudou o ruído de fundo (não se ouviu o pupilar dos pavões dos jardins de S. Bento) como se alterou o registo. Não há mistificação, não há ilusões e, muito menos, ficção científica a cores e exibida nas mais sofisticadas plataformas de acesso.» JG

QUASE TUDO POR FAZER

«A inimaginável burocracia com que Maria de Lurdes Rodrigues vergou os professores está incólume. Continua a chusma de reuniões caricatas, que para nada servem. Persistem siglas, planos e projectos estéreis. Agruparam escolas e agora agrupam agrupamentos. Cortaram cabeças pensantes e enxertaram no seu lugar regulamentos castrantes. Os resistentes são raros. Esta cultura instalou-se. Os professores “funcionam” cada vez mais e ensinam cada vez menos. Tornaram apáticos os professores, intranquilos os alunos e resignados todos, pais também. Balcanizaram, espalharam a descrença e o desânimo. Este “sistema” não é, certamente, o sistema cuja eficiência a “troika” queria que fosse melhorada.» Santana Castilho

DEPOIS DO TIRO AO ÁLVARO, TIRO AO INSEGURO

A 'elite' socialista, onde pontifica António Costa, espécie de Buda Sentado do socialismo far far away, muito, muito além da ralé que somos todos nós, os não-socialistas, não tem sossego nem se dá sossego. Não tem coragem de execrar a herança danada dos últimos anos, e seria tão simples, mas atreve-se a fragilizar a liderança de António José Seguro, afinal um líder tão mais humano, normal, tão mais norteado pelo que é decente e ético e aprovável. Seguro, no fim de contas, é melhor que a soma das partes que compõem a agremiação devorista do Rato. 

DA REESCRITA PROSTITUÍDA DO PASSADO

Tem sido divertido tentar retirar da cova de distorções e insultos a serpente anónima Valupi que lá se acua com as suas plúrimas vozes endemoninhadas, não fosse aquele antro um lugar de reverberação abjecta e ventriloquia de mentiras que disfarçam crimes. Para contornar toda a nojeira conspirativa perpetrada por um chefe de Governo contra a liberdade editorial de uma estação televisiva independente, a TVI, logo, contra o Estado de Direito, Valupi resolve que as escutas a partir de Aveiro, no seu rastreio fortuito e indirecto, é que foram um «atentado contra o Estado de direito». Para quem se fartou de conspirar contra tudo e contra todos, a fim de conservar o Poder e a posição de poder para negócios ruinosos contra Portugal, tudo nos demais não passa de conspiração contra si e por isso, segundo o intelecto prostituído do Valupi, o flagrante aveirense à corrupção massiva praticada pelo socratismo não tinha como objectivo proteger Portugal de abusos de poder, proteger-nos dos excessos no exercício de funções públicas e de crimes hediondos com o dinheiro de todos, mas o simplório objectivo de as revelações desse putrescente consulado caírem «em cima do período eleitoral de 2009». Compreende-se que VaLupanar não mostre o nome, não se exponha: pode ser intelectualmente obsceno à vontade, tratando abaixo de canídeo tudo o que não seja Sócrates. Ninguém como o Val-de-Verdete para espancar até a velha e obesa pátina do Partido Socialista e dar de barato que, se não tivesse sido Sócrates a liderar-sufocar Portugal, teria sido António Vitorino: «o partido confrontou-se com o candidato da esquerda bacoca, Alegre, o candidato da esquerda dinástica, João Soares, e o candidato do futuro da esquerda, o enérgico Sócrates.» O enérgico Sócrates, escreve ele. Sim, enérgico nas diligências que desbloquearam a reserva dos flamingos, nisso soube ser enérgico e em oportunismos equivalentes. Enérgico a aviltar gente. Se o partido não teve qualquer dificuldade na escolha entre os três estarolas, agora bem pode arrepender-se amargamente do quinhão desastroso de que a história rezará. Escreve Valupi que «o novo secretário-geral cercou-se da melhor inteligência à disposição nas hostes, de que o paradigmático exemplo é o de Augusto Santos Silva, apoiante de Alegre, o qual viria a integrar o núcleo mais íntimo de decisão estratégica e daria o corpo às balas na defesa do Governo, do PS e de Sócrates.» Eis o que é sinistro: chamar inteligência à língua de pau e fazer integrar no grupo dos supostos inteligentes ASS, um mero robot debitador de rugosidades e crispações estéreis. Depois há uma parte cómica do longo excurso delirante da Geixa Valupi: considerar traumático para os demais os debates com Sócrates. Valupi acha que havia no Primadonna um «gosto sanguinário pelo debate». Mas como chamar sequer “debate” a qualquer interacção verbal com esse espécimen? Um debate tradicional e civilizado com Sócrates era uma tarefa impossível tal como seria impensável e impossível com qualquer desequilibrado, chantagista e histérico ou concebível com uma personagem execranda, estou a pensar, por exemplo, em Cunhal: qualquer histérico, mesmo num Parlamento, aparenta ganhar debates e ilude superiorizar-se aos demais apenas por uma questão de tom de voz no teatro insolente da violência verbal gratuita. Não era uma questão de autoritarismo somente, mas de loucura autoritária, de possessão obsessiva pelo controlo das multidões, através dos media, como se de uma consola pavloviana tipo playstation se tratasse. Odiar a pantomina estéril, excluidora, rebaixatória, e artificial que o sociopata Primadonna e os seus corporizavam, foi uma consequência natural a que ninguém resistiu, nem Belmiro de Azevedo, nem Alexandre Soares dos Santos, nem Francisco Louçã nem Jerónimo de Sousa, quase ninguém pôde suportar uma nódoa sem humanismo ou sentido do Interesse Colectivo no exercício desonesto e facínora do Poder. Se toda a gente, toda!, atacava e ainda ataca tal espécimen, não se pode considerar sequer a hipótese de toda a gente estar errada ao mesmo tempo. O erro era a pessoa errada a quem Valupi submete o Céu e a Terra. Se, nas palavras passionais e gueixas desse alucinado, o indivíduo político execrável Primadonna vê-se crivado de «difamações e calúnias» a ironia é que, para cada suposta difamação e para cada suposta calúnia, há a chatice da correspondência, a chatice de tudo bater certo. A partir daqui, todo o argumentário falacioso em que recalcitre é do domínio da mais negra e fantasiosa fantasia. Para tal doença não há antídoto.

TER UM

O cérebro humano é um Milagre. Ainda mais espantoso que o resto do Cosmos, mesmo do que dele reste descobrir e compreender, que é imenso. O cérebro humano não é um objecto, mas uma estrutura. Afinal bem simples. Ancorados num fanatismo partidário réptil ou numa clubite torpe e sanguinária, muitos portugueses necessitariam, muito simplesmente e com urgência, de ter um. Ler blogues poderia ajudar. Antes que seja tarde.

ASSIS, A METRALHADORA FALANTE DO PS

Tal como Miguel Relvas no PSD, Francisco Assis é das poucas metralhadoras falantes da política nacional. Prodígio de uma oralidade supersónica e vácua pró-socratina, perito na retórica política de encher socialista, a Assis não lhe foi dado compreender um aspecto que o condena a uma imensa desvantagem e a um indelével estigma no confronto com o passado governativo socratesiano, estigma esse e desvantagem essa, pelo menos parte dele e parte dela, por haver Facebook, outra parte por haver Correio da Manhã, outra por haver bloggers obstinados, outra ainda por, no fim, haver quem some dois mais dois e estranhe tanto fumo e quase nenhum fogo que consuma alguma coisa: ser do PS é, hoje, um problema monstruoso deixado, como uma bomba ao retardador, nas mãos dos remanescentes que ainda se atrevem à exposição pública. Tendo feito o que fizeram, como é que se pode ter face? Sempre que borbota um Lello ou um ASS ou mesmo um Vitalino nas TV, é a aparição negra dos membros de um gangue de rufiões afeitos ao bullying mediático. Nada mais bicudo, portanto, que a pertença a um partido que recentemente se comportou com tamanha, inimaginável, avidez em cima dos Orçamentos, contraindo dívida pública com uma leviandade forno-crematória auschwitziana  passe a hipérbole , e alijando longe a responsabilidade. Nunca será de mais repetir isto porque um País não será digno dos seus pais nem será digno dos seus filhos e netos se o não souber e não o fizer saber: em trinta e oito anos, outros foram corruptos, outros lesaram o Estado e os cidadãos muitas e muitas vezes. Mas ninguém foi tão longe como aqueles que o lula Assis se atreve a defender no tal registo metralhadora falante. Ninguém reincidiu no mais grosseiro dano à Pátria de forma tão escabrosa e grosseira como eles. Ninguém usou todas as armas do logro e do dolo em sede pública, com a sua legião de interventores mediáticos, a fim de em proveito próprio e dos amigos, dobrar pruridos, dourar pílulas, explodindo com a dívida pública e morra Sansão e quantos aqui estão. Apesar dos esforços de Luís Montenegro, no Congresso do PSD, uma vez mais imperou a suavidade na alusão aos casos e processos ultradespesistas PPP, Parque Chular, Contratos Ruinosos, suavidade na esteira nobre e correcta, ou pactuante, de Passos Coelho. Há, porém, limites para a mansidão. O que se sabe e vai sabendo com os piores efeitos e as mais gravosas repercussões  nos nossos velhos desamparados, nos nossos jovens de sucesso escolar induzidamente mentiroso e desemprego garantido a jusante da ensinomediocridade; nos nossos adultos com 30, 40, 50 anos, e, agora, ou encalhados no sórdido impasse chamado desemprego ou encalhados na outra face do mesmo impasse cretino chamado precariedade , revela com cristalina crueldade que Portugal foi violado. Repetidamente. O estuprador anda a monte. Insiste no seu pérfido estatuto de isento. Ninguém percebe porquê. Muitos declaram-no inacessível a inspecções e a escrutínios, após a vindima eleitoral, embora absolutamente imperiosos e naturais em sociedades saudáveis e normais, sugerindo que esse não é nem pode ser o caso português. Os cidadãos que se amanhem com todos os sinais do saque.

PARA SEMPRE, MESTRE MILLÔR!

«Entre 1964 e 1974, Millôr Fernandes escreveu regularmente para o nosso Diário Popular. Não digo que foram esses os seus anos mais férteis, porque até aos 88 manteve uma genialidade constante, insofismável. Mas foram anos em que o talento de Millôr andou especialmente à solta, no desenho e na crónica, na revista Pif-Paf, na colecção de maravilhas das letras brasileiras que forjaram O Pasquim, publicação subversiva e revolucionária, que em Portugal talvez tenha paralelo na revista Kapa. Esses foram também os anos que culminaram em Trinta Anos de Mim Mesmo, livro publicado em 1972 e um bom ponto de partida para o que Millôr escreveu nas primeiras décadas. Em Portugal Millôr não sabia que tinha um leitor no governo: Salazar. Diz-se que, comentando com algum ministro as suas crónicas, Salazar terá soletrado: “Este gajo tem piada. Pena que escreva tão mal o português.” Difícil não ficar siderado. Como era possível que Salazar achasse a prosa de Millôr mau português? Mau português as Notas de um ignorante, uma das mais belas crónicas da nossa língua? Mau português as centenas de frases e aforismos de Millôr, hoje reunidas em A Bíblia do Caos? Millôr deve ter sabido da história. Em Currículo, um texto tipicamente millôriano, porque desafia as leis gramaticais e outras, ele escreve um texto que funciona como sucessão de frases cortadas, omitindo sempre o facto essencial: “Millôr Fernandes nasceu. Todo o seu aprendizado, desde a mais remota infância. Só aos 13 anos de idade, partindo de onde estava (…) Quando o conheceu em Lisboa, o ditador Salazar, o que não significa absolutamente nada.” Mas não é estranho que Salazar tivesse embicado com o estilo de Millôr, ou com a ausência de estilo, já que o brasileiro se definia precisamente como um “escritor sem estilo”. Estava ali o choque frontal entre um ditador e um humorista. Um ditador pensa que é o mais livre dos seres, quando na realidade é o mais enclausurado, preso às malhas que sustentam o seu próprio poder e à ilusão que estabelece no povo. Um humorista, pelo menos como Millôr, só pode ser um espírito livre, desafiando todos os poderes e todas as normas; só pode ser radicalmente contra a obediência imposta, o politicamente correcto, a subserviência de quem diz que sim a tudo, de quem segue cartilhas, de quem age e pensa em manada. “Nada é mais falso do que uma verdade estabelecida”, diria Millôr. Quando em 1968 Millôr se apresentou aos leitores para uma coluna na revista Veja, começou assim: “E lá vou eu de novo, sem freio nem pára-quedas. (…) Quem é que sou eu? Ah, que posso dizer? Já não fazem Millôres como antigamente! Nasci pequeno e cresci aos poucos. Primeiro me fizeram os meios e, depois, as pontas. Só muito tarde cheguei aos extremos. E não me revolto. Fiz três revoluções, todas perdidas.” As pequenas prosas de Millôr Fernandes, contos fabulosos, composições lúdicas, às vezes exercícios surreais, outras vezes manifestos tão humanos quanto cépticos, foram a âncora de um homem que questionava tudo e, por isso, também olhava a esquerda e a direita com o mesmo realismo cínico: “A diferença fundamental entre direita e esquerda é que a direita acredita cegamente em tudo que lhe ensinaram, e a esquerda acredita cegamente em tudo que ensina.” Na América houve Mark Twain, que tinha também uma imaginação prodigiosa. No Brasil e na língua portuguesa houve Millôr Fernandes. Ontem morreu um génio.» Pedro Lomba

A JANGADA SPORTINGUISTA NA LIGA EUROPA

Parece um transatlântico ou um couraçado impávido: por isso mesmo aquele futebol saído da letargia e do desdém nacionais, de repente europeu, aparece fremente, imprevistamente solidário, capaz de suor e ambição. Pelo que promete, só pode redundar num título. Ou em dois.

NOVA TEORIA DO RE-ENGENHEIRO

Lê-se o que o 'probo' Toninho Morais amadureceu dizer em Tribunal acerca da pseudo-licenciatura do Primadonna e fica-se pasmo de impassibilidade perante mais treta estapafúrdia: para Morais, o pseudo-engenheiro já era engenheiro quando engenhava simular a célebre licenciatura instantânea. Mas esta versão nunca desabrochou da boca do próprio pseudo-licenciado-relâmpago porquê?! Depois, mais espantoso que isto, é haver comentadores saciados perante semelhante versão, ainda para mais vinda de um depoente 'honesto' e 'probo' como o Toninho, que é tão credível como o Pato Donald. E logo o Toninho Morais que também se celebrizou por causa do adorável esquema Cova da Beira. Em que País da informação vive um tal de Eduardo Tomé ao considerar que se fez barulho para nada? E como se pode rasgar alguma luz na mente de tão deliberados brutos e tão voluntários cegos?!

quinta-feira, março 29, 2012

O OCEANO PERPÉTUO

NUNCA É DE MAIS

AUTOFAGIA NUMA LIDERANÇA BICÉFALA

O PS está em crise aguda. Culpa? Muito simples: de Paris a ordem é rebente-se com a esperança, desorganize-se a recuperação nacional, culpe-se o médico, assassine-se a terapia, humilhe-se António José Seguro, coisa que tem sido feita com o mesmo zelo com que o marketing socratesco, o spin socratino, a assessoria imaginária socratesiana, nos garantia não precisarmos de intervenção externa nas vascas do colapso de tesouraria. Essa é a Cabeça Subliminar que ainda lidera esse Partido Saqueador e ainda lideraria, mesmo a partir da justa cela com que falta cumprir Portugal. A outra cabeça, titubeante e sofredora sobretudo no Parlamento, António José Seguro, não se opõe a que se apure e investigue o recente legado maravilhoso do Partido Sequestrador dos contribuintes. Nem se opõe se vasculhe quanto diga respeito ao brilhante ex-líder, que bem se poderia queixar de calúnia, caso não acumulasse à infâmia o máximo de proveito.

ONTEM, À BEIRA-ATLÂNTICO

O MUNDO À PARTE DE VÍTOR PEREIRA

Bastou uma época para percebermos os grandes méritos de Vítor Pereira. Em resumo, e para não enfastiar, o Vítor «... é bom a dar o treino.» Estas palavras são de Pinto da Costa, logo no início mais promissor da época e base a partir da qual justificou a contratação em cima do joelho. Para além dessa excelência, ficou demonstradíssimo que o Vítor não sabe motivar o balneário para além do momento em que a equipa esteja à frente de um marcador. Estar em vantagem num jogo, numa competição, suscita ao Vítor um raro e misterioso impasse. A partir de uma dada vantagem obtida, é empatar e ficar quase sempre a perder. Perder competições. Perder jogadores. Regredir nos desempenhos individuais e colectivos. Desperdiçar ganas, como a de Iturbe , tudo isto, sim, são medalhas a espetar na peitaça do Vítor. O que uma época não ensina.

DO JUÍZO DÚCTIL NO FUTEBOLÊS

Além do endeusamento universal da equipa do FC Barcelona que induz à indulgente cegueira ou ao duplo juízo, o vício de chorar perante arbitragens tornou-se, na sua admissão ou rejeição, qualquer coisa de tão flexível ou dúctil como as pernas da contorcionista chinesa que lhe embrulham o tórax. Se for o FC Porto a protestar com as arbitragens com demonstrações milimétricas em vídeo, ui que não se admite e tal. Se for Mourinho, pelo Real Madrid, a denunciar, como um guerreiro, roubos, a gritar aqui d'el-Rei quando as arbitragens fazem serviços sujos, é mediatismo do conflito e também não pode. Neste mundo, só o Benfica e o FC Barcelona podem dizer o que quiserem e como quiserem das arbitragens. Jorge Jesus, por exemplo, já superou os limites da decência algumas vezes. Mas nada aconteceu. O Sporting não conta. Demasiado a história do menino e do lobo. 

IRONIAS CAPITAIS

Há uma diferença abissal entre a concepção e a aplicação da pena de morte numa Arábia Saudita, num Irão e num Japão que nem é preciso explicar. As 'adúlteras' e os opositores políticos ou gays iranianos pagam um preço altíssimo pelo problema da sua liberdade e consciência. No Japão, percebe-se a extrema gravidade dos crimes assim sentenciados, o que me traz à mente os impactos colectivos da falta de Justiça e da gestão criminosa dos recursos públicos. Chegamos a um ponto em que é uma pena não haver nada de compatível com o grau de sofrimento e perda causados aos cidadãos por quem se supõe acima e para além de qualquer escrutínio simultâneo ou posterior ao nefasto exercício de responsabilidades.

JÁ SABEM ONDE PODEM ENFIAR O MANIFESTO

Está na moda a impunidade feliz. Ex-políticos vivem regalados depois de anos de Roubo, mas um Roubo naturalmente destinado à impunidade dos deuses. A impunidade das preciosas e douradas mãos de suas excelências intocáveis, os políticos, comparados connosco, a ralé que bem pode perder o 13.º e o 14.º e imputar a perda não à gestão danosa dos Governos de Saque Socratista, mas ao manso Passos. E no entanto, a impunidade vai toda para os políticos das licenciaturas instantâneas, os políticos do poder de aprovar o outlet em zona protegida de flamingos e o poder de aprová-lo-lo à última da hora pantanosa, certamente sem luvas no processo. Ruinosos enquanto tutelavam um Estado Soberano, mas absolvidos pela opinião que se supõe influenciadora da semovente parvalheira: basta ler ou ouvir Miguel Sousa Tavares, Daniel Proença de Carvalho, o Pífio Adão e Silva e o Nulo Marques Lopes, a clarividente espírito de breu Clara Ferreira Alves, na defesa por grosso da impunidade e dos interesses da impunidade, para perceber que há dois Países: o País de quem nos fode e escapa e o País de todos nós, os fodidos, sem escapatória nem indulgência. Há poesia em cada PPP criminosa e o lirismo de luxar em cada Parque Chular. Por isso vêm agora quinhentos arquitectos, até poderiam ser mil, com mais um daqueles manifestos manhosos a defender que podemos ser esbulhados com preços e escolhas arbitrários, que podemos ser esmagados de dívida e despesa com luxos para lá da nossa capacidade de pagar em gerações como se estivesse em causa a requalificação das escolas e não os abusos nesse processo. Mas o que está na moda é esse discurso em defesa dos Sujos: absolutamente daninhos para o Erário, enquanto 'conduziam embriagados' os destinos do País, e no entanto, passíveis de toda a espécie de defesa encartada. Ah e tal, os magistrados não se atiraram do mesmo modo aos governos de Cavaco, dizem. Mas quando é que pensam se deve começar a corrigir toda a porcaria instalada?! Nunca?!

quarta-feira, março 28, 2012

MST OU O PÂNICO DOS CRETINOS

«Não sei o que leva esta gente a estar tão absolutamente em pânico porque por uma vez na vida se está a escavar toda a porcaria que a classe política criou neste país. Sejam os magistrados, sejam os jornalistas, é um imperativo nacional acabar com isto. Mesmo que os cartões de crédito fossem "legais" que razão pode haver para que um Estado que vive apenas e exclusivamente dos MEUS impostos e dos outros portugueses dê 5000 ou 10000 euros por mês a um tipo que já ganha um bom bocado mais do que eu, para fazer despesas pessoais com o MEU dinheiro? Talvez MST esteja habituado a viver com o dinheiro dos outros. Ou talvez ache como uma boa quantidade de gente neste país, que tem direito a viver regaladamente com dinheiro que não é seu e pelo qual nada fez para merecer. A mim sai-me do lombo e levam-me mais de metade em impostos (entre IRS e outros impostos directos e indirectos) e fico lixado quando ainda me tiram mais porque gastaram todo o que me tiraram para viver regaladamente. Só posso tirar uma conclusão. Miguel Sousa Tavares é uma besta. E uma besta incontinente verbal.» Groink

O GRANDE CATAVENTO DA SAÚDE ALIMENTAR

Criado para nos fazer felizes, aparentemente o chocolate também nos fará mais magros, se efectivamente o comermos amiúde. E andamos nisto. Ora a reboque consumista de pesquisas que nos garantem juventude e sanidade acrescidas pela metódica ingestão de vinho tinto e frutos silvestres, enfim, onde o resveratrol abunde, ora a reboque de descobertas luminosas sobre alimentos sob suspeita, para infinito consolo de gulosos e redesenho no panorama universal de vendas ou, no fundo, manobras mediáticas para rápida evacuação de stocks. As massas movem-se segundo estes dois princípios imutáveis: ninguém quer morrer e ninguém quer morrer depressa. Tudo o que se puder fazer para adiar essa guia de marcha...

CRIMINALIZAR O QUE É CRIMINALIZÁVEL

«Nos últimos tempos apareceu nos jornais, a propósito da responsabilidade dos políticos pela nossa actual condição, a expressão ‘judicialização da política’. Sempre num tom cáustico ou desconfiado. Como nestas alturas a velha complacência portuguesa vem ao de cima, vale a pena pensar naquilo que pode ser essa judicialização. A expressão não me parece bem empregue. Há muito tempo que a política se judicializou. Os juízes são frequentemente obrigados a “fazer política”, ainda que o escondam, ou pelo menos a medir as consequências políticas das suas decisões. Quando se pede aos tribunais que julguem políticas públicas, o que é isso senão uma forma de judicializar a política? Quando o Tribunal Constitucional, como outros, considera, e bem, o rendimento de inserção um direito assente na dignidade humana, não existe aí judicialização da política? Quando os fautores do regime distribuíram uma pletora de controlos pelos tribunais, não estavam a judicializar a política? Os exemplos podem multiplicar-se. Em defesa da igualdade ou da protecção de bens públicos os tribunais escrutinam rotineiramente escolhas políticas e sociais. Podemos dizer, por exemplo, que o Estado Social depende da judicialização da política. Por conseguinte, não pode ser a judicialização da política que, neste caso, atormenta algumas opiniões. O problema está então em criminalizar a responsabilidade de quem nos meteu neste sarilho. Ora, devem os políticos responder só politicamente ou também criminalmente por ilegalidades que pratiquem? Devem ficar expostos a investigações e inquéritos como qualquer cidadão, ou a leis, processos e tribunais especiais? Devem responder por crimes gerais ou também por crimes especificamente desenhados para as suas funções? E por que géneros de crimes? Estas são dúvidas de princípio. Nada fáceis. Sem dúvida que o recurso aos tribunais com vista a punir condutas políticas ilegais e danosas pressupõe toda a cautela e razoabilidade. Por toda a parte as perseguições do poder judicial contra o poder político redundaram quase sempre em vitórias e derrotas para os dois lados, e com erros e indignidades pelo meio. Só por isso, a iniciativa da Associação Sindical de Juízes de querer levar a tribunal 14 ministros do anterior governo, por supostas despesas abusivas, é insensata e gratuita. Mas o absurdo deste último exemplo não pode servir, de nenhuma maneira, para prescindirmos da criminalização da actividade política. Em primeiro lugar, um Estado que se prepara para usar o Código Penal para perseguir cidadãos que prestarem declarações falsas não pode ser brando, por razões de justiça, com os crimes de responsabilidade em que incorram os titulares de cargos políticos. Segundo, não existe nenhuma democracia do mundo que não admita algum tipo de criminalidade especial para governantes e altos funcionários. Terceiro, não esqueçamos que, depois de largar o poder por vontade própria ou por perder eleições, resta apenas uma forma eficaz de responsabilizar um político: a criminal. E quarto, quando se sabe que um ministro, um secretário de Estado ou um gestor público autorizaram arbitrariamente encargos financeiros de milhões sem qualquer “mandato” legal, não vejo como é que tais actos podem ser outra coisa senão crimes devidamente tipificados. À justiça o que é da justiça. Parece-me um bom princípio.» Pedro Lomba

VALUPI, BICHAROCO GRUNHO PASSIONAL

Não se pense que não dou razão a Valupi quando assevera que o seu insano Sócrates não é uma figura banal na sua idiossincrasia. Gastei parte das minhas energias de blogger civicamente comprometido com a res publica a escrever precisamente sobre esse fenómeno de megalogro, colossal manipulação, gigantesca pefídia, não porque Sócrates fosse um burlão banal, mas porque significou a mais gigantesca golpada de sempre no Estado Português. Paradoxalmente, e isto faz pensar, nem mesmo uma distorção e uma batota de proporções bíblicas no seio da Governação para nos levar a acordar cedo, a tempo de evitar a derrocada. Se alguma coisa aconteceu lentamente, uma espécie de onda de lucidez na Opinião Pública e uma reacção gradual à medida [PSP, BE, CDS-PP, PSD, cidadãos], foi à força de muito post indignado e muita análise de comportamentos e palavras reveladores. Mas o que é a todos os títulos admirável é o quão longe Valupi, robot insuflável de boca arreganhada ao serviço da Mentira, leva os seus argumentos delirantes. Também não se conhece em Portugal prostituição intelectual e moral levada tão ao extremo épico na reconstrução narrativa da magnificência minorca do seu amante. Escreve ele que «os seus [de Sócrates] declarados inimigos [...] não o largam sugerindo algo mais do que oportunismo táctico, dada a intensidade das paixões expressas: tudo indica estarmos perante uma resposta do foro traumático.» Tem razão. A capacidade de adoecer gente, o prazer insistente de violentar sensibilidades e agir à contra-mão das palavras mexe com gente, mexeu connosco. Nos últimos seis anos, o que se viu foi o socratismo nihilista, cujas ideias eram o que viesse à rede e cujo programa foi o que soasse melhor. A partir de 2005, o que se fez foi isto: hostilizar gratuita e esterilmente sectores e grupos profissionais e, nas costas de toda a gente, entretecer fortes vínculos de cumplicidade entre empresas amigas do Partido Socialista-Estado-PS, cumpliciar toda a espécie de negócios ruinosos cuja autópsia só agora se vai fazendo. A isto, que não passava de manobras de diversão, chamou-se «bom senso» e «reformismo» mas sem o consurso dos reformandos como o extermínio de judeus também não plebiscitou o seu consentimento. Diante disto, vêm estes merdas socratesianos ufanar-se de terem modernizado o País. Que modernização foi essa se passou por aviltar, dividir e espezinhar professores? Para Sócrates a questão não era resistir às pressões corporativas e oligárquicas, mas criar outras corporações e uma nova oligarquia absolutamente fiel e fechada em torno do seu mando pessoal. Até finais de 2007 os resultados foram unanimemente reconhecidos como enganadores do interesse nacional e era uma dor de alma assistir à transigência e debilidade do PSD que não soube pôr cobro a isto com a sucessão de líderes que desfilaram. O buzz mentiroso estava tão intrincado, constringia tão anacondamente que quaisquer vozes em oposição da Grande Patranha não penetravam o grosso da Opinião Envenenada Pública. Daí a derrota eleitoral em 2009 do PSD e a vitória de Pirro do PS. A malícia triunfava mais uma vez. Nem a crise, nem a verdade emergente acerca do mau carácter político e suspeitosa índole humana de José Sócrates que a TVI ousou evidenciar, bastavam para esclarecer o perigo em que Portugal fora colocado. Os casos BCP e BPN transformaram-se em armas de manipulação política nas mãos socratesianas para contrabalançar o que algumas escutas confirmavam: ampla rasura dos fundamentos de um Estado de Direito: um primeiro-ministro playboy capaz de conspirar contra a liberdade de informação e em permanente desrespeito desdenhoso pelas demais instituições do Estado, especialmente a Presidência da República. Valupi pode saltar e dançar, nunca acabará de dourar suficientemente a pílula do MegaFacínora que, no perigeu da SemiDemocracia portuguesa, abocanhou o Poder como coisa sua e se arvorou em semideus ensandecido daquela. 

DOR DE BURRO

Sinceramente, não gostei de ver o Sport Lisboa e Benfica a perder à FC Porto, versão perdulária Vítor Pereira, obviamente. Perder assim é estar por cima e sair por baixo. Será alguma doença contagiosa esta incapacidade de motivar uma equipa com tudo para ganhar?! Se for uma doença, é súbita. Como a dor de burro.

terça-feira, março 27, 2012

UMA CASA-GIRASSOL

NÃO SE PODE PÔR AS MÃOS NO FOGO

Por quem sobrevive ou não às loucuras de Lloret de Mar. E infelizmente já não importa.

CONTRA A OBSCENA ISENÇÃO

Não percebo a que santo rezam os opinadores prostituidores da própria consciência na questão manhosa da judicialização da política. Só logram confirmar o quanto esta República está podre na medida em que se aceita como normal e não passível de escrutínio o rosário de crimes óbvios de um dado político amplamente sujo, mas elevado ao estatuto de santo benfeitor e mito intocável. Se esse político roubou descaradamente o erário público; se promoveu um sem-número de negociatas gravosas para as contas públicas; se arrastou com dolo o País para a bancarrota apenas pelo capricho de manter intactas as condições de reeleição, então os prostitutos da opinião que enfiem os seus pruridos quanto à suposta judicialização da política. Os políticos são cidadãos. Os políticos cidadãos convertidos em impunes e imunes são um escarro-em-gente nos demais cidadãos à sua mercê e não sujeitos à mesma obscena isenção arbitrária. Uma ditadura não faria pior. Não se pode despenalizar políticos que por incúria, malícia e avidez extremas em poucos anos explodiram com os equilíbrios financeiros de um Estado. Se esses políticos comprometeram gravemente o futuro dos nossos filhos, se de muitas maneiras lesaram o seu País, não é a pequena barganha das contas eleitorais que nos fará justiça. Democracia não é isto, ó vacas da opinião sagrada, cabras da cegueira facciosa! A lei que nos deveria fazer iguais, verdadeiramente iguais perante si, não passa de caricatura graças a delicados exílios e ainda mais delicados modos de defender o indefensável.

segunda-feira, março 26, 2012

EVERYBODY FUCKS HIM BUT HE'S 'CLEAN' AND COOL

No caso Freeport há muitos meses que cheira à nojeira da verdade, apesar do exercício de estrabismo a que se entregam Miguel Sousa Tavares, Daniel Oliveira e algum Marcelo, para não falar de Marinho e Pinto e outros hoje com o credo e o terror da «judicialização da política» na boca: «O irlandês William Mckinney, ex-dono dos terrenos da antiga fábrica de pneus da Firestone onde foi construído o empreendimento, disse, por videoconferência, ao Tribunal do Barreiro, onde decorre o julgamento, que Charles Smith lhe contou que as negociações estavam a ser feitas em “grande segredo” e que nem os funcionários do Freeport estavam a par das conversações com José Sócrates.» Público

ÉBRIA EXUBERÂNCIA

Tratando-se de putos ébrios na doce ausência de casa, pouco ou nada tutelados seja por quem for, e à mercê todas as experimentações, não acredito em acidentes, suicídios, fatalidades. Só em aturdimento, exuberância e loucura. Se a arena merecesse, o que não faria o gladiador?! 

sábado, março 24, 2012

SERVICINHOS

Leio no josé a descrição pormenorizada do que MST e Daniel Arrastão Oliveira andam a escrevinhar no Espresso: desengane-se quem pense que os políticos que roubam e desrespeitam o Estado de Direito, roubando ao máximo e pelo máximo de tempo possível, o fazem sem um esquadrão de opinadores peritos em pactuar e desculpabilizar à força toda qualquer crime sob a conveniente capa imunitária de se tratar de política. Não os concebia tão invertebrados em sede de consciência. Basicamente, para ambos a impunidade é boa e recomenda-se; não há nada a mudar em leis feitas à medida da venalidade; e sobretudo há o perigo da "judicialização da política": enfim, lixados os contribuintes pela espessa corrupção dos políticos, lixam-nos os opinadores com a atenuação e desculpabilização geral dos mais negros e nocivos actos daqueles mesmos políticos e é nisto que se resume o servicinho que Daniel Oliveira e Miguel Sousa Tavares prestam ao Primadonna: encerrar-nos no curral do grande comer e calar, apesar de traídos, vendo lesado o Estado para lá do limite da pura insanidade no exercício do Poder. O jantar de namoro para abrandamento da isenção de quem opina, tal como com Pina, deve ter sido inesquecível. Podre País com abéculas assim!

SIM, ERA UMA QUESTÃO DE CAPACIDADE

«Tenho grande confiança na vontade e na capacidade do Governo português, sob a direcção do primeiro-ministro Passos Coelho e do meu colega Vítor Gaspar, para implementar as necessárias reformas em Portugal.» Wolfgang Schäuble, ministro das finanças alemão

BIOLUMINESCÊNCIA

«Many people are familiar with the summertime flashing patterns of fireflies and have seen images of bizarre bioluminescent deep-sea fishes. However, few realize how pervasive bioluminescence is throughout the tree of life. Bioluminescence is known to occur in bacteria, protists, fungi, crustaceans, insects, worms, ctenophores, jellyfishes, squids, starfishes, sea cucumbers, tunicates, and fishes—not to mention sharks—as well as numerous additional invertebrate lineages.» American Museum of Natural History

PARTIR OS DENTES À ENCENAÇÃO

Há uma minoria que deseja muito sangue e caos nas ruas e outra que gosta de concluir plebiscitos a partir das cócegas protestatárias a que os gajos da CGTP desejam entregar-se, a maior parte profissionais do protesto e de nada mais. O tempo é o da pouco convicta de afirmação através da monotonia. A primeira minoria é um corpo híbrido composto por gajos extremistas mas sem coragem para sair do armário com o próprio corpo, porque extremistas a sério os não temos em número nem em força carismática. Essa tradição, se a tivemos, foi castrada na conflitualidade estéril anterior e aquando da Primeira República, mas sobretudo no que veio depois. Para além destes, há um reduzido número de filhos da puta que, depois de se associarem aos negócios mais desastrosos e ruinosos para o País, enriquecendo pessoalmente, descobriram agora a tal rua e consideram que precisa de sangrar porque isto, a Direita, não se admite e tal... A Direita! Dizem eles, ávidos como ninfas. Cabe a quem raciocine partir os dentes [é uma hipérbole!] a essa encenação de massas transtornadas dispostas ao gregório sanguíneo nas praças pachorrentas de Portugal. O que se quer é trabalho.

RAY WILLIAM JOHNSON [NÃO SE PODE IGNORAR]

sexta-feira, março 23, 2012

BRUNO PAIXÃO VISITADO

Não se deve centrar demasiado nos árbitros o ónus dos maus resultados, mesmo se habilmente eles os potenciam, o que não quer dizer que alguns não devam abandonar o ofício, já que o desonram. E agora que, sem termos culpa, sabemos onde moram e a data de aniversário da tribo arbitral, sugeria que os confrades do Dia de Clássico fôssemos, qual comissão de honra, visitar o lar de Bruno Paixão. Uns, a ver se é verdade que ele tem afixados na garagem posters sacrílegos do Sporting e do FC Porto, diante dos quais se autoflagela. Outros, a confirmar as grandes masturbações ao pequeno altar do glorioso, que ele montou na casa de banho.

SENTA, REBOLA, FAZ DE MORTO, BENFICA

O SLB conquistou um ponto precioso no Algarve, mas o que avulta provado e bem provado é o quanto os clássicos se ganham também na arena psicológica mediática. Basta manobrar a mensagem certa. Foi o que Vítor Pereira fez, logo no rescaldo ao último classicozito. Como se fosse uma bomba armadilhada, a mensagem passou. Ela desnudou um dos processos cruciais do Benfica para desbloquear resultados: as placagens nas bolas paradas. Esta noite, não se viram. Senta, rebola, faz de morto, Benfica!

TU QUOQUE, VASCO, MEU FILHO?

Nem sequer Vasco Pulido Valente parece perceber que, com Sócrates e os seus, não estamos a falar de trocos nem de venalidades recorrentes e coisas habituais na política de sempre. Se assim fosse, «em teoria», poderíamos dormir descansados. Mas não. Ali nunca se olhava para as pequenas massas e as insignificantes bagatelas. Foi cavar dívida como se farta a vilanagem sem amanhã. Custa a engolir que até o Vasco põe a mão por baixo ao grosseiro comissionismo inveterado daquela governação danosa. Se até esse profético intérprete da decadência portuguesa não vê propósito no entregar aos Tribunais o que transcendeu largamente os foros estritos da Política, então não há esperança para a respectiva limpeza exemplar. Se se não percebe a diferença entre pecadilhos, tropeções involuntários por aliciamento alheio, que é uma coisa, de associação criminosa e reincidência de processos corruptos com impacto crasso sobre a vida de milhões, que é outra, para que serve colocar o dedo na ferida, escrevendo crónicas, e gritar que o rei vai nu? Se se não perdoam roubos a bancos porque se hão-de perdoar assaltos continuados a Estados e a milhões de contribuintes?! Não. Definitivamente não estava à espera de este tipo de indulgência na verve habitualmente viperina do Vasco. Devo ser mesmo muito ingénuo: «Já não bastava o “caso Freeport” e o “caso Face Oculta”, a investigação judicial do Governo Sócrates continua. E pior: aumenta. Não espanta que o cidadão comum tenha sido contra o Governo de Sócrates — que não se distinguiu pela sensatez, pela tolerância ou pela lisura; e que levou o país para a crise mais séria por que os portugueses passaram desde 1975. Como não espanta que as dores do presente (que são muitas para muita gente) não deixem de alimentar uma Vasco Pulido Valente execração profunda pelo antigo primeiro-ministro e pela sua gente. Mas nada explica que a Procuradoria-Geral da República e os tribunais tomem sobre si o encargo de fazer justiça em matéria política: um serviço que obviamente lhes não compete e que, levado ao extremo, pode alterar o equilíbrio constitucional da República. Em poucos dias soubemos pelos jornais que a Procuradoria-Geral da República se prepara para abrir um inquérito-crime a 14 ministros de Sócrates por peculato e abuso de confi ança, “em seguimento” a uma queixa da Associação Sindical de Juízes. Soubemos também ontem, ou anteontem, que a sra. dra. Cândida de Almeida declarou na TVI que foi entregue (presumivelmente no DCIAP) uma segunda queixa contra o próprio Sócrates, por favorecimento pessoal e falsifi cação de documentos, ainda por causa da famigerada licenciatura do homem. E, para acabar (pelo menos, por enquanto) uma terceira — esta anónima — contra o ex-ministro Manuel Pinho, por suspeita de conceder à EDP “rendas” sem justifi cação económica ou benefício para o Estado. Estamos no princípio e é um péssimo princípio. No caso dos 14 ministros, os factos que se alegam parecem ao leigo de pouca ou nenhuma gravidade: uso indevido de cartões de crédito, de telefones de uso pessoal, de despesas de representação e de subsídios de residência. Uma insignifi cância no mar de dívidas que Sócrates nos legou. O mesmo vale para a existência ou inexistência da licenciatura de um indivíduo morto para a vida pública portuguesa. No meio de uma ou duas coisas hipoteticamente graves, o que fica é um inconcebível ressentimento e uma inconfundível vontade de retribuição. Ora, se o país por acaso alimenta esses duvidosos sentimentos, a Assembleia da República (que o representa) deve falar por ele e o braço judicial, em teoria, não se deve mexer. Sobretudo quando se arrisca a arruinar, sem um bom motivo, uma vida limpa ou só com alguns pecados veniais, cometidos por ignorância ou inadvertência. A política não se “limpa” assim.» Vasco Pulido Valente

QUEM PROTESTA QUER CACETE

A leitura das cacetadas de ontem será obrigatoriamente dúbia. Nem mesmo os bloggers que se prestam às leituras hiperbólicas do tipo «está aí a repressão do passado» se atrevem a avançar culpados ou inocentes definitivos. Ainda não se interrogaram se não é precisamente dando azo à testosterona e partindo para cima que as Polícias ao mesmo tempo que trabalham, também protestam e também se divertem? Para quem vai e vem pachorrentamente para o seu trabalho a fim de receber a sua gorjeta salarial, não há cacetadas, senão a grande cacetada de perder sempre. Já os jovens gordinhos, cheios de padrinhos políticos e de outros padrinhos de ócio, esses que são de Esquerda só por ser chique, sim, querem cacete. 

UM PENTELHO CATROGANIANO ENTRE OS DENTES

Apoiei Eduardo Catroga aquando daquele arrastado e cínico processo negocial com Teixeira dos Santos. Interiormente, abraçava-o e confiava nele como num experiente senex patriota, apaixonado como eu por Portugal lá, onde outros se apaixonam pelo dinheiro fácil da posição de Poder e se apaixonam ainda mais pela própria aura postiça feroz em maratonas de fingimento e charla. Chorei as mesmas lágrimas de Catroga por ver o meu País devastado às mãos gatunas de quem o traiu grosseira e grotescamente por muitos anos: por isso subscrevi todas as palavras com que o Eduardo descreveu a monstruosidade irresponsável dos agentes da nossa desgraça. Não conheço o caso grego quanto aos contornos da traição dos seus políticos aos respectivos contribuintes e cidadãos, mas o caso português é muito fácil de tipificar e assusta na dimensão devorista dos socialistas socratesianos. Foram mil maneiras pelas quais nós, inescapáveis contribuintes, fomos trapaceados. Com a mais sacana das vilezas e sem que se imponha uma prestação de contas estilo Tribunal Marcial, fez-se o mais brutal assalto a um Estado Ocidental Europeu e supostamente democrático: o Estado Português. Não é preciso recuar décadas. Recuemos meses. Foram urdidos mil modos de saquear o Erário, empobrecendo-nos para garantir renda aos do costume, perpetrando descaradamente a ocultação desses roubos e a opacidade sigilosa dessa ruína: as SCUT, as PPP, o BPN nacionalizado e sornamente arrastado para servir de arma de arremesso a conta-gotas contra Cavaco, as Eólicas Subsidiadas pesadamente pelos utentes, as MiniHídricas, cujo contributo energético será ofensivamente ridículo e a destruição paisagística uma vergonhonha. Mas regressemos a Catroga: há, Eduardo, um novo pentelho monumental entre os teus dentes que é este: achares agora bem que a EDP, de que és chairman, [mas estamos a cagar para isso!], contra o acordado com a Troyka, obrigará mesmo o Estado Português a falhar na palavra dada. Como é? Usas fio dental ou fias-te na pasta?!

quinta-feira, março 22, 2012

JOSHUA TREE, A VERDADEIRA E LUSA

Estado de saúde do meu Pinheiro Manso, Pinus Pinea,
que plantei no quintal, em Março de 2006.

MARINHO, O TOM E A DEMAGOGIA

«O bastonário dos advogados, Marinho Pinto, costuma desferir ruidosos ataques contra aquilo a que chama “mercantilização da Justiça”. Pelo meio confunde sempre várias coisas, por exemplo, que já vai sendo tempo de a Justiça ser pensada como realidade económica. Sabendo-se que a Justiça portuguesa tem problemas com a efi ciência, que não se deve necessariamente, é bom dizer, à improdutividade dos agentes do sistema, mas a causas mais profundas, as queixas de Marinho Pinto deixam sempre a impressão de vir de um tempo pré-troika. Nesse tempo pré-troika podíamos fazer discursos rompantes na abertura do ano judicial, repetindo que a Justiça é um bem público e que o direito à justiça está a ser saqueado. Mas o tom e a demagogia não chegam. Há muito em que a organização da Justiça ganharia, se passasse por terapia económica. A Justiça é demasiado importante para ser deixada aos juristas. Mas Marinho Pinto está certo, quando aponta o dedo para certas manifestações de privatização Pedro Lomba da Justiça. Ele parece meter tudo no mesmo saco: uma mediação de conflitos de consumo é igual a uma arbitragem em contratos públicos. O que não se pode dizer que ajude à clareza. Onde ele tem razão, no entanto, é por denunciar dois fenómenos que corroem em absoluto o Estado de direito e a igualdade perante a Justiça. O primeiro desses fenómenos é a privatização do Estado. Em minha opinião, só muito excepcionalmente é que o Estado deveria poder encomendar a preparação de leis a escritórios de advogados. Pior ainda se essas leis estiverem pejadas de consequências financeiras para o erário público. Para dar um exemplo, nunca a lei das parcerias público-privadas deveria ter passado à nascença por aqueles que depois iriam socorrer-se dela em representação dos privados. Há uma errada divisão do trabalho entre o Estado e os advogados na gestação de certas leis. [...] Se não me engano, grande parte dos contratos de concessão do Estado tem cláusulas de arbitragem que garantem decisões secretas. Escapa-me, mas não é tema para aqui, como é que estas decisões arbitrais respeitam a Constituição. E sobre este tema das arbitragens dos contratos públicos, em que há muito dinheiro em jogo, muito mais haveria a dizer. Como a Justiça normal não funciona, os “ricos” partem para outra. Com o tempo, os tribunais do Estado passam a ser para o zé povinho. Os ricos têm a sua Justiça privada e sigilosa. Ora, não será isto uma grande injustiça?» Pedro Lomba, Público

MST, BOVINIDADE PONTEAGUDA E SECTÁRIA

Preconceituoso e repleto de tendência, Miguel Sousa Tavares sabe muito. Isto a propósito do reparo justíssimo que Manuel Maria Carilho lhe faz devido à maldosa insistência encomendada daquele na ideia do cargo da UNESCO «como o mais apetecível». Não se pode estranhar a bovinidade ponteaguda e sectária do cronista Miguel, para quem o Caldeirão gigantesco de José Sócrates só pode parecer uma colherinha para chá e iogurte: «Miguel Sousa Tavares diz tantas vezes a mesma coisa, que a única conclusão a tirar é que, mais do que pensar, ele rumina. Do jornal para a televisão, e vice-versa, nada mais simples do que adivinhar o que vai dizer: é sempre o mesmo. A sua crónica do fim de semana passado revela, contudo, sintomas preocupantes: é que à custa de tanto reciclar crónicas anteriores, MST já ganhou reflexos condicionados, de tipo pavloviano: por mais a despropósito que seja, sempre que escreve "Unesco", logo a seguir dedilha "o mais apetecível tacho" do Estado para, imediatamente (e ainda mais automaticamente), acrescentar o meu nome. Já vamos para aí na décima repetição do mesmo... e fala ele de "tachos"!» MMC

DIÁRIO DO MATADOR MOHAMED MERAH

Os nossos melhores cronistas da praça, especialmente Ferreira Fernandes, já escalpelizaram sobejamente a ascensão ao estrelato negro de Mohamed Merah. Não era um bom pintor. Não era um bom sapateiro. Não era um bom mecânico. Não era um bom político. Era quase perfeito a matar. Benditas balas que interromperam tão promissora carreira. Por momentos supus que, antes de ter sido descontinuado, Mohamed ingressaria na pobreza argumentativa do Arrastão, tal a recriminação que o Sérgio Lavos faz ao discurso do presidente francês pela moderação imigratória. Ó sacrilégio! Os discursos dos políticos servem agora para atenuar ou amplificar o livre arbítrio de criminosos exímios no seu matadouro. Brilhante.

FARSA GERAL

Deambulei pela cidade do Porto, após o trabalho. Não vi senão aquela mesma mole tristonha e pardacenta dos outros dias, obrigada a esperar muito mais pelos transportes. Sentada. A encostar-se e a apanhar mais sol que de costume. Nos Aliados, mais polícias que gente. O McDonald's repleto. Tudo igual na casa de apostas Deus-dá-a-Sorte, ainda mais cheia de raspadinheiros e toda a casta de jogadores desesperados. Por todo o lado, além de turistas nórdicos e orientais de suculenta perna nua [jovens radiantes de nariz levantado ou afortunados reformados], os nossos velhos, sobretudo. Mulheres de meia idade, sobretudo. Sobretudo africanos que estudam nos pólos universitários da cidade. Sobretudo pessoas como eu, que andam de transportes públicos e a pé todos os dias para trabalhar. Gente que era pobre, é pobre e será ainda mais pobre, por mais greves generais que se façam. Neste contexto de curral, a CGTP atrapalha-nos a vida por um dia, sendo mais uma parede e uma pedra no meio do caminho duro. E tão inútil quanto uma entidade reguladora qualquer igualmente sem préstimo. Nada mudará com anacrónica retórica. A narrativa está gasta. Os corruptos venceram. Os demais perderam. Comunistas e sindicalistas andaram sedados perante o Grande Assalto ao Erário por parte da Esquerda Desavergonhada de que se não pode falar. Agora querem o quê?

PORTANTO, A LICENCIATURA NÃO EXISTE

«O Ministério Público já recebeu uma nova queixa sobre a licenciatura de José Sócrates e começa a analisá-la amanhã. Segundo a TVI, o processo poderá ser reaberto. A queixa-crime que agora deu entrada no Ministério Público foi apresentada por Alexandre Lafayette, advogado do ex-vice-reitor da Universidade Independente, Rui Verde. "Deste dossier do 'aluno' resulta, com inusitada clareza, que José Sócrates não realizou as cadeiras plasmadas no famigerado certificado de habilitações literárias", lê-se na queixa, citada pela TVI.» DN

MORRER DA AUSTERIDADE E MORRER DA GREVE

Não acredito de todo nesta Greve 'Geral', embora acredite no Protesto, se for justo, focado, bem explicado e viral, para ter o máximo de sucesso transformador. Por exemplo, sem protesto e sem luta firme contra corruptos e processos criminosos de governação também não há grande moral para nos queixarmos do que temos e amargamos, consequência a jusante do Mal que consentimos. Por que se não protesta contra a por enquanto notória fraqueza governamental diante de contratos assassinos do presente e do futuro nas PPP recentes, cuja face é a do Mal Cívico Absoluto? Quem os negociou ou tolerou comportou-se de modo Obsceno, Imoral, contrário à Ética e ao Zelo pela res publica. É também isto que apressa a morte dos nossos velhos, nos angustia a nós e deprime a nossa Pólis. A somar aos males depositados no colo inocente dos cidadãos, o Arménio arma mais uma castrada e castrante Greve 'Geral' que só servirá para nos matar ainda mais, ainda mais agachados contra o beco sem saída do Nada, subordinados ao Nada sem Nada a contrapor aos que nos emprestam ou não dinheiro. O Protesto Impotente do Mendigo não resolverá jamais a sua mendicidade. Nesta fase tardia de apodrecimento, e já mortos pelo braço da Austeridade, morreremos ainda mais depressa pela mão apertada do Protesto-Paralisação Estéril. Hoje, a prometida Paralisia Geral a que se chama Greve será o que sempre foi. Folclore Macabro. Nulidade Prática. Havia outros caminhos que esta gritante e sôfrega falta de criatividade. Na comida, no sexo, em tudo, falta de criatividade sempre representou muito pouco amor.

ALGUMA LUZ SOBRE O QUISTO OSCOT

Bem explicado: «Será isto um escândalo? Nem tanto se não lhe deram importância. Porém, o OSCOT assume "preocupações". Evidentemente uma delas, porventura a mais importante é a posição dos seus peões de brega nas instituições do Estado que se ligam à Segurança da Nação. O OSCOT é uma antecâmara sem qualquer legitimidade democrática para intervir politicamente, para além do associativismo corrente e que ostenta pessoas, nomes e funções para o Estado e a Segurança do dito, um dos sectores que confessadamente mais os preocupam. Porém, quase ninguém liga e os que ligam dão pouca importância e desvalorizam o assunto. Condescendem. Democraticamente isto é um quisto, porque estas pessoas querem confessadamente intervir na res publica, agregando nomes que se interligam a serviços secretos, espionagem e segurança interna, forças armadas, mas tanto faz. O que está em causa é o exercício do poder fáctico e no caso, fora do esquema democrático porque resultante do tráfico de influência lobbysta e maçónico. Não em modo criminalmente relevante mas pelo mais prosaico "sistema de contactos".» josé

quarta-feira, março 21, 2012

BACTÉRIAS DA OPINIÃO PRÉ-DETERMINADA

1. A SICN não anda bem. Foi desenterrar o sáurio encomiasta [de Sócrates] e pouco economista Silva Lopes para o entrevistar, coitado, só capaz de politiqueirar à maneira do ASS ou do Canas ou do Lello sob um ar de monge tibetano em retiro far, far away, um dos grandes entusiastas e ainda maior biombo da grande marcha socratina rumo ao desastre. Diz que está pessimista com o desempenho deste Governo. Eu estou pessimista há mais tempo com os dois anteriores. E ainda mais revoltado com o crime ostensivo das PPP socratesianas com encargos de sessenta mil milhões a recair sobre o Estado e contribuintes, agora e sempre, ámen. Quem foram os filhos da puta que fizeram de conta que negociaram esta merda pelo Estado se a parte privada de leão é para os privados?! A resposta é fácil: prostitutamente, os negócios são colocados para lá das respectivas legislaturas. Deles beneficiam vantajosamente os privados. Com eles ganham os políticos freeporteanos as mega-comissões pelo lenocínio sobre o nosso dinheiro. Quem paga os milhões da hábil consultoria danosa pelos mega-advogados dos mega-escritórios de Lisboa? Nós. No fim, Paris. Liberdade total para caluniar os nossos bolsos e armar-se em vítimas quando a verdade parece calúnia. 2. Depois, no programa de José Gomes Ferreira, temos, a par de Carlos Moreno, um Homem que Portugal tem a sorte de ter como filho, o repetido e carcomido de socratismo Ricardo Costa, que é uma espécie de câmara de ressonância dos respectivos interesses esconsos e impunidades exiladas que nos trouxeram optimisticamente até aqui: outro que perpetra serem as eleições acto punidor suficiente para actos continuados de traição aos anseios dos cidadãos, de incúria sobre o dinheiro dos cidadãos e obscenas vantagens pessoais óbvias com o dinheiro dos cidadãos. Peroram pomposamente como se não lhes conhecêssemos a careca.

SUICÍDIO PORTUGUÊS PELA ARMA DO BELO

«Quando o insigne pensador espanhol Unamuno, no início do séc. XX, comentou que Portugal era “um país de poetas e suicidas”, impressionado pelo rol de portugueses seus contemporâneos que se suicidaram (A. de Quental, Soares dos Reis, Camilo, Trindade Coelho, Laranjeira, etc.), ou se afastaram do mundo para se deixarem morrer (A. Herculano, por ex.), esqueceu-se do Chile, esse longínquo lugar do qual, até aos anos 70, os portugueses pouco mais conheciam que o adubo agrícola Nitrato do Chile, a alimentícia pescada do Chile e, a partir de 1973, o sanguinário Pinochet.» Mário Vale Lima

VALUPI EM MAIS HEMORRÓIDA LEAL DE ESFORÇO

Para compreender cabalmente o fenómeno de impunidade e corrupção máximos de José Sócrates, temos de ler e estudar academicamente o Valupi, um fenómeno de diversão permanente com o bónus da prova e a chatice dos factos. Temos obrigatoriamente de o fazer, mesmo sem saber quem é ou sequer se é gente. Se ele se tratasse do primeiro boneco insuflável para uso homossexual com competências escribas adicionais, não seria de admirar. Trata-se de um robot notoriamente apaixonado. O zelo evidenciado é tão extremo que se depreende durma literalmente com o objecto do seu labor advocatório. A partir da célebre homorróida de esforço, Valupi derrama contínua e incansavelmente, insana e paradoxalmente, reescrevendo a História com o redesenho épico de uma besta obstinada por amor. Escreve ele que as manchetes anti-Primadonna [as que explicam às criancinhas uma licenciatura falsificada ou as que indicam ter sido ele o corruptor corrupto máximo no processo Freeport] são diárias, mas que tudo isto não passa de uma conspiração intrincada com chancela dos «publicistas direitolas». Perante isto, o que interessa ter prevaricado?! Nada, comparado com o ter sido descoberto por «publicistas direitolas». Para Valupi, a ausência de pluralidade e pensamento individual que coincidiu precisamente com o socratismo é, repare-se neste salto mortal, sinal de «pensamento próprio no PS». Ler Valupi é ler novamente a cartilha dos fanáticos da Rússia comunista e concluir como se pode ser até brilhante chafurdando no lodo, esculpir peças de retórica quase perfeitas, tirando os pressupostos viciados, e tudo isso usando como matéria-prima bolas de merda. Nada se impute, pois, ao Primadonna Playboy Parisiense: se os tribunais fervilham com processos que directa e indirectamente afectam o impossível bom nome e o sem-futuro político de José Sócrates, isso nada tem a ver com a rapacidade do espécime, mas com a perseguição preconceituosa contra o mártir patrocinada pela «Direita». É, uma vez mais, a conspiração da Direita. Valupi atira-se ou ao Presidente da República ou aos Tribunais ou ainda aos imbecis que se não conformam com o estupro político-económico sob esse socratismo. O Regime, completamente saturado de videirinhos em quase 40 anos de semiDemocracia muito dada a gula dos partidos de Governo, obrigado, chegou ao ponto mais baixo com Sócrates. Valupi sabe-o, porque escreve que nem Soares, nem Cavaco nem Santana estiveram associados a tão grossa e extensa manta de sujidade disseminada por tantos casos envolvendo o PPP [Playboy Primadonna Parisiense] que temos a obrigação de escrutinar exaustivamente para compreendermos com que linhas fomos cozidos. Daí que aqueles pudessem ser deixados em paz e Sócrates não. Nem Santana, nem Cavaco nem Soares desceram tão baixo, nem foram dados a exílios megamilionários parisienses injustificados. Tinham suficiente capital de honra para ser deixada intacta assim que abandonaram o poder. Os casos “Freeport”, “Licenciatura”, “Casas da Guarda”, “Face Oculta” traduzem simplesmente esta semiDemocracia a tentar respirar, a libertar-se de amarras e condicionamentos montados criminosamente pelo partido no Poder. Os magistrados, os jornalistas, os professores têm de ser Livres e exercer amplamente a sua liberdade no apuramento da verdade política que lhes fazem, no apuramento da lisura ou falta dela dos actores públicos, denunciar os mega-escritórios da mega-advocacia no auxílio e blindagem que prestam a políticos sem escrúplos que se tornam comissionistas de negócios ruinosos para todos os portugueses, violando a deontologia e a lei para fins de conservação dolosa do poder político, e manutenção de negócios opacos e ruinosos agregados. Ao vale-tudo de um exercício criminoso do Poder Político tem a sociedade de se levantar por todas as formas, nos seus espíritos livres, especialmente os professores, os magistrados, os jornalistas livres, não avençados por esta Máxima Corrupção. Valupi tem de ser deixado sozinho a papaguear e propagar a Névoa da Mentira. Torna-se obrigatório concluir que desde o 25 de Abril, nenhum político foi tão devasso e tão impune como Sócrates: apesar de ter reunido manipuladores profissionais, fanáticos como Valupi, membros das elites sociais e intelectuais com analfabrutos, ranhosos com imbecis, e que até conta na sua legião odiosa com figuras gradas do PS, Sócrates passou pelos pingos de chuva, foi removido, mas não a tempo de nos poupar à iminente bancarrota. Falta ser punido nos Tribunais.

O QUE TORNA TUDO MUITO MAIS ASSUSTADOR

«É gente desta que descredibiliza completamente a classe política. Sobretudo quando o faz logo a seguir a ter falido um país inteiro. Mas o que é fascinante é ver gente a bradar por causa do Audi comprado no governo Sócrates para o Ministério da Segurança Social enquanto que estes sinais estão na sua frente e os nega compulsivamente. Mas, segundo os cegos, é apenas uma manipulação do partido do Governo e dos Magistrados. Se bem nos lembramos até Stalin e Hitler tinham seguidores que dariam a vida por eles. Graças a Deus que estas bestas nunca terão o poder de julgar ninguém. Infelizmente há outras bestas, desde a academia ao mundo empresarial e da finança, que são suficientemente sectários e corruptos para pactuarem com gente como Sócrates. E é isso que torna tudo muito mais assustador. Tenho quase a certeza que Sócrates nunca irá pagar por estes crimes. Mas pelo menos que se saiba da boca das testemunhas a estirpe de vigarista e corrupto que tivemos como 1º Ministro. E nunca nos esqueçamos que houve gente que votou 3 vezes num indivíduo assim. Gente que anda hoje pelos blogs e pelos comentários de jornal a defender um tipo destes sem qualquer pudor ou manifestação de inteligência.» Groink

ADOPTAR A FRAUDE BPN PARA ENCOBRIR NOVAS

Seguro pode ter muitos defeitos políticos ou outros, mas não é corrupto nem lhe falta suficiente seriedade pessoal e é por isso que está a demarcar-se radicalmente da eterna e obscena protecção impunitária de que o abominável Playboy Parisiense tem gozado. Ele sabe que essa personagem de terror, verdadeiro pesadelo de um País, que assaltou e deu a assaltar Orçamentos ao longo de seis anos não pode continuar com o corpo delituoso a salvo fora do País, em Paris, incógnito, impávido e sereno. Deve responder em tribunal por todos os seus crimes e são, ao que parece, infindáveis. Seguro sabe que o BPN foi na mão do Governo Sócrates mais uma arma política manuseada a fim de alavancar argumentos de chantagem comparativa adicional com os adversários políticos. É que a melhor forma de o Mal se esconder e disfarçar nos seus roubos, nos seus excessos, rapacidades, abusos, aliás patenteados nas PPP, na Parque Chular e no diabo a quatro, é ter na mão e arrastar um símbolo da decadência e criminalidade do adversário. Por isso, o BPN não foi resolvido. Era necessário manter o cadáver em condições de exibição. Para além de tudo, os media nacionais, bastante distraídos da índole negra de um ex-primeiro-ministro, terão de explicar a este Povo traído, em sofrimento, se é entendível que um político possa gastar 15.000 euros por mês e ter ao dispor o advogado mais caro do País, Proença de Carvalho, para 'negar' o que testemunhas sob juramento dizem sobre si. Negar é fácil. Limpar-se do estigma de Corrupto Máximo, isso há muito que se tornou impossível, apesar de Miguel Sousa Tavares, Fernanda Câncio e todas as penas flexíveis ao sopro da Mentira. Todavia, e isto abona em favor de António José Seguro, a Portugal e ao PS só resta ou limpar as mãos à parede com José Sócrates em Tribunal ou limpar as mãos à parede com José Sócrates em Tribunal.

CRÁPULA, CORRUPTO, RUINOSO

«Uma coisa é a minha convicção pessoal e outra é a do tribunal. Mas a minha convicção é que um indivíduo que sempre viveu de esquemas, desde a assinatura de favor de projectos de merda, até negociatas com aterros e diplomas oferecidos, poderia muito bem achar que já estava numa posição de "cobrar" mais pelos seus serviços. E o lugar de ministro com o poder que dele advém vale bem meio milhão de contos de reis. Se assim não for como podem explicar que alguém que vivia apenas do magro salário de 1.º ministro, sem fortuna conhecida, possa comprar baratíssimo dois apartamentos numa das zonas mais nobres de Lisboa e viver hoje em Paris com uma renda de casa mensal de 7000 Euros no bairro dos diplomatas? Se como diziam as contas do Correio da Manhã o sr. tem gastos da ordem dos 15 mil Euros por mês (mínimo) são 180 mil Euros líquidos para gastar por ano. O que equivaleria a um rendimento bem considerável se fosse rendimento de capital, com a sua taxa liberatória de 25% ou, pior ainda, rendimento do trabalho. Que por acaso não se lhe conhece desde que enveredou pela política. É gente desta que descredibiliza completamente a classe política. Sobretudo quando o faz logo a seguir a ter falido um país inteiro.» Groink

VALUPI, A GUEIXA, EM MAIS PROSA CONCUBINA

Não há, hoje, em Portugal, amante mais amante de um desastroso ex-primeiro-ministro que o Valupi. Quem é o Valupi? Não se sabe. Provavelmente, Valupi será um programa de computador que serve para debitar automaticamente defesa e argumentário favorável a José Sócrates, apesar do rasto de desatinos e desaforos, fraudes e tretas com que nos consumiu. Pode José Sócrates escorregar no oblívio, finalmente, substituído pela Realidade e por haver mais gente que não ele-imprescindível para Valupi? Poderá ele descansar finalmente o esqueleto envernizado de Armani na cloaca do esquecimento e desamparar-nos a loja? Não. Valupi não deixa. Valupi tem a certeza de que Sócrates é divino ou, pelo menos, o divino jacobino que haveria de vir para consolar quem? Valupi. Portugal progrediu: aborta mais e tem os seus gays à solta graças a quem? Ao Primadonna, nosso berlusconi sem estudos mas com esperto. Valupi considera doente e imbecil toda a gente que leu em Sócrates nada mais que uma demência sociopata autocentrada, uma deriva manipulatória grotesca, quotidiana, massiva, através das TV, ao longo de seis anos esmagadores de permanente injecção de uma cara e de uma voz que se nos impunham violentadores até à náusea. Valupi despreza gente que abomine ter sido vítima da mais reles charlatanice e do assédio sistemático com treta perpetrados por uma voz com um discurso plasmado ao momento, demasiado parecidos com a tortura gota a gota, através dos media. Haver gente para além do Primadonna é igual nada para o anónimo programa de computador Valupi. Sócrates é que é tudo. Por isso, o grande abichador de comissões nas PPP, o grande negociador e promulgador instantâneo do Freeport, o enorme e honesto estudante na Independente, é ele o Messias, Amante do Concubina Valupi, e por ele, Valupi todo se prostra em tusa, espectáculo nunca visto de submissão apaixonada a merecer tese. De todas as vezes, a linguagem valupiana começa épica: descreve a demissão de secretário-geral do PS que abandona o País «para um recolhimento privado», isto é, em valupiês, o iluminado incompreendido faz-se eremita e ingressa no jacuzzi, nos restaurantes e na vida lustrosa da Paris Cara, coitado. A Pátria fica para trás. Não, não mereceu a atempada 'generosidade' da Mota-Engil por grossos serviços prestados ou da Martifer pelo mesmo ou do BES por muitíssimo mais que o mesmo. Não. Foi despojar-se todo para debaixo de uma ponte à beira-Sena, a fim de meditar candidamente no que havia feito. Entretanto, o que fazem os maus, os reles, os obcecados e imbecis, ao menor faro a nome do Amante Sócrates? Dedicam-se à «obsessiva perseguição» caluniosa. E Valupi, que deve ter uma considerável hemorróida por dedicação, conclui isto: «Sócrates continua a ser a principal personalidade na política portuguesa.» 

CÂNCIO E A DEFESA DO JACUZZI

Vejam lá o desesperozinho dos avençados do socratismo bem-pagante, como Câncio: assimilar o judeu francês Dreyfus, num caso de há 111 anos, ao lodo agora sob crivo e escrutínio envolvendo o Primadonna Sócrates, que descansa e suspira agarradinho ao telemóvel conspirativo em Paris. Recorda Câncio o «apelo indignado em nome de um inocente injustamente condenado, libelo contra um sistema judicial corrupto e uma opinião pública contaminada pela manipulação da verdade e pelos seus preconceitos (o condenado era judeu) através de uma campanha mediática "abominável".» Pois, pois. Sempre tive simpatia por esse caso ainda para mais de um judeu como metade de mim. Mas o caso [feito de intermináveis casos] Primadonna Parisiense Sócrates não é, nem de perto nem de longe, a reedição de qualquer coisa de semelhante à destruição consubstanciada na questão dreyfusiana. Bem pelo contrário. Enquanto efectivamente o homem Dreyfus foi desonrado, julgado e condenado a prisão perpétua com base em provas falsas, Sócrates fez trinta por uma linha, antes e depois de se ter tornado primeiro-ministro e procurou, não sem assistência, escapar incólume dos seus actos e decisões imponderáveis sem nos dizer água vai. Antes, como ministro do Ambiente aprovou o Freeport à rasquinha, na pressinha de uma legislatura pantanosa que havia cessado, seguia gestionária, e logo aí já foi abuso, fonte de suspeitas óbvias em torno do óbvio. Depois, já PM, praticou violência classista e mistificação mediática, acossando professores e magistrados com particular denodo e malícia, certamente com propósitos dissuasores que tiveram, no meu caso, o condão de acordar uma energia cívica que nada poderá silenciar. Depois, já PM, são abundantes os casos perdulários com recursos públicos, o luxo na Parque Chular que insulta, desperdício, nas PPP contratos escancaradamente ruinosos para o Estado Português, o que se fez segundo lógica de comissionismo crasso. Parece nítido que o Playboy TardoSorbonneano sente-se acossadíssimo. Daí saltarem escreventes os do costume. Câncio, contorcionista como sempre, não faz a coisa por menos. Convoca o magistral «J'accuse» de Émile Zola como a glória da defesa desinteressada de um inocente. Mas o Zola de há 111 anos tem como contraponto o acesso superpoderoso do Playboy Parisiense do século XXI não só a muitas línguas de pau como aos mais caros advogados de Lisboa, garantes do jacuzzi doce e abastado de um exílio francês incólume, ele que não se licenciou nem convencional nem administrativamente, ele que também não consta tenha trabalhado porque toda a vida se esgueirou como político, habituado à pequena conspiração oportunística de secção partidária e a nada mais. Impossível desrespeitar ou difamar um ex-primeiro-ministro que se preste a todos os esclarecimentos, não avolume negruras, não detenha riquezas sem explicação nem lógica, nem acalente estranhas opacidades, vivendo uma vida de luxo escandalosamente incompatível com o respectivo currículo e sobretudo com os efeitos e danos recentes a um Povo muito concreto. Zola era genial. Apaixonado. Soube virar França a favor do inocente condenado Dreyfus, mas não há força argumentativa, energia moral, sentido ético que não passe por impostor, treta sob completo fingimento, para reabilitar José Sócrates: enquanto este teve mão nos media dóceis, o lado negro do poder do sistema judicial consistiu na sua africana susceptibilidade ao condicionamento. Começando pela PGR, reduzida à servidão, ao estatuto de óbice e tampão protector do normal desenrolar de um processo de averiguações, ela que deveria ser absolutamente irredutível à vontade caprichosa de um só homem acossado pelo próprio passado repleto de insanidade e avidez. Pode ser que, para mal de quem se barricou na Mentira, o triunfo em decurso da Verdade prove ainda haver uma Justiça em Portugal acima do telemóvel laborioso, das pressões obsessivas e das versões artificiais combinadas pelo gabinete de Ficção e Imagem de um Megalómano. Se assim não for, não há Estado de Direito que resista e muito menos democracia, coisa há muito na mão de gente duplipensante, jacobina e facciosa. Não, não temos gente da estirpe de Zola, Câncio. O que temos são especialistas em língua de pau e choradinhos impostores, aterrorizados com os factos e a verdade que hoje se apuram e comprometem largamente um homem especialista em charla. Esses, tal como o culpado escondido que defendem, estão muitíssimo mais perto da defesa do jacuzzi que da glória retórica e ética do «J'accuse».

terça-feira, março 20, 2012

FOI MÃO

Este jogo teve mão: talvez o Benfica seja a única equipa que nas bolas paradas derruba adversários e por isso faz golos, mas golos precedidos de placagens ao adversário segundo a filosofia do râguebi. É obra! E foi também assim que Jesus teve mão neste jogo, que até foi estimulante: eu nunca deixei de pensar que o FC Porto estava a fazer um jogo-treino e o Benfica a preparar-se para o Chelsea. Literalmente. O árbitro foi outro que tal. Também teve mão no jogo, coitado. Estou a ver a conferência de imprensa de Jesus, que está nas nuvens outra vez. Não se pode perder sempre: «O Benfica está a bombar em várias frentes, o que é sinónimo de uma grande equipa como Barcelona e Real Madrid. Depois acontecem estas coisas.» Agora, Jesus acaba de entrar na parte vidente da palavra e visionária: «Conhecíamos tão bem a equipa do Porto que já não era preciso fazer o trabalho de casa... E correu tudo bem.» Foi um bom jogo. A Taça da Liga segue para bingo. Não sinto pena. Não tenho mágoa. Não sinto raiva. Era somente um classicozinho e já passou.

JOEL NETO E «OS SÍTIOS SEM RESPOSTA»

Eis um excelente cronista que leio de Segunda a Sexta n'O Jogo e também romancista. O segundo romance estará nas livrarias a 3 de Abril.

PARA AGILIZAR A JUSTIÇA

De saudar as alterações aos códigos Penal e Processo Penal, constantes da versão final, e que a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, enviou aos parceiros judiciais, as quais prevêem que todos os depoimentos prestados na fase de investigação passem a ser gravados em áudio e vídeo, acabando-se com o registo por escrito. A medida visa agilizar o processo, combater as prescrições, economizar tempo aos agentes de investigação e dar maior fidedignidade aos elementos do processo. Isto, sim, é revolução silenciosa em contraste com o espavento estéril de quem vocifera, vocifera, e não se passa nada.

PARQUE CHULAR, REVOLTANTE QUE SE SAIA ILESO

«O aeroporto de Luanda é conhecido em todo o mundo pelos seus reluzentes limpa-neves. As escolas renovadas pela Parque Escolar não possuem tais adereços. Mas, segundo o relatório da Inspecção Geral de Finanças, que tem gerado leituras contraditórias, e em apenas uma das auditorias realizadas ou em curso à empresa, algumas das escolas alvo da intervenção da Parque Escolar atulharam-se de adornos babilónicos. Os inspectores assinalaram o uso maciço de “iluminação decorativa”, “estores eléctricos”, “iluminações de parede”, o que certamente encareceu as obras muito para além do razoável e, sobretudo, a factura do funcionamento normal das escolas. Parecem pormenores que roçam um pouco o grotesco. Infelizmente, não são só pormenores. A Parque Escolar operava, como sabemos, sem qualquer concorrência. Não havia outra Parque Escolar com os mesmos fins, competindo pelas mesmas empreitadas. No entanto, da sua orgânica constava uma “direcção de comunicação e Pedro Lomba imagem”, isto é, um departamento de propaganda com a nobre tarefa de assistir o conselho de administração “em todos os eventos sociais”. Custava 130 mil euros por ano. E, segundo o DN de há uns dias, para lançar a inauguração das obras na Passos Manuel, que entretanto se tornou numa das escolas mais caras da Europa e cujas obras mereceram a reprovação do Tribunal de Contas, a Parque Escolar acabou por gastar mais de 15 mil euros na adjudicação de serviços de design e publicidade. Mas nenhum destes factos pode espantar os inocentes. Em Arouca, por exemplo, a Parque Escolar prometeu transformar a escola secundária “no maior edifício” da zona. Porquê? Ainda segundo o relatório da IGF, a Parque Escolar nunca definiu tectos máximos para os investimentos. A empresa parecia andar de rédea solta. E a entrega das obras por ajuste directo e consulta prévia só favorecia a opacidade. Não admira que Nuno Crato tivesse levado à Assembleia o estrondoso aumento do custo médio de construção por escola de uma estimativa inicial de 2,82 milhões em 2007 para 15,3 milhões em 2011, ou, de acordo com a resposta da própria Parque Escolar, de 12,1 milhões, mais 329% do que os valores iniciais. São números que não batem certo com os da auditoria da IGF, que aponta para bastante menos. Seja como for, só uma alma pura ou encolhida pode dar a Parque Escolar como exemplo de rigor, transparência e sanidade financeira. Não por acaso, segundo o Expresso, o relatório do Tribunal de Contas, que já está concluído em versão preliminar, aponta para indícios de crime na gestão da Parque Escolar. E a procissão só agora começou. É pena, porque também me parece que as escolas secundárias precisavam de um plano sério de remodelação. Recordo que, na campanha para as eleições fatídicas de 2009, Manuela Ferreira Leite e outros contrapuseram aquilo a que chamaram de “investimento de proximidade” ao tipo de megalomania venezuelana que presidiu à criação da Parque Escolar. A ideia de que quem critica o método pretende a destruição da escola pública não é especialmente sofisticada. Agora, ao mesmo tempo que Parque Escolar excedeu largamente as suas verbas em obras sem controlo, subsistem centenas de escolas deterioradas para as quais já não há dinheiro. Só que a Parque Escolar, e isto também depreendemos da auditoria, foi criada para servir uma encenação, uma propaganda, uma rede por explicar. Ora, estamos ainda no começo para perceber tudo o que se passou.» Pedro Lomba