sábado, junho 30, 2012

CIRCO NA COVILHÃ

Não achei nada de especial o comportamento que ontem, na Covilhã, o ministro da Economia teve de aturar, quando pelo menos um sindicalista ardido se atirava de borco roçando o bojo em cima da limusina estatal. Revi-me no teatro do desespero, mas mesmo esse parece ter sido postiço e o meu, pessoal, não o é. Foi, portanto, mau teatro e muito isolado. Terão porventura ocorrido os crimes de ataque pessoal, sequestro e intimidação fisica, mas mesmo esses tiveram um ar manifestamente patético, paródico. Os dirigentes da União de Sindicatos nasceram amadores e assim envelheceram. É como se no fundo das suas consciências reconhecessem o quanto muito do que se muda e se agrava sobre quem trabalha não provém propriamente da sanha liberalizadora do Governo, não é o Governo a querer, mas o Mundo, sacana e re-esclavagista, é certo, a exigi-lo. Há, porém, Governos e  Governos. Nem todos ousam instalar uma máquina de propaganda que trucida a verdade e, se puder, intimida os que se aprestam a protestar como ocorreu com os Governos filhos-da-putísticos, quando os professores eram moralmente guilhotinados [com o beneplácito fajuto de Cavaco, não se pode esquecer]. Não admira que, aqui e ali, perante a aludida pátina espessa de mentiras e saque, pessoas houvesse que zombassem de outras pessoas cujo crime era participarem em reuniões acéfalas e aclamativas de um Partido Socialista fascizado pela escória que o vulgarizou.

DO MEL DAS PROMESSAS AO FEL DO REAL

Não sabemos se Morsi é de facto um espírito aberto, tolerante, moderado. Antes da obtenção do poder, célebres assassinos de massas começaram por parecer normais e anunciar a normalidade, incluindo a Paz que pouco depois calcaram com ferocidade e ódio. Veremos com que letras escreverá Morsi a vida egípcia: «Prometo respeitar a Constituição e o Estado de direito, e proteger todos os egípcios. Foram estes plantaram as fundações para uma nova vida, para a liberdade completa, para uma democracia genuína e estável acima de tudo o resto.» Mohamed Morsi

FOME JUDIA NO ESTADO JUDAICO

«Há cerca de 200 mil sobreviventes do Holocausto em Israel, e à volta de um quarto vive abaixo do limiar de pobreza. Histórias de sobreviventes com fome causaram escândalo em Israel - depois de terem passado fome nos campos, passam agora fome no Estado judaico - mas, apesar de ser chocante, a maioria das situações manteve-se.» Maria João Guimarães

sexta-feira, junho 29, 2012

O ARMÁRIO DE TOM CRUISE

Ainda não percebi o que é que por ali corre mal sistematicamente. Há qualquer coisa que não bate certo. O que será?

CAVACO, ANATOMIA DE UM FIM ANUNCIADO

«Levantada a pesada histeria do futebol, em que abafámos durante quinze dias, talvez se possa voltar a pensar neste pobre país, que nos deu a sardinha assada e o sr. Seguro. Para lá do défice, que, como toda a gente sabia, não se vai cumprir sem meia dúzia de apertões complementares, fica ainda um sarilho que se julgou temporário, mas continua a crescer, com sintomas cada vez mais graves, e que não parece interessar os curiosos peritos da nossa praça: o Presidente da República. No último domingo, o Presidente da República foi apupado em Guimarães, “capital europeia da cultura” (uma extravagância que sobreviveu ao presente desastre), e em Castro Daire, uma vila remota que não se costuma distinguir nos tumultos da Pátria, e que desta vez também resolveu molhar a sopa. Em Guimarães, o bom povo (com alguns camaradas do PC à mistura) chamou “gatuno” ao Prof. Cavaco, alegadamente por causa da promulgação do Código de Trabalho: um acto de uma certa, embora pouca, racionalidade. Em Castro Daire, dezenas de pessoas (não deve haver muito mais) queriam protestar contra o encerramento do tribunal e as portagens da auto-estrada (a A24) que liga Viseu a Chaves: um puro disparate constitucional. Do alto da sua enormíssima importância, Cavaco não comentou. Disse meia dúzia de banalidades sobre o “grande sucesso” de Guimarães e voltou, suponho que depressa, para Lisboa. Mas se naquela cabeça existe um resto de bom senso, com certeza que pensou com inquietação na fragilidade dele e do regime. O que as cenas de Castro Daire e de Guimarães demonstram, para lá de qualquer dúvida, é que o Presidente deixou de ser visto como um árbitro da cena política portuguesa e passou a ser visto como um cúmplice. Quer queira, quer não queira, Cavaco perdeu a autoridade, tradicionalmente associada a Belém. O país percebeu o silêncio culpado sobre Sócrates, que ele julgou necessário para ser reeleito; e percebeu a seguir a razão dos discursos que fizeram e apoiaram a coligação da direita. Principalmente, ninguém lhe desculpou, ou desculpará, a fita inominável sobre a “pensão de reforma” ou, por mais que ele se explique, a água turva do BPN e o Algarve. Da antiga confi ança com que o eleitorado inexplicavelmente o favorecia, não sobra nada. Ao primeiro problema sério, o regime e os portugueses descobrirão para seu desgosto e surpresa que Belém é um vácuo.» Vasco Pulido Valente

COITADO DO ÁLVARO. COITADOS DE NÓS

Parece ter sido afinal o Álvaro um dos primeiros a apanhar com as Fúrias e com os ventres bojudos do desespero legítimo ou não. Em cima do capot do popó público. Políticas que desconsiderem pessoas, liquidam pessoas. Deveria haver limites aos cortes e a muitas outras coisas feitas a correr. Mas também não houve limites ao endividamento. Se a actual execução orçamental inesperadamente desastrosa não estiver a ensinar alguma coisa a este Governo, metam explicador, tão afincadamente meteram a faca preconceituosa ao pescoço de funcionários públicos, os que estavam mais à mão. Por exemplo, os pretos dos contratados há décadas no Ensino parecem ser os senhores descartáveis que se seguem, segundo a actividade governativa cortante em decurso, vagamente assemelhada a política. Seja. Não há dinheiro e qualquer bode expiatório serve. Para além do apelo tolo a que emigremos, por que não sugerem que nos matemos?!

TANTA MERDA E TANTO SAQUE

Lição de mariquices politiqueiras, defesa do gangue, 
e ventriloquismo servil.
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Se houvesse Justiça, o clepto Ricardo Rodrigues dos gravadores de São Bento não seria o primeiro a apanhar na armação galhosa. Se existisse Justiça em Portugal, comeriam também, e pela medida grande, quer Vítor Constâncio quer Teixeira dos Santos, juntando-se a Oliveira e Costa e Dias Loureiro, indecentemente apadrinhados por Cavaco. Guterres também tem culpas e deve explicações às gerações de vítimas sob anos de desgovernança PS. Mas quem não escaparia a um mínimo de Justiça, por mais que abrisse o horroroso esgar, seria Paulo-Cara-de-Cu Campos com os 700 milhões das PPP negociados nas costas do TC. Nem a prevaricadora Lurdes-Foda-se Rodrigues: não se admite a festa dos 500 milhões em obras e sobretudo a megatonelagem de más práticas na Parque Chular, enquanto oprimia, humilhava e menoscabava professores. Chegados aqui, porém, quem urge dê com os ossos nos tribunais é sobretudo o Filho da Puta, supra-sumo do crime sob a capa protectora e imunitária da política, sumo mentiroso, supremo manipulador e charlatão, alguém que controlou a Opinião Pública graças a opiniões avençadas de amigos e graças a muito broche dos valupis que ainda hoje sintomaticamente escondem os cornos da Luz: qualquer leitor de jornais sabe dos 300 milhões, ou mais, muito mais, devidamente colocados em offshores de primos, tios e amigos, fora o que tenha recebido nos envelopes castanhos dos ingleses. Mas a socialistas nunca acontece tribunal e cadeia. Mesmo o caso de Clepto Rodrigues é migalha num oceano de rodriguinhos justiciários e justiciárias negaças. Mesmo hoje os outrora ferozes pretorianos do Filho da Puta, de tanta merda e tanto saque, Santos Silva, Pedro Silva Pereira ou Vieira da Silva, aparecem mansos, humanos e compungidos com o que vamos sofrendo às mãos insaciáveis do Governo Passos. Cínicos do caralho! Não é por acaso que o DIAP de Lisboa parece investigar as despesas colossais feitas pelos Governos do Filho da Puta, após queixa da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, nem é por acaso que Carlos Barbosa, em nome do ACP, entregou uma participação criminal contra Mário Lino e António Mendonça. É um pequeno sinal de que a omertà, o favorecimento e a amizade mafiosa socialistas ainda têm quem lhes resista e diga «não!». Acontece que o Ministério Público não costuma despachar as investigações porque o conceito de máxima celeridade não existe nem se aplica no que toca a socialistas indiciados ou indiciáveis. Portanto, continuemos sentados a causticar-lhes as nádegas, esfuracando-as com opinião e denúncia.

quinta-feira, junho 28, 2012

AINDA O ESCARNECEDOR RODRIGUES

Ninguém no seu perfeito juízo se atira a defender o escarninho Ricardo Rodrigues, dando-lhe o benefício de uma natural reacção a quente. O deputado foi entrevistado. Uma entrevista aceita-se ou declina-se. Numa entrevista, responde-se sim, não e mesmo talvez. Se foi confrontado com o envolvimento num caso de pedofilia, não tinha de ter uma reacção intempestiva, mas desenvolver os seus argumentos com imensa serenidade. Quem não deve não teme. Desatar a pegar nos gravadores e abrir pelos sonoros corredores do palácio de São Bento não abona a favor de uma boa autodefesa ou suficiente paz de espírito, mas sublinha uma sensação de derrota e comprometimento. O deputado aceitou ser entrevistado e os jornalistas fizeram perguntas que o embaraçaram? Azar. A protecção da lei não tem sido igual para todos –  protege os facínoras e ladrões de alto gabarito, oprime e esmaga os pagadores de impostos e os pequenos delitos filhos da miséria e do desespero. Mas é curioso o quanto esta casta de socialistas degenerados pela obscenidade socratista invoca abusivamente para homens-lixo, para índoles infectas nada recomendáveis e para manifestos corruptos, nada mais nada menos que a defesa do respectivo bom nome e reputação, tratando-se de impunes crónicos e beneficiários vitalícios do beneplácito protector proporcionado por bonecos aos quais aconteceu encabeçar uma Procuradoria. Por más práticas de gestão, por coacção abusiva de jornalistas e órgãos dos media, ostensivos beneficiários de escandalosa impunidade apesar de comportamentos censuráveis em funções públicas, é vasta a colecção de cromos doentios de que se compôs o infeccioso socratismo. Só falta a higiene exemplar de uma prisão.

quarta-feira, junho 27, 2012

O TARDAR DA NOSSA GLÓRIA

Dói.

MISSÃO EURO

Gosto e recomendo. Tenho visto o programa desde o início e agrada-me sobremaneira o formato, o friso variado de comentadores, opinadores desportivos, ex-jogadores, mas especialmente do pivot-jornalista Carlos Daniel, que me parece uma revelação absoluta na análise e no comentário futebolísticos: assertivo, experiente, conhecedor, inteligentíssimo a autopsiar e a diagnosticar equipas, jogadores, modelos de jogo, lançando um olhar frio e simultaneamente afectivo para o fenómeno, especialmente no que tange ao seleccionado nacional, relativamente à qual costuma ser poético e motivador. Ouvi-lo inspira à confiança e à vitória. Imagino os jogadores a absorver o discurso durante o programa, se é que o vêem. As análises ao posicionamento das equipas em campo, os erros que se cometem apenas nesse ponto, por exemplo, são qualquer de pedagógico e luminoso, talvez o começo de qualquer vitória. Estão todos de parabéns, também o sorridente e super-simpático Álvaro Costa, sempre à espreita de incríveis curiosidades de interesse na Rede, de quem é obrigatório gostar ou é impossível não gostar.

QUANDO CARLOS DANIEL FALA DE FUTEBOL

Tenho escolhido ver todos os dias, mas mesmo todos os dias, o Missão Euro, na RTPInformação. A principal razão? A qualidade do comentário de Carlos Daniel. Este pivot e jornalista, velha cara nova da RTP, sabe de futebol e fala de futebol como poucos na nossa praça e talvez no resto da Europa. E foi sobretudo ele que me agarrou. Ele e as suas análises aos jogadores, ao tipo de jogo e às equipas, antes e após os embates. O Carlos é saber puro, completo conhecimento intelectual do jogo e tudo isso enroupado no prazer transbordante de abordar a matéria. Para quem sabe tanto, é simplesmente anti-natural que esteja mais perto do fenómeno, trabalhando num clube com visão, coisa que já percebemos não assiste ao seu clube do coração, o Sport Lisboa e Benfica.

ASQUEROSAS FESTIVIDADES

Tudo, quase tudo, quanto o socratismo segregou em pouquíssimos redunda em danos grosseiros ao Erário, com ganhos colaterais apenas para decisores e amigos socialistas. Pode vir Soares falar nas pessoas, mas urge investigar e punir exemplarmente práticas políticas pulhas, por onde se escoaram os nossos subsídios e sobretudo a nossa esperança.

COMO FUNCIONA O BRASIL


E certamente Portugal...

«TAREFA HERCÚLEA» PARA FRANGOS

«Discurso político é mais do que Passos fazer propaganda na América Latina às empresas que quer vender. Mais do que Jorge Moreira da Silva pedir um "choque de empreendedorismo", que não é ideologia mas antes um "levanta-te e anda", na desresponsabilização e no desejo de milagre - não de quem dá mas de quem ouve a ordem. E quando Luís Montenegro fala de uma "tarefa hercúlea" a cargo do Governo na redução do défice, o que está é demonstrar alheamento. A "tarefa hercúlea" não está a cargo do Governo, está aos ombros, às costas e no lombo dos portugueses.» Pedro Santos Guerreiro

terça-feira, junho 26, 2012

CUNEYT ÇAKIR, O DIABO E A CRUZ

Esperemos que amanhã este turco não cheire mal e, até por subtil ódio cultural à cruz dos Cruzados ostensiva na simbólica portuguesa, não parta para o favorecimento desavergonhado à conjura castelhano-catalã e o seu seleccionado de futebol. Já nos basta a manifesta sobranceria e autoconvencimento destes últimos, tão condescendentes com Portugal que já alvitram qual a forma de jogarmos para sermos mais fortes que eles, o contra-ataque. Já nos basta a abundante viciação verbal derramada por Platini. Olhando para trás, são demasiadas meias-finais e outras tantas mortes na praia portuguesas no que toca a Europeus de Futebol ou Mundiais de Futebol quando organizados na Europa, em parte pelo anti-lusitanismo sistémico implantado na UEFA, especialmente quando logramos ir longe de mais na competição, castrando os grandes retornos proporcionados pelos grandes públicos de Berlim, Londres, Milão, Madrid ou Paris.

O INSÓLITO RATO RODRIGUES

O friso socratista, no geral, compõe-se de figuras assanhadas e insólitas na sua hybris-desmesura contra quase todos os portugueses, menos os membros do canil-covil ratante do Erário. Qualquer coisa de excessivo, com extrema falta de lata e de decoro [Paulo-Cara-de-Cu Campos ou Maria de Lurdes-Foda-se Rodrigues] pautava o seu comportamento descomportado. É assim que, muito a frio e muito depois de toda uma sementeira de escândalo, só agora Ricardo Rodrigues se pode-Narciso ver ao espelho da Lei. Sim, já sabemos. Trata-se de um narcisismo patológico e descarado como o do Filho da Puta em Paris. 

MISERICÓRDIA MORTÍFERA

Acredito sinceramente que Passos vela por que a vida, um dia, quem sabe?!, finalmente nos sorria, ainda que o faça por caminhos desalmados, experiência que ele faz em nós-cobaias, mas certamente inevitabilidade consequente do facto de, antes, termos tido aquela Bicha Horrenda e Desalmada fibra por fibra. Isto não há meio termo: ou nos acontece que um Filho da Puta nos rebenta dolosamente ou que um homem sério e recto nos assalta por um Bem Maior. Em qualquer caso, de nada nos vale a palavra misericórdia.

segunda-feira, junho 25, 2012

OLÁ, DESEMPREGO, HÁ QUANTO TEMPO!

«A partir do ano que vem, entre mega-agrupamentos, turmas com mais alunos e a dispensa irresponsável de milhares de professores contratados, o triste edifício ameaçará a ruína absoluta.» António Fernando Nabais

LUÍS MIGUEL CINTRA NO PAÍS DO DESAMOR

MADONA? CAGUEI

Madona é, sobretudo, uma empresária. Trabalha muito. Repte-se muito. Emagrece muito. Ganha muito. Gasta muito. E um dia também vai morrer, como aconteceu imprevistamente com Michael Jackson, coitado, apesar de tomar todo o tipo de medidas para ser imortal, conservando-se viva numa espécie de formol sem frasco. Não há nada de cruel nisto porque é o que é e toca a todos. Quanto a concertos e grandes multidões ululantes e imbecis, nunca iria daqui até ali por madonas. Caguei!

domingo, junho 24, 2012

GASPAR SUPERSTAR

A História há-de dizer de Gaspar o que disser de Mourinho.

RELVAS ROÇA RENTE RANCORES RELES


Relvas é uma coisa tradicional na Política em Portugal: motor desmedido em contactos, cumplicidades, na grande soma e subtracção de favores e gratidões de que se faz o grande bloco central e homogéneo de interesses e poderes. Depreende-se do testemunho muito correcto e sereno de Helena Roseta, que Relvas, político frenético e activista, vive e prospera do tráfico de influências, da negociação política permanente com a sua crueza implacável feita de ganhos, perdas, contrapartidas, agrado a gregos e a troianos. Um homem assim, visceral aparelhista, não tem moral para falar na 'exportação' dolorosa dos nossos activos humanos, com a brutal ruptura de laços que ela envolve, com esse reconstruir de vidas portuguesas na distância da Pátria Amada, no natural esfriamento e estranhamento familiar, não como opção, mas como única saída. Mais lhe vale falar de futebol e ir pastorear gambozinos.

CAVACO VAIADO, ASSUNTO ENCERRADO

Cavaco Silva e a instituição Presidência da República são alvo de vaias e pateadas em quaisquer oportunidades e ocorrências em que se vêem obrigados a mostrar a face. Perdida. Monturo onde não se forjam ou consolidam estadistas, nela-instituição, Cavaco falhou porque imposturou dificuldades pessoais inexistentes ao procurar passar empatia e partilha de sacrifícios connosco. Correu mal. Lixeira vácua, a instituição Presidência falhou porque teve quem contemporizasse com o Filho da Puta que hoje se abanca em Paris sem que a puta-que-a-pariu-Procuradoria se cubra de vergonha ou nos preste explicações sobre como é possível enriquecer instantaneamente sem ganhar ou sem declarar de onde vem uma autossuficiência que permite gastos mensais da ordem dos quinze mil euros. Está tudo ligado. Instituições de merda para um País que rasteja e a quem só talvez o futebol console, ainda que também ele morra na praia.

ALENA SEREDOVA APONTA À DIREITA

MINUTO 17, DOIS PASSAGEIROS SAEM EM TARDIENTA

sábado, junho 23, 2012

ESTADO PORTUGUÊS PROMOVE IMBECILIDADE

Ao abater e despromover imbecilmente o ensino do Latim e do Grego clássicos: «“Estamos a precisar de outro Renascimento” – dizia-me o meu filho mais velho hoje à hora de almoço. Sim, infelizmente estamos. Voltámos ao tempo da necessidade de uma resistência cultural semiclandestina, como a dos monges da Idade Média que transmitiam dentro dos seus mosteiros, de geração em geração, a álgebra, o latim e o grego, a escolástica, o alfabeto e a gramática, a astronomia, a botânica, olhados com desconfiança pelo poder obscurantista e lutando, sem qualquer compensação e às vezes sendo perseguidos por isso, pela preservação de um saber ancestral. Ou, mutatis mutandis, à Polónia ocupada pelos nazis, na Segunda Guerra Mundial, em que os (ex-)estudantes das universidades encerradas pelos alemães se reuniam secretamente, correndo risco de vida, para ouvirem, a seu pedido, as lições clandestinas dos seus professores. Convenhamos: a Torre do Tombo e muitos arquivos menores espalhados pelo país, os sítios arqueológicos, os laboratórios anónimos onde discretamente se faz muita investigação em ciência fundamental, muitos museus e monumentos nunca poderão competir com o karaoke, com o divertimento instantâneo e barato da popularucha televisão de massas, com os noticiários sensacionalistas, com o desporto-rei ou com a mexeriquice brejeira e universalizada. Nem por isso – espero! – se supõe que o Estado mande agora fechar museus e arquivos, enterrar espólios, encerrar escavações, observatórios e laboratórios a que falte público ou aclamação. Há coisas que só a Escola pode ensinar. O latim e o grego estão entre essas matérias de que nunca nenhum instituto de vão de escada, nenhuma associação cultural de bairro (com todo o respeito), nenhum clube desportivo se irão abeirar. Por isso, a Escola tem na preservação deste saber um papel simplesmente insubstituível.» João Veloso

BISPO ARDIDO NÃO SE ABISPA

Tudo bem que isto já foi em Janeiro de 2011, em praia mexicana, e o  Monsenhor Fernando Maía Bargallóbispo argentino, presidente da Cáritas Latino-americana, que abraça uma mulher dentro de água, num gesto implicitamente ardido e lúbrico, até pode estar arrependido. O pior são as imagens a arder nas mãos do Vaticano. Desbragado, desbraguilhado, não se abispou vossa senhoria nem poderia. Toldam toda a prudência essas delícias limpas da carne que à carne se alimpa.

Ó PERNAS INDOLENTES LISBOETAS

Eu, que calcorreio Porto-Gaia e faço mais de vinte quilómetros para ver [o que são três horas de felicidade sensorial?!], cheirar, palpar a minha cidade que são duas, e o faço sempre e sempre apaixonado, vejo que o lisboeta, tal como o Pedro o pinta, imbeciliza o olhar e o corpo com os quais poderia amar a capital, uma das mais belas do Mundo. É pena. Os nórdicos usam as pernas sem piedade: « Os lisboetas detestam andar a pé. Acham que isso é próprio de classes inferiores e que é até capaz de fazer mal à saúde. Padecem da ‘síndrome de viúva de militar’, como já alguém lhe chamou.».

MACAQUINHO SEXUAL

AO ABOCANHADOR ASTUCIOSO DUARTE

Meu Deus, Duarte, tu eras um animal de sacristia. Bem sei que te torceu as sinapses a leucemia, mas mesmo essa prova passaste e era gratidão e exemplo o que se te pedia. Tu, que eras organista nos coros altos e grandes naves e cuja verve era veloz e articulada como a máquina de fazer salsichas, fizeste o quê da pureza e da graça, abocanhador de heranças a viúvas, amantes e artistas?! Meu Deus, Duarte, em que bicho de irreconhecível avidez te converteste?! Preciso de uns óculos para a filhinha e umas hastes. Ela também ouve mal, troca os olhinhos de anjo, não lhe basto nem a mulher porque ganhamos só a paga do caminho e do gasto diário para a servidão-trabalho inútil e execrando. Faz-te um favor que nos dês, a dádiva-dom de um donativo. Alguns trocos hás-de ter para nós entre tanto papel de arder de que te fizeste cativo. Para cada Duarte que se faz à vida há milhares como eu que a têm sempre fodida.

sexta-feira, junho 22, 2012

NA ESPERA DO AUTOCARRO

Tive azar. O casal assimétrico do lado, ela, baixa e gorda, ele, deficitário mental, quis meter conversa comigo animadamente, mas não gostava de Ronaldo nem de Passos Coelho a cujo Governo assacava todo o ónus da nossa desgraça. Qualquer lembrete sobre as responsabilidades do Filho da Puta em Paris não foram comentadas pelo casal desnivelado. Vale que admitiram serem, nesses considerandos, uma minoria.

RONALDO É MAIS RONALDO POR TER UM FILHO

«[...] Há ainda outro factor que poucos referem, mas que pode constituir um pilar na vida de um atleta: ter um filho. "O ser humano é movido a quatro energias - física, mental, emocional e espiritual. Esta última é a que dá um sentido à vida, um objectivo. É o que faz uma pessoa sacrificar-se para lá da dor. Ter um filho faz parte desta energia. Se o Ronaldo se preocupa em ser um modelo para o filho, uma referência, muda para melhor", diz o consultor e antigo treinador de basquetebol Jorge Araújo. Cristiano Ronaldo marcou os dois golos contra a Holanda no dia em que o filho fez dois anos.» Luís Ribeiro, Visão

quinta-feira, junho 21, 2012

CIRCO CHECO

Reforce-se, nesta hora de alegria, que o triunfo português no Euro 2013, com a passagem às meias-finais, não exclui ninguém. Nem Manuel José. Nem Carlos Queiroz. Nem as moles apostrofantes e impacientes com Ronaldo, no Café da esquina. Nem sequer o parvalhão do Platini. Toda a crítica espevita e faz crescer: venha ela. Picar um grupo, colocá-lo em causa, apostar em dois finalistas estando oito na berlinda, gesto desprezivo desses demais competetidores, pode ser a derradeira condição de blindar e motivar um Grupo como o Português. 

«A MELHOR SELECÇÃO DE SEMPRE»

«Miguel Esteves Cardoso, sempre tolerante e bem-humorado, dizia ontem, depois da vitória contra a Holanda, que os adeptos portugueses perderam e estão de castigo. Admito que ele tenha razão. O povo português é, como sabemos, um povo enlutado. Na primeira derrota, veste a capa negra, tinge os cabelos de branco e fi ca chorando mortos e feridos que nunca aconteceram. Como país, somos uma viúva. Mas eu queria mesmo, desta vez, não era tratar da viúva. Assistindo ao Euro no estrangeiro como tenho feito, o que mais me tem chocado são os desabafos dos “entendidos”. Com uma linguagem meio esotérica (felizmente ainda ninguém usou a palavra “bascular”), jornalistas, comentadores da bola, treinadores, ex-treinadores, ex-jogadores, começaram por desfi lar nas televisões e nos jornais distribuindo críticas e sentenças definitivas sobre a equipa portuguesa. Esta tem sido a selecção com a pior imprensa de sempre. Quando perdemos contra a Alemanha, os entendidos disseram que nos faltava estofo, atitude, superioridade. Numa frase: uma selecção apagada, ou mesmo uma selecção de coxos. Claro que Portugal até jogou bem. Mas que interessavam os factos aos entendidos? Eles só queriam que os factos confirmassem as suas piores profecias eliminatórias. Mas são maus profetas estes entendidos. Vejam, a seguir, o anti-ronaldismo. Por amor de Deus! Nem nos próximos 50 anos teremos um futebolista com a qualidade e a perfeição de Ronaldo. É um fora-de-série. Devíamos guardar o ADN dele num frasco.

quarta-feira, junho 20, 2012

O BICHO TECNOLÓGICO

Que uns poucos de alunos ficassem a saber, por SMS, o que estudar para o Exame de Português, em que textos se focarem, mostra que vivemos num mundo estranho, cada vez mais estranho, onde o que conta são os beneficiários de espionagens corriqueiras, prosaicas; tempo de novos opressores, novos oprimidos, gente que se acotovela para levantar o queixo da merda pisoteando o próximo por todas as formas possíveis, formas de actuar que nunca conheceram a rectidão nem se apaixonaram jamais por uma linha do Evangelho. Só falta que nos digam que os funcionários centrais do Euromilhões sabem antecipadamente quais as estrelas e quais os quatro números, em cinco, a sair, "sorteio" após "sorteio". Basta estarem suficientemente próximos do MegaComputador Omnisciente que acolhe as massivas apostas e certamente não brinca ao aleatório naquela janela de oportunidade e rapidez que vai do fecho das apostas à hora de 'soltar' as bolas.

NADA MAIS IMPOTENTE E INÚTIL QUE A ERC

No entanto, que belíssima conclusão.

OS IRLANDESES SÃO UNS EXAGERADOS

Rubrica Little Portugal, por Paulo Anunciação,
n'O Jogo, 20 de Junho, 2012

SELECÇÃO: SUPLEMENTOS DE AUTO-SUPERAÇÃO



O Jogo, 20 de Junho, 2012
Ainda que Joel Neto considere que não, que Platini, como acontece há muito nos Estados Unidos, apenas procura vender o produto «posto à venda» ao proferir as bacoradas que meio mundo condena, há que dizer desde logo que dentre os críticos da Selecção Portuguesa e alvitradores antecipados do seu insucesso fatal já podemos inserir o nome do pacóvio franco-suíço. Ainda não se fez o estudo acerca do impacto motivador precioso que certos críticos jogam ao abrir a boca contra a Federação Portuguesa de Futebol, contra os seus gastos, contra o seu circo, contra os seus previsíveis e anunciados fiascos. Porém, o efeito Manuel José e Carlos Queiroz não poderia estar mais à vista como um fuel coesivo adicional que possibilitou superar a fase de grupos: quem é que necessita apenas de motivadores pela positiva quando os motivadores pela negativa geram equipas mais solidárias, unidas e focadas?! Soma-se agora o Rei-Sol da UEFA: qual será sobre o grupo português o peso motivacional de mais uma frase mortífera?! Que efeito terá sobre nós isto recentemente bojardado, «aposto numa final Espanha-Alemanha»?!

AZUL

terça-feira, junho 19, 2012

MERDAMORFOSE

Uma das razões por que o PS desde 2008 havia muito se reduzira a antro foi porque resvalou para a decadência intelectual, o seguidismo amorfo e a falência política, correia de transmissão de uma avidez antidemocrática. Foi trágico que tarde tivesse caído um Governo que transformou os meus subsídios de Férias e de Natal em luxos da Parque Escolar, na sacanice das ex-SCUT e em novas PPP, tudo nas vascas da bancarrota. Se havia urgência de alguma coisa, era a abertura de uma crise política higiénica imediatamente após a reeleição de Cavaco e a meio de uma legislatura frágil, moralmente infrequentável. Para além das respectivas agendas, todos os líderes partidários eram sérios e com uma noção módica do roubo em decurso e da asquerosa desonestidade dos socratistas. Os factos provam que as campanhas de assassinato de carácter deixaram incólumes os "assassinados", impunes os prevaricadores, isentos os ladrões. Se magistrados-jornalistas forcejaram por alguma verdade, num País como o nosso, outros poderes acima deles cantaram e vão cantando mais alto, esfregona em riste. 

segunda-feira, junho 18, 2012

DÁ DESCANSO À UBÍQUA FELAÇÃO, VAL

Esta criatura vil e miserável, cuja identidade ainda se desconhece, prostra-se todos os dias diante do seu chulo, pronunciando o respectivo nome em vão, a propósito de tudo e de coisa nenhuma. Em vão, porque ninguém quer saber, embora muitos pagassem para ver sob um chicote grosso culpadas nádegas, finalmente a sangrar por terem escorchado os portugueses. Em vão, porque nada mais repelente que tamanha serventia que passa basicamente por declarar que um pano branco é preto e um quadrado é qualquer coisa de rotundo. Talvez Silva Carvalho saiba quem caralho doido varrido é Valupi, um sportinguista assolapado, o que nem é defeito, mas que não dá descanso ao cu servil. Carvalho, que era unha com carne com quem o nomeou para debochar o SIED, poderia começar por explicar-nos como se pode ser tão puta, tão desprovido de pudor ou quanto lhe pagam para sê-lo.

FORA UM INÍCIO DE TARDE AUSPICIOSO

Sábado. Após o almoço. Não passava senão uma brisa morna à beira-mar. Doce. Ao longe,
esparsos navios faziam-se ao porto de Leixões. Um petroleiro, linear como uma grande cobra negra,
rompia porto fora. As nossas filhas brincam no parque, fazem amigos.
Horas há benditas em que parece não dói nada
estar sem cheta.

QUANTO MAIS PLURAL, MELHOR

Concordo com a inclusão do Syriza no novo Governo Grego. Os partidos sistémicos falharam de mais, foram corruptos de mais, para se darem ao luxo de ignorar quem não votou neles em números expressivos. Lá e cá, quanto mais plural for um Governo, melhor.

ALBINO CLETO, BISPO AMÁVEL

JN, 17 de Junho, 2012
Custa-me saber de coisas destas: a morte, inesperada para mim, de um homem que me tenha acontecido admirar profundamente ao longo de décadas. Pelo menos desde os anos oitenta, comecei a apreciar imenso a sabedoria e o suave humanismo cristão de Albino Cleto, professor e pastor da minha Santa Igreja Católica em Portugal. Empatias são empatias. Ano após ano, nos sublimes Encontros Nacionais de Pastoral Litúrgica, em Fátima, nunca perdia palavra sua, por ser sábia, por estar embebida em Cristo, e por me contagiar de serena solidez neste peregrinar até à meta cósmica única que é Ele. Amei sinceramente este homem simples e eloquente, acabado de partir para o Inefável Abraço do Pai. Nunca o esquecerei.

PADRE FREI COSME, VOSSA REVERÊNCIA

Padre Frei Cosme, vossa reverência
Se engana, ou enganar-nos talvez tenta:
Quem as riquezas dá, quem nos sustenta,
Não é de Deus a suma providência?
l
Pois logo com que cara ou consciência
Esmola pede, e arrepanhar intenta
Para o Senhor da Paz, ou da Tormenta?
Tem Deus do homem acaso dependência?
l
Tire a máscara, pois, largue a sacola, 
E deixe o povo, a quem impunemente 
Em nome do Senhor escorcha, e esfola: 
l 
À viúve a esmola, e ao indigente; 
E não queira, hipócrita farsola, 
Foder à custa da devota gente. 
l 
Bocage

CASO ESPANHOL E AS IMBERBIDADES SEGURISTAS

«D izem por aí que a hegemonia económica da Alemanha está a provocar a ressurreição do patriotismo. Claro que ninguém gosta de ser governado por uma troika de funcionários da União Europeia, do BCE e do FMI, que não falam a língua, e não conhecem, senão da maneira mais formal e simplifi cada, a sociedade, a história e a economia do país para onde os mandaram. Mas não me parece que esta nova espécie de protectorado (menos claro que os do século XIX) vá tendencialmente levar a uma reacção das “Pátrias”, como elas dantes se concebiam: com exército, bandeira e soberania. Bem pelo contrário, se alguma verdadeira proeza a “Europa” sem dúvida conseguiu foi o aumento do nacionalismo e do regionalismo, especialmente em Estados cuja unidade nunca tinha sido muito forte. António José Seguro, com a lucidez socialista que nós para nossa desgraça conhecemos, exigiu para Portugal um “tratamento” nas “mesmas condições” de que Espanha “está a beneficiar”.

NIKI MINAJ, OUTRA GAJA BOA TODA. E MÁ!

FREI-PADRE DE ESQUERDA-GARGANTA

Creio que Francisco Louçã, uma vez mais, não tem razão ao considerar que Portugal deve revoltar-se contra a austeridade e aquilo a que chama uma "política de terra queimada" as quais, austeridade e política, diz, só conduzem ao desastre e à falência da economia. Pelo menos não é contra isso que nos devemos revoltar e não porque não devamos, apenas porque não podemos. Devemos, sim, revoltar-nos contra os consabidos ladrões impunes que o Regime protege dentro e fora do País, apesar das minas e armadilhas deixadas para trás, lesivas dos interesses gerais e do Estado. Devemos revoltar-nos contra os emissores de mentiras passadas, absolvidos pelo hábito nacional do olvido, indulgenciados pela nossa fraca memória. Aliás, os eleitorados europeus mostram não querer "terra queimada" como forma de luta contra a "terra queimada" austeritária em decurso, porque o abismo atrai o abismo. Um padre político, ainda que de Esquerda, como Louça, é sempre um padre: pode açular as massas ao sangue ou à castidade e ficar de fora a ver aonde param as modas. Mas isto não vai lá de todo com Beatério de Esquerda, Chico Louçã! Não vai. Já devias ter percebido isto. Por que não visitas empresas inovadoras e de sucesso, como faz o Daniel Deusdado, ao escrever, hoje, no JN, sobre a ADIRA?! Era mais por aí.

domingo, junho 17, 2012

PARADISE

NÓS, GADO DA EDP, GANADEIRA DOS TUGAS

Não é, é certo, a única, mas é das que mais nojo mete: «Em concorrência, há um aspecto central: o tratamento leal e rigoroso com os clientes. Os clientes de telecomunicações, por exemplo, só passaram a ser bem tratados depois da separação da Zon e da PT, até lá era mais barato ter filas de descontentes sem alternativa. Só que enquanto este comportamento num supermercado, num banco ou numa empresa de telemóveis leva os clientes a mudar de marca, as barreiras à transferência de fornecedor de electricidade são muito maiores. E portanto o dano é reputacional mas não existe na quota de mercado. Só que a reputação é, nas horas decisivas, tudo o que temos. E não é aceitável que uma empresa líder mundial em sustentabilidade se engane no contador… e sempre a seu favor.» Pedro Santos Guerreiro

sábado, junho 16, 2012

RONALDO: NÃO HÁ FOME QUE NÃO DÊ EM FARTURA

Creio que, por muito que nos custe vê-lo falhar oportunidades flagrantes, a secura de golos de que Ronaldo padece é absolutamente normal e nem sequer está a solo no problema. Veremos amanhã. Concordo com Joel Neto, n'O Jogo, quando escreve: «Jogos como o de ontem parecem feitos à medida da carneirada. Ainda não tinha acabado e já parecia que eu estava a ouvir o habitual justiceirismo lusitano nas suas sempre encantadoras proverbialidade e força gramatical: "Tirem daí o Ronaldo!"; "Andas-te na night, ó CR7??"; "Palhaçoooo!" Deixemo-las, enfim, para os espaços a que pertencem: o Facebook e os fora radiofónicos.»

PAULO-CARA-DE-CU CAMPOS OU O POIO FUGITIVO


É impressionante a impunidade de que gozam em Portugal indivíduos que surripiaram dolosamente o máximo de recursos públicos possíveis, no mais curto prazo possível, fazendo criminosamente impender sobre as gerações futuras custos a todos os títulos absurdos e obscenos. Impressiona também que perante tal farsa grotesca não tenha caído o Carmo e a Trindade, dispostos aliás a cair por causa das peripécias Relvas e o seu folhetim de 3.ª. Pergunta-se: já foram colocar algemas a esse espécimen infrequentável Paulo-Cara-de-Cu Campos?! Já capturaram o Supremo Filho da Puta no seu sossego parisiense conspirativo, seguro, agarrado aos seus milhões milagrosos, inexplicáveis, convertidos todos os dias em jantarada, almoçarada, todos os dias regados com o irrecusável vinho tinto; todos os dias incensados pelo imperdível cigarro, nas melhores tascas?! E quanto à puta-que-pariu-Procuradoria-Restrita da Bananeira, já deu sinal de si ou está difícil?! Enojem-se, portugueses! Com eles. Com ela.

O PROBLEMA ESPANHA: MENTIR COMO A GRÉCIA

«O problema espanhol é mais parecido com o irlandês, porque é bancário, do que com o português, que dos dez possíveis problemas não tem nenhum gigante mas tem todos ao mesmo tempo. Em Espanha, o mal nasce numa relação conjugal não vigiada entre "cajas de ahorro" e poderes políticos regionais, a par de uma bolha imobiliária de que todos participaram - e lucraram: bancos no crédito, construtoras no negócio, imobiliárias na colocação, Estado nos impostos, partidos sabe-se lá no quê, Governo nas estatísticas do PIB. Há pelo menos dois anos que a bolha imobiliária e os seus efeitos eram visíveis. Mas Espanha fez tudo mal entretanto, com o anterior Governo, de Zapatero, a adiar o problema e com o novo Governo, de Rajoy, a perder o controlo da sua resolução.

MARTHA PAYNE'S FOOD-O-METER

Não sei bem o que os meus alunos comem. Mas presumo que parte dos seus recursos para alimentação se destinem a matrecos, sumos e croissants. Sublinhe-se que por mais suculento seja o menu proporcionado pelas escolas, comer mal fora da escola, comer vento fora da escola, frequentar o McDonald's da esquina, são opções que hão-de ganhar aos pontos todas as vezes que é possível fugir às refeições escolares, o que em todo o caso parece ser raro. A ideia de avaliar o que se come ali não deveria atemorizar absolutamente ninguém, mas constituir um desafio congregador no sentido do aperfeiçoamento desse tipo de  serviços. Não foi o que pensaram os que determinaram proibir fotografias num blogue tão útil e bem sucedido para o conhecimento íntimo e aperfeiçoamento da comida escolar, como o NeverSeconds, o que é quase fechá-lo mais ou menos compulsivamente. É impressionante o pavor com que ilusoriamente se procura conservar a realidade bem encerrada na sua redoma, acto irracional e ingénuo. Só pode dar em asneira. Banir ou limitar um blogue de manifesto sucesso e utilidade como o da pequena Martha, já com escala internacional, é criar um 'problema' ainda mais monstruoso e incontrolável aos autores de tal medida desesperada. Não aprendem. A pressão e a exigência exercem-se agora de baixo para cima e logo por uma massa crítica com meios e capacidade de contagio viral em torno de uma causa ou ideia razoáveis, o que se faz a uma velocidade vertiginosa. Exigência não é campanha contra. À medida que essa massa global toma consciência da sua força, pode ser que tire todas as consequências do seu poder de exigir incontornável verdade e indeclinável justiça aos mais impensáveis níveis e nos mais pormenorizados pormenores da vida cívica. 

TRABALHAR COMO FORMA DE MORRER

Podemos ser amáveis, adoráveis, amigos, comovermo-nos muito com a espécie humana e o milagre de estar vivos, mas o facto de um ano inteiro de trabalho, com os seus gastos inerentes, não servir nem chegar para uma vida digna, há-de distorcer muitos corações e criar muitos revoltados profundos, cujo vulcão ressabiado um dia forçosamente rebentará. António trabalha há sessenta anos na mesma empresa. Toda a vida falou em descarregar uma metralhadora contra os novos patrões ávidos egoístas, aliás filhos dos velhos patrões porventura mais humanos, quando o negócio ainda era familiar. Porquê? Porque se dão a mordomias, mas cortam nos mais vulneráveis. Porque debitam na empresa despesas pessoais [a empresa é deles, mas faz-se do suor de todos], mas pressionam a mulher da limpeza a poupar no detergente e na água. Porque aumentam vencimentos à administração e a alguns gestores, mas despedem [ou cortam-lhes vencimentos] os mais humildes dos seus escravos. Como é que ficamos? Ganham sempre os que roubam e os que exploram? Perdem sempre os que se matam num trabalho mal pago toda a vida? Quem nos fará justiça?

sexta-feira, junho 15, 2012

DO SUMO INDECOROSO

Sabendo o que se sabe da actuação abaixo de reles de Paulo-Cara-de-Cu Campos, por que espera a puta-que-a-pariu-Procuradoria?! Há dois ladrões para capturar. Um supõe-se imune no Parlamento português. O outro prostitui a consciência inexistente em Paris. É fácil. Por que esperam?! Esperam que passe e se esqueça. Impossível.

QUANTO MAIS ANGOLA, MELHOR

QUINTA-FEIRA, DIA DE SNIFAR DANIEL DEUSDADO

Preciso de esperança, no meio do triunfo dos filhos da puta e do meu e de milhares inexorável empobrecer. Preciso de acreditar no País heróico do Daniel Deusdado. Todas as quintas aguardo por ler estas verdades encorajantes, pois estou a ficar rouco com tanto roubo protegido pela puta-que-a-pariu-Procuradoria: «Não estou optimista sobre Portugal por achar que os tempos vão ser fáceis. Acho é que sabemos fazer das tripas coração e somos capazes de inventar uma saída onde não há saída. Nas últimas entrevistas que tenho tido a oportunidade de fazer com esses novos descobridores portugueses - os exportadores - encontro pontos em comum extraordinários: capacidade de contornar as tempestades negociais, resposta em tempo útil a pedidos diferenciados, humildade para fazerem pequenas vendas sabendo que todas juntas hão de dar um bolo grande - e um traço cada vez mais importante: a detecção de portugueses que trabalham em grandes empresas internacionais. Ajudam-nos a fazer a ponte com a língua e culturas locais, explicam o que precisamos de fazer e estabelecem relações de confiança do outro lado do negócio. Nos negócios a confiança é 90% e o preço apenas 10%. Estes portugueses são ouro.

quarta-feira, junho 13, 2012

RONALDO, O NÃO-SALVADOR DA PÁTRIA

A partir de hoje, já toda a gente percebeu uma coisa acerca da Selecção e de Cristiano Ronaldo: se sobre ele se colocar demasiada pressão, ele falha grotescamente. Se, pelo contrário, lhe for retirada toda a pressão, ele falha grosseiramente. Ronaldo não está ali para resolver tudo. Ronaldo não está ali para não resolver nada. Está ali para parecer igual aos outros, sendo o mais importante e precioso deles, se lhe for exigido o máximo também. Façam favor de tirar o santinho Ronaldo do seu nicho para que ele dê o que pode, e se cumpra conforme o que é, imaculadamente eficaz, como sucede no Real Madrid. Seria pedir muito que ajudasse Coentrão a fechar o corredor, nem que fosse só um niquinho, como Nani fez com João Pereira todo o santo jogo?! 

NO PAÍS-FODA-SE DE PAULO-CARALHO CAMPOS

Como seria de esperar, a plena assunção de culpa por parte do ex-secretário de estado Paulo-Caralho Campos, não tem consequências no País-foda-se de Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento, onde os amigos são para as ocasiões.

COMEÇAR PELO TELHADO

Há coisas asnas, pelo menos de difícil compreensão, no Governo Passos. Por exemplo, no seio do sistema educativo facilitista, processualista, nivelador por baixo, que o socialismo diligentemente foi parindo, se comece pelo telhado dos exames, agora pesados, exigentes, e não por uma revisão dos curricula programáticos disciplinares. A ideia de alta exigência nos exames até boa e nada arcaizante, como alegam certos opinadores da facção qualquer-coisa-serve socialistóide. Mas que tal irmos começar pelos alicerces?! 

BREVE APONTAMENTO-FODA-SE SOBRE A CRISE

Há razões objectivas por que o nosso heroísmo cívico e capacidade de encaixe não tenham tamanho. Somos tímidos. Somos individualistas. Individualistas no sucesso. Individualistas no sofrimento extremo, no suportar a insuportável carência que roça ou transpassa a miséria. Basta pensar na dieta extrema do anacoreta e meu amigo Jorge, estóico entre os estóicos, cenobita entre os cenobitas, sem filhos pela graça de Deus ou pela desgraça do diabo. Tudo bem que, há seis anos, tenha perdido muito dinheiro em noitadas pueris e depois, náufrago dessa procela de erros, assumido aqueles créditos imediatos, libertos em vinte e quatro horas, pelos quais um Banco empresta um chouriço para ganhar porco e meio, tudo à custa da ingenuidade e do cerco de desespero trucidante a acossar o cidadão! Mas que tu, Jorge, jantes pão e cerveja, almoces cerveja e pão, passes, sub-reptício, nos intervalos da escravidão a que já nem chamas trabalho, para ir lanchar pão e cerveja e, no fim do dia, lá te recolhas para cear cerveja e pão, explica como sobrevives e vais pagando, enquanto se te ressecam as carnes, enquanto se te afundam os olhos nessa magreza enrugada e obstinada. Vai para mais de três anos que subsistes assim e que, entre os meus sonhos, eu sonho em ajudar-te. Libertar-te de um tal fardo injusto, que te acaba, passou a ser uma das minhas metas. Não fosse o caso desgraçado de o meu caso se assemelhar ao desgraçado teu. Sem um braço amigo ou mil ou dezenas de milhar deles, solidariedade que ainda não foi inventada, em que irremediáveis defuntos incobráveis nos converteremos?! 

FERMI DETECTA EMISSÃO DE RAIOS GAMA PELO SOL

segunda-feira, junho 11, 2012

LUSAS GERMANICES

«Os campeonatos de futebol — o campeonato do mundo e o campeonato da Europa, sobretudo — trazem invariavelmente à superfície a insondável estupidez do nosso pobre patriotismo. Primeiro, vem o mote obrigatório da excelência indígena. Há sempre alguém que é “o melhor do mundo” — neste caso Ronaldo — e que por antecipação ou identifi cação também faz do português comum, agarrado ao seu osso, o “melhor” de qualquer coisa obscura e o transforma por uns tempos num indiscutível herói. Para a Pátria miserável, endividada e desorganizada, aquele seu filho acaba por ser aquela pequena parte de reconhecimento e de glória que nunca teve e nunca terá. Dantes, o governo distribuía um mapa com Angola e Moçambique por cima da Europa para mostrar, a encarnado, a nossa grandeza. Agora, sobra Ronaldo, muito sozinho. O que não impede o verdadeiro patriota de acreditar que com um bocadinho de sorte e um bocadinho de justiça vamos com certeza ganhar a essa gente desconhecida e hostil, que não nos conhece ou não nos respeita. Para inaugurar a festa, o DN dava ontem de manhã cinco razões para implicarmos com a Alemanha e cinco razões para gostarmos dela. A consciência nacional não se dispensa nestas ocasiões. Por exemplo, se perdermos, convém lembrar que D. Fernando (marido de D. Maria II) mandou construir o Castelo da Pena, que D. Carolina Michaëlis escreveu uma História da Literatura Portuguesa, que 5000 (quem diria?) nos deram uma ajudinha a conquistar Lisboa aos mouros. Sem eles, o Chiado talvez não existisse. Perante isto, custa desejar que Ronaldo resolva espezinhar um povo tão simpático. Estes serviços justificam, pelo menos, 5 a 0, ou 0 a 5, porque as dívidas, como avisa o Governo, se devem pagar. Mas se ganharmos, também não justificam ficarmos com remorsos. Para começar, durante o século XIX a Alemanha cobiçou vilmente as nossas colónias. A seguir, em 1918, massacrou a 2.ª Divisão do Corpo Expedicionário Português. Pior: o ursinho de peluche é quase clandestinamente fabricado em Portugal. O inevitável Hitler matou em Salónica judeus portugueses. E, mais recentemente, a sra. Merkel declarou em público que nós, portugueses de lei e de coração (como “europeus do Sul”) trabalhávamos pouco. Bastava esta calúnia imunda para a Alemanha merecer os 5 a 0, que Ronaldo infalivelmente lhe irá aplicar. Connosco não se brinca, como os leitores deste jornal já sabem. Ou não sabem.» Vasco Pulido Valente

SELECÇÃO: TÃO BELO O CÉU E O MAR POR TRÁS

domingo, junho 10, 2012

10 DE JUNHO, «DEMASIADOS PORTUGAIS»

BIG JET PLANE

A LUA VAI SER CHINESA

Tenho poucas dúvidas sobre os objectivos chineses etapa após etapa da sua muito sua exploração espacial. Chegar à Lua o mais rapidamente possível, recolher amostras, reclamar território, como se reclama e conflitua por ele no Árctico, sobretudo, e na Antárctida, prospectar ouro e outras coisas interessantes lunares, inaugurar uma corrida para a qual a falência norte-americana e europeia parecem ter, até prova em contrário, poucas hipóteses. 

NINGUÉM É MAIS SÉRIO QUE RIO

Esta proposta é uma manifesta ferroada provocatória a Luís Filipe Menezes. Concordo com ela de princípio até porque Rio tem sido exemplar na gestão municipal, constituindo porventura o Porto um caso raro de sustentabilidade, contas em dia, palavra dada palavra cumprida, tirando algumas cismas viscerais ou a demasiado lenta transfiguração da decrepitude urbanística em condomínios de luxo. Sucede que alguém terá de explicar se o Município de Gaia está assim tão estrangulado de dívida ou se, pelo contrário, tem dinamismo económico, oferta alargada de serviços e suficiente liquidez para que nem seja notícia nem haja stress nesse departamento. Foram dois caminhos. Um avaro, contido, prudente, contabilista, o de Rio. Outro, ousado, atrevido, inovador, revolucionador, transformador da paisagem, potenciador do futuro, o de Menezes.

sábado, junho 09, 2012

O CIRCO DO JOGO

O embate de hoje com a Alemanha só deu circo no resultado, no mais os titulares foram suficientemente briosos para fazer esquecer as insinuações que Manuel José atirou como um ferrete indelével e agoiro de mau gosto. No final da partida, pensei que teria sido interessante se a Alemanha tivesse marcado mais cedo, situação que levaria obrigatoriamente ao que se viu: uma reacção de brilho com fogachos vulgarizadores dos alemães, coisa que tivemos tarde de mais, e não tivemos enquanto o empate ou o medo pareceram suficientes. Somos geniais sob pressão e mais ainda quando estamos a perder, já muitos o disseram. No alto mar, especialmente sob uma procela de morte, era preciso um porto. Fazia-se por ele. Nas Ilhas Encantadas do Sul, nesses longes oceânicos de áfricas e brasis, cercados de índios, nativos e aborígenes, era preciso mulheres para federar o sangue. Casava-se com elas, olha o desgosto! Actualmente, no campo de futebol, é preciso que nos fodam. Aparece logo aí uma genialidade tirada do cu com um gancho que por vezes, raramente, dá bónus, isto é, bons resultados. É quando acordamos e faz-se luz. Por que acham que a Troyka nos avalia positivamente e os elogios ao Governo e ao Povo chovem dos quatro cantos do mesmo mundo que hoje corta os ratings da Espanha aqui ao lado?! Porque damos tudo. Esta noite, conforme previsto, perdemos, tirando o facto de não termos sido arrasados. É sempre a mesma merda com a Alemanha. Mas se o circo de Manuel José compareceu neste primeiro jogo, foi somente no pequeno pormenor do resultado, repito. Aposto que hoje a raiva dos nossos jogadores é tal que prescindirão de bom grado da folga cultural-sexual-familiar a que teriam justamente direito em caso de vitória ou empate. É bom que se compenetrem disto: estão quase fora deste Euro.

FUCK YOU, JANUÁRIO!

Nunca gostei do Januário e o que soube dele, pedante, bruto e aristocrático em privado como Soares, piorou-me o conceito. Se ele é bispo castrense, eu, que sou católico com todo o meu ser e desde o âmago das minhas convicções, quero ser hindu. Januário é feio. Januário veste-se mal. Januário cheira mal da boca. Januário especula e inocula os concubinos. O Januário nu é horroroso. Quando o devoto coro canta de mais, o Januário, enquanto ministra beatamente a comunhão, manda dizer ao maestro: «Mande parar essa merda!» O que me chateia não são as hipérboles de mau gosto com que vem homologar Pedro Passos Coelho e o seu Governo pacientólogo ao velho e avaro Regime salvador de Salazar. Isso é estilo e diarreia. O que me chateia é que Januário meta nojo selectivamente, tendo-o eu visto e ouvido, ao Torgal, com estes olhos e orelhas que serão absorvidos pela Terra da Promissão na Sua Gloriosa Catábase, indiferente e taciturno perante a espessa obscenidade masturbatória dos média em que consistiu o grande assalto ao Estado pelo Filho da Puta que agora se locupleta em Paris: o Filho da Puta promoveu e chantageou todo um eleitorado pelo aborto contraceptivo. Torgal assobiou para o lado. O Filho da Puta pariu e mandou parir obscenidades grosseiras como a do Tua. Torgal assobiou para cima. O Filho da Puta é responsável pelo monstruoso crime sem castigo das últimas PPP político-comissionistas, altamente onerosas dos contribuintes, mas vantajosas para os decisores e a parecerística outsourcing sorna do Regime, com a agravante de o País tomar o rumo que tomava. Torgal mijou para fora do testo. Januário come do lombo há décadas para ser agora misericordioso e sensível ao Povo Paciente e Coitado sob os ditames da Troyka e do bem comportado Passos. Januário está-se a cagar para o Povo. Se ele é de Esquerda no linguajar, só pode ser de Direita nos confortos e consolos do múnus castrense. Se era para linchar o Januário, acho pouco e podem contar comigo, suficientemente livre por já não ter sequer um tostão furado no bolso. Vá ser misericordioso, sensível e promotor-insinuador de molotov e montras partidas em Portugal pró caralho, Torgal! Esta bispalhada pífia, cheia de facção, costelas socialistas, encostos e vícios de elite, não vale um tostão furado, sobretudo quando, simulados, vêm simular compadecimento ou, fingidos, fingir sujar as unhas com as causas que afligem os pobres. Cristo precisa de Homens, não de palhaços.

PROGNÓSTICO FORA DO JOGO

Cada vez que a imagem de Paulo Bento comparece nos media, penso imediatamente nos painéis de São Vicente. Ele é, sem sombra de dúvida, um daqueles rostos éticos da velha cepa patentes no tríptico de São Vicente de Fora, recorte de uma sociedade exigente, religiosa e científica, que quis e obteve, pela graça de Deus, algo muito maior que ela. Começou ética e décadas depois, já com Camões a testemunhá-lo com a sua própria indigência injusta, resvalou para a vã cobiça e a morte da sua soberania. Os séculos seguintes não passaram de glosa a nostalgiar esse passado impante de potestade mundial indisputada repartida com Espanha muito atrás num processo quase ocasional. Seria formidável que Portugal passasse esta fase. Não sabemos. Não prevemos. Tudo é possível. A bola é redonda. Qualquer oportunidade para contrariar a lei do mais forte seria aplaudida pelo mundo, na sua maior parte, composta de pequenos, excluídos e ignorados. Quase que aposto ser hoje um triunfo português sobre a Alemanha qualquer coisa de absoluta e avassaladoramente festejável por essa Europa fora pelas mais díspares razões. Uns por razões históricas, outros por razões de contexto. Eventualmente, por último viriam razões desportivas.

GATO CYBORGUE

sexta-feira, junho 08, 2012

AURORA BORDOADA

O extremismo é uma forma de vida habitualmente incapaz de sentir prazer, engolfando-se só em tédio. Depois descarrega em quem estiver mais à mão. Vive e deixa viver, !

EMBRULHA, RIO!

Sou dos que pensam que nenhum insulto verdadeiramente insulta e nenhuma injúria verdadeiramente injuria se, ao olharmos para eles, se reforça ainda mais em nós o ânimo de Lutar e de Ser. Isto vale para a Selecção, recentemente metralhada à queima-roupa por Manuel José e por Queiroz [o que disseram só pode espevitar e criar uma raiva vencedora, obrigado a ambos!] e vale também para Rui Rio, infelizmente pouco dado ao bom humor, à sensibilidade aos movimentos cívicos e àquele sábio capitalizar a seu favor de quaisquer estímulos mais pesados. Que, por exemplo, Rio despreze o FC Porto já mete nojo. Nem tanto ao mar nem tanto à terra, foda-se! Uma parede grafitada ou a fingir de grafitada com abreviaturas testificando que ele é um filho da puta só o prestigia muito antes que o seu nome conste mesmo num baptismo de rua. Não tem de o afectar. Aliás, que se saiba, Filho da Puta só há um a resumir todos os outros filhos da puta corruptos e reles destruidores do nosso futuro, empobrecedores de milhões enquanto fizeram pela vida, coisa que nunca se aplicará a Rui Rio, que parece e é mesmo impoluto. Só há um e vive escandalosamente em Paris. Muito pior que «Rio, és um fdp!» são os contentores do lixo que aparecem mesmo ao lado dentro da foto promocional da Porto Menu: isso, sim, é completamente obsceno e a evitar no futuro. Não conspurcarás a minha cidade!

BEIJO

quinta-feira, junho 07, 2012

PASSOS É O REGIME EM DOCE PÓS-BILTRE

Pouco ou nada me move contra o modo de estar na política em Pedro Passos Coelho: os socratistas insultam-no de asno, estarola, intelectualmente indigente, portanto, elogiam-no, uma vez que qualquer rebaixamento partindo daquelas putas é recomendação e estima. Para mim, Passos é verde, mas é um português respeitável, tirando o azar de ser a mais recente emanação de um Regime asqueroso e putrescente que pôde segregar uma das mais negras e mais reles formas de exercer o poder, intrujando milhões de cidadãos, sabendo do abismo inexorável para que resvalava e fazia resvalar Portugal. Como foi possível termos como Primeiro-Ministro alguém conscientemente ladrão e obstinadamente ruinoso como talvez nunca alguém tenha alguma vez sido? Como é possível continuar protegido por um Procurador Geral da República Zero e um Presidente do Supremo Tribunal de Justiça Nulo? Isto vale todo um epitáfio. No meio deste lodo, Passos executa o cutelo das reformas e até o prestigia internacionalmente acabar de esfolar-nos para corrigir o rumo seguido no passado. Passar por sádico e acomodar todo o ónus da terapia, enquanto o supremo dissipador faz férias, obtém os elogios da Troyka, das agências de rating e dos mercados. Mas enquanto for possível que o País finja sossego perante os actos do tal inominável Filho da Puta em Paris, com o seu vinho tinto, o seu cigarro ocioso, biltre sempre de férias, biltre com os seus milhões ocultos comissionados por cada decisão maligna contra nós, Passos não passa de um cúmplice doce. Mais um. Bem pode elogiar a nossa paciência que a extrema desonestidade perpetrada pelo outro passa incólume, tal como a chantagem como forma de vida, tal como o logro monumental mediático, todo o cretino agir que originou os nossos problemas. Assaltar um Estado, deixar tudo de pernas para o ar, conspirar contra cada um de nós encostado às cordas de Fisco, Dívida e Desemprego tem sido uma festa para ladrões. Passos não vai hostilizar um tal passado necrófago, optimista, ratazana. Prefere ser doce. Prefere ser cúmplice.

quarta-feira, junho 06, 2012

LAMENTO DE UM PAI DE FAMÍLIA

Como pode um homem carregado de filhos e sem fortuna alguma
ser poeta neste tempo de filhos só da puta ou só de putas
sem filhos? Neste espernear de canalhas, como pode ser?
Antes ser gigolô para machos e ou fêmeas, ser pederasta
profissional que optou pelo riso enternecido dos virtuosos
que se revêem nele e o decepcionado dos polícias que com ele
não fazem chantage porque não vale a pena. Antes ser denunciante
de amigos e inimigos, para ganhar a estima dos poderosos ou
dos partidos políticos que nos chamarão seus génios. Antes
ser corneador de maridos mansos com as mulheres deles fáceis.
Antes reunir conferências de São Vicente de Paula, para roçar
o cu da virtude pelas distracções das sacristias escuras e
ter o prazer de acudir com camisolinhas aos pobres entre os quais
às vezes aparece uma ou uma que dá gosto ver assim tão pobre por
se lhe verem os pêlos pelos rasgões da camisa ou algo de mais
impressionante para o subconsciente que sempre está nos olhos
que docemente se comovem com a miséria. Antes ir para as guerras
da civilização cristã ou da outra, matar os inimigos da conta corrente
e das fábricas de celofânicas bombas. Antes ser militar.
Ou marafona de circo. Ou santo. Ou demónio doméstico
torcendo as orelhas dos filhos à falta de torcê-los aos filhos
da puta. Ou galo. Ou cão. Ou piolho. Antes correr os riscos do
DDT, das carroças que os municípios têm para os cães suspeitos
de raivosos como todos os cães que se vê não lamberem as partes
das donas ou mesmo dos donos. Antes tudo isso que assistir a tudo,
sofrer de tudo e tudo, e ainda por cima ter de aturar o amor
paterno e os sorrisos displicentes dos homens de juízo
que deram pílulas às esposas, ou as mandaram à parteira secreta e
elas quiseram ir. Antes morrer.
Mas que adianta morrer? Quem nos garante que a morte
não existe só para os filhos da puta? Quem me garante que
não fico lá, assistindo a tudo, e sem sequer poder chamar-lhes
filhos da puta, com o devido respeito a essas senhoras que precisamente
se distinguem das outras por não terem filhos, nem desses nem dos outros?
Mas mesmo isto não consola nada. A quantidade, a variedade
gastaram a força dos insultos. E não se pode passar a vida,
esta miséria que me dão e querem dar a meus filhos, a chamar nomes
feios a sujeitos mais feios que os nomes. Como pode um homem
sequer estar vivo no meio disto, sem que o matem?
E o pior é que matam, sim, e sem saberem primeiro quem,
para não se inquietarem com o problema de terem morto por engano
um irmão, desfalcando assim a família humana de algum ornamento
que a tornava menos humana e mais puta.
l
Jorge de Sena,
15/06/1964

DESALMADA

CINQUENTA CÊNTIMOS

O Estado Português tornou-se absolutamente irrecomendável em grande parte devido a longos anos de saque e gestão danosa pelos partidos de poder e a clique de interesses habituais a eles agregada. Nunca se desceu tão baixo como com o Filho da Puta Ladrão Reles Charlatão Salteador Anormal Intocável, vendedor de feira omnipresente nas TV, Rádios e Jornais de 2005 a 2011, agora em paz e sossego por Paris. Ao contrário do que encarniçadamente escreva Manuel António Pina e outros caolhos da crítica e da opinião política, Passos é sério e normal, também parece normal e sério, o que vale milhões e nos poupa a mil preocupações. Mas para que Passos Coelho fosse perfeito, bastaria não aparecer todos os dias, não inaugurar duas vezes coisas que vão falir depois, não fazer sermões e homilias paternalistas ou outras, a não ser os estritamente necessários e funcionais [da função que cumpre]. Não podemos olhar para ele e ver mais um Primeiro-Ministro bem intencionado, como as criaturas infernais. É que se os portugueses sofrem em silêncio o garrote, a criatividade dos sacrifícios importos, merecem, no mínimo, o silêncio higiénico dos que nos impõem tão duras privações e vão além da Taprobana reformista Troyka, não com os estômagos cevados do Regime, mas com a nossa há muito indigente e encornada indigência. Não temos dinheiro para uma vida digna? Não o ganhamos cá nem o podemos poupar sem impensáveis faltas? O Fisco português esmaga e desmoraliza quem não pode escapar? Tirando abandonar Portugal, tudo seria bem diferente se passássemos a um novo nível de solidariedade sacos-de-compras para que um português de rastos se erguesse todos os dias: cinquenta mil vezes cinquenta cêntimos dados por cinquenta mil portugueses ajudariam todos os dias um português objectivamente de rastos no corredor da morte desemprego, na exclusão fatal de haver máquinas que substituem gente desemprego. Penso nisso quando dou cinquenta ou mais cêntimos à cigana romena que se acua todos os dias à porta do supermercado vai para anos, já, quando converso com ela: «Beijinhos à sua marida e às minina!», diz ela. Não consigo ignorar nem dar as costas. Cinquenta cêntimos! Sempre seria mais nobre que refugiar o dinheiro, agasalhando-o, em offshores, como fazem quase todos os nossos porcos triunfantes.

TRÂNSITO VENUSIANO 2012

terça-feira, junho 05, 2012

SELECÇÃO: ABUTRES E OUTRAS AVES DE RAPINA

Manuel José é, sempre foi, muito livre. Tem idade e currículo para ser um justo abutre de um possível descalabro luso neste europeu polaco-ucraniano. Não creio é que as sentinelas do costume devam preocupar-se com o efeito supostamente devastador das suas observações corrosivas a quatro dias do primeiro embate: ou o efeito do seu diagnóstico será correctivo e duplamente moralizador do grupo e contra a Alemanha comparecerá um colectivo português coeso e sério ou então o circo de que fala o velho treinador confirmar-se-á nos respectivos resultados miseráveis, mostrando, não tarda, palhaços, chimpanzés e papagaios de cristas murchas. E lá regressarão, como sempre, as nossas endeusadas estrelas sem pompa nem circunstância. Estamos habituados. Já o facto de Queiroz abrir a boca nesta hora só pode significar entretenimento e um desafio adicional aos vinte e três barricados na Polónia.

MARCELO E OS MARCELÓIDES

Ouvi ontem Marcelo Rebelo de Sousa tecer considerandos que chovem no que tem molhado e humidificam o facto conhecido de que não gosta de Miguel Relvas: repetiu que o ministro "é um peso nas costas do Primeiro-Ministro"; "está descredibilizado" e deveria sair pelo próprio pé. Continuo a insistir neste ponto singelo: independentemente das díspares versões que Relvas tenha tido em oito dias acerca do seu coito mais ou menos íntimo com o bicharoco-alternadeira Jorge Silva Carvalho, convém que Marcelo e todos os demais marcelóides de caninos em riste percebam que se a credibilidade de um político fosse aferida a partir da inconsistência discursiva ou variações de formato nas versões, o palavrório do Filho da Puta Supremo Abichador de Comissões em Negócios Ruinosos para o Estado Português até era bastante consistente e nem por isso subsistem dúvidas acerca do respectivo fundo reles a vários níveis devastador para o País. Donde, se o Regime português, tal como o conhecemos e concebemos, não quer colapsar ao menor sopro, bastaria que não consentisse na impunidade dos seus corruptos da política, exilados ou com lata para a deputação, e deixasse de ter no cume da Justiça títeres em vez de homens desassombrados e livres. Títeres em compromissos de covardia, títeres em submissões ultracaninas a eminências pardas cujo verniz merdífero cumpre raspar. Esta novela Relvas não passa de um desfile de cínico, um arranjo e uma agenda que fazem bocejar.

A PANELEIRICE DE ESTAR CHOCADO

Soa curioso observar o discurso do PS, a demais oposição repete-se e escuta o eco da própria voz. Surge sempre chocado. Tudo o choca, gastando todas as munições do estar escandalizado por qualquer coisa, menos com a densidade de desmandos e rapacidades socialistas em décadas. Aí o desemprego, ai a Troyka, ai o crescimento. Nós, que contamos os cêntimos e vemos o andar da carruagem na própria carne, não estamos nada chocados. Estar chocados é uma paneleirice-luxo a que partidos-merda como o PS se podem dar. Certo é que, por exemplo, se há um ano a Espanha surgia ufana, porque fora do assédio das desconfianças mercadistas, e Portugal naufragava, hoje os dados invertem-se no tabuleiro internacional. O essencial seria conter a hemorragia do desemprego.

segunda-feira, junho 04, 2012

SELECÇÃO: ENTRE A GLÓRIA E O ABISMO

Para a Selecção Nacional não há, nunca haverá, meio termo. Zarpados de Lisboa, ou Calecute ou morte. Ou a glória ou o abismo. Espera-se que as estrelas bem pagas e sobretudo mimadas que compõem o nosso seleccionado refreiem a própria vaidade, que é uma tentação desmesurada, e se mostrem de cabeça limpa, aberta, generosos, solidários e lúcidos, quando entrarem em campo frente à omnipotente Alemanha. Possuir e consolidar tal arsenal interior de humildes virtudes será talvez mais difícil, exigente e complicado que propriamente o marcar golos. E mesmo se os golos não entram, muitas vezes é por excesso de confiança ou pela tremura antecipada da vaidade pessoal das parangonas e dos focos de luz efémera em que Lisboa se esmera. A focagem tem de ser outra, jogadores. Concentrem-se! Não se espera que ganhem à Alemanha, porque isso pode ser areia de mais para a vossa camioneta de brincar aos heróis. Espera-se, sim, é que, mesmo perdendo ou empatando, possamos dizer do nosso orgulho pelo vosso desempenho denodado e nada frouxo. Não é português entrar a medo, mas surpreender por grosso porque, na História multissecular de Portugal, a nossa escala nunca pôde antecipar tão gigantesca e gloriosa ousadia em factos e feitos de que pouquíssimos povos europeus se podem orgulhar. É só ter isso em mente. Não nos deixaremos amesquinhar.

NO CREPITAR DOS CRETINOS

«Sempre fui frontalmente contra qualquer tentativa de resolver nos tribunais o que pertence à política. Não posso, no entanto, deixar de me interrogar sobre se o conteúdo do relatório do Tribunal de Contas sobre as PPP rodoviárias não deveria ter consequências judiciais. Uma coisa é ter optado por um modelo errado. Ou ter multiplicado, “por ideologia”, como gostava de dizer no Parlamento José Sócrates, a construção de infra-estruturas hoje às moscas. Ou mesmo ter feito maus negócios, aceitando remunerar accionistas das novas PPP por valores “claramente superiores aos praticados no mercado”. Tudo isto caberá, por mais que nos custe a engolir e a pagar, no domínio das opções políticas e das circunstâncias de um governo. Mas já é totalmente diferente esconder do Tribunal de Contas contratos adicionais, com um impacto financeiro de 705 milhões de euros, única forma de conseguir um visto que antes fora recusado. Estas manobras têm rosto. O mais evidente é o de Paulo Campos, actual deputado do PS e ex-secretário de Estado do sector. Mas é o único, como sabemos.» José Manuel Fernandes

ELOGIO A UM FRISO DE PUTAS

É preciso ser um subanimal com particular requinte na capacidade contorcionista para rabiscar o post a seguir citado em censura crápula ao corajoso deputado comunista Manuel Tiago. É preciso ser um subanimal para fazê-lo logo num registo auto-satírico para a posteridade. Val-de-Broches, o grande filho da puta anónimo em toda a forma e feitio de desonestidade, só pode e só sabe ser ele-mesmo um vate de putas corruptas [com perdão dessas mulheres infinitamente mais sérias], cujos esqueletos asquerosos estão sempre postos em sossego ou frequentando virginalmente a sociedade ou impronunciados e impronunciáveis: «A audição de Maria de Lurdes Rodrigues deu a ver uma cidadã apaixonada pela educação, falando de cor, entusiasmada, sobre os projectos que se conseguiram fazer e de como foi possível fazê-los. No ímpeto da sua entrega aos deputados que a tinham convocado, e para responder a uma provocação primária dos primários, largou a tal expressão que fez a felicidade dos decadentes: “Parque Escolar foi uma festa”. A festa da recuperação do que estava degradado e do acrescento de qualidade ao que está a educar o nosso futuro. Algo que faz rir à gargalhada a actual direita – e como tal espasmo se compreende imediata e completamente.» Val-de-Broches

O BEM E O MAL

Converteram-se numa substância não emulsionada, mas miscível, pela Administração Obama. Da cegueira cirúrgica dos drones à assistência médica gratuita, tudo é possível.

ON-FUCKING-GOING

«É também bom ter memória no que respeita à Ongoing, uma empresa que agora todos colocam no pelourinho, incluindo muitos dos que a defenderam quando ela participou na vergonhosa tentativa de compra e controlo da TVI. Como disse recentemente Francisco Balsemão, num debate de jornalistas em que também participei, “a (triste) realidade é que quem tenha muitos milhões (ou, melhor ainda, consiga que a banca lhe empreste muitos milhões, mesmo que não faça tenções de os pagar) pode gastar alguns em empresas de comunicação social que nunca ganharão dinheiro, mas cujos media serão úteis ao cumprimento dos objectivos dos milionários proprietários”. É difícil não ver aqui uma referência directa à Ongoing, e referência certeira. Este mesmo jornal [Público]publicou, há tempos, uma excelente investigação de Cristina Ferreira sobre a teia de interesses e ligações daquela empresa onde ficava muito claro como ela tinha sido instrumental e servil (até uma zanga no Verão de 2010) relativamente ao anterior poder político. É isto alguma novidade? Não devia ser. Eu próprio denunciei essas ligações e essas práticas durante uma audição na Comissão de Ética da Assembleia no início de 2010. Muitos dos “indignados” de hoje também se indignaram nessa altura, mas comigo. É esta memória que nos permite estar alerta, pois empresas deste tipo não agem por ideologia, actuam antes em função dos seus interesses e do poder do momento. Há mais do género no sector da comunicação social, todos o sabemos. Tal como sabemos que estamos a pagar caro a condescendência com que encarámos as manobras de 2009, como já sublinhou Pedro Lomba» José Manuel Fernandes

domingo, junho 03, 2012

TIRANDO O APOCALIPTICISMO

O que é que o Luís Menezes Leitão diz assim de tão novo, Little Boy Sérgio, tirando o apocalipticismo tonal omnipresente?! De apocalíptico só há a minha fome, o meu encosto às cordas, a minha corda ao pescoço, o encornanço perpétuo dos políticos e dos Borges-Lagarde obscenamente pagos deste mundo sempre a insistir que sejamos ainda mais obscenamente mal pagos e que, esmagadíssimos, paguemos ainda mais impostos. De apocalíptico só há a minha sensação de indigência presente e perpétua, sobeja, e no entanto sempre a resvalar, abissal, encurralada, para pior.

UM PAÍS, DUAS ECONOMIAS

Mania de sublinhar a ideia de que em Portugal os desempregados gozam de elevados benefícios. Se há desempregados europeus que gozam de elevados benefícios não são de todo os portugueses, como aliás não gozam deles a maioria dos reformados, dos precários e explorados de Portugal. O acento deverá incidir nisto em vez de na demagogia dos "benefícios": «Portanto, no momento em que foi declarada a Bancarrota Sócrates uma grande parte da economia deixou subitamente de ser alimentada artificialmente. Acabou o crédito cedido ou promovido pelo Estado e acabou grande parte da economia gerada directa ou indirectamente pela procura pública. Porque é que o preço do trabalho não ajustou de imediato em baixa evitando o desemprego? Bem, tal nunca ocorre de imediato, mas há 3 factores que tornaram a queda dos salários muito mais lenta: a pouca flexibilidade do mercado do trabalho, os elevados benefícios auferidos pelos desempregados e a existência de um sector que graças aos subsídios públicos se encontrava completamente fora da realidade e não tinha como ajustar. Não por acaso, existem neste momento em Portugal 2 economias em processos muito distintos. Uma economia não transaccionável em contracção e a criar desemprego e uma economia transaccionável em expansão e a criar emprego.» João Miranda

GAMAL ABDU MASSOUD, MEU IRMÃO

Egipto: a chamada implantação da Democracia pode não passar de uma farsa no glorioso e imparável caminho pela intolerância e o pensamento único islâmicos.

UMA SANHA MORIBUNDA

Ainda Miguel Relvas. Desvanece-se rapidamente a sanha que lhe imputa conspiração, negócios, influência política, Maçonaria, PSD: todas as insinuações saem goradas e todas implicações furadas, tomadas como irrelevantes, pelo menos no contraste com quem e o quê verdadeiramente rebentam com Portugal, caso nada se faça. Quem armou um tal reboliço para rasurar o Ministro do Governo Passos pode meter a viola no saco, que o assunto está a morrer a bom ritmo. Se, de acordo com Marcelo, Relvas se converteu num ministro moribundo, as guerras mediáticas do alecrim e da manjerona promovidas por alguns órgãos erráticos de comunicação rebaixam os seus promotores porque os denunciam enquanto escamoteadores de factos bem mais lesivos dos interesses nacionais e bem mais evidentes nos seus danos e responsáveis. Basta observar o que se privilegia numa primeira página.