sexta-feira, novembro 30, 2012

EJACULAÇÕES ESTADO-SOCIALÍSSIMAS

Mais argumentos para reduzir os setenta elefantes
à sua estrita irrelevância
 aqui.
Confesso que me é muitas vezes impossível subscrever conclusões tão peremptórias quanto aquelas subjacentes por exemplo à carta aberta que exige a demissão do Primeiro-ministro. Porquê? por causa do entrave que me é colocado desde logo pelo tipo de subscritores. Deveremos lutar contra o lado asqueroso, anti-social, desalmado, do Memorando? Sem dúvida! Ficar à mercê de credores é ficar à mercê de uma lógica que não têm coração. Ir institucionalmente mais longe, conforme propugna esta ‘carta’, à luz do percurso grego, parece-me, seria horrível. Estamos reféns do tempo, mas não dos motivos e das razões para resistir, dentro das regras que nos prestigiem e salvaguardem. Sendo verdade que me inscrevo naqueles que, não tendo partido, se preocupam verdadeiramente com o destino do seu País e do seu Povo, não posso jamais pactuar com um grupóide de paquidérmicos, muitos deles dependentes dos contribuintes há décadas, como o magno signatário minúsculo Soares. O que pensar dele e de gente toda ‘fiável’ e socialmente beata do calibre intelectual e instintual de um João Trotsky-Guevara Galamba? Assinar ou subscrever enunciados emanados de figuras pesadas e repetidas e omnipresentes e papais e incontornáveis e tutelares, foda-se!, torna repelente a causa e matéria para espessa suspeição o objectivo que as move. Para avalizar a qualidade de um peditório desses, olhemos para o perfil e trajecto do pedinte ou pedintes. O trajecto não é frugal. O perfil não é isento. Borraria a minha cara de esterco se Sócrates me aparecesse com um abaixo-assinado para a eleição de Manuel Maria Carrilho como presidente da ONU ou para a constituição de um grupo de trabalho para salvação das contas nacionais. Só posso borrar a minha cara sempre que o Soares encabeça ou preside ou impulsiona seja lá o que for-manifestos, cartas abertas e outras ejaculações esquerdíssimas e estado-socialíssimas.

SE FOSSE VERDADE...

Não estamos habituados a que a consciência e o exemplo venham dos políticos e muito menos que partam de um partido com um percurso e um perfil assim. Que seja verdade. Que seja mesmo verdade. Ainda não consigo acreditar.

quinta-feira, novembro 29, 2012

EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO

«Um chefe de esquadra da PSP e uma funcionária judicial do DIAP do Porto foram detidos ontem, após vários meses de investigação, por fazerem parte de uma rede de tráfico de droga.» SMMP

O PERIGAR DA PRESIDÊNCIA DILMA

«Pelas informações vazadas a conta-gotas, até agora, da Operação Porto Seguro, fica evidente que o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua continuadora, Dilma Rousseff, e o grande líder petista José Dirceu de Oliveira e Silva, tinham bastante domínio dos fatos sobre como a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Novoa de Noronha, coordenava um time de corruptos, em um verdadeiro governo paralelo, com esquemas que favoreciam empresas e pessoas interessadas em obter vantagens ilícitas junto a órgãos federais e agências reguladoras. O Padrinho (Godfather) de Rosemary Novoa de Noronha repete o velho discurso de sempre de que “nada sabia” e agora se “sente traído” pela amiga e assessora do seu coração – que agora caiu em desgraça. No papo furado, mandado espalhar na mídia amestrada pela máquina de contra-marletagem petista, Lula teria dito: “Eu me senti apunhalado pelas costas. Tenho muito orgulho do escritório da Presidência, onde eram feitos encontros com empresários para projetos de interesse do País”. A certeza geral é que o Mensalão nunca acabou. Aliás, se sofisticou.

SEREMOS OU NÃO SEREMOS A GRÉCIA?

«As medidas pré-aprovadas esta semana incluem reduções de juros nos empréstimos concedidos pela ‘troika' à Grécia, incluem também o alargamento dos prazos de reembolso, e consta que também permitirão canalizar algumas mais valias, realizadas pelo Banco Central Europeu sobre a dívida pública grega no programa de recompra de obrigações, em benefício do tesouro grego. Ou seja, de uma só penada, a Grécia renegoceia as condições do seu empréstimo e recebe uma transferência (permanente) dos seus parceiros europeus. O problema é que não chega. O Estado grego, que só agora parece ter chegado a uma balança primária (antes de juros) equilibrada, continua por reformar. E o défice externo segue imparável, indicando que a dependência externa (económica e financeira) continua a ser um dos traços marcantes da economia grega. Está visto que a Grécia vai necessitar de um terceiro programa de resgate, e que tão cedo não regressará aos mercados para emissões de longo prazo. A austeridade será prolongada, sem esperança à vista. E, portanto, voltando ao polícia bom e ao polícia mau, creio que o objectivo dos credores não é mais do que manter os gregos em lume brando, até que um dia estes fervam e tomem a decisão que ninguém quer tomar por eles: a saída do euro.» Ricardo Arroja

ESTE PRESUNTO NÃO É O ÚNICO 100% NATURAL

quarta-feira, novembro 28, 2012

A PALAVRA AO MEU QUERIDO AMIGO GREGO

A minha fotografia
O meu caríssimo e grande amigo
Pedro Grego.
«Pobre de espírito és tu, que além de sectário, és BURRO! Inisistes nas mesma (i)lógica económica de contracção, redução, corte, eleminacao, agravacao, sobretaxacao, e tantas outras coisas que apenas retraem o consumo e as sinergias internas, constrangem as famílias, aumentam o desemprego, agravam a pobreza, e diminuindo a procura em detrimento da oferta. O tecido empresarial vai à falência, o desemprego aumenta (o que acresce a despesa pública, face ao elevado número de pensionistas), a banca que continua por regular, as PPP's cujos compadrios continuam ser devidamente apadrinhdos, entre tantos outros flóculos de merda que, pelos vistos, continuam a ser a base do teu pequeno-almoço. Ora, se a despesa pública aumenta em função de políticas inactivas de emprego, de antecipação de reformas, e de gestão danosa da "coisa pública", para não falar da retracção do consumo por via de um escandaloso e inadmissível aumento IVA, e por fim, do IRS, com nefastas consequências para o poder de compra da classe média, e acrescidos malefícios na hora da tributação fiscal. Nunca na vida se assistiu à recuperação de uma economia sem se apostar nos exactos alicerces do seu crescimento, e não apenas na exclusividade de modelos austeros. Em menos de um ano, passaremos de pré-falencia à falência total. E aí, meu caro, tenho a certeza de que Nuts.» Pedro Grego

DA OPINIÃO ORDINÁRIA, INSIDIOSA E HABITUAL

Hoje é dia de mais opinião ordinária e habitual. Ordinária, porque finge que nasceu ontem. Habitual, porque é palavra de donos disto, arrogados donos morais e institucionais disto-Portugal. Só os que se concebam donos do Regime, como Soares, se alarmam sobremaneira com o confisco que lhes sucedeu impensável também a eles: cansativamente, pronunciam-se sobre a Europa, sobre o País, mas o País suporta mal quer o Fisco Brutal quer o trajecto sanguessuga desses pais e herdeiros imorais do Regime. Ordinária, porque não disfarça os seus intentos pessoalíssimos, a busca na secretaria «Demetir, demetir e demetir!» da desesperada reversão dos prejuízos causados pelo recuo governamental dos apoios à Fundação. Habitual, porque o rei intocável, jarra melindrosa do Regime, não se enxerga: olho para o crepuscular Mário Soares e penso no Dâmaso Salcede que Eça pintou: a mesma figura, a mesma ridícula obsessão por si mesmo inexistente e pelos modelos estrangeiros, mas que nem em França hoje encontram guarida e defensor. Quem haveria de ousar beliscar essa Estátua Ambulante à Glutonaria e ao Privilégio de Estado?! Sobre a situação portuguesa, a Vetusta Múmia Soares descobre que não vai mal. Vai péssima. «Piora, dia a dia, semana a semana, mês a mês, ano a ano.» Porquê? Porque o actual Governo está no poder. A Múmia apela a que observemos as estatísticas. Sim, nada melhor que estatísticas para comprovar a aguda capacidade de observação de uma Múmia. Nada como imputar inteiramente ao Governo a situação. Mas há mais. Este Sacerdote Vestal Mumificado sugere que o Governo vai dividido [dividido, não, «devedido»]. Ora, não importa se é verdade. Importa o facto de ser a Múmia a dizê-lo. Ser ela a pronunciar-se sibilina só pode representar estar o interesse geral do lado oposto, para não falar da derrota do argumentário devido à nula idoneidade do argumentador. Sim, porque já toda a gente sabe que o Governo vai impopularíssimo e que cometeu erros e que tem aselhas e que obedece à Merkel, e que é um porta-estandarte do EuroGrupo e da defesa do Euro-Moeda, e obedece ao FMI, ao BCE, e ao diabo que o carrega. Mas há mais Portugal para além do Governo, um Portugal que Soares, o seu Legendário Umbigo, a sua inenarrável Omertà Favoritista, não conhecem. Há, pelo menos, uma longa caminhada sugadora nas costas do sugador, dono de um sugadouro, uma história de ganância cujo nome por acaso é Soares. Uma Múmia que pactua com e abraça um Ladrão, hoje feliz e intocável em Paris, não tem moral para escrever acerca de demissões nem para arrogar-se em consciência da Nação. Não deveria debitar. Por pudor. Se há uma reserva moral da Nação, está em silêncio, está em agudo sofrimento moral, estomacal, físico, espiritual. Quem fala e opina pelos megafones dos media com imoderação pornográfica é a Reserva Imoral da Nação, a parte mais rapace e bem sucedida em saciar-se e cevar-se dela, de todos nós, ao longo das últimas décadas. Mas há mais. O Imponderável Soares, que sempre foi uma piscina de veneno, diz que Paulo Portas deseja abandonar este Governo. Até pode ser verdade, mas vindo do Imponderável Mário soa a dejecto gratuito, àquele tipo de boca só para meter nojo. Diz a Majestática Paralisia que «o PSD, se não me engano, são hoje dois Partidos: o que aprova a política do Governo (muito minoritário) e o que a desaprova totalmente, embora por razões diferentes (maioritário).» Até pode ser verdade, será até mesmo verdade, ok, pronto, é verdade, mas vindo da Suma Paralisia Egolátrica soa a diarreia e a mal intencionado postulado zarolho, até porque há também dois PS: o PS do Memorando, assinado, repito, assinado; e o PS dos Galamba, dos Rapazolas Pedro Marques e Basílio, disposto a rebentar com isto, desde que lhe caia no colo o Poder e todos os dividendos políticos que deveriam estar a zeros, se houvesse uma réstia de dignidade, memória e brio neste eleitorado encornado. O que faz Sua Alteza Dom Soneca Soares, na sua majestosa impostura monumental?! Chantageia! «Demetir». Chantageia com a face dolorosa dos factos. Chantageia com a face negra da Hora, mas com todos os ovos da insídia colocados no grande cesto dos seus intuitos e objectivos pessoalíssimos. Mas há mais. O Inaudito e Indescritível Soares cita o caso do ministro mais livre, mais sábio, mais bravo e independente deste Governo, Álvaro Santos Pereira. Toda a gente sabe que as vaias não são critério de justiça nem de avaliação digna de confiança. Álvaro, que não precisa da Política para nada, ao contrário de Soares, que alicerçou no Estado todo o seu poder pardo, Padrinho de milhares de afilhados, alerta com coragem para os perigos do excesso de austeridade, mas não o faz no patamar populista e demagógico de Sua Alteza ou do célebre parvalhão que timona o PS. Fá-lo leal e construtivamente. E que conclui o Papa-Lagostas do Socialismo Aristocrático? Isto: «Quer dizer, boa parte do Governo Passos Coelho não se entende entre si.» Mas já não se vive na divergência criativa, mesmo e sobretudo num Governo?! E o que pensa a Troyka do que pensa o Álvaro ou do que desejam os portugueses garroteados pela austeridade?! A velhice, caro Relíquia Soares, que poderia ser para si um espaço de pacificação e luminoso equilíbrio, não passa de um tinir avarento e erróneo. A velhice é fodida! Mas há mais. Sua Altíssima e Perspicacíssima Sondante Pessoa, Soares, afere o que «a esmagadora maioria dos portugueses pensa» do Governo Passos Coelho e de ele próprio, Pedro Passos Coelho. E note-se como é sujo e traiçoeiro a Vetusta Entidade em Forma de Sonda: porque, diante do pensamento geral sondado como devastador sobre o incumbente Passos [que de facto mentiu, que falhou, que crudeliza o que é cruel e não suaviza o que não é suave], «seguramente que há muito teria tido a honradez de se demitir» [demitir, não, «demetir»]. O País não aguenta esta merda nem merdas como este Oráculo Caga-Tacos: todos os freitas, todos os soares e todos os outros que desfilam iguais, opinam o mesmo, acordados de repente no meio do grande incêndio que na verdade acalentaram, soprando, peidando o seu metano odioso, apoiando incendiários ainda piores, mentirosos, intrujões, criminosos, que não escapariam ao crivo do sistema penal mais pilantra de uma República Pelintra Africana qualquer. Agora é tarde. Para os devidos efeitos, o Orçamento para 2013 vai consumar-se aprovado, inaugurando uma safra inaudita de devastação honrosa. Pagar-se-ão muitas dívidas. Sanear-se-ão muitas Empresas Públicas com défices acumulados. A Vetusta Calamidade Facciosa Soares termina o seu lençol no Diário de Notícias, recordando que o medo grassa por aí. Sintomático. Sob o signo do medo e da desorientação, do sem saber o que fazer ou para onde podemos ir, temos Sua Excelentíssima Excrementícia Paz d’Alma a agoirar, introduzindo o seu grãozinho de cocó de Esquerda Radicalóide [repleta de futuro tumular] na pesada cruz geral. Uma vez mais, por amor de si mesmo e dos seus interesses, olha implorativo para o Presidente da República e para o Tribunal Constitucional, na esperança de que daí lhe venha o alívio [«demetir, demetir e demetir»] que não encontra na bojudíssima e antiquíssima conta-cacho bancária. E termina, ominoso, vácuo, parlapatão, recordando que o «Governo está cada vez mais impopular (se é possível) [...] se teimar em continuar como tem estado, vai acabar muito mal. O desespero leva à violência, como a história nos ensina.» Conviria lembrar aqui o Dr. Ominoso Soares que todos queremos que o Governo se foda, termine mal ou termine bem, desde que alguma coisa se aproveite do País e para o País, que não começou só agora a ser comido por lorpa. Pergunte-se, aliás, o Excelso Soares o que nos fez a sua prole, o que preparou para nós essa prole-bando, o mais rasca e mais reles de políticos ditos socialistas.

A FALÊNCIA MAIS ESTÚPIDA DO MUNDO

«Estar falido e viver num Estado falido e insolvente é tramado... Felizmente temos as manifestações da dupla CGTP/PCP, a demagogia risível do Bloco e a greve insana dos estivadores para animar a maralha. E, cereja podre no topo da broa, temos o artista Seguro que, ao mesmo tempo que exibe com vaidade o seu branqueamento dental, tenta enganar os mais pobres de espírito dizendo que está pronto para governar com todas as soluções mágicas na manga - só não diz quais, fala num crescimento económico, esotérico diríamos nós. Por fim, temos o causador desta desgraça toda a assistir da cátedra de luxo em Paris, sem o mínimo de remorso ou vergonha.» Jorge Duque

terça-feira, novembro 27, 2012

O «PARVALHÃO»

«Quer dizer coisas que angariem votos que nem pensa naquilo que diz. Os Estados Unidos, para não falar de outros, com a crise do subprime ficaram com toda a certeza mais pobres. Aliás, até há estatísticas que aferem o quanto cada norte americano perdeu com a crise. Poder-se-á dizer que ainda não saíram da crise. Bem sei que certos países caso não cresçam aqueles tanto por cento, podem ser considerados como estando em crise. Exemplo? A China. Mas para mim crescimento não é crise! A depressão dos anos 20 nos states não tornaram os states mais pobres? A crise na Argentina, no imediato, não tornou a Argentina mais pobre? Sinceramente. O Parvalhão tem que ser entusiasmado a dizer quais os países que saíram da crise sem que no imediato não tivessem ficado mais pobres! Tenho dificuldade em lidar com gente populista que atira umas bujardas para o ar só para apanhar ignorantes. Esta jeba não tem aspiração a mais? Não tem essa ambição?» Anónimo

POR QUE MOTIVO O CITIGROUP É UMA MERDA?



É ler o post e depois o comentário que o tritura aos bocadinhos.

UM MOMENTO DE LUZ

domingo, novembro 25, 2012

JOÃO TORDO FEZ-ME CHORAR E RIR

Agora mesmo, a minha mulher chamou-me a atenção para o Conto de Natal de João Tordo, num suplemento do Jornal de Notícias de hoje, Somos Livros. Tinha começado a ler e estava a achar divertido, partilhou. Decidi ler também. Atirei-me ao texto na esteira daquele prazer que cintilava nos olhinhos dela. Éramos os quatro na cozinha. Filhas brincando, pintando, a mais velha a aprender a ler com um puzzle de palavras entre mãos com que formava sucessivas frases. Da narrativa do João não falarei. Quem puder, que a prospecte e a sinta com o corpo todo, num JN junto de si. Do que senti, sim, tenho de falar e já. Não é todos os dias que se chega ao fim de uma leitura com os olhos marejados. E não fui apenas eu. A minha mulher também. Mal terminei, saí da cozinha com a palma das mãos nos olhos. Ela terminou depois de mim e eu vi as suas lágrimas, que para mim são o ápice do Belo, o Excesso do Poético, enquanto eu estiver vivo. Não sucede vulgarmente que o coração se nos estremeça só com uma história escrita certamente no Olimpo, junto das musas, olhos nos olhos com elas. Se quiserem enternecer-se e seguir neste dia mais humanos e mais sensíveis, leiam este conto do João. Foi uma Epifania para mim. Mais uma pela qual dou graças a Deus.

sábado, novembro 24, 2012

UMA OUTRA-EUROPA

HALLELUJAH! HALLELUJAH! HALLELUJAH!

EMPOBRECER

Empobrecer é fodido. Terça-feira, a proposta do Governo para o Orçamento do Estado para 2013 será aprovada. Sinto-me impotente para contestar o que se mostra inevitável, embora nem discuta o facto patente a todos os olhos de não ter propriamente à testa do Governo quem se bata por mim, por cada um de nós com unhas e dentes. Um País sob intervenção externa não debate nem negocia orçamentos. Debate e negoceia minudências e montanhas que vão parir os ratos habituais. Simular baixar os danos sociais enquanto na verdade se submete ao receituário de base. Desde logo, eu esperaria da Oposição em geral e do PS em particular ideias que merecessem o acolhimento pelos partidos do Governo: horroriza-me que os partidos não cooperem nem trabalhem sinergias práticas no sentido de desonerar as medidas mais gravosas sobre as pessoas. O que é que PSD e CDS têm para nos dar no que respeita à remoção de todas as situações de excepção na cúpula governativa e noutras zonas de conforto perpétuo?! Zero. Por que motivo não se renuncia ao pagamento dos  subsídios de Natal dos assessores e adjuntos do Governo para fazer exactamente o que os Governos-PS nunca por nunca fizeram ou fariam enquanto caminhavam alegremente para o atascamento fatal do País?! Neste ponto, o Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças voltam a ser fracos, a falhar-me, hierárquicos, aristocratas. Este Orçamente bem pode assumir a reformulação das metas para 2013: em vez de um défice de 4,5%, o que Deus quiser, tal como para 2012, em vez de 5%, será de 6% para cima, mas isso tem explicações que a nossa vã filosofia não pode perscrutar, dada a desactivação massiva de economia, postos de trabalho, consumo, acréscimo de peso na componente social do Orçamento. Detentores de lugar cativo nos media falam, há semanas, na ideia de demitir o Primeiro-Ministro e o seu Governo. Soares, Freitas, Louçã, — o Céu e o Inferno — propugnam dia sim dia sim a remoção deste elenco, ao passo que os credores vêm avaliar trimestralmente o ajustamento, garantindo paradisíacas os nossos progressos, o emagrecimento radical do nosso Estado Social, as próximas e promissoras privatizações, a transferência de sectores públicos para a iniciativa privada. Porém do lado do PS, o estado de guerrilha interna não poupa a brandura de António José Seguro e a direcção do PS: cinicamente a corrente pelo Rasgão do Memorando, que labuta à Esquerda da Retórica Xuxa faz o que sempre fez: negra a vida do líder. Fogem de vir a ser Governo e a suportar medidas impostas pela Troyka como o Drácula de uma trança de alhos. Para todos os efeitos, o Memorando umas vezes é rasgado [António Costa rasga-o todas as Quintas-Feiras, na Quadratura do Círculo, disposto a assinar um novo, se lhe derem importância, tempo e a oportunidade de ser o próximo líder, presume-se]. Passos olha para nós, o seu próprio Povo, em alemão. Silencia em alemão, quando poderia marcelizar a conversa connosco todas as semanas, em família. Toda a Europa, nos seus farrapos e enorme problema da moeda e da coesão, está suspensa das eleições alemãs. Trata-se de uma amarga ironia que, no próximo ano, à paralisia das instituições europeias se some a paralisia das instituições nacionais: para que alguma coisa nos corresse perfeitamente, seria preciso que o Presidente da República lançasse centenas de traineiras ao Atlântico para pescar gambuzinos comestíveis, inaugurasse uma centena de novas indústrias de fazer inveja aos chineses, corta-unhas e bijuteria a preços competitivos com a indústria caseira a carvão nos arrebaldes de Pequim. Dissolver a Assembleia da República e convocar eleições? Isso é para fracos, para jornalistas-PS, conspiradores torcidos PS, gente completamente atoleimada dos cornos, nesta Hora de Morrer ou Morrer. Demitir o Governo corresponderia a demitir a Troyka, cuspir no BCE, cagar para o FMI, fazer um dedo do meio à Comissão Europeia e à Chancelerina. Não se espere um Cavaco Silva em 2013 capaz de engendrar um problema gigantesco à nossa pequena posição fantástica no conceito internacional e horrível no teu, meu, nosso bolso.

DA ESPLENDOROSA DISSOLUÇÃO EUROPEIA

sexta-feira, novembro 23, 2012

A NOSSA SENTENÇA DE MORTE

«La gente de más de 45 años que éste en el paro no volverá a trabajar nunca más. Nuestros universitarios se van de este pais, en los centros estamos preparándolos para que se vayan a trabajar a Alemania y Estados Unidos.» José Maria Gay

quinta-feira, novembro 22, 2012

MAIS ALTO

A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR, E A GASPAR...

Socratesiano e pateta, graças sabe deus a quê.
Detesto delicodoçura especialmente aquela que parte de impostores e analistas-caolho. Odeio ainda mais aquelas narrativas poluídas de uma tónica de notório compadecimento falso, tónica já indevida e desonesta em qualquer altura, muito mais num contexo como este, sobretudo quando se omitem os seus  gravíssimos antecedentes. Em qualquer supermercado de qualquer centro comercial do País, em qualquer dia, há jovens e menos jovens mães, acompanhadas dos filhos, e que não fazem contas enquanto compram a pensar neles. Leite, manteiga, fiambre, detergentes... Gastam 20 euros por semana bem contados. Mães  que não têm surpresas nem sobressaltos na caixa. Mães que sabem bem o dinheiro que trazem na mão e que nunca se expõem a ter de dizer «Vou ter de deixar algumas coisas. Só tenho 19 euros.» Mães que não fazem perguntas à empregada da caixa. Mães que nunca comprometem o pacote de bolachas do menino para a escola. Mães há anos com uma lágrima no canto do olho a perguntar-se: quando terei mais dinheiro disponível para uma vida digna, uma casa, para pagar luz, água, gás e sobrar-me algum para viver bem?! As bolachas! Há mães que muito antes de um Gaspar ter sido inventado já viviam envergonhadas por um rendimento abaixo de 450 euros, pobreza de quem por mais que trabalhe nunca imagina que ser pobre seria tão fatal, que a nossa pobreza equivalesse à riqueza dos que se encheram de saque e de roubo enquanto detinham os cordéis da decisão. É essa a vergonha e o pudor dos que a sofrem, mães, pais, profissionais. Agora que o ministro Vítor Gaspar tem as costas largas, espero que o Nicolau Santos vá perguntar aos Paulos Campos, aos Miguel Sousa Tavares e Marinhos e Pinto da opinião eternamente omissa ou abonatória dos José Sócrates, se me conhecem a mim, se conhecem estas mães e os seus meninos sem bolachas para a escola e que ficam a chorar espectacularmente no supermercado. Mas desconfio que nem o Nicolau nem os ex-incumbentes, nem os perpétuos opinadores, excrementadores de opinião, pararam um minuto para pensar bem no que estavam a fazer, a dizer e a defender, de 2005 a 2011 e não conhecem nenhuns meninos que estejam a passar pela mesma situação. Ou, se conhecem, consideram que esse foi o preço a pagar pela famoso endividamento colossal das contas públicas. É isso que é muito preocupante.

VIDA MARAVILHOSA

quarta-feira, novembro 21, 2012

ONDE, FRANCISCO, O TEU BURRO E A TUA VACA?

Francisco inventou o Presépio,
o menino Jesus e o calor dos animais, ali, na gruta de Belém.
Papas vêm, Papas vão, mas o que São Francisco recriou e reiventou não poderá, jamais, ser descriado ou desinventado. Deixem os animais de caco em paz!

BOLHAS, FALÉSIAS FISCAIS, BURACOS MEDONHOS

«Por alguma razão a América, o Reino Unido e as suas ratas sábias, a que chamam agências de notação, olham e querem que todos olhemos apenas para a tragédia grega!» O António Maria

terça-feira, novembro 20, 2012

METANO? NOTHING SUCCEEDS LIKE SUCCESS

«When SAM analyzed an air sample, it looked like there was methane in it, and at least here on Earth, some methane comes from living organisms.» npr

JOÃO LOURENÇO REBELO

CARLOS NEJAR, HISTÓRIA DA LITERATURA BRASILEIRA


Não é todos os dias que um homem se depara com um apaixonado pela Literatura Brasileira do calibre hiperbólico de Carlos Nejar. No entanto, nem ele evita falar bastante a medo e bastante à distância da Literatura Portuguesa. Porquê? Síndrome continental, creio. Em todo o caso, sugiro aos leitores não deixar de ver esta suculenta entrevista, cujos postulados base, valiosos por ventura para a validação e inserção [dos mais diversos escritores injustamente esquecidos] na Literatura Brasileira, subscrevo com todas as fibras da minha sensibilidade para a nossa, portuguesa.

DESNAUFRAGAR. DESESQUIZOFRENIZAR

Estamos assim. É o que temos. Temos que em qualquer esquina vemos gente que estende a mão. Hoje, no Pingo-Doce, o velho que estava à frente na fila de compras não tinha moedas suficientes para liquidar nada mais que um sumo light. Enganara-se no preço para menos. Estava embaraçado. Imediatamente fomos três a estender à menina da caixa o montante para pagar aquela insignificância. Somos um só Povo. Sabemos unir-nos perante um inimigo interno ou externo. Não podemos deixar de protestar, de encher as ruas, agora mais que nunca, mas ao mesmo tempo nenhuma outra Hora reclamou tanta frieza, unidade e uma fina percepção do que construir e do que demolir, porque há muito a demolir no nosso Regime e Sistema Político. Não somos homogéneos nem unívocos, mas podemos e sabemos trabalhar pela unidade. Por ela me baterei. Não sou de Direita. Não sou de Esquerda. Sou do Centro. Sou pelo bom senso e por estratégias de regeneração que têm sido traídas sucessivamente pelos Partidos, dentro e fora do Parlamento, dentro e fora dos Governos, traídas pelo Ministério Público, traídas pela Presidência da República, esmagadas e comprometidas desde o âmago paralítico do Regime. Não me incomoda que Gaspar falhe as suas previsões quanto ao nosso crescimento e mesmo quanto à caixinha de surpresas da meta dos défices de 2012 e 2013. Acho temerário até, quando mesmo o FMI hoje emite a medo, prever sequer seja o que for. Seja o tal crescimento em 2014, de 0,8%, seja o de 2015, com 1,8%, ninguém, em seu perfeito juízo, controla, domina, antevê, seja o que for da realidade europeia gripada e das várias ficções dela. Vivemos em plena esquizofrenia no âmbito da Política e no âmbito da Rua. A Rua também deveria ter objectivos concretos, regeneradores e aperfeiçoadores. Quais são eles? Pura cacofonia e bocas perfeitamente demagógicas e populistas. Decidi que não cederei à amargura e procurarei estar alegre, mesmo que cheire a absurdo. Se a democracia e o consenso fossem a base para a nosso bem-estar e a superação dos nossos problemas, já o havíamos testemunhado nas várias sedes. A decrepitude dos partidos e o deserto de espíritos livres compromete-a todos os dias. Não basta convocar a Oposição ou os Partidos, movendo-os, conforme move, o preconceito e a cristalização de posições demasiado rígidas e estereotipadas para fazerem face aos desafios do presente. Cada um de nós tem de fazer a diferença, provocar, desestabilizar certezas, por amor do Próximo, por amor do nosso querido País. Havemos de desnaufragá-lo. Comecemos por desesquizofrenizar-nos.

segunda-feira, novembro 19, 2012

FRANCESCO MARIA VERACINI

SEGURO E SUAS MAJESTADES SARCOFÁGICAS

Além de gesticular-esbracejar com hábil facúndia para o teleponto, como fazia o impronunciável, ninguém sabe já o que  Seguro fará mais para obter mais e mais popularidade. Por esta altura, deveria estar a rebentar com a escala do amor e da amnésia populares. Certo é que, para um enorme e colossal buraco herdado por Passos, buraco aliás recordista entre todos os nossos buracos históricos, em novecentos anos, nada como um confisco recorde. Nem todos os prejudicados têm antena. Daí que se estranhe aparecerem particularmente irritados todos os Mário Soares da praça. Sim, são vários. Depois de dez aparições consecutivas de Sua Majestade Sarcofágica Soares nos media, a pedir a demissão do Governo, aparece agora, na célebre alternância regimental de fanhosos em Mono num mundo a FM, outro Soares, o Soares B, Freitas do Amaral. Freitas é outra Majestade Sarcofágica, armada em áugure, auspiciando a demissão próxima do Governo. Quem será o próximo Soares a comparecer no alterne vulgaróide dos nossos media?!

MUSGO NOS INTERSTÍCIOS DO CAMINHO

O REGIME ANGOLANO É BOM. VIVA O REGIME!

MAR E CÉU DE NOVEMBRO


sábado, novembro 17, 2012

MOFO, A PALAVRA DO DIA


SOCIOLOGIA DA PEDRADA II

«Um deles, subiu aos poucos degraus que o cordão policial ainda tinha poupado e gritou para os manifestantes: “Por favor, parem já com isso! Não lhes façam essa vontade!”. “Sai daí, palhaço!”, gritaram-lhe alguns dos manifestantes que tinham pedras nas mãos. “Se for preciso eu morro aqui, mas assim não!”, respondeu-lhes, sem efeito.» Público

MEU CRISTO, MEU TUDO

«Ichthys (also Ichthus or Ikhthus /ˈɪkθəs/[1]), from the Koine Greek word for fish: ἰχθύς, (capitalized ΙΧΘΥΣ or ΙΧΘΥϹ) is a symbol consisting of two intersecting arcs, the ends of the right side extending beyond the meeting point so as to resemble the profile of a fish, used by early Christians as a secret Christian symbol[2] and now known colloquially 
as the "sign of the fish" or the "Jesus fish.» Wikipedia

OU A VIA DO COLAPSO OU A DA SOLIDARIEDADE

in Diário de Notícias

O VÍTOR E O MOFO DO SEU BAÚ

Read all about it in Diário de Notícias

NÃO ADIANTA MUITO PROTESTAR

in Público, 16 de Novembro, 2012

SOCIOLOGIA DA PEDRADA

Sim, vamos regredir, empobrecer, mas regrediremos muitíssimo mais e mais depressa
se a estupidez e a irracionalidade, impulsos fáceis, não derem lugar a formas
mais sofisticadas de eficácia, união e organização.

ENDOSCOPIA CEREBRAL OU SONDAGEM

sexta-feira, novembro 16, 2012

A INEXORÁVEL RECESSÃO DA ZONA EURO

«A zona euro está em recessão oficial, com a contribuição da sua outrora quarta economia, a Espanha, da terceira, a Itália, e daquele país atavicamente contra os preguiçosos do Sul chamado Holanda. No primeiro trimestre de 2013, a exemplar Alemanha e a velha França deverão juntar-se à depressão geral.» Ana Sá Lopes

NA PRIMEIRA LINHA DO ARREMESSO DAS PEDRAS

Quando Seguro fala em emprego e em crescimento, os meus olhos rebrilham de esperança
e a minha boca saliva de «apoiado perante esse abracadabrês populista.
Uma coisa é discordar, outra bem diversa, sabotar. Ora, o PS está a colocar-se no lado diletante da política, torneando com falinhas mansas toda a gravidade da situação financeira e económica do País, outra forma de atirar pedras à realidade nua e crua. Este não é o tempo de, por puro cálculo e hipocrisia, permanecer do lado do problema. Quando Seguro fala em emprego e em crescimento, os meus olhos rebrilham de esperança e a minha boca saliva de «apoiado!» perante esse abracadabrês populista. A situação exige muito mais, embora o PS não esteja à altura, talhado que está ou para foder com as contas do Estado ou para engonhar soluções e vir com os Galambas e os Basílios armar em compadecidos e chocados e outros estados de alma virginais. O PS, antes de vir arrasar com a Troyka deveria arrasar consigo mesmo, incapaz de assumir o ónus por um caminho trágico e incapaz de assumir com suficiente coragem a quota parte de responsabilidade por medidas impopulares incontornáveis. É tão fácil ser socialista, tão confortável ser do Partido Socialista, garantia de se estar invariavelmente no lado certo, o lado fácil.

ALAN STOLEROFF E A GREVE DOS ESTIVADORES

A minha primeira leitura do dia foi extremamente agradável. Muito bem redigida, esta espécie de estudo de Alan Stoleroff sobre as «grandes transformações na operação dos portos» e o obstáculo a essas transformações levantado pelo «Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal», está, no entanto, viciada já que aprioristicamente apresenta como bitola base explicacionista a obsoleta luta de classes. Visto e revisto de fio a pavio, dei por mim a interrogar-me: mas então a actividade dos portos tem como fim os interesses corporativos dos estivadores?! E a competitividade no plano europeu e mundial?! E o imperativo sócio-económico da respectiva rentabilidade operacional e a melhoria dos desempenhos?! Por alguma razão, e isto é que nos interessa a nós, cidadãos, removidos obstáculos semelhantes, só o porto de Leixões apresenta, em todo o território nacional, se não erro, resultados líquidos positivos. A greve em decurso é uma pedra na engrenagem nacional, especialmente neste contexto de matar ou morrer na ponderosa e desfalecente questão do PIB, do aumento das exportações. Provavelmente, o Sindicato em causa não pensa no País, só nos direitos obtidos e consagrados num tempo passado e esfumado.

MIL MACACOS CAGAM POR TRÊS MIL PORCOS-ESPINHO

Estas verdades toscas, por ventura insofismáveis mas não pronunciáveis, definitivamente não lembrariam ao careca. Por acaso lembraram a Hans-Joachim Futchel que até é moderadamente calvo, mas adiante...

A GENTE FINGE QUE ACREDITA

Só pode rolar muito dinheiro nesta nova brincadeira que nos viola a paciência.

É IMORAL! É IMORAL! É IMORAL!

Perante a realidade confirmada de que quase 1500 pessoas nomeadas pelo actual Governo receberam subsídio de férias em 2012, segundo o Diário de Notícias, subsídios respeitantes a férias vencidas em 2011 e não a 2012, ano em que o subsídio foi cortado aos funcionários públicos, torna-se para mim, uma humilhação ter de concordar, assim a frio, com um rato como José Junqueiro: «É imoral, não tem precedentes no momento tão difícil que vivemos e é tratar os portugueses de forma diferente. O Governo protege os seus e corta a todos os outros». José Junqueiro

A INAUDITA GUERRA DA RUA CORREIA GARÇÃO

Teria sido tudo tão simples se não passasse de gritar contra a Troyka e contra o Governo,
ouvir o Camarada Espingardante Fóssil Arménio e depois regressar ao sofá para ver as imagens, as entrevistas,
as velhas assanhadas agarradas a um cravo vermelho de papel de seda.
Mais dia, menos dia, teríamos pedras esvoaçantes nas bordas do Parlamento. Hordas minorcas à pedrada, o espectáculo que nos faltava. Para acertar em quem e obter o quê? Acertar em polícias, acicatá-los, sorver adrenalina grátis à falta pó de talco. Obter o efeito de cinema à hora nobre. Escudos furados. Viseiras visadas. Capacetes retinindo em seco a cada ricochete. Uma cena miserável, frouxa, patética, pouco ou nada portuguesa. Lapidar polícias? Nada mais estúpido! A Greve Geral foi, portanto, além de Restrita, destruída. De resto, não se poderia esperar impacto global numa greve feita pelos mesmos e para os mesmos, tendo como único alvo, não um Governo que decide manietado pelos cordéis constritivos com que os credores nos cercam, mas a generalidade dos contribuintes, na verdade aqueles que pagam o caos do passado e os remendos do presente. Quem se manifesta? Quem não tenha a temer um despedimento retaliador. Funcionários de empresas públicas falidas, sectores inteiros só há pouquíssimo tempo emergindo para alguma rentabilidade operacional, mas ainda endividados calamitosamente, parcelas de Orçamento que não compareciam antes de 2012. Sim, há agora choro e ranger de dentes. Os funcionários públicos vêem-se comprimidos na incerteza de todas as garantias do passado, com a ameaça das ameaças que consiste em perder muito mais que em impostos, reformulação de vencimentos ou esmagamento de pensões. O trabalho. Daí que o apedrejamento imbecil de polícias apenas tenha reforçado e protegido o Decrépito Sistema Político Português, nas dimensões irreformandas dele. O statu quo dos partidos de rapina-para-si, como o PS, ou de desesperada rapina fiscal para pagar a dívida, como o PSD e o CDS, sai confirmado, intocável e impune, porque a violência, na sua idiotia estéril e desautorizada, nunca terá um foco, um objectivo moralizador e justiciário, apenas anarco-justiceiro difuso, se tanto. A Governação não sai beliscada de maior no seu caminho espinhoso de profunda e cumulativa impopularidade. Esta incumbência governativa terá como aliado a rejeição geral dos experimentalismos espingardantes CGTP, exposto o efeito perverso de multidões sem serenidade, constância e clareza, sem liderança e sem propósito definido para uma alternativa, aliás inexistente. A defesa da segurança pública é um imperativo transversal na sociedade: nem os partidos nem as instituições e papéis institucionais se isentam de a acautelar. Ora, se havia uma Greve pretensamente geral, ela falhou ao primeiro pedregulho arremessado. A carga policial foi o desenlace natural, durante o qual não há negociação, mas repressão e limpeza. Desde há décadas que as não temos amiudadas e já havia saudades. Os que se viram apanhados no meio da balbúrdia, se não sabiam, deveriam saber ao que iriam e sobretudo o que se desenhava com aquele apedrejamento. Teria sido tudo tão simples se não passasse de gritar contra a Troyka e contra o Governo, ouvir o Camarada Espingardante Fóssil Arménio e depois regressar ao sofá para ver as imagens, as entrevistas, as velhas assanhadas agarradas a um cravo vermelho de papel de seda. A brutalidade é o efeito e o preço a pagar por um punhado de arruaceiros imberbe na via pública, escudados e acalentados por manifestantes que não desfizeram a forma nem dispersaram à vista daquela deprimência. Derrotada do dia? A CGTP. O famoso pacifismo tenso das arruadas contraposto ao linguajar beligerante dos discursos teria de redundar nisto: suficiente pasto para que se soltasse uma violência e esta encontrasse uma foz, mas os efeitos práticos não passarem de lacerações, hematomas, detenções, e uma extensa desmoralização do moto justo que assiste aos que se afligem e desesperam.

quinta-feira, novembro 15, 2012

PAÍS IRRESPIRÁVEL SOB O GÁS DA HIPOCRISIA

Só cegos não vêem que, nos media, o nome de José Sócrates não se pronuncia jamais e ninguém como ele poderia passar por um daqueles burlões que intrujam velhas no interior e se põem a monte com uma maquia considerável, enquanto contemplam de longe os prantos e o desespero dos burlados. Os jornalistas portugueses não pronunciam o nome de José Sócrates, não questionam a sua quota parte maciça de responsabilidade pelos apertos e sacrifícios impostos aos portugueses. Os Marinho e Pinto, os Soares, os Sampaio, as Ana Lourenço, os diabo que os carregue, jamais pronunciam o seu nome e a sua culpa. Qualquer acusação de maldade e desonestidade para com as contas públicas e para com os cidadãos, bomba-relógio deixada para viesse depois, é difamação, não conta, não pesa. Podem ter passado dezasseis meses depois de Sócrates ter saído aparentemente de cena, mas o seu legado pesa e pesará ainda por décadas, para não falar nos montes de merda que falam no Parlamento sem ponta de vergonha na cara, especialmente o populista-anarquista Galamba, o hipócrita absoluto Basílio e todo o esterco associado às malfeitorias do passado. Para tanto bastaram uns anos de desvario e patrulheirismo mediático, com extensa cumplicidade de todos os comentadores com chancela e passe mediático passíveis de suborno moral e avença choruda; muito dinheiro público se escoou através de pagamentos oficiosos a línguas de pau bem industriadas. Os jornalistas encolhem-se, os podres abafaram-se e, hoje, ao menor aceno acusador de estroinice no papel de Primeiro-Ministro, trata-se invariavelmente de assassinato de carácter, cassete eterna que os filhos da puta autores do roubo criaram para si, para se defenderem. O diagnóstico da crise do Euro e da crise económico-social portuguesa não é, portanto, explicável pela acção amplificadora de Sócrates. Explica-se com Cavaco Silva, dizem. Porquê? Por não ter conseguido convencer, em 2009, um impostor minoritário a coligar-se fosse com quem fosse. Mas como poderia o filho da puta coligar-se fosse com quem fosse se todo o fito e toda a safra do PS [como, no Brasil, o PT de José Dirceu] consistia em sugar sozinho Portugal até ao tutano, em fazê-lo depressa e bem, conscientemente, lucidamente, favorecendo os seus, o sistema corrupto Estado dentro do Estado, a sua omertà, até que BES, BCP e BPI dissessem, em Fevereiro de 2011, «Chega, sr. Sócrates! Não vamos comprar mais dívida pública portuguesa a juros estratosféricos! Acabou-se a mama. Acabou-se o jogo do empurra.» Foi aí que o Governo caiu. O resto é PEC IV, conspiração geral, desculpas de mau pagador. Tratava-se de um Governo minoritário, mas minoritário deliberadamente, minoritário pelo seu próprio pé, usando de todas as armas da impostura para se vitimizar à menor oportunidade. A seguir às eleições de 2009, ganhas sob mentiras e falácias, o jogo foi o da inversão do bico ao prego, o engonhar os problemas, dançar o tango com a placidez pachorrenta de Pedro Passos Coelho, hoje tratado abaixo de cão, diminuído em tudo e universalmente tomado por incompetente [neste contexto de tormenta severa?], por ter cão e por não ter, sendo o capataz de Forças Inconfessáveis para um conjunto de transformações forçosas de toda a lógica de organização do Estado, passando pelo recuo do Estado Social. Em Março de 2011, o interesse nacional já havia sido suficientemente fodido por José Sócrates, a nossa soberania estava comprometida e a credibildiade do Governo pelas ruas da amargura. Urgia um golpe de misericórida na Festa Obscena da Dívida, no excesso de auto-estradas, nos luxos infrenes, nos excessos tipo parque-escolar, nas PPP negociadas e comissionadas até às vascas do colapso. Não havia nenhum desgaste ou boicote ao Governo que as relações espinhosas e conflituosas entre Sócrates e Teixeira dos Santos não superassem nas suas lógicas de instrumentalização de números e factos falsos para continuar a boiar-merda à tona do desastre, sempre se alimentam os que sempre se alimentaram do Estado-PS e vivem dele, sem ele não vivendo. Sócrates traiu Portugal, traiu, banalizou enxovalhou Teixeira dos Santos, traiu grosseiramente as gerações presentes e futuras, traiu António José Seguro, minando-lhe a liderança e imbecilizando-o de asno para baixo: os prejuízos materiais, a ruína económica, a degradação da saúde e a devastação moral que depositou no nosso presente não têm paralelo. Sair do buraco é forçoso para todos nós. Não se pode imputar os efeitos de anos de malfeitoria a quem nos estenda hoje uma corda para sair dele. Pois haveremos de sair, ainda que vozes de sereia nos garantam ser ela o baraço da nossa forca. 

QUANDO OS VORAZES FALAM DE FALHANÇO

Não se pode olhar de igual para igual os que sublinham o falhanço na execução orçamental do Governo em 2012. Só a partir de cima. A meta do défice orçamental para 2013 estava à partida viciada de ambição pelos que a negociaram, desde logo, e quem a negociou também sabia a montanha de juros que escalavam e as extensas desorçamentações que tais orçamentos continham, à parte o que falhou pelo excesso de voluntarista do Governo. Isso acabou. O Orçamento para 2013 contém parcelas que nunca constaram antes do Orçamento e Rectificativos de 2012, nomeadamente as relativas às empresas públicas de transportes, calamitosamente endividadas. Para além do facto de 2012 ter falhado a meta dos 4,5% e esse valor passar a meta para 2013, interessa fundamentalmente que o Estado Português deixe de incorrer no volume suicidário de dívida com que se vai pagando os mega-falhanços na execução orçamental de sucessivos  Governos socialistas: todos os caramelos que hoje espumam não para trás. Mas deveriam. Com uma herança tão envenenada e uma instabilidade tão crassa na Zona Euro, não há Ministro das Finanças que possa passar por Zandinga e acertar em previsões. Só os socialistas, nas suas masturbações cínicas, acertam previsões sobre o défice orçamental e sobre a dívida pública. Este Orçamento não é nem pode ser matéria de fé: faz-se ao caminhar e se os parceiros sociais, o Conselho de Finanças Públicas, o Banco de Portugal, as instituições internacionais, a própria Troyka têm dúvidas, o Governo também tem direito a ter dúvidas, fazendo embora o que a seriedade, e não o eleitoralismo, manda. Nem é pelo Orçamento, pelo Governo, seja por quem for. É por Portugal. Ao fim de um ano e meio, em plena tormenta que assola o Euro, como é que os desonestíssimos caramelos socratistas-socialistas podem exigir acerto num Orçamento?! Num contexto volátil destes?! A economia também é uma questão psicológica e o modo como os Galambas se encarniçam resume o volume de toxicidade e populismo negativo a que esse partido está disposto. No Governo, são de Direita. Mas quando a merda infestante do pseudo-socialismo se vê na Oposição, extrema-se, radicaliza a retórica, clama por derrubes de Governo, espuma por rasurar as regras democráticas, ainda se a hora é dramática, de urgência, lavrando o fogo da dívida sem travão. A merda socratista não tem moral para falar em falhanço orçamental, quando todos os esforços estão a ser feitos para se evitarem males maiores. Os actores socratistas são baixos. Representam-se a si mesmos. Se representassem os portugueses, construiriam um contributo realista e útil à parte do corte de despesas, coisa de que são incapazes e não interessados. Preferem uma estratégia de confrontação acusando o oponente de usar uma estratégia de confrontação. Se a desonestidade intelectual e política desse prisão, esses merdas da dívida e da bancarrota deveriam ser sujeitos a prisão perpétua.

AS PEDRADAS INCENDIÁRIAS DO DESASTRE

´«Passos, escuta, és um filho da puta!», ouvia-se ontem na rua. Muito bem, imbecis!
E Justiça contra as malfeitorias políticas passadas, não é cá servida?! Não!
E responsabilização justiciária de Mega-Ladrões?! Também não!
Sim, os direitos poderão ser, aqui e ali, atropelados e algumas ilegalidades poderão ser cometidas. Os homens falham. A tensão acumulada precipita actos impulsivos de consequências imprevisíveis e algumas aselhices policiais. É normal. Por cá, ninguém está habituado a explosões de sangue, gás, pedradas e balas de borracha. Quem, de dentro ou de fora, quiser incendiar Portugal poderá não ter nada mais a recolher senão cinzas. A CGTP está a pisar o risco, abrindo a porta a excessos contraproducentes num combate que deverá ser exemplar. Muitos Portugueses ainda não olharam olhos nos olhos o problema crónico do País, os erros em que, sob governações socialistas, laborou por demasiados anos. Até há um ano e meio, vivíamos de crédito. Crédito ilimitado, infrene, acrescido, solicitado em escalada louca, migalhas para todos, comissões chorudas para políticos na mediação de negócios ruinosos para o Estado, isto é, contribuintes. Era o socialismo a cavar o nosso desastre. Nenhum alarme nas ruas. Nenhuma angústia. Nenhuma forma de censurar o rumo desastroso. Hoje, temos Victor Gaspar fazendo o contrário, segundo um paradigma correctivo novo: dívida equilibrada e controlada; défice definido nos Tratados respeitado; economia-PIB equivalente ou superior aos gastos públicos. Meter isto na cabeça é duro porque, no ajustamento para esses desempenhos macro-económicos, sofremos na carne e no espírito. Sofremos nós. Nós. Não os que beneficiam sempre das governações, seja quem for o Partido habitual. Levaremos décadas para que a dívida pública atinja novamente os 60% do PIB, disse o Ministro das Finanças. Hoje, ultrapassa ligeiramente os 120%. A festa socialista de muitos anos errantes e errados obriga-nos agora a tremendos sacrifícios só para sairmos daqui: sabia-se que seria assim. Está a doer, mas era este o cenário anunciado. Os cortes previstos e o confisco fiscal servirão para pagar dívida pública e isso vai doer-nos e muito: impossível dar mais uma oportunidade aos que nos encalacraram e voltar a esse modelo. Temos de explorar todas as vias de saída e aprender com outros países em pré-bancarrota ou em bancarrota. Porquê? Quem foi o responsável? Não podemos permitir que as contas públicas e as coisas públicas voltem à opacidade e fingimento dos anos socratistas. 

quarta-feira, novembro 14, 2012

CONTRA O VOSSO EMBEVECIMENTO NARCISISTA

As greves gerais são, hoje, manifestações ineficazes
perfeitamente arqueolíticas.
Infelizmente, as greves na Europa só podem ser uma festa na Índia e na China, actos tardios de náufragos enganados quanto ao número de balsas e à gravidade do rombo no casco colectivo europeu. Não impactam um centímetro nas actuais políticas sufocantes de sobrevivência europeia, tentativa de recuperação económica através do nivelamento por baixo relativamente ao resto do mundo, onde, ao contrário da Europa, se produz 90% da riqueza mundial. Não espelham nem dão esperança a desempregados porque o mercado de trabalho está entupido de direitos adquiridos por uns e inacessíveis aos demais, à maioria, talvez para sempre. A luta, através da Greve, é paradoxal: empobrece as principais vítimas das políticas seguidas e não atinge os interesses que passam bem ao largo dos sofrimentos das pessoas, os quais vieram para ficar. A riqueza e a vitalidade económico-financeiras já não estão aqui. Estão longe, no Dubai, em Singapura, em Hong Kong, sim, em Angola e, sim, no Brasil. Está tudo errado, se uma greve não significa nem garante o que pretende obter: uma direcção por onde o Mundo não irá, um rumo que a globalização não seguirá. Esta Greve 'Geral' tem um lugar raso no grande cemitério das greves inúteis porque no fundo equivale à insana atitude ataráxica d' Os Jogadores de Xadrez, de Ricardo Reis, diante de um desastre muito mais amplo. Esta noite, tirem-me da frente, nas TV, a vossa face de embevecimento narcisista por terem feito greve, neste oceano de desactivados e desempregados de que faço parte. Olhem bem para os nossos cornos, primeiro! É que quando me vierem dizer que a vossa Greve 'Geral' foi geral, os senhores estarão a passar a si mesmos um dos mais estrondosos atestados da vossa mumificação intelectual.

SEM O FEL DA DECREPITUDE

Às vezes, os jovens olham para os pais em sofrimento e perguntam-se: «É justo o que lhes fazem? É justo que passem o que passam?» Apetece-lhes partir tudo o que simbolize essa injustiça e essa opressão. E partem. Não são nenhuns Soares, no seu fel decrépito. São jovens que assimilaram a crueldade particular da sua hora. 

FAÇAM GREVE AOS DIREITOS MAJESTÁTICOS

... dos Soares, do super-poderoso Espírito Santo Salgado [que sanguessuga o Estado e os Cidadãos por todas as formas-penhoras e feitios-ex-SCUT], dos abutres, das hienas, dos infestantes da treta, todos os Vale e Azevedo que há por aí, dos hipócritas do Rasga-Memorandos, dos politiqueiros com medo da verdade, dos reles-rascas exilados-atafulhados de euros em Paris, com cela vazia e à espera num calabouço em Portugal. Não vejo que se faça guerra, greve e denúncia acérrima suficiente aos que nos foderam. Não vejo. Se visse, levaria a sério esta sanha por vezes idiota e inútil contra os que nos fodem com o patrocínio e beneplácito internacional.

AVICII, LEVELS

BASÍLIO, MAIS SÉMEN SECO SOCRATISTA

A colagem derreada ao socratismo tornou-o repulsivo.
Em virtude de se ter tornado uma das mais leais e finas línguas de pau do socratismo [um pouco menos que Emídio Rangel, um pouco mais que Marinho e Pinto  cujo linguajar é mais nas entrelinhas], este grande póstumo da AICEP teve um prémio político. tornou-se deputado. Mas Basílio Horta só agora está a começar uma carreira política brilhante, sémen seco que é do socratismo que defendeu com zelo, com baba a escorrer-lhe pelos cantos da boca e perdigotos a saltarem pelos lábios: foi o candidato escolhido pela concelhia de Sintra do Partido Socialista para concorrer à presidência da câmara local nas eleições autárquicas do próximo ano. Boa sorte, basilisco!

PERCEBER DA PODA

«Participada da PT no Brasil aumentou a receita em termos homólogos num trimestre, 
pela primeira vez em dois anos.» Jornal de Negócios

UM SALMO QUE LEVA ÀS LAGRIMAS

SEIS MILHÕES DE MERKELS

Não percebo como pôde o País suportar este socialismo sem corar.

terça-feira, novembro 13, 2012

NUMB, USHER

O ESCÂNDALO, SENHORES!

E nada ficará oculto.

BAFORADAS DE ESQUERDA

Temos muita pena, mas tornou-se manifestamente improvável ver o Bloco agregado ao PS num projecto de Governo. Em primeiro lugar, porque a ocorrer qualquer coisa do género, o Bloco teria de estar no lugar  do PS, ter o seu peso, para ditar condições por ter peso, ele-BE que dita condições sem ter peso nenhum. A Convenção foi um fracasso, mas um fracasso festivo e feliz, com imprecações ao Memorando, à Troyka e à Merkel, remetendo-se ainda mais esse pequeno partido a um nicho onde a esmagadora maioria de nós, portugueses, jamais se reverá. Mas este fracasso e nulidade tange na mesma medida aos que, no PS, têm vindo a dizer quase a mesma coisa que o Bloco, à testa dos quais Soares e outros ensandecidos do momento: rasgar! Ora, rasgar não cola. O PS já deve ter compreendido que não fica numa posição confortável no plano europeu, se cavalgar por demasiado tempo e demasiado a fundo a ruptura com os acordos internacionais que firmou, convertendo aliás esse PS de saída do Poder, aquando o Memorando, um PS Neoliberal antes do tempo passista. A menos que o que o PS assinou com a Troika, o Memorando gizado e assinado, tivesse sido uma fraude e um acto cínico de quem é apeado por obra e graça de eleições. É inegável que a sanha cumpridora de Passos-Gaspar jogou contra os interesses de Portugal, contra as receitas fiscais, foi e é uma sanha extremista e radical de obediência e cumprimento, em parte contraproducente no curto prazo. Mas foi uma tentativa de conquistar rápida credibilidade no plano internacional, aliás alcançada, mau grado o quanto sofremos aos mais variados níveis. Com a partida de Louçã, a orfandade do Bloco saltará aos olhos e será  letal, pois nem o contexto de crise e esmagamento social por si só levanta a nossa Esquerda Escatológica. Cedo perceber-se.á que não era Louçã que suportava o Bloco, eram as circunstâncias e as angústias de um tempo partido, onde o Governo actua numa coordenação sistémica europeia sem contemplações sobre quem desprotege nacionalmente. Ao Bloco, não serão João Semedo e Catarina Martins a levantá-lo, coitados. Pelo contrário, verão a tendência de queda e desaparecimento inexoráveis chegar mais cedo. É esse o paradoxo. Conformem-se.

EUROS E KWANZAS

«Se queremos convencer a chanceler alemã da necessidade de corrigir um caminho que está esgotado e já produziu os melhores resultados que pode produzir, num ajustamento rápido que, a partir de agora, só pode voltar a levar-nos ao precipício, se esperamos que Merkel aceite os alertas que há semanas vão sendo feitos pelo FMI, este é o momento adequado. Se queremos convencer a Alemanha de que merecemos uma nova oportunidade nos fundos comunitários, depois de milhares de milhões recebidos e que acabaram numa intervenção externa, este é o momento. Não foi a chanceler alemã - ou a BMW e a Siemens, como se depreende do vídeo de Marcelo Rebelo de Sousa que poderia ter sido subscrito por Francisco Louçã - que nos trouxe até aqui. A responsabilidade de Merkel é outra, é a de demorar a tirar a Europa e a zona euro da crise em que está mergulhada desde meados de 2008. A chanceler tem, apesar de tudo, cedido à realidade para segurar uma moeda única que é também um factor que explica o sucesso alemão. Portugal precisa da Alemanha, como precisa de Angola, porque somos europeus e ‘atlânticos', por justaposição e não por contraposição. Mas, num caso e noutro, sem perder uma soberania que já teve melhores dias, sem vender a dignidade por euros e kuanzas, sem hipotecar a história. Ora, a reacção do Jornal de Angola a uma notícia do Expresso sobre a abertura de inquérito por parte da Procuradoria-Geral da República a três altas figuras angolanas, nomeadamente ao vice-presidente Manuel Vicente, é, no mínimo, um alerta. No máximo, uma ameaça intolerável.» António Costa

SUBSCREVO A PARTE BOA DESTE EDITORIAL

Gosto quando falam bem da minha Pátria e de Camões, Poeta dos Poetas. Mas, a grande fé dos portugueses e dos angolanos deveria ser esta de um Ministério Público agir com verdadeira independência do Poder Político. Basta ver a extrema articulação que há entre Passos-Relvas e a Angola-Quinta de Eduardo dos Santos, por um lado, e a extrema coragem de Joana Marques Vidal em ter actuado de acordo com imperativos completamente diversos dos do interesse ou dos negócios. É assim que deve ser. A elite angolana investe massivamente em Portugal? Pois fá-lo a título individual. O dinheiro é dos angolanos. O benefício, porém, vai todo para a elite do poder estabelecido e vai em proporções para do obsceno e escandaloso. Para abreviação de conversa, diria que as elites angolana e portuguesa estão muito bem uma para a outra no seu egoísmo e novo-riquismo grunhos. A parte má do editorial do Jornal de Angola é não poder dizê-lo com todas as letras.

segunda-feira, novembro 12, 2012

A PROFECIA, O PEIDO E A MULTA

«Os meios de comunicação têm feito um trabalho fantástico ao afastarem dos seus canais, dos seus jornais, das suas radios, todo aquele que apresente propostas que rompam verdadeiramente com este Bloco Central de Interesses que nos tem Governado. Há censura. [...] E se por um acaso do destino, por uma sorte cravada no panorama externo, não deslizarmos de trenó para a bancarrota, vamos certamente continuar no mesmo padrão cíclico e estaremos na mesma situação em meia dúzia de anos. [...] Por essa altura, já seremos, de facto e de jure, um protectorado europeu, afilhados de um multiculturalismo forçado, de uma liberdade de expressão asfixiada pelo politicamente correcto. De uma criminalização excessiva, resultante de uma máquina burocrática e regulatória totalitária, que há-de chegar ao ridículo em que dar um peido em público vai pagar multa.» Ricardo Lima

domingo, novembro 11, 2012

«FALÊNCIA FRAUDULENTA PORTUGUESA»

FUNDAÇÃO DOM MANUEL II
Um vislumbre de como, na Lusofonia, Dom Duarte é citado para classificar a actual situação portuguesa.

NO MEIO DO CAMINHO

Entrevista à RTP na íntegra.
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
l
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra
l
in Revista de Antropofagia, 1928 
Incluído em Alguma poesia (1930) 
j
Carlos Drummond de Andrade

PAUSA À VIVACIDADE MORTA SPORTINGUISTA

Mostra-se terrível e saborosa esta vitória do Sporting Clube de Portugal. Terrível porque SPC parece festejá-la como se fosse um Borradense FC qualquer acabadinho de tombar um grande. Contenção, Lagartagem! Pudor! Saborosa porque toda a gente, fosse de que clube fosse, esperava tudo, menos um triunfo sportinguista, aliás manchado por uma decisão temerária do árbitro. Veremos se o clube vai ao sítio.

MÚMIA ASPIRA A TER MÚSCULO

Para derrubar um Governo é preciso ter pé. O BE tem garganta. Só.

2005-2011 — DESVARIO E PROSÁPIA

2005:
Dívida pública Portuguesa em percentagem do PIB

E O APUPO E O OVO PODRE VÃO PARA...

ALEMÃES PREFEREM FICAR NA IGNORÂNCIA

Dívida Pública Portuguesa em Percentagem do PIB, de 1995-2011.
... acerca de Portugal e dos Portugueses. Portanto, nem Marcelo nem as suas excelentes ideias nos valem. Continuaremos a chorar sozinhos e a amargar os nossos próprios pecados. Sim, e é tudo verdade: é verdade que o povo português trabalha mais horas que o povo alemão; é verdade que paga mais impostos; é verdade que tem menos dias de férias e feriados. Não chega. Poucos povos se dão ao luxo de eleger uns Filhos da Puta que rebentam com as nossas contas em três tempos [em seis anos, um acréscimo de noventa mil milhões de euros em endividamento público, que não foram para nenhum TGV, que não se materializaram em nenhum Aeroporto Megalómano, que não se transformaram em Merda Exorbitante e Megalómana Nenhuma e, no entanto, ninguém [nem sequer os Alemães!] sabe onde estão ou para que serviram, cêntimo por cêntimo!]. Dado o golpe, atirando o País para o esterco, o Cabecilha repousa em Paris a comer da sua parte infinita do saque e por cá ralha-se e barafusta-se, empalidece-se de desespero nas praças, por causa da puta da austeridade. E agora? Agora alija-se tudo, imputa-te tudo à Chancelerina. Untermensch! Sklaven! Menschen verraten von ihren Politikern tausendmal! Povo de cornudos, abri um pouco os olhos! Não admira que os Alemães não nos respeitem. Nós também não nos respeitamos. Poderia o vídeo de Marcelo e do Moita de Zeus mudar alguma coisa na cabeça dos Alemães? Impossível. Nem na nossa. Coitada da Chancelerina Merkel!