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segunda-feira, junho 17, 2013

ANGOLA FORA DO BRASIL

Pena Angola falhar o próximo Mundial de Futebol. Nada mais enriquecedor da grande Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa que a presença do máximo número deles no maior deles, o assombroso Brasil onde a Língua Portuguesa é falada numa área superior a toda a Europa Ocidental e se sente mesmo a ilusão psíquica de que Portugal é lá ou lhe é contíguo.

quinta-feira, junho 13, 2013

LAICIZAÇÃO FASCIZANTE

Tenho amigos que em breve embarcarão para Benguela, Angola. Há por lá trabalho e emprego para quantos de cá arrisquem África. Fico feliz por eles. Por vezes penso que isto correu demasiado mal nestes 39 anos de placebo democrático a colonizar-nos os cornos com grandes passes de retórica-biombo democrata e outras tretas de encher. Com a chamada liberdade, entrou um fermento laicizante que fascizou moralmente a Nação, atafulhando-a de direitos e hipertrofiando o sentido de dever para com a Comunidade: o grosso da população activa ganha mal e porcamente, por mais que trabalhe: quem trabalha é explorado de um modo geral. Ponto. Na cúpula do Regime, laicos e ético-republicanos, não importa a cor formal dos sucessivos Governos, sentaram-se os soares e os soaresianos para partir e a repartir a melhor parte dos Orçamentos com arte, ano após ano após ano. Isto tem sido deles. Só deles. Não haver uma vassoura...

quinta-feira, maio 23, 2013

FOI-LHE TÚMULO O MAR

Um dos que ali morreram foi aquele que, dando a mão a Deolinda, lhe dissera: «Adeus!»

Era um homem de trinta anos, bem figurado, ares de fina raça e maneiras de cortesão, com palavras polidas e muito alheias das usuais nos homens que viandam por aquelas paragens. Não lhe sei o nome, nem que lho soubera o diria. Foi-lhe túmulo o mar, como se a sorte quisesse que o seu nome se não lesse em epitáfio. Sei que ele cumprira a sentença de três anos em Angola, porque aspirara às honras de ser rico, sem escrupulizar nos meios. Tinham-lhe dito que os seus contemporâneos mais nobilitados se haviam enriquecido trocando as riquezas de sã consciência por outras que levam ao inferno, é verdade, mas pelas portas do paraíso das regalias deste mundo. Via-os saborearem-se em sossego dos bens mal adquiridos, sem remorso que lhes desvelasse as noites, nem injúria da sociedade que lhes pusesse ferrete na testa; ao revés disso, eles era a classe mais ao de cima, a gente chamada às honras, sem desconto na estupidez nem proterva reputação à procedência dos seus bens de fortuna.

domingo, dezembro 16, 2012

NENHUM FRENESIM PIRANHESCO POR POSTAR

Nada, mesmo nada, merece o incómodo de um post. Nada. Nem um suspiro, nem uma pedante emanação de frases ou revelações. Nada. A ceara vai loura, pronta para a ceifa.

terça-feira, novembro 13, 2012

EUROS E KWANZAS

«Se queremos convencer a chanceler alemã da necessidade de corrigir um caminho que está esgotado e já produziu os melhores resultados que pode produzir, num ajustamento rápido que, a partir de agora, só pode voltar a levar-nos ao precipício, se esperamos que Merkel aceite os alertas que há semanas vão sendo feitos pelo FMI, este é o momento adequado. Se queremos convencer a Alemanha de que merecemos uma nova oportunidade nos fundos comunitários, depois de milhares de milhões recebidos e que acabaram numa intervenção externa, este é o momento. Não foi a chanceler alemã - ou a BMW e a Siemens, como se depreende do vídeo de Marcelo Rebelo de Sousa que poderia ter sido subscrito por Francisco Louçã - que nos trouxe até aqui. A responsabilidade de Merkel é outra, é a de demorar a tirar a Europa e a zona euro da crise em que está mergulhada desde meados de 2008. A chanceler tem, apesar de tudo, cedido à realidade para segurar uma moeda única que é também um factor que explica o sucesso alemão. Portugal precisa da Alemanha, como precisa de Angola, porque somos europeus e ‘atlânticos', por justaposição e não por contraposição. Mas, num caso e noutro, sem perder uma soberania que já teve melhores dias, sem vender a dignidade por euros e kuanzas, sem hipotecar a história. Ora, a reacção do Jornal de Angola a uma notícia do Expresso sobre a abertura de inquérito por parte da Procuradoria-Geral da República a três altas figuras angolanas, nomeadamente ao vice-presidente Manuel Vicente, é, no mínimo, um alerta. No máximo, uma ameaça intolerável.» António Costa

sábado, setembro 01, 2012

CLEPTO PETRODEMOCRACIA DOS SANTOS

O líder do MPLA vai cumprir novo mandato de cinco anos
Algures no século XX, década de setenta, quando por cá ainda se hesitava entre um socialismo na órbita do dogmatismo soviético ou qualquer coisa de ambíguo no grande jogo global da Guerra Fria, talvez que sob os fumos do financiamento da CIA ocorresse a algum líder partidário, incapaz de ler os dossiers da governação, que não havia nada melhor que ser partido único. Único no poder e ascendente sobre a sociedade, uma espécie de Sport Lisboa e Benfica da Política Partidária, esmagador, unânime, incontestável, com os restantes árbitros institucionais sempre a favor. Ser partido único é manobrar todos os fios, controlar todas as linhas, estender todos os tentáculos, viver da grande Aparição do Dinheiro, da Grande Protecção Justiciária em Qualquer Aperto, e no entanto proclamar todos os dias um grande amor à democracia e ao pluralismo. Enriquecer a partir da política, em Portugal, é passar a outro estágio de beatitude venturosa. Como isto apesar de tudo ainda não é África, a coisa confinou-se à gamela dos orçamentos: Partido Único passou a ser o dos que mamam sempre, beneficiando directamente dos recursos públicos qualquer que fosse a cor do Governo. Em Angola, o Partido Único é ainda mais único. O septuagenário Eduardo dos Santos conseguiu tudo para si, para a família e para a elite monopolista que forjou. Em Angola a unicidade partidária por becos, portas e travessas, domina as mentes e os corações com apenas alguns focos e rebelião logo enquadrada e remetida à reflexão presidiária. O MPLA é o Estado Angolano e o Estado Angolano é o MPLA. E assim sucessivamente.

sexta-feira, agosto 31, 2012

ANGOLA: É MODA MATAR PORTUGUESES

Qualquer português capaz de sintetizar um relato acerca da vida angolana, por lá viver e trabalhar, especialmente em Luanda, não foge de três pontos obrigatórios de observação habitual: 1. O angolano novo-rico, serventuário do Regime, é tipicamente preconceituoso e ressentido em relação aos portugueses. 2. Qualquer conversa onde as questões e preferências portuguesas sejam arroladas por um português, na rua, na loja, num Hotel, terá de imediato a rude censura bota-abaixista do angolano novo-rico. 2. O angolano novo-rico, rico por causa do Regime, trata o outro angolano comum, motorista, varredor de ruas, abaixo de cão. Tanto preconceito e ressentimento desagua naturalmente em mortes pontuais, habituais, de portugueses, por rivalidade, por dinheiro ou qualquer outra razão. Continua a ser interessante trabalhar lá? Continua. O bem é discreto e silencioso, nas relações humanas, nos casamentos, na confiança. O crime e a morte são sempre ruidosos sob a megafonia do horror. Quem anda à chuva, molha-se: «O empresário luso-angolano Rui Câmara e Sousa, assassinado no Lobito, em Angola, na noite de segunda-feira, terá sido executado à ordem de um rival num negócio ligado ao sector do turismo e do imobiliário. Esta é a principal suspeita da polícia local, que está a investigar mais uma morte de um português naquele país. Um oficial do Exército angolano é um dos suspeitos de ser o mandante do crime.» Público

segunda-feira, agosto 20, 2012

OVOS ANGOLANOS NO CESTO PORTUGUÊS

Todos os anéis e todos os dedos em Portugal.
Marcelo tudologiza e as bocas multiplicam-se. Os media portugueses são desinteressantes e deficitários e só interessam como plataformas publicitárias, onde algum lucro pode aqui e ali, em anos bons, avultar. O interesse angolano nos nossos media tem a ver com o interesse angolano em qualquer coisa que em Portugal lhes interesse e que é basicamente tudo: comunicações, combustíveis, banca, imobiliário, turismo. Há dinheiro? Há Angola. Para Isabel dos Santos, é preferível colocar quase todos os anéis e quase todos os dedos, todos os ovos no mesmo cesto, em Portugal, apesar de tudo ancorado à Europa, que num País, o seu, onde os riscos de uma rebelião horrenda, caos, pilhagens, e outros danos perturbadores dos negócios, cresce de dia para dia, segundo transpira quem para lá vai e de lá vem. O Regime dos Dos Santos cansa e desgosta há muito os angolanos e o tampão repressor não dura para sempre. 

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

HARAQUIRI PROFISSIONAL E CRÓNICAS-CARRAPATO

As coisas começam e acabam. Um jornalista abraça um projecto e pode matá-lo alegre e alarvemente. Foi o que fez Pedro Rosa Mendes. Daí a concluir-se que o fim desse programa de crónicas Este Tempo da Antena 1 "configure um acto ilícito", como considerou polemicamente esta manhã Mário Figueiredo, Provedor do Ouvinte da RDP, que está a ser ouvido na comissão parlamentar de Ética, vai um grande eito. Quer dizer então que o mártir jornalista Rosa, o puro e inocente jornalista-cronista Rosa, não cometeu haraquiri profissional?! Pois foi isso que ele fez. E cuspiu no prato de lentilhas do seu dedo acusador, do seu moralismo a destempo, da sua hipocrisia embaraçosa para os actuais esforços de Estado. Comissão por comissão, por que não formam uma brigada na RDP especializada em dar pancada na China e em Angola, através de crónicas-carrapato bem mordazes?! Dessarte, Portugal será mui bem servido. Parasitas!

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

LIÇÕES ANGOLANAS SOBRE O NÃO-ABASTARDAMENTO

«Escrevemos à nossa maneira, falamos com o nosso sotaque, desintegramos as regras à medida das nossas vivências, introduzimos no discurso as palavras que bebemos no leite das nossas Línguas Nacionais. Do ‘português tabeliónico’ aos nossos dias, milhões de seres humanos moldaram a língua em África, na Ásia, nas Américas. [...] O português falado neste país tem características específicas, uma beleza única e uma riqueza inestimável, que devem ser mantidas, assim como tem o português do Alentejo ou o português da Bahia. Todos devemos preservar essas diferenças e dá-las a conhecer no espaço da CPLP. Não é aceitável que através de um qualquer acordo a grafia seja esquecida. Se queremos que o português seja uma língua de trabalho na ONU, devemos, antes do mais, respeitar a sua matriz e não pô-la a reboque do difícil comércio das palavras.» Jornal de Angola

INVEJA E PRECONCEITO POLIDOS DE SCHULZ

Mas «declínio» português porquê, Schulz? Sim, nós temos relações privilegiadas com Angola e com o Brasil e muitos mais países exo-europeus, e então? A UE tem servido para escoar produtos alemães e franceses à restante parvalheira periférica e para esses dois países pregarem lições de moralidade e boa economia na casa alheia, tendo eles mesmos falhado e derrapado os seus défices noutros momentos. Demasiada hipocrisia e demasiado nacionalismo por todos os poros. Só há um caminho: rechaçar o lixo schulziano e ir mais longe do que todas as Troykas e toda a obtusidade nórdica, cumprindo, desfazendo o anátema e todas as razões recentes para anátema deficitário. Não podemos falhar porque ninguém nos dará a mão ou perdoará, se falharmos: «Há umas semanas estive a ler um artigo no Neue Zürcher Zeitung que até recortei. O recém-eleito primeiro-ministro de Portugal, Passos Coelho, deslocou-se a Luanda. [...] Passos Coelho apelou ao Governo angolano que invista mais em Portugal, porque Angola tem muito dinheiro. Esse é o futuro de Portugal: o declínio, também um perigo social para as pessoas, se não compreendermos que, economicamente, e sobretudo com o nosso modelo democrático, estável, em conjugação com a nossa estabilidade económica, só teremos hipóteses no quadro da União Europeia.» Martin Schulz

domingo, fevereiro 05, 2012

ANGOLA, PERTENÇA DA CLEPTOCRACIA DOS SANTOS

Ainda que Angola seja por enquanto um País com donos explícitos [há cleptotcracias e cleptocracias e algumas são letais: não é, graças a Deus, o caso da angolana!], onde a liberdade de expressão é limitada, a corrupção é endémica e as opiniões políticas fiquem dentro de casa, se der o pão que Portugal não dá e horizontes que Portugal não tem, haja paciência e seja cada qual que emigra para lá o fermento da transformação cívica local. É um longo caminho. Alguém terá de o fazer, pois tudo é política.

sexta-feira, janeiro 27, 2012

MODELO SUPLICADO E EJACULADO

«Mário Soares, enquanto Primeiro Ministro ('realista', mas não do socialismo do mesmo nome) disse um dia de Timor: "para quê tentar resolver a questão (legal) do Território? 'Aquilo' está lá muito longe; são apenas um punhado de ilhotas Indonésias". A frase foi-lhe atribuída e nunca desmentida. Depois, quando J. W. Bush pretextuou "Ditadura no Iraque e armas de destruição maciça nas mãos de um louco" para desencadear a bendita guerra de 9 anos naquele país, Soares avançou o argumento crítico de Bush: "dizer que o Iraque é uma ditadura não é suficiente; ditadores há muitos e não vamos derrubá-los todos fazendo guerra". Fora a centralíssima questão do petróleo, estes sábios conselhos, à partida, estão ensopados de bom senso e 'temperança'  mas são completamente incompatíveis com idealismos, esquerdismos, progressismos, comunismos, socialismos, 'liberalismos' e outras coisas que inflamam as mentes e os espíritos quando todos falam fácil dentro de um confortável salão, e em abstracto. O mais irónico é que Soares pertence justamente à categoria de pessoas "cujos ideais republicanos, socialistas e laicos" são geralmente mais do que suficientes para destravar acções, protestos e cruzadas libertárias  mais ou menos a propósito de tudo e de nada que vá surgindo 'no Mundo'. Ora todos estes pândegos contraditórios se têm esquecido selectivamente nos últimos 37 anos de denunciar e apontar os Países que nos vendem petróleo e outros bens como "ditaduras sinistras"  que é o que eles muitas vezes são. Centrar a questão no bendito programa-RTP e em Angola é compreensível por ser próximo de nós e coisa recente  mas não é razoável. Não tardarão a aparecer outros sururus à volta da China  que se prepara para comprar o pouco-Portugal valioso que ainda resta. O Bloco de Esquerda  veja-se lá  já bradou contra a China "por ser uma ditadura"! Ora a China deveria ser exactamente e justamente o modelo sonhado, almejado, choramingado, suplicado e ejaculado pelo BE: regime comunista de partido único; campos de reeducação e de 'tratamento psiquiátrico' para quem esteja 'deslocado da sociedade'; um ideal universal de igualdade; estatização plúmbea e incontornável; polícia (secreta) para caçar dissidentes e 'Inimigos do Povo'... O que está mal na China, afinal, para o BE? o dinheiro? Angola não é uma ditadura sinistra nem de ontem, nem de hoje: é uma ditadura sinistra, comunista, marxista e venal desde 11 de Novembro de 1975; e contou com numerosíssimos 'criadores' e 'apoiantes' "desinteressados" desde a primeira hora do anti-fascismo selvático do pós-25 de Abril em Portugal: os nomes são conhecidíssimos e não vale a pena recordar. Para os paladinos da Liberdade e súbitos defensores da Democracia, do Povo angolano e da dignidade de Portugal, está-me cá a parecer que o seu mal é algum complexo de superioridade, agora muito ferido: uma espécie de racismo ao retardador, um acordar picados no seu amor-próprio de "conhecedores da verdade". Pois habituem-se.» Besta Imunda

UMA COISA NÃO TEM NADA A VER COM A OUTRA

Isto de passar a não haver problemas com vistos e trabalhadores portugueses, ao chegarem a Luanda; isto de não haver represálias do Regime Angolano sobre pessoas que nada têm a ver com jornalistas gloriosos e beatíficos; isto de não haver melindres nem cenas forçadas entre um Regime e cidadãos que vão trabalhar para lá; isto de não ter o justo calado de pagar pelo inocente palrador e o certo pelo errado; isto de os cidadãos que emigram não terem de sofrer o ónus da má consciência do Estado e da péssima gestão dos políticos, é muito simples: basta ao Rosa escrever mais uma crónica acintosa contra o Regime Angolano que paga a milhares de portugueses a vida que levam por lá e tudo deslizará lubrificado com a sua moral superior, a célebre moral do Rosa, o imensamente compadecido Rosa, o Rosa por vezes em Paris, cidade onde cheira sempre ao mesmo tosco conspirativo. Certo é que os 19 portugueses, que à chegada ao aeroporto de Luanda foram encerrados à chave numa sala, onde coincidentemente foram acusados de terem vistos falsos, poderiam ter sido poupados. Devem, aliás, ter certamente pensado: «Mas por que é que o caralho do Rosa não ficou calado? Há-de pensar que estas viagens são grátis?!»

quinta-feira, janeiro 26, 2012

A TRETA DA CENSURA

Não estou nada preocupado com os supostos maus sinais relativos ao exercício da liberdade de expressão e de imprensa. Preocupa-me, sim, que a imprensa sob a égide da RTP se apresente dissonante com a estratégia económico-diplomática do Estado Português e desalinhe com uma violência e um despudor extemporâneos. Já disse e repito que concordo com a crónica de Pedro Rosa Mendes sobre Angola na Antena 1, mas não com o tom. O tom aliás faz suspeitar uma ostensiva provocação não só à liderança angolana. Também ao ministro Relvas, portanto, ao Governo, portanto, ao seu dever de procurar convergências e vantagens para o País. Não nos cabe julgar as elites angolanas que hoje põem e dispõem. Provavelmente, o Povo angolano tratará da questão que lhe diz respeito a seu devido tempo por pura lógica e natureza das coisas onde a usurpação, a ganância e o roubo pontificaram. Simplesmente, parcerias, negócios, oportunidades, não se esbanjam para maior desgraça nossa. Se houve censura subsequente à farpa suicidária do Rosa, também houve ostensiva colisão editorial com os esforços do Estado Estado português. Portugal está numa situação demasiado séria para se desconversar do essencial.

OS FILHOS DA SONANGOL

«Os filhos dos administradores da Sonangol (beneficiários de bolsas várias) são como os futebolistas que declaram o salário mínimo e como Isaltino de Morais e respectivos sobrinhos taxistas: não têm dinheiro ou contas em Portugal, os seus Ferraris são comprados pelo telefone e com 'transferências ultramarinas', a sua roupa é adquirida em Espanha (onde existe uma barraquinha para desvalidos junto ao Santiago). Para uma refeição  quando às 2.ªs Feiras as manjedouras de luxo estão a desratizar e a desbaratar as cozinhas  vão à sopa-dos-pobres e às Santas Casas. As munições de 9mm-Glock são remessa nova, comprada com antecedência na Cova da Moura. Homens prevenidos.» Besta Imunda

quarta-feira, janeiro 25, 2012

A BRILHANTE CRÓNICA DO ROSA EM FORMA DE FACADA

«Em directo de Luanda, a RTP serviu, nesta Segunda-feira, aos portugueses e ao mundo  eu vi aqui em Paris  uma emissão a que chamou "Reencontro" e na qual desfiaram, durante duas horas, responsáveis políticos, empresários e comentadores de Portugal e de Angola, entre alguns palhaços ricos e figuras grotescas do folclore local. O serviço público de televisão tem estômago para muito. Alguns dirão tem estômago para tudo. Mas o "Reencontro" a que assistimos desta vez, foi um dos mais nauseantes e grosseiros exercícios de propaganda e mistificação a que alguma vez assisti. A nossa televisão, a televisão  paga por nós todos, e que de certo modo é um pouco de cada um de nós afectiva, mas também politicamente, foi a Luanda socializar com os apparatchik do Regime, nos quais deveríamos reencontrar supostamente uma Angola irmã, uma Angola feliz, uma Angola nova. Aconteceu o contrário, porém. Reencontrei nesta emissão, a falta de vergonha e uma elite que sabe o poder que tem e o exibe em cada palavra que diz, não no conteúdo, mas no tom: seguro, simpático, veladamente sobranceiro. Aquela gente  as divas, os engravatados, os socialites    são ao mesmo tempo a couraça e as lantejoulas de uma clique produzida pela história recente de um país que combinou uma guerra de trinta anos e uma riqueza concentrada basicamente no petróleo. "Oleocracia", chamou-lhe com justiça, há uns anos, a socióloga francesa Christine Messiant, falecida faz agora anos, e que identificou, como ninguém, a natureza do poder de José Eduardo dos Santos, do MPLA, da sua grande família e das suas clientelas. Em poucas linhas, a clique angolana, em torno do presidente, privatizou o Estado, numa teia de clientes da economia política, digamos, num aparelho que controla, por um lado, a segurança e o uso da força, exclusivo e legítimo, claro está, e, por outro, as contas vitais da República, como a do petróleo, a dos diamantes, do Banco Nacional e do Tesouro. Os generais e barões da economia política angolana fizeram ganhos astronómicos, ao longo dos anos noventa, nas comissões dos contratos de armamento, de petróleo, da manutenção militar, por aí afora. E depois usaram esses recursos em todos os negócios sensíveis, estratégicos, as empresas de segurança, as empresas de aviação, os sectores das empresas públicas colocadas em leasing, as companhias ligadas às Forças Armadas e à Polícia, etc., etc., etc.. Um lucro incalculável e, melhor ainda, legal. Como bem explicou também Christine Messiant, o controlo da economia pelo topo do poder político, juntando as altas patentes e o politburo informal do partido, usou e geriu a concorrência internacional beneficiando da conivência, da colaboração ou da assistência de grupos estrangeiros na Banca, no sector energético, apenas para citar alguns. É esta, resumindo, a face verdadeira da nova Angola. O novo poder económico é apenas a nova máscara do velho poder político, uma maquilhagem sofisticada, mas ao mesmo tempo muito óbvia, o batton da ditadura, parafraseando o grande jornalista angolano, Rafael Marques. Num reencontro digno para ambos os povos e ambas as audiências, aliás, teria havido, por exemplo, Rafael Marques, ou alguém que chamasse à corrupção, corrupção, e não, quase a medo, numa única pergunta, "um certo tipo de corrupção", como o fez Fátima Campos Ferreira. Quem se encontra com a realidade de Angola,  realidade real, encontra, por exemplo, a violência brutal nas lundras diamantíferas, os despojos ainda da guerra civil, no tecido social e produtivo, a conflitualidade social latente entre quem tem o mundo e quem não é sequer é dono da sua vida, ou a pobreza dos musseques de Luanda que não desaparecem com o cair do cetim vermelho de um Banco como na publicidade que embrulhou a emissão da RTP. Já agora, gostaria de ter reencontrado, nesta emissão, outros portugueses, os milhares de compatriotas nossos, que vão para Angola em fuga de um País sem esperança, daqui, o nosso, como se ia nos anos de 1950 e sessenta, e, como então, enfiados como semi-escravos e semi-reféns, à mercê dos seus patrões, agora angolanos, num estaleiro, numa pedreira, numa fazenda, algures fora do alcance das visitas oficiais recebidas em Angola. Nesta emissão, enfim, Portugal confirmou que, como antes, tipicamente os nossos colonos, apenas temos, hoje, a subserviência quando a situação não permite o abuso. É no que estamos. "Qual o objectivo do investimento angolano no estrangeiro?", perguntava a jornalista a determinada altura. A resposta foi dada pela própria emissão da RTP. O objectivo é "respeitabilidade". Luanda, note-se, apenas compra aquilo que sabe que ainda não tem.» Pedro Rosa Mendes

ESTUPIDAMENTE, ROSA TEM UM CERTO TIPO DE RAZÃO

Mas mesmo quem joga à roleta russa pode tê-la. Pedro Rosa Mendes assina e  dá voz a uma crónica repleta de verdades. E tem fundamentalmente razão. Mas há um problema de fundo que esvazia o seu argumentário repleto de factos consabidos: não se pode hostilizar demasiado aqueles com quem fazemos negócios, já sendo alguma coisa, por pudor, não abundar em encontros e fotografias de família em primeira linha como as de Sócrates com Kadhafi. Ou não fazemos negócios com eles, o que só é fácil quando não precisamos deles. Ou então, se fazemos, não os podemos hostilizar abertamente, mas usar do máximo de pedagogia e persuasão pois o que está em causa é a libertação cívica e a justiça social entre os angolanos, coisa interdita. Não gostamos de ditaduras, mas não é somente Portugal a fazer cedências e a ajoelhar-se: todo o mundo ocidental se inclina e submete à poderosa China e a quem possua o argumento supremo do petróleo, dos diamantes e de quaisquer interesses. A GALP e o Estado Português, por exemplo e para não irmos mais longe, esmagam há anos os consumidores com uma muito sua abusiva e exploratória oleocracia., sem possamos resistir-lhe, nós os que moramos no litoral. Daí que as verdades de Rosa, o moralismo do Rosa, o tom sobranceiro de Rosa contra a sobranceria tonal dos apparatchiks angolanos, ainda que os subscreva ponto por ponto, são um exercício hipócrita e estúpido no actual contexto de carência e encalacranço nacional e são também uma facada nas costas de quem procure construir alguma coisa em nosso próprio benefício. E não falo somente deste Governo, mas das empresas portuguesas e cidadãos portugueses que buscam futuro por lá. Rosa não parece dotado de quaisquer qualidades de diplomata porque ao arrasar com o Regime Angolano, coisa que qualquer um pode fazer sem falhar muito no alvo, arrasa de igual modo, minando-as, as tentativas mediadoras deste Governo em construir qualquer coisa de bom e positivo no plano mais elementar e pragmático. Agradecemos, mas seria preferível essa crónica ter sido expelida a partir respectivamente dos empórios mediáticos de Balsemão, do Joaquim Oliveira ou da Ongoing. A partir da Antena 1 não é suposto, sequer compreensível, que se possa rebentar com os interesses de Estado, com a estratégia económico-diplomática do Estado, fazer e acontecer a partir de um órgão noticioso e cultural sob chancela do Estado. Não me fodam! O revólver tonal e discursivo que Rosa apontou à cabeça tinha uma bala na câmara. Ninguém o obrigou a premir o gatilho.