segunda-feira, maio 06, 2013

AOS FILHOS DE FOUQUIER-TINVILLE

Chega. É chegada a hora de olhar para Pedro Passos Coelho e Paulo Portas e mesmo para o obediente frankfürter Gaspar como o último reduto para o êxodo-êxito da Intervenção Externa. Perante a incoerência e cinismo do FMI/BCE/CE, são eles, e não outros, a nossa única e exclusiva esperança, última oportunidade para nos salvarmos colectivamente de desgraças maiores, da desordem política, do caos fútil, do descrédito internacional. 

Em geral, os partidos políticos na Oposição, certos comentadores e especialistas afectos a determinados partidos momentânea ou permanentemente fora do exercício do Poder, como o intelectualmente desonesto e autodeslumbrado Daniel Oliveira ou o visceral zarolho Miguel Sousa Tavares anti-docentes, só nos garantem o Fim do Mundo e nada mais que a desgraça geral e colectiva. O registo de Daniel Oliveira, especialmente depois do abandono espectaculoso do BE, passou a ser explicitamente desonesto quando, colocando em perspectiva José Sócrates [a devastação que pôs em movimento] e Pedro Passos Coelho [nada mais que um bombeiro atrevido com óbvio desinteresse na demagogia e no eleitoralismo, debatendo-se com a paralisia do Centro Decisor Europeu] escamoteia a evolução favorável dos números entre 2010 e 2013. No défice e na dívida. O Daniel, claro, dir-me-á, o que sempre diz ou manda dizer: «O seu post é uma coisa execrável!» Infelizmente, nunca acerta no alvo do que se deve realmente execrar como a venalidade intelectual que explica parte da desgraceira de País mediático em que vivemos.

Depois, há outros, os quais, nos insultos acerbos e na receita agitacionista de arruadas sangrentas, não têm a noção de se limitarem a fazer o jogo suicidário da desesperança, do desprestígio internacional, filhos inscientes, afinal, de Fouquier-Tinville. Conviria ter sangue-frio e embainhar a espada que faz morrer quem por ela viva. Filhos da puta há muitos. E aliás não cabem todos no Campo Pequeno para o fuzilamento redentor com que os super-democratas sonham.

Estar alijado para fora do poder deixa amarga e insultante a gente do costume e fora de si os Soares regimentais. Não precisamos de profetas desgracistas, anunciando-nos a saída do Euro ou um segundo resgate, se a verdade é que tudo está a ser feito no sentido inverso e com o apoio, venenoso ou não, do credor-mor alemão. Saída do Euro? Segundo resgate? Não tem de ser assim. Aliás, não será assim. O pânico, tal como o ódio, não constroem nada. 

Gaspar, Portas, Passos, em certo sentido, jogam com as peças e as cartas com que podem jogar, herdaram um jogo corrupto e viciado à partida, lidam com a complexidade das nossas obrigações externas e possibilidades reais do País. O desemprego e o propalado desbaste do Estado, com rescisões e despedimentos, não podem, nesta Hora, servir agendas políticas demagógicas muito menos a estéril acrimónia acerba dos grandes vociferadores e juízes instantâneos os quais nos não acrescentam um cêntimo mais nas nossas contas bancárias de sobrevivência. 

Não pode voltar a ser Poder quem nos gerou uma dívida colossal, quem para nós pariu exercícios colossais e intrincados de problemas colossais para os anos e as décadas, PPP, Contratos Swap, e o fizeram ébrios de charla e instinto vendilhão, chamando Velha à velha inconsistente Ferreira Leite, hoje porta-voz do bom-senso em tempo de pré-naufrágio. O Partido Socialista fez Merda. Colossal. Não se pode esquecer.

Por isso, não apontem as vossas armas exclusivamente para Passos. Pensem na multidão, mole imensa, dos que urdiram, feixe a feixe, covardia a covardia, engonhanço a engonhanço, mentira a mentira, a situação corrompida e infrequentável do Regime Português tal como está. Pensem nos danos causados às várias gerações apenas com a desonestidade sorridente e optimista dos grandes comissionistas do Poder Político, passado recente. Faltou sentido de serviço, escasseou ética, competência, transparência, amor desinteressado pelas pessoas. Se o PCP, o Bloco de Esquerda e o PS querem ser Governo, unam-se de uma vez por todas, coliguem-se, entendam-se, preparem-se para ir a votos em 2015. Sejam democratas sempre, não somente quando vos convém.

O Exercício do Poder está cheio de lixo, crueldade, devastação, secura. Se mudarmos abruptamente de actores, mudaremos apenas abruptamente de administradores do lixo, da crueldade, da devastação e da secura, perderemos tempo, colocaremos a esperança entre parêntesis.

Portanto, Esquerda à Esquerda da Esquerda, PCP/BE/PS, entendam-se, organizem-se. Coliguem-se. Nós estaremos aqui para opinar e votar. Tudo menos dar guilhotinas, granadas e metralhadoras aos filhos de Fouquier-Tinville.

1 comentário:

José Domingos disse...

A malta está a berrar. Não há palha no curral. Os comensais, estão a ficar chatedos, estão-lhe a ir ao bolso, logo eles a elite.
os credores não são otários.
Os povos labregos e imbecis armados ao fino, tem destas coisas.