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terça-feira, julho 16, 2013

QUEM VÊ DILMA, VÊ DILEMA

A matéria política brasileira, hoje tão incandescente, deveria interessar-nos mais, a nós portugueses. Quer pelo que dela possamos aprender e colher para o momento crítico que vivemos, quer por simples instinto de quem se olha ao espelho a confirmar que é mesmo do tamanho daquilo que vê. Contra o que o populismo-socialista praticado por Lula deixaria antever, a Presidente Dilma movimenta-se hoje sob o pesadelo de um pesado e impiedoso criticismo. Das redes sociais às manifestações na rua, milhões sibilam ou vociferam o seu nome e apresentam uma dura agenda de exigências, cujo gatilho, já se sabe, foi a construção perdulária de novos Estádios de Futebol, ilhas sumptuosas-luxuosas com pobreza à volta. É como se, de repente, todo o populismo possível do passado redundasse agora em aguda impopularidade, transbordado o copo da paciência popular. A Dilma sobram vaias, embaraços em eventos públicos, cobrindo, à uma e por azar, essa mulher, ex-guerrilheira, que ousou assumir as rédeas do Gigante Sul-Americano. Em política, como na bloga, é preciso ter estofo. É preciso ter estômago. E um instinto de fuzileiro, tipo «Eles que venham. Todos.» Passos Coelho tem suportado calado os piores insultos, as mais baixas insinuações de incompetência e impreparação, as piores humilhações, não por ser corrupto e demagógico, não por ser gastador e inconsequente, não por ser saltimbanco fajuto, mas por todas as razões do nosso martírio social, pelo notório empobrecimento e calamitoso desemprego, do corte massivo de direitos, de rendimentos, prescritos para uma pequena sociedade política e economicamente proteccionista, fechada a fluxos financeiros de monta e investimento extra-europeu, paralisada e incapaz de qualquer dinamismo pelo menos desde a Mansovolução de Abril. Em causa, uma moeda, o Euro, e a sobrevivência dentro de uma união monetária imperfeita e assimétrica. Não é qualquer um que arrosta com máxima impopularidade e moções de quase pré-linchamento político. Do mesmo modo, a coisa tem pesado sobre Dilma, mas tendo como ponto de partida um sentimento popular de profundo aviltamento. Não é concebível que, de repente, o nosso eleitorado geriátrico visse em Jerónimo um eloquente modelo de político, capaz de gerar esperança, capaz de comover e mobilizar a nação, mas o correlato PT brasileiro teve no correlato Lula essa oportunidade impensável para liderar. Foi após tal deslumbramento que o Partido dos Trabalhadores borregou, escândalo após escândalo: o Poder vicia e os homens, os Bárcenas, os Dirceu, os Vara, não brincam nem romantizam quando lidam com outros homens no sentido de estruturar um respaldo estável da política e dos seus agentes: o Dinheiro entrou massivamente na estratégia de Poder a Longo Prazo do Partido dos Trabalhadores. O nosso PCP não tem fama de corrupto nem movimenta milhões de euros. Pelo contrário. Para esse prestígio, basta-nos o PS com variados zunzuns vindos de Portimão, Braga, para não falar dos sucessivos Freeport e sucessivos esquemas de privilégio e excepção, por exemplo, para a aquisição a granel de títulos universitários. Não é verdade que hoje, quando tão hipocritamente se fala em credibilidade, o PS não se credibiliza muio por causa da pesada herança dos variados abusos antidemocráticos de Sócrates ou das matérias negras agregadas a Soares, do Fax de Macau-Emaudio, às intermináveis revelações de Rui Mateus?! Não. Espantosamente, o eleitorado português é estúpido e perdoa. O mesmo se diga do entorno cavaquista, onde um Oliveira e Costa e um Dias Loureiro pontificam como intoleráveis escarros à honorabilidade de ex-detentores de cargos públicos. A ganância dos partidos mata a confiança e generaliza a descredibilização de um sistema político. O Regime tem branqueado tudo isto e outras coisas porque não presta, não nos serve de modelo de coisa nenhuma respirável e justa. Da mesma forma, Dilma sucumbe sob o problema em forma de partido que o PT representa. Recorde-se que, muito antes de eleita, a candidata Dilma não passava. A sua imagem não cativava. O seu discurso não mobilizava. Foi necessário que Lula comparecesse, omnipresente, na disputa eleitoral, para alavancar a candidata. E resultou. Pois agora, sob a vaia e sob a rejeição das massas, o próprio PT demarca-se da Presidente. Suspira até por um retorno daquele mesmo Lula que lhe deu tudo, após este ínterim de sucessão democrática falhada. É a conjuntura. Não por acaso, o PT não parece apoiar Dilma para as Presidenciais de 2014. Entre o combate à inflação e ao recuo do crescimento económico, entre descobrir e aplicar soluções para as reivindicações das massas, na Saúde, Transportes e Educação, uma Presidente debaixo de fogo não pode perder tempo e não tem tempo nem contexto para se maquilhar, refrescando a popularidade. São outros os imperativos. Lá como cá, as políticas por vezes urgentes e necessárias podem ser extremamente impopulares e colidir com os interesses políticos de um partido. Ao contrário de Sócrates, para quem tudo era marketing pessoal e vagamente político, tudo era soundbyte, para Dilma, para Passos-Portas, nada é, nem pode ser ou servir, para qualquer espécie de marketing pessoal. Entre mãos, o País e o risco injusto de linchamento à conta da resolução de dilemas com repercussões drásticas no futuro. É como se só uma perfeita besta corrupta e danosa pudesse sair a rir deste filme. Nunca um decisor. Nunca um homem de Estado. Esperemos que não seja a Malícia e a Traição a rir por último. Repare-se, porém, como os comentários mega-burlões na RTP dominical servem para condicionar a agenda e a liberdade decisória de Seguro pela não-assinatura de qualquer Acordo de Salvação Nacional e perceba-se aí a perversidade e a sujidade manhosas que os impunes aportam ao debate hoje em decurso em Portugal. Basta isto para que o movimento dos três partidos deva seguir no sentido inverso do cálculo político e da barganha eleitoral. Os problemas internos de contestação reivindicativa determinam que a Dilma falte o próprio partido tal como, em Portugal, os custos da aplicação do Ajustamento determinaram um stop decisório, a paralisia da coligação PSD-PP ante a montanha intransponível da absoluta urgência de cortes associada à máxima penalização eleitoral garantida: Dilma não pode escapar ao trabalho prioritário do País. É o seu pescoço que está em causa. Já o partido, os petistas, têm uma agenda estritamente política e de charme que não se compadece com desprendimento e filantropia políticas. Pensar em Dilma é perceber o dilema entre sucumbir à sombra de um partido, nos seus escândalos e lógicas pérfidas de sobrevivência, ou superá-la pelo interesse nacional. Dilema de Passos. Dilema de Portas. Dilema de Seguro.

terça-feira, julho 02, 2013

DILMA, MORSI E O DR. SOARES

A rua está a falar cada vez mais alto. Gritou na Turquia. Vociferou no Brasil. Berra agora no Egipto, rejeitando um presidente eleito, o islamista Mohamed Morsi, cujos passos políticos foram dados no sentido, não de uma reconciliação nacional, mas de um absolutismo islamizante, pé ante pé, medida ante medida. A rua é soberana no século XXI? Depende. Alguns, na Esquerda Impostora e Nihilista Portuguesa, convocam-na e ela não acontece. Nunca. A não ser que, num primeiro momento, se disfarce de movimento cívico Que se Lixe a Troyka para logo se expor e gerar desmobilização dado o facto de os portugueses odiarem ser manipulados do Sofrimento Real para o Nada Garantido, típico das Esquerdas Raivosas, do BE ao PS. A rua não se empertiga em Portugal. Não acontece em Portugal. Mário Soares, por exemplo, tomando a nuvem por Juno, considerou que os insultos organizados pelo Bloco de Esquerda e os arrufos promovidos pelo PCP, à chegada e à partida dos Ministros em eventos e encontros oficiais, chegariam e sobrariam para derrubar o Governo Passos. Não. A rua, aqui, é minoritária e até é parva: não se derruba um Governo para instalar em seu lugar o Nada-de-Jeito, dando força à Funfas Catarina, ao Gasoletas Semedo-Morcego, ao Frankenstein Jerónimo. As pessoas vão, sim, trabalhar, pedir à porta dos hotéis e das igrejas, emigram em massa, consideram muito mais útil ir lutar com as armas que têm pela própria vida e por um emprego precário, espécie de raspadinha com prémio, do que servir de gado aos partidos do sistema. Ninguém nos leva ao colo. Nem amigos. Nem família. Nem Igreja. Temos de fazer pela vida. A rua em Portugal não funciona, caso os instigadores dela se proponham trocar o inferno da Austeridade pelo terror de Coisa Nenhuma e Talvez Pior que Nada. Mas no Brasil, por um pouco Dilma e o seu Governo cairiam, se a rua quisesse, excluindo a opinião do dr. Soares, para o qual esses largos milhões de brasileiros zangados talvez mereçam o epíteto de golpistas e a rua brazuca seja epigrafável de ilegítima. O dr. Soares é amigo de Dilma. O dr. Soares não abençoa a rua que execre Dilma. E agora, no Egipto, é a praça de todas as primaveras árabes, Tahrir, que forceja a deposição de Mohamed Morsi. Não é anarquia. Estão é fartos de tirania. O que os jovens liberais e de Esquerda exigem, liderados pelo socialista Hamen Sabbahi e por Mohamed ElBaradei, é o fim de uma deriva subversiva, mesmo dos pressupostos da democracia, tentação em que caiu a Irmandade Muçulmana sob Morsi. Também os nazis ascenderam à tirania mediante eleições livres e injustas, que nunca mais foram livres nem justas porque não mais aconteceram. O exército, no Egipto, é, portanto, agora a última instância para as aspirações democráticas e laicas do Povo egípcio. Trata-se de um presidente que não resolveu nem a crise económica nem o desemprego, que está nos 13,2%, nem um défice fiscal que escalou para os 48% face ao período homólogo anterior, nem um endividamento externo já vai nos 80% do PIB. Mas há outras razões para um derrube iminente deste Presidente, legitimado em eleições mas logo iligitimado por tal desempenho económico e sobretudo pela deriva islamizante, actos e decisões que configuram alguns tiques de absolutismo religioso. A Irmandade Muçulmana perdeu prestígio. Se ganhou as eleições, há um ano, foi por um sentido de gratidão do eleitorado por longos anos de misericórdia e assistencialismo social, gratidão pouco lúcida, logo traída pela agenda islamizante e pela intolerância e castração de costumes com o que a juventude e os democratas não podem. A rua pode ser soberana no século XXI! Em casos extremos, o Parlamento pode e deve ser, por vezes, uma avenida da Liberdade repleta [Teria sido belo derrubar o segundo Governo Sócrates Fajuto com quinhentos mil a pedi-lo uma semana inteira nas praças e acessos da Capital]. Portugal, Brasil, Egipto: a menos que o dr. Soares não passe de um tonto hipócrita, dir-se-ia que o Povo-Rua só é soberano em Portugal, neste momento, contra a Agenda Austeritária da Troyka e contra o Governo de Direita. Não o seria contra um Governo Socialista sob a Agenda Auteritária da Troyka. Não o seria, mesmo em massa, contra o Governo Petista de Dilma. Quanto ao Egipto? Soares não sabe/não responde

sábado, junho 29, 2013

DILMA OU CABOTAGEM CABOTINA

O fim de quem governe com um olho demasiado gordo na sua popularidade não pode ser bom. Menos ainda se forem dois os olhos colocados na popularidade. Mandela não precisou disso. Bastou ser ele mesmo. Bom. Compassivo. Humilde. Mas o fim de quem governa segundo os índices de aprovação pode ser um desastre patético caso a dormência da inacção e volúpia da corrupção sigam como dantes, quartel general de Abrantes. É o caso nítido e notório do PT de Lula e Dilma. Este partido mergulhou de cabeça no lodo de Brasília. Vai ser difícil lavar as vestes no sangue do martírio ou na virgindade da actuação para começar tudo de novo. Se hoje o Palácio do Planalto cai em popularidade, essa queda pode bem ser inexorável, tal como a ascenção de Joaquim Barbosa, um homem probo, ou a realização do plebiscito anunciado com apoio de 68% dos inquiridos. Este é o clímax de um desgaste, a crise da imagem da Presidente cujos maus sinais foram dados a um auditório português incrédulo, é preciso relembrá-lo, aquando da mais recente visita a Portugal. Caprichosa e antipática, Dilma esteve horrível na pose e péssima no protocolo. O certo é que o PT já não pode deixar de passar colado aos piores índices de corrupção de sempre, venha dizer o que quiser Rui Falcão, presidente do Partido. É bom que os petistas comecem a tomar consciência disso antes que a queda se mostre feia. Por exemplo, as medidas anunciadas por Dilma — criação de um grupo de representantes eleitos pelo povo para propor mudanças na Constituição  ainda só é um anúncio e não se sabe se a máquina de engonhar do sistema planaltista permitirá que se reforme. O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia, PT-SP, assim como outros tentam, explicar pelo que melhor lhes convém esta queda de popularidade da presidente, alargando o âmbito do questionamento popular. Há um ataque pessoal e um sentimento de traição nas causas cívicas associado à figura política da Presidente, isso é óbvio, para além do invectivar de todos os demais políticos. A omertà político-partidária funciona, na hora H, tal como em Portugal: em bloco para proteger o sistema que a ceva. De coisas muito concretas se faz o protesto: não se pode ter estádios de luxo e serviços públicos de merda, a sensação que tudo se faz para ostentar um País de primeiro mundo no acessório, mas com uma saúde pública que piorou, uma segurança pública que piorou, um transporte público que piorou, uma inflação que pode piorar muito em função das alterações proclamadas pelo FED norte-americano na sua política monetária e dos Estados Unidos no plano das transacções comerciais, cuja linha proteccionista recrudescerá, o que certamente alterará equilíbrios monetários que importam ao Real , no desemprego que pode piorar, deslizando o gigante lusófono sul-americano para um tipo de incerteza quase europeia, não fosse a economia 60% de psiquismo de massas. E o que dizem os políticos do PT? Que a inflação está sob controlo, que o Brasil experimenta o pleno emprego contra uma crise mundial de dívida pública, injecções de capital estatal no sistema bancário europeu e sobretudo uma taxa de desemprego calamitosa, casos da Grécia, da Espanha, de Portugal. No Brasil, mesmo o poder de consumo aumentou, se excluirmos o consumo assente em pilhagens de massas desordeiras, repletas de criminosos e de excluídas. Aquilo que os petistas afirmam, a sociedade não sente, caso contrário não se manifestaria, rasgando as praças, aos milhares, numa teima inédita, tendo o rastilho sido a crise nos transportes antes de alastrar ao que estava entalado nas gargantas e à vista dos olhos. O Governo Federal está no cerne disto, claramente. As últimas manifestações inauguraram uma dinâmica cívica nova, um tsunami de indignação justificadíssima. Ela não pode ser escamoteada por ninguém, nem pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, quando reduz a questão da baixa de popularidade de Dilma Rousseff a uma mera questão conjuntural. Essa baixa pode ser estrutural porque nestas manifestações e protestos, Dilma esteve efectivamente no centro do apupo, no âmago da vaia. Sair de si mesma e de uma tendência arrogante no exercício das suas funções pode ser mais complicado que passar a pasta a outro. A cabotina cabotagem da governação dilmista terá de aprender as regras para a grandeza. Pergunto-me o que pensa disto o vampiresco dr. Soares. Será que, para ele, Dilma se deve demitir?!

sábado, junho 22, 2013

ROBOT DILMA

O discurso de Dilma é puro instinto de sobrevivência, absorvendo os postulados e pressupostos do movimento das ruas, música para os nossos ouvidos. Ao ouvi-la, um cidadão pensa: «Por que não enunciou este caderno de compromissos com o Povo antes?!»

sexta-feira, junho 21, 2013

DILMISMO

Cartoon in FdSP.

NO BRASIL TUDO É GRANDE

Dilma, a Medusa. Cartoon da FdSP.
Grande ironia que Dilma venha a Portugal, superioral e compradora, falar de negócios, a TAP, os CTT, conversar com o Avó Vaias Soares e o Afilhado Seguro, tenha chegado com enorme contempto por nós, pelo País e pelo seu Dia para, logo a seguir, de regresso ao Brasil se deparar com isto: um tsunami de execração da sua excelentíssima pessoa, da sua política sem qualquer Esquerda Dentro, dos frutos sumptuários do futebol e da corrupção nas derrapagens dos estádios com que se enchem despudoradamente os bolsos das construtoras e dos seus amigos políticos. Grande Povo o brasileiro. Tem sangue a sério. Não um sangue de insecto medroso como o nosso, pachorrento com corruptos, pachorrento com mentirosos, clemente com traidores.

quarta-feira, junho 19, 2013

DILMA NÃO ESCUTA NADA

Nova pesquisa de opinião pública reforça a tendência de queda na avaliação positiva do governo da presidente Dilma Rousseff
Se Dilma ouvisse as ruas, pronunciar-se-ia imediatamente contra a lei que prepara a castração dos poderes de actuação Supremo Tribunal Federal em casos como o do Mensalão.

DILMA ROUSSEFF OU A MATRIX BRASILEIRA

O que é que se passa no Brasil? Basicamente, o despertar de uma certa autoconsciência que converge em protestos pelas razões de sempre. Não há só alguma assimetria na distribuição da riqueza, mas tudo ali é simétrico, sendo dê por onde der. E não vale a pena a Presidência tentar distribuir demasiado o âmbito e os alvos do protesto. A corrupção é a marca de água do Regime. A figura da Presidente brasileira, Dilma Rousseff, está danificada irremediavelmente pelo curso habitual trilhado pela impunidade. A construção dos estádios para o Mundial de futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 teria de sofrer as derrapagens escandalosas da praxe, o que só se torna chocante quando se pondera as enormes carências e falta de qualidade na Saúde Pública, espectáculo quotidiano de negligência e descaso. Assim, o Governo dormente de Dilma dificilmente mudará o que não mudou nem moralizou até aqui, bem pelo contrário. As vozes pela mudança e a pressão social já não suportam a ambivalência das instituições e a sua enorme permeabilidade ao abuso. Por isso veremos o Rio de Janeiro, São Paulo e a maior parte das capitais estaduais envolvidas num protesto ao qual já só falta um Memorando de Exigências que acorde políticos desfocados como Geraldo Alckmin. Uma sociedade onde o preço das coisas é altíssimo, em que se tolera a má qualidade dos serviços públicos, a corrupção, os limites que a juventude enfrenta na concretização dos seus sonhos, lá como cá, um sentimento apartidário e sem ideologia senão o grande sentimento de mal-estar e de aviltamento pelo seu mundo ao contrário. Se há uma revolução cívica no Brasil, constante e tenaz, ela é filha do Facebook na congregação e autoconsciência das pessoas.   É o direito à indignação com o qual Rousseff tenta lidar com a melhor face e bonomia possíveis até porque todos os governos mundiais aprendem com os erros e o sangue vertido noutras manifestações e noutros Países. Mas o protesto não chega. Se ele terminar e nada mudar, foi tempo perdido e espectáculo substitutivo da novela das sete. O cansaço é com o cinismo do Partido dos Trabalhadores, com a construção inflacionada e repleta de derrapagens corruptas dos estádios do Mundial de futebol por contraste com a realidade terceiro-mundista dos hospitais públicos miseráveis, onde faltam profissionais e todos os recursos que dignifiquem os cidadãos. Não é mais tolerável que só um estádio, como o do Maracanã, ter sido alvo de grandes obras de reconstrução no valor de 345 milhões de euros e nada de equivalente se faça nos equipamentos de Saúde ou da Educação. Não é mais tolerável que o interesse das imobiliárias ansiosas por novas áreas para construir terraplanem e expropriem o simples cidadão mudado para qualquer lugar medíocre, como acontece na vila Autódromo, na zona ocidental, lugar da futura Aldeia Olímpica. Bastou o rastilho do aumento do preço dos autocarros em São Paulo, num sistema com veículos que são os mesmos desde há quase uma década. O paradoxo brasileiro é, portanto, chocante e terrível. Resta saber se esta espécie de acordar cívico, com todos os riscos de apropriação pelos saqueadores e violentos, terá consequências palpáveis ou morrerá na mais completa inconsequência. Repare-se que o facto de algumas cidades estaduais anunciarem um recuo nos preços dos transportes, isso já não tem qualquer peso dissuasor. Dilma, que há dias veio mostrar toda a sua altivez despreziva para com o minúsculo Portugal na sua cabeça, em pleno dia 10 de Junho, está no olho do furacão. É ela precisamente o alvo simbólico dos protestos que deflagram nas cidades e pouco ou nada a salva da detracção e do cansaço de todo um Povo sem Esquerda e sem Direita. Se foi capaz de desprezar oficialmente o Dia de Portugal e, portanto, os Portugueses, e, portanto, Portugal, ninguém estranhará que despreze o Nordeste Brasileiro como País à parte do Sul próspero e rico, ou que despreze cidadão imbecil que espera seis horas agonizando num hospital público. O que toda a gente/todo o mundo percebe que Dilma, face visível da Matrix brasileira, já abriu as pernas aos milhões que enchem os bolsos das construtoras e dos interesses instalados graças às exorbitantes derrapagens corruptas. Lá como cá, a arrogância da Esquerda, a corrupção da Esquerda, a impunidade da Esquerda, o grande biombo da gula e do abuso com que se fazem milhões para gastar em Paris.

terça-feira, junho 18, 2013

DILMA EM MAUS LENÇÓIS

Os brasileiros não têm razões para se orgulharem de Dilma, à uma por ter consentido derrapagens absolutamente obscenas na construção dos estádios do Mundial, nada de surpreendente no paraíso do Mensalão. Em face da miséria e da desigualdade de imenso daquele povo, o escândalo avulta ainda mais. De um lado a corrupção da construção dos estádios e do outro o aumento insensível dos transportes públicos, dois pesos e duas medidas. Um erro político crasso desta presidência. Preconceituosa e insolente, Dilma, como muito bem analisa ABC, veio dar um péssimo sinal desprezivo a Portugal e aos Portugueses ao ignorar a celebração do nosso Dia e ao receber a Ruindade do Regime, Soares, e a Corrupção Político-Partidária do Regime encabeçada simbolicamente por Seguro, só porque se travestem de Esquerda e já snifam Poder. Cá se fazem e cá se pagam. Grandeza e nobreza em défice na Presidente não auguram nada de bom no plano interno. Outros caíram por bem menos.

segunda-feira, junho 10, 2013

VAIOCRACIA DO DR. SOARES

Se o dr. Soares acha que a democracia deve render-se à vaiocracia, deveria considerar atentamente a quantidade de insultos que recebe nos comentários aos seus artigos de opinião no DN. São centenas de vaias a cada texto. Por que não organiza um campeonato de urradores na Aula Magna a ver se assim se resolve um só problema do País?! Uma vergonha que o ancião, na sua tolice e na sua irresponsabilidade, não compreenda o que está em causa e que riscos corre Portugal com uma crise política neste momento crucial. Temos de nos libertar do fermento fúngico e completamente estéril do dr. Soares e do dr. Pacheco. Segundo eles, quando as coisas estão más devem piorar. Todos os pretextos servem à sanha revolucionária e golpista do dr. Soares. Isto porque não se enxerga: não quer perder o que tem; quer legar a sua cadeia de comando e influência maçónica plutossocialista a um sucessor qualquer, pode ser Seguro. A corrupção antes de ser qualquer outra coisa, é moral e espiritual e parece ser a grande lepra de que padece a vetusta eminência parda, Mário Soares: tragicamente, está a milhões de milhas de ter sido alguma vez um Mandela para os Portugueses. Não passa de um Mugabe sorrateiro, de um Fidel conspirativo, de um Ceausescu enrustido, pode beijocar e imposturar Dilma como quiser.

quinta-feira, novembro 29, 2012

O PERIGAR DA PRESIDÊNCIA DILMA

«Pelas informações vazadas a conta-gotas, até agora, da Operação Porto Seguro, fica evidente que o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua continuadora, Dilma Rousseff, e o grande líder petista José Dirceu de Oliveira e Silva, tinham bastante domínio dos fatos sobre como a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Novoa de Noronha, coordenava um time de corruptos, em um verdadeiro governo paralelo, com esquemas que favoreciam empresas e pessoas interessadas em obter vantagens ilícitas junto a órgãos federais e agências reguladoras. O Padrinho (Godfather) de Rosemary Novoa de Noronha repete o velho discurso de sempre de que “nada sabia” e agora se “sente traído” pela amiga e assessora do seu coração – que agora caiu em desgraça. No papo furado, mandado espalhar na mídia amestrada pela máquina de contra-marletagem petista, Lula teria dito: “Eu me senti apunhalado pelas costas. Tenho muito orgulho do escritório da Presidência, onde eram feitos encontros com empresários para projetos de interesse do País”. A certeza geral é que o Mensalão nunca acabou. Aliás, se sofisticou.

sábado, janeiro 01, 2011

BRASIL: DILMA TOMA POSSE

Não me converti num fã de última hora, mas o que Dilma Rousseff faça de importante, importará para os novos equilíbrios mundiais emergentes. Eleita em Outubro, tomará posse hoje como Presidente do Brasil, a primeira mulher a assumir o cargo na história do País, o que não deixa de ter a sua importância. Sabe-se que no discurso de tomada de posse, vai fazer o elogio de Lula e dirá que a sua missão de agora em diante «é a de ampliar o caminho trilhado por ele». Ok. Pois, mas não vale a pena hostilizar os EUA de Obama à maneira de Chávez e abraçar estados pária como o Irão. Isso parece populismo de barriga cheia de petróleo e outros recursos naturais. A importância do Brasil no planeta necessita de um complemento de moralização das suas instituições que se supõem democráticas, plurais, e não somente intervenções de fachada a propósito de o Mundial de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. As lideranças modernas, porém, caracterizam-se pelo unidimensional, uma gula por hegemonia política  descomunal, uma extrema e descarada promiscuidade dos negócios com a política. Assim vai o Brasil, Portugal e parte do Mundo.

domingo, outubro 31, 2010

DILMA, FIDEL, CHÁVEZ

Os brasileiros não são burros. Elejam ou não elejam Dilma, estão de sobreaviso em relação à não inocência da sua classe política. O corrupto político brasileiro, tal como o português, assegura por todos os meios a devida endogamia republicana para que direitos adquiridos e benefícios se mantenham intocados. Acontece em Portugal e noutros países subdesenvolvidos: por isso são sempre os mesmos e o diferente é rechaçado. A vitória da candidata 13 pode ter sido anunciada, mas graças à obrigatoriedade de votar no Brasil, todas as surpresas têm parto. 

sexta-feira, setembro 17, 2010

NOTÍCIAS DO DILMISMO

Quando se coteja a vida pública brasileira com a vida pública portuguesa, coisa que se deve fazer todos os dias, vê-se uma estreita semelhança. As segundas e terceiras linhas de manobra são apanhadas no torvelinho das denúncias e dão as costas, o flanco e a fronte à decorrente agitação mediática. Mas as primeiras linhas saem incólumes, lavam as mãos. Não sabiam de nada. É claramente o caso da sucessora de Dilma Rousseff como ministra da Presidência, Erenice Guerra, acusada de tráfico de influências. Pediu ontem demissão do cargo, depois de um empresário ter acusado o seu filho de pedir 204 milhões de ‘luvas’ e mais 2,2 milhões para a campanha de Dilma em troca da concessão de um empréstimo milionário. Isto é a guerra e o preço de uma eleições com desfecho anunciado. As sucessivas denúncias contra assessores e aliados não abalaram o projecto presidencial de Dilma Rousseff. Paradoxalmente, tal como as sondagens em Portugal, uma da DataFolha mostra-a virtualmente eleita, com 51% das intenções de voto, contra apenas 27% do principal opositor, José Serra. Em relação à sondagem anterior, Dilma até subiu um ponto. Isto apesar das denúncias de violação de sigilo por parte de opositores e das acusações de tráfico de influência que levaram ontem à demissão de Erenice, sua protegida política e sucessora no cargo de ministra da Presidência do governo de Lula da Silva. Nada mais habitual e sobretudo nada mais familiar para padrões europeus e portugueses.