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sábado, novembro 17, 2012

MEU CRISTO, MEU TUDO

«Ichthys (also Ichthus or Ikhthus /ˈɪkθəs/[1]), from the Koine Greek word for fish: ἰχθύς, (capitalized ΙΧΘΥΣ or ΙΧΘΥϹ) is a symbol consisting of two intersecting arcs, the ends of the right side extending beyond the meeting point so as to resemble the profile of a fish, used by early Christians as a secret Christian symbol[2] and now known colloquially 
as the "sign of the fish" or the "Jesus fish.» Wikipedia

quinta-feira, setembro 20, 2012

JESUS DISSE A MARIA: «NOLI ME TANGERE»

Há papiros milenares para todos os gostos e sensibilidades comunitárias, mas uma coisa é certa: o Filho de Homem tomou discipulos para Si e algumas mulheres seguiam-no. Há uma mulher histórica de uma proximidade maior ao mesmo Jesus histórico, a primeira a vê-Lo, após a ressurreição, mulher fortíssima e importantíssima para a afirmação inicial da Via: «Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, virando-se, lhe disse em hebraico: Rabuni! (que quer dizer, Mestre). Disse-lhe Jesus: Não me toques porque ainda não subi ao Pai, mas vai a meus irmãos e dize-lhes que subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus.» João 20, 16-18. Ora, o impulso de tocar em Jesus, agora Glorioso, não poderia ser uma liberdade senão dentro de e no contexto de uma extrema intimidade, de resto semelhante à dos demais discípulos. A maravilha está em que se tratava de intimidade, amizade, cumplicidade, com uma mulher, o que não deixava de ser absolutamente revolucionário, como de resto toda a Mensagem Evangélica, onde já não há homem nem mulher, judeu ou grego. Os problemas culturais com a mulher ainda hoje naquela região simplesmente atestam o grau de novidade que o cristianismo comportou.

segunda-feira, abril 09, 2012

FALTA CUMPRIR A MULHER

A importância que Jesus deu à mulher e às mulheres, dignificando-as, consentindo-as como discípulas, num tempo e sociedade onde isso chocava com a pátina cultural semita, foi algo de tão Novo que permanece incompreensível como ainda hoje elas se mantêm afastadas da plenitude igualitária, seja nos salários, seja nos papéis vedados que a religião cristalizou vedar-lhes e logo em sociedades que se consideram filhas do progresso. Depois de Maria, a Mãe Santíssima, ninguém se iguala à corajosa, desassombrada e carismática Magdalena, a qual, aventa-se, terá tido um papel crucial na primeira evangelização. Ainda que por demais proclamada e querida, falta cumprir a mulher.

sexta-feira, abril 06, 2012

"PARRHESIA" — INDIVÍDUO E SOCIEDADE

«O processo de Jesus a que sempre regressamos na Páscoa condenou um homem por dizer a verdade. No Novo Testamento encontramos muitas manifestações desse dizer a verdade, dessa revelação da verdade, que aí e no pensamento cristão se confundem com a confiança que podem ter os que acreditam em Deus e os que aceitam pregar “francamente”, como diz S. Paulo, em nome de Jesus. Quando se apresenta aos fariseus, Jesus afirma abertamente que é filho de Deus. Jesus assume que tem de usar um discurso directo, claro, desprovido de obscuridade ou figuras de estilo. Este falar com franqueza, ou este falar livre (não é por acaso que os franceses dizem “franc parler” e os ingleses “free speech”, discurso franco ou discurso livre) era uma prática a que os antigos gregos chamavam “parrhesia”. Na Grécia antiga o conceito de parrhesia significava literalmente “falar tudo” e, por arrastamento, “falar livremente”, “falar ousadamente”, o que em certos contextos era não só necessário Pedro Lomba como inescapável. Falar com parrhesia não consistia numa simples actividade verbal, não era apenas liberdade de expressão, porque aquele que discursava com parrhesia aceitava dizer tudo, com abertura, aceitava dizer a verdade para o bem comum, mesmo em situação de risco pessoal. Não omitia nada, não concedia nada, não tinha em vista convencer uma audiência mas expor uma verdade potencialmente inconveniente e destruidora. E, como não conhecia que consequências recairiam sobre si por dizer o que disse, os riscos podiam ser de morte. No último curso que deu no Collège de France antes de morrer, Michel Foucault dedicou-se a estudar a parrhesia como conceito essencial da vida política para os gregos, relacionando-o com o papel da verdade e dos discursos sobre a verdade em democracia. Era um conceito ambivalente, difícil de deslindar. Foucault lembrava que já na Grécia a parrhesia era entendida tanto num sentido positivo (o que diz tudo para o bem comum) como negativo (o que diz qualquer coisa que lhe vem à cabeça, o que não se cala, o que não se restringe). Por isso, podíamos ver a democracia como o regime que permitia a parrhesia, mas também como o que facilitava o seu uso destemperado por quem tudo diz sem pensar no que diz. Para regressarmos ao processo de Jesus Cristo, torna-se agora evidente que a sua condenação não partiu só de uma multidão ou, dizendo de outra maneira, de uma maioria democrática, ansiosa por punir uma voz que lhe parecia fraudulenta e ameaçadora. Foi, mais do que isso, a condenação de um acto de parrhesia, a recusa de um gesto corajoso de franqueza. Porque em democracia — e essa é uma das lições políticas do julgamento de Jesus — são sobretudo os que dizem falar com abertura, falar ousadamente, que mais expostos ficam a um voto de desconfiança e rejeição. Temos muitos exemplos disso sempre que alguém denuncia um escândalo, uma fraude, uma mentira colectiva — e a multidão reage inquieta, talvez por ter sido disturbada no seu sono injusto. A parrhesia, o acto de dizer a verdade, pode ser perigoso para a sociedade no seu todo, tal como pode ser perigoso para o indivíduo na sua própria vida e integridade. Ninguém diria que viver em democracia é “viver perigosamente”, mas é isso exactamente que é. E quem nunca teve ou procurou o seu momento de parrhesia, falando tudo, aceitando todos os riscos de uma espécie de conversão?» Pedro Lomba

domingo, dezembro 25, 2011

JESUS, OS EFEITOS INDELÉVEIS DO ESPÍRITO SANTO

O que é necessário é absorver Cristo e sê-lo na compaixão e no sentido do Outro. Temos, no Porto, um Homem com Palavra cristalina, um Sábio no sentido bíblico do termo, a dizer o que é preciso à nossa sociedade doente. Vale a pena lê-lo, vale a pena ouvi-lo. Profetas e homens de causas não passam sem deixar uma marca transformadora, ainda que pereçam fisicamente. «E, quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que foi dito por Deus: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, e o Deus de Jacob? Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos.» Mateus 22.31-32

quinta-feira, outubro 27, 2011

MAIS HOLOFOTES EM SPOK-RODRIGUES

A sério que fico feliz com o sucesso de José Rodrigues dos Santos. Não me apoquenta minimamente a suposta polémica em torno de O Último Segredo, o último romance, mas não o definitivo, de JRS. Na hora de vender romances-tese e teses-romance, este pivot da RTP cujas orelhas parabólicas nos fazem duvidar se não será um extraterrestre escritor, um irmão escritor de Spok, o último dos duendes escritores com grande privança e amizade à Branca de Neve, não faz por menos: propõe-se revelar a «verdadeira identidade» de Jesus Cristo. Ok. Faz muito bem. Aproveitando o balanço, que tal encontrar os ossos de Maomé, o terceiro olho de Buda e as botas de Judas, onde quer que as tenha perdido?! Os evangelhos apócrifos pertencem a uma categoria de textos que está para a Palavra de Deus como a Caras para a revista Science: não têm nada a ver, servem propósitos absolutamente diversos e não está posto de parte que o sensacionalismo contido nesses apócrifos fosse a gorda minhoca no anzol suculento do texto, passível de negócio quanto mais absurdo, e seriam mais papiros em circulação por uma pequena soma de dinheiro. Por isso, continua a custar-me que o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura tenha perdido tempo a ler um romance. Não fazem mais nada senão lerem romances e dar relevância a autores e edições? O que se ganha em acusar o escritor de «escrever centenas de páginas sem saber do que fala»? Estarão os textos da Fé ao mesmo nível que a pena criativa e pesquisadora do Rodrigues na Wikipedia? Será que Rodrigues dos Santos e a minha Igreja Católica têm um convénio de promoção recíproca? Depois, quanto à treta de Cristo não ser cristão? Ó José, tu bebeste assim tanta água do 'nosso' Rego-d'Água? Essa designação é absolutamente tardia e portanto um anacronismo esperá-la aposta ao Cristo histórico. Inicialmente, a Fé era A Via e os que A seguiam [como ainda seguimos] chamavam-se [e chamam-se] os Santos, revestidos de Cristo, porque mergulhados no Seu Baptismo e no mistério da Sua Morte e Ressurreição. Quanto ao facto de Maria poder não ser virgem, nós, os crentes, amámo-La incondicionalmente e não estamos minimamente interessados em questões íntimas, especialmente tendo em conta o Bendito Fruto do Seu Ventre que A faz Bendita entre todas as mulheres.

sexta-feira, setembro 23, 2011

APROXIMAR-ME DA VIDA

Tento contrariar a lei do progressivo afastamento da vida, tal como a enunciava e praticava Proust a bem dos seus miolos, com uma intensa e extensa fadiga física, meu único vício que me faz percorrer mais de cinquenta quilómetros a pé, todas as semanas, para lá e para cá, rumo ao trabalho e ao descanso no lar familiar. Quero aproximar-me dela, da vida, como Cristo do Leproso, rompendo a convenção.

sexta-feira, abril 22, 2011

sexta-feira, setembro 10, 2010

MEU PAI, MEU EMAÚS

Ontem reparei nas tuas mãos, meu pai. Essas mãos que foram jovens, firmes, amplas, sempre afáveis, ostentam hoje o mesmo calor mas numa carne levemente emurchecida, beleza nova. Têm Deus na textura, no tom moreno de Judeu Português. Falavas, ao jantar, à mesa onde nos sentamos todos os dias, bebemos o vinho rubro, tomando a frugal refeição. Comecei a reparar nelas, súbita epifania, como os de Emaús no Desconhecido cujas palavras lhes incandesciam o âmago e logo desapareceu para existir ainda mais incomparavelmente para eles e para os demais. Essas mãos! Como as caminhadas intermináveis escola-casa e casa-escola que fazia muito jovem ainda, quando por qualquer razão todo eu era uma prece pungente e no entanto discreta pela saúde e protecção de ti, pai, e da mãe, fiz, só nesta semana, cinquenta quilómetros a pé, dobadoira humana, tecendo perseverança, indo ao garante do meu pão mínimo, sob o sol nascente, e voltando dele, sob o sol poente, entre o ardor do meu suor e a mansa brisa, fadiga de peregrino demandando a própria paz. Austero, farei o mesmo a cada dia, todo o santo ano, meu Emaús, meu pai. Por ti, por elas. E tanto mais obstinado, sob o sol, o frio, a chuva, quanto mais me disserem: «Tu não vais conseguir.»

domingo, abril 18, 2010

TOMÉ

Foi inspirador ler algumas das reflexões teológicas no blogue Iktuslogos levado às costas pelo Fernando Mota. Reparo nas suas palavras. Suspendo-me da iconografia seleccionada. Extasio-me com ela, aliás. Meteria, como Tomé, a minha mão nas chagas abertas do meu Senhor Glorioso, não porque anteriormente tivesse duvidado (pertenço à estirpe daqueles que acreditaram sem terem visto) mas porque o Tacto e o Contacto são a aspiração suprema daquele que Crê, por isso Arrisca, por isso Ama. Ter Fé é tomar posse do Corpo Comungado e do Corpus total anunciado e acreditado: creio na Ressurreição da Carne! Creio na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica e na convergência basista, essencial, dos crentes em Cristo. Creio na obra espiritualizadora do Cosmos pelo contágio potentíssimo de Cristo Pantocrator. Se a Europa não voltar a si, voltando ao seu Inspirador e Senhor, não será senão sal calcado, isto é, Nada. Já vai sendo coisa nenhuma.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

ORAÇÃO-PÃO PARA O CAMINHO 2008


Busco-vos de todo o coração, Meu Deus.
Talvez os que me lêem patologizem o que escrevo,
mas o que escrevo é porque Vos busco.
Não limpo de escória o que escrevo,
não encho já de Serenidade
e Posse de Vós o que escrevo, meu Deus.
Não ainda a contenção educada.
Não ainda o pudor e a ética higiénica no que escreva.
Não ainda a assepsia cuidadosa e delicada no que escreva.
Não ainda.
Por enquanto, também a loucura,
por enquanto, também o impulso,
por enquanto, também o imprevisto.
Quem me lê só à superfície, que não perceba já o âmago de mim,
quem fica na minha letra e não penetre no Espírito do que escrevo,
que não perceba já o âmago de mim.
Só no fim, juntadas todas as peças,
vista a paisagem inteira de mim, Tu lá estarás,
escondido entre nas minhas contradições e rebelias.
Presente no cerne-Cedro dos meus acessos e fúrias.
Porque eu hoje sou um rio em enchente, bruto, táureo, caudaloso,
rumo a Ti-Foz, revoltoso em espumas, em bruás
e levo lamas
e levo troncos
e levo lixos de insatisfação por mim mesmo (sou remoinhos! sou vórtices!)
e pelos meus irmãos à míngua.
Todavia, não estou perdido: firmei meus pés em Ti há muito tempo.
Tu, antes, Tu, durante, Tu, depois,
ó Cristo nascido da Virgem,
Senhor do Cosmos,
da História Alfa e Ómega!
Supremo Demiurgo-Logos-Verbo Criador!
Supremo Taumaturgo de todo o meu ser!
És Tu somente o meu Alfa e o meu Ómega,
Sentido Último de tudo em mim.

terça-feira, novembro 06, 2007

MAR SALGADO E UM OCASO


O que vai escrito aqui suscita milhões de pensamentos e reacções,
no meu caso, os primeiros seguirão algo desconexos
devido ao grande e compreensível sono que por estes dias me verga.
çlk
O abismo atrai o abismo: o amor da ciência
não é a fé nela como num absoluto ou sequer no racionalismo como noutro.
De fascínio em fascínio, a Ciência, mesmo assim, não pode retribuir
como pode a plenitude da Relação com o divino no humano.
lkj
O que convém ao Homem é uma noção integradora e holística

que nada exclua da experiência e intuições luminosas dos nossos antepassados,
seja ela na vertente mística e ânsia de Além traduzível numa ética e numa delicadeza
incomparáveis e sublimes para com os nossos semelhantes,
seja no permanente questionamento e transformação da realidade.
lkj
Amar a Deus com todo o Ser,
com toda a mente, de todo o coração,
é uma formulação abrangente e ambiciosa
que exige se lance fora todos os orgulhos suicidários
que nos foram dizimando desde o princípio,
não a Ciência ou o Progresso.
lkj
O orgulho racionalista não integra outras dimensões
da complexidade que nos constitui e o problema de Deus
não é enfrentável eliminando-O sem que nos eliminemos em simultâneo.
A nossa caminhada no Planeta tem um peso eminentemente religioso
de muitos milhares de anos que não representa qualquer lastro,
mas a bela experiência de uma peregrinação comum.
lkj
Hoje, até as nossas mais profundas ânsias estão soterradas de pragmatismo,
dispersas por mil e uma coisas,
e o Céu é olhado com desdém.
Urgente, por isso mesmo, uma refontalização.
Isso faz-se tanto com uma pregação ardente e convicta
quanto com uma calorosa e acolhedora caridade fraterna praticada.
Tudo, porém, está em crise e numa dormência impressionante.
Comiam e dormiam e não quiseram saber
até que sobreveio a PARUSIA como um ladrão.
lkj
No último domingo, eu,
que andava com o coração pesado de preocupações,
dei por mim à beira-mar, por longos minutos testemunhando um novo e belíssimo ocaso.

Ao meu lado a minha amada.
À minha frente, brincando na areia, a minha filha.
E o que foi extraordinário foi sentir um vislumbre,
um odor passageiro, do tempo em que vivia leve,
inteiramente nas mãos de Deus, praticando deliberadamente o ser criança,
despreocupado, numa essencialidade límpida de coração.
Sempre leve, sempre com os olhos postos no Alto

e, claro, imensamente feliz por isso mesmo.
Ali estávamos nós diante de um mar sereno,
de um azul muito intenso, um sol que lento se escoava em fogo,
aviões a grande altitude, cruzando os céus
com os seus alvos rastos de estratosférico gelo e um rebrilhar ao sol poente:
tudo tão belo e inspirador. Tudo magnificamente evocador para mim.
lkj
Depois de essa breve impressão-recordação-sensação
regressei às preocupações
e ao registo pesado de viver aflito com as coisas quotidianas do costume.
Ficou a noção de como é fácil ser feliz, dentro de um sábio despojamento,
e de como uma vida espiritual intensa basta para nos dar o cume da alegria.
O meu cume da alegria, obviamente, é o CRISTO comungado e escutado com o coração.
Ele que está Vivo e Reina ONTEM, HOJE e SEMPRE.
kjh
É à Sua Casa que eu regresso. E às vezes o que é duro e difícil é só isto:
REGRESSAR.

segunda-feira, julho 02, 2007

DA NECESSIDADE DE SER


Terei nas mãos a humildade de saber que será.
Terei diante dos olhos a certeza de que será.
Farei sempre por acordar de todas as lutas vãs.
Farei por recordar que há uma vereda sinuosa até ao cume,
que há uma Fonte Límpida que irrompe da Rocha,
que há ainda onde Incenso é o único odor.