Acredito na Europa, apesar da Grécia. Se esta compromete o projecto do Euro e a unidade do continente é do interesse de todos encontrar uma solução sábia que impeça o abismo que sorverá e derrubará, no seu provável colapso, não apenas a si mesma, mas boa parte da economia mundial. O Mundo já compreendeu que não poderá deixar cair a Europa sem se estatelar dolorosamente no processo. Não é do interesse da China nem do Brasil nem da Índia nem da Rússia o colapso provável, até iminente, da Europa. Entretanto, é bom termos um Governo cujo primeiro-ministro assume, honesto, a probabilidade de um segundo resgate, tem um pensamento realista acerca da TSU, enfrenta com sobriedade as dívidas da
Madeira e das empresas de transportes falidas, ignora a falsidade oportunista do enésimo inquérito-crime do Procurador Pinto Monteiro, aproveitando a onda, à situação madeirense. É reconfortante um Governo que, pela mão do ministro
Relvas, desmantela a quantidade colossal de tetinas inúteis e caras na Administração Local, por mais que estrebuchem os funcionarizados dependentes que o socialismo nutriu e cevou. Quanto à Europa e ao Mundo, dispensam bem o desespero ressabiado e o pessimismo anal. Busque-se o êxodo dos problemas e o êxito neles. A implosão do Euro não é uma fatalidade nem sequer uma opção. Há uma revolução silenciosa no emagrecimento de uma administração sebosa e na transformação cultural de uma lógica de dependência estatal para outra de trabalho pelo trabalho. Haja o que houver na Europa e no resto do planeta, essa revolução, que é nossa, far-se-á certamente.