domingo, junho 30, 2013

SOCRATISTAS LAVAM MAIS BRANCO

Continuo a pensar que a entrevista que Teixeira dos Santos à TVI é mais uma manifestação de branqueamento histórico de uma história mal contada. As razões que levaram Portugal ao pedido de ajuda externa não podem ser objectivadas por aqueles que degradaram o rating português e viram a dívida escalar num par de anos até à vulnerabilização final atribuída ao chumbo de mais um PEC, o IV. O testemunho de Teixeira dos Santos não vale e não colhe tal como não vale nem colhe dizer do passado o que nos apeteça para que nos apareça com a melhor cara possível. O pedido de resgate era inevitável e ao PEC IV teriam certamente sucedido PEC sucessivos e intermináveis, num apodrecimento que nada poderia apaziguar. Fala-se do efeito dominó provocado pela crise grega, mas deveria falar no efeito dominó dos nossos problemas estruturais e da nossa política doméstica assente no regabofe da dívida pública, na ineficiente cobrança fiscal e nula competitividade da economia, com os seus sectores protegidos sempre prósperos e o sector produtivo mirrado e paralisado. Portugal foi forçado a pedir ajuda externa porque, em plena crise das dívidas soberanas, o PS esgotou as soluções tiradas da cartola procurando imputar a toda a Oposição o ónus de uma Governação amadora e amiguista, com demasiadas swap e PPP para ser verdade. Portugal foi forçado a pedir ajuda externa porque o Governo Minoritário PS se demitiu, porque a credibilidade da sua governação era nula. Teixeira dos Santos diz que havia uma alternativa ao pedido de ajuda externa. Por que não disse que um Governo de Coligação, e não minoritário como esse, corporizaria melhor essa alternativa?! Por que não disse que o facto de o PS hostilizar a Esquerda e a Direita, vexar e desconsiderar Passos Coelho tal como rebaixara a Velha Ferreira Leite, o isolou nessa alternativa rejeitada no Parlamento?! E por que motivo o apoio europeu era importantíssimo para a aprovação do PEC IV e já não interessa para nada agora que existe, é europeu, e apoia em toda a linha o Governo Passos?! Não é a mesma Europa?! Mesmo que o PEC IV fosse a melhor saída, já ninguém suportava a personalidade histérica e hostil de Sócrates, toda a putrefacção do sistema amiguista socialista, a contaminação das instituições do Regime-PS, a colonização-PS do Aparelho de Estado. Um Estado respirável urgia. Lobo Xavier deveria sabê-lo, tal como Pacheco Pereira, se não padecesse desse misterioso mal-fodidismo intelectual ressabiado anti-Passos que o cega. Não há, por isso, qualquer versão deturpada da história do Resgate. O poder caiu de maduro no colo do PSD e do CDS-PP porque o Partido Socialista esbanjara quinze anos para corrigir uma trajectória estruturalmente mortífera para o País. Não se pode, por isso, falar como falam os socratistas, de uma versão falsa da história e uma verdadeira, a sua, aquela em que os interessados na questão aparecem como inócuos e inocentes e que os iliba. Teixeira dos Santos escuda-se nas datas das sucessivas descidas do rating da República e dos Bancos nos dias que se seguiram ao chumbo do PEC IV, mas o problema de fundo estava lá, precisamente num tempo em que a volatilidade dos ratings era indiferente a quaisquer medidas, senão à exposição brutal do caso português às suas próprias debilidades, pelo que a situação progressiva e imparável, e não abrupta, dos ratings que acelerou a subida exponencial dos juros e tornou insustentável as condições de financiamento do País não poderia ser evitada. Terá sido um PEC, mais um, e logo o IV a fazer a diferença para que não houvesse dinheiro para pagar salários e pensões?! A verdade é que o mal já estava feito. As lógicas eleitoralistas de 2009 já haviam feito o seu percurso: subida dos salários nas Função Pública, baixa do IVA, complemento solidário para idosos com dinheiro que não havia. O despesismo socialista transformou-se em PEC I, II, III e, algum dia teria de ser, num chumbo do PEC IV que também poderia ser o chumbo do PEC V ou do PEC VI. Já não era possível um normal financiamento da dívida pública e as agências não poderiam apostar em paliativos ainda para mais mal executados ou insuficientes como os outros PEC. O pedido de ajuda externa poderia ter tardado, mas jamais poderia ter sido evitado. Condicionados pelo momento de incerteza Europeu e pela retracção simultânea dos Países do Euro, sim, dois anos de austeridade e uma severa recessão, 17,6 % de desemprego, 127% de dívida pública e 10% de défice no primeiro trimestre deste ano podem parecer o Inferno, mas há que olhar para quanto buraco tem sido tapado, quanta desorçamentação socialista orçamentada, quantos berbicachos e problemas do passado sobraram para quem veio a seguir. Nisto, em mostrar o que tem feito de bom e sólido, o Governo tem sido péssimo, discreto, numa timidez que é um insulto a quem quer acreditar que em 2014 sairemos desta situação de penosa intervenção externa. Temos de acreditar que tem havido uma intervenção robusta, exigente e séria nos pressupostos da economia, que a corrija estruturalmente e lance bases mais firmes para a vida colectiva. Pode fazer-se melhor? Pode. Mas é preciso que as tácticas partidárias e as sondagens dêem lugar à cooperação no arco da governabilidade. Mesmo o PS já começou a cooperar nesse sentido, com a apresentação por António José Seguro de dez propostas na Assembleia da República para ajudar as pequenas e médias empresas em termos de financiamento. Oito foram aprovadas, o que se deve aplaudir. É preciso que se deixem de merdas e cooperem mais. Primeiro Portugal, depois, muito depois, os interesses eleitorais. Tudo ao contrário do que Teixeira dos Santos e o Mega-PlayBoy fizeram. Nos fizeram.

PHILIPP RÖSLER QUER ESVAZIAR O SUL

Tendo em conta que parte da população do Sul já está a emigrar em massa para dentro do Continente e da União, mas também para fora, não percebo bem qual é a agenda de Philipp Rösler, ministro alemão da Economía. Estará a querer competir com o Reino Unido como destino esmagador da nossa juventude qualificada e não qualificada?! No Reino Unido paga-se bem e o mercado de trabalho não parece abrandar nem fechar por lá. Por isso o preferimos ao alemão. Ao convidar os jovens desempregados dos países do sul da Europa a experimentarem o sistema dual de formação profissional alemão, com a possibilidade de ficarem depois a trabalhar no país, Philipp Rösler, além de entrar explicitamente na competição pela mão de obra que vai daqui, só pode pensar nas vantagens pedagógicas e formativas de esvaziar Portugal, Grécia e Espanha da sua juventude para encher as grandes cidades alemãs de uma emigração alternativa à africana e oriental ilegal, em greve de fome por não se lhe reconhecerem direitos em tempo útil. Deve ser isto.

SAVING THEIR OWN ASSES

Em conversa com um amigo actualmente a viver e a trabalhar em Nova Iorque, percebi que a mentalidade vigente é a de recuperar na dívida pública, mudar procedimentos relativamente à energia, prevalecer e fazer tudo para prevalecer sobre outros contendores globais, saving their own asses: eliminar a concorrência resume bem toda a estrutura íntima dos Estados Unidos. Podem ser nossos aliados, mas não são nossos amigos. São-nos rivais. Espiar por todos os meios possíveis e tirar vantagens económicas das informações sempre se fez. Temos a guerra fria e o pós-guerra fria a atestá-lo, mas é imperioso que a flébil e hesitabunda Europa aprenda com que linhas é que se cose. É grave, mas é a vida.

ALQUIMIA NIHILISTA, ÂNUS DO PODER

A tentativa dos PS [socratistas e ex-governantes] é insistente como a metodologia de Lenine: mentir, mentir mil vezes até a mentira se transformar em verdade. E a mentira é repetida e é simples: não foi o PS que conduziu os destinos de Portugal até ao descrédito internacional e à insustentabilidade da dívida [foi a crise internacional]; não foi o PS que atolou o Estado português de dívida de última hora, as derradeiras PPP rodoviárias, a Parque Chular, por exemplo, mas não só. Agora que muitos dos nossos problemas estruturais estão a ser resolvidos com seriedade e extrema exigência, por que motivo o Mega-Burlão Sócrates, Santolas dos Santos e outros fantoches da política-indústria demagógica do passado procuram passar todas as responsabilidades, mesmos estes swap, para cima do Governo Passos?! Dir-se-ia que deixou de haver passado para as patifarias. Só há presente para as tentativas erráticas de as erradicar. Dir-se-ia que, para PCP, BE e PS, todos os males do País começaram com o receituário do médico inflexível Troyka pela mão obediente de Vítor Gaspar. Para que serviria um relatório dourado sobre swap quando havia um Governo ainda a aquecer o lugar?! Por que motivo os serviços de notícias da SIC cooperam com os socratistas, com certa Esquerda Tremendista e com o nihilismo vácuo do PS?! O que é que Carlos Pina tem a dizer às acusações explícitas e implícitas de Maria Luís Albuquerque? De 2005 a 2011, alguns media serviram para perpetuar o Mega-Burlão na merda que estava a fazer. De 2005 a 2011, alguns media colaboraram activamente para esconder o caminho de bancarrota socialista até ao pretexto do PEC IV. Agora conspiram para reintroduzir o supositório socialista no ânus-fraca memória do eleitorado, ânus do Poder. 

sábado, junho 29, 2013

DILMA OU CABOTAGEM CABOTINA

O fim de quem governe com um olho demasiado gordo na sua popularidade não pode ser bom. Menos ainda se forem dois os olhos colocados na popularidade. Mandela não precisou disso. Bastou ser ele mesmo. Bom. Compassivo. Humilde. Mas o fim de quem governa segundo os índices de aprovação pode ser um desastre patético caso a dormência da inacção e volúpia da corrupção sigam como dantes, quartel general de Abrantes. É o caso nítido e notório do PT de Lula e Dilma. Este partido mergulhou de cabeça no lodo de Brasília. Vai ser difícil lavar as vestes no sangue do martírio ou na virgindade da actuação para começar tudo de novo. Se hoje o Palácio do Planalto cai em popularidade, essa queda pode bem ser inexorável, tal como a ascenção de Joaquim Barbosa, um homem probo, ou a realização do plebiscito anunciado com apoio de 68% dos inquiridos. Este é o clímax de um desgaste, a crise da imagem da Presidente cujos maus sinais foram dados a um auditório português incrédulo, é preciso relembrá-lo, aquando da mais recente visita a Portugal. Caprichosa e antipática, Dilma esteve horrível na pose e péssima no protocolo. O certo é que o PT já não pode deixar de passar colado aos piores índices de corrupção de sempre, venha dizer o que quiser Rui Falcão, presidente do Partido. É bom que os petistas comecem a tomar consciência disso antes que a queda se mostre feia. Por exemplo, as medidas anunciadas por Dilma — criação de um grupo de representantes eleitos pelo povo para propor mudanças na Constituição  ainda só é um anúncio e não se sabe se a máquina de engonhar do sistema planaltista permitirá que se reforme. O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia, PT-SP, assim como outros tentam, explicar pelo que melhor lhes convém esta queda de popularidade da presidente, alargando o âmbito do questionamento popular. Há um ataque pessoal e um sentimento de traição nas causas cívicas associado à figura política da Presidente, isso é óbvio, para além do invectivar de todos os demais políticos. A omertà político-partidária funciona, na hora H, tal como em Portugal: em bloco para proteger o sistema que a ceva. De coisas muito concretas se faz o protesto: não se pode ter estádios de luxo e serviços públicos de merda, a sensação que tudo se faz para ostentar um País de primeiro mundo no acessório, mas com uma saúde pública que piorou, uma segurança pública que piorou, um transporte público que piorou, uma inflação que pode piorar muito em função das alterações proclamadas pelo FED norte-americano na sua política monetária e dos Estados Unidos no plano das transacções comerciais, cuja linha proteccionista recrudescerá, o que certamente alterará equilíbrios monetários que importam ao Real , no desemprego que pode piorar, deslizando o gigante lusófono sul-americano para um tipo de incerteza quase europeia, não fosse a economia 60% de psiquismo de massas. E o que dizem os políticos do PT? Que a inflação está sob controlo, que o Brasil experimenta o pleno emprego contra uma crise mundial de dívida pública, injecções de capital estatal no sistema bancário europeu e sobretudo uma taxa de desemprego calamitosa, casos da Grécia, da Espanha, de Portugal. No Brasil, mesmo o poder de consumo aumentou, se excluirmos o consumo assente em pilhagens de massas desordeiras, repletas de criminosos e de excluídas. Aquilo que os petistas afirmam, a sociedade não sente, caso contrário não se manifestaria, rasgando as praças, aos milhares, numa teima inédita, tendo o rastilho sido a crise nos transportes antes de alastrar ao que estava entalado nas gargantas e à vista dos olhos. O Governo Federal está no cerne disto, claramente. As últimas manifestações inauguraram uma dinâmica cívica nova, um tsunami de indignação justificadíssima. Ela não pode ser escamoteada por ninguém, nem pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, quando reduz a questão da baixa de popularidade de Dilma Rousseff a uma mera questão conjuntural. Essa baixa pode ser estrutural porque nestas manifestações e protestos, Dilma esteve efectivamente no centro do apupo, no âmago da vaia. Sair de si mesma e de uma tendência arrogante no exercício das suas funções pode ser mais complicado que passar a pasta a outro. A cabotina cabotagem da governação dilmista terá de aprender as regras para a grandeza. Pergunto-me o que pensa disto o vampiresco dr. Soares. Será que, para ele, Dilma se deve demitir?!

SÓ COMO UM CADÁVER


como um cadáver velado
a contragosto,
nenhum abraço apertado.
Só, todos mortos por que tudo acabe pronto.
Só. Na sensibilidade. Só.
Só. Neste caminho de clausura.

sexta-feira, junho 28, 2013

SEMPRE A TEMPO

Os dois primeiros anos do ajustamento foram horríveis. Não ter trabalho, dinheiro, comida, é uma realidade para muitos de nós, sendo que a capacidade de partilha em Portugal é um mito: dificilmente haverá povo mais individualista e metido no seu casulo como o nosso: francês na França, norte-americano na América, alemão na Alemanha, suíço na Suíça, romano em Roma, o português é qualquer coisa de civicamente híbrido e indefinido em Portugal, por um pouco saídos da selva e por outro ainda nómadas de ideias quanto ao País que melhor resistirá ao Mercado Global. Tenho sido ajudado por muitos leitores e são eles que, com um donativo simbólico, impedem que desista e parta imediatamente para outro País. Entretanto, é horrível prosseguir tesos e sem perspectivas cá dentro. Acredito porém no espírito de serviço e de bom senso do Pedro Lomba, na inteligência em movimento permanente de leitura da realidade em Miguel Poiares Maduro, da mesma forma que me aposto todo na teologia dos afectos do meu Papa Francisco. Sou, sempre fui o que ele faz. Melhores dias virão para quem sofre em Portugal. Se os governantes nos explicarem o que fazem e para quê, esses dias virão mais rapidamente porque para eles nos havemos de mobilizar. Foi graças ao vazio discursivo do Governo até aqui que os imbecis da Esquerda-que-Berra e barra o trânsito medraram com os seus refrões velhos com trinta e nove anos de má memória de 1975-76.

JÁ PERDEU

Não adianta correr e saltar. Rui Moreira já perdeu. Menezes já ganhou. Porquê? Menezes é um animal político repleto de iniciativa, rodeado dos mais capazes: de cem ideias, muitas com idiotia dentro, dez são excepcionais e concretizam-se mesmo. Menezes é capaz de muitíssimo mais que umas corridas de karts na Boavista. Moreira não é político. Muito menos um animal da coisa. Gaia tem um brilho e um apelo de excelência directamente devedores à visão de Menezes. E isso sente-se nas praias, no turismo e no resto.

PENSAMENTO PECHISBEQUE DE DEUSDADO

Admiro, gosto imenso do Daniel Deusdado que reflecte sobre o meu Norte-Região, pensa criticamente o meu País, acusa a corrupção enraizada no Regime. Mas há coisas que escreve sobre o Governo Passos que me deixam triste apenas porque traduzem a mortífera e estéril lógica parcial da desconformidade perpétua, patente na História d'O Velho, o Burro e o Menino, como é o caso desta opinião. 1. Deusdado veicula por demais a fome, a pressa e a sofreguidão do pessoal do BE, do PCP e de algum PS por mudar de Governo na secretaria da Presidência da República como se isso mudasse a Europa que nos calhou e o FMI que nos tutela [Deusdado discorda que o menino vá em cima do burro e o velho vá a pé]. 2. Ao contrário do que Deusdado ajuíza, Cavaco faz muito bem em paralisar os ímpetos viscerais e impacientes da rua e da rua que convém aos mesmos do costume apenas democratas quando são eles a governar e golpistas quando são outros [Deusdado discorda que o velho vá em cima do burro e o menino vá a pé]. 3. O problema dos swap, quanto a mim, deveria ser resolvido e foi. Era um fogo a apagar e há demasiado. Ponto [Deusdado discorda que o velho vá a pé, tal como o burro e o menino]. 4. Finalmente, na decisão técnica de passar a aplicar a quase totalidade do Fundo de Estabilização da Segurança Social apenas em dívida portuguesa, creio que é um acto de autoconfiança da dupla Gaspar-Passos, uma aposta do Governo no próprio pescoço e no próprio trabalho: meter o dinheiro todo em dívida nacional significa levar muito a sério o cumprimento nacional da palavra dada aos credores que a Troyka representa, significa preferir o fio da navalha e apostar tudo no evitamento de um perdão de dívida com tudo de horrível que ele significaria, ainda que haja quem ache que não conseguimos sobreviver com 130% de dívida pública face ao PIB: também não podemos estar sempre a cair indefinidamente numa recessão sem fim, como é lógico, sendo que os sinais da melhoria geral da cobrança fiscal nos deveriam reforçar a certeza de uma incomparável eficiência [Deusdado discorda que o burro vá ao colo do velho e o menino a pé]. É uma pena que para a argumentação em manada de uma dada oposição com cio, Santana seja sempre horrível, Sócrates sempre sacana e Passos sempre incompetente, Deusdado! Santana estava a familiarizar-se no cargo. Sócrates estava a avacalhar-se no cargo. Passos tem uma espada sobre a cabeça e faz o caminho ao caminhar. Tenhamos a paciência dos gurus e a doçura dos Mandela, não um pensamento de pechisbeque, Daniel.

PASSOS CRÊ, A VIRAGEM NASCE

Passos, coitado, tem a obrigação de semear confiança e mostrar-se convicto nos resultados do esforço que tem sido feito por milhões de nós. Temos todos o dever de acreditar que cumpriremos o défice para 2013, nós, os de rastos, os com fome, os sem dinheiro, os sem trabalho, nós, os que estendemos a mão e a temos sempre vazia. Temos de deixar de focar exclusivamente no Governo a felicidade de uma boa execução orçamental. Somos nós, afinal, que fazemos o País e o País vai para onde o quisermos levar, de preferência para cima, desde que o não levemos novamente para os bolsos prósperos dos políticos-dívida pública do PS, ou para o paraíso de dinheiro tipo Monopólio que o BE nos garante fora do Euro ou para a primavera económica sem investidores de nenhum tipo que o PCP desenhou para nós mediante uma ruptura com a Troyka, logo, com o financiamento, logo, com a credibilidade, logo, com o fim do maldito programa de ajustamento. 

O BURIL DO SUCESSO

Nada mais normal que isto: se no primeiro trimestre, o défice público ascendeu a 4167,3 milhões de euros, ou seja, 10,6% do PIB registado no mesmo período, já em 2012 nos três primeiros meses do ano, o saldo negativo havia sido de 3206,9 milhões de euros, 7,9% do PIB. Até ao final da desta execução orçamental há vindima e a possibilidade de boas surpresas. O perfil do défice não é idêntico ao do ano passado no período homólogo, os três primeiros meses do ano. Não se havia verificado: 1. a injecção de capital de 700 milhões de euros feita pelo Estado no Banif; 2. o Estado a pagar parte substancial dos subsídios aos funcionários públicos, o subsídio de Natal, cujo corte no ano passado foi chumbado pelo Tribunal Constitucional e que está a ser pago em duodécimos desde Janeiro. Portanto, a cada ano, semestre, trimestre, as suas exigências sob o exigente buril de uma execução exigentíssima. Ainda não chegámos ao ponto de fabricar nota na garagem do Regime, como preconiza o dr. Soares para a Zona Euro.

METAMORFOSE DE PASSOS EM SALAZAR

A missão de Passos para o próprio Passos é, só pode ser, salvar Portugal sem olhar a pormenores [Constituição, Greves, a Engonha dos Intelectuais Pançudos do contra]. Em linha recta, como Salazar. Com pulso, como Salazar. Sem hesitar, como Salazar. Efectivamente, se um Governo numa situação de Emergência Financeira como a nossa passasse o tempo a contemporizar com a chusma de interesses instalados, a dar ouvidos a quantos choramingam pessoalmente a crise, perderia o Alvo, falharia o Bem Maior. E não teríamos Manelas queixinhas, nem esquisitices de Pacheco, nem sacanices de Soares porque todos seriam atendidos com deferência. À vista do que, nesta Crise, se pode obter de bom e de homologante com os Países mais sérios e mais prósperos da Europa, uma módica reforma estrutural do Estado e uma módica alteração da mentalidade Estado-Dependente socialista para a mentalidade do Risco e da Responsabilidade Pessoal, Passos sente que no tempo certo as massas perceberão que estava certo. Competente e focado, Paulo Núncio reforça essa esperança. Independente e discreto, Álvaro Santos Pereira reforça essa esperança.

COITADINHOS

Ei-los que vão à toa, doidinhos, manada mal pastoreada, no calor ingénuo do protesto, a fazer de burros parados no meio da ponte, e reduzindo tudo, todo o nosso sofrimento hoje em Portugal, a um Governo. Vem as polícias e zás! Mansa espontaneidade. Falhara o protocolo das manifs. Mas e os outros Governos que estão para trás?! E a Corrupção de Estado sempre impune, mãe das bancarrotas socialistas?! E a omertà da maçonaria, eminência parda na Justiça e no resto no topo?! E os sindicatos obsoletos?! E o patronato cínico a explorar, hipócrita ao choramingar apoios estatais?! E décadas de fuga geral e obscena ao Fisco de pequenos, médios e grandes?! E a riqueza sem trabalho e sem carreira fora da política?! E os comentários conspirativos sem-vergonha do PlayBoy Mega-Burlão aos Domingos na RTP?! E o de todos os instalados na teta do Regime nas TV?! E a paz próspera dos lima, dos loureiro, dos oliveira e costa, dos isaltino, dos mesquita machado, milionários da política, multiplicados por milhares como lapas no poder local?! E as PPP ruinosas, as swap ruinosas, os BPP e BPN e Banif ruinosos e as penhoras cretinas do BES ao zé indefeso povinho, depois de retomado o imóvel do incumpridor zé indefeso povinho, depois de revendido-leiloado o imóvel do incumpridor zé indefeso povinho, depois de estrangulado o contribuinte zé indefeso povinho com impostos que garantam à Ascendi Grupo BES rendibilidades leoninas nas PPP rodoviárias assinadas por paulo-campos inocentes, santolas teixeiras-dos-santos e outros impolutos pinóquios?! Cambada de mansos, vocês que gritam lobotomias «O Governo! O Governo! O Gorverno!» 

SONHO DE UMA CHAVE DE VERÃO

150 pessoas, unidas, 6,16 euros cada uma, a ver no que dá.
Cada qual com as armas que tem
e a esperança com que pode
pelo rabo.

quinta-feira, junho 27, 2013

NEM COM COERCIVIDADE

Repare-se na tolerância nula dos piquetes de greve sobre os indivíduos que a ela não aderem ou sobre o funcionamento dos serviços mínimos. Não é isso uma violência, forma musculada de coagir aqueles que pensem além da caixa anacrónica e obsoleta da CGTP?! Pode a violência queixar-se da violência?! Então por que é que se queixam?! Nem com coercividade inter-pares a Greve Restrita de Privilegiados com Emprego no Estado, ilha de paz num continente de merda, é finalmente geral. 

NÃO TER DINHEIRO

«Se é certo que a saída do FMI do plano de ajustamento implica o fim da ‘troika', o mesmo já não pressupõe que os nossos problemas tenham acabado. Eles existem e, por muito que a muitos custe aceitá-lo, sem a ajuda externa agravar-se-iam. Independentemente de quem esteja no plano de ajustamento, se o Estado português não se adaptar à nova realidade financeira, que é não ter dinheiro, e à nova realidade mundial, que é a Europa já não ser o centro do mundo, ficaremos mais pobres e num futuro nada risonho.» André Abrantes Amaral

RUBROS DE CÓLERA

O mulher ficou rubra de cólera porque o dinheiro acabou. O homem ficou rubro de cólera porque o Sport Lisboa e Benfica baqueou. A criança ficou rubra de cólera porque o Canal Panda congelou. De todas as razões para ficar rubro de cólera, a pior é o fim do dinheiro, logo a seguir o fim da saúde, quem sabe se mais tarde o fim de tudo.

NECESSIDADE FISIOLÓGICA DA ESPERANÇA

A Greve, parcial, mais uma dos mesmos para os mesmos e que se está nas tintas para desempregados e trabalhadores no sector privado dependentes do transporte público, a Greve, já se sabe, é um pormenor. Interessante mesmo é a esperança instilada pelo que veicula o Boletim Estatístico do Banco de Portugal ao anunciar os bons resultados da Balança de Pagamentos, o retomar das exportações que, em Abril, cresceram 4%. Interessante e estimulante é notar os bons resultados divulgados pela Direcção-Geral do Orçamento relativos à execução orçamental, embora, também por razões sistémicas europeias, os juros da dívida pública continuem ainda em alta, dificultando o regresso aos mercados de financiamento e a rápida libertação do ingerência-jugo directo da Troyka. A esperança é uma necessidade fisiológica. Semedo, Arménio, Jerónimo, Catarina, Soares, Pacheco, todos estes inscreveram na fronha o mal-fodidismo negativista da tragédia e do fim-do-mundo. Nada mais têm a oferecer que cenas patéticas de mal-fodidos. Não, obrigado.

FÓSSIL CONVERSETA OBSOLETA

Arménio Carlos não tem noção da obsolescência do que diz à luz dos tempos de aperto geral em que vivemos e do contexto internacional que integramos, onde só vencem os audazes numa competição global inclemente, na qual só colhe quem semeou. Nichos de privilégio no sector público, finito. E 1975, o PCP destruiu e desgraçou Portugal com as quixotescas reformas agrária e industrial de usurpação dos papéis gestionários e bloqueio à produção. Colectivizar foi lindo. O latifúndio gripou. A indústria parou. Capitais estrangeiros voaram do País. A bancarrota foi logo a seguir. 39 anos com a mesma cassete, música de realejo, pela mudança de políticas e de governo. Isto é o século XXI, camaradas! Por que é que o eleitorado nunca lhe fez a vontade?! Alguém avise o Arménio Fóssil Carlos que a única dignidade que nos interessa é criar empregos, gerar riqueza, lutar pela vida, tratar dela.

TAPETE DOS SANTOS

O feixe intrincado de lealdades e silêncios a que Teixeira dos Santos está obrigado pela omertà socialista-socratista impede-o de assumir o que foi enquanto Ministro das Finanças: um tapete. No Tapete dos Santos, Sócrates limpava os pés, assinava PPP ruinosas, atirava-se ao dinheiro com que o Estado ainda se financiava como gato a bofe, cavava dívida porque Barroso disse que se atirasse da ponte. Tapete dos Santos foi o último Ministro das Finanças a politizar as finanças públicas no sentido da demagogia da baixa do IVA, no sentido do espectáculo de circo do aumento aos funcionários públicos, no sentido do populismo pré-eleitoral em que se omitia, em 2009, a derrapagem geral das contas públicas. Governo que leva um País à falência deveria prestar infinitamente mais esclarecimentos e não vir com um ar santolas e virginal para mais uma entrevista-monólogo.

UGT, CAVALO DE TRÓIA DO PS

Foi preciso chegarmos a 2013 para voltarmos a ver uma figura menor à frente da UGT, fretista desabrido do PS, cavalo de Tróia dele. Carlos Silva abre a boca e só sai bigode. Vai ser preciso muito mais que isso.  

quarta-feira, junho 26, 2013

BONS VENTOS DA RUA BRASILEIRA

Joaquim Barbosa concorre directamente em popularidade e carisma com ninguém, no Brasil. Simbólicos ou consequentes e frequente, benditos actos e atitudes sem apelo nem agravo como esta decisão do Supremo Tribunal Federal a que preside de, pela primeira vez desde que entrou em vigor a Constituição de 1988, impor o cumprimento imediato do mandado de prisão contra o deputado federal Natan Donadon do PMDB, que havia sido condenado em Outubro de 2010 a 13 anos, quatro meses e dez dias de prisão pelos crimes de formação de quadrilha e peculato, por ter desviado mais de oito milhões de reais da Assembleia Legislativa do estado da Rondónia, entre 1995 e 1998, quando era director financeiro daquele órgão, condenado também a devolver 1,6 milhões de Reais aos cofres públicos. Isto é um balsamo que contrasta com a habitualidade da impunidade. Se tivéssemos uma República a sério, os urdidores das últimas PPP, em 2011, das últimas negociatas, das últimas decisões abomináveis contra os interesses do Estado Português pré-falido em 2011, já estariam dentro. Infelizmente, uma mão [PSD] lava a outra [PS] e o Povo, encurralado de Fisco e de Impunidade, só vê [porque só pode ver] o êxodo em massa para paragens mais prósperas como a única solução final e pessoal.

UM TIRO NO PÉ

A Greve Geral de amanhã não será geral, como sempre. Será um tiro no pé coxo da economia, na economia heróica dos que lutam por si mesmos e dependem de si mesmos; um tiro obsoleto no pé rombo nas depauperadas empresas públicas de transporte. Enquanto tiro-no-pé nacional, sim, a Greve Parcial será um sucesso. Antecipo desde já os meus parabéns pelo coito oportunista ao ralenti-amorti entre o Fóssil Arménio Carlos e o Arqueológico Carlos Silva. Era só um a espingardar. Agora são dois.

COSTA COM TREMELIQUES DE ESQUERDA

O PS, segundo Costa, está à bica do Poder, mas ao mesmo tempo parece que o brunido autarca não sente o terreno firme, antes tremelica de insegurança e temor. Sabe que muita da actual intenção de voto no PS é uma intenção de protesto e exigência de resultados, intenção logo descartada na hora do voto, pois não se vota no Desastre e na Decadência em forma de partido. Depois, qualquer acordo de Esquerda anterior ou posterior a uma Crise Política, a qual não se vislumbra de nenhum modo aberta por quem a pode abrir [Portas/Cavaco/Rua], acarretaria o risco da emergência da dispersão-pulverização das intenções de voto, de um surto de populismo à maneira italiana ou à maneira do movimento empata-autarcas Revolução Branca, já no terreno, ou mesmo ao agudizar do gravíssimo problema da abstenção portuguesa, nada mais que laxa deserção cívica. Falar Costa de alianças à Esquerda, consensos à Esquerda, é uma utopia. Nem essa Esquerda quer governar nem poderá haver consenso com quem tem como único programa cortar com a Troyka, o que representa sair do Euro.

INTELIGÊNCIA NO GOVERNO

Poiares Maduro é um académico, um docente. Prestigiado. Qualquer professor, por formação, só fala do que sabe e aposta-se todo no que transmite, pois o que transmite não é só retórica nem exclusivamente racionalidade, empirismo e experimentalismo sistematizados, mas muito mais que isso. Por esta razão é que Portugal só ganhará com o Ministro Poiares Maduro: sintomático a caça que a intelectualite decadente socratista lhe dá. Sinal de que a teme. O País precisa de ânimo e de aderir com a Razão e as Vísceras ao que está a ser bem feito, refocando nas pessoas o que a Esquerda pavlovianamente imputa aos Governos. Portugal terá certamente alguma coisa a aprender com Poiares Maduro. Aliás, prestigia-se desde logo por ter este Ministro disponível para um diálogo aberto. A simplicidade cristalina do que tenha a transmitir-nos, em nome da verdade e da realidade, só poderá ajudar-nos. Se isto, esta nova fase, for ou parecer propaganda, lamentamos. Habituem-se.

CHINESES QUE IMITEM BRASILEIROS

Comem!

MAIS LUZ. MENOS CALOR

Olhar para o caos no Brasil e o Deboche 37. Preveni-lo em Portugal: «[...] confesso não compartilhar da euforia que tomou as ruas das principais capitais do país. Há uma insatisfação generalizada e difusa, sem foco. Não adianta ser contra “tudo que está aí”. É preciso compreender melhor o que nos trouxe a esse quadro, e como mudá-lo. Temos que gerar mais luz e menos calor. Além da grande cacofonia nas ruas, cada um com uma demanda diferente, há grupos radicais de esquerda tentando se apropriar dos protestos. Afinal, isso é o que eles sempre fizeram: incitar as massas e criar baderna. Separar o joio do trigo é crucial. Vândalos devem ser contidos, saques e agressões aos policiais devem ser reprimidos com todo o rigor da lei. Manter a ordem é fundamental. [...] Sou bastante crítico a este governo. Meu julgamento da era petista é o pior possível. Nunca antes na história deste país se viu tantas trapalhadas conjuntas, tanta incompetência, tanta mediocridade e safadeza. O PT segregou o país, comprou votos com esmolas estatais, aparelhou a máquina do Estado e demonstra forte viés autoritário.» Rodrigo Constantino

AOS QUE DIZEM «O GOVERNO, O GOVERNO»

Emigrar? Não é vontade, é necessidade. Terei, porventura, nos próximos meses de deixar Portugal para trás. E elegi este Governo. Este Governo é como um piquete de bombeiros a acorrer a uma casa em chamas. A casa em chamas é o Estado Português Falido. O fogo é a dívida externa descontrolada assumida e atirada para a frente. Pirómanos haviam sido Sócrates, os Governos Socialistas e a demagogia populista-socialista de distribuir e distribuir olhando escrupulosamente ao quem-eles-mesmos sem olhar ao como nem ao até quando. Estou desempregado e elegi este Governo. Passo fome, passo mal, não consumo, não há de facto dinheiro, sinto-me humilhado pela presença da Troyka, por isso emigrarei, se tiver de ser, e elegi este Governo. Não se pode olhar para o piquete de bombeiros e acusá-los de piromania sem que isso não soe a pura e maliciosa má-fé. Mesmo piquetes de bombeiros erram, no seu voluntarismo, mas são piquetes de bombeiros. Estão ali para salvar. É o que tentam fazer. Aos que dizem «o Governo, o Governo», passem a olhar por vocês abaixo e digam «Eu, eu, eu». Eu-eu porque toleraram mentirosos por décadas que hoje aparecem pela Esquerda, certamente atestado de beleza e bom comportamento. Toleraram que uma casta de lustrosos pantomineiros mentirosos falissem o Estado. Toleraram a Corrupção de Estado e os seus desabridos defensores por décadas sempre com as liberdades a atafulhar as mandíbulas ávidas, os soares, os júdice, toda a corte de frequentadores dos privilégios, prebendas, cargos por favor. E agora que há pelo menos uma tentativa de fazer as coisas impopulares mas necessárias para que Portugal seja viável dentro do Euro, criticam. Critiquem-se a vocês mesmos, pá, e atirem-se à vida mas é, pá. 

GANDOLFINI FINITO INFINITO

BARBOSA A PRESIDENTE

Há duas vozes credíveis e sensíveis às gentes que se levantam no Brasil e em Portugal. Cá, é Paulo Morais. Lá, o herói popular, mas não populista, é Joaquim Barbosa, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal): «O Brasil está cansado de reformas de cúpula. Examinem a história do Brasil. Todos os momentos cruciais de nossa história tiveram soluções de cúpula. A independência foi um conchavo de elites portuguesas e brasileiras. Na República, o povo esteve totalmente excluído, acordou no dia 15 de Novembro sem saber o que estava ocorrendo [...] A Constituição fala claramente sobre as formas de exercício de democracia no país. O voto direto e simulacros de democracia direta exercida por meio de plebiscito, referendo e consulta popular. Há uma consciência clara de que há uma necessidade no Brasil de incluir o povo [em tais discussões]. [...] Não se faz reforma política consistente no Brasil sem alteração da Constituição. Qualquer pessoa minimamente informada sabe que isso é essencial. O modelo de eleição não só do presidente, mas deputados e senadores, está na Constituição. Qualquer medida que venha a alterar exigirá mudança na constituição. Está descartada a ideia de reforma política através de lei ordinária. Esse é o meu ponto de vista.» Joaquim Barbosa

SEGURO, GUERREIRO DA MANJERONA

As descobertas maravilhosas que António José Seguro emite! Por que não propõe um inquérito às fugas de informação do INE?!

terça-feira, junho 25, 2013

OMISSOS IMBECIS COMENTAM GASPAR

Afinal, ao contrário do que a Esquerda Fim-do-Mundo apregoa e a Esquerda Dissoluta Socratista deseja, ainda não morremos da doença Euro-Moeda nem da maleita Troyka. Só podemos estar de parabéns por isso. Está tudo a correr milagrosamente pelo melhor, sendo o cumprimento dos limites do défice para 2013 o menor dos nossos problemas, ainda que nisso atentem em exclusivo os imbecis omissos de sempre. Há, afinal, um milagre português porque até Maio o défice das Administrações Públicas baixou para 1536,3 milhões de euros, beneficiando de um aumento da receita fiscal. Há um milagre português porque apesar do recuo nas receitas obtidas com os impostos indirectos – IVA, imposto sobre veículos, sobre tabaco, Imposto Único de Circulação –, a receita fiscal do Estado cresceu 7,9% até Maio, acumulando nos primeiros cinco meses do ano 14.140,8 milhões de euros. Há um milagre português porque, nos impostos directos, houve um aumento de 22%, por conta do aumento conseguido com a receita em IRS, em que o montante arrecadado nos cinco primeiros meses do ano (4351,2 milhões de euros) ficou 30,6% acima do que o Estado obteve até à mesma altura do ano passado. Sintomaticamente, neste milagre tão português e tão paradoxal dada tanta desgraça familiar e pessoal, só o valor obtido com o IRC é que aumentou 1,1%, para 1973,5 milhões. Mil falências e uma mui hábil e habitual fuga ao fisco explicam-no, creio. Já deveríamos estar mortos e ter nas ruas as vaias que moram na cabeça do dr. Soares e do dr. Pacheco. Só pode ser milagre. 

NÃO TER TRABALHO É PIOR

A Troyka está em decomposição mai-lo seu receituário, como se sabe, havendo quem, no seio de Bruxelas, advogue o seu fim. Acontecerá, mas ainda não. Secar, enxugar e emagrecer o Aparelho de Estado é muito difícil. Com um pouco de honestidade intelectual, e sem misturar Salazar com gestão de recursos humanos no e para o século XXI, o nosso mal colectivo exige a coragem da mudança e o desafio da coragem. A 60 km, a 120 km ou a 600 km de casa, se tiver de ser. Vida de professor, vida de cigano. Azar e escolha nossos.

RUA BRASILEIRA E RUA PORTUGUESA

Há quem ache que em Portugal temos razões e mais que razões para sair à rua como os brasileiros. É esse aliás um dos mais recentes argumentos de uma Esquerda Fóssil e Raivosa que a nada mais aspira senão a piorar o que já nos é péssimo. Devo dizer, como luso-brasileiro, que tal significa laborar numa falácia monstruosa. Sim, a Corrupção de Estado em Portugal tem sido devastadora e tem gerado as bancarrotas socialistas que se conhecem bem, coisa com que o actual Governo e a actual Justiça contemporizam desabridamente. No Brasil, nem a mais retinta corrupção política e societária afrouxam um clima geral de expansão e crescimento. Apenas vincam a crassa injustiça no abismo entre rendimentos. Há, portanto, diferenças entre a incandescente Rua Brasileira e a Nula Rua Portuguesa. O Brasil tem uma tal pujança económica que, após os estádios, gerou um escândalo redobrado nos cidadãos confrontados com os seus precários e displicentes sistemas de saúde e de ensino públicos, escandalizando-os igualmente a corrupção associada à política, às obras de Regime, desde líderes estaduais a autarcas das principais cidades. Mas em Portugal, embora repletos de razões de fundo contra o Regime e a Corrupção que o caracteriza, não podemos encher só agora as ruas. Na presente situação de decrepitude financeira e ruína económica, numa situação sistémica europeia de risco do Euro, tal ideia só pode passar pela cabeça de oportunistas estúpidos, imbecis mediáticos e lunáticos anacrónicos de uma Esquerda-Razia-Económica que, após 1975, não volta nem pode voltar mais.

DIAS DE SANGUE A PUXAR AO PASSIONAL

As causas por que se mata não as imputemos à loucura, à depressão, seja ao que for, nem à fome, nem ao desespero. Matar, causar dor a terceiros, é sementeira de instintos maus, previamente maus, os quais começam nas palavras sanguinárias mil vezes repetidas, no descontrolo da ira como vício, na insuficiência do interior como oásis e reduto de paz. Os problemas de economia, quando muito, fazem-nos mudar de vida. Não nos transformam em monstros anti-sociais e em sanguinários vingativos.

segunda-feira, junho 24, 2013

SOARES, MAIS UMA DOSE DE IMPOSTURA

O País está cansado do dr. Soares: ele representa todos os vícios do Regime e toda a malícia desse Regime assente na parasitagem ao mais alto nível, sul-americanização chavista do Regime, distorção zimbabueana dele. Nunca trabalhou. Sempre dormitou. Nunca empreendeu. Sempre influenciou e determinou e caucionou na sombra a estabilidade da grande Corrupção de Estado em Portugal, pela mão da impostura e desastre em forma de Partido, o PS. Se há um protesto a fazer é contra muita da riqueza inexplicada do dr. Soares e dos seus filhos, netos e bisnetos políticos. Os americanos fazem notas, diz sua Vampireza Interesseira. Triste País que tem de ouvir inanidades e flácidos argumentos como os dele. Ainda.

BEM-VINDOS À NOVELA EDWARD SNOWDEN

A guerra fria não existe, EUA-Rússia-China cooperam, dialogam, negoceiam, amuam e sorriem-se, Com a ousadia de Edward Snowden em furar o sigilo de actuação da NSA, a caça ao homem é a caça à novela. Os Estados Unidos ver-se-ão confrontados consigo mesmos internamente em face dos limites concebíveis a um Estado perscrutador e, externamente, com os limites que transcorreram relativamente a outros Países. Há imenso a explicar. Como nem toda a segurança é securitária, grande parte dela é económica, quem perder e quem ganhou?! 

sábado, junho 22, 2013

DIAS DE CIO SOCIALISTA

É sempre um espectáculo-vida-selvagem ver os socialistas, misturando departamentos, autárquicas e legislativas, a incharem de cio por mais uma perninha no Poder. Se há símbolo-mor da grande corrupção político-partidária portuguesa, é o Partido Socialista. A sua Convenção Autárquica, no Coliseu dos Recreios em Lisboa, tem leões e números de circo retórico: dizem eles que é o momento ideal para uma viragem. Só se for da posição de sono do cão que dorme na calçada. Socialistas, purguem-se dos corruptos e dos impunes e já tereis face para pedir a lua ao triste e encornado eleitorado.

MORRER, REVOLTA À PORTUGUESA

Perdemos o sentido da revolta contra terceiros há muito, no rectângulo. Nada mais português que preservar a paz do sofá, uma paz podre, pobre, comprimida, envergonhada, humilhada e humilhante, mas paz. A única forma criativa de nos revoltarmos que vamos inventando nestes dias é morrer. De aviltamento, de desespero, de raiva, de susto, de ódio, de aflição, de impotência, de extorsão fiscal, bancária, sob o peso da crassa injustiça deste Regime e das suas consequências na nossa carne e nossos ossos, Regime onde os soares e os sócrates prosperaram, todo ele feito para que só eles prosperem e ainda lhes fiquemos a dever dinheiro e a aturar-lhes o catarro diletante. A nossa única revolta é morrer. Contra a vileza, o mau tempo, a coima, a multa, a autuação, mas morrer. Não vejo a hora de ir desta para melhor, passe a ironia.

QUERO COMER O «MARRETA»

Também gosto muito de animais, mas olhando para a foto do bicho, dá-me vontade de comer esse lindo touro com carácter, já delicioso no nome, «Marreta», o Fugitivo de Perre, absolvido da pena capital no matadouro e condenado a pascer nos prados de Aveiro até ao fim dos seus dias, graças a uma solidariedade intercontinental. Amar os animais é lindo, mas sinto vontade de comê-lo. Na verdade, nunca na minha vida comi tão pouca carne. Não há dinheiro para luxos. Sinto falta de um bom e suculento bife mal passado, ao menos uma vez por mês. Ou duas. É a puta da crise. Para que as swap e as PPP vivam e prosperem, fodem-nos bem e diariamente, portugueses! Bom apetite!

COMUNAS VIRGINAIS

Olho para eles, para os jovens comunistas portuenses que pintam murais às claras, na noite, como se olha para políticos virgens, beatos virgens, militares virgens: tão bem intencionados, meu Deus, e tão iludidos com a anacronia beata do PCP, estes caloiros. A pintar paredes é que vamos lá, sem dúvida, meu povo. Pintem, pintem.

#MUDABRASIL, AS CINCO CAUSAS

UMA LUZ RADIOSA NA BRUMA

Pensar em Bruma é confirmar que as maiores estrelas do futebol nacional nascem quase todas em Alcochete. Por que é que o Bruno, o homem que não dorme, não se muda para lá e não leva consigo o hipotecado Alvalade XXI, a estrutura, o purjecto, a ver se se dá um milagre equivalente em resultados desportivos, títulos e prosperidade multimilionária?!

A ODIOSA PEC 37

Sou contra a PEC 37, sou contra a impunidade
Muitos dos pressupostos das últimas manifestações são um movimento de ultraje contra a Proposta de Emenda Constitucional 37, a chamada PEC 37. Na Praça da República, em Belém, profissionais e várias entidades ligadas ao Ministério Público e organizações sociais de defesa dos direitos humanos e da cidadania montaram postos de votação para que a população participasse de um inquérito do site da câmara dos deputados sobre aquela Proposta, que asseguraria às polícias Federal e Civil dos estados e do Distrito Federal competência privativa para apurar infracções penais de qualquer natureza, retirando o poder de investigação dos Ministério Público Federal e Estaduais, além de reduzir o número de órgãos de fiscalização. Nada mais encorajador de mais corrupção e da multiplicação de mensalões e mensaleiros.

O RASTILHO DAS REVOLUÇÕES

«A verdade, deplorável verdade, é que o gosto pelas funções públicas e o desejo de viver à custa dos impostos não são, entre nós, uma doença particular de um partido; é a grande e permanente enfermidade democrática de nossa sociedade civil e da centralização excessiva de nosso governo; é esse mal secreto que corroeu todos os antigos poderes e corroerá todos os novos.» Alexis de Tocqueville

ROBOT DILMA

O discurso de Dilma é puro instinto de sobrevivência, absorvendo os postulados e pressupostos do movimento das ruas, música para os nossos ouvidos. Ao ouvi-la, um cidadão pensa: «Por que não enunciou este caderno de compromissos com o Povo antes?!»

sexta-feira, junho 21, 2013

NO MARAVILHOSO MUNDO DOS DOS SANTOS

Os portugueses não têm sossego. As notícias aviltam a nossa impotência e impressão de um mundo virado ao contrário. José Filomeno dos Santos, filho de José Eduardo dos Santos, por exemplo, tem uma longa carreira milionária atrás de si e à sua frente, primeiro como presidente do conselho de administração do Fundo Soberano de Angola, mais tarde como senhor do Mundo e arredores. São cinco mil milhões de dólares para gerir só em receitas do petróleo, trocos quando o céu é o limite. É um fenómeno moderno: os filhos dos eternos chefes de Estado em África e nalguma América do Sul, muitos deles Fósseis de Esquerda, licenciam-se em Gestão de Informação e Finanças e tornam-se homens de negócios. É espantoso. Gostaria de vê-los a sobreviver com 322 euros de subsídio de desemprego, como eu e tantos milhares de portugueses, ou ainda com menos, como milhões de angolanos.

DILMISMO

Cartoon in FdSP.

POIARES MADURO E O EURO INDOLOR

Quando Poiares Maduro fala, o País tem oportunidade de Aprender alguma coisa, enfrentando o espelho de que foge. Um olhar atento à vaia atómica, bloco-engenhosa, à contestação, ao conspiracionismo azedo do dr. Soares, ao mal-fodidismo anti-Passos do dr. Pacheco e do dr. Capucho, do dr. Bagão e da dra. Manuela, por exemplo, para não falar na grande Caramunha de Esquerda dos zorrinhos e dos seguros, permite-nos concluir que toda esta gente quer um Euro indolor e quer basicamente Fazer de Conta que tudo pode continuar como se arrastou até aqui. Não pode. Mudar é urgente. Nada mais petrificado e avesso à mudança, à reindustrialização, à libertação da economia, à responsabilização individual, que os instalados no privilégio e na dependência, em contraciclo com a nossa miséria, o nosso desemprego, as nossas dificuldades, a nossa fome. Não me lembro, aliás, que tenha havido uma mega-manifestação só com desempregados. O protesto, na verdade, é muito selectivo e imensamente privilegiado.

TODOS SOMOS ARISTIDES

Trinta mil salvo-condutos para a vida.
Parece que afinal há futuro para a Casa do Passal no sentido de fazer justiça a um homem excepcional num momento excepcional, onde desobedecer salvou 30 mil vidas ao contrário da ficcção obscena em que se converteu a vida de Giovanni Palatucci, um colaboracionista ao serviço dos nazis depois beatificado e reescrito como amigo dos Judeus. Somos todos Aristides e somos muitos Aristides: castigados por fazer o que está certo e é justo, ignorados por décadas, injustamente despromovidos, desempregados, esquecidos, votados à miséria e ao aviltamento. Ali, em Cabanas de Viriato, uma casa restaurada, um memorial, uma ponte entre o Passado e o Futuro. Trata-se de dar dignidade ao verdadeiro heroísmo humanista de um homem corajoso, convicto, movido pelo Espírito. Finalmente!

O GRANDE ENGONHADOR

A Grécia-Povo sofre imenso, mas a Grécia-Poder-Político engonha reformas, mudanças, o cumprimento da palavra dada. Consequências? As piores possíveis, começando pelo conceito do País fora de portas. É por aqui que o PS, essa maravilha impoluta e visionária do século XXI, quer apascentar Portugal: no engonhanço. 'Bora, Portugueses, 'bora lá votar PS outra vez.

NO BRASIL TUDO É GRANDE

Dilma, a Medusa. Cartoon da FdSP.
Grande ironia que Dilma venha a Portugal, superioral e compradora, falar de negócios, a TAP, os CTT, conversar com o Avó Vaias Soares e o Afilhado Seguro, tenha chegado com enorme contempto por nós, pelo País e pelo seu Dia para, logo a seguir, de regresso ao Brasil se deparar com isto: um tsunami de execração da sua excelentíssima pessoa, da sua política sem qualquer Esquerda Dentro, dos frutos sumptuários do futebol e da corrupção nas derrapagens dos estádios com que se enchem despudoradamente os bolsos das construtoras e dos seus amigos políticos. Grande Povo o brasileiro. Tem sangue a sério. Não um sangue de insecto medroso como o nosso, pachorrento com corruptos, pachorrento com mentirosos, clemente com traidores.

ISSO É FÁCIL, PADRE

Acabar com a austeridade é fácil, Padre Lino. Basta colocar o PS no Governo e montar um FED, um BCE na garagem do dr. Soares para imprimir dinheiro a grande velocidade. É tão fácil acabar com a austeridade como matar a impunidade dos corruptos com lábia para o comentário na RTP.

DOLO, DANO, IMPUNIDADE

Um grande e corajoso texto de Daniel Deusdado sobre o crime económico-ambiental das Barragens Anãs do Tua e do Sabor, muito ao contrário da gaguez de muitos covardes que vão comentar a medo a desvergonha das últimas PPP na SICN, RTPN e TVI24. Não era preciso mais para ir para as ruas, com o Daniel, contra a impunidade:

«O Porto não seria a melhor cidade do turismo europeu 2013 se não tivesse o Douro. Tudo o que se passa no rio e na região devia ser também responsabilidade da segunda cidade/região do país. E é por isso que a sentença de morte final da UNESCO, indiferente à destruição extrema praticada pela EDP sobre o rio Tua (a par do que está a suceder no rio Sabor), é um momento histórico no pior sentido. Representa a falência acéfala dos autarcas do Douro e do Norte, mas também dos burocratas políticos que na Comissão de Coordenação da Região Norte calaram e assinaram de cruz o que convinha ao governo da ocasião. A decisão da UNESCO representa ainda que o presidente da EDP, António Mexia, conseguiu o apoio obediente da ministra do Ambiente, Assunção Cristas, e assim pôr fim irreversível a dois rios extraordinários e uma linha de comboio única - que só outro futuro económico recuperaria com a grandeza correspondente ao seu potencial turístico. Mas este crime envolve muitos nomes. Um deles é Durão Barroso (como primeiro-ministro e presidente da Comissão Europeia). Bruxelas sempre tratou com o maior desprezo as causas dos ambientalistas, que o alertaram em tempo contra estes danos gigantescos. Depois, José Sócrates foi o protagonista da mais brutal insensibilidade da Esquerda ao desenvolvimento sustentável, como se continuar a pôr "muros de Berlim" nos rios, em pleno século XXI, fosse sinónimo de energia limpa ou de inteligência humana. Os 300 milhões pagos pela EDP ao Governo Sócrates para obter as concessões do Plano Nacional de Barragens foram grátis. Os especialistas (que ainda restam sem avenças com a EDP) já demonstraram vezes sem fim que as novas barragens são as novas scut - vão condicionar a factura de energia dos portugueses por décadas, acrescentando maiores parcelas onde elas já representam 50% da nossa conta fixa, haja ou não haja consumo. Os autarcas do Douro não quiseram ver tudo isto, porque são políticos como Judas - pensam nas 30 moedas. Chamam ao betão das barragens "desenvolvimento" e às sandes dos trabalhadores das obras "animação do comércio local". É verdade que a pobreza atual da região precisa de iniciativa. Mas esse é que é o drama: depois das obras destruidoras do ecossistema e da paisagem, o que voltará não será pobreza, será ultrapobreza. Espreitem as outras regiões com barragens no Norte e indiquem uma onde haja "desenvolvimento" com turismo de natureza extraordinário... Esta decisão é ainda reflexo do que representa o novo turismo do Douro - um turismo de cruzeiro, de passeata, premiadíssimo - mas à custa dos durienses 'índios da Amazónia': cuidem da paisagem a custo zero, para nós brindarmos com champanhe e baile à passagem do navio... Fica zero no Douro. Zero. É turismo canibal. E como os barcos não sobem o Tua ou o Sabor, é-lhes indiferente. Só que um património da humanidade é mais do que subir o rio. É uma memória, é um conjunto de factores que são assim há séculos e séculos. Isso está bem patente num pequeno filme de 18 minutos disponível em www.pan.com.pt/valedotua - feito altruisticamente por voluntários do Partido dos Animais e da Natureza. Em todo este processo das barragens houve a corajosa luta de algumas associações ambientalistas. E ouviu-se uma voz empresarial dissonante: a família Symington, líder mundial do vinho do Porto. Numa carta à UNESCO, Paul Symington alertou para as consequências ambientais da criação de dois lençóis de água no Tua e Sabor, que porão em causa o ambiente climático ancestral da região, e para o seu impacto nas vinhas. E afirmaram: "Qualquer projeto que danifique esta paisagem única irá comprometer o futuro de todos os envolvidos na produção de vinho e no trabalho associado à região". Há uma razão para isto: os Symington estão no Douro há mais de um século, vivem daquele delicado ecossistema. Vão lá continuar mesmo depois das infinitas autárquicas e seus caciques, dos Mexias presentes e futuros, de governos monárquicos, ditatoriais ou democráticos. É gente como eles que vai sofrer com a ganância e a destruição irreversível. Com decisões tomadas em gabinetes políticos ou financeiros por gente 'fashion', de plástico, rodeada de ar condicionado e alcatifas fofas. Um dia, isto explode nas ruas (como na Turquia ou no Brasil).»

Daniel Deusdado, in JN, 21 de Junho, 2013

quinta-feira, junho 20, 2013

TIRO PELA CULATRA

As expectativas de Zorrinho e de uma certa PIDE de Esquerda de, com as próximas autárquicas, observar um expedito virar da mesa podem sair furadas. Como é possível que um Governo-Troyka-FMI ainda sem resultados consistentes e a infligir um sofrimento terrível e inútil às pessoas simplesmente não desapareça do espectro das intenções?! Nem sequer o PS das bancarrotas deixa de ser desejado. Tudo isto é louco, tudo isto é fado.

OS ÚLTIMOS DIAS DO JARDINISMO

O espectáculo deprimente da decadência jardinista não pára de nos surpreender: em vez de sábias precauções de boa gestão e boa governança do Governo Regional, em vez do show off da obra betoneira no final dos ciclos legislativos, no sentido de não sobrar apertos para quaisquer sectores incluindo os sectores das forças armadas, forças de segurança, saúde, justiça e transportes, vê-se que Jardim pretende é castrá-los. Autoritarismo de merda, não.

TEMPO É DINHEIRO

Enquanto se não pagam subsídios disto e daquilo ou se dão erros de processamento no seu pagamento ou se fazem greves com putativa privação parcial dos vencimentos de grevistas, segundo o consagrado na Lei, alguns trocos vão ficando do lado de um Estado pré-falido desde 2011 e que há que salvar para que todos nos salvemos. Ainda não vi nenhuma greve ou movimento no sentido de salvar o Estado Português, fazendo urgentemente cada qual o melhor que sabe e pode. Desconversar e politicar, sim, vê-se a pacotes. Talvez a próxima Greve Geral ajude Portugal a descer mais um degrau no risco de um segundo resgate e na baixa da já baixa produtividade. A descer todos os santos de Esquerda ajudam. A descer é que a gente se entende.

TALVEZ CONFIASSE NO ESTATUTO DE DEUS

Bom sinal que o deus-da-bola Messi enfrente os tribunais, pois nada mais refrescante que a sensação de amplitude e abrangência, ainda que ilusórias, da Justiça e da longa manus fiscal. Pode bem ter ocorrido que Messi esperasse escapar graças ao seu estatuto de ídolo, deus, herói do chuto, da finta e do passe. Há políticos e banqueiros que continuam a escapar misteriosamente a esse desígnio purificador dos processos, da Justiça, do Fisco: estão metidos em tanta merda, uma autêntica pirâmide dela, a qual quanto maior é, mais impunidade lhes garante.

SOCIALISTAS E A PROBLEMÁTICA DA ESTATURA

Os socialistas portugueses que peroram nos blogues e nos jornais andam à procura de um líder com estatura. Para eles, Cavaco não tem estatura. Passos não tem estatura. Portas não tem estatura. Deduz-se que Seguro não tenha estatura, caso contrário não continuariam nessa demanda ofuscada por alguém finalmente com estatura. Como ninguém tem estatura, pressupomos que continuam a nostalgiar a estatura do Badameco Parisiense. Preocupa-os que os melhores dos melhores cérebros portugueses, saídos quentes como pães frescos das Universidades Portuguesas, saltem para a demais Europa, Brasil, Angola. De quem é a culpa? Do Ministro das Finanças, outro que, para a socratinagem e a socialistice fascistóide de Esquerda, não tem estatura. Os nossos melhores quadros fogem do País, dos Salgados, dos Ulriches, dos políticos corruptos e dos empresários que exploraram trabalhadores com ordenados abaixo de miseráveis?! A culpa é? Só pode ser, do Governo. Por exemplo, é de agora, e não de há décadas, que os investidores estrangeiros desconfiem de uma economia pouco transparente. De quem é a culpa?! Naturalmente da falta de estatura do Governo no seu todo. Para os socialistas-socratistas fascistóides, cujo cu é o padrão de qualidade, Portugal é um país à beira do colapso social, com um Governo e uma Presidência da República incompetentes e a roçar o irresponsável: deveria Portugal ter um golpista Fax de Macau na Presidência e como Primeiro-Ministro alguém mais teatral e fajuto. Só os fascistóides-socratóides-socialistas têm certezas quanto ao futuro do Euro [às Quintas e Sextas, sair! Aos Domingos e Quartas, ficar!] e resistem ao proxenetismo colectivo do empresariado nacional. Só os socialistas-socratistas fascistóides poriam fim à exploração dos trabalhadores, à exploração das PME e de todas as empresas, carentes de crédito ou grandes utilizadoras de energia, vulneráveis à chantagem pela Banca ou pelas Energéticas. Isto porque só os socialistas-socratistas fascistóides reúnem em si a estatura. Sem eles, Portugal afunda-se. Perde os seus melhores quadros. Sem eles, Portugal expulsa as gerações jovens. Sem eles, Portugal rompe com um contrato social que garantiu décadas de estabilidade e paz até ao rebentamento glorioso de 2011. Sem eles, Portugal destrói tudo o que se construiu facilitisticamente no Ensino. Sem eles, as universidades e a ciência desmaiam. Sem eles, o que medra é o desprezo do progresso assente na investigação. Sem eles, o Estado é desorganizado atirando à lama o investimento de muitos anos. Governar em Portugal é um atributo exclusivo dos socialistas-socratistas fascistóides. Só o dr. Soares, os seus filhos e netos estomacais, sôfregos como lesmas, ávidos como ténias, só eles podem governar Portugal com os maravilhosos resultados a que nos habituaram: dar com os burros na água, sempre com o álibi das Crises Externas e dos outros mais à mão. Só eles, fascistóides com papel de embrulho socialista, têm qualificações. Só eles têm provas dadas. Só eles tem formação ética. Azar que 2011 tenha chegado. Foi naturalmente por falta de estatura que Passos Coelho e toda a Oposição rejeitaram o PEC IV para empreender a monstruosa coligação que apeou a estatura em forma de gente, o Mega-Burlão. Sim, não foi uma necessidade fisiológica do País, da cidadania. Tratou-se de meras vinganças pessoais. É um mistério que toda esta monumental estatura socialista não tenha um espelho para a fronha-camafeu!

POVO EXIGE UM HIGIÉNICO PELÉ CALADO

Pelé transformou-se num ET com sabor vagamente brasileiro. Há muito. Não é de agora. Já não sente o Povo nem as causas profundas que o movem. Nada mais letal para a pureza das convicções e da sensibilidade que a pátina do dinheiro e do estrelato, se é que alguma ali morou pureza, convicções ou sensibilidade, coisa de que muitos duvidam.

AUSTERIDADE NÃO É PARA MARICAS

É relativamente indiferente para a economia e para as psiques que o Estado pague ou não pague o subsídio de férias já ou em Novembro. Será pago. Ponto. Na verdade, uma das coisas para que a realidade empurrou os portugueses foi para o campeonato da poupança pessoal e familiar. Uma poupança na privação. Nisso somos campeões. Não poupamos quando nos sobra, como os alemães. Poupamos só, e muito, quando nos falta. Basicamente somos Povo para tirar da boca e pôr no cofre. A brincar ou a sério, receber o subsídio de férias só em Novembro alguma coisa pedagogizará. Por exemplo esta ideia nacional perdida de poupança até à morte e contenção na privação, no meio da fome, no centro da falta, apesar da penúria. A Lei que se foda, digo eu. Digo-o porque a Lei não deteve um milímetro os filhos da puta da dívida, paneleiros dos excessos dela, em mais negócios ruinosos à vista do precipício das contas públicas, carro-País no meio da linha, à vista do comboio veloz do incumprimento dos compromissos do Estado em 2011. Vamos ao fundo juntos e salvamo-nos juntos, embora o contentor de lixo e boa vida socratista ache que isto da gravidade e da luz solar é tudo culpa do Governo. Quem quiser férias que se desenrasque como puder, vivendo à medida não do crédito, mas da poupança. O País ainda é fruto de como o governaram até aqui. Não há, já não há, cabrões-maricas-socratistas, outro caminho!

NÓS MORREMOS

Nunca acompanhei a série Os Sopranos nem praticamente a demais ficção televisiva, tirando, na íntegra, a brilhante série Sete Palmos de TerraC.S.I. Las Vegas ou  Dexter. Preferi inocular a minha sensibilidade na maior parte do tempo com o veneno viciante da informação nacional, aliás filtrada e pasteurizada para não vivermos em estado permanente de escândalo. Mas garanto já ter saudades de quando for prestar mais atenção ao mafioso deprimido que James Gandolfini enfiou na carne. Agora, o actor está morto. Viva o actor. A personagem Tony Soprano, essa continuará viva pelos séculos dos séculos. Mas a vida é isto. Nós morremos. Uns passámos fome largas semanas, meses, anos. Outros rebentamos como balões por excesso de comida e de bebida ao roçar no estrelato, esse misterioso espinho de rosa.

A REALIDADE É TERRÍVEL PARA BALELAS

Lembrete de bolso do meu caríssimo amigo Jorge.

O BRASIL SAI À RUA PORQUE... III

Porque o autarca da cidade de São Paulo, Fernando Haddad e o governador do Estado, Geraldo Alckmin, aumentaram as tarifas dos transportes públicos e foram desprezivamente para Paris, garantindo que não dialogariam com ninguém, nem com os manifestantes. Já mudaram de ideias. Bastou uma gota de água.

O BRASIL SAI À RUA PORQUE... II

Porque o Sistema Corrupto Instituído no Brasil tem uma relação áspera com a verdade.  Por exemplo, bastou que a jornalista Fernanda Odilla revelasse ter o Itamaraty [Ministério das Relações Exteriores] achado pequena a suíte de 81 m² do hotel Beverly Hills, em Durban, na África do Sul, e hospedado a doutora Dilma no Hilton para, por ordem terminante do Planalto, tais informações passarem a reservadas, vedadas ao público, inescrutináveis e, a partir de agora, só sejam divulgadas em 2015. Quem tem terror da verdade?! Se lá estivesse, também estaria na rua.

quarta-feira, junho 19, 2013

O BRASIL SAI À RUA PORQUE...

Por mil e uma razões sai e sairá o Brasil à rua, uma delas tem a ver com os esforços do Sistema Corrupto Instituído para diluir as penas dadas aos mensaleiros que correm o risco de serem mandados para o presídio do Tremembé, isto é, de regresso à vida boa e diletante, Paris, Férias, Sossego, com o ministro Dias Toffoli, do STF, a dizer que, escandalosamente, os recursos dos réus poderão demorar dois anos para ir a julgamento. Lá como cá, há culpa, mas não há pena aplicada ou há culpa, mas não há acusação. A merda é a mesma. Só varia no grau.

DILMA NÃO ESCUTA NADA

Nova pesquisa de opinião pública reforça a tendência de queda na avaliação positiva do governo da presidente Dilma Rousseff
Se Dilma ouvisse as ruas, pronunciar-se-ia imediatamente contra a lei que prepara a castração dos poderes de actuação Supremo Tribunal Federal em casos como o do Mensalão.

O GLORIOSO ÁLVARO VELHO

A UNESCO inclui, o documento ressuscita à atenção global. Falta uma produção épica hollywoodesca que faça justiça à gesta Portuguesa dos Descobrimentos, primeira globalização. O diário da primeira viagem de Vasco da Gama, inédita na exploração da costa Africana do Índico para alcançar a Índia e atribuída a Álvaro Velho seria uma peça de utilidade axial. Falta que alguém se apaixone, um director, um realizador, e pegue no diário que narra a exploração dos Oceanos para alcançar a Índia como o documento vivo da liderança de uma frota, aventura das aventuras que instuíu Portugal como a Primeira Potência Global da História da Humanidade, o que não é para todos. O texto original do diário está na rede, Colecção Gâmica da Biblioteca Digital da FLUP.

CENAS DO PARTIDO-VÁLVULA

Tendo Paulo Portas como Pontífice e facilitador de entendimentos, é descompressor ver o PS disponível para compromisso no sentido de estabilizar quadro fiscal em Portugal: reduzir a carga fiscal ainda nesta legislatura manter o diálogo com o maior partido da oposição é o que parece: o CDS-PP como partido válvula. Portugal estranha, sempre que o PS constrói alguma coisa e deixa de fingir que o estado do País é uma coisinha recente imputável só aos outros. Espero que o pacote fiscal e a descida do IRC, e quaisquer medidas integradas de fomento ao crescimento económico e à procura interna sejam causas de Regime, comuns ao Arco da Bancarrota Governação, a pensar no médio e longo prazo, e não na mesquinhez inconoclasta de uma crise política com que todos perderiam.

RELATÓRIO PPP E O GORDUCHO RUI PAULO

Quem veio a terreiro contestar com marginalidades o argumentário do Relatório da Comissão das PPP, e logo com um sorriso cheio de dentes plantado no rosto, foi o deputado do PS, Rui Paulo Figueiredo. Mais uma relíquia do socratismo no respectivo grupo parlamentar. Para o improvisado porta-voz dos Governo Sócrates, que não do PS, os factos elencados pelo relatório pouco importam. A primeirinha coisa a fazer, antes de mais, foi politizá-los reduzindo-os à longa batalha politiqueira medíocre entre o danoso Partido Socialista e o desastrado PSD, faces da mesma moeda má do Regime. O que é que aflige e afadiga o risonho e anafado Rui Paulo Figueiredo?! Não é o facto de os contribuintes e o Estado Português estarem esmagados de compromissos e de dívidas à Banca que financiou as PPP, esmagados pelas obrigações do Estado aos concessionários protegidos por cláusulas leoninas. Isso é uma bagatela para o Ruizinho. O que incomoda é que a Comissão de Inquérito das Parcerias Público-Privadas não tenha abortado as suas conclusões, mas tenha feito uma encenação, uma manobra de diversão para afastar a Opinião Pública da realidade e da actual governação troyko-europeia por interposto Governo-PSD-CDS-PP. Será uma encenação que paguemos de modo grotesco o que resultou da avidez obreira desmedida e comissionista dos Governos Sócrates, apesar do acidente que se desenhava a grande velocidade?! E por que razão não veio José António Seguro ele-mesmo [ou uma qualquer figura grada bem falante de segundo plano, e não de terceiro ou quarto, como o jovem turco Rui Paulo] defender as virtudes da dívida massiva resultante das derradeiras PPP do socratismo?! Conviria recordar ao rotundo Rui Paulo que o desastre de uma governação como a que porventura decorrerá é o desastre do País que é o resultado de anos de desastre pela Corrupção de Estado instituída, que é o desastre do eleitoralismo crasso do passado, que é o desastre de figuronas desastrosas como a pessoa inefável e pomposa do político José Sócrates, vicioso e tresloucado, no seu vácuo berlusconas-mugabeano, de seis anos da imagem pela imagem. Nem o mais competente governante poderia branquear as responsabilidades do Arco da Governação na pré-bancarrota de 2011, branquear os efeitos daninhos de quinze anos de socialismo, branquear os frutos amargos de décadas de Corrupção-de-Regime, estagnação económica, agonia financeira, declínio anímico, imoralidade política, submissão ao Plutossocialismo dos soares e dos salgados, queda de Portugal no vexatório mundial, sob vários pontos de vista. A comissão das PPP acusa, e acusa bem, os responsáveis, não do PS, mas dos Governos-PS e eles têm nome, convém não diluir no vago aquilo que teve assinaturas e decisores, não em nome do Interesse Público e das Gerações Futuras, mas contra eles e em benefício de uma amálgama de gente, parte dela na sombra e à sombra, os Bancos do costume, os interesses habituais, transversais, BES-MotaEngil, como consta do documento. Não pode haver duas versões para a mesma desgraça: por que motivo Rui Paulo não tirou o sorrisinho dental de menino de bibe e não assumiu alguma coisa em nome dos Governos PS?! Por que motivo nunca encontramos o PS a assumir excessos, erros, abusos, a purgar-se da viciosa Corrupção-de-Regime?! Por que motivo nos acontece ouvir os rui-paulo-figueiredos, os zorrinhos,  os joão-soares, os josé-junqueiros, as suas justificações e disparos, e ainda ficar a dever dinheiro e desculpas e mil-perdões ao PS, aos deputados do PS, aos dirigentes do sacrossanto PS?! É com esta Esquerda-que-não-se-Enxerga que Portugal pode contar para sair do buraco para onde foi atirado?! Nada menos ético que o PS passar o tempo a sacudir a água do capote e a refugiar-se em desculpas menores como as queixinhas pela divulgação do documento antes de ter chegado às papudas mãos dos deputados do único partido autorizado a governar em Portugal, o PS. Por que motivo o PS parece nunca não ter violado a Constituição, mas defraudou três vezes o País com bancarrotas, arruinando-o?! Por que motivo o PSD não pode violar a Constituição e a lei para tentar tirar-nos dos apertos actuais em que a outra gerência nos colocou?! Por que motivo o PS e o resto da Esquerda Pudica se mostram guardiões da Constituição no momento da aflição, mas não se lhes ouve pio no tempo do regabofe e do caminho em direcção à parede?! Os Governos Sócrates foram a derradeira cortina de fumo, biombo de malfeitorias, a grande charla do Regime, à vista do grande espalhanço. Espero que o Ministério Público pegue nos factos, nas provas deste Relatório e faça qualquer coisa de inédito e até inesperado nesta Podridão Politiqueira em socorro da qual Rui Paulo é mais um, mais um a fugir com o rabo gorducho à seringa das evidências, boca risonha repleta de dentes desalinhados à revelia da nossa tragédia.

DILMA ROUSSEFF OU A MATRIX BRASILEIRA

O que é que se passa no Brasil? Basicamente, o despertar de uma certa autoconsciência que converge em protestos pelas razões de sempre. Não há só alguma assimetria na distribuição da riqueza, mas tudo ali é simétrico, sendo dê por onde der. E não vale a pena a Presidência tentar distribuir demasiado o âmbito e os alvos do protesto. A corrupção é a marca de água do Regime. A figura da Presidente brasileira, Dilma Rousseff, está danificada irremediavelmente pelo curso habitual trilhado pela impunidade. A construção dos estádios para o Mundial de futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 teria de sofrer as derrapagens escandalosas da praxe, o que só se torna chocante quando se pondera as enormes carências e falta de qualidade na Saúde Pública, espectáculo quotidiano de negligência e descaso. Assim, o Governo dormente de Dilma dificilmente mudará o que não mudou nem moralizou até aqui, bem pelo contrário. As vozes pela mudança e a pressão social já não suportam a ambivalência das instituições e a sua enorme permeabilidade ao abuso. Por isso veremos o Rio de Janeiro, São Paulo e a maior parte das capitais estaduais envolvidas num protesto ao qual já só falta um Memorando de Exigências que acorde políticos desfocados como Geraldo Alckmin. Uma sociedade onde o preço das coisas é altíssimo, em que se tolera a má qualidade dos serviços públicos, a corrupção, os limites que a juventude enfrenta na concretização dos seus sonhos, lá como cá, um sentimento apartidário e sem ideologia senão o grande sentimento de mal-estar e de aviltamento pelo seu mundo ao contrário. Se há uma revolução cívica no Brasil, constante e tenaz, ela é filha do Facebook na congregação e autoconsciência das pessoas.   É o direito à indignação com o qual Rousseff tenta lidar com a melhor face e bonomia possíveis até porque todos os governos mundiais aprendem com os erros e o sangue vertido noutras manifestações e noutros Países. Mas o protesto não chega. Se ele terminar e nada mudar, foi tempo perdido e espectáculo substitutivo da novela das sete. O cansaço é com o cinismo do Partido dos Trabalhadores, com a construção inflacionada e repleta de derrapagens corruptas dos estádios do Mundial de futebol por contraste com a realidade terceiro-mundista dos hospitais públicos miseráveis, onde faltam profissionais e todos os recursos que dignifiquem os cidadãos. Não é mais tolerável que só um estádio, como o do Maracanã, ter sido alvo de grandes obras de reconstrução no valor de 345 milhões de euros e nada de equivalente se faça nos equipamentos de Saúde ou da Educação. Não é mais tolerável que o interesse das imobiliárias ansiosas por novas áreas para construir terraplanem e expropriem o simples cidadão mudado para qualquer lugar medíocre, como acontece na vila Autódromo, na zona ocidental, lugar da futura Aldeia Olímpica. Bastou o rastilho do aumento do preço dos autocarros em São Paulo, num sistema com veículos que são os mesmos desde há quase uma década. O paradoxo brasileiro é, portanto, chocante e terrível. Resta saber se esta espécie de acordar cívico, com todos os riscos de apropriação pelos saqueadores e violentos, terá consequências palpáveis ou morrerá na mais completa inconsequência. Repare-se que o facto de algumas cidades estaduais anunciarem um recuo nos preços dos transportes, isso já não tem qualquer peso dissuasor. Dilma, que há dias veio mostrar toda a sua altivez despreziva para com o minúsculo Portugal na sua cabeça, em pleno dia 10 de Junho, está no olho do furacão. É ela precisamente o alvo simbólico dos protestos que deflagram nas cidades e pouco ou nada a salva da detracção e do cansaço de todo um Povo sem Esquerda e sem Direita. Se foi capaz de desprezar oficialmente o Dia de Portugal e, portanto, os Portugueses, e, portanto, Portugal, ninguém estranhará que despreze o Nordeste Brasileiro como País à parte do Sul próspero e rico, ou que despreze cidadão imbecil que espera seis horas agonizando num hospital público. O que toda a gente/todo o mundo percebe que Dilma, face visível da Matrix brasileira, já abriu as pernas aos milhões que enchem os bolsos das construtoras e dos interesses instalados graças às exorbitantes derrapagens corruptas. Lá como cá, a arrogância da Esquerda, a corrupção da Esquerda, a impunidade da Esquerda, o grande biombo da gula e do abuso com que se fazem milhões para gastar em Paris.

terça-feira, junho 18, 2013

A350, O PRIMEIRO VOO

POUPAR NA PONTA DOS CORNOS

O conceito de poupança inventado pelo Governo Passos diz respeito a todo o tipo de renegociação de problemas, contratos swap, parcerias ruinosas em que o Estado Português se meteu através de outros Governos: não é nada bom para Portugal no seu conjunto que o Estado Português perca a face. Nada pior que perder a face. Toda a gente se escandaliza justamente com o facto de para a Banca Nacional e para a Banca Exterior este Governo ser todo cumprimento do apalavrado e assinado, lealdade e pezinhos de lã, sendo que depois não poupa ninguém à voragem dos cortes especialmente no funcionalismo público, mera intenção para a qual é preciso colhões de aço. No meio de todas as dificuldades que atravessamos, tento pensar que quanto se fizer no sentido de dar aos compromissos com a Banca Nacional e Internacional o respeito que [não!] merecem nos poupará a desgraças maiores, mas o certo é que no que ao funcionalismo público diz respeito está a nascer todo um admirável mundo novo: rasuram-se regalias, abre-se uma guerra com o Tribunal Constitucional que é uma espécie de última barreira entre o Estado e os detentores dessas regalias, os sindicatos saltam a terreiro na defesa do seu torrão, pode o País desmoronar, e vêm as avoilas, vêm os nogueira e vêm os outros. Toda a obsolescência e o parasitismo que as décadas acalentaram e pelas décadas engordaram tornaram-se posto de vigia face a uma ameaça real. Jaz no pó o tempo em que as amplas liberdades eram amplas formas de falir com o País muitas vezes. As vezes que fossem precisas para manter regalias e um admirável mundo à parte. No meio do nosso sofrimento, estrebucham os boys, esparramam-se em espasmos as girls dos partidos do Arco da Bancarrota, décadas a infectar tudo em que o Estado tocou. Não me admiraria nada que Portas se atravessasse pelo refugo do funcionarismo público agregado aos partidos, aliado a Seguro, aliado a Mário Nogueira, aliado ao fóssil Arménio, que deve estar de férias a preparar a próxima Greve Geral à Greve Geral. O sistema das bancarrotas está a ver se derruba um Governo. Boa sorte, rapazes!

NO MEIO DO RUÍDO, A DISCRIÇÃO

«Há, porém, avanços na frente financeira externa; alguma dessacralização inevitável do "programa de ajustamento" e da "troika"; uma atenção à concertação social que nem sempre se vê; um trabalho sério, desprovido de propaganda óbvia, na economia e na promoção verosímil do emprego numa contingência que não é apenas doméstica; na redução de encargos geracionais com rendas e ppp's; na dimimuição do número das empresas municipais e da dispersão autárquica; no "desinvestimento" nas indemnizações compensatórias na televisão e rádio públicas que obriga a empresa detentora da concessão do serviço público a mudar de vida para a preservar; na saúde, onde Paulo Macedo se revelou um estadista responsável capaz de um desempenho político noutra pasta onde possa aliar as suas valias em administração pública com o "mundo cá fora"; ou na administração interna onde a serenidade política tem frutificado.» João Gonçalves

ESTIGMA E EXECRAÇÃO PARA ANTES DE MORRER

Estou convicto de que à luz da lógica revolucionária do Reino dos Céus, assente na compaixão e na misericórdia, no plano transtemporal-quadridimensional todos os carrascos serão salvos por intercessão de todas as vítimas, apesar da sede de Justiça dos filhos das vítimas. E será esse o castigo: «Csatari espancava regularmente os judeus detidos com as mãos despidas, chicoteava-os sem razão particular, sem atender à condição, sexo, idade ou saúde das pessoas agredidas.»

ILHAS DE LUXO NO MEIO DA FOME

O estilo de vida intocável de quem aufere enormes rendimentos é muitas vezes o de quem vive numa ilha. Dir-se-ia que vivem num mundo à parte com o qual nada têm a ver e não têm mesmo. Há riqueza e riqueza. Entre quem investe e trabalha dignamente e quem enriqueceu à pala da Política vai uma enorme distância. No dia em que esta distinção fosse feita e tivéssemos uma clarificação absoluta acerca das fontes de renda de muitos novo-ricos, Portugal seria muito mais salubre.

PARTIDOCRACIA, CORRUPÇÃO E JUSTIÇA

Não sou e nunca serei dos que vociferam serem os políticos todos corruptos. Todas as generalizações são injustas, pois o trigo e o joio crescem juntos nos partidos. O que é preciso é processar ex-governantes e ex-gestores por gestão danosa, por decisões escandalosamente lesivas do interesse público. Guilhotinar às cegas não resolve problemas. É preciso dar os nomes aos bois e ter uma Justiça actuante e isto se não acontece a bem, pode suceder a mal. A corrupção do Regime Português consiste em precisamente não termos essa Justiça, não termos partidos que se regenerem e se redignifiquem, não termos senão uma Opinião Pública passiva e frouxa que não lê, não conhece, não criva, não distingue charlatões de desprendidos e quer derrubar Governos em plena procela para ver no que dá. Dá merda.