segunda-feira, fevereiro 25, 2013

RELVAS, QUALIDADES HUMANAS E POLÍTICAS

Estou numa etapa da minha vida marcada pela distensão na militância cívica, pelo amor à minha paz de espírito e pela compaixão pelo próximo. Procuro fundamentalmente abster-me de chatices. Mas sempre que acidentalmente passo os olhos pelo que escreve um socratista, a advogar mais Sócrates, claro, tenho imediatamente uma recaída, sobretudo quando o ponto de partida ou o termo de comparação é Relvas. Reagir, para mim, é como palitar os dentes. Como diria António Costa, ó'bam'á'ber: ninguém no seu inteiro juízo terça argumentos contra ou a favor de Relvas.

TODOS A POUPAR

A ITÁLIA ENLOUQUECEU

Silvio Berlumerdasconi, o criptogâmico, como é possível?!
Esta Itália, fragmentária e populista, mal se distingue de uma republiqueta do Cáucaso.

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

LANCINÂNCIAS

Gaspar, porque só agora mudou de discurso e aparentemente de rumo [houve até aqui uma lógica governamental de excessiva indiferença para com as vítimas, algumas mortais, das políticas da Troyka], recebeu reprimendas no seio do PSD. Primeiro era preciso ter tratado da economia com delicadeza, só. E não proceder a esta imbecilidade desumana que foi, através do IVA a 23%, limpar a economia [as palavras são de Borges], limpando o sebo a gente desesperada de carne e osso. A aparente exemplaridade e a madureza dos portugueses tem como limite a transgressão do bom senso por parte dos Governos. Primeiro, a economia. Depois, sim, as finanças. Não é à toa que o Ajustamento se tem ressentido com o esmagamento da economia, inaugurando um ciclo autofágico, de desconfiança e desorientação internas. Faltava uma visão integrada entre correcção de desequilíbrios e preservação da procura interna. Chegará a tempo? O protesto já assume contornos de loucura.

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

NÚNCIO ATAFULHA CU DE VIEGAS

... com o facto de 2,7 milhões de contribuintes terem indicado o respectivo NIF nas facturas comunicadas à Autoridade Tributária e Aduaneira, pouco preocupados com o aval da Comissão Nacional de Protecção de Dados. Coube ainda, no apertado recinto do Francisco, a introdução do mangalho adicional: 300 mil consumidores finais que já inseriram voluntariamente as facturas no portal e-fatura. O acto metafórico-sexual, bastante civilizado, por sinal, foi exercido esta manhã, durante a audição da equipa governamental do Ministério das Finanças na Comissão Parlamentar Ordinária de Orçamento, Finanças e Administração Pública. Civilidade é cumprir deveres. Nunca se saberá até que ponto a ‘delação’ fiscal dos Povos do Norte, tão tardiamente aplicada nesta republiqueta de bananas, poderá salvar vidas e impedir suicídios. Para que o metafórico cu de Viegas não tome hiperbolicamente no respectivo em vão [nem mande tomar!], Núncio explicou ainda que só do sector da restauração já estão inscritas mais de 11,6 milhões de facturas, logo no primeiro mês. Este volte-face só vem provar que quem com o cu mata, com o cu morre e assim sucessivamente. Acabar com a subfacturação, combater a economia paralela certamente nos aliviará do extermínio social em decurso e da liquidação anímica dos mais frágeis por parte do Fisco. É uma esperança. Sem Direita. Sem Esquerda. Grândola Vila Morena para isto! Basta de indigência cívica!

NÃO HÁ SÓ TANGOS EM PARIS

CONTRA O CLIMA DE PRÉ-LINCHAMENTO

É de uma imbecilidade atroz esperar que a rasura dos direitos de um cidadão signifique mudança e revolução no sistema de representação português.

terça-feira, fevereiro 19, 2013

MUJAHEDINES DE SUPOSTA ESQUERDA

Isto não vai lá nem com o fervor meritório do Joaquim Jorge, mais um tentado à comparação do pénis democrático com o da democracia dos insultos e da estupidez, mesmo por uma boa causa. Por muito que nos doa, certos mujahedines de suposta Esquerda só nos deitam a perder. Isto só lá vai com manifestações pacíficas por mudanças profundas e substanciais no Sistema Político. Aproveitemos 2 de Março para engatilhar serenamente a nossa Arma de Manifestação Maciça.

SAIR POR BAIXO

O que é que se pode dizer de Cândida Almeida, agora compelida a cessar a sua comissão de serviço e com um inquérito em cima por fuga de informação confidencial no DCIAP?! Nada que valha. Não sei se teve sonhos de rigor e pureza, isenção e firmeza, na função exercida que se pudessem levar a sério. Sabemos todos é que acabou assimilada pelo ambiente turvo e, sim, corrupto!, que caracteriza o Regime e os Partidos de Poder, agentes de dilação e imunidade. Há silêncios culposos e formas manhosas de inacção terceiro-mundista. Pinto Monteiro, Cândida Almeida tardaram a evacuar-se. Fazem parte da velha mobília pré-histórica do sistema político português

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

À MINHA TIA-AVÓ AMÉLIA

Um telefonema. A notícia. Foi esta madrugada, agonizando entre as 06:30 e as 08:30 da manhã, que a minha querida tia-avó Amélia soltou amarras. Sabendo-a em doença terminal há semanas, uma daquelas gravíssimas situações dormentes e insuspeitas as quais, mal se manifestam, em menos que nada aniquilam a vítima, tive, na passada Quarta-Feira de Cinzas, um impulso interior poderoso para visitá-la. E fui. Foi como se todos os meus amados mortos do lado materno — o meu Avó Joaquim, a minha Avó Ana, os brasileiros meu querido Tio-Avô Manoel e a minha Tia-Avó Madalena, a minha querida tia-Avó Madrinha Emília, gente que amei e me amou [a Tia Madalena partiu em Agosto do ano em que nasci] —, gerassem no meu coração um ímpeto de despedida e de consolação. Ai de mim se não obedecesse ao que me gritava o íntimo. Ao influxo das suas vozes vivas, meu coração-vela panda foi ajoelhar-se ao pé daquela lucidez bruxuleante, tomar-lhe a mão, beijá-la, beijá-lá muito, muitas vezes, e à sua fronte, beijá-la muito, muitas vezes, dizer-lhe que me era querida, dizer-lhe que tudo correria bem, invocar numa prece Jesus, o Deus Vivo, Espírito Consolador da Estirpe Humana, ser, enfim, abençoado pela irmã da minha querida Avó Ana, no Seio de Deus há vinte anos. Logo me reconheceste. Estendeste a tua mão sobre a minha cabeça, mão que ficou na minha mão, os olhos nos meus olhos. Balbuciaste reconhecimento, não ter dores. Senti na estrema da tua fronte com o teu cabelo o odor familiar da nossa carne, do nosso sangue, e ao mesmo tempo exclusivamente maternal, comum à minha Avó. E foi cheia de esperança e suavidade que uma luz muito bela do Sol da tarde irrompia pelo quarto, quando já estava para apartar-me de ti. E como me custou sair da tua beira, minha Tia. 95 anos. Mas que esterilidade de País injusto e que inconsequência de História Colectiva testemunhaste?! Que transes pessoais suportaste?! A espada de um filho morto no Ultramar, único filho homem. A espada de um neto de repente morto, único neto homem, tão novo, colapsado por força de um mau coração, ainda há seis anos, mulher e filhos para trás. E tu, atravessando a vida, sempre, num serviço vital à tua filha, cozinhando para ela, cuidando dela, num oferecimento pessoal, como se não tivesses nem idade nem limites nem cansaço. Existindo só para ela, para o seu cansaço, para os seus limites, para a sua idade. E tu, resistindo a tudo, dando tudo, num silêncio e numa serenidade, apesar de tudo espirituosa e leve, que poucos compreenderiam e de que menos ainda seriam capazes. Do País, as notícias de se ter transformado num fóssil comunitário, um oásis para a desonestidade e o oportunismo, uma caricatura de democracia, um corpo associal e injusto, onde é redutor pôr as coisas na rançosa dicotomia Esquerda-Direita, uma vez que a injustiça em Portugal, além de democratíssima, portanto, generosa, não tem qualquer noção da lateralidade. Não poderias imaginar que este teu sobrinho-neto, apesar de mais de década e meia de mester, não está professor [talvez não mais beba desse cálice sobretudo porque não quer!], nem se fez empreendedor com dinheiros do Estado, do Partido, do Privilégio, nem rebola de esquemas de sucesso fútil, nem chafurda no dinheiro fácil, pornográfico, homicida, dos Loureiro, dos Sócrates, dos diabo que os carregue, nem inocula mais vaidade à vaidosa petulância dos que se julgam imunes ao sofrimento e à morte. Não. Foi beijar-te e dar-te amor, minha Tia, um coração amoroso, repleto de Cristo e assente n’Ele-Rocha, um empobrecido dos tempos como o são milhões, convicto ambientalista, convicto não-consumista, pluralista, ecuménico, espiritualmente feliz e reencontrado consigo mesmo no preciso paradoxo de todas as perdas pessoais e sociais, pecador de muitas verrinas e catilinárias, mas humilde diante do que é Grandioso, como a tua Hora hoje conclusa; humilde perante o que é Belo, como a tua silenciosa serenidade exemplar toda a vida; humilde ao contemplar o Sublime Humano, como o teu silêncio sofredor que nunca maldisse e nada protestou; finalmente, humilde e reconhecido diante de quem é compassivo, como só o que é Divino e divino no humano pode e sabe ser. Foste uma mulher de paz e sabedoria. Chegada ao ponto-porto onde não há a dissolução e o vazio de um passado, nem a fugacidade opaca de um presente, nem a caducidade perpétua de um futuro, somente convergência imortal dos Seres, sei o que dirás à tua irmã, minha Avô, viva entre os Vivos: «Não te visitei, Ana, quando estavas doente e morrias. Não fui capaz. Remordi por demasiado tempo o ostracismo a que me votou a nossa Mãe Júlia por causa do meu desgraçado casamento com o donjuanesco traste: ela, que também não pôde ser feliz conforme merecia com o nosso Pai Abílio, conhecia o abismo para que me atirava ao escolher o que escolhi. Cortou comigo. Nem à hora da morte quis romper o ter-me banido, a Mãe. Onde isso vai e o nada que é! Mas este teu neto veio ver-me na minha Hora. Cobriu-me de beijos. Beijou-me a mão. Afagou-a muito. Beijou-me a fronte. Muitas vezes. Não queria apartar-se de mim, na minha agonia, marejado. Abençoei-o. Trouxe-me todo o amor e toda a paz que o medulam e são tudo. O teu neto, Ana! O teu neto!» 

Com mil perdões por quanto aparente transporte romântico transpasse o meu texto. A vida é isto. Ando a ler Camilo.

GRANDE ÁLVARO

Conforme sublinha o Miguel por outras palavras, não temos uma tradição de discurso nas questões nacionais independente que separe o trigo do joio, distinguindo ministros excepcionais, como Paulo Portas e Álvaro Santos Pereira, dos que não diferem da modorenta mediocridade do sistema político e do Regime: «Álvaro Santos Pereira meteu uma lança em África, conseguiu o acordo com os argelinos para a construção por empresas portuguesas de 75.000 (sim, setenta e cinco mil) casas, um bolo de 4 mil milhões de Euros (4.000.000.000) que vai aliviar a crise no sector da construção civil e garantir emprego por quatro anos a centos de técnicos portugueses. Ninguém diz nada. Não há um louvor, um gesto de simpatia. Este país está, decididamente, a afogar-se na patologia derrotista e só dá ouvidos aos profetas da desgraça, por acaso os profetas que nos trouxeram ao desastre. Temos um grande ministro da Economia, como temos um excelente ministro dos Negócios Estrangeiros. Mas isso não interessa aos abencerragens de sempre, aqueles que confundem economia com subsídios, mão estendida em concha, mendicância e chupismo dos Euro-fundos.» Combustões

A CHAVE É ESCOLHER

A Felicidade.

sábado, fevereiro 16, 2013

A LUTA É UMA PUTA

No fim de contas, percebemos que a luta, a eterna luta, precisa de ser qualquer coisa de criativo e eficaz, que não exclua ninguém. Não me parece que a tenaz externa que aperta Portugal possa ser aliviada de outro modo senão pela transformação geral das mentalidades, pela paciência dos que mais sofrem e a convergência alargada entre as motivações dos que decidem e as aspirações daqueles sobre que incidem as decisões. Não há facção nem partido nem corrente de opinião que monopolizem o amor pelos portugueses: pelo contrário, foi a falta de amor pelos portugueses, nos cargos políticos, que determinou sermos tão penalizados e humilhados, conforme acontece. Quem pode unir os portugueses e mobilizá-los para resistir a [e vencer] este sofrimento? 

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

E JESUS CRIOU O «LIVER CUSSEN»

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Porque além de um mestre da táctica, Jorge Jesus é também um neologista acabado.

ONTEM, A. DARGOMYZHSKY SALVOU-ME A VIDA

QUE SERIA DE MIM SEM MÚSICA?

Desde sempre a amei, sempre a busquei. E hoje a consolação que dela me vem não tem limites. Em criança, acompanhava os ensaios do grande orfeão da minha terra, aprendia com o sábio maestro a dura exigência da arte, a excitação do Belo, exemplo de querer o máximo, os desempenhos ultraprofissionais. Sempre me disseram ter eu próprio uma afinação perfeita, uma voz balsâmica; amei desde muito cedo o canto coral, muito cedo saboreei Orff, sensacional música sensualizada, a tradição medieval reconstituída, o canto gregoriano, o melhor da música sacra, Bach, Mozart, Schumann, tudo. Hoje, na minha praia, diante das ondas que cavalgam até à areia afagando grandes pedras, miro as férvidas águas e o sol que nelas rebrilha, ouvindo por vezes até às lágrimas quanto a Antena 2 me dá a escutar e substancia, com o que vejo, o imprevisto poema absoluto do momento, sentido completo do meu mais fundo.

NÃO HÁ MONITORIZAÇÃO QUE NOS SALVE

... de meteoritos piores que este.

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

INVEJA DOS PORCOS

Foi Azeredo Lopes quem pertinentemente chamou a atenção para a nossa dualidade de emoções e empatias: entre um porco porcamente pontapeado e um humano torturado e maltratado, a nossa capacidade de indignação cívica acaba por ser, de longe, favorável ao porco. Os seres humanos por vezes, boa parte das vezes, não estendem a mão, senão por comida.

ALEKSANDR BORODIN SALVOU-ME A VIDA HOJE

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

O POBRE SENECTO FRANQUELIM

O pior que poderia acontecer ao pobre senecto Franquelim Alves era ter à perna os pirrónicos da Pseudo-Esquerda, era expor-se à 'extrema moralidade, à 'inatacável exigência ética' e à 'absoluta responsabilidade' desta gente, para não falar do extremoso exemplo da restante classe política até ao presente. O Parlamento não é aquele poço de virtudes que talvez pudesse ser, caso não tivesse sido capturado e apodrecido pelos partidos. Tem sido, sim, um refúgio para o refugo, a parte mais reles que ousou ser Poder e escapar para mais longe. Antes de apontar dedos ao infeliz recém-empossado, seria preciso ter higienizado a bancada de quem lá descansa indevidamente as nádegas, como Paulo Campos e toda a restante tralha malcheirosa estrategicamente lá depositada como recompensa, relíquia de um tempo que não pode regressar.

PORTUGAL, PARAÍSO DAS PRESCRIÇÕES MANHOSAS

Ai se o Brasil soubesse a casta de cretinos que bem se foi abotoando em Portugal... Isto ainda está bom para fraudes, desde que em grande. Se roubares em grande, se fores grande e tiveres um grande armazém com dinheiro, não cures de mais aflição. O teu caso prescreverá e sumir-se-á pelos interstícios do esquecimento: «A Partex, co-arguida em alegadas fraudes no FSE, já havia reclamado a prescrição do processo, mas o Ministério Público tem entendimento oposto, depois de ter deduzido acusação de fraude na obtenção de subsídios do FSE. Entre os acusados no processo crime contra a Partex figura José Alfaia, ex-administrador da empresa e antigo secretário de Estado da Comunicação Social do Governo de Pinto Balsemão, e Melro Félix, da Consulta, que chegaram a estar detidos preventivamente. Além da Partex, existem outras empresas acusadas no processo, como é o caso da Consulta, da Sociedade Nacional de Sabões, da Caixa Económica Açoriana e de algumas firmas fictícias ligadas aos arguidos, que supostamente emitiam facturas falsas.» Público

NÃO SEI SE CONSIGO E NÃO ME APETECE

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WOLF-FERRARI SALVOU-ME A VIDA SEGUNDA-FEIRA

sábado, fevereiro 02, 2013

GOSTO MUITO DESTE POST

A nossa amargura pessoal pode até ser imensa e imenso o preço que a maioria paga, mas uma verdade é uma verdade: «Primamos a tecla » de modo a fazer avanço rápido até ao presente e sejamos claros: como tanta gente afirma com admirável convicção, o governo actual é péssimo. Honestamente: péssimo. Usa e abusa dos aumentos de impostos, garante o que devia saber não poder garantir, adia medidas que não devia adiar, tem ministros que não deviam ser ministros há cerca de um ano e melhor seria nunca o terem sido, permite excepções a regras anunciadas como universais, faz reformas tímidas quando pagaria quase o mesmo preço fazendo reformas a sério, permite, por culpa própria, especulação em torno de processos que deviam ser transparentes, etc, etc. E, contudo, sendo péssimo, numa perspectiva de mérito (ou, se preferirem, da relação esforço desenvolvido / dificuldades encontradas), trata-se provavelmente – e ponderei o que vou escrever durante, sei lá, para cima de cinco segundos – do melhor governo que tivemos nas últimas duas dúzias de anos, quiçá em toda a Terceira República. Por mim, apenas o do Bloco Central e o primeiro da AD podem disputar-lhe o lugar. Os restantes ou foram catastróficos ou governaram em tempo de vacas gordas sem pensar no futuro – e assim é fácil. Apesar de todos os seus erros – muitos, enormes –, este é o único desde há décadas que se encontra verdadeiramente a procurar corrigir o modelo de funcionamento da economia portuguesa no sentido da sustentabilidade. Coisa de somenos, está bem de ver, destinada, como a história do pós-25 de Abril amplamente demonstra, ao mais tonitruante aplauso público e retumbante sucesso.» jaa

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

VACUIDADE COSTISTA E VACUIDADE SEGURISTA

Como porto-gaiense, não o esqueço: «Dizem que como Presidente da Câmara de Lisboa, António Costa conseguiu a proeza de dar cabo de um evento internacional que acolhia mais de 600.000 pessoas no Porto e em Gaia. Imagine-se o que não aconteceria se com aqueles "amigos" todos ele mandasse em Portugal inteiro.» Anónimo

PASSOU JANEIRO, ULRICH!

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Passou Janeiro e não comprei absolutamente nada, não gastei dinheiro absolutamente nenhum para além de trinta cêntimos de pão. Consegui. Não me paguei a mim mesmo nenhum café, que adoro. Não me plantei peregrino e parvo no Merdia Market à babugem fosse do que fosse sem IVA, com respeito a todos os que o fizeram, falo de mim, o peregrino e o parvo seria eu. Não fui ao cinema, que adoro, nem ao teatro, que amo, nem à música, que idolatro. Não comprei coisa nenhuma, entrou dia, saiu dia, umas batas fritas, um bolo, um sumo, nada. Foram 31 dias vividos serenamente e em estado de combate, transformando a minha rebelião contra o Regime que Apodrece em Portugal em esvaziamento zen, em despojamento do meu Eu, num gesto concreto e num propósito reactivo como quem sintetiza o próprio sal e resiste ao Mega-Tributo a que nos submetem. Jejuei todos os santos dias deste Janeiro, tomando apenas as duas refeições principais, regadas com meio copo de vinho tinto, broa, azeite, grelos cozidos ou couves, cavala em conserva, petinga ou atum ou salsichas. Estou vivo, mais leve, esvelto, e até mais belo, gracioso, com um brilho no olhar verdejante que muito me agrada. Corri para a minha praia, pisei a minha areia e bordejei as águas do meu Mar sempre que o clima o permitiu e mesmo quando chovia a cântaros. Passou Janeiro, espiritualizei-me, fui um pai omnipresente e solidário nas lides de casa, mantive o meu sorriso intacto, evitei demasiada virtualidade-net. Busquei o Sol. Emocionei-me na hora crepuscular, olhando, com o coração Menino e Impoluto, o Mar. Tenho procurado fundar e consolidar o meu caminho para uma sólida felicidade e uma alegria genuína, alegria e felicidade de Amado de Deus e capaz de amar e sentir solidariamente o Outro no mais íntimo de si, embora as ocasiões sociais para isso sejam quase nulas. Procurei passar o mais imune possível aos constrangimentos circunstanciais de penúria pecuniária, agora que, desempregado, a Segurança Social me abandona sem uma palavra pedagógica ou explicativa, e o faz talvez porque não sou o BPN, nem o BPP, não assinei PPP e nem me pisguei para Paris para viver como um bom Filho da Puta, após entregar o meu Povo à sua Sorte, isto é, à sua Merda. Talvez porque não sou dos que, na Governação Sacana Associalista, em troca de uns broches ao sr. Salgado, empurraram com a barriga as contas-para-depois com que hoje se fodem os portugueses conforme se vão fodendo, matéria digna de ser cantada por um novo Camões com um novo Os Lusíadas, Os Austeríadas. Posso fazer de Tasco Gamado. Gamado pelo Fisco, que me persegue desde 2005. Gamado pelo BES, que me ficou com um apartamento, já hipotecado, para o qual nesse Banco obtive 175 mil euros de financiamento, e ainda descobriu cem mil euros para me penhorar até à morte. Gamado pelos Demagogos Precedentes e os actuais Incumbentes Residentes. Passou Janeiro e o meu projecto de viver numa disciplina ultra-austeritária só comigo mesmo está a correr muito bem, sendo que nada faltou às minhas filhas, nenhum dever de responsabilidade ficou por cumprir e mesmo os cabrões dos imprevistos mecânicos ou informáticos vão-se pagando. Aos bochechos. Todos os trocos que pude aguentar enterrei-os num buraco simbólico, acumulados para um dia futuro, quando me achar mais parecido com o incendiário pateta Ulrich. Este homem gosta de pegar de caras. É pena. Gosto dele. Custa-me que me ofenda ao falar do que não sabe nem imagina. O que é que um pirómano destes, por acaso banqueiro, merece?! Escárnio e uma resposta cristã: por isso mesmo, sem Ulrich na cabeça, mas com o olfacto, a visão e o tacto em êxtase navegando a tua pele, ontem, enquanto fazíamos amor, sorríamos muito, Mulher. Sorriso, porque já sabes que gosto de esperar por ti, à medida que te enlouqueço e me perco. Sorriso, porque tínhamos conversado sobre o Ulrich ter dito que éramos todos iguais na austeridade, capazes de suportar o que suportam os Gregos e mais, se mais vier. O banqueiro político-palrador não teve o poder de nos incendiar o escândalo. Apenas nos fez sorrir o mais amarelamente que pudemos, sorrindo-nos ainda mais pelos motivos do Gozo que nos demos. Passou Janeiro. Vias-me agarrado a moedas que nem um pão pagam, agora olhas para o que diz Ulrich, e sorris. Dia após dia após dia, nunca tinha dinheiro para um leite chocolatado ou um iogurte à hora em que te surpreendes terem acabado para elas, pensas no que arenga Ulrich e sorris. Vem um Ulrich e disserta sobre a capacidade de suportar esta tão alargada falta de cobertura para satisfazer o abaixo-de-básico e nós sorrimos. Sorrimos, gememos e suspiramos, enquanto fazemos amor deliciosamente, que é o que fazemos de melhor. Chegou Fevereiro. Estou ainda mais adestrado para a luta a que me dei. O teu belo sorriso, Mulher, a tua gentileza para com todas as pessoas da nossa casa e todas as boas acções que fazes no dia-a-dia são o sinal de que és uma bela criatura. Amo-te. Passo óptimo com Nada, cada vez mais feliz por não pesar a ninguém em coisa nenhuma. A ti, a elas, nada faltará.

CONSPIRADORES, DEIXEM O GODINHO RESPIRAR

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Estes sportinguistas são loucos.

«FUZILADOS E EXECUTADOS»