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quarta-feira, abril 02, 2014

EM CASA DO NEGOCIANTE ARNOUX



Tu detiveste-te várias vezes na escada, tão forte o coração te batia.
Uma das tuas luvas, demasiado justa, rebentou;
e, na altura em que enfiavas o rasgão pode debaixo do punho da camisa,
Arnoux, que subia atrás de ti, agarrou-te pelo braço e fez-te entrar.

A antecâmara, decorada à chinesa,
tinha uma lanterna pintada no tecto,
e bambus nos cantos.
Quando atravessavas o salão, tropeçaste numa pele de tigre.
Não tinham acendido os brandões,
mas dois candeeiros ardiam no toucador ao fundo.
A Menina Marthe veio dizer que a mamã estava a vestir-se.
Arnoux levantou-a até à altura da boca para beijá-la;
depois, querendo ser ele próprio a escolher na cave certas garrafas de vinho,
deixou-te com a criança.

Tinha crescido muito desde a viagem de Montereau.
Os cabelos castanhos caíam-lhe em compridos canudos ondulados
sobre os braços nus. O vestido, mais tufado do que a saia de uma bailarina,
permitia ver as barrigas das pernas rosadas,
e toda a sua gentil pessoa cheirava a frescura
como um ramalhete.
Recebeu os comprimentos do cavalheiro com ares sedutores,
fixou neles os olhos profundos,
depois, esgueirando-se por entre os móveis,
desapareceu como um gato.

domingo, agosto 01, 2010

UM JANTAR

Às vezes, acontece-nos ter momentos fantásticos urdidos na luz de um jantar. Ontem foi o caso. Com sete, oito ou mais à mesma mesa, ali nos reunimos apenas para a delícia de gostarmos de gostar uns dos outros na maior das simplicidades, sem agenda de assuntos. Sem agenda de qualquer outra natureza. Evocar amigos. Seguir em modo aleatório. E tudo somente a pretexto da bloga. Escutarmo-nos com interesse e sensibilidade vale tanto ou mais que o uso pleno, exuberante, esclarecedor da palavra e essa palavra ser até leve, humilde, num humor liberto em voo e pronta a surpreender. Valerá a pena momentos assim. Sempre. 

sábado, janeiro 19, 2008

FORAL DE FOR EVER


A Bloga pode ser uma Carta de Marear até ao cerne autêntico do outro
e um jantar somente o pretexto para confirmar esse Íman de Amizade
que nos arrebatou, mal nos encontrámos por aqui, num longínquo dia,
e começámos a interagir de modo constante e leal,
barra de aço que se desloca para aqui e para ali
numa amistosa construção cúmplice.
lkj
Certo é que o Oceano das Novas Descobertas que valem
é este Aqui-d'el-Blogue. Aqui somos nós as Naus
com que se rasgam estas Virtuáguas,
com que se corta a escuma rumo às Índias Novas de fazer Amigos
ou descobrir Amigos
ou reparar que eles existem para nós
e nós para eles e é esse o Milagre do Tempo Áspero Presente.
lkj
As Tempestades e os Equívocos são um risco,
conjunção de ventos e de sentimentos mesquinhos
que se abatem sobre nós, mas contra os quais, e apesar dos quais,
há que navegar, singrar, rompidas as velas.
A nossa nau tem de seguir.
Há um porto acolhedor e aprazível nos que nos são amigos,
nos que nos são benévolos,
nos que relevaram aqueles pormenores nossos que, de tão nossos,
se tornam verdadeiramente especiais para eles.
E eram só Texto antes de serem tão Gente.
lkj
Não acreditamos em perseguições, em eliminações,
em que se possa banir quem quer que seja.
É preciso que não se confundam patamares.
Buscar a Verdade, tê-la Nua e vivê-la Pura
não é andar com a Marreta Moralizadora e Exemplar atrás.
É antes um exercício de delicadeza com as pessoas concretas,
mas de ousadia e de lucidez com base nos factos que, conhecidos,
não lesem a Ética para com elas.
A Arte roça os limites,
mas é a Arte e satiriza ou hiperboliza
porque quer emocionar e gerar contraste,
não quer humilhar nem apoucar Gente.
lkj
Foi este o Espírito subjacente ao nosso Jantar
sem que o convencionássemos. Eis o que somos.
Eis em que cremos.
lkj
E eu gostei de à mesa de jantar ter junto a mim,
na mais agradável Nobreza e Lealdade,
o António-Implume, o Tiago-Com-Fixadores e a ti,
Tarantino, que és todo Fibra, Acção, Energia, Vivacidade
e Experiência de Vida.
lkj
És também Lealdade. Quem vier poluir de falsidade o que és, mente!
Quem vier atacar de supositórios e estimativas depreciativas o que sejas, mente!
Conversámos de Tudo, é verdade.
A Lealdade, a Transparência e, repito-o, a Nobreza,
corriam paralelamente às nossas palavras.
E não idealizo nada. Falo do que sinto, do que observo,
do que estimo, caso o detecte.
lkj
E ainda bem que se pode celebrar uma coisa Bela e Perene,
como gostar das pessoas de quem gostamos
por elas mesmas e pronto. Porque gostarmos delas
está para além das razões, embora acumulando-as intermináveis.