A irrespirabilidade do momento político português faz-se não só dos custos dos swap socratistas, mas do fedor exalado pelos swap de carácter. Primeiro, a informação de que o actual secretário de Estado do Tesouro, Joaquim Pais Jorge, em 2005, enquanto responsável do Citigroup, tentou vender ao Governo de José Sócrates contratos swap que permitiriam fazer descer o rácio da dívida pública sobre o PIB, colocando os valores fora do balanço, sem que fossem contabilizados pelo Eurostat. Depois o BE e o PCP a pedir, como é costume, demissões. Deve esse Joaquim sair pelo acto vendedor falhado de 2005? Se calhar até deve. Nada mais negro que vender, tentar vender e comprar swap, percebe-se agora. Mas então, caso Joaquim Pais Jorge saia por ter tentado vender swap sem ter conseguido, por que não conduzir Sócrates ao banco dos réus por ter caucionado e promovido contratos desse teor para fazer exactamente o mesmo tipo de habilidade nas empresas públicas?! Não sei por que motivo andam os blogues canhestros do socratismo a tirar sarro e a rir-se à conta desta matéria, quando, de um lado, temos um secretário de Estado em exercício que tentou vender swap a um Primeiro-Ministro em nome do Citigroup, e não conseguiu; do outro temos a malta aflita do socratismo que fez ou mandou fazer, caucionou, promoveu, se responsabilizou, por mais de duzentos swap, quantos deles exóticos. Fez mesmo. Conseguiu mesmo. Parabéns! Portanto, se uns têm de se demitir, que os outros respondam em tribunal.
«After he has suffered, he will see the light of life and be satisfied; by his knowledge my righteous servant will justify many, and he will bear their iniquities.Therefore I will give him a portion among the great, and he will divide the spoils with the strong, because he poured out his life unto death, and was numbered with the transgressors. For he bore the sin of many, and made intercession for the transgressors.» Isaiah 53
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quinta-feira, agosto 01, 2013
terça-feira, novembro 27, 2012
segunda-feira, julho 23, 2012
DE LIBOR LIBERA NOS, DOMINE
Assunto do momento com impacto global tem a ver com as para já sigilosas investigações sobre a tentativa de influenciar o índice da London Interbank Offered, ou a já célebre LIBOR, mas também outras taxas globais que suportam centenas de trilhões de dólares diariamente movimentados. É rumor que delas poderão resultar acusações criminais concretas. Um dos meios de prova serão os e-mails trocados entre um grupo de traders. Talvez dentro em breve seja possível ter uma visão esquemática e completa de como foi possível conspirar para ganhar dinheiro à custa da manipulação as referidas taxas. Sob investigação estarão mais de doze funcionários, actuais ou antigos, de vários grandes bancos: Barclays Plc, UBS e o Citigroup. A muralha do negócio foi rompida quando o Barclays assinou uma espécie de acordo de não-acusação com os promotores norte-americanos, obtendo uma espécie de garantia de contenção de danos numa investigação que envolve também as actividades dos empregados do HSBC, Deutsche Bank e outros grandes credores.
Quando o presidente-executivo do Barclays, Bob Diamond, anunciou a sua demissão do banco do Reino Unido, abriu-se mais uma Caixa de Pandora, dadas as revelações, graves o suficiente para levantar dúvidas sobre a integridade da LIBOR, taxa que serve de referência na definição de preços para empréstimos, hipotecas e contratos de derivados. Se rolarem cabeças, elas serão tanto mais pequenas quanto possível. O costume. Este mundo pertence aos CEO, demissionários, pré-demissionários, ou não, e às suas baterias de advogados, excepto Madoff, já que, desde 2008, não se conhece quem mais, do topo, tenha pago pelas respectivas malfeitorias, prémios indevidos, escalada pelo acréscimo escandaloso da prosperidade pessoal, enquanto em torno tudo colapsava fragorosamente. Eis uma matéria que valerá a pena acompanhar.
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