sexta-feira, outubro 31, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME VII



[As Aventuras do Santa Alcoveta]

Vara, incumbido de agendar um encontro privilegiado entre SóCrash, o Santa Alcoveta, e o Diabo, lá ganhou ânimo e tratou disso. Foi, naturalmente, mediante um telefonema e um telemóvel descartável. 
— Tô, tô? É o Diabo? 
— Sim, pá, sou eu em pessoa e tal, a substância, o parasita no ser da espécie humana, sou a besta que habita em ti e em quem quiser e fizer por isso. 
— Ah, então é você. Este número está certo. Desculpe lá o incómodo, mas o meu amigo do peito SóCrash... 
— Sim? Trata-me por tu. Somos íntimos. 
— ... pediu-me o favor de lhe propor um encontro... 
— Claro que sim, mas a verdade é que eu estou sempre com ele. 
— Sim, pois, Diabo, claro... Olhe... olha, sei que está... estás, sempre muito ocupado... você... tu vestes bem, perfumas-te melhor, calças-te com primor e requinte... és um excelente orador, o meu amigo Santa Puta admira-te muito... e quer encontrar-se consigo... contigo de um modo... único e especial... 
— Ok. Tratarei disso. Não é preciso que me aguarde neste ou naquele dia, no Gambrinus ou no caralho, Armando, meu camarada. E não lhe digas nada. Far-lhe-ei uma surpresa inesquecível. 

E foi num desses dias em que a maluqueira toma conta da cabeça do Santa Alcoveta e lhe dá para gastar cinco mil euros duma vez em rosas vermelhas, mandadas colocar por todo o apartamento da Bramcamp, e em que depois se deita a aspirar aquela delícia. O Diabo apareceu-lhe, nu, colado ao tecto do quarto, mesmo por cima da cama onde, de braços cruzados atrás da cabeça e pernas cruzados, SóCrash dormitava deleitado. De braços abertos, como um crucificado do prazer, fazendo uma paródia assustadora da famosa cena do filme Beleza Americana, o Diabo acena-lhe e faz-se notar. Abrindo os olhos, SóCrash começa por dar um gritinho, depois percebe quem é, acalma-se, mostra-se familiar e entabula um delicioso diálogo com o seu mentor e mestre: 

— Ahhhh, Não acredito... És tu, Diabo? E o Armando que não me avisa... 

quinta-feira, outubro 30, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME VI

Outro galheteiro de proprietários do Regime e da Democracia
[As Aventuras do Santa Alcoveta]

 SóCrash, o grande condecorado, a alma e a lama do Regime, sentiu um tremor de gozo ao ouvir falar na extraordinária entrevista do seu ex-ministro e ex-penduricalho ameba de Direita Esquerdizante, Freitas do Amerdeiral. Não perdeu tempo e convocou-o para um Porto, na Bramcamp. Pressuroso, a sumptuosa luminária infalível compareceu e, com enorme deferência, foi o próprio Santa Alcoveta a vir ao átrio recebê-lo:

 — Caramba, pá, Freitas do Amerdeiral, dá cá esses ossos, essas banhas essas bochechas impagáveis, pá!
— Meu caro Santa Puta, não imagina a honra em ser por si recebido. Sabe que em Portugal eu pertenço à casta dos especiais...
— Sim, claro, pá, comendador Amerdeiral, tu és um prodígio sumptuoso da palavra e da ideia...
— As TV chamam por mim, Santa Puta... O que eu digo conta!
— Sim, pá... As nossas TV veneram os fósseis do Regime, os inúteis e as canas agitadas pelo vento, professorais sibilinos... E esse, definitivamente, não é o teu caso, pá. Que encantas pela frescura e pelos teus postulados de Esquerda...
 — Claro. Eu sei que sou brilhante... Como o Santa Puta sabe, liderei o CDS, mas basicamente o meu espírito pardo servia de biombo ao génio de Amaro de Costa. Estive com Sá Carneiro, embora muito na sua sombra porque o meu carisma é um carisma...
— ... Murcho... Amerdeiral. Deixa lá. O meu gajo, o Costa, também não tem um quarto do meu carisma, mas nós, no Rato, temos estado a trabalhar nisso.

terça-feira, outubro 28, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME V


[As Aventuas do Santa Alcoveta] 

De óculos escuros e uma gabardine negra, SóCrash, o Santa Puta, encontra-se com o Armando, o Vara, na Pastelaria de Belém para avaliar os progressos no grande Golpe de Estado das Esquerdas em decurso, liderado pelo testa de ferro Costa. Vara cumprimenta-o entre dentes: 

— Então, pá, Zé, Santa Puta? 'Tás bom? E o nosso Costa, como é que a coisa vai? 
— Olá, pá, Armando! Nosso Costa, não. Meu Costa. E o meu Costa vai bem. Fez bem em ir falar de treta de Esquerda para entreter as Esquerdas, lá na taberna irrisória do LIVRE. Eh, pá, aquele Tavares está mortinho por ser ministro. Talvez chegue a chairman da MotaEngil. 
— Cuidado, pá, Santa Puta. O teu gajo continua a nada dizer de substantivo que ultrapasse a mesma lógica do Marinho e Pinto também para que qualquer eventual acordo, seja com quem for, se torne possível, nem que seja com o Diabo. Mas as ideias fazem falta, pá. 
— Ainda bem que falas do Diabo, Vara. Sabes quem foi o gajo que me mandou ter com ele? 
— Com quem? 
— Com o Diabo? 
— Sim, quem é que te mandou ir ter com o Diabo? 
— O filho da mãe do Melícias. Fiquei-lhe com um pó. E no entanto, gostava de um encontro com o gajo. Veste bem e usa bons sapatos e perfumes... 
— Pois, pá. Deste confianças ao padre camarada.... Mas esse nosso gajo Costa... 
— ... Nosso, não, meu Costa... 
— Ou isso, pá, Santa Puta, esse teu Costa não diz nada para além da utilidade que o nada tenha para o processo da tomada de decisões, dá para ver donde vem a sua autoridade política, não é de um carisma de líder visionário como tu, Santa Puta, que ele não tem e nunca terá... 

segunda-feira, outubro 27, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME IV

[As Aventuras do Santa Alcoveta] 

SóCrash, o Santa Alcoveta, o grande herói do gamanço nas governações, o mega mago das comissões, ficou inusitadamente inspirado com o grande colóquio mantido e mentido com o Diabo Nu, especialmente depois da festa no Gambrinus, onde os amigos do Diabo vão amiúde. Já mais refeito, e perante a impopularidade difusa que vai recobrindo o seu Gajo, o Costa, agora chamado o Pluvioso Costa, resolve reunir-se com o seu clone e sósia, o Beato Silva Clone Pereira. A reunião é agendada nas catacumbas do Corporações, onde se giza todos os dias formas de compilar informação de foder adversários, entalar marcelos e chantagear oponentes. O Beato Clone é o primeiro a abrir a habitual conversa de merda. 

— SóCrash, meu querido líder e espelho de trejeitos, o Pluvioso Costa está a ser vítima do tempo e a perder popularidade. Os nossos media fazem o que podem, a SIC e a Constança louvam-no, evitam o contraditório, poupam-no à crítica e a qualquer mácula, como o passivo da CML de mais de 1000 milhões... mas as redes sociais vergastam-no todos os dias... Sobretudo quando chove. 
— Eu quero que as redes sociais se fodam. Já estou farto de mandar dizer que é para não recordarem os negócios que mais me envaidecem. Fala-se no BES, falam em mim. Fala-se na PT, falam em mim. Em vez de criticarem e derrubarem este Governo da Direita Decadente, é a minha obra, o meu legado e a minha herança... Desejem-me, porra, mas esqueçam a gasolineira que fali e a Chafarica da Pátria, que fodi. 
— Acalma-te, Santa Puta! Olha que ainda serás o nosso Presidente da República. E tens de pensar que a Direita anda assustada. E assustada com a própria Direita. Por exemplo, olha o Mendo Castro Henriques. 
— O que tem ele, Clone? 

sexta-feira, outubro 24, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME III

[As aventuras do Santa Alcoveta] 

SóCrash, o Santa Alcoveta, a regra excepcional do Regime, sente saudades do seu galfarro e discípulo Paulo Campónios. Decide convocá-lo para um jantar numa tasca da Capital. Campónios, feliz por poder ver o mestre, é o primeiro a chegar. Pouco depois, chega o Santa Puta, animado com a promessa de um delicioso repasto, o seu café e o seu cigarro: 

— Olá, meu filho Campónios, como vais, pá? 
— Melhor que nunca, sobretudo depois de o crápula do Seguro nos ameaçar evacuar das listas de deputados para as legislativas de 2015, conseguimos pô-lo a andar primeiro... e tu, Santa Puta?! 
— Estou muito bem, pá... Não... aquilo foi muito bem jogado por nós... Se eu vos perdesse no Parlamento, perderia boa parte da minha força conspirativa no Partido e no País. 

— SóCrash, tu já viste aquela cena do Vítor Bento? 
— Qual merda? O que é que tem o Vítor Bento, pá, Campónios? 
— Antes de sair para a direcção do nosso BES, que degenerou em Novo Banco, o gajo pediu a reforma antecipada do Banco de Portugal. 
— E? 
— O governador Carlos Costa aceitou. 
— E então, Campónios? 
— Só que o gajo nunca chegou a assinar os papéis.

quinta-feira, outubro 23, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME II

[As Aventuras do Santa Alcoveta]

SóCrash, o Santa Alcoveta, sente-se excitado com as reacções sobressaltadas do Partido Socialista de Extrema-Esquerda ao Orçamento de Estado para 2015, o qual mantém o aumento brutal de impostos e, portanto, não é eleitoralista. Vendo que se aproxima o fim do mês de Outubro sem que se confirme a profecia do Padrinho Don Marioleone... a da queda iminente deste Governo de Direita Decadente, resolve fazer-lhe uma visitinha, dirigindo-se, para o efeito, à Fundação Don Marioleone. Quando Don Marioleone detecta SóCrash, estende-lhe a mão polpuda e o Santa Puta segura-a, dobra o joelho e beija-a repenicadamente: 
— Abençoe-me, Padrinho, Don Marioleone, todo o dinheiro e todo o poder ao nosso Rato, hoje e para sempre... 
— Impostor! Os meus informadores garantem-me que me consideras obsoleto, Santa Puta, e não suportas que eu, pelo jornal i, te desvie da vida política. O que dizes em tua defesa?... 
— Ó Padrinho, por quem é?! Eu sou todo seu, um fanático da sua história e dos seus feitos... Tenho toda a legitimidade para ambicionar uma candidatura à Presidência...

quarta-feira, outubro 22, 2014

AUTO DA PORCA DO REGIME I


[As Aventuras do Santa Alcoveta]

SóCrash, o Santa Alcoveta, convoca à Bramcamp o seu protegido Costa para fazer o ponto de situação da situação do silêncio e percurso do Costa enquanto seu Gajo. Ei-los juntos, finalmente, juntos, na grande sala repleta de perfumadas rosas vermelhas. Uma coisa aborrece sobremaneira SóCrash. Não, não é a rejeição do PEC IV. Foi aquilo que o Ministro António Pires de Lima ousou dizer no passado dia 14 à Comissão Parlamentar de Economia. Costa é o primeiro a tomar a palavra:

— Olha, pá, SóCrash, a chuva já passou, as sondagens que nós encomendamos dizem o que queremos... 
 — Gajo, podes continuar calado, mas bem que me poderias defender publicamente do que o pulha do Pires me está a assacar? 
— O quê, Santa Puta? Sabes que há coisas que é melhor eu nem comentar. 
— Gajo Costa, o Pires disse que os problemas actuais da PT foram causados no passado por mim, pá, que tudo começou com os meus Governos e acabou com os meus Governos, pá... 

segunda-feira, outubro 20, 2014

EU SONDO, TU SONDAS

COSTA OU OS DIAS DA TUMEFACÇÃO

Mais algumas semanas e os resultados das sondagens e pequenas medições de popularidade ditarão ainda o estado de graça de Costa, o gajo do SóCrash e de Don Mariolone Soares. Costa não passa de um peixe-balão a gozar os últimos momentos de tumefacção messiânica, popularidade e efeito surpresa. Neste momento e por algum tempo ainda.

Tirando o caso de se tratarem de sondagens a soldo e à medida do freguês, coisa a que os anos SóCrash nos habituaram, se forem fidedignos, estes resultados atestam a enorme vocação e pendor imbecil das massas aleatoriamente chamadas a expender opinião e a fazer corpo nas estatísticas. Só por crassa falta de memória e de massa crítica, o PS poderia alcançar a sua segunda maioria absoluta, neste século. Impensável. Mas a partir daqui será sempre a descer porque a realidade dura e exigente das contas públicas e os constrangimentos da moeda única e da consolidação em Portugal farão o seu caminho, esmagando Costa e o PS com as alternativas que na verdade não têm. O Partido-Máfia tem o seu próprio lastro e os seus muros intransponíveis.

Não será possível ao Peixe-Balão Costa manter o inchaço impante e a popularidade por inerência, perante um Governo quanto mais responsável mais impopular e mais impopular também porque a agenda dos Media Televisivos da Capital segue caminhos que o financiamento por recursos misteriosos em paraísos fiscais poderiam explicar, a ganância dos interesses na sombra poderia explicar, mas não a honestidade intelectual nem a isenção jornalística, basta ver e ouvir as torpezas de Constança Cunha e Sá ou os torpedos parciais de Ana Lourenço para perceber o alinhamento editorial das estações.

O efeito Costa pode ser este, superficialmente popular, e essa popularidade grandemente devedora do seu silêncio, mas poderá revelar-se terrível e penoso quando o Pluvioso Alcaide voltar a falar e porventura converter-se em Governo para fazer nada mais que o que está a ser feito. Recordemos que, na semana passada, a crise política grega levou este País de regresso às complicações de 2010, com os juros a pagar pelos empréstimos pedidos a dispararem para 9%. Costa, os socialistas e a Extrema-Esquerda, querem enfrentar a dívida e o défice não pelo cumprimento de metas duras impostas de fora e negociadas com a relatividade absolutista do credor, mas pelo alívio unilateral dos processos de cumprimento. Só que a via sancionada pela chancelerina Merkel contra a derrapagem dos défices dos diversos países do Euro não poderia ser mais implacável: o alívio virá pelo cumprimento e não pela descompressão e abrandamento da consolidação.

Espera-se, pois, que os ventos de guerra amainem e que o abrandamento económico dê lugar à vitalidade das bolsas europeias. Do que precisamos é de líderes duros de rins, capazes de resistir à facilidade e dispostos a cumprir na íntegra as metas dos défices. O que hoje possa parecer intoleravelmente exigente converter-se-á progressivamente na rocha sólida a basear a nossa riqueza e semelhança com os países de ponta da União.