sexta-feira, março 29, 2013

FRANCISCO, TODA A DIFERENÇA

[foto de la noticia]
Este homem, sempre eloquente, mesmo calado, tem sido a revolução humilde
por que o meu coração suspirava
há tanto. 

SABE, MAS NÃO RESPONDE

SÃO RELES E DEFENDEM-SE ASSIM

Alguém escreve [não alguém qualquer como o merdoso Soares, com o seu conceito merdoso de brilhância, e não alguém ainda mais qualquer como o também merdoso coelhíssimo Jorge Coelho], e escreve com liberdade, diz o que sente, o que pensa fundamente sobre Sócrates e a sua seita. Eles [socialistas/socratistas] defendem-se assim, nas caixas de comentários, where else?!:

AVISOS LÚCIDOS DE UM SOCIALISTA DECENTE

«O contrato com Sócrates para ser comentador semanal no canal público de televisão teve de partir, ou de passar, por Relvas. Isso é óbvio. E só a imagem do que terá sido essa negociação a dois dá uma ideia arrepiante, mas bem clara, do estado de degradação extrema a que chegou o regime. É uma contratação que infelizmente não surpreende porque, na verdade, José Sócrates e Miguel Relvas são políticos siameses.

quinta-feira, março 28, 2013

MEGAFONE PARA UM 'SERIAL KILLER'

Não tive pachorra para assistir totalmente à encenação de ontem. Todo aquele arrazoado histérico, de tão previsível e robótico, mói qualquer paciência bem intencionada acabadinha de chegar à Terra. Sócrates desejou ardentemente o palco estéril da TV para pomposa defesa de si mesmo e da sua indefensável corrupção de processos, de tom, de modo, com que contaminou a Governação, enquanto a exerceu. Desejou defender o pequeno quadrado do seu desejo de exclusividade e fechamento do Poder: Portugal e os Portugueses existem, aliás, apenas para servir de cenário à magnífica pessoa do sr. Sócrates e assim preencher a cova de um dente do sr. Sócrates, enquanto gemem e gerem sofredoramente os problemas que ele causou.

quarta-feira, março 27, 2013

ESTE PSD ESTÁ A PERDER TODA A VERGONHA

Neste chumbo, o que imperou foi a completa falta de vergonha no PSD, e não o bom senso. Falta de vergonha que consiste em re-submeter todo um Povo ludibriado às radiações canalhas de mais paleio de encher. Que a estação de Relvas possa escolher justamente Sócrates como comentador deveria ser absolutamente passível de completa e cabal discussão na Assembleia da República, se a Assembleia da República se desse ao respeito. Não dá. De todo. É uma escolha tão impudica que está muito para além do banal escrutínio ao exercício de critérios editoriais num órgão político porque são critérios editoriais num órgão político, via Relvas. Passos, Sócrates, Relvas, Paulo Ferreira, meus caros, cheira a corno esturrado!

PASSOS DEVE DEMITIR-SE. E JÁ!

Os resultados da política deste Governo são para esquecer no estrito âmbito da economia. Talvez nenhum outro fizesse melhor no plano financeiro, mas isso só sublinha a completa e execrável actuação no plano mais importante de todos numa governação vinculada a um Povo e honesta para com ele, que a possibilitou: proteger e salvaguardar as pessoas, evitar, com o máximo de empenho possível, um empobrecimento aviltador e indigno dos mais vulneráveis. Creio que Passos foi dando mostras de um vazio e uma insensibilidade que, no fundo, repetem tudo quanto passámos e suportámos com José Sócrates. Num, a corrupção de Estado, intrincada, enraizada, tentacular, sufocante, ambiciosa, insaciável, grotesca. Noutro, a frieza, a traição à palavra dada, a mentira banalizada, a lentidão na velha reforma do Estado, e um tipo de desprezo pelas pessoas concretas, que Sócrates nunca disfarçou, traduzido em boa parte das medidas e das políticas covardes e consecutivas do que vinha de trás, do Acordo Porcográfico à plácida não hostilização do que de pior e mais negro corrompeu e passou impune no socratismo.

O SEXO É UM BEM RARO E PRECIOSO

Há quem perca a cabeça só para lhe sentir o cheiro enganador. A falta de sexo pode ser aflitiva, falta em parte logicamente explicável pela ausência de saldo na conta ou contas bancárias. Cuidado, desesperados! Primeiro é preciso ter dinheiro. Depois é possível a oportunidade de prazer consentido e consensual, se tiverem sorte.

O SEU A SEU DONO

terça-feira, março 26, 2013

AS GUEIXAS DE SÓCRATES E O SEU MULO HÍBRIDO

Não posso dar descanso ao tema que a tantos irrita eu aborde, não só porque tenho alívio e consolo nele, mas sobretudo porque as gueixas de Sócrates não dão descanso ao assunto. Dizem as gueixas de Sócrates que há uma reacção da Direita Portuguesa à figura patranhesca e piranhesca de José Sócrates. É falso. Há uma reacção transversal e vertical de rejeição a Sócrates. A Esquerda Portuguesa, prefigurada pela Igreja PCP, odeia Sócrates pelas políticas de Direita, pelo rapadorismo infrene dessa governação, por ter, em suma, criado todas as condições para o Pacto de Agressão, hostilizando os comunistas gratuitamente; o BE, esvaziado de bandeiras pelo hibridismo oportunista e rançoso dos gays e abortistas socratistas, odeia Sócrates por ter sido humilhado bastas vezes na caricatura em que, com Sócrates, consistiam os debates pesporrentes na Assembleia da República. Sócrates gritava mais alto. Sócrates era o mais histérico. Vencia debates após debates à conta do campeonato de decibéis. Louçã era atirado ao pó e à humilhação. Em resumo: as gueixas de Sócrates deveriam saber que todo o espectro político nacional com dois palmos de testa e um mínimo de honestidade intelectual e política abomina Sócrates por causa de Sócrates, para quem todos os fins justificavam os meios.

MAIS MÁS NOTÍCIAS DO PAÍS DE MERDA

segunda-feira, março 25, 2013

PORTUGAL TEM CU MENTOL

Como já dei a entender, ter de comentar as prestações comentaristas de José Sócrates tira-me o sono e retira-me minutos de paz: o azar completo da Nação, o Anti-Toque de Midas, isto é, o Dom da Merdificação Política concentrados num só Maluco vazaram já tarde para Paris. A pouco e pouco, esperava eu, conquistaríamos o nosso sossego. De vez em quando, faz falta o vazio higiénico da estridência estéril na Política, o zero de tensão artificial no ar, umas férias à crispação pela crispação. O silêncio excessivo de Passos [um silêncio sem programa e sem mensagem que valha a pena] é o oito comparado com a sobre-exposição mediática com que Sócrates e os seus fabricavam paleio-camuflagem vinte e quatro por vinte e quatro horas, os sete dias da semana.

domingo, março 24, 2013

sábado, março 23, 2013

AZAR NACIONAL. OLHO VELHACO. BEIÇO BELFO

Há tesão no ar. A tribo de conas que um dia viu a aparição Sócrates e se prostrou para sempre perante tamanho dinamismo de assaltante de Bancos já não contém os esfíncteres: ele voltou! O meu problema é como me defender da lei gravítica de postar a esse respeito. Temos excesso de comentário político nas TV, a disputa de share é renhida. Organizar a minha agenda de paciente espectador torna-se-me um desafio cruel. Entre o olho velhaco de Sócrates e o beiço belfo de Marcelo, andarei numa fona para comentar o comentador do comentador, pelos oito dias da fugaz semana.

SÓCIO-DESPESISMO DILMA

Talvez seja, sei lá, uma questão de generosidade.

O QUE MAIS QUERO FAZER É LER E ESCREVER

PRONTOS PARA UM MAL MENOR?

«Os povos da Europa estão hoje sujeitos a um processo de violência objectiva, fria, calculada, impessoal e anónima, conduzida por carrascos que não olham as vítimas nos olhos e contra os quais nada podem os usuais mecanismos de deliberação democrática. Sair do euro implica seguramente terríveis riscos, mas poderá chegar um tempo em que os encararemos como um mal menor. Para já, precisamos urgentemente de abandonar a ilusão de que, mais mês menos mês, despertaremos deste pesadelo.» João Pinto e Castro

PAIXÃO BRASILEIRA

Esta é a hora em que a minha insónia portuguesa cogita a hipótese de uma segunda vida brasileira: tantos e tantos amigos partem para o lado de à procura do que é sonegado cá. Eu quero ficar do lado de cá, mas poder ir lá quando e quanto queira, cultivando dois amores na mesmíssima Pátria da Língua Una. 

sexta-feira, março 22, 2013

SÓCRATES, RTP, A INSOLÊNCIA E O DESPUDOR

Não foi o cidadão hoje desempregado ou emigrado, em vias de uma rescisão amigável na Função Pública, com os subsídios decapitados ou envergonhado dos últimos capítulos de um abismo nacional anunciado por Gaspar que decidiu abominar Sócrates unilateralmente. Sócrates fez-nos o favor de mostrar o que é a corrupção moral na Governação. Foi ele que nos ensinou o que é a desonestidade. Foi ele que levou o abespinhamento à sua mais contumaz manifestação como forma estéril e estúpida de estar no Poder, fazendo da confrontação impostora e gratuita a manobra de diversão perfeita enquanto decorria o infinito abichar de comissões à pala do Poder Político, que explicam Paris e explicam o enriquecimento ilícito que a Lei não persegue.

METAMORFOSEIO-ME EM BRASILEIRO

É fácil amar os brasileiros e as brasileiras. E também é fácil ser um. Em pouco tempo, aprende-se a ser leve e feliz na companhia de outros leves e felizes. Às tantas, somos uma multidão de dez ou mais. Quantas e quantas vezes é-se mais brasileiro sendo português, nascido em Portugal, que muitos brasileiros nascidos no Brasil!? Ter o diabo no corpo pode ser um desígnio pessoal. Talvez seja o meu.

quinta-feira, março 21, 2013

ESQUERDA PROTESTATÓRIA, CURA-TE A TI MESMA

Passos não representa a ruptura que esperávamos com um modus operandi político-partidário que nos trouxe até às agruras presentes. Até pela forma como falha clamorosamente na moralização e robustecimento psíquico das pessoas, como o seu discurso é deprimente e passivo e pelo modo como encolhe os ombros perante o desfalecimento da esperança, dado não passar de longa manus dos incompetentes do EuroApupo. Só.

FODA-SE. REFODA-SE. TRIFODA-SE!

Sócrates regressa. Pela mão da RTP. Dá audiências? Claro. Um chimpanzé a fazer surf ou a filosofar também daria. Mas só por escárnio dos Portugueses e de Portugal pode este pseudo-engenheiro ter um 'regresso', um 'encore' mediático. Por que motivo esta republiqueta das bananas não lhe dá antes ordem de prisão e reforçada proscrição?!

quarta-feira, março 20, 2013

CRIPTOGÂMICOS DO PSD. CASTRATI DO PS

Colocado pelo PS à mercê do que e de quem viesse a seguir, Portugal defronta-se com o seu magnífico precipício: ou uma destruição sem precedentes ou a união que faz da fraqueza a coragem empreendedora contra tudo e contra todos. Não basta dizer que este é um dos piores momentos da nossa História em matéria de destruição de empresas, de emprego e de vidas: é preciso afirmar em que e como se faria diferente para que não fiquemos com a sensação de nada haver a esperar senão ser sucessivamente esfaqueados pelas costas ora pelo PS ora pelo PSD, cujos discursos criminosos na fase eleitoral têm sido imediatamente desmentidos na fase de Poder assumido. Contra nós.

terça-feira, março 19, 2013

O GUARDADOR DE REBANHOS

VIII - Num Meio-Dia de Fim de Primavera

Num meio-dia de fim de primavera 
Tive um sonho como uma fotografia. 
Vi Jesus Cristo descer à terra. 
Veio pela encosta de um monte 
Tornado outra vez menino, 
A correr e a rolar-se pela erva 
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

O GRANDE PARADOXO PORTUGUÊS

«As medidas que o Governo concretizou desde que tomou posse causaram efeitos recessivos duros na economia, superiores àqueles que foram antecipados nas previsões oficiais. O ritmo de evolução da actividade não consegue sair do terreno negativo em que mergulhou há vários trimestres e as perspectivas futuras são as de que um regresso ao sinal positivo não trará de volta as taxas exuberantes que marcaram outros tempos em que se cresceu, embora se tenha crescido mal.

segunda-feira, março 18, 2013

OH TU, MINHA GRACIOSA ESTRELA DA TARDE

Wie Todesahnung Dämm rung deckt die Lande, 
umhüllt das Tal mit schwärzlichem Gewande; 
der Seele, die nach jenen Höhn verlangt, 
vor ihrem Flug durch Nacht und Grausen bangt. 
Da scheinest du, o lieblichster der Sterne, 
dein Sanftes Licht entsendest du der Ferne; 
die nächt'ge Dämm rung teilt dein lieber Strahl, 
und freundlich zeigst du den Weg aus dem Tal. 

O du, mein holder Abendstern, 
wohl grüsst' ich immer dich so gern: 
vom Herzen, das sie nie verriet, grüsse sie, 
wenn sie vorbei dir zieht, 
wenn sie entschwebt dem Tal der Erden, 
ein sel'ger Engel dort zu werden!

ESPIRAL RECESSIVA E ESPIRAL DEMAGÓGICA

Não há ilusões. Até que estes nossos olhos traídos vejam investimento significativo, nacional e estrangeiro, qualquer coisa de novo emergindo dos escombros deixados pela chupice socialista, primeiro, e depois pela atabalhoada ingerência troykista, não será possível dar uma enésima oportunidade nem nos rapazolas-JSD, ainda de serviço, nem aos inefáveis cromos do PS novamente à bica pelo Poder, afinal o mesmo esterco e a mesma garantia de desastre. Portugal gera muito mais competência, criatividade e rasgo que a tralha que se aloja nesses Partidos. Onde estão os espíritos livres e lúcidos? O próximo capítulo da nossa desgraça poderá ser o de um Governo de Emergência e Convergência Nacional.

UM CORNO A EMPALAR CHIPRE

O rocambolesco Resgate de Chipre veio reacender paixões e um friozinho de pânico impensável ainda há poucos meses: confiscar depósitos bancários não lembrava ao careca. Sinal de desespero do capital monopolista e financeiro europeu, o qual tendo optado por submeter países como Chipre, Grécia, Portugal, a programas draconianos passíveis de saque, sobretudo através de privatizações posteriores e a garantia de algemar esses países a pagamentos e amortizações de dívida pública. Nem aí lograram maximizar compensações, pois nesta fase as privatizações fazem-se ao preço da uva mijona com outros players extra-europeus como a China ou o Brasil.

APAIXONADO PELO MEU MAR

domingo, março 17, 2013

SEXTA, QUANDO GASPAR SE DEMITIU

Fui dos que, perante a converseta técnico-trágica de Gaspar, na última Sexta-feira, entendeu tratar-se aquilo de uma despedida, como se subliminarmente estivesse a dizer: «A realidade é esta. Estou por tudo. Façam como e o que quiserem. Demitam-me, se forem capazes e capazes de fazer melhor que isto. Demitam-me e o País fará um mergulho a pique na confiança dos mercados: é em mim que o eixo imperial Berlim-Bruxelas confia. Mas demitam-me, vá lá. Alguém, por favor. E verão a roleta russa em que se metem e ao País.» Além disso, vimos uma curiosa divergência esquizofrénica de análises. Para a Troyka, estamos no bom caminho. Para o Governo, o Presidente, a Sociedade, as Oposições, mediante cada porta-voz dos Partidos, estamos no túmulo que diligentemente fomos cavando, sendo transversal e unânime que o Ministério das Finanças-Troyka fracassou, por excesso hirto de teoria e incompetência política na interacção com gente concreta. As previsões deste são preventivamente negras antes que possam ser contrariadas milagrosamente pela realidade ou confirmadas por ela: segundo Gaspar, a recessão depois da previsão de um ligeiro aumento de 1% poderá afinal acrescer num aumento de 0,3%, num cúmulo de de 2,3%. No meio do caminho, a grande pedra do Desemprego. Depois disto, já só falta que uma crise política estale grave e inelutável, coisa que já se fareja dos Partidos do Costume, mas também do PS, mal se vê Jorge Coelho, depois de ter feito vida e enriquecido no seu salto de Regime, da Governação para a MotaEngil, a perorar daquela forma repleta de calor, testosterona, impostura e perdigotos, contra a linha neoliberal que a Europa e o Governo preconizam para o Continente e Portugal, respectivamente. Ó visionário! Cavaco Silva continua a ser vaiado e a ter aquele tipo razão antes do tempo que dá vontade de esbofetear até que acorde: peso morto do Regime antes, durante e enquanto decorrer esta Via Sacra colectiva de desesperança e tristeza, corresponsável por este comunitário e nacional dar com os burros na água pela mão de políticos cretinos e inimputáveis. A porta está aberta para o cavar mais fundo do nosso sofrimento, mas com o PS a surgir resplandecente e virginal, substituindo a demagogia do optimismo socratesiano, que era saque sectarista e piromania com dinheiro público através do Poder, pela demagogia do Outro Caminho que, em boa verdade, não existe [Hollande não o segue, ninguém o pratica] a não ser nas cabeças de merda de Seguro e dos outros coveiros e vacas que riem. Partidos, décadas de Partidos, puta que os pariu a todos. Reformem-se ou desapareçam.

APAIXONEI-ME PERDIDAMENTE POR ISTO

quarta-feira, março 13, 2013

QUASE TODA A EXCITAÇÃO CIENTÍFICA DO MUNDO

Está neste planeta.

UMA LUZ CÍVICA AO FUNDO DO TÚNEL POLÍTICO

E pronto, chegados a 12 de Março, nasce-me a única esperança digna desse nome no que à transformação urgente do Sistema Político Português diz respeito. Não importa que eu vote CDS ou BE, não importa, nunca importou, o que o Presidente da República viesse dizer, interrompendo o seu letargo de velho funcionário político prudentíssimo, segundo uns, acovardado, segundo outros; não importa ainda o que a morta social democracia dentro do PSD ou a falecida democracia cristã que havia no CDS ousem perorar só agora, saídas da tumba. Esperei por elas e defraudaram-me. Hostilizadas pela nova lei da selva na economia, desvaneceram-se. A Europa, na verdade, já não é região recomendável para a tradução renovada de um pensamento cristão da política. No entanto, há esperança. A rua semeou um princípio de mudança no Anquilosado Sistema Político Português, cujo bloqueio à cidadania vem sendo todo um tratado de opacidade e traição.

O principal fruto da rua parece desenhar-se e é este, por enquanto um Manifesto, em breve um movimento plural e reformador em que possamos apostar. Após toneladas de manifestos sectários, ronhosos, para nada, por isso mesmo sem adesão massiva, acrisolou-se um princípio em que quase todos certamente acordam: parte da resolução dos nossos problemas e da prevenção de outros ainda piores passa pela reconstrução do regime democrático e pelo fim da concentração do poder político nos partidos. Todos os democratas e apaixonados por Portugal, cansados do ódio sectátio estéril, ódio personalizado no A e no B, devem, sem demora, engrossar a mole de signatários deste manifesto. Todos sabemos da tragédia social, económica e financeira a que vários governos conduziram o País. Todos nos exasperámos e cansámos de partidos e executivos sem grandeza, sem ética e sem sentido de Estado, manipuladores de soundbytes, de números, de optimismos, cujos titulares, ápice da baixeza, saíram airosamente ricos. Todos nos vimos impedidos de uma participação democrática e em verdade, sem que o sistema político acolhesse a vertigem da novidade útil, da frescura, dos melhores e mais competentes.

PORTUGAL, COMEÇAR O DIA A AMAR-TE

CENAS DO TIPO Ó-TIO, Ó-TIO E POR ENQUANTO

«O BPP e o BCP partillharam uma offshore que tinha como accionista o tio de José Sócrates, diz a RTP. As investigações às offshores do Banco Privado Português levaram à descoberta de uma sociedade a Burgundy Consultants, partilhada pelo BCP, com ligações ao tio de José Sócrates. Uma investigação do programa da RTP, "Sexta às 9", desmontou uma offshore partilhada pelos dois bancos e com ramificações a um tio de José Sócrates. As investigações da CMVM e Ministério Público à gestão do BPP demonstraram que João Rendeiro tinha um projecto de poder, que consistia em garantir uma participação de destaque no maior banco privado português. A Burgundy Consultants, sediada na britânica Ilha Man, "traduzia uma relação financeira perigosa entre o BPP e o BCP", refere a RTP. A sociedade é accionista de pelo menos duas offshores no BPP Cayman e de pelo menos uma do BCP Cayman. Um dos proprietários da Burgundy é Celestino Júlio Coelho Monteiro, tio de José Sócrates. João Rendeiro está envolvido em pelo menos sete inquéritos crime e em dois processos de contra-ordenação lançados pela CMVM e pelo Banco de Portugal. Para já o Ministério Público só deduziu uma acusação contra João Rendeiro, Salvador Fezas Vital e Paulo Guichard, ex-administradores do Banco Privado, pela prática do crime de burla qualificada, em co-autoria. Em causa está uma operação de aumento de capital de uma sociedade de veículo criada pelo BPP, a Privado Financeiras, para adquirir as acções do BCP mobilizadas no quadro da luta pelo poder pelo controlo do banco fundado por Jardim Gonçalves. Uma nota emitida pela Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa refere que a investigação, iniciada em Fevereiro de 2010, ficou concluída três anos depois de o inquérito ter sido aberto".» Económico

terça-feira, março 12, 2013

CONTRA A FILOSOFIA MARXISTA DA MARMITA

«Faz-lhe confusão a marmita? Tenho uma pequena empresa, somos cerca de 20 pessoas, além disso ainda tenho alguns filhos em casa, temos microondas na copa e também eu levo marmita, cito JASeguro: qual é o problema?!! Essa conversa das conquistas de Abril infelizmente tem sempre agua no bico - a verdadeira conquista de Abril foi podermos viver num regime democrático. o resto é cartilha de pacotilha. A riqueza não vem do céu nem chega por decreto. A riqueza que precisamos não virá como julga, chegará isso sim com o máximo espaço para a iniciativa privada e o máximo de liberdade para 'criar' (empresas ideias etc), isto implica necessariamente menos Estado. Reparei que nutre um carinho especial pelo 'el Comandante', pergunto-me: por que será que a esquerda tem esta tendência para gostar de regimes musculados? será mesmo um resquício de necessidade de sombras tutelares? Sejam elas na figura de Estados opressivos e muito presentes sejam elas nas figura de personagens grotescas e egocêntricas? Que tiram aos ricos para dar aos pobres até que ficam todos pobres? (menos eles próprios - claro!). Pergunto-me então outra vez: será que esta esquerda só aprecia a liberdade de expressão e a liberdade para a criatividade até ao momento em que consegue derrubar os regimes democráticos e finalmente passa a viver a sombra dum «paizinho' qualquer com mão de ferro? E então já não se importa de frequentar cantinas comuns com ou sem marmita, desde que todos entoem a Internacional, e assistam embevecidos e acriticos aos discursos de 5 horas do pai na Nação? Não, não sou um Coelhista muito menos um Relvista, e até estarei de acordo com algumas criticas- só quero é que não me contraponham a eles as vossa utopias esquerdistas que dão cabo da economia de vez. Como já sei que aqui não nos entenderemos nunca, pois prefere a sombra do 'pai' Estado, pelo menos que nos entendamos na questão de criar uma justiça efectiva para prenderem de vez todos os que se aproveitaram desta liberdade e que andaram a 'mamar' anos a fio.» Anónimo

O DOM PALPITANTE DA FELICIDADE

Imagem afixada
Meu Deus, dai-me o dom de manter e frutificar a minha felicidade,
através de um coração generoso e fraterno.
No fim de contas, a Felicidade sois Vós Mesmo.

PERGUNTAS E UMA FACA ENTRE OS DENTES

E se a economia melhorasse, se o desemprego deixasse de descer? Aplacar-se-ia a rua contra o PSD? O panorama das eleições autárquicas seria, enfim, minimizado? Poderá Passos passar a exigir mendigar mudanças na condução alemã da política austeritária a qual, por causa das eleições alemãs, Merkel não parece desejar alterar?! Poderá o PS ser absolvido do seu lastro e passar a depositário de todas as nossas esperanças de transparência e responsabilização do Estado que não ousam reformar? Estará o Regime de todas as impunidades e de todos os glutões partido-banqueiros próximo de implodir? Continuaremos a insurgir-nos as ruas sem um corpus de exigências concretas que alarguem a democracia e a fiscalização cívica ao sistema que os Partidos criaram e acalentam para si? Qual será o próximo líder populista a emergir? Daniel Oliveira transformar-se-á no próximo independente nas listas do PS? Passaremos a imitar os altos índices de responsabilidade individual que as sociedades norte-europeias evidenciam, pagando as empresas escrupulosamente à Segurança Social e ao Fisco escrupulosamente?

BÁRCENAS E O SEU APOCALIPSE DE MERDA

«Imagina que te comes dos ollas de fabada asturiana, cinco burritos con salsa picante, un par de litros de kalimotxo peleón, una botella de horchata, dos cafés, y luego vas al lavabo mientras te fumas un cohibas. Pues la diarrea que saldría parecería una caquita de conejo al lado del APOCALIPSIS DE MIERDA que hay en los papeles de Bárcenas. En ellos figuran donaciones irregulares al PP por parte de algunos de los más grandes empresarios españoles, así como regalos y sobresueldos dirigidos a eminentes políticos. En los papeles de Bárcenas hay tanta mierda que parecen la receta de un pastel de Ikea.» El Jueves

NÃO AGUENTO 24 HORAS DE INDIGNAÇÃO

Tenho sido um indignado crónico, especialmente a partir de 2005. Não me perguntem porquê. Foi um flash negro, uma impressão fortíssima de aviltamento, uma sensação de traído da Política, de espectador impotente de uma desgraça anunciada, apesar da palavra longa e afiada que passei a desembainhar no Palavrossavrvs Rex. O facto de testemunhar o desleixo dos Partidos, todos os Partidos, para com as pessoas concretas, de ver desfilando a avidez sectária arrogante e a incúria demente com que o Partido Socialista foi poder absoluto e impudico, até ao crescendo de sofrimento social que hoje afinal se transforma no caos da agenda cacofónica de 15 de Setembro e 2 de Março, determinou me revolvessem as vísceras da mais funda abominação. Mas nada acontece. Nada acontecer em Portugal tem sido o golpe de misericórdia nas minhas energias de protesto, no meu ímpeto reformista e amoroso-revolucionário. 

Lá, onde, por exemplo, no 15 de Setembro se rejeitava a Taxa Social Única, não se pôde evitar e rejeitar a hecatombe fiscal que 2013 haveria de testemunhar, não se pôde sacudir o torpor demagógico dos aburguesados partidos de Esquerda que se colam, como abutres, à evidência da nossa tragédia, ao cheiro infecto do nosso sofrimento, adesivos abusivos da nossa dor, casa assaltada, única coisa que fazem aliás. Não se pôde fazer mais nada, senão exprimir o nosso sofrimento sem agenda, as agruras da nossa falta de dinheiro sem reforma da representatividade parlamentar, sem consequências em transparente actuar político, sem o dom do plebiscito frequente e imediato, como na Suíça, às políticas que nos tocam e às lógicas que fazem de Portugal uma arena estupenda para a escravidão laboral e a injustiça salarial mais escandalosas: entre o que abicha Mexia mês após mês e o que pelintra um desempregado a diferença é todo um regicídio para coisa nenhuma, todo um Auschwitz em lume brando com milhões de morituros portugueses a quem ninguém poderá valer.

segunda-feira, março 11, 2013

JANEIRO, CHÁVEZ JAZIA E ARREFECIA EM HAVANA

Terá sido em Janeiro que Chávez expirou, mas o processo de mitificação exige tempo de maturação. A utilização do morto para efeitos de Regime e de política melodramatóide seria uma mina que conviria acalentar. Curioso como estes Regimes abominam a verdade: «Outro facto que a inteligência dos Estados Unidos já deixou bem evidente nos meios diplomáticos. Chávez morreu, provavelmente, no começo de janeiro. O prolongamento mentiroso de sua vida foi apenas uma armação para permitir a inconstitucional posse de Nicolas Maduro, através da geração de um dramalhão popular em torno da torcida pela “salvação” e cura do bem amado mito Chávez. O problema para o regime venezuelano é que o atraso na revelação da verdade contribuiu para que as mentiras aflorassem...» Alerta Total

OCTAFUCKINGFRAUDE

Imagem afixada
Aonde quer que ele vá, faça o que fizer, há merda.

APRENDER A DERROTA NA CASA DO INIMIGO

A casa decadente e miserável do inimigo
vai deserta e insegura.

sexta-feira, março 08, 2013

UM PÉNIS DE OURO PARA CADA MULHER

Agora que já capturei alguma atenção, mais a sério. Não venho propor um novo princípio constitucional que garanta uma espécie de Pénis-Magalhães de Ouro a cada portuguesa, vibrátil, na linha dos direitos inefáveis, tendências democratizadoras e aspirações furadas que a Constituição consagra, deveria garantir, mas cujo chulé na verdade nem sequer cheiramos. Também não se está aqui a pensar em roubar aquele caralho de mel que parece estar na boca de Filipe Pinhal quando fala, ó ânsias de falo!, para dá-lo liberalmente a quem de direito carece da mais elementar glucose em suporte rígido. Pudessem todas as mulheres oprimidas e mal-pagas deste Portugal ousar chorar despudoradamente como ele, após anos de capitalização, offshores e mais valias. Não. Venho somente com a minha lenga-lenga beata do costume. Se há uma herança e um testemunho que desejo passar à mulher em geral e especialmente à mulher portuguesa não é de todo que todas passem a ter um áureo pénis só seu, realístico, áspero, nervurado e evocador, claramente artificial e artístico, como o Pé de Ouro engendrado a partir de um molde de silicone com Messi dentro. Não. É outra coisa. Venho outra vez com a minha conversa sobre a Felicidade com Nada. Continuo nesse ponto igualzinho. Passou Janeiro com o seu palrador atrevido Ulrich. Passou Fevereiro com a pirueta invertida de Gaspar e nada mudou no meu propósito. Prefiro um cêntimo numa caixa esquecida a investir meio cêntimo num pão recesso. Isso vale para mim. Não vale para as minhas filhas ou esposa. É a minha resposta pessoal libertadora perante a injustiça que grassa em Portugal e pune grosseiramente cidadãos vítimas dos ventos globais, mas também vítimas de Governos que viveram acima do Pudor, das Possibilidades Passadas, Presentes e Futuras do Estado, com titulares que viveram ainda mais acima da Moralidade Pública ou do diâmetro do próprio cu, mas é também uma resposta vincada e muito minha perante as distorções e os excessos da sociedade de consumo e dos seus pressupostos autofágicos, suicidas, de ilusório crescimento pelo consumo de mais recursos finitos, de mais energia caríssima, cujo paradigma petrolífero, aliás, ameaça rebentar-nos na cara, não tarda: temos de exercer incomparavelmente menor pressão sobre os recursos do Planeta e mesmo o nosso crescimento, se algum dia tivermos crescimento, deverá operar-se sobre bases ambientalistas novas de plena sustentabilidade e respeito pelo meio ambiente. O nosso Mar, tal como para o estorvo Cavaco, afigura-se como que barras de ouro debaixo do nosso nariz ou a ilustração da célebre máxima ouvida na tropa: Para quem não sabe foder, até os colhões estorvam. Temos Mar. Já não sabemos o que lhe havemos de fazer. E, se sabemos, a UE não autoriza ou demora. Penso nas mulheres como seres belos, maravilhosos, cuja natureza convida a cuidado da pele, das unhas e do cabelo, à terapia das compras, à sedução pelo que são e pelo modo como cuidam de si e dos demais. São frágeis. Hoje gerem agregados complexos, esquizofrénicos, compactos, alargados, compostos por dois ou três filhos desempregados, por um marido desempregado, por um irmão desempregado, sem falar nos próprios filhos e nos pais, já velhinhos, de quem cuidam. Ora, a Saúde, o equilíbrio interior destas mulheres e especialmente a sua felicidade íntima, absoluta, estão em causa. Estão em causa para mim e para todos, especialmente os mais vulneráveis e propensos à depressão e ao desespero por doença crónica ou desemprego: ao mesmo tempo que as pessoas deverão libertar-se da compulsão para o consumo, abraçar efectivamente a natureza todos dos dias com pasmo, com tempo e paciência; e deverão amar a arte e TER uma vida intelectual e cultural, devem passar a olhar para o dinheiro com a mesma liberdade dos que o têm exageradamente, invertendo os respectivos pressupostos: a liberdade que os megaconsumidores [banqueiros, ex-banqueiros, jogadores de futebol de topo, gestores da TAP, Jorge Jesus, a Pipocatota] têm de dispor e desbaratar uma hecatombe de recursos finitos é igual à dos que dispensam perder o escasso ou nulo que têm, dispersando um cêntimo que seja em bens que não perduram comparativamente nem na fruição sinestésica de uma tarde no Campo, na Praia, nem no seu valor espiritual absoluto. Nada mais efémero que gastar. Por outras palavras, gastar, consumir, é uma muleta psicológica de fraco desempenho e garantido vazio, especialmente diante de qualquer coisa sublime, como o Mar. Ser mulher é estar Bela, é ser Bela, é sentir-se Bela, não importa o quê. Eu proponho não consumir, não gastar, não ansiar nada, senão o Belo, senão a Deus, senão a comoção de um dia em boa paz familiar, visitando e auxiliando quem precise, e jejuar quinze horas, almoço, mais seis horas, jantar. Tudo isto liberta, purifica o corpo, faz-nos leves para voar efectivamente com o coração, a sensibilidade, o tacto, o paladar. O século XXI será religioso ou não será, alguém escreveu. A julgar pela quantidade de banqueiros doidos, anónimos homicidas, políticos pirómanos e vulgaróides, seres humanos afectivamente descompensados que por aí sobejam, estamos infelizmente mais próximos do «não será». Cada qual pode fazer a diferença por que os nossos filhos vivam num século que É, saindo o mais possível da equação dos Governos e das Potências que enquadram e gerem Governos com abstracções que nunca levam em conta o enorme peso do imprevisto, do acto de pensarmos fora da caixa e das réguas ideológicas estabelecidas. Lá, onde os cabrões falam em produtividade e nós percebemos que estão na verdade a falar de mais exploração, perda de direitos, acrescida precariedade, excesso de horas de trabalho, despedimentos na hora, empregos até à morte, reformas como miragem, nós devemos falar e focar-nos em como ser felizes já, em escolher a Felicidade já, Realização Pessoal, Prazer de Estar Vivos, Poupança de Recursos Naturais, Vida Familiar Digna feita de Presenças e não de Ausências, Orfandade Funcional, Exercício da Reunião. Uma tonelada de likes no Facebook não vale um copo num bar com um amigo que realmente goste de nós e não nos estude como um espécime bizarro apanhado do chão e atirado, após bem virado e revirado. Isto parece-me ser e é Revolucionário: porque quando estou ocupado a ser Feliz, nenhum filho da puta pode atingir-me com as suas políticas cretinas, nenhum burlão pode afectar-me com a sua azia contra a minha classe profissional. Nenhum refinado cretino pode anunciar que, após quinze anos a exercer docência, amanhã não haverá emprego para mim nem para umas dezenas de milhar. É mais ou menos isto.

LAPIDAR

«Ninguém tem razão perante um morto. O chamado "chavismo" não terá passado de um justicialismo nutrido pela pobreza de milhões postos à margem num país que ainda é um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Para a sua ascensão e êxito terá certamente concorrido o estreito egoísmo da burguesia venezuelana, que queria viver em abundância cercada de miséria, bairros de lata e peões sem quaisquer direitos de cidadania. Não há melhores aliados das revoluções que esses "fazedores de comunistas" derrancados nas cartilhas hipócritas do business first, da livre iniciativa sem coração, na liberdade de alguns sobre a dignidade de todos.» Combustões

quinta-feira, março 07, 2013

FICA ENTÃO O FANTASMA

PEDRO PASSOS CARALHO NÃO ACORDA

Ontem, pela milésima vez diante da TV para assistir a mais um debate parlamentar, percebi como somos patetas nas francas expectativas colocadas em cada megamanifestação pacífica, repleta de insultos e pedidos de demissão que não mordem, cartazes-desabafos a vermelho contra a traição dos políticos e o terror pela miséria semeada já sentida ou iminente.

Para mudar algo, prioridades, acentos, sensibilidades governativas internas e globais externas, nem que fosse o discurso seco de um Primeiro-Ministro, remetido ao seu etéreo assento de estrelas cristalino, para qualquer coisa de mais afinado com o que sofremos, teríamos de ocupar a rua dias consecutivos, pacificamente, se conseguíssemos, ou suicidar-nos em massa, ou organizar-nos meticulosamente, descobrindo uma unidade semelhante à dos dedos de uma mão. Mas percebi sobretudo como é completamente tonto quer o que um Passos Caralho desta vida tenha a dizer quanto a isso quer o que um verdadeiro paneleiro político como Sócrates disse alguma vez em circunstâncias muito semelhantes. É que nisso são iguais. Lidam connosco, apesar de nós, e tal é imperdoável. Os mundos da rua e da decisão política, sobretudo no pico desta crise cega, mostram-se irredutíveis e não deveria ser assim. Ouvir não quer dizer ceder. Sentir com empatia a dor e a impaciência das massas não leva necessariamente à kryptonite de converter em hesitante e fraca a decisão resoluta do decisor.

FUMAÇA À PORTUGUESA

Há países onde a vida-aterro sanitário dos bancos é qualquer coisa de muitíssimo mais drástico, com juízes a sério, polícias a sério, jornalistas a sério e suicídios a sério de porta-vozes com odor a homicídios expiatórios. Por cá, a encenação é quase tudo. É só fumaça. A Autoridade para a Concorrência finge que actua e que é autoridade, especialmente em fim de mandato para que o incumbente cessante saia numa aura de glória, atirando alto para media ver ou longe, arma de chantagem de último recurso. Que tristeza, Manuel Sebastião!

quarta-feira, março 06, 2013

DA CRISE TERMINAL DOS PARTIDOS PORTUGUESES

Os partidos valem zero a partir do momento em que constroem meticulosamente uma vida tão própria que se impermeabiliza ao clamor das gentes. Há muito que as aspirações das pessoas [mais participação directa e consequências imediatas dos nossos debates e das nossas escolhas] e a lógica ronceira dos partidos nada têm a ver. Muito por culpa da agenda medíocre destes últimos, das lutas intestinas pela escada e a chave do Poder interno ao fraccionamento interminável das suas facções e fracções: ironicamente, o carunchoso statu quo governativo ora PS ora PSD favorece o ganha pão prosaico e funcionarizado dos demais partidos, sem excepção, representados na AR, pelo que o facto de a contestação na rua visar virulentamente um membro do sistema representa na verdade uma séria ameaça ao sistema como um todo. Mas, ainda que inconsciente disso, o sistema dos partidos faliu. Não nos revemos nele nem nele cremos. Sinal disso o triste e melancólico diagnóstico do que é hoje o Bloco de Esquerda, rebate autojustificativo e tardio com que Daniel Oliveira explica a saída desse partido entorpecido e bizantino. Ele adequa-se à consabida escória da restante partidocracia em Portugal, pesada, estanque, um cancro: perpassados de corruptos, carreiristas medíocres, responsáveis por escolhas devastadoras, gestão danosa continuada do Estado, não nos reflectem. Nenhum nos reflecte. Se com os partidos, tal como estão, não vamos lá, reforme-se a forma como elegemos quem e o que elegemos. Reforme-se já. Para lá de qualquer aqui-d'el-Rei aflitivo e derrotado pelo desespero, nas ruas, comecemos pela remoção desta nossa vã, vil, singela e viciada forma de votar às cegas. Voltaremos às ruas. Vez após vez. Em massa. Com os nossos slogans desfocados, angustiados e álacres. Sem líderes. Sem alternativas. Uma mole sofredora. Para quando também com um caderno claro de reivindicações democratizadoras do sistema onde os partidos apodrecem, empurrando com a impávida barriga um monstruoso divórcio do Povo?!

UM MORTO, VÁRIOS CHÁVEZ

A notícia tem sido explorada até à náusea. Horrendo o tempo que se perde na sofreguidão abutrina de cobrir uma morte anunciada. Cansaço. Pastilhas e injecções de tagarelice transbordam os painéis da SICN, [onde a grenha de Nuno Rogeiro pontifica, grisalha e descomposta e a barba adamastor de Pacheco Pereira brilha para sedução de mil ninfas], TVI24, RTPI. Foi só uma morte. Nada mais que uma morte. Para todos os efeitos, morreu um homem que foi vários, o último dos quais um devoto cristão. Nada apaga a imagem de uma Venezuela caótica, criminal, fanatizada, cuja elite política não consta passe mal.

O GRANDE SARILHO GLOBAL

«Estamos, como se pode imaginar, metidos num imenso sarilho. Em breve perceberemos que o discurso do crescimento morreu, que o empobrecimento veio para ficar, que o risco de implosão social é muito sério, que o colapso das classes médias está em marcha, que o sistemas financeiro global está preso por fios cada vez mais frágeis, que o perigo de um fascismo fiscal espreita as democracias, que estas, por sua vez, estão estruturalmente ameaçadas, e que, em suma, ou descobrimos uma maneira ordenada de fechar esta era de desperdício e insustentabilidade, ou a transição civilizacional mergulhará povos, nações, países, regiões inteiras numa espiral de caos e destruição violentos.» O António Maria

terça-feira, março 05, 2013

A CORRUPÇÃO ESTERILIZA

Diga-se o que se disser, se Portugal hoje é um País a esvair-se, o Regime corrupto e fechado, por acaso uma república medíocre, explica-o de sobejo. Explica que não se nasça. Explica que se parta em massa. Enquanto Povo, tolerámos a corrupção da Política e da Banca, contentámo-nos com a opacidade da decisão em proveito dos decisores, com a desactivação industrial e agrícola. A riqueza não foi partilhada. As injustiças sedimentaram-se. A Justiça tornou-se a principal miragem e fonte de desânimo colectivo. Regredimos. Vamos regredir ainda mais. Mas não está previsto que alguém pague pelo mal que nos fez, por mais que nos manifestemos.

segunda-feira, março 04, 2013

MOVER O POLEGAR

Não poderia estar mais de acordo com este resumo do relvismo: da flébil emergência à crassa inexistência de um ministro. Só nos saem figuras tristes, personagens para esquecer, coladas ao assento pelo cuspo do hábito. Que Relvas fosse evacuado, regressando à sua vida empresarial 'dinâmica', génio que é dos mil contactos e dos mil favores devidos e a haver, seria uma folga dada desde logo ao baraço no pescoço do Governo Passos. Pode não chegar. Sinto-me globalmente traído. Confiei em que, com Passos, o critério da delicadeza, da verdade, e da sensibilidade para com as pessoas concretas estaria antes de qualquer decisão gizada na frieza de um gabinete nacional ou europeu. Enganei-me e enganei-me ainda mais tendo em conta a falta desesperante de resultados positivos. Eu e milhões de portugueses, num protesto contínuo e incansável, derrubamos o Governo Sócrates porque era uma escandalosa obscenidade em movimento, feérica, estúpida, movida talvez a cocaína. Um embuste. Uma loucura. Provavelmente, milhões de portugueses e eu voltaremos a mover o polegar, como o Imperador. Não haja ilusões: com a queda deste Governo, toda a classe política, cega, surda, tacticista, tagarela, seria vergastada e derrubada igualmente. Cresce-nos um nojo que pode não poupar nem o menino nem a água do banho.

domingo, março 03, 2013

PUTA DE ENGENHARIA SÓCIO-ECONÓMICA

Não há qualquer sombra de dúvidas: a falta de resultados do Governo Passos no simples plano da execução  orçamental em 2012, e já no corrente exercício, sentencia-lhe a precariedade, caso nada seja alterado. Dói acrescidamente que o nosso sofrimento afinal não resolva merda nenhuma, não minore qualquer problema estrutural, não alivie a pressão externa. Gostava de saber que paneleiro fanático assessor achou por bem terraplanar parte do sector da restauração com os 23% de IVA, gerando falências, desemprego acrescido e desespero, suicidando a própria receita fiscal. Valeu a pena?! Foda-se! Era só ter um pedaço de compaixão e não ir porra nenhuma além da puta da Troyka, redesenhando à bruta a economia que estava, promovendo tanta devastação à ceguinho seja eu. Nós, portugueses, gostamos de comer. Vamos continuar a gostar de comer para sempre, mais Gaspar menos Gaspar. Quanto mais Fisco, menos tudo.

LOURINHO E GORDINHO