sexta-feira, novembro 29, 2013

PERGUNTEM-SE QUE EMPREGOS PODEM CRIAR

GERIATRIA CONSPIRATIVA E MUDANÇA



A Taxa de Desemprego Move-se Para Baixo. Ainda bem. Sim, há emigração. Massiva. Há uma ponte aérea só de saída de jovens portugueses para essa Europa britânica e alemã. Mas alguma coisa ocorre de extremamente positivo com a taxa de desemprego doméstica. Desejo acreditar que o investimento novo está a fazer o seu caminho e a tirar gás aos piquetes de bloqueio da mudança. Desejo acreditar que algo de bom se movimenta no sentido oposto da Geriatria Conspirativa vetustade dos soares e dos outros idosos fósseis e malignos do Regime com o seu egoísmo por palavras, actos e comissões. Um Soares que protege Sócrates e ataca Passos não tem perdão. Há muito mais Portugal além da politiqueirice. E a mudança está aí. Se fosse pelo Fóssil Arménio, ainda hoje a circulação ferroviária deveria ser feita a vapor, contra o capitalismo que condena ao despedimento compulsivo fogueiros e vendedores de carvão.

MÁGOAS DE UM ESCRITOR CAUDALOSO

Eu queria ser lido e amado. Mas isso não é automático nem simples nem sequer decorrente do muito talento que me outorgue. É preciso sorte. Talento e sorte. Muitos houve que morreram agarrados ao seu talento e sem sorte. Outros levaram para a cova a sua sorte sem talento. Quereria escrever caudalosamente, imparável, dia após dia após dia e matar com páginas repletas a fome da minha prole. Desgraçadamente, não há leitores em Portugal. Desgraçadamente, aqueles por quem escrevia, por cujo amor escrevia, não me suportavam as provocações. Deixaram-se ofender por mim como se uma carta com dois mil anos de que discordemos, mas maravilhosamente bem escrita, nos pudesse ofender as convicções e o amor próprio.

Imbecis. Agora tenho as minhas pernas enterradas até às virilhas no pântano da escrita pequena em forma de regato e desambiciosa. Escrever para quem?

quinta-feira, novembro 28, 2013

MAIS UMA CARTA QUE PACHECO NÃO LERÁ

Infelizmente, João Miguel Tavares, Pacheco só se ouve a si mesmo, anda em demasiado cio consigo mesmo há demasiado tempo e com a sua retórica artesanal para dar ouvidos à mais lhana razoabilidade, venha ela de onde vier. Ao que parece, a intervenção pachequiana electrizou o esquerdismo agremiado na Aula Magna. 

Mas desengane-se quem pense que Pacheco reage ou interage com algum argumentário fora de si mesmo. Ele desdenha de todos e não reage a ninguém, entretido com o seu próprio argumentário e sobretudo com o seu putschismo radical:

«Permita-me então continuar esta carta de choque e algum pavor, caro amigo, companheiro e camarada Pacheco Pereira, após escutar a sua intervenção no encontro da Aula Magna. Nós tínhamos ficado no ponto em que eu defendi que não se pode sair em auxílio da geração nem-nem (nem estuda, nem trabalha) com políticas nim-nim – nem assim, nem assado, nem de qualquer forma compreensível para quem não se deixe seduzir por vendedores da banha da cobra, tipo António José Seguro. 
O problema, portanto, não está no “atacar”, mas em saber como nos devemos então “defender”, para nos opormos à troika e ao Governo de uma forma que: a) esteja efectivamente nas nossas mãos; b) não exija a saída do euro; c) não perore sobre haircuts e reestruturações sem ter em conta que 35% da nossa dívida está na mão de investidores domésticos e apenas 22% em mãos estrangeiras (o resto, segundo estimativa do Deutsche Bank, é da troika); d) perceba que, por muito escandalosos que sejam swaps, PPP e trafulhices financeiras, Portugal continuaria escandalosamente falido mesmo que eles não existissem. 
O Pacheco Pereira tem sido muito claro na defesa de que, em alturas de urgência e de crise como esta, é necessário escolher o lado da barricada em que se quer estar. Certo. Só que hoje em dia, mais importantes do que as clássicas trincheiras pró-governamental e antigovernamental são as trincheiras dos programas políticos aplicáveis e a dos programas políticos lunáticos – e essas trincheiras, como na guerra, cruzam-se com frequência. Ora, de que me serve saltar todo ufano para a trincheira antigovernamental se depois ao meu lado tenho um combatente por um programa político lunático? Isso só faz sentido numa ocasião: quando se considera que abater o inimigo é mais importante do que escolher o amigo. E sobre isso tenho a dizer o seguinte: olhando para os amigos que Pacheco Pereira tinha sentados ao seu lado na Aula Magna, não admira que pense assim. 
Eu não tenho espaço para estar aqui a analisar o currículo de vários companheiros de mesa de Pacheco Pereira, esses profundos indignados pela situação em que o país se encontra, mas passemos ao lado de Mário Soares para nos focarmos apenas num dos principais organizadores do evento e num dos seus últimos cargos públicos: Vítor Ramalho e a presidência do Inatel. E aqui, aconselho a todos os leitores as cinco páginas (pp. 98-102) que o livro Má Despesa Pública, de Bárbara Rocha e Rui Oliveira Marques, lhes dedica: de viagens a Bali a tradutores oriundos da Juventude Socialista de Setúbal, de cuja distrital o senhor Ramalho era presidente, passando pela famosa entrevista pela qual pagou cinco mil euros por ser sua obrigação “promover o Inatel”, o que dali emerge é o retrato do típico político profundamente dedicado à causa pública, no sentido em que ela sempre fez maravilhas por si. 
E é por isso, caro Pacheco Pereira, que embora eu simpatize com o seu discurso e comungue de muitas das suas preocupações, não sou capaz de fingir um torcicolo para não ver quem está sentado ao meu lado. Sim, nós precisamos de uma outra política e de outros políticos. Mas não precisamos só disso. Precisamos de uma alternativa consistente. E precisamos – sempre, por razões de memória – de apontar o dedo a quem andou a enterrar o país para agora vir, de pança cheia, armar-se em porta-voz dos pobres e oprimidos. A hipocrisia tem limites. E o caro Pacheco Pereira, com a idoneidade que o caracteriza, deveria ter olhos para ver isso.» 

A GERAÇÃO PRESERVATIVO

Tem sempre uma última palavra a dizer definitiva, egoísta e imutável: ou nós ou nós. As coisas são o que são e têm de continuar a ser o que são, ainda que não haja nem um cêntimo para os actuais quarentões para quando e se puderem reformar-se. Não admira que já quase não se façam crianças em Portugal.

CADA PAÍS COM OS BERLUSCONAS QUE MERECE

Estão a ver Berlusconi? 

1. Alguém que nunca se toca, alguém que nunca se enxerga? Estão a ver? 

2. Estão ver bem esse mitómano milionário a quem não chega ter dinheiro e poder directo sobre os media e algumas forças negras e avençadas da sociedade italiana, a) mas também necessita organizar bunga-festas para alimentar o vício em prostitutas adolescentes? 2. b) mas também necessita de fugir ao Fisco? Estão a ver alguém a quem não chega alimentar o vício em prostitutas adolescentes e fugir ao Fisco, mas também 

3. precisa de alimentar vício do Poder, da influência política, da corrupção, da mentira, da chantagem, e da conspiração explícita e implícita? Estão a ver Berlusconi? Então olhem bem para Soares e para Sócrates e colem-lhes na testa os pontos 1. e 2. sem a alínea a) e b), e o ponto 3. 

E digam-me se as Esquerdas não deveriam corar de vergonha por consentirem rever-se nesses dois auto-arvorados caudilhos delas com excesso de Antena por neles encontrar a voz grossa que lhes falta, voz que nenhum Louçã, Semedo, Catarina, Jerónimo, Tavares, alguma vez corporizarão.

quarta-feira, novembro 27, 2013

O COMETA

AINDA A SOARESIANA MAGNA VERGONHA

1.º Governo Constitucional, 23 de Julho de 1976 
«A segunda vergonha nacional traduz-se na já consabida propensão do dr. Mário Soares para a obscenidade política. Já andou por aí a citar Afonso Costa e o cadafalso de Luís de XVI. Um dia destes ainda se põe a citar outros crimes de sangue políticos, provavelmente louvando-se nos exemplos edificantes da Carbonária e da Formiga Banca. O dr. Soares sente que atingiu um limiar de impunidade que não vale a pena discutir, para não se cair eventualmente em teorias da inimputabilidade. Esse é um problema dele. Mas também é nosso, não pelas camarilhas de vária e oposta ordem e sinal político que congrega, ou diz congregar em seu redor, mas por se tratar de um ex-presidente da República a quem não ficava mal um pouco mais de compostura. 
Não me faz impressão nenhuma que uma aula magna inteira vocifere em coro com ele. Podia ser até um estádio de futebol. O que me faz a maior das impressões é que alguém, que foi presidente da República Portuguesa ainda não há muitos anos, salte para a ribalta nos termos destemperados em que o fez. Mais nenhum ex-presidente da República, mesmo que com críticas pontuais ao actual, se achou justificado para fazê-lo. Tratou-se de uma tentativa insensata de manipulação das massas: não há nenhum mecanismo constitucional que permita a destituição pretendida - logo, não é em nome do Estado de direito, nem da legitimidade constitucional, mas da barafunda revolucionária que o dr. Soares e alguns apaniguados pretendem falar. 
Outro ex-presidente da República, o general Ramalho Eanes, aliás objecto de justíssima homenagem no dia 25, pôs, com a sua sobriedade habitual, os pontos nos ii: "O actual Presidente da República tem dirigido ao País mensagens de estímulo correctas, é através de um consenso sobre a reforma do Estado e a modernização que o País pode assentar em alicerces sólidos." E acrescenta: "O Presidente tem tido uma atitude proactiva nos apelos que faz à sociedade, como ocorreu no Verão passado." (Público de 24-11-2013). A verdade é que, em nenhum momento do seu mandato, Cavaco Silva deixou de cumprir ou violou a Constituição. Toda a gente o sabe. O que é deveras deprimente, não é que a esquerda finja ignorá-lo, é que o dr. Soares a acompanhe nessa vergonhosa ficção.» 

Vasco Graça Moura

UM CAMÕES PARA DAVID CAMERON

Sou absolutamente camoneano e lusíada: qualquer coisa nova ou de sempre acerca do meu Camões e de Os [seus] Lusíadas faz-me estremecer. Isto porque sinto de um modo completamente íntimo, passional, pessoal, religioso mesmo, quanto dele li, quanto conheço do mais profético e symbólico dos autores nacionais. Sonho com o dia em que um Cameron, ou outro mega-realizador qualquer da Indústria, pegue na matéria lusíada e lhe dê uma versão cinemática de cunho tão épico quanto o filme Avatar. Poderia começar com a marginália desta primeira edição no Harry Ransom e as anotações atribuídas a Joseph Índio, padre de origem indiana que seria amigo do nosso Poeta Máximo.

REVOLTA CONTRA O REGIME E O PASSADO

XVIII Governo Constitucional
No artigo de opinião a seguir citado, eis vários pontos em que insisto há largas semanas: 

1. Os Governos Passados não podem ser desconvocados dos gravíssimos problemas presentes;
  
2. Os apelos da elite Privilegiada do Regime [Soares e outros] à revolta e à rebelião dos simples e contra meros incumbentes eleitos [Governo e Presidente] suscitaria, no mesmo turbilhão revoltoso gerado, o ataque a essa elite privilegiada, à sua corrupção de décadas, aos seus vícios, bem como a revolta contra manifestos ladrões em Governos passados e manifestos decisores danosos do passado mais recente. 

«O verdadeiro responsável pelas agruras do presente não é o actual governo, mas os anteriores executivos, que acumularam uma factura que agora é preciso pagar Uma das questões mais inquietantes do momento em que vivemos é verificar que demasiada gente - com responsabilidades - pensa que as medidas aplicadas pelo actual governo são da exclusiva responsabilidade deste executivo e da troika. 
O que se passou nas últimas décadas até sermos empurrados para a troika parece que entrou num buraco negro de memória. É verdade que a profunda inépcia deste governo, e também a sua megalomania ("vamos para além da troika"), ajudou a criar aquela imagem, mas não é por isso que ela passa a ser verdadeira. 
Há um grupo de privilegiados do regime que pretende que o povo se rebele, não para impor justiça, mas para que o actual governo caia na rua, em total contradição com os princípios da Terceira República. 
Uma rebelião da turba tem todas as condições para agravar todos os males presentes. Sem um governo capaz de cumprir as condições dos nossos credores, terá de haver uma redução drástica do défice público, por manifesta incapacidade de financiamento. Poderemos mesmo ser expulsos do euro ou ser forçados a sair, sem qualquer garantia de ajuda, e então é que entraríamos num inferno. 
Em termos económicos, seria uma desgraça; em termos políticos, teríamos o caminho aberto para todos os desmandos e injustiças e é bom não esquecer como as revoluções comem os próprios filhos; em termos de ordem pública, seria uma calamidade. 
Mas temos uma alternativa, em moldes semelhantes aos da Islândia: pôr o regime no banco dos réus ou, no mínimo, pôr os últimos governos em tribunal. Porque, mais do que qualquer outra coisa, precisamos de uma tomada de consciência, para não repetirmos todos os erros do passado. 
No entanto, começamos com um grave problema: o descrédito da justiça portuguesa. O risco de assistirmos a um descarado branqueamento dos últimos executivos é elevado. 
Para escolhermos os acusados, temos de fazer um inquérito aos problemas mais graves. 
Quais foram os governos que tomaram medidas de destruição da nossa competitividade e com isso deram uma machadada brutal no nosso potencial de crescimento? É importante recordar que até final dos anos 90 a economia portuguesa crescia a 3% ao ano, mas que na década seguinte não conseguiu nem um terço disso. Não há nada que mais tenha destruído a capacidade de Portugal de ter um Estado social forte do que isto. 
Que governos estiveram omissos na degradação da nossa natalidade, outra valente causa do enfraquecimento do Estado social? 
Quais os governos que conduziram ao descalabro das contas públicas e à explosão da dívida pública? Quais foram os governos que assinaram contratos de PPP, que são dívida pública escondida (só para enganar Bruxelas), com o dobro do custo? Em particular, quais os governos que se comprometeram com PPP com cláusulas frontalmente contrárias ao interesse do Estado e dos contribuintes? 
Que governos tomaram medidas eficazes para enfrentarmos a globalização e que governos assobiaram para o lado? Quais os governos que assistiram impávidos à explosão da dívida externa? 
Mário Soares, no seu apelo a uma rebelião, esquece duas coisas. A primeira é que aquilo que o actual governo tem sido forçado a fazer é aquilo que, grosso modo, qualquer governo no momento presente teria de fazer, em consequência dos desmandos das últimas décadas. 
A segunda coisa que Soares esquece é que a linha que separa o país não é entre a esquerda, que continua a julgar-se dona do regime, por obséquio da Constituição não democrática de 1976, e a direita; a linha que divide profundamente o país é a que separa a classe política da Terceira República, que se auto-atribuiu as mais luxuosas mordomias, e o resto do país. 
Por isso Soares está do lado errado e, se apelar muito à violência (que desaprovo completamente), corre bem o risco de ser uma das principais vítimas.» 

terça-feira, novembro 26, 2013

DISPARAR A BALA E ESCONDER A ARMA

Estive a ler o mais recente lençol fastidioso artigo de opinião do Senecto Soares, onde se afadiga a esconder a mão que atirou a pedra. Diz o ambíguo agitador: 

«Ao contrário do que alguns especuladores da comunicação social, ao serviço do Governo, têm vindo a dizer, eu odeio a violência. Se falei em violência foi para prevenir as pessoas e para a evitar. Sempre fui pacifista e contrário à violência.» 

Não, dr. Soares. O cidadão comum conhece-o bem. O soldado raso das redes sociais não é um especulador da comunicação social. É inequívoca a veemência do ódio com que Vossa Vampireza corre a pontapé Cavaco e Passos. O dr. Soares apela explicitamente à violência, invoca a violência, incita à violência, na sua cabeça há uma Revolução Francesa, um Outubro Vermelho, um 1848. Os seus apelos à demissão simultânea de Cavaco e Passos são apelos violentos ao vazio e ao caos. A legitimação da violência por parte de Helena Roseta é descabelada e violenta. Tudo, na Aula Magna, foi a gratuidade da violência e o vazio da solução.

Ora, em face do exposto, passo eu a apelar, compensatoriamente, à violência contra os seus milhões, privilégios e prebendas, dr. Soares. O mês vai longo e já não tenho dinheiro para iogurtes. Graças a Deus e à Austeridade, aprendi a viver sem dinheiro. Mas não suporto a sua malícia, o seu golpismo, a sua perda de compostura institucional, a sua hipocrisia, a sua tolerância com quem danou e corrompeu em pleno exercício de funções. Pare e mentir, dr. Soares. Hoje o que é impopular é que é bom e precisamente aquilo de que Portugal necessita para ser, pela primeira vez em muitos séculos, um País Normal.

segunda-feira, novembro 25, 2013

O MAL METASTATIZOU

«Aplicados por baixo», Filipe?! Ainda cheguei a sonhar num primeiro momento com a exemplaridade do Governo Passos, frugal nos assessores e nas nomeações. Ainda aspirei, com Passos, a um modelo ousado de democracia cada vez mais directa ao jeito helvético. Mas o mal do Regime é antigo e metastatizou, a não ser na febre por boa gestão e boa governança, coisa nova num Govenro, coisa de que os socialistas não foram e não são incapazes. Não sei se Bernardino não despedirá. Ele ou a Coligação CDU-PSD. Depende.

NEOPREC SOARISTA EM CÂMERA LENTA

O Golpe de Estado a Céu Aberto do Dr. Soares, da maltosa de Esquerda e de Hybridos Raros, como o Dr. Pacheco está em movimento. O Dr. Soares avisou. Se Cavaco e Passos não se demitirem, poderão ser arrastados pela Avenida da Liberdade entre os escarros do cantor Vitorino, as pauladas do Camarada Lourenço e a violência-cio-por-sangue da Arquitecta Roseta. Não digam que ele não avisou.

domingo, novembro 24, 2013

VAMOS TODOS REVOLUCIONAR PACHECO

Pacheco já está na História. Em parte por fazê-la. Grotesco nas suas opções passionais em Política e canino, nas suas perseguições políticas, nas suas marcações analíticas, ele é a verdadeira máquina de pensar o Poder e a Política, mas uma máquina a vapor, de museu: por isso pensa mal e pensa, ou "intelectualiza", sobretudo contra a vasta maioria dos portugueses, a qual, por sua vez, simplesmente despreza quem não sente desejo libidinoso algum por futebol. Se há figura e cromo e silhueta e discurseta que necessita ser revolucionado é ele-Pacheco e todo o Curral Reumático-Anti-Constitucional da Aula Magna. Há mais, muito mais País, para além deles. E Futuro também. 

sexta-feira, novembro 22, 2013

LUSO SAPIENCIAL PRESERVATIVO DE DESGRAÇAS

Façam uma fotocópia e enviem-na dobrada ao Mário Milionário Soares, o Paxá do Regime, e aos outros do seu paxalato:

«Apesar de tanta gente antecipar a violência popular, o país parece ter descoberto uma sabedoria dos tempos difíceis. Se os tempos fossem outros, o “encontro das esquerdas” promovido ontem por Mário Soares na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa teria sido convocado para um espaço bem mais amplo. Se os tempos fossem outros, a criação de um novo partido que afirma a ambição de federar as esquerdas não teria decorrido numa sala meio vazia de um cinema de Lisboa. Se os tempos fossem outros, os quase 500 dias de protestos e greves no sector público de transportes já teriam desembocado em múltiplas greves gerais capazes de paralisarem o país e não de ficarem quase só pelas empresas e pelos funcionários do Estado. Mas então por que é que os tempos não são outros? A acreditar nas previsões dos mais avisados políticos e dos mais ponderados senadores, o país devia estar a ferro e fogo. Pessoas aparentemente tão diferentes como Mário Soares – que há mais de um ano escreve sobre “a violência que aí vem” e esta quarta-feira anunciou que “os portugueses não iam ficar parados” – ou Januário Torgal Ferreira – que entendeu que a melhor forma de criticar o Governo era chamar-lhe “profundamente corrupto” – convergem numa mesma inquietação: o povo está muito parado, muito apático. Talvez por isso, como se cantava noutros tempos, o que seja preciso “é agitar a malta”. Por outro lado, se olharmos para uma banca de jornais ou nos sentarmos para ouvir um telejornal, o rol de desgraças e malfeitorias é tão interminável que se entende a incompreensão de tantos dos nossos opinadores por os tempos não serem outros. Num país onde tudo é sempre apresentado como mais um cataclismo social, custa a entender por que não surgiu ainda uma moderna Carbonária. Não sei, ninguém sabe, se o nosso país vai conseguir atravessar estes dias difíceis sem episódios com a gravidade de alguns que já ocorreram noutros países. Nunca se está livre de um episódio, que até pode ser isolado – como foram, esta semana, os tiroteios em Paris –, atear tempestades maiores. Mas julgo sinceramente que não é o cenário mais provável. Mais: isso não decorrerá dos nossos míticos “bons costumes”, antes de existir a percepção, mesmo que difusa e poucas vezes assumida, de que houve um tempo de fartura (relativa) que passou e que agora há um tempo de contenção que durará vários anos e vários governos. Recentemente, a propósito da fraca afluência à que deveria ter sido a terceira grande manifestação do movimento Que Se Lixe a Troika, não faltou quem culpasse o medo pela ausência das esperadas multidões. Mas medo de quê? Medo do Governo? Não faz sentido. Medo de perder o emprego? Mas quem o perderia por desfilar a um sábado, dia de descanso? Medo do futuro? Sem dúvida. Mas não deveria esse medo do futuro convocar ainda mais manifestantes? Talvez seja esta última interrogação a mais pertinente. Se há medo do futuro, há talvez ainda mais medo das alternativas aos dias que correm. Até pelo que elas omitem. Tomemos um caso desta semana. Mário Soares entendeu que era chegado o momento não apenas de pedir a demissão do Governo, como a saída do Presidente da República. Não faço ideia, e julgo que ninguém fará, como quereria que se gerisse depois o longo interregno, que duraria muitos meses, de incerteza política e caos institucional. Com um primeiro-ministro tecnocrata? Com um Presidente designado pelas Forças Armadas? E quem negociaria com a troika? Os partidos, cada um por si? E seria que o PS devia ficar de fora, para não legitimar nada? E como iria Portugal conseguir os mais de 20 mil milhões de euros de que necessita para financiar o défice de 2014 e pagar os empréstimos que vencem ao longo do próximo ano? Incumpria, declarando bancarrota? Ao mesmo tempo, o PS, apesar de alguns esforços para formular uma política mais coerente e de algumas tiradas sobre “responsabilidade orçamental”, praticamente só apresentou na Assembleia propostas de alteração ao Orçamento que fariam aumentar o défice de 2014. É simpático, mas não é suficientemente sólido para que António José Seguro seja levado a sério. Faço parte dos que sentem – dos que sabem – que “não há dinheiro”, mas já não sou dos que defendem que não há alternativa. Alternativas há sempre, é preciso é saber se são melhores. O que me custa ver em Portugal é pouca gente assumir que todas as alternativas têm também os seus custos. Podemos, por exemplo, defender que há cortes nas despesas do Estado que são intoleráveis – mas então devemos também dizer como fazemos crescer as suas receitas, e não vale falar das quimeras do crescimento económico, pois esse quase desapareceu desde a viragem do milénio e não regressará apenas pondo o Estado a gastar mais dinheiro. Depois de ter comprado tantas ilusões durante tantos anos e tantos ciclos eleitorais, o povo quer mais, não se satisfaz apenas com propostas de acabar com a austeridade – porque não acredita nelas. Mais do que o medo ou a desconfiança face às alternativas, julgo que a razão principal para a “apatia” que tanto inquieta uma parte dos nossos intelectuais está na consciência de que alguma forma de austeridade – ou de contenção e poupança, se preferirmos as palavras que os alemães usam quando se referem a austeridade – fará parte do nosso destino nos próximos anos. A forma como os portugueses têm vindo a alterar os seus padrões de consumo ajuda-nos a perceber este novo estado de espírito. Um estudo de mercado muito alargado elaborado no final do ano passado indicava, por exemplo, que havia entre os consumidores aquilo a que os especialistas chamaram um novo “frugalismo”. Não se abdica apenas do que não se tem dinheiro para comprar, abdica-se do que se pensa que é supérfluo. Isso acontece tanto nas escolhas feitas nas prateleiras de um hipermercado como no recurso a mercados de bens em segunda mão (como nos sites de leilões). E não corresponde apenas a uma alteração de comportamento, corresponde também a uma nova atitude anticonsumista que é verbalizada nas entrevistas. Isto significa que tais alterações de comportamento não são tão sofridas como se deduziria apenas da leitura muitas vezes alarmista da imprensa e dos fazedores de opinião. Outro aspecto importante é a forma como os sacrifícios são percepcionados. Por exemplo: fala-se sempre de “cortes nas pensões”, nunca se refere que a maioria esmagadora das pensões não sofreu até hoje nenhum corte pela razão simples de que são demasiado baixas. Outro exemplo: apresenta-se como uma catástrofe social os cortes a partir de 700 euros na administração pública (cortes que também eu lamento profundamente começarem nesse nível salarial), mas esquece-se que metade dos salários no sector privado é inferior a 650 euros, o que significa que esses trabalhadores não se chocam tanto como as elites com os cortes acima dessa fasquia. Mais: até são capazes de achar que assim se repõe alguma equidade. Como dizia o Herman José, “a vida dos pobrezinhos é um mistério”, e neste país há muito mais rendimentos realmente baixos do que aquilo que a alta classe média imagina. Essa distância ajuda a perceber por que tantos não entendem por que é que o povo ainda não encontrou uma nova Maria da Fonte. Essa distância e a percepção da maioria que, mesmo sendo estes dias difíceis, há alguma coisa que pode perder (o apartamento nos subúrbios, o carro em terceira mão). Ao contrário dos mitológicos proletários de Marx, que só tinham a perder as suas cadeias…»

AMPLEXO PRIMORDIAL EM MEIO AQUOSO

quinta-feira, novembro 21, 2013

ASSASSÍNIO POLÍTICO EM FORMA DE DESEJO

«Devem demitir-se enquanto puderem ir para casa pelo seu pé". Serão responsáveis pela violência que surgirá "e que vos atingirá.»
Soares, esta noite. 
Não é impressão minha, Mário Soares deseja mesmo que Cavaco morra e torce por que Passos seja assassinado, num linchamento, e por isso anuncia a violência em praça pública, violência consentânea com os seus desejos, capaz de executar aquilo que confabula, ignorando que é na Venezuela que o caos e a fome grassam, sob um líder incompetente e louco, Maduro, e é às portas de Paris, precisamente contra um governo socialista, que a indignação de agricultores privilegiados explode e já causou um morto. Nunca se assistiu a tal monstruosidade na nossa Democracia. A instigação do Mal, a Porcandade da Desgraça anunciada e desejada ardentemente, o caso de ódio pessoal transformado em dramatização pública.

Chamem Eanes. O que pensará ele desta espécie de ante-25 de Novembro?! Em que Democracia acredita realmente o Dr. Soares? Naquela que ele possa controlar, não é?! Naquela que se ajoelhe perante si, claro. 

Amanhã, estou certo, o Dr. Soares estará emboscado nas imediações de S. Bento, sob as folhagens, à espera de uma oportunidade.

ALPES

A GRANDE VERDADE DO DIA

Mensagem urgente ao Congresso das Esquerdas, demais Fraldas e Aparadeiras do Regime:
«Barroso fez muito bem em referir que o tribunal constitucional pode inviabilizar a saída para um programa de retorno organizado aos mercados. É um facto. Podemos preferir que o pais vá todo pelo cano porque nos cortaram o ordenado (é o meu caso e da minha mulher) ou porque os nossos pais tem uma pensão menor (também se aplica a mim). Mas o facto é que destruir um país porque a vida está mais difícil, usando toda a espécie de disfarces e mentirolas, a começar pelo apego a uma constituição jurássica que não dá de comer a ninguém, não é de gente de bem. É de gente mimada pelo regime, enriquecida e sustentada pelo esforço de todos, apostada em continuar a viver à grande à conta de todos. Não é justo nem é ético.» 

O NOSSO EXCEDENTE PRIMÁRIO

Fica-se a pensar que sem a desgraça da dívida, sem o sofrimento colectivo subsequente, sem as imposições de empobrecimento e boa governança pública advenientes da Troyka, nada de virtuoso seria possível operar em Portugal: o Portugal medíocre, de crescimento anémico e dos sectores cartelizados, seguiria igual. Nunca este poderia aspirar a ser um País normal, enfiado na paralisia decretada pela Constituição, formolizado no bafio decrépito dos soares e dos alegres. Por baixo da crítica de Lains, há um elogio que é glorioso porque proveniente da base de aconselhamento económico-financeiro ao PS:

«... se o Estado português caminha para um excedente "primário", isto é, arrecada mais impostos do que o dinheiro que gasta, com excepção dos juros que tem de pagar pela dívida acumulada, então só precisa de financiamento para pagar aos credores passados e não precisa de financiamento para o futuro. Simples. Ora isso não quer dizer que não se pague a dívida: quer simplesmente dizer que o poder negocial do Estado aumentou. Incomensuravelmente [...] Mas uma coisa é mais certa do que muitas: à medida que o estúpido programa de ajustamento prossegue, diminuem os custos de fazer alguma coisa de diferente. A pressão sobre o Tribunal Constitucional tem de estar relacionada com isso, mas para o demonstrar ainda será preciso queimar mais algumas células cinzentas.» Pedro Lains 

Pois, os custos de fazer qualquer coisa de diferente, isto é, de derrubar o Governo, tornam-se cada vez mais diminutos, é verdade, mas o facto de isto andar na cabeça de alguma gente inteligente deveria fazer-nos pensar na esterilidade endémica dos nossos agentes políticos, no servilismo da parecerística económica, e nos óbices pesadíssimos que uns e outros estão dispostos a atirar para cima de nós ao menor faro a Poder.

SALVO POR SAINT-SAËNS

PORQUE ALGUÉM ACORDOU ASSIM

Evocações numa vocalização do Cio Caprino!

quarta-feira, novembro 20, 2013

CONTRA UM PANEGÍRICO DE MERDA

É. Também estou contra panegíricos de merda: «É verdadeiramente lamentável que o sr. João Gonçalves faça este panegírico ao maior vigarista, trafulha, chulo deste país desde há mais de 50 anos! Uma pessoa lê e nem acredita! Elogiar desta forma este filho de padre e sopeira nem lembra ao diabo! Perguntem-lhe para onde foram os ganhos com o marfim e diamantes que o chamado filho transportava da Jamba! Perguntem-lhe como é que a casa do Vau foi construída naquelas falésias e depois quanto é que o Estado teve de gastar para que a mesma não fosse parar ao oceano! Perguntem-lhe como vivia em S.Tomé e Príncipe, a expensas nossas, por obra do caritativo Marcello Caetano! Perguntem-lhe algo sobre o exílio dourado de Paris! Perguntem-lhe sobre as voltas que deu ao mundo, inclusivè às Seychelles nessa grandiosa demonstração da nossa grandeza perante tão ingente país! Perguntem-lhe quem lhe pagou a instalação da fundação dele e da mulher! Terá sido o Guterres que lhe deu 500 mil contos?E o João Soares - presidente da CML - que lhe ofereceu o palácio totalmente remodelado na Rua de S.Bento, para ali se instalar?E que recebe por um escritório ali posto à sua disposição a renda que o Estado lhe continua a pagar?E que no Vau, no Campo Grande e em Nafarros há, permanentemente 12 elementos das forças policiais a fazer vigilância?E que o amigo Melancia continua sem saber porque foi só ele que foi preso por causa dos dinheiros de Macau? Disse-o o Rui Mateus! Pois é: tanto que nós gostaríamos de saber! E o sr.João Gonçalves tão feliz e encantado com a criatura! Lamentável!» Alblopes

REDESCOBRIR O BRASIL, É VENCÊ-LO




Provavelmente, está provado, os Portugueses quanto mais pressionados e em tensão, quanto mais provocados e desafiados, melhor se desenrascam, mais criativamente e com um fulgor excepcional, como ontem. É assim que deveríamos pensar o Brasil 2014. E descobri-lo outra vez. Descobrir-lhe a careca. E vencê-lo.

MARTE, 19 DE OUTUBRO, 2014

News.Com.Au Creates Wonderful, Graphical Comet Primer, With Emphasis On ‘Comet ISON’, S/2012 S1 (ISON)

AMARELO INTENSO

Yellow

terça-feira, novembro 19, 2013

SALVO POR RACHMANINOV

NÃO HÁ CHUPAS E ELES AMUAM

Compreendo, António Rendas. Compreendo o mal-estar pelo doloroso emagrecimento dos orçamentos universitários e as contracções e dificuldades que ele implica para tudo e para todos no meio universitário, mas não compreendo que o António e o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas não tenham paciência nenhuma para com a grande meta de Junho: sair do Programa de Assistência Financeira. E resolvam amuar. 

Não compreendo que dêem ouvidos às forças de revolta em pólvora seca e entropia negocial lideradas pelo ranço do Regime, Dr. Mário Milionário Soares, e secundadas pelo Frondoso Freitas, o Ventrudo Alegre, o Seco Pacheco e o Capacho Capucho. 

António Rendas, os geradores de emprego e riqueza em Portugal não têm paciência para as guerras do Alecrim, Monopólio Conspirativo do Dr. Jacobino-Carbonário Soares, e da Manjerona, Glória Sediciosa a que o Dr. Mal-Fodido Soares se entrega nesta fase final e tão trânsito da sua vida.

Não se pode ser mimalho, nesta hora, Dr. António Rendas. Fazer como os Irlandeses: um amplo e pacífico consenso sobre o que urge fazer por inevitável. E muita paciência. Qualquer coisa além disto, é política. Sem pragmática.

O HUMOR AMARGO DO BRUNO

Bruno Nogueira está absolutamente contaminado de caolhismo esquerdelhudo e a precisar que o satirizem a ele sem dó nem piedade: qualquer coisa dita por César das Neves, Margarida Rebelo Pinto, fora do sentido literal converte-se em literal e simplista, caricatura forçada, nesse tipo de humor zangado do estaca Nogueira. Ninguém, aliás, como ele para um tipo de humor amargo e completamente lixado com a vida e a ordem dolorosa das coisas e do mundo. Será que também marcará presença no Convénio Senil das Esquerdas, amanhã, na Aula Magna?! Se lá estiver, faz sentido.

segunda-feira, novembro 18, 2013

UM COMETA VERDE II

A cor verde do cometa ISON decorre dos gases que cercam o respectivo núcleo gelado: jactos de gases contendo carbono diatómico, C2, e cianogénio, CN, um gás venenoso encontrado em muitos cometas. As duas substâncias, sob o efeito do vento solar, adquirem um brilho esverdeado no espaço interplanetário.

UM COMETA VERDE

OUTRO QUE NUNCA ESCREVE CONTRA O GOVERNO

«Mas o melhor, o melhor mesmo é o currículo do adjunto. Tem 24 anos, três workshops no centro de formação de Jornalistas, Cenjor, fez o estágio na Rádio Renascença onde trabalhou oito meses e foi durante cinco meses consultor de comunicação do... PSD! Uau!!» HM

INDÚSTRIA DA MENTIRA PAGA A PESO DE OURO

«Nunca gostei do mundo da blogosfera e das “redes sociais”, que é um repositório de iliteracia e de irresponsabilidade, sem direcção e sem lei. Mas não imaginava que politicamente as coisas se pudessem passar como as conta um cavalheiro que a revista Visão entrevistou esta semana. Esse cavalheiro, que se descreve a si próprio como “consultor de comunicação”, gaba com enorme orgulho as patifarias que por aí se fazem para distorcer os resultados de várias espécies de eleições (por exemplo, as que Passos Coelho ganhou no PSD) e para “derreter” a imagem pública de pessoas que um pequeno grupo de facciosos considera inconvenientes (por exemplo, Paulo Rangel e Manuela Ferreira Leite). Estas “campanhas negras”, como são conhecidas, gozam segundo ele diz do apreço e da ajuda de algumas “notabilidades” públicas. Verdade que certos governos meteram a colher na sopa, definindo as “linhas gerais” da sua propaganda e fornecendo informações secretas por “e-mailfechado” (um requinte que francamente não consigo perceber). Isto, a ser verdade, já é de si gravíssimo. Mas, sobre isto, os “consultores de comunicação” inventam “perfis falsos” (por outras palavras, personagens imaginárias) para o facebook, a que dão uma “vida” (“fotografias de família”, preferências particulares, clube de futebol e por aí fora) e que depois põem a espalhar calúnias sobre o indivíduo ou o partido que pretendem abater. Durante a campanha de Passos no PSD, o “consultor de comunicação” que os jornalistas da Visão confessaram, aliás sem grande dificuldade, passou uma noite a trabalhar em três computadores (fora o telemóvel) para virar a audiência contra Rangel e a favor de S. Exa. o actual primeiro-ministro. Pior ainda: estes extraordinários peritos em “novas profissões” intervêm, sob nomes fictícios, nos chamados “fóruns” de opinião da TSF e da SIC. Ou para vexar um político particular (no caso, parece que Sócrates) ou para “defender” a gente para quem trabalham. Ao que alega o “consultor” da Visão as “Juventudes” fornecem muitos “voluntários” para esta meritória obra. E, mais tarde, acabam por receber a sua recompensa. Lugares no Estado, evidentemente, lugares nos gabinetes dos ministros, até contratos de um teor obscuro. Mesmo que o benfeitor que a Visão desencantou exagere a sua importância e as suas proezas, não fica a menor dúvida que existe um bas-fonds na “net”, a pedir uma boa limpeza. É para isso que existe a polícia e a Procuradoria-Geral da República. Ou não é?» 

Vasco Pulido Valente

CÉSAR DAS NEVES E A DEMOGRAFIA

DIFICULDADE EM SER FRUGAL

Parece que o Governo Passos Coelho II tem alguma dificuldade em ser frugal.

domingo, novembro 17, 2013

NA RUA CHEIA DE SOL VAGO

Na rua cheia de sol vago há casas paradas e gente que anda.
Uma tristeza cheia de pavor esfria-me.
Pressinto um acontecimento do lado de lá das frontarias e dos movimentos.

Não, não, isso não!
Tudo menos saber o que é o Mistério!
Superfície do Universo, ó Pálpebras Descidas,
Não vos ergais nunca!
O olhar da Verdade Final não deve poder suportar-se!

Deixai-me viver sem saber nada, e morrer sem ir saber nada!
A razão de haver ser, a razão de haver seres, de haver tudo,
Deve trazer uma loucura maior que os espaços
Entre as almas e entre as estrelas.

Não, não, a verdade não! Deixai-me estas casas e esta gente;
Assim mesmo, sem mais nada, estas coisas e esta gente...
Que abafo horrível e frio me toca os olhos fechados?
Não os quero abrir de viver! Ó Verdade, esquece-te de mim!

Álvaro de Campos

sábado, novembro 16, 2013

MESSI, POIS, MAS EU PREFIRO RONALDO

Messi e a FIFA e a FIFA e Messi. Às vezes é como se a FIFA andasse a puxar promocionalmente por Messi, o coitadinho mediático por comparação com Ronaldo. Messi, a lenda, o mito, o futebol, o que quiserem. Eu e muitos mais milhões no Twitter e no Facebook prefirimos Ronaldo. Messi é um cérebro e um corpo aos quais subjaz a genialidade de um genoma e de uma rede de conexões sinápticas que se resumem a futebol. Ronaldo é basicamente um génio do futebol também, mas é sobretudo trabalho, trabalho meticuloso, intensivo, inesgotável. Trabalho, basicamente. Se o primeiro é o milagre do génio, o outro é o milagre do trabalho genializado. 

Nem todos podemos ser génios, mas todos podemos levar o trabalho que amamos à genialidade da dedicação, quantas vezes à genialidade da transcendência. 

Há uma linha que separa a idolatria da admiração. Prefiro admirar Ronaldo a idolatrar Messi.

sexta-feira, novembro 15, 2013

DÊEM UM REVÓLVER AO DR. SOARES

E uma bazuca a Manuel Alegre, esse ilustre pançudo do Regime. O Povo-Pá abençoa-os no seu fervor golpista, depois de anos a mamar à grande e à socialista. Pela fúria e os excessos de linguajar bombista, o Manel e o Mário, uma vez mais, estão-se a cagar para o Povo-Pá e devem ter um Banco só deles que, depois do atentado e do virar da mesa, supra o FMI, o BCE e os Credores Anónimos. Isto, se não vai a bem, vai a mal.

NOVOS SACRILÉGIOS CULTURAIS

Curioso o fervor com que todos os guardiães do Templo Anti-Sistemático, escarrapachados na Carta Aberta, falam em nome do morto e de um modo tão religioso e higienizador como se eles mesmos fossem anti-sistema e filtradores por excelência dos pró-sistema. Fica-se com a sensação que Poiares Maduro não pertence à espécie humana por uma contaminação qualquer, vedado à degustação do Anti-Sistematismo. A cultura aos seus detentores exclusivos vai talibã e muito dada a zangas e a sacrilégios. Que gente tão moralista! Do que eu tenho a certeza é que César Monteiro diria a estes seus devotos e zelotas: «Puta que vos pariu, devotos zelotas, e assim sucessivamente!» e ainda «Eu quero que 'vocelências' canibais homenageantes se fodam... perceberam?, que se fodam.!»

TEATRO NACIONAL S. JOÃO, HOTEL RELENTO

Deambulei, esta manhã, pelo meu Porto.
Senti-me só, imensa e infinitamente só.
Nada do que sou, hoje, é acerto.
Nada é passível de compreensão.
Tornei-me inflamado e apaixonado nas palavras
porventura por quem as não merece como escudo.
Tornei-me vulcânico, vulgar e invulgar e escandaloso,
sem ganhar absolutamente nada com isso.

Há quem se afaste de mim e duvide da minha sanidade.
Há quem me ostracize e estigmatize afastando-me de si,
e me não ofereça o dom do recomeço.
Mas eu sei, Pai, sei que há sempre um recanto para mim.
Há sempre um lugar de escondimento.
Um reduto de liberdade e de desoprimência,
o lugar do meu desinvestimento de tudo
e de todos.

Esse lugar existe.
Está preparado para mim.
É proporcional à desistência total.
Quem não se encaixa neste mundo
não pode continuar nele, não é verdade?!

Com efeito, são dez horas da manhã.
Vou continuar a dormir exactamente aqui
porque aqui é que se está bem.

quinta-feira, novembro 14, 2013

«NÃO DÊS OUVIDOS À REACÇÃO»

Tesouros da propaganda comunista.

É OFICIAL: PORTUGAL PODE IR ALÉM DA IRLANDA

Portugal passa, a partir de hoje, a ter como meta em Junho de 2014 taxas de juro a 10 anos no mercado secundário de 3,5%, já que a Irlanda, com taxas de 3,6%, já não terá Programa Cautelar.

Basta o TC querer, basta Soares deixar de blaterar, basta Sócrates desamparar a loja, basta a Esquerda Fóssil baixar o hálito a mofo e então, sim, pode ser que, em Junho, lá cheguemos e em melhores circunstâncias e condições que a Irlanda. A Intervenção Externa foi, é, e será uma foda. Mas alguém teria de a dar. 

Fixe! Quantas verdades se soltam da boca de um Machete tagarela!

NOVAS DA EXTREMA-DIREITA GAULESA

A sociedade portuguesa tem problemas angustiantes. Mas um deles não é a estúpida deriva provocatória e o ascendente cultural da Extrema-Direita, capaz de ousadias gravíssimas, muito mais graves que a erecção de uma estátua fria e morta a um santo mafioso, suposto arqueológico instigador bombista anti-comunista. Em França, pelo contrário, passa pela cabeça de um pasquim formular parangonas com alusões e associações xenofobizantes e um profundo mau-gosto: «Esperta como um macaco» ou «Um sorriso em forma de banana»., por acaso alusivas a uma ministra. Daí que o ministério público francês tenha aberto uma investigação preliminar por «injúria pública» ao semanário «Minute» por ter feito como manchete «Maligne comme um singe, Taubira retrouve la banane», com uma foto da ministra da Justiça, Christiane Taubira, que não vai apresentar queixa: «As pessoas que são alvo de comentários racistas, antissemitas ou xenofóbicos não são atacadas apenas pessoalmente, mas também por aquilo que são e que aparentam ser. E há que relembrar que não se trata apenas de uma opinião, mas de um delito a sancionar.» 

Disse a ministra e disse muito bem.

ESQUERDOFAGIA

Toda a gente repara nela, na esquerdofagia da extrema-esquerda, e diz a mesma coisa. A verdade é que, sobretudo quando nada temos a ver com aquilo, à menor emissão de uma opinião externa, sofrem-se horrores sob um tal Tufão Esquerdofágico, desses a que se reporta o post de FNV e a que me reportei eu: percebem-se no ar fúrias, retaliações, amuos, castigos, a vontade perpétua de tirar de esforço, um sentimento íntimo de traição, de ter bulido onde era proibido bulir. O transbordar imperdoável do copo. Ninguém, nenhum esquerdo-cunhalista, parece perdoar, quanto mais consentir, a fraqueza da franqueza e a menor ousadia de autenticidade intramuros e extramuros. Tudo, mesmo um pentelho de qualquer coisa, assume foros de «gravíssimo» e um blogue passa à categoria do sagrado. E depois, ou purgam o prevaricador opinativo ou exigem que se purgue a si mesmo, num penoso, artificial-forçado, exercício de hipocrisia. O que é intemporal, Filipe, são mesmo essas velhas expurgações, não de erros nem de excessos, mas de gente e do que realmente pense, já que não se pode unanimizá-las numa pasteurização ideológica contra a própria vontade. E, no entanto, podemos amá-los na mesma, tão paroquiais e exemplares no seu sentido solidário em relação às massas exploradas e humilhadas pelo Capital. Amá-los porque se sentem, apesar de ateus, muito mais cristãos que os cristãos.

quarta-feira, novembro 13, 2013

RUSSELL DEASLEY — TOP 10 DE NADA E DE TUDO

Chicken Wearing Shoes
Vá lá, admitam que este calçudo tem imensa piada
e vejam os outros bichos calçados.

BENDITA IRONIA

portugal e os mercados web
Imagem picada do Blogue FLAN Colectivo.
Receita: pegar nos chavões e refrões pré-fabricados de uma certa cassete ideológica esquerdejante, amassá-los muito bem e levá-los ao forno da ironia. Absolutamente brilhante este comentário no 4R, a propósito de Machete e do impacto das suas afirmações nos Mercados: 

«Claro que o profissional do mercado financeiro ia dizer que não teve impacto. O que se pode esperar de um especulador da economia de casino que é favorecido por esta política neo-liberal ao serviço da Sra. Merkel de ataque aos direitos dos trabalhadores, dos intelectuais, dos pequenos empresários, em benefício do grande capital imperialista?? Tal como é natural que a máfia das agências de rating se preste agora a corrigir o vil ataque à soberania nacional. Depois do processo metido na justiça por professores de Economia de Coimbra (são professores de Coimbra!) contra essa cambada, agora andam a meter o rabinho entre as pernas. E, como serviçais que são dos especuladores da economia de casino, estão receosos que um governo de esquerda tome o poder entre as mãos contra a política austeritarista e leve este país para a frente, saia do euro, mande a troika lixar-se e tome nas mãos os destinos de um país que se quer próspero. Ah, nada como estupidez pela manhã....» 

CAÓTICO, NULO, O ESQUERDISMO DESAVINDO

Estive a ler atentamente a polémica e as zangas a que alguns dos bloggers do 5Dias se têm dedicado a partir do grande rastilho Cunhal. Os que, ali, na refrega do «debate», se zangam, os que se melindram, os que saem pela porta fora, magoados, agastados, parecem Testemunhas de Jeová, gente fanática em geral, e por isso mesmo com pouquíssimo arcaboiço para a diferença e para múltiplas sensibilidades. Não encontro hoje blogue mais passional e descontrolado que o 5Dias na gestão da liberdade de expressão e da expressão da divergência. Por ali se tira em que perigosa inconsequência se resume o Esquerdismo Português: uma imensa necessidade de se zangarem entre si, de amuarem entre si, de se melindrarem por bagatelas, totens, heróis, deuses, ídolos, entre si. 

Se a Esquerda é este Desalinho, este Caos, esta Intolerância, esta dispersão de energias infantil em torno de futilidades e do cadáver morto da História pensada diferente da havida, se o Esquerdismo Bem-Intencionado não passa do Inferno de um imenso desentendimento endémico, intestino, um desentendimento crasso, insultuoso na própria casa, então quem é que precisa deles-Esquerda e Esquerdismo?!

O PCP E O REGIME

O PCP faz sentido quando a Corrupção atira com Portugal para a valeta. Dizem que nada têm tido a ver com ela. E é verdade. O fogo fátuo da narrativa comunista baixa de volume e de intenções de voto assim que a sociedade se organiza, se acalma e se faz mais justa nos salários, no emprego, no bem-estar. Bastarão desempenhos formidáveis na nossa Economia, bons sinais e boas notícias, mês após mês, bastará a justa homologação da nossa vida laboral e económica à dos países mais competitivos e prósperos da Europa e o PCP esvazia o tesão protestatório: na Suécia e na Noruega, por exemplo, não é preciso o cenho sisudo e grave do nosso PCP, a sua falta de humor ou gravitas política, a grande toada dolente e trágica dos grandes pretextos para se zangarem. Ali bastam sindicatos e patronatos construtivos, federadores, do lado da riqueza e não dos direitos a ela antes dela o ser, sem ela, para além dela, como cá, tiques do PREC e das grandes expropriações desastrosas e desastrosas nacionalizações. Num Estado carcomido de corrupção e injustiça crassa, como o nosso, o PCP faz todo o sentido antes de eleições. Sob eleições, o PCP perde sempre com grandes vitórias de décimas em comparação com eleições passadas homólogas. A verdade é que há um reduto de protesto, de patriotismo, de ética, no PCP, valores que foram desbaratados pelos partidos do alterne do Poder, na sua avidez, incompetência e dano ao País. O velho dinossauro europeu PCP, o grande resistente à pátina da História e das suas avaliações europeias, terá saúde e muitos anos pela frente, como reduto do nosso descontentamento, enquanto os partidos do poder continuarem a acertar na dose e na receita das sucessivas desgraças políticas e nos escândalos e vergonhas em que nos têm mergulhado. Dir-se-ia que esta crise e esta pré-falência nacionais são a última oportunidade para o Bloco Central se Ajustar ao Severo Juízo que a História e as Gerações querem e podem fazer. Se eu fosse Passos, Portas e Seguro, não perderia a oportunidade.

POENTE NO PARQUE JOSHUA TREE, CALIFÓRNIA

Sunset at Joshua Tree National Park, California

CRATO E MARIA DE LURDES RODRIGUES


São uma só e a mesma sádica aberração. No meu caso, quase duas décadas de ensino, muito desemprego só recente, consistente com a Corrupção no Estado Português, consistente com a merdificação engenheira das nossas vidas em favor do BES e da Tralha-Maralha que anda à babugem dos Orçamentos, muitas trocas e baldrocas terminológicas, eduquesiológicas, acordo-merdortográficas, um Sistema Político Cão perseguindo a própria cauda e vingando-se em nós, depois de ter feito Merda Grossa com os destinos do País. 

E agora esta humilhação, a solução final do MEC para connosco, os eternos contratados. Tão úteis e tão baratos e agora varridos para debaixo do tapete por vinte euros a cabeça. Não prestas, Crato! És feito da mesma merda arrogante e burocrática da Megera Medusa premiada com a FLAD por nos foder as vidas com requintes de malícia torcionária. Maldita a juventude extremista que vos forjou assim. Desumanos.

terça-feira, novembro 12, 2013

TÓ ZÉ, O ALUCINOPOLÍTICO PSICADÉLICO

As reuniões entre o Tó Zé e a CGTP têm um efeito difícil de descrever. É uma coisa coisa do género: «Estive reunido com a CGTP e vi a Luz. A Luz diz-me que exija-decrete aumentos e decrete-exija a multiplicação do dinheiro para todos os trabalhadores em partes lustrosas e suculentas, que isto é crescimento pela certa.» 

E um dia, os Portugueses, fartos de austeridade, votarão no Tó Zé que decretará o crescimento e o fim da austeridade. O fóssil PCP e a fóssil CGTP têm um Banco secreto e não nos dizem qual e onde fica. O PS, quando se encontra com a fóssil CGTP-PCP snifa um pó alucinopolítico que dá umas visões e uns milagres psicadélicos e não nos diz qual é.

SUSPENSOS SOB REFERENDOS ALEMÃES?

Afinal, com Merkel und SPD de Sigmar Gabriel isto pode não haver alemães amiguinhos das esperanças solidário-miraculosas de Seguro e Portas:

«A Alemanha deve poder realizar referendos sobre as principais decisões políticas europeias que envolvam a transferência de poderes para Bruxelas ou o comprometimento de dinheiro alemão junto à União Europeia, propuseram negociadores que discutem a formação de um governo de coligação, de acordo com um documento proposto. «A população deveria ser questionada directamente sobre decisões de políticas europeias de importância especial», lê-se no documento. «Tal aplicar-se-ia particularmente quando novos Estados membros são adicionados, quando poderes importantes são transferidos para Bruxelas, ou quando as finanças da Alemanha são comprometidas a nível da União Europeia. Para tais decisões, queremos pavimentar o caminho para referendos nacionais», refere-se. O documento foi composto por um grupo de trabalho sobre política interna liderado pelo ministro do Interior, Hans-Peter Dietrich, do partido bávaro União Social Cristã (CSU), e Thomas Oppermann, membro da Partido Social-Democrata (SPD). A proposta será apresentada na quarta-feira a um grupo maior de políticos, liderados pela chanceler alemã, Angela Merkel, que negociam compromissos políticos com o objetivo de criar um governo de coligação até ao Natal.» 

UM BOM DIA A TODOS OS LEITORES

NÓS SOFREMOS, O PAÍS AVANÇA

Há muito que no meu espírito se sedimentava a certeza de um País repleto de infraestruturas, mas irrevogavelmente pobre nas pessoas, nos rendimentos, um País em que a riqueza ficaria lá, na grande barragem monopolista e apropriacionista das famílias habituais, a acumular desde há décadas. 

Não misturarei, porém, departamentos: o que é bom para Portugal, há-de ser bom para mim e para a maioria, senão já no bolso, no orgulho, e um dia em ambos. E é bom saber da redução da taxa de desemprego de 16,4% para 15,6% no terceiro trimestre deste ano; é bom saber que os juros da dívida pública portuguesa a dez anos no mercado secundário já está nos 5,82%; é bom saber que as exportações portuguesas em Setembro tiveram segunda maior subida do ano e que a a actual espiral crescimentista da economia portuguesa é já de 0,3. Que bom ter razões para festejar e razões para esmagar o argumentário catastrofista dos vendedores de tragédia e asseguradores de desgraça. Muito bom.

É tudo muito bom, mas eu não sinto nada. Ninguém aqui em casa sente. Comer já é um problema há dois anos, quanto mais vestir e o resto. Com as famílias esmagadas e sem dinheiro para mandar cantar um cego, a consolação de um País finalmente nos trilhos, a crescer e a viver do que vende, ainda não nos consola directamente a nós, pessoas comuns, cidadãos concretos. Algum dia consolará? Talvez. 

Daqui a dez anos.

segunda-feira, novembro 11, 2013

PAZ PODRE E A PENÚRIA

A imerecida penúria que não se vê, não existe para ninguém especialmente quem mais acumula, meu caríssimo e exmo. Patriarca Clemente

Nunca compreenderei que raio de justiça conspurcada permite ao BES, hoje gloriosamente desavindo, penhorar-me, e presumo que a milhares, a pele, os ossos, isto é, um terço do parco subsídio de desemprego, ao ponto de ter para mim, a minha mulher e as minhas filhas ainda pequenas, 295 euros para viver, que nem é sobreviver. Ficaram com o apartamento. Leiloaram-no. E ainda não chega. É preciso chupar a vítima até ao último sangue. 

Até hoje nem senti justiça automática da parte do Tribunal da minha comarca que pusesse cobro a isto nem consegui compreender como é que o gigantesco BES pode espezinhar incólume na ponta da bota a minha vida, a da minha família, por tantos anos, sem que isto não seja um rotundo escândalo. O zeloso solicitador ao serviço do Banco, de nome Jorge Figueiredo, agente de execução, também nunca me soube explicar que justiça é esta. Aplica-a e segue adiante. E provavelmente nunca quis nem pôde. Cada dia é um desafio que desafia a imaginação e a paciência. 

Também tenho, como um judeu, tatuado na alma o n.º negro do processo: 4027/07.3TBVNG. É uma espécie de maldição e de sentença de morte. Espero que o BES apodreça à conta delas porque nem toda a justiça se faz no Tempo ou na Terra. Mas faz-se.

CUNHAL, PAPEL QUÍMICO DE SALAZAR

Cunhal foi-nos perigoso na sua servil e irredutível fidelidade à URSS e depois, com o passar do tempo, transformou-se apenas em mais um venerável e inócuo idoso pré-mumificado, ainda carismático, coerentemente petrificado, enquanto a URSS desaparecia e ficavam apenas as deletérias cinzas dela, milhões de mortos, presos políticos, silenciados, estrangulados nas liberdades mais elementares. O Político falhara. Surgiu o Artista. Avultou o Romancista. E esses são para amar e venerar, sem lentes nem peias, porque é sobretudo a humanidade, mais que a fria postulação política, a manifestar-se.

Tinha eu quatro anos quando, pela TV, e no ano da Revolução, o vi e ouvi pela primeira vez. A sua efígie terrífica causava-me medo. Aquela voz fina e salazaresca, aquele cenho fechado e esfíngico, formavam como que um todo, o qual em espelho, não passava de uma contraversão, pelo menos na concha corpórea, do velho ditador. Até à morte de Sá Carneiro, aterrorizava-me a ideia de suportar aquela hirta e hirsuta figura, incapaz de um sorriso, à frente dos destinos do meu País, coisa que sabiamente o nosso eleitorado soube evitar, embora, no período revolucionário, muito dano e abuso se tenham esparzido no País.

Infelizmente, apesar de Cunhal, Soares teve todo o tempo do mundo, na sombra ou às claras, para tratar da sua vidinha, cevar-se de todos os modos possíveis com o pão de ló dos recursos nacionais, dos financiamentos partidários internacionais, e a manha de empatar um Estado limpo, próspero, à prova de gatunagem, corrupção e, de vez em quando, à prova daquela falência sistémica da praxe. Cavaco só prolongou o mesmo tipo de deslumbramento impante que inicialmente a Europa parecia proporcionar à nossa classe política cada vez mais arrivista e de 3.ª categoria, a começar por Soares.

Reconheço, hoje, que o despojamento e escondimento intelectualmente póstumos de Cunhal tiveram infinitamente mais dignidade que o ostensivo engordar de bolso e de vida de Soares: num País normal não deveria ser normal enriquecer assim, tão mal-explicadamente. Também admito que tenho sentida inveja do aparente calor humano e sentido de ética e ordem dos militantes comunistas, embora demasiado ortodoxos na conservação da fé, na punição persecutória dos hereges ou corpos estranhos.

Resulta, pois, que Mestre Cunhal embora mais rígido e mais perigoso enquanto político foi, em quase tudo o mais, superior ao seu Discípulo Soares, que hoje definha entre o desbocamento completamente deslocado e a malícia impostora das Esquerdas que visa federar e não federa, por mais que tente. Cunhal, estando morto, dá-nos paz, uma completa paz entre as ossadas apaziguadas da utopia e o cadáver adiado do totalitarismo.

Pelo contrário, Soares, ávido fóssil da falecida retórica ideológica e do sectarismo mais tresloucado, não. Com aquela idade, está-se nas tintas: permite-se dizer o que lhe apetece e conspira a céu aberto contra o interesse nacional, baixando o nível, desumanizando os membros do Governo, manipulando Seguro ou apoucando-o publicamente, utilizando um vocabulário latrinário para tratar de coisas sérias. Perdeu todo o respeito por si mesmo. Perdeu o respeito por nós. Perdeu o respeito por Portugal. Perdido por cem, perdido por mil, quer ir-se numa fulgurante fogueira de vaidade lá, onde Cunhal deslizou rumo à irmã morte silente como um santo laico que, provavelmente, até era.