quinta-feira, janeiro 31, 2013

DO ENTULHO ASSOCIALISTA NO SOCIALISMO

LIÇÕES DO BRASIL ETERNO

REQUIEM POR QUEM FICA PARA TRÁS

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Não é propriamente por uma moção de desânimo ou de auto-rejeição que, enquanto desempregado, passei a declarar-me radical e subversivamente contra o Consumo, todo o Consumo Pessoal, fora do estritamente indispensável sob os imperativos inerentes à minha paternidade. Os espíritos mais coreáceos, no seu empedernimento ofensivo e exibicionismo onanista do comentário, podem até brincar em torno do facto de a milhares de portugueses e a milhares de espanhóis faltar trabalho, escassearem recursos para sobreviverem dignamente, como se a circunstância pessoal do Palavrossavrvs fosse um cómico e desprezível problema dele e não o de tantos outros milhões, fruto amargo de todas as ilusórias legislaturas precedentes, em grande parte, noutra parte, puro azar, macrogestão, merda-FMI. Os poderes da corrupção política em troca de uma generalizada dissolução social, os poderes da lógica do benefício pessoal ilícito na política em troca da desgraça de milhares, estão aí nos seus efeitos sobre mim. Esses poderes negros são fortes. A bronca não é para eles. É mais fácil manipular as pessoas que se auto-rejeitam do que as que se auto-aceitam. Rompo com a possibilidade de ser manipulado a começar pelo impulso de comprar. Consumir ávida e compulsivamente para além, dentro ou abaixo das próprias possibilidades tornou-se para mim uma desordem própria da auto-negação e da recusa em escutar o meu íntimo na sua fome de integridade e equilíbrio. Começo por assumir e aceitar a minha vulnerabilidade não como um medo de ser inútil, mas como uma certeza, já que tenho imenso tempo para contemplá-la. A certeza de ser amado. Um nada, qualquer coisa que nos amesquinhe insuportavelmente, pode levar-nos a uma profunda depressão e até ao suicídio. Isto torna-se impossível quando nos sentimos amados, amados por Deus, cuja voz de amor e ternura ressoa desde o mais fundo sem cessar. Estar desempregado, sem dinheiro, sem esperança, sem ânimo, pode e deve, por isso mesmo, ser transformado, por um lado, 1. numa reacção cívica, boicote provocador às expectativas da publicidade e às falácias da falsa necessidade, seduções em que nos enredamos pela Rádio, outdoors, TV, 2. numa reacção minha, consciente, contra o impulso animal por gastar sem verdadeira justificação, 3. num atentado às veleidades desta e de qualquer outra execução orçamental que sanguessuga deslealmente trabalhadores, pensionistas e desempregados; e, por outro, espiritualmente, numa oportunidade para aprofundar a minha capacidade de sentir esta alegria indestrutível, mesmo no meio de um grande sofrimento. Pois bem, não gastarei os meus trocos em coisa nenhuma e tentarei viver esta alegria de ser disciplinado, purificado, corrigido, como um atleta, um corredor, cujo sacrifício, suor, esforço doloroso, não superam a alegria de estar prestes a cruzar a meta, de chegar a um destino interior delicioso. Nem todos podemos emigrar, ser inovadores ou grávidos de ideias que vendem. Os que ficámos em Portugal, apesar do deserto social e do desmantelamento económico em decurso, eu e milhares, somos os tais. Somos os que ficam ou podem vir a ficar para trás. Esta morte laboral, social, pessoal, mereceria um Requiem oficiado pelos sacerdotes do Caos e da Degenerescência do Regime, a maioria bem abotoada às nossas custas. Mas não. Merece antes uma cantiga de escárnio e bom humor, uma modinha trauteada com ironia. O caminho por mim escolhido envolve a plenitude noutras áreas de realização não remunerada nem remunerável: nem uma moeda entra no meu bolso mas também nem uma moeda ociosa sairá dele, enquanto faço da minha alegria interior o meu próprio foco de luz, na procura e encontro de um novo modo de vida rigoroso fora da dependência consumista e imune às lógicas tradicionais de aceitação condicionada do indivíduo segundo a sua utilidade social, a sua vertente prática. Ser é Tudo. Ter é Mentira. Sob o amor incondicional de Deus por mim nada me falta e nada verdadeiramente importa.

quarta-feira, janeiro 30, 2013

MATA O CONSUMIDOR QUE TE HABITA

Não paro, jamais pararei a minha demanda por pessoas e lugares que me façam justiça e me recordem a minha mais profunda identidade. Sou um amado de Deus. Sei-o. Sinto-o. Vivo-o. Anuncio-o aos que se deixam permear pela minha voz propositiva, nunca impositiva, guru de mim mesmo. Também por isso opto, com toda a minha liberdade, loucura e lucidez, por não consumir coisa nenhuma para mim. O que não gasto, sobra-me, desde que jejue e encare com calma a falta de recursos para um dentista, um problema mecânico, uma deslocação à cidade. Como se estivesse a fazer o meu próprio sal, e a resistir ao colonialismo ideológico de Passos Coelho, encontrei uma forma pacífica e eficaz de resistência psicológica à opressão político-económica em decurso, opressão que me escraviza e me declara fatal precário ou potencial desempregado no meu ofício docente até à minha morte por velhice. Como resistir ao opressivo asfixiar de economias familiares, como a minha? Matar em mim até ao Zero do Desejo qualquer vestígio de consumo. O meu Ganges interior reclama-me o despojamento. O Planeta agradece e a minha fome de viver de Espírito, Sabedoria e Belo agradece também. Não consumir significa deixar de ser um dos que encharcam rios, esgotos, oceano, de detritos, pequeninos pedacinhos de plástico incolor ou colorido que a maré insiste em devolver à praia, na sua oposição violenta à barbárie consumista ocidental. Somos seres valiosos aos olhos de Deus, mas que se perdem nas águas salobres do que nos é supérfluo e exterior, incapaz de nos saciar.

DOIS BANANAS

O PS não está ao rubro com o seu hilariante processo de autofagia, embora já toda a gente tenha compreendido que, na sua extrema mansidão e sentido manso de Estado, António José Seguro não será o homem. Mas também não é António Costa o homem. Ninguém pode ser o homem no PS. Para haver futuro no PS, futuro nas lideranças a prazo do PS e na credibilidade desmantelada do PS, seria preciso que esse partido sequer tivesse começado por existir quanto mais ter alcançado o Poder a ponto de deixar danificado e de rastos o País, oprimindo de corrupto e ronceiro todo o sistema político português. Mais. Perante o espalhanço colossal do PS em quinze anos de boas intenções infernais na governação e traído o País por silêncios e esquemas omissos [pense-se que forças e energias protegem figurões indefensáveis como José Sócrates, Pedro Silva Pereira ou Paulo Campos] o controlo das bases desse partido é curto para não dizer volúvel e nulo. Seguro controla-as mas ele mesmo não passa de um boneco de cera, cuja plasticidade suave, sem a coragem dos factos de senso comum ou o enfrentar honesto da situação do País, simplesmente não gera qualquer crédito num círculo mais alargado. Seguro não levará o PS a lado nenhum que não mereça até à quinta casa: à derrota mais pesada, à inconsistência mais anacrónica, e a mais descrédito. O mesmo acontecerá com Costa. Entre os socialistas, circula à boca pequena que Seguro é frouxo como uma banana ao passo que António Costa is the [next] man. Não é verdade. Também Costa é um banana. O PS tem, portanto, dois bananas prestes a digladiar-se. Ou não. Um banana como ainda líder. Outro banana como líder putativo. Com o seu sorriso equilibrista nas palavras, devidamente policiado no que diga e possa melindrar a herança de chumbo do Merdas-Sócrates, Costa nunca destoou ou destoará, nunca rompeu ou romperá com a desmesurada clique ávida socratista que agora reclama a cabeça de Seguro movida pelo cheiro a carniça. A carniça de uma nega do Tribunal Constitucional ao Orçamento Salva-Vidas, com o provável falhanço da execução orçamental. Haverá maior lixo moral, maior mediocridade na vida pública e política que esta miséria oportunística? De resto, partidos como o PS e o PSD são demasiado pesados e demasiado culpados para tanto paleio nas televisões, tanto frisson pela próxima cara gasta e sistemática a encabeçá-los. Não tenho um cêntimo para dar nem o daria, se tivesse, a essa cantoria de cegos condutores de cegos. Fora dos Partidos, sim, é que está a maior parte e o melhor da Luz de Portugal.

VANTAGEM DE LISBOA CHEIRAR MAL

Além de todos os motivos que se podem aduzir explicativos ao facto de Lisboa cheirar mal, há um que pode salvar vidas: tratar-se de um sinal precursor do próximo mega-terramoto. Narizes atentos, portanto.

terça-feira, janeiro 29, 2013

CHOQUE DE PLACAS GEOPOLÍTICAS

«A recente criação do Africon, por iniciativa e comando dos Estados Unidos da América, a par da desestabilização árabe, a recente operação especial montada no Malí (principal fornecedor de urânio à França e à China...), ou ainda a guerra movida pelo dólar contra o euro desde 2008, são sinais evidentes de um novo e próximo choque das placas geopolíticas mundiais. O motivo é um só: assegurar o acesso ao último atum, ao último barril de petróleo,e ao último grão de urânio!» O António Maria

SE NÃO ÉS MULHER

Abdica. Parte à aventura de não carecer de nada senão de ar, água e luz, música, para sobretudo desistir da ideia, da posse, da necessidade, do sonho, chamado dinheiro. Cumpre o teu Ganges, mergulhando nu no teu Nada, dia após dia. Contempla o sol crepuscular equatorial que se vê em África de nunca mais pesares no teu orçamento familiar. Todas as necessidades do teu agregado familiar são legítimas e supridas na medida em que não tenhas necessidades e não existas para a sociedade de consumo. Anula-te. Parte para o País interior em que nenhum Relvas tenha o poder de te fazer franzir o sobrolho, muito menos um Oli Rehn, um Draghi ou António Costa, na sua fidelidade omertàlhística ao áureo exilado. Não precisas de dinheiro. Nem de cartões de espécie nenhuma. Não para ter Alegria. Temos de morrer e temos, abdiquemos portanto do exercício falhado da argúcia que por exemplo transborda arrogante e mimada de Henrique Raposo, e aceitemos que nos ajustem segundo o irracional ultrapassar de limites com que nos ajustam, múmias sob cruciantes dúvidas que jamais serão saciadas, pois na pátria do cada qual por si, nenhum Nós interessa realmente. Se não és Mulher, não Sejas! Não anseies. Não busques. No fim, não nos faltará um naco de pão apoteótico quotidiano antes de passarmos desta miserável contenda por trocos ao campo das realidades e das certezas finais. Jejua. Abstém-te de Querer. Morre todos os dias com uma saúde de ferro e um sorriso de vitória na face.

domingo, janeiro 27, 2013

LÍDER DE TODOS OS SOCIALISTAS? TODOS?

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Passos foi possibilitado pelo socialismo voraz e radical que o antecedeu,
lógica cristalina de que há sempre males que vêm por bem.
O problema de Seguro não é Passos: é o Partido Socialista
cujo escopo e natureza tem sido falir o País.

DIA DE HORRORES

Não há o que se diga perante o quanto se sofre aqui e aqui. Resta-nos chorar com os que choram.

sexta-feira, janeiro 25, 2013

SEGURO E A HORA DOS CÃES

Todos os inimigos e ressabiados pela sede com que Seguro substituiu Sócrates têm agora a sua hora. Esses que se associaram àquele monte de estrume carismático e mandão mordem agora as canelas de Seguro conforme o fizeram desde a primeira hora. Esperavam dele o Inferno-em-Gente contra este Governo, esperavam dele uma lógica agressiva e exasperante como aquela por que se pautava o parisiense quer antes na posição de deputado, quer depois na de governante, perito em abrir brechas na confiança, na federação de esforços, brutalizando e traindo a frio qualquer suposto adversário político, na assunção de um compromisso. 

À Esquerda e à Direita, o brutal aumento de impostos sobre os rendimentos do trabalho que o OE2003 representa, condição temporária e sinal para inglês ver determinação e propósito, deveriam, de acordo com os seus detractores internos, levar Seguro a prometer aos portugueses diminui-lo para que fosse menos brutal, caso vier a ser Primeiro-Ministro. Com base em que receita? Seguro, portanto, que para os galfarros do ladrãozolas não servia e nunca serviu, agora é que já não serve. Talvez Costa. Nada mais odioso aos montes de lixo que se conservam leais e paus-mandados do grande empochador de comissões à pala da política que em Seguro em mistura com inépcia haja sobretudo decoro e prudência, uma vez que atrapalha o mínimo possível a imagem externa de um País sob o cutelo do consenso. 

Na verdade, Seguro tem garantido a seu modo o cumprimento quase integral das reformas estruturais que do Exterior se incentiva o Governo português a proceder. O Governo tem legitimidade para nos retirar da bancarrota, o que passa por fazer tudo ao contrário do que prometeu: quem nos introduziu na Bancarrota, traindo a Constituição e dando de barato o sofrimento massivo adveniente aos portugueses não pode queixar-se que tudo se faça, incluindo beliscar a Constituição, para que haja uma saída rápida deste fosso.

A cruz de Seguro é esse partido ávido e impenitente a que preside. Esta é a sua hora. A dos cães que tem à perna.

MULAS, PARVOIÇADAS DE UM CRAQUE EM CHARLA

Acho que foi Câncio quem, por cá, pela primeira vez destapou no DN a asquerosa careca do ex-assessor de Zapateiro, Carlos Mulas-Granados, honra lhe seja a Câncio, digo. O PSOE tal como o PS português, tal como o PP espanhol e o PSD dos Dias Loureiro, espelham bem uma casta de cabrões gananciosos, sem qualquer civismo, decência, sentido comunitário, os quais rapam para si o que podem no tempo oportuno para eles, esgueirando-se na vida partidária e depois empresarial como ténias à boleia da imunidade dos cargos e da conivência de uma Justiça partidarizada, muito dada a ajustes e a quotas. Não dá vontade nem de trabalhar apaixonadamente nem de dar o litro no seio de um sistema distorcido, injusto e escravocrata assim, incapaz de premiar e dar valor a quem o tenha. Prefiro morrer de fome! 

Ferreira Fernandes, que é um crânio sensível e nada arqueológico, considera elogiosamente que Câncio lê relatórios por mania até ao pentelho das assinaturas e por isso mesmo coou este marmanjo ganancioso e repleto de esquemas do Mulas. Eu tenho a certeza que Câncio, à força de tanto errar por cega associação íntima ou intelectual a um mulas português como o conas parisiense, alguma vez teria de acertar. E acertou. Por osmose diferida.

Mas quem é o horroroso e desalmado Carlos Mulas-Granados? É uma besta gananciosa, repito. Por acaso espanhol. Um dos autores do estudo do FMI sobre Portugal, onde manifesta o seu dualismo maniqueu de conveniência, prescrevendo para o nosso País o que não prescreve para o seu nem para si, austeridade e o corte assassino como modo de correcção dos desequilíbrios em Portugal, mas não em Espanha. 

Para além da sua obscena desonestidade intelectual, inventou um pseudónimo feminino para receber umas dezenas de milhares de euros extra da Fundación que ele próprio dirigia, cinquenta mil euros/peça. Não há perdão para mulas como este Mulas da mesmíssima maneira que não a há para parisienses ladrões, chico-espertos, agarrados aos seus milhões ganhos escandalosamente.

quinta-feira, janeiro 24, 2013

JÁ SÓ LHE FALTA UM BUÇO PRONUNCIADO

Já chega de austeridade? Ainda podemos dar mais um bocadinho do osso, António. Já não temos dinheiro para tratar um dente. Nem dinheiro para dar a um pedinte. Nem dinheiro para mandar cantar um cego...  Mas temos pentelhos, cabelos, saliva e ossos, António. 

Enfim, se o Goldman ET Sachs António Borges fosse uma mulher do interior de Portugal, dessas perdidas numa aldeia desertificada e em processo de ruína inexorável, deserto e ruína graças ambos em grande parte às políticas de saque e devastação por hordas de aventureiros centrais e locais ligados aos Partidos do Sistema, ciclo após ciclo, já só lhe faltaria o buço pronunciado. 

Pêlos nas axilas já os tem, presume-se, bem como o gosto de cuscar por cima do Governo a mando do Governo, de alvitrar reformas e radicalidades TSU assustadoras ab nihilo, intervindo amiúde por uma economia de fome capaz de ombrear com a do sistema laboral chinês e tudo com o seu estrito sentido de merceeiro sofisticado, demasiado avançado para o nosso tempo. 

Borges tem tudo da mulher sólida e severa que envelheceu só na aldeia. Tudo menos, talvez, a devoção e a missinha.

MATAR SÓCRATES? NÃO!

Matar, não. Mas dar-lhe o desafio de ter de nadar para a praia mais próxima a partir de uma distância de mil metros, num mar encrespado, isso já seria bem tramado. Olha, da Berlenga a Peniche, por exemplos. Há quem cegue de paixão por causa de um partido político, defendendo-o mesmo no que não tem defesa possível: nos seus trastes comissionistas, nos seus corruptos endémicos, nos seus ladrões devastadores. 

É necessário cegar de paixão pelas pessoas comuns e pelo País inerme perante Políticos e Banqueiros sem escrúpulos. Amar as Pessoas comuns e sentir o País com Fome, no seu sofrimento e estado de exaustão anímica e financeira. Ladrões e desonestos ficarem a rir de nós, seja no Parlamento, como o super-aldrabão mete-ao-bolso Paulo Campos, cretino acabado, ou como o Mega-Burlão de Paris, ultra-desonesto, irascível — isso tolere-o quem puder. 

Quem passa fome e sabe porquê, a fundo, não pode abstrair-se desportivamente do facto de ter havido filhos da puta como esses que ganharam balúrdios especialmente a foder-nos o couro e a destroçar-nos o futuro.

quarta-feira, janeiro 23, 2013

FODA-SE! O PS OUTRA VEZ!

Assessorado na mensagem pelos animais aldrabões que assessoraram Sócrates, Seguro falhou o tiro do assalto sôfrego e tresloucado ao Poder: fala-se do dia de ontem como o dia da dupla vitória de Vitor Gaspar, porque o País volta aos mercados sete meses antes do previsto no Memorando da Troyka e porque a execução orçamental de 2012 vai ficar abaixo dos 5%.

Perante isto, o Partido dos Caciques, dos Magalhães, das Esmolas Envenenadas, do Optimismo Tão Grande Para nos Comer Melhor, da Assertividade Risonha Diante da Parede, esse partido dos sacrifícios sem dor, quer, foda-se!, regressar em força ao Poder com Seguro ao leme. Quer mentir outra vez em doses descomunais e a um Povo que não há meio de ganhar juízo, nem sentido crítico, incapaz da recusa, pelo voto, de Trapaceiros e Corruptos, quase todos no PS que entorna Seguro.

A escolha do tempo de agir por parte de Gaspar foi fruto de uma estratégia paciente articulada com a da Irlanda, pé ante pé, na expectativa de que tudo corresse bem. O PS, partido de desastre, autor das condições que determinaram o pedido de ajuda externa, hoje vacila e perde argumentário para se impor. Ontem, hoje e amanhã. Se não caiu, já deveria ter caído há muito na lama da mais completa descredibilização.

terça-feira, janeiro 22, 2013

EXCELENTES NOTÍCIAS PARA DEPOIS DE MORTO

O País anseia por qualquer boa notícia na economia, na frente externa dos mercados e na frente interna do crescimento raquítico. A ânsia é igual por qualquer nova manifestação Que-se-Lixe-a-Troyka que se perfilhe no horizonte. As gentes, os desempregados, pensionistas, tudo o que é escombro humano e económico do 'Ajustamento' em Portugal, olha para o regresso pelo Tesouro Português aos mercados de dívida de longo prazo como um animal contempla um palácio onde nunca entrará: é como se estivéssemos mortos, mortos na praia, e com um sorriso catatónico no rosto apenas porque se ouve dizer estar o alívio prometido a caminho, se reunidas as condições ideais de procura. Fixe.

segunda-feira, janeiro 21, 2013

A TRANSMÚSICA DE HIROMI UEHARA

SUBSÍDIO PARA UMA PASSOSCOELHOLOGIA

A demagogia é uma arte. Ela permite a um político sem escrúpulos vender o seu peixe glutão e fajuto através de uma mensagem de facilidades, de saídas airosas, amanhãs canoros, permanecendo ele próprio, à tona, em posição desonesta de Poder o máximo de tempo possível. Depois, quando tudo corre mal graças ao percurso doloso, ladrão, autista, seguido, escapa-se para parte incerta, vai estudar, vai viver à grande, investindo o que lhe resta de vida nos milhões que comissionou. A demagogia pelo discurso do fácil e do optimismo apoia-se em artistas do fátuo, em estrategos da comunicação eficaz para papalvos. Seguro, o Homem-Banana do PS, acha que tem futuro ao rodear-se de plastificadores, ao plastificar-se ele mesmo na conversa trapaceira da demagogia pelo lado fácil.

Passos usa uma outra forma sofisticada, nua e crua de demagogia. A demagogia pelo lado do árduo, do difícil, do sacrifício. A sua mensagem sacia boa parte da nossa psique colectiva, que atravessou a primeira metade do século XX faminta, evadida para o Brasil, a contar os trocos, confiada na providencialidade resoluta do sr. Dr. santacombadense e aprendendo a linguagem da poupança até à morte. 

E aqui estamos. 

Falo por mim. Estou retraído. Passos-Gaspar retraíram-me até ao extremo do cêntimo que não gasto. Hoje, dia vinte de Janeiro, faço vinte dias sem uso convencional de dinheiro. Passaram vinte dias e não gastei nem um cêntimo comigo mesmo. Zero. Nenhum café. Nenhuma cerveja. Nenhum jornal de papel. Nenhum pastel. Nenhum gasto pessoal. A minha retracção é completa. Estou comprometido a retrair-me até ao extremo da loucura em homenagem ao sr. Dr. Passos Coelho, demagógico pelo lado do esmagamento salvífico dos cidadãos. Esta mensagem penetra mais. E produz muito mais efeitos de apreço e benevolência para com o demagogo. Trata-se de uma demagogia santa. E o povo canoniza-a. 

sexta-feira, janeiro 18, 2013

TRETA REFORÇADA REGRESSA AO RATO

O Partido Socialista, partido de mordomias e merdomias, vai regressar à eficácia comunicacional com Luís Bernardo e Mafalda Costa Pereira de novo a liderar-coordenar-lhe a comunicação: é a equipa infalível e profissional de Sócrates que regressa para assessorar Seguro lá, naquelas questões absolutamente absorventes e cruciais em que assessoraram Sócrates, o que basicamente permitiu mentir com uma convicção baptista-da-silva, intrujar com profissionalismo e impecabilidade, aldrabar com perfeição e requinte, meter petas e passar a perna à Opinião Pública até às vascas do abismo em que de facto acabámos por tombar. O Partido Socialista reforça, portanto, a sua equipa estratégica de treta no que lhe faz falta, no velho putedo vazio, no velho lustroso blá-blá. Na próxima semana, Luís Bernardo assume a córnea coordenação da estratégia de comunicação política no Largo do Rato, em regime de colaboração externa ao mesmo tempo que Mafalda Costa Pereira assumirá a coordenação córnea da equipa de comunicação. Vão manter-se Ricardo Pires, actual assessor da bancada parlamentar do PS, Cláudia Veloso, actual assessora de António José Seguro. Em equipa vencedora não se deveria ter mexido. Por que motivo não os processa o Ministério Público da mesma forma e com os mesmos fundamentos com que promete processar o Artur da ONU?!

BÁRCENAS OU A GRANDE NOVELA DO PP ESPANHOL

«QUERIDA JÚLIA» E A SEGURANÇA SOCIAL

Nada contra, tudo a favor que os media se ergam como reduto derradeiro para defender o cidadão, quando injustiçado ou prejudicado no mais concreto do concreto que lhe diga respeito, como, por exemplo, uma prestação social interrompida. As prestações sociais são uma gota de água comparadas com as prestações políticas de serviços políticos à Banca; comparadas com as injecções políticas de capital à Banca; comparadas com os malabarismos políticos dos Vara na Banca; comparada com as prestações comissionistas aos Fundos dos Partidos, escândalo que rebenta agora mesmo em Espanha e talvez não deixe pedra sobre pedra. Vai-se a ver e afinal os Partidos Políticos, essas subtis ocularidades-do-cu, são tudo menos patrióticos

Que os media pressionam e se interpõem em defesa de um cidadão foi o que me pareceu ter flagrado ontem, fortuitamente, no programa «Querida Júlia», na SIC. No dia anterior, a Júlia entrevistara em directo um casal com duas filhas, cujo marido, sob baixa por causa de uma hérnia, viu, ex abrupto, cessada uma prestação social porque sim, sem uma explicação e sobretudo sem qualquer justificação. Ora, a Júlia ralhou à Segurança Social. E a Júlia obteve, em menos de 24 horas, o que o casal, por mais que penasse, não obteria em dias, semanas ou meses: a reversão dessa cessação, com retoma do pagamento da prestação e com efeitos retroactivos. A Júlia ganhou. A Júlia festejou. A Segurança Social metera a viola no saco e recuara. Tinha havido um erro.

Percebe-se o poder absoluto de argumentação, e com efeitos instantâneos, dos media em defesa do cidadão comum, perante aquilo que, suspeita-se, parece ser a arbitrariedade, a gestão casuística,  como norma para com alguns utentes por parte deste tipo de serviços. O certo é que se o utente protesta as suas questões em directo, se se queixa, na TV, das injustiças de que se acha vítima, as portas da Segurança Social ou outras abrem-se, os obstáculos desobstaculizam-se, e, em suma, os problemas desfazem-se imediatamente e com efeitos retroactivos. Todos muito sensíveis à força da TV.

Não queria pensar que a coisa vai por aqui porque não pode seguir por outra via, pela via do bom senso, da fiscalização e da boa fé. Não me parece confortável ter um cidadão de recorrer ao Braço Mediático da «Querida Júlia» a fim de que lhe seja feita justiça para poder comer e dar de comer à respectiva família, recorrendo a um direito que se pensa não estar entre parêntesis, haja o que houver. Mas descubro que nada sei. E do meu País o que sei desgosta-me.

quinta-feira, janeiro 17, 2013

EÇA E A CRÍTICA A «O CRIME DO PADRE AMARO»

1884 - Eça de Queiroz, Oliveira Martins, Antero de Quental, Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro
O CRIME DO PADRE AMARO recebeu no Brasil e em Portugal alguma atenção da Crítica, quando foi publicado ulteriormente um romance intitulado O PRIMO BAZILIO. E no Brasil e em Portugal escreveu-se (sem todavia aduzir nenhuma prova efectiva) que O CRIME DO PADRE AMARO era uma imitação do romance de Émile Zola — LA FAUTE DE L'ABBÉ MOURET; ou que este livro do autor do ASSOMOIR e de outros magistrais estudos sociais sugeria a ideia, as personagens, a intenção  de O O CRIME DO PADRE AMARO  Eu tenho algumas razões para crer que isto não é correcto. O CRIME DO PADRE AMARO foi escrito em 1871, lido a alguns amigos em 1872, e publicado em 1874. O livro do sr. Zola,  LA FAUTE DE L'ABBÉ MOURET (que é o quinto volume da série ROUGON MACQUART), foi escrito e publicado em 1875. Mas (ainda que isto pareça sobrenatural) eu considero esta razão apenas como subalterna e insuficiente. Eu podia, enfim, ter penetrado no cérebro, no pensamento do sr. Zola, e ter avistado, entre as formas ainda indecisas das suas criações futuras, a figura do abade Mouret, — exactamente como o venerável Anquises no vale dos Elísios podia ver, entre as sombras das raças vindouras flutuando na névoa luminosa do Letes, aquele que um dia devia ser Marcellus. Tais cousas são possíveis. Nem o homem prudente as deve considerar mais extraordinárias que o carro de fogo que arrebatou Elias aos Céus — e outros prodígios provados. O que, segundo penso, mostra melhor que a acusação carece de exactidão, é a simples comparação dos dous romances. LA FAUTE DE L'ABBÉ MOURET é, no seu episódio central, o quadro alegórico da iniciação do primeiro homem e da primeira mulher no amor. O abade Mouret (Sérgio), tendo sido atacado de uma febre cerebral, trazida principalmente pela sua exaltação mística no culto da Virgem, na solidão de um vale abrasado da Provença (primeira parte do livro), é levado para convalescer no Paradou, antigo parque do século XVII a que o abandono refez uma virgindade selvagem, e que é a representação alegórica do Paraíso. Aí, tendo perdido na febre a consciência de si mesmo a ponto de se esquecer do seu sacerdócio e da existência da aldeia, e a consciência do universo a ponto de ter medo do sol e das árvores do Paradou como de monstros estranhos — erra, durante meses, pelas profundidades do bosque inculto, com Albina que é o génio, a Eva desse lugar de legenda; Albina e Sérgio, seminus como no Paraíso, procuram sem cessar, por um instinto que os impele, uma árvore misteriosa, da rama da qual cai a influência afrodisíaca da matéria procriadora; sob este símbolo da Árvore da Ciência se possuem, depois de dias angustiosos em que tenta descobrir, na sua inocência paradisíaca, o meio físico de realizar o amor; depois, numa mútua vergonha súbita, notando a sua nudez, cobrem-se de folhagens; e aí os expulsa, os arranca o padre Arcangias, que é a personificação teocrática do antigo Arcanjo. Na última parte do livro o abade Mouret recupera a consciência de si mesmo, subtrai-se à influência dissolvente da adoração da Virgem, obtém por um esforço da oração e do privilégio da graça a extinção da sua virilidade, e torna-se um asceta sem nada de humano, uma sombra caída aos pés da cruz; e é sem que se lhe mude a cor ao rosto que asperge e responsa o esquife de Albina, que se asfixiou no Paradou sob um montão de flores de perfumes fortes. Os críticos inteligentes que acusam O CRIME DO PADRE AMARO de ser apenas uma imitação da FAUTE DE L'ABBÉ MOURET não tinham infelizmente lido o romance maravilhoso do sr. Zola, que foi talvez a origem de toda a sua glória. A semelhança casual dos dous títulos induziu-os em erro. Com conhecimento dos dois livros, só uma obtusidade córnea ou uma má fé cínica poderia assemelhar esta bela alegoria idílica, a que está misturado o patético drama de uma alma mística, ao CRIME DO PADRE AMARO, que, como podem ver neste novo trabalho, é apenas, no fundo, uma intriga de clérigos e de beatas tramada e murmurada à sombra de uma velha Sé de província portuguesa. Aproveito este momento para agradecer à Crítica do Brasil e de Portugal a atenção que ela tem dado aos meus trabalhos.

                     Bristol, 1 de Janeiro de 1880
                                                                             EÇA DE QUEIROZ

quarta-feira, janeiro 16, 2013

BOEING 787 DREAMLINER OU NIGHTMARELINER?

Enfim, três incidentes e um problema num negócio que, por valer milhões, vale um esforço de abafamento, mediante entraves e desvios, nos motores de busca. O novo modelo da Boeing era muito promissor, mas mostra-se repleto de anomalias, tão graves que boicotam uma carteira de encomendas recorde. 20% de poupança em combustível era promessa suficiente para que a Boeing seguisse de vento em popa. O pior foi o resto. Incidente 3: Uma hora depois de ter levantado voo em Tóquio, passageiros e piloto do voo número 692 da ANA (sem relação com a empresa portuguesa) começaram a sentir um cheiro a queimado. Terá sido nesse momento em que os pilotos viram acenderem-se as luzes de alerta da bateria do Boeing 787 e ordenaram a aterragem de emergência no aeroporto de Takamatsu, situado nos arredores de Tukushima. Incidente 1: No dia 7, a bateria de um Boeing 787 da Japanese Airlines incendiou-se enquanto o avião estava em terra do aeroporto de Boston, nos EUA. Incidente 2: No dia seguinte, outro avião do mesmo modelo da mesma companhia sofreu uma fuga de combustível que o impediu de levantar voo de Tóquio. Um problema com um Boeing 787 terá acontecido em Boston ao longo destas duas últimas semanas. Há notícias de um vidro rachado no cockpit e de problemas no sistema de travagem de uma destas aeronaves. O panorama, como se pode ver, não poderia ser pior para a Boeing. Porque com o mal dos outros podemos todos, a Airbus, que estava a ser esmagada neste segmento, pode agora começar a esfregar as mãos de contentamento.

terça-feira, janeiro 15, 2013

CIÊNCIA E VALORES HUMANOS

TAMBÉM

NÃO ME APETECE

... trabalhar no País Rebentado que me legou José Sócrates e o seu Partido de Asnos nem no País Raso que Passos, e os seus Cínico-Técnicos de Topo, cilindra obrigatoriamente à pala da Troyka. Não me merece um País que fecha os olhos aos que, pela Política, com a Política e na Política, roubaram os contribuintes, mas os esbugalha, persecutórios, sobre o indivíduo, quer pelo Fisco Assassino, quer pelas armadilhas e alçapões com que a Segurança Social desalavanca os seus contribuidores passados, mal passam a necessitados. Não é que valha a pena morrer como o melhor acepipe possível dentro da grande ementa nacional de desgraças, injustiças, crueldades, reformismos cortantes à ceguinho-seja-eu. Não. Vale a pena, sim, o meu eremitério em família, o meu nicho de paz de espírito, o meu trabalho invisível de eremita cujo destino de desemprego, como o de milhões, na Península, está traçado, mais cinquenta mil menos cinquenta mil evacuados do grande colo estatal português. Vale a pena não consumir absolutamente nada. Não comprar. Não precisar. Não pessoalmente. Quando já não careço de nada, senão de sol, de mar, de amor dado e recebido, deixa de ser sacrifício que pelo menos nada falte aos que amo, excedentes, não sobras!, do que me privo.

segunda-feira, janeiro 14, 2013

UMA NOVA ARS AMATORIA

O problema do cansaço sexual masculino é mais o do tédio sexual que o do desejo. Nabos na cama há muitos assim como rotinas mortíferas. Se a gaja não for meiga quanto baste nem corresponder ao teu amor, insiste e persiste, há que ter jeito, dinheiro e vinho, era o que escrevia e não se enganava Ovídio, na sua Ars Amatoria, sem aconselhável quando falhos de ideias«Si nec blanda satis, nec erit tibi comis amanti, perfer et obdura: postmodo mitis erit. Flectitur obsequio curvatus ab arbore ramus: frangis, si vires experiere tuas. Obsequio tranantur aquae: nec vincere possis flumina, si contra, quam rapit unda, nates. Obsequium tigresque domat Numidasque leones; rustica paulatim taurus aratra subit. Quid fuit asperius Nonacrina Atalanta? Succubuit meritis trux tamen illa viri. Saepe suos casus nec mitia facta puellae flesse sub arboribus Milaniona ferunt; saepe tulit iusso fallacia retia collo, saepe fera torvos cuspide fixit apros: sensit et Hylaei contentum saucius arcum: sed tamen hoc arcu notior alter erat. Non te Maenalias armatum scandere silvas, nec iubeo collo retia ferre tuo: pectora nec missis iubeo praebere sagittis; artis erunt cauto mollia iussa meae.» Publius Ovidius Naso, Ars Amatoria, Livro II, vv. 177-196

quinta-feira, janeiro 10, 2013

FMI, O ALASTRAR MOLE DO ALVOROÇO

Depois do lençol mortífero que o relatório do FMI representa para Portugal, estava na hora de referendar os limites do que vem a ser afinal este Ajustamento. Referende-se tudo. Referende-se o dictact de este FMI, no que sugere e propõe de calamitoso para as pessoas concretas. Referende-se a Puta da União Europeia, que nos tutelou para que fizéssemos e sobretudo para que desfizéssemos e nos desfizéssemos; referende-se o Regime, a República Gananciosa dos Políticos, dos Soares e a sua terra evidentemente queimada. Referende-se a tolerabilidade ou não de seguirem serenos, suaves e até santificados pelos valupis, os mesmos cretinos que nos puseram nesta situação. Acima de tudo, referende-se a cabeça a prémio do actual Governo: comprometida a economia por um excesso de zelo que erodiu a base tributária, o bom senso no doseamento dos cortes parece evadido para parte incerta, enquanto o exterior nos redesenha a régua e esquadro, graças à nossa docilidade pavloviana, após a grande inquisição e reeducação salazarenta. Carlos Moedas, coitado, entusiasma-se com o relatório da chacina. Acha que é uma coisa boa. Será? Neste novo ano, tenho-me comportado como se não existisse, não gastando um cêntimo sequer, dia após dia após dia, numa disciplina ultra-austeritária comigo mesmo, respirando o ar grátis, bebendo água grátis, submetendo-me feliz ao sol e ao sal, comendo o pão nosso de cada dia ou de dias. Mas que será das minhas filhas, agora que além de me falhar o trabalho, falha-me igualmente a Segurança Social?! Vai tímido o alvoroço que perpassa e transpassa as gentes, incapazes de reflectir, tão habituadas à futilidade mediática e às alienações quotidianas. Gentes que ainda há pouco rompiam os recordes de consumo em jogos sociais, da raspagem sôfrega de vãs raspadinhas ao rabiscar vão das vãs cruzinhas nos euromilhões de mentira. Gente que se lubrifica com a Casa dos Segredos. Que será de nós?! Os credores consideram que poderemos viver de vento, de desemprego e desactivação. Talvez concebam um plano que indirectamente permita deportar um quarto do funcionaridado público português para a grande Londres ou a grande Berlim. Anuindo ao relatório, tal como vem, em bruto, o Governo Passos consolida-se como um Governo de Morte e Enterramento Social, disposto a chacinar lá, onde os Governos do Filho da Puta faziam a festa dissoluta e inoculavam a mentira criminosa que  aliás abriu caminho a este estado de Pré-Guerra. Provavelmente, não há qualquer outra solução muito menos uma na cabeça oca de Seguro. Só há isto que os cavaleiros do FMI nos apocalipsealizam. Ninguém se atravessa por quem sofre e definha, num contexto de agressão externa salvífica: quem roubou, roubou, quem não roubou, roubasse; quem faliu fraudulentamente, faliu; quem não faliu fraudulentamente, falisse. Agressão dos cidadãos, trabalhadores e pensionistas. Saneamento tremido das contas públicas. O nosso descontentamento de vítimas transforma-se em lucidez e derrota de perdedores e perdidos, encurralados até à hora da nossa morte. Ámen.

domingo, janeiro 06, 2013

UM JAZIGO QUE SE OLHA AO ESPELHO

No jazigo de Alvalade jazem jogadores, jaz o belga, jaz Godinho, assuma-o ou não, e está prestes a jazer Jesualdo, que não conseguiu calcular bem em que cova se enterrava. Já não é uma questão de treino, de eleições, de coisa nenhuma, mas de um psicólogo topo de gama para adeptos, para o escol de conspiradores do Conselho Leonino e para o resto dos portugueses não imunes a tamanha deprimência.

sábado, janeiro 05, 2013

VIVER FELIZ COM NADA

Mas por que motivo e por que diabo não poderei ser feliz com Nada?! Viver de belo-árvore-flor-livro, viver de céu, sol e mar, tratar das minhas pencas, cenouras, favas, couves, cuidar das minhas árvores, restringir-me ao essencial, abrir o olhos para o ecrã da vida muito mais que para o ecrã tóxico da grande mentira virtual, cumprir com o que me incumbe nas responsabilidades de pai e depois não consumir porra nenhuma. Nada. Não consumir, não comprar, não pagar, não gastar absolutamente nada, em primeiro lugar por não fazer parte desta turma de cus sagrados, sibilas, cérebros abençoados, especializados em viver acima das possibilidades de dois ou três portugais com o resto da gente como eu por estes dias a roçar a indigência pelas esquinas, a sensação de injustiça nos precipícios de onde ainda não se atiraram. Em segundo, por desdém e desprezo assumido para com esses prazeres legítimos que assumimos como naturais, um café, um sumo, um jornal, um chocolate, uma alegria comercial qualquer dentro do miserável espectro paupero-classe média dos vinte euros. Quando estou horas à beira-mar, sinto que, sim, eu posso. Por isso declaro desde já que abdico de consumir. Uma factura por cada pão. Uma grande paz por cada dia sem aquisições minorcas nem despesas fúteis nem recreio, nem coisa absolutamente nenhuma. Esses que venderam o cu para hoje passearem o espólio de anos de saque à mama da política que olhem para mim: façam bom proveito do furto. Tratarei de ser feliz com Nada.

BEBEDEIRA DE BELO

sexta-feira, janeiro 04, 2013

TROYKLÍTORIS DO GOVERNÓIDE

Imagem afixada
De 2006 a 2011, escrevi que me pari contra os sinais e sintomas de um rumo político despesista e palhaço que trazia na ponta boa parte das nossas desgraças. Valeu de muito pouco e uma saída veio tarde e a más horas. Ando a habituar-me à ideia de ser um desconsumidor militante: perante as bebedeiras de belo de cada dia, o dinheiro parece mesmo coisa obsoleta e desnecessária, uma loucura e uma escravidão colectiva. Viver feliz com Nada. Há momentos em que deliro de genuína felicidade e inteira liberdade, as quais só desejo prolongar. Não posso, porém, esquecer-me do meu País, dos seus Acomodados e dos seus Loucos. Ontem, apesar e para além de tudo, fiquei feliz por, na Quadratura do Círculo, Lobo Xavier ter enfiado na correcção socialista-derrotista a sua nomeação, por Vítor Gaspar, para presidente da Comissão de Revisão do IRC, a melhor notícia do mês e do ano. Bem sei que Lobo é pedantíssimo lá, onde Pacheco é ultra-rancoroso e o Costa um cínico monumental. Mas nada como mais uma Comissão para esfregar na Opinião Pública e na NinfoTroyka, agora que os gestores do ajustamento não podem falhar e tudo, mas mesmo tudo da execução orçamental, terá de decorrer pelo melhor e mais surpreendente dos mundos possíveis e sobretudo valer a pena. De resto, a Covardia e a Mediocridade varam o Regime de lés a lés, de Cavaco aos Partidos do Sistema: a Covardia tenta agradar a gregos e a troianos, faz de Presidente da República, logo, faz fretes aos que clamam pela Constituição com um fervor com que não clamaram pela Deriva Sacana da Política como forma de Enriquecer. A Mediocridade diz que há outro caminho, mas não diz qual nem se chega à frente senão para ejacular desejo de poder, tão fresca a porcaria que foi feita ao País. Sim, há horas em que a Mediocridade Técnica, Ética e Cívica é propriedade exclusiva dos Conas-Catástrofe Socialistas. Temos de suportar a maldita antena de Merdas-DesArticuladas como Ferro, Soares e Alegre, a sugerir demissões e dissoluções, quando toda a gente sabe nos cafés, nas mercearias, nas paragens de autocarro, cacilheiro ou metro, nos corredores de putas, metidas por cunha, da Galp, da PT, da EDP, que ninguém, ninguém!, faria melhor em Portugal que o imbecil de serviço.